[Adenda]
Amílcar Campos é o candidato da CDU (informação dada pelo Pedro Sá)
Isabel Sande e Castro é a candidata do CDS-PP (informação dada por Carlos Silva)
And the dreamers? Ah, the dreamers! They were and they are the true realists, we owe them the best ideas and the foundations of modern Europe(...). The first President of that Commission, Walter Hallstein, a German, said: "The abolition of the nation is the European idea!" - a phrase that dare today's President of the Commission, nor the current German Chancellor would speak out. And yet: this is the truth. Ulrike Guérot & Robert Menasse
Recentemente fui alvo de uma acusação grave. O Carlos Castro acusou-me de plagiar algumas ideias da candidatura do Miguel Teixeira.
Dizia, grosso modo, que a candidatura do Miguel Coelho andava a reboque da do Miguel Teixeira. Entenda-se que é o mesmo que dizer que a candidatura do Miguel Coelho copia a do seu adversário; ou seja, que a plagia. Como o autor do texto referido era eu, senti-me citado. Mais, como académico, como alguém que existe profissionalmente de acordo com a sua capacidade de criar ideias, análises, conhecimento, devem entender que a acusação acerca da originalidade das minhas ideias é do pior que me podem acusar. É colocar em causa a paternidade do meu trabalho; e não posso deixar que passe impune vis acusações infundadas.
Em resultado, solicitei, exigi, ou a apresentação de provas, que corroborassem a acusação, ou um pedido público de desculpas, e consequente retracção.Deixei, deliberadamente, passar algum tempo, esperando que o Carlos regressasse ao bem senso que pensei que teria. Devo que depois do ocorrido lhe possibilitei, em termos pessoais, duas saídas à situação entretanto criada. É certo que, como dizia Churchill, que em política encontramos mais facilmente os inimigos dentro do nosso próprio partido (e os adversários fora), e de que relações de amizade são difíceis de construir e manter em ambiente tão atroz.
Não estou com isto a querer dizer que considerava o Carlos Castro um amigo. Não. Mas éramos bons conhecidos, com alguns interesses em comum. Era uma pessoa com quem gostaria, um dia, de poder partilhar uma equipa. Quis a fortuna que nunca partilhássemos projectos políticos.
Neste contexto deparei-me com este post do Carlos Castro, cinicamente intitulado,«A coragem de pedir desculpa e de fazer Justiça». Admito que tal post me deixou curioso. Viria o Carlos reconhecer o seu inequívoco? Viria apresentar alguma prova da sua vil acusação? Não. Mas vinha a reconhecer a alta importância o gesto do governo australiano, agora trabalhista, de pedir desculpa pelos consecutivos abusos que infringiram (os brancos australianos) ao povo aborígene.
É preciso ser… cínico, pensei. Reconhecer que a «desculpa» é uma palavra muito importante, mas ser incapaz de a utilizar é de um cinismo atroz, revelador de uma denunciante incontinência verbal associada a uma inconsequência tremenda. Como é que alguém, no espaço público e publicado, se esconde cobardemente de um pedido de clarificação público exigido e depois exalta a coragem do Primeiro-ministro australiano?
Claro que a minha estranheza não advém do acto honrado e humilde do primeiro-ministro australiano mas de tais referências provirem de alguém que tem mostrado e demonstrado ser tudo menos portador de tal honradez ou humildade.´
Decerto o Carlos se terá deliberadamente esquecido do pedido público de desculpas que lhe solicitei em ocasião da falsidade por ele inventada, relativa à minha pessoa. Decerto terá esquecido de todas as oportunidades que lhe dei de se emendar, de reconhecer o seu erro. Eu até teria, possivelmente, entendido as razões do seu abuso; afinal poderá ter, inadvertidamente até, reagido emotivamente por a campanha eleitoral interna não lhe estar a correr bem. Até poderia entender que, por razões políticas, não quisesse dar o braço a torcer, admitir o erro, pois tal o colocaria numa posição de fraqueza. Mas tais razões esfumaram-se quando eu lhe fiz entender que estava gravemente ofendido com as suas falsas acusações.
No entanto nem todas as razões possível lhe desculpariam a sua má educação e má formação para comigo, colocando-o definitivamente na curta prateleira daqueles a quem não me quero ver associado. Muito poderia ter justificado os seus actos. E eu, disse-o várias vezes, até o compreenderia, caso o Carlos se retratasse e apresentasse desculpas. Como fez agora o primeiro-ministro australiano. O problema é que para isso acontecer o Carlos necessitaria de reconhecer que o que fez estava errado e ter a capacidade de o reconhecer publicamente, ser humilde.
Ora essas duas suposições não são, então, verificáveis. E, perante tal verificação, não me resta senão cortar, publicamente, relações com esse senhor. Há, para mim, limites. E o Carlos passou-os. Avise-o disso, retirei a nossa contenda da disputa política em curso (porque entendo que se devem separar os campos), e proporcionei-lhe todas as oportunidades de se redimir. Como é natural, não poderia deixar passar este acto grave em claro, sem consequência. Em política nem tudo pode ser permitido ou validado.
Não poderia deixar impune o comportamento agora detectado, assim como não poderei deixar de denunciar, publicamente, alguns traços do carácter do Carlos Castro. Esta atitude abjecta, ignóbil e infame denuncia alguém intelectualmente desonesto, porque o que escreve não é verdade; cobarde, porque se esconde e é incapaz de responder pelos suas acções; mentiroso e desprezível, porque é incapaz de reconhecer a gravidade dos seus actos.
Ficamos assim a saber que para o Carlos a incúria, a acusação vil e o boato de baixo nível são instrumentos legítimos de fazer política. Decerto terá sido atingido por uma qualquer superioridade bacoca, masturbatória, e de recente existência, que o terá retirado de qualquer discernimento consciente.
Ficámos ainda a saber que o novo Carlos renegou, definitivamente, aos valores da Justiça, do Bom-nome, da acusação provada; pouco lhe interessando se coloca o bom-nome de alguém em causa, ou se o que escreve é verdade ou não; se pode ou não ser provado.
Ora em política devemos lutar por princípios e valores. Valores e princípios que não podemos deixar cair por tuta e meia; ou que sejam legítimos apenas em cenários exógenos, perdendo a validade quando aplicados a nós próprios.




Como decerto já saberão, irei estar, nas próximas semanas, ocupado com a candidatura do Miguel Coelho à Concelhia do PS em Lisboa. Já tenho aqui escrito sobre o assunto.
Hoje (ou ontem) recebi no correio uma carta do camarada Miguel Teixeira a anunciar a sua candidatura ao mesmo órgão interno do Partido Socialista.
Devo dizer que fiquei mais descansado, pois com tantas promessas de inovação e renovação, quer a carta quer site não causaram impressão. São, num dizer corriqueiro, normalitos...
Bom, a verdade é que já antevia o que poderia ser produzido «por aquele lado», uma vez que já acompanhava a putativa candidatura da camarada Leonor Coutinho há algum tempo. Leonor Coutinho, questionam? Mas não é Miguel Teixeira? Pois, agora é, mas parece que a confusão é, ainda, alguma.
Vejam o site do Miguel Teixeira hoje, e vejam o da Leonor Coutinho, de ontem, que mantém o banner, mas conta agora com propaganda do novel candidato.
A minha questão é esta: se se produz tanta propaganda para a vender o discurso de renovação da candidatura do Miguel Teixeira, não devia ela ser «original»? Ou será que a ideia é começar a montar um site e ir trocando o nome do candidato?
Desconfio que depois deste post, o site da candidatura da Leonor Coutinho é capaz de desaparecer rapidamente. Assim funciona a «nova política»: apaga o que não interessa. Vende o que produz.


The end of the affair?
Texto em resposta directa.
Prelúdio: não vou utilizar citações, links ou livros técnico. Vou responder directamente.
1. nunca te pedi para concordares. Só debateres. Com critério. A Democracia deve ser isso: duas (ou mais) pessoas a trocarem argumentos, a contruirem projectos políticos, a defenderem causas, sem que estejam submissas a «Verdades», a «Dogmas» ou «Totalitarismos» de alguma espécie. Sempre defendi a pluralidade política, e não admito que no PS alguém defenda que a liberdade deve ser coartada ou manipulada.
2. Sobre renovação em projectos com lideres prolongados no tempo escrevi que:
2.1. Não é só o líder que conta.
2.2. Também há a equipa.
2.3. Também há o programa.
2.4. Não basta dizer que se é titular, de forma monopolista, da «renovação»; é necessário apresentar critérios, e esperar que os mesmos possam funcionar contra nós.
2.5. Solicitei-te que debatessemos estes conceitos e que apresentássemos critérios. Ainda espero resposta.
3. Escrutínio – aparentemente estás confortável com a exploração do dia-a-dia do Miguel Coelho, em todos os anos em que tem sido Presidente da Concelhia de Lisboa. Mas, quando se pretende utilizar o mesmo critério de análise para o teu candidato – o Miguel Teixeira – tal já não é possível. «Só no dia 7…». Até lá manténs-te silenciosamente em campanha sem procurar apresentar a pessoa que estás a apoiar? É uma situação altamente invulgar, na minha humilde perspectiva. É dizer para vir votar em Fulano A, perguntarem quem é, e dizeres: «não importa, no dia 7 saberá». Não me parece correcto, nem honesto; mais ainda quando parte do teu argumentário é construído na análise, exaustiva, do que o Miguel Coelho tem feito. No mínimo o mesmo critério.
4. É nestas questões que divergimos, pois usas critérios na análise do outro que não respeitas quando analisam a tua candidatura.
5. Tem piada a do patamar, porque te coloquei acima de um patamar que apresentaste como baixo. Quando te referiste, e bem, o caso dos comentários ofensivos, anónimos e tal; coloquei-te num patamar acima. Não tem nenhuma leitura de infra ou superestrutura. Só de colocação perante a tua denúncia. Eu afirmo que não «faço política baixa», que «não faço ataques pessoais». Estou, num patamar superior, em relação a quem faz política assim. Qualquer avaliação desta afirmação assume que não há nenhum elitismo, sectarismo ou qualquer outro ismo.
6. Sobre a citação do Michels, é exactamente o que disse acerca das possibilidades de debater política: é possível na pré-campanha, enquanto a paixão e a proximidade do acto eleitoral não turva a análise. Decerto não te referirias a mim. Estás a querer assumir alguma coisa? Não percebi, sinceramente. (repetes algo que disse como se fosse a primeira vez que é utilizado na nossa troca de posts…não entendi)
7. Em relação aos ataques, a exposição do meu último post é suficiente. Não a esmiuçarei mais.
8. Devo entender que «desistes» do debate? Que te consideras ofendido? Por quê? Por eu ter assumido que não entraria em assuntos pessoais? Ou no insulto? Ou entendeste que o meu patamar superior era o quê? Já disse, e repito, que a superioridade é em relação a quem usa a política como arma de sarjeta, que ofende gratuitamente, que não encontra maneira de respeitar o argumento do seu adversário político; e responde com insultos; com falsas acusações, inverdades, boatos, etc. Eu sou contra o desrespeito pela pluralidade política; pela falta de liberdade opinativa e de expressão. Sou contra a calúnia, o anonimato, a insinuação danosa.
9. Pensei que quando denunciaste alguns abusos querias que este debate fosse «elevado». Sem manias nem cachuchos. Somente um debate político que, de forma civilizada, saiba apresentar uma troca de argumentos acesa, dentro do espírito da Democracia, da liberdade de opinião, para que se construa discurso comutativo que esclareça, que identifique, e que caracterize as propostas políticas que devemos defender. Para nós e para quem leia ou se inteire sobre o nossa altercação.
10. Concordamos com o teu último parágrafo: se continuares a defender uma atitude política contrária aos princípios da pluralidade, da liberdade de expressão, do direito ao bom-nome e da Democracia, agradecia que me deixasses em paz. Já o disse, e repito, não compactuo com inverdades, baixarias, injúrias gratuitas ou calúnias anónimas. O meu patamar, neste contexto, é acima. (e surpreende-me que me acuses de me situar acima dessa fasquia, devo-te dizer...). Fiquei com a sensação de ser esta, também, a tua posição; quando dizes não pertencer a certo escol. Não percebo, então, o que queres dizer. Queres definir?
11. Relembro:
11.1. EU NÃO COMENTO O QUE ANÓNIMOS ESCREVEM (muito menos quando nem sei o que escreveram)
11.2. EU NÃO ENTRO NO JOGO DO ATAQUE PESSOAL.
11.3. E SE É ESSE O DEBATE QUE QUERES FAZER - O DIZ QUE DISSE, O ATAQUE PESSOAL, A BAIXARIA, A INJURIA E A CALÚNIA - NÃO CONTES COMIGO.
12. Termino.



