segunda-feira, janeiro 07, 2008

Começar no Pacheco e terminar na Política para a Cultura


Rui,
Não entendeste. Eu não disse que eles deviam sair, pelo contrário. Como sabes defendo, e muito, o cosmopolitismo cultural como factor de desenvolvimento social; e defendo que tal é possivel em Portugal, e em Lisboa mais especificamente.
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A referência a Paris, Nova Iorque ou Londres é no sentido em que personagens do calibre do Pacheco - calibre não necessariamente Nobel stile - não se revêem apenas em Portugal, têm muito mais mundo do que isso. E não é o sair do país que lhe retira a mais valia cultural que acrescentam nos quotidianos de cultura que construimos. Repara, quando a geração escritores norte-americanos, nos anos 20, saiem dos EUA à procura da Europa (onde Paris ainda mantinha um grande poder de atracção), e refiro-me a um Hemingway ou a um Scott Fitzgerald deixaram eles de ser americanos? Não, pelo contrário, a influência deste seu périplo acaba por ser central na obra que desenvolvem - especialmente em Hemingway.
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Deves de pensar é no inverso: o que teria acontecido se Homens (e Mulheres) da qualidade dos que temos vindo a referir ficassem retidos, reféns, de fronteiras físicas e políticas. A Cultura, Rui, não tem fronteiras, nem pode ter.
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A leitura pessimista que coloquei no post, tem razão de ser após a avaliação do estado na Cultura em Portugal que, aparte de excelentes iniciativas, vive um em estado perdido, sem alguma linha de política com que se cozer. Isto não quer dizer que a Cultura só existe no Estado, pelo contrário, deve é o Estado criar as condições, políticas, que possibilitem o tal florescimento cultural que acrescente fortes mais valias sociais. Há, e termino, três fórmulas de tal poder acontecer:
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1 - Forte atracção cultural de sitio X, que, em determinada altura da história constrói as tendências culturais (Paris, Londres, Nova Iorque, Berlim, Barcelona, são exemplos que, em dado momento, tal atracção existiu);
2 – Presença de uma forte Sociedade Civil que, ao abrigo de uma boa Lei do Mecenato, potencia a criação cultural (exemplo muito premente na sociedade norte-americana)
3 – Ou é o Estado que cria o motor do desenvolvimento cultural através de uma política cultural pró-activa, definida e de apoio estratégico ao desenvolvimento do país. Como se pode construir essa política já é matéria de outro post.
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Finalizo com duas do Pacheco: uma célebre entrevista à K, por Luis Quevedo e Rui Zink; e um dos seus livros mais polémicos, «O LIBERTINO PASSEIA POR BRAGA, A IDOLÁTRICA, O SEU EXPLENDOR».

3 comentários:

Ricardo Revez disse...

Os grandes da cultura são normalmente marginais... ou eram... costumavam ser... Eram grandes por conseguiram inovar, criar rupturas. E esses, os Estados nunca apoiam. Os Estados querem certezas, querem saber os terrenos que pisam. A grande arte normalmente nasce da iniciativa individual, infelizmente não apoiada.

Paulo Dias disse...

Ricardo disse...

Bom regresso amigo...

Rui Pedro Nascimento disse...

Bolas, pá! Foi só uma provocaçãozinha, escusavas de me arrasar!!!

PAULO: vê lá se fazes a newsletter que o homem anda irritado!!!

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