quarta-feira, janeiro 09, 2008

Hibernação, Renovação, Eleição. Em duas partes.


Parte Um.

Infelizmente não tenho tido a oportunidade de poder comentar alguns textos que tem corrido pela blogosfera política como queria; e um desses textos é o publicado no PS Lumiar, via Jornal a Dias, sobre o estado de hibernação do Partido Socialista.
Sabem, pois não o escondo, que sou militante activo do Partido Socialista. Militante de base, entenda-se, em natural processo de evolução e envolvimento político natural de quem defende causas e as formas de as colocar em prática. Por isso, ao ouvir falar num qualquer estado de hibernação política do partido que, hoje, tem a responsabilidade de ser Governo eu questiono o inverso: é suposto o PS não apoiar o Governo? É suposto o PS ser oposição ao Governo? Decerto muitos serão os que defendem tal posição «cívica»; em prol de uma nunca definida pluralidade critica que nada constrói e tudo ataca. Eu não. Eu considero que é essencial manter uma forte coerência política quando se está com a responsabilidade de governar um país e, até há bem pouco tempo, a Europa.
Mas que não se considere que me satisfaço com uma «resposta mínima» e negativista, não. Claro que entendo que qualquer Partido em situação de Governo tende a governamentalizar-se. É, diria, inevitável. Mas não pode perder a sua vontade, a sua missão – diria –, de querer continuar à procura do bom projecto político, da boa Ideia, do que falta fazer. Inovar, Criar, Construir; e neste domínio, já há muito que o PS, ou outro qualquer partido português, não contribui para que a política se renove, no discurso, nas práticas e nas pessoas (arrisco mesmo dizer que a última grande renovação foi a de Ferro Rodrigues, com o desfecho que teve).
Mas não queria me alongar mais sobre o que penso que os partidos podem fazer para quebrar esse quotidiano de espera de Poder. Queria responder ao Carlos, que em última análise, me motivou a escrever este texto. O que o Carlos escreveu sobre o mesmo assunto, como se depreende do que aqui escrevi, subscrevo: há muito mais PS que o Secretariado Nacional, esse sim verdadeiro apêndice governamental (como tem de ser, acrescente-se).

Há, e já aqui escrevi em resposta a uma mesma interrogação do Medeiros Ferreira, dezenas de óptimos projectos a ocorrerem nas diversas estruturas socialistas, das Mulheres Socialistas à JS, das Federações às Secções, das Concelhias às Sectoriais, do PES Activists aos Grupos Parlamentares (em Bruxelas e em Lisboa). O problema é que essa actividade não é notícia. Nunca é. Hoje, porque no passado já houve interesse pela outra política além da grande política (inter)nacional. Lembremo-nos que houve tempos em que o país andava informado; e através de fonte e de jornalismo sério, não através de centrais de informação e agencias noticiosas (mas isto é outra convesa).
Neste ponto estou totalmente de acordo com o Carlos. Somos ambos relativamente activos no PS Lisboa, razoáveis conhecedores da estrutura e das suas personagens, e das possibilidades de se fazer política e de construir projectos de futuro.
Tudo bem, sem stress, até que o Carlos decidiu confundir tudo o que tinha acabado de dizer com o momento político vivido no PS Lisboa. Concordo com a postura de que esta é uma óptima oportunidade de se apreciar o PS em acção, numa das suas estruturas intermédias de maior importância e potencial visibilidade: a Concelhia do PS Lisboa. Já não concordo com a avaliação dos candidatos que apresenta. Em primeiro lugar porque não é honesto quando não se apresenta como apoiante de uma das candidaturas, induzindo o desatento leitor do seu blogue a uma possível avaliação teórica, neutra ou académica. Não é. É uma avaliação engajada.

(fim da primeira parte)

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