quinta-feira, janeiro 31, 2008

Grande Entrevista


Acabei de ver a “Grande Entrevista” dirigida pela jornalista Judite Sousa, entrevistado Dr. António Marinho Pinto.

Com o esperado e antecipado discurso explosivo iniciou a entrevista com uma Judite Sousa a depressa perceber que o homem do Bastonário é um homem de convicções liberdades e virtudes, nunca esquecendo o seu dever cívico e no actual caso de bastonário da Ordem dos Advogados.

Falou de corrupção, tráfico de influências, desde as esferas circundantes do governo, passando pela Assembleia da Republica (deputados), passando por uma ineficácia do Ministério público e Polícia Judiciaria, terminando nas lides mais locais, as Autarquias…

Provavelmente já todos nós ouvimos falar sobre um ou outro boato de corrupção. Para aqueles que cresceram com valores morais, cívicos, nos quais assentavam pilares de verticalidade, credibilidade e seriedade de cidadania, o respeito pelas partes fazendo um todo intocável, depressa perderam as ilusões de uma sociedade justa e democrática…

Ouvi atentamente um cidadão deste meu país, que me prendeu à tv. Das alusões feitas, ás praticas utilizadas por instituições governamentais e privadas, de todos os casos que referenciou, aos quais apenas podemos no gesto de cabeça, concordar com a sua existência… Ou pelo menos desconfiança de boas praticas, por aqueles que tantas vezes nos tentam atropelar com falsas verdades.

Senti-me particularmente tocado, quando referiu a guerra feita ao partido socialista e à direcção na altura. Á tentativa de descrédito a titulares, o querer individualizar para ferir… Conseguiram … Mas não mataram… Quero acreditar que aqueles e outros, irão ajudar este Dr. António Marinho Pinto, na assunção de um Portugal de facto mais justo, democrático e leal…

Eu acredito nisso. Gostei…

Espero que tenha força e coragem para continuar a alertar o que toda a gente vê, o que alguns sentem e no que alguns, poucos recolhem... Todos comentamos, todos vemos... Já chega de ficar parado a não fazer nada...

Acreditem como eu...

Campanha interna


Já devem ter percebido de que tenho o meu tempo disperso por vários projectos.
Este, o do Miguel Coelho, é um dos últimos.
Preparamos uma candidatura à Concelhia de Lisboa do Partido Socialista; e nessa qualidade tenho percorrido, com o candidato, muitas secções do PS em Lisboa. Com prazer e entusiasmo.
Temos preparado, de todas as sessões, pequenas reportagens – textos, fotografias e vídeos – que podem ser consultadas aqui.
Regressarei ao tema.

Quase deixávamos passar

Há 60 anos (no dia 30 de Janeiro de 1948), foi assassinado Mohandas Karamchand Gandhi (मोहनदास करमचन्‍द गान्‍धी em sanscrito). Um exemplo nunca esquecido.


Desistências

John Edwards desiste, do lado Democrata, sem apoiar ninguém (para já).

Rudy Giuliani desiste, do lado Republicano, e apoia John McCain.

PES in USA


From Monday February 4 to Friday February 8 PES President Poul Nyrup Rasmussen leads a European Socialist delegation to Washington and New York to meet leading US Democrats.

He will be there on ‘SuperTuesday’ when 22 states choose between Hillary Clinton, Barack Obama and John Edwards for their candidate for the Presidential elections.Next week might be a turning point in American history – and you’ll be in front row for news!

Yourspace will be blogging from the delegation and answering your questions. What is on the Democrats’ policy agenda – and what will it mean for the PES and our manifesto for the 2009 European elections? What are the prospects for the PES and US Democrats to make the world a better place? Yourspace will put your questions to members of the delegation, and report back on issues you raise – just put your question in a comment to this post.

The PES President will be joined by Romanian Social Democrat Leader Mircea Geoana, former Swedish Finance Minister Par Nuder, Norwegian ViceFinance Minister Geir Axlesen, Norwegian Secretary of State for Defence Espen Barth Eide and Socialist Members of the European Parliament including Pervenche Beres, Harlem Desir, Ieke van den Burg, Jan Marinus Wiersma, Stavros Lambrinidis and Lapo Pistelli.

PES Activists

O PES Activists Portugal, que recentemente publicou a sua segunda newsletter, retomou as suas actividades. Além de estar a publicar os (bons) textos que recolheu para a Newsletter (aqui); parece que está a preparar uns novos projectos.
Em breve haverá novidades.

1506

Foi hoje aprovado, pela Câmara Municipal de Lisboa, o Memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 1506. Ver mais aqui.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Barbaridade


Assim escreve Pedro Picoito no Cachimbo de Magrite, sobre a I República e o Estado Novo:

Assim, a chamada República Velha significa um corte histórico com a tradição liberal portuguesa, para o bem e para o mal representada pelas sete décadas de constitucionalismo monárquico. Ao contrário do que ensina a mitologia corrente, a Primeira República não antecipa a democracia, de que a "longa noite do fascismo" seria apenas um intervalo, mas a ditadura do próprio Estado Novo. O quadro histórico em que se movem Afonso Costa e Salazar é o mesmo. A extraordinária violência da política republicana, que contamina o quotidiano do país, abre caminho à violência ordinária e quotidiana do salazarismo, que despolitiza o país. O país, cansado de política, suspirou de alívio. Durante 48 anos.

É incrível como uma mentira tantas vezes repetida acaba por se tornar verdade.
A I República não era liberal, era o quê? Um regime revolucionário?
Considerando esta tese como válida, o que defende Rui Ramos, é tomar em consideração que o período entre 1910 e 1926 é estanque e «monocolor». O que, manifestamente, não é verdade.
O que fazem os anarquistas, que por diversas vezes paralisam o país? Ou os Monárquicos, que até proclamam uma Monarquia no Norte? Ou os militares, que com Pimenta de Castro, primeiro, e com Sidónio, depois, procuram por via violente a tomada do poder do Estado? O que é o 18 de Abril de 1925 ou o 28 de Maio de 1926?
Quem tem, afinal, o monopólio da violência?
Não será mais plausível a explicação de que todo o período é que é violento, independentemente do quadrante político? (aliás, pelo menos desde o 31 de Janeiro de 1891 que o uso da violência como táctica de assalto ao Poder é frequentemente utilizada...).
Gosto ainda da ideia de que o Estado Novo despolitiza as pessoas. Nada mais errado. Foi, talvez, dos períodos mais politizados da nossa história recente; com grande confronto quer na oposição quer na situação. Aliás, basta pensar que, na sua génese, o Estado Novo tem uma forte matriz liberal (sim, liberal). Basta analisarem as suas leis eleitorais.
Por fim, depois de tanta baboseira, entendo o «alívio» que Pedro Picoto diz sentir no Estado Novo. Para a sua linha interpretativa imagino que seja, mesmo, um qualquer alívio, aqueles 48 anos (para outros, imagino, talvez tenha sido um tormento...)

Mexidas Profundas

Se se confirmar que John Edwards vai desistir antes da próxima Super Tuesday pode ser um factor determinante na resolução da mesma. Tendencialmente, a mensagem de John Edwards tem sido mais próxima de Barack Obama do que Hillary Clinton, sendo que é possível que os potenciais eleitores de John Edwards passem para Barack Obama, mesmo que o (ex) candidato não apoie nenhum dos restantes.

A confirmar-se a desistência de Edwards, Barack Obama fica mais perto da nomeação.

Espero ter acertado - parte 2

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Algo está a acontecer...

Vamos ver o que se passa na Super Tuesday, mas o homem tem um grande escritor de discursos e ele próprio é excelente a discursar, a mobilizar, e a entusiasmar!

América


Uma pequena lição de História

Sobre a paticipação do Brasil na Segunda Guerra Mundial..

Arquivo Maria de Lourdes Pintasilgo

Via O Peão soube que está online parte do Arquivo de Maria de Lurdes Pintassilgo, a primeira, e até hoje única mulher chefe de Governo portuguesa. Antes de Margaret Tatcher, Hillary Clinton ou Segolene Royal, Portugal apresentava-se na vanguarda da modernidade política.
Viviamos ainda na espuma da Revolução.
Tanto passou...
Deixo a nota de entrada do arquivo (que irei visitar com frequência, julgo...)

O arquivo Maria de Lourdes Pintasilgo reúne os documentos acumulados ao longo da sua vida pessoal e profissional. O seu conjunto reflecte os contextos familiar e escolar em que se formou, os estudos realizados, as actividades que desenvolveu no plano profissional, como quadro superior da Companhia União Fabril (CUF), no plano eclesial, como militante da Juventude Universitária Católica (JUC) e da Pax Romana, membro do Graal, no plano político, como procuradora à Câmara Corporativa (1969-1974), colaboradora do Ministério das Corporações e Previdência Social (1970-1974), secretária de Estado do Ministério dos Assuntos Sociais do I Governo Provisório (1974), ministra dos Assuntos Sociais dos II e III Governos Provisórios (1974-1975), presidente da Comissão da Condição Feminina (1975), embaixadora de Portugal junto da UNESCO (1975-1980), primeira-ministra do V Governo Constitucional (1979-1980), assessora do presidente da República (1981-1985), dinamizadora do Movimento para o Aprofundamento da Democracia (1982-1985) e candidata às eleições presidenciais de 1985-1986.
O arquivo integra também a documentação relativa às suas actividades como membro de várias organizações nacionais e internacionais, e no exercício de cargos de liderança dessas mesmas organizações. Documentadas estão ainda as distinções que lhe foram concedidas. Os seus escritos como conferencista, bem como as suas intervenções na grande imprensa através de inúmeras entrevistas, encontram-se também aqui reunidos.
Trata-se de um património de importância singular para a memória portuguesa, seja por Maria de Lourdes Pintasilgo ter ocupado um dos mais altos cargos da vida política do país, o de primeira-ministra, seja pelo protagonismo que alcançou nos circuitos nacionais e internacionais, ao longo de mais de cinco décadas, através da sua forte presença intelectual e cívica.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Parlamento Arena


Topete? É preciso é ter lata.

Então não é que o Carlos Castro, que não aceita a crítica revisionista que lhe tenho feito, acusa Santana Lopes de escolher na História o que o satisfaz, esquecendo deliberadamente o insucesso da sua passagem por Lisboa.
Claro que concordo com o que foi escrito, a questão da memória e do escrutínio é para mim bem importante. Mas, depois de alguns recentes escritos, tenho de lhe perguntar, directamente, por onde anda esse critério, Carlos?
Criticas nos outros o que não permites que te critiquem a ti?
Falas de Topete? É preciso é ter lata!

Prodi



Que cosa!

Imaginem, Itália sem chefe de Governo... que novidade...

Venham de lá essas eleições. Bem gostam esses tipos de brincar à democracia. É o que dá mexer no sistema eleitoral...

(bom, o lado positivo indica que a visibilidade do canal parlamento local rivaliza com os últimos filmes do um qualquer stallone reciclado)

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Política & Memória


Como sabem estou envolvido na candidatura do Miguel Coelho à Presidência da Comissão Política do PS Lisboa. É um projecto político estimulante, ainda em construção, mas que se assume participativo, criterioso e transparente. È um projecto que procura, com base na experiência, cuidar do processo natural de renovação política do Partido Socialista na cidade de Lisboa.

Já referi, em textos anteriores (Hibernação, Renovação, Eleição - parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6; segunda série, resposta directa), que entendo que a política tem de ter critérios e métodos; e que não pode ser apenas publicidade e marketing. Deve também a política, a política de qualidade, ter memória, e não «escolher» o que se lembra e o que esquece.
Este tipo de tácticas, claramente «populistas», entroncam numa fórmula sectária e totalitária que já pouco se revê nos sistemas políticos contemporâneos. O passado fornecer-nos diversos exemplos onde o tratamento cuidado da informação condicionava a memória colectiva a construir. Esta manipulação, muito visível em vários regimes autoritários e totalitários, procurava garantir que a História obedecesse a uma Verdade ou a um Dogma próprio, definido pelo Regime.
Em Portugal o Estado Novo construiu e apresentou a sua visão da História, uma visão que se encontrava ao serviço do próprio regime. Esta visão, que eliminou da memória todo o período liberal, por exemplo; servia claros propósitos políticos e assentava numa estratégia simples: a diabolização do Outro, do adversário político (neste caso a I República); e, complementarmente, a apresentação incólume de um projecto regenerador, que assim aparecia como «salvador da História», como o portador da solução final.
Isto a propósito da postura que a candidatura do Miguel Teixeira tem assumido, nesta pré-campanha.
Neste blogue já procurei fomentar um alargado debate com o Carlos Castro - adversário político nesta contenda – que, como podem recordar, terminou por falta de argumentos do meu adversário, preocupado que estava em ataques daqui e dali, esquivando-se a todo e qualquer confronto de ideias ou critérios (Hibernação, Renovação, Eleição - parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6; segunda série, resposta directa).

Disse, na altura, que não fomento a «baixa política» do ataque fácil, da falta de critério e da desonestidade política; mas também assumo que essa estratégia, por parte da candidatura do Miguel Teixeira, é legítima, e penso que assumida (a baixa política, enfim, também acaba por ser política. É a política de quem não tem argumentos, de quem não quer discutir, debater ou construir; mas também é política).
Também já aqui referi a tendência para a construção da memória que essa candidatura ostenta (aqui e aqui), procurando apresentarem-se como os únicos salvadores da situação horrível que, na sua visão deturpada, existe. Para esta artificialidade surtir o efeito desejado, há que apagar da memória tudo quanto possa colocar em causa a versão oficial entretanto produzida.
Tudo isto em relação a este texto publicado pelo Carlos Castro; onde são bem nítidos os conceitos que tenho referido.
Descontando a publicidade barata, o Carlos procura, a reboque de uma acção de campanha, confrontar «o estado letárgico em que se encontra a Concelhia de Lisboa», com a solução Miguel Teixeira. Refere ainda «A falta de valorização da militância, a importância de contar com espaços políticos que sejam, de facto, consequentes e valorativos da participação e intervenção de cada um, são as mais elementares e legítimas pretensões de muitos militantes, que querem ter o seu PS, em Lisboa, activo e dinâmico». E remata com a apresentação da acção especifica «num espaço público, em Campo de Ourique, o Canas, centrando-se no papel decisivo das Freguesias na transformação e mudança da Cidade em áreas chave, como a Educação, o Ambiente e a Solidariedade».
O que o Carlos Castro se esquece de referir é que a Concelhia de Lisboa já organizou diversos debates, conferencias, colóquios, Universidades de Verão, o Forum Cidade, que trataram de temas centrais na vida da Cidade de Lisboa, e do PS Lisboa. Iniciativas com largas centenas de oradores e assistentes; militantes e simpatizantes; membros do Governo e autarcas; militantes de base e quadros do Partidos Socialista. Não os lembrar é não só um insulto às pessoas que se interessaram em participar e organizar tais eventos, como uma desonra à sua memória.
Decerto não se lembra, o Carlos Castro, que se organizou recentemente uma Convenção Autárquica, em Marvila, onde estiveram presentes a vereação socialista e o presidente da CML, bem como outros autarcas e a Juventude Socialista.
Terá sido, decerto, esquecimento, ou então deve considerar sessões dessa natureza de importância menor.
Na questão da militância, e da participação do militante do PS Lisboa em iniciativas da sua Concelhia, decerto terá o Carlos escolhido esquecer a iniciativa da Universidade de Verão, que contou com dezenas de convidados (da melhor qualidade que o PS, e a área da esquerda democrática, tem a oferecer) e centenas de participantes inscritos.
Só posso pensar que Carlos Castro julga que iniciativas deste género são de somenos importância.

Também terá decidido esquecer, decerto com as melhores das intenções, o projecto do Fórum Cidade. Esta iniciativa apresentou um programa completo para a Cidade a Manuel Maria Carrilho, que não o aproveito e que perdeu as eleições. Novo projecto do Fórum Cidade encontrava-se em funcionamento quando foi necessário construir equipas e programas para a recente eleição intercalar. Desta vez, por falta de tempo, contributo foi sectorial. António Costa soube aproveitar as boas ideias produzidas e introduzi-las no seu programa. Ganhou as eleições e está a aplicar algumas dessas medidas.
Relembro que o Fórum Cidade patrocinou centenas de reuniões e encontros, com largas centenas de militantes e interessados. Produziu material político. Mais, o projecto teve tanto interesse que se procurou, na oposição à Concelhia de Lisboa, construir uma dinâmica alternativa.
Imagino que para o Carlos Castro também este não seja um exemplo de participação de militantes em processos dinâmicos de construção de projectos políticos participados, articulados e significativos. Mas é esta a «forma moderna» de fazer política: esquecer o que «os outros» fizeram, pois eles são os portadores da desgraça, da inércia, da decadência.

Claro que toda a análise é facilitada pela não presença neste eventos; como tem sido o caso das últimas comissões políticas que foram promovidas à volta da equipa do PS eleita para a CML: António Costa, Manuel Salgado, Marcos Perestrello, Rosália Vargas e Cardoso da Silva (ainda por marcar, por falta de agenda, encontra-se a Ana Sara Brito).
Também sou levado a crer que para o Carlos Castro tais iniciativas decerto serão de somenos importância, menores.

Não, para o Carlos Castro importante é reunir, no «espaço público do Restaurante Canas» (e eu que sempre pensei que esse restaurante fosse propriedade privada???), elementos da responsabilidade autárquica do Pedro Cegonho e da Isabel Almeida (julgo que os únicos titulares de cargos autárquicos) e afirmar, sem pejo, que «Isto é que é!».
Não, o que interessa é o que a Nova História tem para oferecer: a novidade, apenas a novidade. Sempre dentro da metodologia que já indiquei; e que consubstancia na reescrita da história sem qualquer respeito pelo que NA REALIDADE aconteceu.

A isto chama-se, em linguagem académica, História-ficção.
Em linguagem política, populismo fácil e barato.
Em linguagem comum, publicidade enganosa.
E este não pode ser caminho que se deseje para o PS em Lisboa.

Tratado

[Via PS Lumiar]

Cancro do colo do útero

Mensagem do Dr. Daniel Pereira da Silva director do serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra

Caros Amigos e Amigas

Preciso da vossa ajuda.

Assinem a petição http://www.cervicalcancerpetition.eu/ . para que o cancro do colo do útero venha a ser discutido no parlamento europeu, de modo a que os rastreios sejam uma realidade em todos os países, nomeadamente em Portugal, onde só existe na região centro.
(recebido por email)

terça-feira, janeiro 22, 2008

A ver...

A visitar para quem gosta de arte...



ALLISON CORTSON
Gathering
17.01 – 29.02.2008
Inauguração a 17 de Janeiro, Quinta-feira às 21h30


A Galeria Filomena Soares tem o prazer de apresentar a primeira exposição individual da artista Allison Cortson em Portugal, com o título Gathering, que irá inaugurar a 17 de Janeiro e decorrerá até 29 de Fevereiro de 2008.

A exposição consiste em 12 pinturas de grande escala executadas com pós, epoxy e óleo sobre tela. As figuras apresentadas nas suas pinturas, suas conhecidas, são transferidas para ambientes com pó que é recolhido dos aspiradores durante um período de vários meses. Os retratos são representados de forma realista em óleo enquanto que o cenário é desenhado em pó com epoxy sobre a tela. O universo de Allison Cortson descreve, desta forma, a representação de atmosferas assombrosas e assombradas consolidadas com o sentimento da artista de que o pó é “o resto da nossa existência e degeneração”.

“Os meus interesses sobre a investigação do nosso mundo através da física e biologia, são reflectidos na minha actividade. Actualmente, no meu trabalho, interessa-me a representação da figura através da minha série “Dust Paintings”. Para estas pinturas, eu fotografo os protagonistas nas suas residências. Depois recolho o pó das suas casas durante um período de alguns meses, utilizando os seus aspiradores. O pó chega às nossas casas como restos da nossa própria existência e degeneração, uma vez que chega a ser 70% de pele humana. (...) Os seus animais de estimação e outros seres vivos também são incluídos, porque as suas partículas são também parte constituinte do pó.”1

“Por um lado, a pintura de Cortson é uma lição nos processos da matéria e do espaço, criando
inclusive sugestões sobre o tempo. Sabemos, por exemplo, que a matéria é na sua maioria, espaço vazio. Torna-se então possível, que quase tudo o que vemos, é uma ilusão, ou pelo menos uma transparência. De acordo com as leis da física, nós, os humanos, e tudo o que nos rodeia, está continuamente a desintegração e regeneração. Mas para revelar a verdade, a ciência é na sua grande parte um começo, mero comentário intelectual sobre o mundo natural. Apenas a arte tem o poder de tocar nas nossas emoções mais profundas e afiar as nossas introspecções (…)”2

Allison Cortson nasceu em Santa Mónica, Califórnia em 1978. Recebeu a sua licenciatura em Arte pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (2001) e o Mestrado pelo Instituto de Arte da Califórnia (2003). Actualmente vive e trabalha em Los Angeles.

1 Citação da artista publicado em http://www.artslant.com/la/artists/show/3670
2 Excerto de texto da autoria de Rosemarie Dimatteo

MNAA

História Perdida: Uma exposição acerca do comércio ilícito de antiguidades no mundo dia 31 de Janeiro, às 18,00 horas no Museu Nacional de Arqueologia

Colin Renfrew em Portugal para a inauguração da exposição.

Aberta ao público entre 1 de Fevereiro e 23 de Março de 2008

Promovida pela Fundação Helénica para a Cultura e apresentada inicialmente ao público no Museu Benaki, em Atenas, esta exposição é agora trazida a Portugal, antes de seguir para a sede da UNESCO, em Paris. Continuará depois em itinerância pelos principais museus de antiguidades da Europa e da América.

A deslocação ao nosso País, em situação privilegiada e inicialmente prevista para ter lugar durante a Presidência Portuguesa da UE, decorre da cooperação institucional estabelecida entre o Museu Nacional de Arqueologia e as Embaixadas da Grécia e de Chipre em Portugal.

Trata-se de uma exposição de vincada intenção didáctica, recorrendo abundantemente a tecnologias digitais e interactivas, tais como:
- painéis documentais, retro-iluminados;
- écrans tácteis interactivos;- jogos interactivos;
- filmes e documentários;
- réplicas de peças roubadas e depois recuperadas;
- e ainda o documentário de TV "Network", de Andreas Apostolidis, nomeado para o Prémio EUROPA 2007, exibido em permanência na sua versão original inglesa, em auditório anexo ao espaço expositivo.

Dada a grande actualidade e a projecção mundial do tema tratado, foi expressamente convidado para dirigir algumas palavras aos presentes na inauguração Lord Colin Renfrew, o mais famoso arqueólogo inglês da actualidade e um dos principais defensores do estabelecimento de normas e procedimentos internacionais visando o combate ao tráfico de antiguidades.

No sítio Internet do Museu Nacional de Arqueologia em (www.mnarqueologia-ipmuseus.pt), na página imprensa, encontra-se diversa documentação para download referente a esta exposição e às temáticas nela tratadas.

Museu Nacional de Arqueologia
Mosteiro dos Jerónimos,
LisboaTel. 213620000Fax. 213620016
E-mail: info@mnarqueologia-ipmuseus.pt
Informações adicionais em: www.mnarqueologia-ipmuseus.pt (imprensa e exposições)

let's clean this place?

Sei que há gente estranha, e estranha gente; mas estas duas intervenções do senhor Cruise sobre a sua fé assusta.
Diz, no final da sua intervenção, que está pronto para «limpar a casa». No segundo video percebemos que são eles - os adeptos da cientologia - que têm as soluções finais.
Vejam os dois videos juntos, e sintam a loucura desta malta.
Gostei do Zig Heil finaL; deu-lhe um «simpático» toque ariano.
A boa notícia é que cada vez menos gente lhe liga alguma coisa...
.
[primeiro video via Arrastão; pode ser vista uma versão mais reduzida do segundo no Zero de Conduta]
.




Campanha interna. Confusões.


Parece que confundiram um convite para jantar com uma apresentação de candidatura.

O anuncio da candidatura do Miguel Coelho pode ser visto aqui, ou aqui (ao vivo no tal jantar que é referido).

Como se vê na carta, pré-natalícia (?), toda a grafia está deslocada e fora das linhas apresentadas pelo blogue da candidatura do Miguel Coelho. A colagem, entendida por razões de Markting, reforça o que temos aqui escrito: a falta de rigor e critério dos apoiantes da (até agora) única candidatura adversária. Não entendo. Honestamente que não entendo.

(mas, aposto, que voltaremos a ver exemplos destes no futuro, a campanha ainda nem começou...)

A História tem destas coisas

Fora o Homem Velho (neste caso Mulher). Viva o Homem Novo.

Percepção, leituras e política.


O Daniel Oliveira rebate aqui o que recentemente escrevi sobre a nova Lei Autárquica. Rebate, mas sinceramente não convence. Não convence porque não debate, porque limita a responder-me; a apresentar uma leitura reactiva, e não reflexiva.

Em primeiro lugar, devo dizer que não me pronunciei sobre a nova Lei; apenas procurei fomentar o debate sobre a mesma. No meu ponto de vista, as questões decisivas são as da transparência, da exequibilidade política e da estabilidade governativa.

O Daniel foca, e bem, que «não só não há instabilidade nas câmaras, como a queda de executivos parece não resultar de falta de maiorias».

Resta saber quantas dessas câmaras onde não existe maioria absoluta são sustentadas por negociações pós eleitorais, o que é negociado na mesma e que parte do programa sufragado é colocado em prática. Porque um dos problemas da negociação não assumida é a possível inviabilização do sufragado; ou seja, no acordo necessário para a construção da estabilidade, seja negociado o programa eleitoral. É neste sentido que defendo um modelo mais transparente, «winner takes all», pois nessas circunstâncias sabemos que teremos oportunidade de colocar em prática as promessas de campanha (sem depender de terceiros).

Esta avaliação leva-nos a um segundo ponto do argumento do Daniel, o que envolve a negociação política nas autarquias locais Estranho, devo dizer, a inocência do meu amigo Daniel, quando sugere que «Nenhum técnico competente aceita um cargo para boicotar resultados». Não digo que tal seja a regra, mas também não é a excepção. Como, então, contornar esta situação? Estabelecendo regras de nomeação; e entre os modelos possíveis, os de cariz maioritário parecem-me os que permitem um recrutamento mais criterioso e transparente. Não quer isto dizer que as nomeações sejam de responsabilidade exclusivamente partidária, aqui estou de acordo com o Daniel; mas uma clara definição da relação entre o nomeado e quem o nomeia implica uma maior possibilidade de escrutínio. Neste sentido, pode o poder político ser directamente responsabilizado pela decisão que tomou. Pelos eleitores, que sabem quem é nomeado, em que condições, por que critérios.

Existindo uma relação directa entre a nomeação e o ciclo eleitoral, desaparecem as nomeações escondidas, as negociatas os esquemas que se construíram e se mantêm há décadas no nosso poder autárquico.

E mais, eu nem me importo que o recrutamento seja partidarizado. Se forem maus, só resta a penalização máxima em democracia: o voto!

Também concordo com o Daniel acerca da inércia política que impede que certos círculos sejam quebrados; mas porque não pensar que esta Lei pode ser a oportunidade certa para operar esse desejo? É que parte da inércia advém do processo de negociação permanente que se verifica em muitas Câmaras.

Já não entendo muito bem o argumento do poder político limitado pelo voto. Que eu saiba o Poder é limitado pelo sistema político desenhado. Não se vota se o poder legislativo, o executivo e o judicial devem ser independentes ou em que grau deve ser tal independência. Portanto não é o voto que limita o Poder Político. O que julgo que o Daniel quis dizer foi que quando se vota por maiorias relativas em detrimento de maiorias absolutas é porque «não se quer dar todo o poder a um partido». Claro que esta análise colectiva carece de confirmação individual (pois todos os eleitores querem que o seu voto seja efectivo, que não seja distribuído, o que o torna absoluto); mas também padece de alguma confusão acerca do como deve ser eleito o poder executivo e o legislativo; e das virtudes e defeitos dos modelos maioritários e pluralistas.

Consideremos que o executivo é a Câmara Municipal e o Legislativo a Assembleia Municipal, e que encontramos algum correspondência formal entre o modelo autárquico e o modelo parlamentar. Quando votamos para o «Governo» esperamos que esse voto seja maioritário, de que se eleja apenas um partido para governar (pode ser bem diferente, eu sei, mas o sistema português é geralmente adverso a coligações – nunca nenhuma terminou uma legislatura). Complementarmente, o voto para a Assembleia legislativa, o Parlamento, deseja-se pluralista, no sentido em que se julga não só necessário que estejam as principais forças sociais e políticas na principal câmara de produção legislativa.

Claro que a prática é bem mais densa que esta explicação simplista, mas o argumento é de que se deve rever os poderes da Assembleia Municipal, garante da diversidade política da localidade, dando-lhe mais poderes; mas simultaneamente dotando o órgão executivo da maioria desejável para implementar as suas políticas. É claro que terá de existir a complementar alteração cultural, e acabar com os parasitas políticos que impedem que se faça boa política. Esta mudança não vai ser imediata, mas vai acontecer. Vai ter de acontecer, com o risco da delapidação do Bem Comum.

Um último ponto para estranhar a comparação entre o que se passa na Lei Autárquica e a na Lei eleitoral para a Assembleia da República. Não têm nada a ver; e qualquer transposição seria estranha, pois estamos perante duas dimensões da política bem distintas. Nessa lógica, então deveríamos reproduziríamos a Lei que elege o topo da hierarquia do Estado, e não vejo vantagens em criar ciclos uninominais, de apuramento maioritário para as eleições legislativas e autárquicas. Adiante.

Termino com lembrando que ambos os casos que ele me sugere para comparar estão sujeitos ao mesmo sistema de negociação infra-institucional; ou seja, fora dos locais de sufrágio e mantidos pelas forças partidárias que dominam o poder autárquico desde o 25 de Abril.

Mas também te digo, Daniel, se consideras que não há diferença, porque não mudar a lei? Pode ser que esta traga boas consequências, que imponha a tal mudança cultural que advogas. É que é necessário mudar o estado das coisas.

Aí concordamos, não?

segunda-feira, janeiro 21, 2008

América

A notícia do dia (de ontem) foi a viória dos New York Giants sobre os Green Bay Packers 23-20 no tempo extra. No outro jogo, os New England Patriots continuam a sua «perfect season», (estão com 18-0), batendo facilmente os San Diego Chargers.
Já está definido o cardápio do tema que vai aquecer os norte-americanos para as próximas duas semanas; e que vai competir, em atenção mediatíca e política, com as primárias: Giants vs Patriots.
Este resultado, com se vê, favorece Guiliani, que vê a equipa de Futebol da sua cidade avançar para o primeiro Superbowl desde 2000; e relembra a época dos Yankees em 2001, quando outra equipa de Nova Iorque atingiu uma final do campeonatos de Baseball logo após 9/11 (que perderia).
Poderá ser um bom augúrio, para Rudi. Vamos ver.

Público ou Privado?


(obrigado Pedro Sá)

domingo, janeiro 20, 2008

Carolina do Sul - Republicanos


Reflexões imediatas do Nevada (e agora também da Carolina do Sul)

Reflexões imediatas

No campo democrático
Clinton tem uma vitória importantíssima, porque a consegue recuperando as recentes sondagens desfavoráveis.
Edwards desaparece; e terá de pensar muito bem o que fazer depois da Carolina do Sul (admitindo que aí chega). Se quiser ser nº 2 de Obama, o que é frequentemente apontado, tem de desistir já, antes que comece a acumular resultados na casa das unidades e deixe de ser alguma mais valia para o senador do Ilinois. A teoria que Edwards poderia ser uma terceira via esfuma-se a olhos vistos, pois o clima de guerra-fria Clinton – Obama tende em concentrar a atenção do eleitorado nos dois principais candidatos; e neste modelo bipolar, Edwards não tem lugar.
Obama recebeu um golpe que provavelmente não esperaria, e vê o seu momento ameaçado por uma cada vez mais consistente Hilary Clinton. No entanto, se conseguir colocar bons números na Carolina do Sul, poderá apresentar-se à super-terça feira refeito. Era importante que Edwards desistisse e lhe declarasse o apoio.

No campo republicano
Romney esmaga a concorrência no Nevada, mas McCain obtém uma importante vitória na Carolina do Sul.
Romney poderá queixar-se do calendário eleitoral, pois não consegue obter praticamente benefícios políticos da sua confortável vitória no Nevada em virtude a história da noite ser, definitivamente, o triunfo de McCain. Para o candidato Mórmon este não foi um mau dia eleitoral; mantém-se como o principal adversário de McCain, agora o claro favorito do lado republicano.
McCain consegue, com a vitória da Carolina do Sul, um «dois em um». Não só reverte o resultado de há 8 anos, onde afunda a sua candidatura; como ganha num Estado fetiche republicano, que crêem que o seu vencedor será o nomeado do Partido.
Para Giuliani o resultado do Nevada foi bom, o da Carolina do Sul não. No entanto, continua ainda tudo em aberto para o ex-Mayor de Nova Iorque, que tem no dia 29 o seu grande teste. Qualquer resultado que não seja a vitória é o fim da sua candidatura.
Huckubee, que acumula terceiros e quartos lugares, deverá continuar na corrida, e ganhar o maior número de delegados até ao dia 2 de Fevereiro, procurando ser um apoio forte ao futuro candidato. O objectivo é manter a a influência da direita religiosa no Partido Republicano, e para o conseguir será inevitável o apoio a Romney. Não creio que mantenha a candidatura após a super terça-feira; e encontra-se num dilema semelhante ao de Edwards: ou desiste já e procura auxiliar directamente Romney, ou mantem a candidatura e arrisca que, com a divisão do voto religioso entre duas candidaturas, McCain (ou Giuliani) triunfe.

Os restantes candidatos estão fora das corridas.

sábado, janeiro 19, 2008

Nevada

APURADOS 90% dos votos, Hillary Clintou é a grande vencedora da prévia de Nevada. (info via casa branca 2008, outro blogue que acompanha este acto eleitoral, brasileiro)

DEMOCRATAS
CANDIDATO e PERCENTAGEM

Hillary Clinton 51,0%
Barack Obama 45,0%
John Edwards 4,0%
Dennis Kucinich 0,0%

REPUBLICANOS
CANDIDATO e PERCENTAGEM

Mitt Romney 22.220 - 52%
Ron Paul 5.681 - 13%
John McCain 5.535 - 13%
Mike Huckabee 3.450 - 8%
Fred Thompson 3.333 - 8%
Rudy Giuliani 1.878 -4%
Duncan Hunter 877 - 2%

Nevada e Carolina do Sul

Rui Paulo Figueiredo sobre as próximas primárias.
Vejam também a entrevista ao Net Jornal, está excelente. (via Observatório eleitoral ITD).



Entretanto, parece que há outro blogue dedicado à questão eleitoral norte-americana, é o sonho americano. E também o Público inaugurou um dossier dedicado ao tema. (informação via Presidenciais Americanas).

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Lei Autarquica

Aqui neste blogue temos dedicado ampla atenção às questões relacionadas com matéria eleitoral. Há dois anos organizámos um colóquio sobre a reforma do sistema eleitoral (para a Assembleia da República), que terminou com a apresentação de proposta própria em sede parlamentar.
Hoje, como sabem, está na agenda política a questão eleitoral; quer para a eleição parlamentar, quer para as Autarquias.
Sobre o processo hoje em decurso, temo que tudo esteja a ser executado nas costas da opinião pública, e publicada, sem o devido escrutínio público que matérias desta importância devem ter.
Vejo que sobre a matéria autárquica o Daniel Oliveira colocou, hoje, um longo post.

Uma lei eleitoral muda-se quando tem mesmo de ser. São necessárias décadas para que os eleitores a compreendam, a usem com objectivos que devem ser respeitados (umas vezes garantir estabilidade, outras impedir abusos de poder, umas garantir a continuidade, outras regenerar os cargos políticos) e para se sentirem confortáveis com ela. Era necessário mudar a lei eleitoral autárquica? Vejamos: [continue a ler aqui]

Concordo com a premissa inicial: porquê a necessidade de mudança? E concordo também com parte do argumentário exposto. Parece-me óbvia a necessidade da eleição simultânea da Vereação e da Assembleia Municipal, mais ainda depois do episódio de Lisboa; e que já não se entende, do ponto de vista sistémico, o poder de voto dos Presidentes de Junta (mais ainda quando se está a reflectir sobre a reordenação administrativa da Cidade).
O que está em causa, e esse é um tema que o Daniel não pega, é que modelo político queremos para as nossas cidades. Este é que é o debate que tem de ser feito. Qual o papel das Freguesias? Qual a sua ligação com a Autarquia? Que modelo autárquico? Um modelo maioritário? Ou pluralista? O deve ser entendido como governabilidade autárquica?
A nova lei subentende que a boa governação necessita estabilidade executiva, e por isso «constrói» executivos fortes. E em teoria não está errada; pois a execução da política pública sufragada deve poder ser possível. Ou seja, quem for eleito deve ter a possibilidade de executar o seu programa eleitoral. Tem de ter os meios de colocar em prática o seu projecto político conforme apresentado ao eleitorado.
Se pensarmos nos elementos necessário para a execução de políticas públicas, na articulação necessária entre o topo e a base, observamos que um modelo maioritário faz sentido. Imaginem que há um presidente de Câmara com vereadores da oposição no executivo. Com pelouros. Qualquer relação política que poderão desenvolver terá de ser limitada, pois ambos defendem projectos políticos diferentes. E como se resolvem os conflitos? Por acordos, que muitas vezes ultrapassam os actores locais para serem decididos pelas direcções nacionais. Sempre fora dos olhares dos eleitores, que apenas assistem.
O mesmo acontece na restante escada hierárquica, ao nível das directorias. Faz algum sentido que director A de partido B vá executar a política de partido C? o que o impede de boicotar a implementação das directrizes recebidas? O que o impede de favorecer o seu partido?
É esta a situação actual; agravada pela falta de cultura cívica e política da maioria dos titulares de cargos de chefia, que são politicamente nomeados mas que não se demitem quando o cenário política se altera, esperando por uma demissão forçada, de preferência bem negociada (financeiramente, entenda-se). Se correlacionarmos este exemplo com o estado dos Partidos Políticos e com a questão do acesso è rede distributiva de recursos do Estado, facilmente concluímos que não é do interesse de alguns quebrar este quotidiano (nomeadamente do PCP, PSD, PS essencialmente, mas também CDS e agora o BE); muito pelo contrário, a sua persistência significa um porto seguro na gestão das redes de poder internas e na manutenção de um mercado eleitoral fixo.

Na base deste argumento, como se depreende, encontra-se a premissa de que é necessário confiança na implementação de políticas públicas. Confiança política, em última análise. E eu temo que, no sistema vigente, esta seja negociada e não assumida.
Mais, observando o comportamento interno de algumas câmaras, verifica-se que os exemplos de «sabotagem política» multiplicam-se, que a inércia institucional é uma constante; e que uma relação que se quer dinâmica fica refém da capacidade negocial dos intervenientes.
O que defendo é, então, uma definição clara do que é a hierarquia de execução; ou seja, o que necessita o executivo para colocar em prática a sua política. Esta definição tem de ser transparente e criteriosa.
Um sistema, se quisermos, mais americanizado, género «winner takes all», onde se sabe, porque está pré-determinado, que X lugares são directamente dependentes da administração política vigente. Cada 4 anos vagam. Para que o próximo projecto político possa ser executado.
Parece-me ser este o espírito da Lei, mas julgo que não é neste sentido que o debate se tem desenrolado. Com pena, porque esta é a altura para o fazer.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Miguel Coelho


Hoje, no primeiro jantar de apoio à candidatura do Camarada Miguel Coelho a Presidente da Concelhia do PS Lisboa vai ser apresentado o blogue.

Esteje por aí uma versão beta. Esta é a valer.

Eu vou estar bem envolvido, por isso se quiser colaborar, não hesite em me contactar.
Vejam também o canal do YouTube.
Depois falamos.

Baixa Fraudulenta?


Hoje foi daqueles dias onde não deu para blogar

Por isso deixei para agora os resultados do Michigan, a análise do António Rebelo de Sousa e a apreciação da última sondagem nacional, onde apenas McCain consegue ser competitivo com os demcratas.
Bom, agora que até o Daniel se rendeu à evidência de também ter um qualquer observatório sobre o que se passa nos Estados Unidos (decerto inspirado pelos seus correlegionários do Zero de Conduta), eu continuo a preferir os dois específicos: o do Joel Galvão, do ITD, e o do Nuno Gouveia, a sua tese de Mestrado.
Deste blogue retiro esta análise, a qual subscrevo.
A espectacular vitória de Romney vem confundir ainda mais a corrida republicana. Se ontem John Mccain tivesse vencido, teria arrancado para a liderança nacional e provavelmente iria bater Huckabee na Carolina do Sul, no próximo sábado. A sua ultima grande batalha antes de 5 de Fevereiro, seria derrotar Rudy Giuliani na Florida. Com Romney ainda na luta pela nomeação, tudo se complicou. Na Carolina do Sul, poderá haver de novo uma vitória de Huckabee, impulsionado pelo voto evangélico. E no Nevada, tudo está em aberto, inclusive uma possível vitória de Rudy Giuliani. O Mayor de Nova Iorque, apesar dos resultados miseráveis de ontem à noite, terá ficado muito satisfeito com a vitória de Romney. A sua estratégia depende fundamentalmente dos primeiros estados a irem a votos perderem o sua importância tradicional. Com 3 diferentes vencedores, o seu plano pode ter sucesso. Mas para isso é preciso que os eleitores da Florida se mantenham fiéis.




quarta-feira, janeiro 16, 2008

Chamem-me Adivinho Zadinga

A moção de censura do BE foi rejeitada com os votos contra do PS e as abstenções do PDS e do CDS.

P.S. – É degradante que o sistema do voto electrónico na AR tenha tantos erros e que impossibilite uma real contagem dos votos dos deputados, além de trocar o CDS com o PCP, que tinham assumido votos diferentes! Foi um espectáculo abjecto para a democracia portuguesa. Para quando um real e eficaz sistema de voto electrónico na AR! Demorar 30 minutos para saber quem votou o quê, não pertence ao século XXI!

1ª Piada Parlamentar de 2008

Está neste momento a decorrer o debate sobre a moção de censura do BE ao governo na AR.

Os restantes partidos da oposição já disseram que se vão abster.

Eu usarei neste assunto os meus poderes de adivinho e prevejo que esta moção de censura não será aprovada...

O mercado

"Deixem o mercado trabalhar".
"É preciso deixar os accionistas decidirem".
"As empresas é que sabem".

E quando os accionistas decidem o futuro das suas empresas, qual é a reacção? Isto é uma nacionalização!!!

P.S. - Até porque a vitória foi renhida...

And the winner is...

No minimo estranho.


Como decerto já saberão, irei estar, nas próximas semanas, ocupado com a candidatura do Miguel Coelho à Concelhia do PS em Lisboa. Já tenho aqui escrito sobre o assunto.

Hoje (ou ontem) recebi no correio uma carta do camarada Miguel Teixeira a anunciar a sua candidatura ao mesmo órgão interno do Partido Socialista.

Devo dizer que fiquei mais descansado, pois com tantas promessas de inovação e renovação, quer a carta quer site não causaram impressão. São, num dizer corriqueiro, normalitos...

Bom, a verdade é que já antevia o que poderia ser produzido «por aquele lado», uma vez que já acompanhava a putativa candidatura da camarada Leonor Coutinho há algum tempo. Leonor Coutinho, questionam? Mas não é Miguel Teixeira? Pois, agora é, mas parece que a confusão é, ainda, alguma.

Vejam o site do Miguel Teixeira hoje, e vejam o da Leonor Coutinho, de ontem, que mantém o banner, mas conta agora com propaganda do novel candidato.

A minha questão é esta: se se produz tanta propaganda para a vender o discurso de renovação da candidatura do Miguel Teixeira, não devia ela ser «original»? Ou será que a ideia é começar a montar um site e ir trocando o nome do candidato?

Desconfio que depois deste post, o site da candidatura da Leonor Coutinho é capaz de desaparecer rapidamente. Assim funciona a «nova política»: apaga o que não interessa. Vende o que produz.

Espero ter acertado...

terça-feira, janeiro 15, 2008

sábado, janeiro 12, 2008

Segunda série - Hibernação, Renovação, Eleição.


Política, Debate e Responsabilidade.

Quem se apresenta a eleições, como actor político envolvido, tem certas responsabilidades. Ou pelo menos deve tê-las.
Deve procurar defender o seu projecto, seja ele qual for (a liberdade de expressão e de associação assim o consagra); e deve fazê-lo da forma como o entenda. A liberdade é, e deve ser, total.
Isso quer dizer que o insulto é possível; que a injuria é possível; que a mentira é possível; que todas as tácticas e técnicas de debate são possíveis. Em teoria, tudo é possível no debate político, pois a Liberdade deve ser, sempre total. Isto porque qualquer corte à Liberdade é desculpa para que se corte mais; além de apresentar graves problemas na definição de um conceito de corte – mas isso é outra conversa.
Então, se a liberdade é total e se tudo, em teoria, o que impede que os debates políticos se tornem em autênticos combates negativos, troca de vitupérios, ultrajes ou acusações não provadas? Em teoria nada. Encontramos mesmo muitos debates e campanhas dirigidas sob esses auspícios.
Na prática é a ética, a noção da responsabilidade e a percepção, política, dos resultados da táctica de debate que impõe os limites; sempre definidos caso a caso, ou seja, por cada um de nós.
Quando, em textos anteriores, me desassocio de qualquer tipo de campanha negativa estou a definir limites. Quando afirmo que quero debater com critérios estou a definir limites. Quando me afasto das avaliações personalistas e quezilentas estou a definir limites.
Tal processo é definido pela noção de responsabilidade que tenho, ao aceitar participar em projectos políticos. Responsabilidade de procurar «elevar» o debate; sem más intenções ou quaisquer elitismos. Responsabilidade de construir projectos políticos de consistência; com honestidade, escrutínio e critério.
Mas, reconheça-se, o debate político está demasiado inquinado por tudo o que é de pessoal, e pouco importa o que é de político. Os últimos anos, em muitas ocasiões, tem sido de um tremendo desgaste para a Política. O que já foi uma arte nobre, é hoje uma arte pobre; que recruta a incompetência, o mau carácter, o boateiro. E não me refiro, como é óbvio, ao estado do PS ou da Concelhia de Lisboa. Refiro-me ao estado geral da política, demasiado associada a maus exemplos.
A Política pode, ainda, ser uma actividade transformadora, operativa e construtiva. Podem-se elaborar bons projectos; podem-se continuar outros. Mas deve-se, esse é o ponto essencial, não perder de vista que tratamos do bem colectivo; de que a Política deve de ser feita para os outros, e não para o próprio; que a transformação é possível desde que as devidas condições sejam reunidas: um bom líder, experiente; uma boa equipa, jovem, dinâmica e qualificada; e um bom programa, progressista, de impacto social, de responsabilidade.
É para poder ter a oportunidade de participar neste processo construtivo que me associo à candidatura do Miguel Coelho. É para poder, humildemente, fazer parte de uma equipa de futuro que contribuo para a candidatura do Miguel Coelho. É para poder desenvolver um programa ambicioso e responsável, sabendo aproveitar a boa experiência do passado, e o que de bom soube produzir, que participo nesta candidatura.
É por defender estes princípios que me insurjo contra quem não os cumpre; e apelo ao sentido de responsabilidade para que o debate entre os actores políticos envolvidos –apoiantes de todas as candidaturas – seja limpo, honesto e criterioso.
Saibamos todos honrar o privilégio de «trabalhar política».
Saibamos, mostrar à sociedade civil, que nos observa, que o Partido Socialista está vivo, está dinâmico e crítico.
Saibamos mostrar que o PS em Lisboa tem capital humano de grande valor; gente de elevadas qualificações; políticos de experiência e de discurso.
Saibamos demonstrar que o PS é, hoje, e desde algum tempo, um Partido de Futuro; que sabe pensar o país, a cidade de Lisboa, sem «verdades absolutas», «dogmas» ou «maniqueísmos».
O PS Lisboa é, hoje como no passado, um espaço de pluralidade, onde a política tem rosto e se assume.

(sobre a primeira série - ou sobre o «debate» com o Carlos Castro)
Temo que o debate com o Carlos tenha terminado, por escolha dele, que aceito. Temo que não tenha analisado os meus textos com atenção, pelas respostas e acusações que me proferiu. Razão tinha um amigo meu, que me dizia que ia gastar latim, que não ia conseguir debater nada, e que ainda me arriscaria a chatear com o Carlos.
Como não o quero fazer, já escrevo este texto em versão solo, sem esperar resposta ou réplica. Irei ainda, no futuro, prosseguir a análise, teórica, dos temas que tenho aqui levantado e posto a debate: o tema da «renovação», da «garantia política», do «escrutínio» e dos «critérios». Mais tarde, em campanha, chegará a altura de se analisar os programas e as equipas.
O contributo político não deve depender da postura dos adversários do momento; deve depender de critérios próprios. O adversário pode querer respeitá-los, pode ter tácticas sabotadoras ou de qualidade duvidosa; em última análise está no seu direito. Não pode é ser desculpa para que os nossos critérios sejam abandonados.
E estes são os meus. Honestidade – Transparência – Rigor.

(a continuar)

Hibernação, Renovação, Eleição. Sexta parte.


The end of the affair?

Texto em resposta directa.

Carlos:

Prelúdio: não vou utilizar citações, links ou livros técnico. Vou responder directamente.

1. nunca te pedi para concordares. Só debateres. Com critério. A Democracia deve ser isso: duas (ou mais) pessoas a trocarem argumentos, a contruirem projectos políticos, a defenderem causas, sem que estejam submissas a «Verdades», a «Dogmas» ou «Totalitarismos» de alguma espécie. Sempre defendi a pluralidade política, e não admito que no PS alguém defenda que a liberdade deve ser coartada ou manipulada.

2. Sobre renovação em projectos com lideres prolongados no tempo escrevi que:

2.1. Não é só o líder que conta.

2.2. Também há a equipa.

2.3. Também há o programa.

2.4. Não basta dizer que se é titular, de forma monopolista, da «renovação»; é necessário apresentar critérios, e esperar que os mesmos possam funcionar contra nós.

2.5. Solicitei-te que debatessemos estes conceitos e que apresentássemos critérios. Ainda espero resposta.

3. Escrutínio – aparentemente estás confortável com a exploração do dia-a-dia do Miguel Coelho, em todos os anos em que tem sido Presidente da Concelhia de Lisboa. Mas, quando se pretende utilizar o mesmo critério de análise para o teu candidato – o Miguel Teixeira – tal já não é possível. «Só no dia 7…». Até lá manténs-te silenciosamente em campanha sem procurar apresentar a pessoa que estás a apoiar? É uma situação altamente invulgar, na minha humilde perspectiva. É dizer para vir votar em Fulano A, perguntarem quem é, e dizeres: «não importa, no dia 7 saberá». Não me parece correcto, nem honesto; mais ainda quando parte do teu argumentário é construído na análise, exaustiva, do que o Miguel Coelho tem feito. No mínimo o mesmo critério.

4. É nestas questões que divergimos, pois usas critérios na análise do outro que não respeitas quando analisam a tua candidatura.

5. Tem piada a do patamar, porque te coloquei acima de um patamar que apresentaste como baixo. Quando te referiste, e bem, o caso dos comentários ofensivos, anónimos e tal; coloquei-te num patamar acima. Não tem nenhuma leitura de infra ou superestrutura. Só de colocação perante a tua denúncia. Eu afirmo que não «faço política baixa», que «não faço ataques pessoais». Estou, num patamar superior, em relação a quem faz política assim. Qualquer avaliação desta afirmação assume que não há nenhum elitismo, sectarismo ou qualquer outro ismo.

6. Sobre a citação do Michels, é exactamente o que disse acerca das possibilidades de debater política: é possível na pré-campanha, enquanto a paixão e a proximidade do acto eleitoral não turva a análise. Decerto não te referirias a mim. Estás a querer assumir alguma coisa? Não percebi, sinceramente. (repetes algo que disse como se fosse a primeira vez que é utilizado na nossa troca de posts…não entendi)

7. Em relação aos ataques, a exposição do meu último post é suficiente. Não a esmiuçarei mais.

8. Devo entender que «desistes» do debate? Que te consideras ofendido? Por quê? Por eu ter assumido que não entraria em assuntos pessoais? Ou no insulto? Ou entendeste que o meu patamar superior era o quê? Já disse, e repito, que a superioridade é em relação a quem usa a política como arma de sarjeta, que ofende gratuitamente, que não encontra maneira de respeitar o argumento do seu adversário político; e responde com insultos; com falsas acusações, inverdades, boatos, etc. Eu sou contra o desrespeito pela pluralidade política; pela falta de liberdade opinativa e de expressão. Sou contra a calúnia, o anonimato, a insinuação danosa.

9. Pensei que quando denunciaste alguns abusos querias que este debate fosse «elevado». Sem manias nem cachuchos. Somente um debate político que, de forma civilizada, saiba apresentar uma troca de argumentos acesa, dentro do espírito da Democracia, da liberdade de opinião, para que se construa discurso comutativo que esclareça, que identifique, e que caracterize as propostas políticas que devemos defender. Para nós e para quem leia ou se inteire sobre o nossa altercação.

10. Concordamos com o teu último parágrafo: se continuares a defender uma atitude política contrária aos princípios da pluralidade, da liberdade de expressão, do direito ao bom-nome e da Democracia, agradecia que me deixasses em paz. Já o disse, e repito, não compactuo com inverdades, baixarias, injúrias gratuitas ou calúnias anónimas. O meu patamar, neste contexto, é acima. (e surpreende-me que me acuses de me situar acima dessa fasquia, devo-te dizer...). Fiquei com a sensação de ser esta, também, a tua posição; quando dizes não pertencer a certo escol. Não percebo, então, o que queres dizer. Queres definir?

11. Relembro:
11.1. EU NÃO COMENTO O QUE ANÓNIMOS ESCREVEM (muito menos quando nem sei o que escreveram)
11.2. EU NÃO ENTRO NO JOGO DO ATAQUE PESSOAL.
11.3. E SE É ESSE O DEBATE QUE QUERES FAZER - O DIZ QUE DISSE, O ATAQUE PESSOAL, A BAIXARIA, A INJURIA E A CALÚNIA - NÃO CONTES COMIGO.

12. Termino.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Hibernação, Renovação, Eleição. Quinta parte.


Previsivel,

Na Políca o espaço para o debate puro, teórico e prático, é muito diminuto. Por varias razões não existem assim tantas oportunidades para que se debata. Ou se está no Poder, e governa-se; ou se está na oposição, e procura-se alcançar o Poder. É dificil descobrir os timmings para o debate político na sua forma e fórmula mais pura, neutra e interessante; onde os intervenientes, sejam quem forem, apenas se preocupam na produção de conteúdos, e não em campanha.
Geralmente a melhor oportunidade são os períodos pré-eleitorias, quando a definição dos candidatos ainda não é assente, e onde alguns temas de reflexão são, por vezes, chamados ao plateu principal. Foi o que se passou na eleição Sócrates - Alegre - Soares (filho); é o que se passa nas primárias norte-americanas; foi o que se passou em França, etc.
Os temas desses debates variam, de ideologia às relações Internacional, ao escrutínio do passado à Teoria Política. Nos meus textos anteriores referi-me a temas como «critérios», «renovação», «projecto político». O que são e o que deveriam ser? Que qualidades deve ter o político hoje? O que se deve entender por renovação? Que características deve ter um projecto político? Qual o papel do líder, da equipa e do programa? Podiam ser outros, com certeza, mas estes pareceram-me válidos para iniciar o debate.
O período pré-eleitoral é também a oportunidade de proceder ao escrutínio dos candidatos, assunto também considerado importante, em especial quando o tema da «renovação / experiência – inexperiência» está em cima da mesa; e um dos candidatos é altamente explorado pela sua experiência acumulada no cargo. É importante que o escrutínio seja efectuado na pré-campanha, pois é de eficácia reduzida quando efectuada em período eleitoral, devido à natural paixão na defesa dos candidatos e à falta de distancia na análise.
Quando comecei a escrever este rol de textos a minha intenção era debater estes assuntos que entendo serem importantes e que fazem, hoje, parte do debate geral e genérico que se produz acerca do estado dos sistemas democráticos, dos partidos políticos, da política em geral. Com o desenrolar da campanha, alguns destes temas perderiam, necessariamente, quer interesse quer a capacidade analítica neutra, por contágio eleitoral; e tornar-se-iam apenas mais um produto de campanha.
Pensei que tinha encontrado um interlocutor privilegiado no Carlos Castro, pessoa a quem reconheço diversos méritos. Pensei, também, que me acompanharia neste debate. Afinal, tinha escrito as eleições em Lisboa seriam uma boa oportunidade de promover uma interessante troca de ideias entre as diferentes candidaturas, abordando os mais variados temas. Pensei que estes fossem temas de interesse.
Reparei, cedo, que o Carlos não estava nesse contexto. Estava, apenas, preocupado em «fazer» campanha eleitoral. Dos meus textos interessava analisar as suas fraquezas, os pontos onde «me podia pegar», interpretar algumas intenções e pouco mais. Debate? Nada. Ataques estéreis, falta de critério na análise, esquivas e malabarismos, etc. Esperei pelos argumentos.
Prevendo a continuação desta atitude, no último texto coloquei uma expressão que sabia que podia ser «atacado». Admito a armadinha. Ainda assim tive o cuidado de a colocar na resposta ao Rui Pedro Nascimento. Pois, adivinhe-se, o que diz o Carlos na resposta de hoje?
Refere-se a mim com alguém «que é dado às tentativas de brincar à Ciência Política e à Teoria Política». Assume, deste modo, o ataque directo à minha pessoal, através da minha desvalorização directa, denegrindo-me no processo. Tudo espectável. Previsível. Debate? «Para quê se o tipo deixou esta aqui tão a jeito…». (quantas formas de ataque poderia desenvolver a partir daqui, Carlos? Pois sabes, não o faço)
Depois questiona-me acerca de comentários anónimos que lhe colocaram no blogue.
Sobre o ataque, como se depreende, já estava à espera e não me surpreendeu. Melhor, estava à espera mas não o esperava. Entendia que o Carlos estaria num patamar superior onde o entusiasmo pelo debate da Política se sobrepusesse sobre a táctica da política rasteira, do tal sondbite fácil e de preparação simples. Pensei, aliás, que este reportório não constasse da sua forma de estar. Enganei-me. Assim como, aparentemente me enganei acerca deste debate.
Depois, para meu espanto, reparo que procura associar-me a um qualquer comentário de um qualquer anónimo.
Sinceramente pensei: só pode ser brincadeira. Não só, parece, o seu conteúdo foi eliminado (como, pergunto, poderia então saber do que constava?); como ainda eu, ou a candidatura que apoio, temos algo que ver com o assunto. Pior: aparentemente existe uma ligação entre o que eu escrevo acerca de «Renovação» e «Escrutínio» e o que o dito encapuçado terá escrito. Acompanham? É que é de difícil seguimento.
Todo o texto é, aliás, sobre comentários ofensivos e escritos anónimos. Como se qualquer candidatura se associasse a anónimos… Depois ainda há uma tentativa de associar o Miguel Coelho a estas práticas, tipo «líder de bando de malfeitores» que ofendem, este ou aquele de forma monopolizada.
Sim, porque nestas coisas, o ofendido NUNCA ofende. A clássica visão maniqueísta da política, agora apresentada de forma totalitária: nós, os bons / eles, os maus; nós, que somos ofendidos / eles, que nos ofendem; nós, os novos / eles, os velhos. Estes argumentos são apresentados de forma totalitária – só ELES é que ofendem, têm esse monopólio (da ofensa); a renovação é SÓ nossa; os bons somos SÓ nós.
Claro que não ,e revejo, de todo, com esta forma de fazer política; desmarcando-me dela com toda a firmeza. Há muito mais de Cinza na política que Preto e Branco, Carlos.
Sobre o assunto de que sou acusado, apenas estas linhas, que escrevo em letras capitais para que fique claro:
EU NÃO COMENTO O QUE ANÓNIMOS ESCREVEM (muito menos quando nem sei o que escreveram)
EU NÃO ENTRO NO JOGO DO ATAQUE PESSOAL.
E SE É ESSE O DEBATE QUE QUERES FAZER - O DIZ QUE DISSE, O ATAQUE PESSOAL, A BAIXARIA, A INJURIA E A CALÚNIA - NÃO CONTES COMIGO.

Stand Up do melhor



E não é que o gajo tem toda a razão? É a Tequila, no fim, que estraga a festa toda...

A Cama de Gato

Está bermelhinha. Mas não está mal, não senhor. Das tascas onde se ouve melhor som.
Mas olha, para este, 100 vezes este aqui.

Este sabe-la toda...


Lembrado pelo Daniel.

Duarte Pacheco

Hoje, a ouvir o opinião pública da SIC, onde um senhor da QUERCUS pedia (ainda) mais estudos; lembrei-me que a travessia Chelas-Barreiro, estava projectada desde o tempo de Duarte Pacheco, não me recordo com exatidão se quando esteve na CML ou se no Ministério das Obras Públicas. Nos anos 40 foi. Muito se deve rir hoje.
Se fizerem só a ponte já me dou por satisfeito.

Política & Política

Tanta coisa e tão pouco tempo.
Queria escrever sobre Alcochete e sobre o referendo, mas estes posts sobre a Concelhia de Lisboa têm-me roubado o tempo disponível que tenho para o blogue. A ver se ainda vou a tempo...

2009. Arranque.

Muito bom, mesmo.
O PSD vai ter de gastar muito, para o acompanhar. E não me refiro apenas aos aspectos financeiros. Refiro-me aos políticos.
Veja o tempo de antena emitido em 07 de Janeiro de 2008

Hibernação, Renovação, Eleição. Quarta parte.


Carlos,

É de facto impressionante. Não consegues responder a uma questão que te coloco. Bom, campanha deve ser mesmo isso.
Penso que não entendeste a minha avaliação sobre a permanência no poder; aliás, penso que não tens entendido muito do tenho escrito. O que te queria dizer é que é possível manter projectos com vitalidade política durante vários anos e várias eleições; procedendo para o efeito a regulares processos de renovação. A tua comparação com a prática da governação é, no mínimo, deslocada, em meu entender. Isto porque não vamos eleger nenhum governo de Estado. Estamos só a falar da eleição de uma Concelhia do PS. É certo que tem responsabilidades acrescidas porque é a Concelhia da Capital; e que pode desenvolver mais e melhores projectos. Estamos de acordo.
Lembro-te que não a Concelhia nunca foi a votos em Lisboa. Foi, sempre, o PS, e com candidatos muitas vezes avessos à vontade da Concelhia, como sabes. Mais, na melhor relação de há muitos anos, talvez na melhor relação que o Miguel Coelho teve com um candidato em Lisboa, o PS, apesar de não conseguir o resultado ideal, obteve das maiores vitórias da sua história (em Lisboa). Com a Concelhia sempre ao lado de António Costa.
Admito, como já te disse, que a Concelhia teve momentos menos bons, vários até; mas também soube produzir alguns de mérito. E o Fórum Cidade? Não foi uma boa ideia? Não o foi mais porque houve quem, como candidato, não o quisesse aproveitar. E porquê? Porque era mau? Em todas as áreas? Vai ver o que se está a fazer agora no Desporto na CML. E devo-te dizer que já estavam diversas equipas a trabalhar, e bem, no momento em que todos fomos requisitados para o combate eleitoral de Junho. E de onde julgas que vieram muitas das ideias do programa? Da secção de Alvalade? Não me recordo de nenhuma. Mas posso-te dizer várias que a secção de Belém apresentou em sede de Comissão Política e na Convenção Autárquica documentos com diversas propostas. Assim como também te posso recordar que muito do trabalho que o Fórum Cidade dedicou à Cultura encontrou eco no programa do António Costa (grupo que inclusive forneceu algumas candidatas à CML). Nada disto conta, Carlos?
E a Universidade de Verão? Também não lhe encontras qualidades? Lembras-te do painel de convidados? Do melhor que o Partido tem. E a organização? Recordas-te de reuniões dessas, com consistência e profundidade política em Alvalade? Eu não. Não basta arrolar contactos privilegiados. Há que desenvolver Ideia, Projecto; e não fazer conferencias avulsas. Isso, meu caro, tem interesse, como todos os eventos com bom convidados têm. Mas vale muito pouco no quadro político que há que desenhar hoje; pois não bastam pinceladas descoordenadas. Há, repito, que ter um plano.
Hoje, com os instrumentos que soube criar, a Concelhia do PS Lisboa tem todas as capacidades para poder elevar a fasquia da qualidade. Aquela que procuras. Para que tal seja Real, há que definir um projecto, com uma equipa e com um líder. Aqui divergimos fortemente, Carlos, pois tu resumes tudo à «juventude» do Teixeira ou aos péssimos momentos do Coelho; sem te dares conta que utilizas dois critérios na mesma comparação (queres me dizer que o Miguel Teixeira não tem momentos maus? Vamos, no próximo post escrutinar os últimos 13 anos da sua vida política. Que teve, sabes? E sabes por onde andou? Eu sei onde esteve o Miguel Coelho; e tu também, pois só sabes escrever disso).
Termino concordando contigo. Esta é uma óptima oportunidade de apresentar o que o PS Lisboa tem de melhor: nos candidatos, nas equipas e nos programas. A política não é, felizmente, cenário para one-man-shows. Há bem mais.

Rui,
Sinceramente, eu nem queria ter começado a campanha. Estava só a tentar brincar à Ciência Política e à Teoria Política. Pensei que podíamos desenvolver um bom debate. Mas, sabes, quando não se consegue manter um critério na avaliação ou na comparação política tudo se esfuma em sond bites fáceis de entender. Isso é campanha, pura. Imagino que assim seja difícil, a quem está de fora, entender o conteúdo das mensagens. É questionar a quem defende que Obama é renovação só porque é negro se se lembrou se reparar que Hilary é uma mulher, e que também pode apresentar alguma renovação. O que nunca acontece é o debate sobre os critérios de renovação. Critérios, escrutínio e Ciência Política, Rui. Era esse o meu interesse.
Espero que o debate melhore.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Alcochete

Está decidido: Alcochete!

Agora faça-se!!!!

P.S. - E, já agora, o que acontece ao ministro Mário Lino? Nada?

Renovar

verbo transitivo
1. repetir;
2. substituir por coisa melhor;
3. pôr novamente em vigor;
4. relembrar;
5. reabrir;
6. tornar novo;
7. dar aparência de novo a;
8. consertar;
9. melhorar;

verbo intransitivo
rebentar ou desabrochar de novo;

verbo reflexo
1. tornar-se novo;
2. rejuvenescer;
3. regenerar-se;
4. repetir-se;

(Do lat. renováre, «id.»)

Significados da palavra Renovar segundo o Dicionário de Língua Portuguesa da Infopédia.

Com base nisto, que tal o e o Carlos darem-nos exemplos e passagens programáticas de cada uma das candidaturas (ou pontos de partida para a construção desses programas) onde nos demonstrem que a candidatura que apoiam é a tal que Renova a Concelhia de Lisboa do Partido Socialista?

Fica o desafio, para não passarem o tempo a dizer "Eu apoio... Eu... Eu é que apoio a candidatura renovadora!"

resposta directa


Carlos, desculpa, mas leste o texto todo?
É que nele respondo a bem mais do que dizes que respondi.
Quando referes o projecto gasto; respondi-te que entendia que os projectos se podem renovar; como o Miguel Coelho o tem conseguido fazer ao longo dos anos (e ganhar, portanto deve de ter alguns mérito, acho).
Sobre o esgotamento do Miguel e da capacidade dele se renovar, procurei, com o meu exemplo, explicar que a renovação também se pode operar através da candidatura do Miguel Coelho.
O que procurei fazer, sem sucesso admito, foi colocar-te uma série de questões, teóricas, de contextualização conceptual; para apurar os conceitos que utilizas com tantas certezas. Questionei-te sobre a «Renovação», sobre a «Garantia de...», sobre o que deve ser, hoje, um projecto político.
Estranhei, devo-te dizer, a tua não-resposta. Ao invés preferes o ataque. Sem stress. Adiante.
Sobre a campanha, apenas te disse que eu, nos primeiros textos (parte 1 e parte 2), não pensava que a campanha tinha começado. O segundo texto, de resposta, certamente que tem um cunho de defesa que o pode qualificar como sendo de campanha. Pensei que o tinha assumido. No entanto, devo te dizer que encontro diferenças entre a colocação teórica e prática dos assuntos que discutimos: falar da prática é campanha; falar de teoria, não; não sempre. Aí devemos procurar a isenção intelectual e académica para proceder à boa análise. Foi essa a minha intenção e a razão de referir que apenas na defesa que empreendi às considerações que teceste sobre o Miguel Coelho fiz campanha. No resto procurava o debate intelectual, livre, construtivo e plural. Adiante, e termino.
Deste, e bem, o exemplo francês. Podias ter dado o inglês, de Tony Blair; ou o do PSOE de González, não? Foram, ambos, mais de uma década de poder, com resultados desastrosos (ironia) para a Grã-Bretanha e os nossos vizinhos espanhois.
Penso que é isto.
P.S.
Não entendi porque quereria eu que me desses razão? Qual seria a ideia?
Sobre o meu apoio, já o sabes: é no Miguel Coelho. Por quem vou fazer campanha (mas, aparte da campanha, ainda irei explorar alguns conceitos de Ciência Política, de Sociologia Eleitoral que podem valer em campanha mas interessam muito mais quando inseridos num processo de reflexão mais alargado – era o que estava a querer proporcionar).

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