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Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Ainda Praga

Não consegui dar vazão ao todo o trabalho que tinha de fazer em Praga. São, de facto, muito cansativos estes encontros de socialistas. Eu estive como delegado da Rainbow Rose, grupo LGBT junto do PES (Partido Socialista Europeu) e tive uma montanha de «tarefas» a cumprir. Tivemos uma fringe meeting onde apresentámos a situação na Europa de Leste (um paper desenvolvido pelo Lukasz Palucki, que podem ver aqui), uma intervenção no plenário – feita pela Anna Paola Concia (primeira deputada gay no Parlamento italiano, e que podem ver no fim do post) – um par de reuniões bilaterais importantes e interessantes (com o PES Women, com o Comité das Regiões, com a ECOSY e com diversos eurodeputados). Aparte deste trabalho específico ainda estive muito envolvido com tudo o que se passava com os PES activistas, liderando a delegação portuguesa (de activistas) e preparando uma outra série de reuniões sobre esse interessantíssimo projecto patrocinado pelo PES.

Foram, como se pode facilmente depreender, dias de elevada intensidade política, com resultados animadores. No final o Congresso acabou por reeleger Poul Rasmussen como Presidente do PES, com uma elevada e expressa maioria (conseguiu 327 dos 333 votos possíveis), o que acaba por ser um reconhecimento político do bom trabalho que o actual lider do PES tem desenvolvido no seio do Partido. Refiro ainda que, apesar da derrota eleitoral de Junho, a verdade é que o PES está hoje mais fortalecido, com uma liderança e uma equipa estável.

Roma não se construiu num só dia, bem o sabemos, e estou certo que só com um reforçado, pró-activo e apoiado Partido Socialista Europeu pode a Europa ambicionar uma desejada virada à esquerda, e procurar a construção de uma Nova Europa Social.

Aqui podem assistir às intervenções no Congresso do Partido Socialista Europeu:

Abertura (Philip Cordery) (Poul Rasmussen) (Jiri Paroubek),
Aprovação do plano de actividades,
Painel 1 (uma nova direcção para as sociedades progressivas) (parte 1) (parte 2),

Paola Concia at 8th PES Congress from Rainbow Rose on Vimeo.

Domingo, Dezembro 13, 2009

Houston Elects Openly Gay Mayor

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Lançamento de livro do ICS. Hoje.

O livro “Semipresidencialismo em Países de Língua Portuguesa” vai ser lançado hoje, dia 11 de Dezembro, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, às 18 horas.

A apresentação está a cargo do Carlos Jalali da Universidade de Aveiro.

O nosso camarada José Reis Santos colaborou com um capítulo para este livro do ICS coordenado por Marina Costa Lobo e Octávio Amorim Neto.

Francis Blanchard (RIP)

CONFEDERACIÓN SINDICAL INTERNACIONAL

CSI EnLínea


Fallece Francis Blanchard, ex Director General de la OIT

Bruselas, 11 de diciembre de 2009: Ha supuesto un gran pesar para la CSI recibir la noticia del fallecimiento, el día 9 de diciembre, de M. Francis Blanchard, Director General de la Organización Internacional del Trabajo de 1974 a 1989.

El Sr. Blanchard prestó servicio a la OIT durante 38 años, y su trabajo fue especialmente decisivo para el desarrollo de las actividades de cooperación técnica y la descentralización del trabajo de la Organización. No obstante, el pleno alcance de su talento se hizo patente sobre todo en tanto que Director General, cuando su liderazgo permitiría que la organización atravesara los difíciles y conflictivos años de la Guerra Fría.

El éxito de la OIT durante el mandato del Sr. Blanchard, y el hecho de su destacada posición a la hora de aportar un cambio histórico y duradero para el mundo, se debió en gran parte al firme apego que tenía a los principios y misión de la Organización. Se negó a desviarse de los mismos a pesar de las inmensas presiones políticas que pesaban sobre él. Dirigió con sabiduría, distinción, destreza y compromiso, y su muerte será lamentada por sindicalistas de todo el mundo, muchos de los cuales deben el ejercicio de sus derechos al trabajo que realizó”, dijo Guy Ryder, Secretario General de la CSI.

La CSI representa a 175 millones de trabajadores y trabajadoras de 311 organizaciones afiliadas nacionales en 155 países y territorios

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

O Ponto nº 5 da resolução do 8º Congresso do PES - Praga 8 de Dezembro de 2009



Resolution n°1
People first: A Progressive European Agenda
Adopted by the 8th PES Congress



5. To pursue gender equality

Our vision of progressive societies is contingent on gender equality. Gender inequalities continue to have deeply negative consequences for the economy, social justice and democracy.

Women still earn, on average, 17.4% less than men for doing the same work; they are much more likely to be unemployed, discouraged from entering the labour market by the lack of decent jobs, or in lower-paid, low-quality or part-time jobs. The financial and economic crisis has highlighted the very low number of women in top decision-making positions in the banking sector and in listed companies. Overall, the result is that women have not been able to contribute fully to generating new prosperity and providing sound stewardship in the economy.

The extent to which gender equality has been achieved varies across Europe. Those European countries which have done most to increase women’s rights and opportunities are amongst the leading sustainable societies in Europe with the highest proportion of women in the workforce and the highest birth rates.

We believe gender should be mainstreamed throughout all EU policies and instruments, including national and European economic recovery plans. It is urgent for the EU to adopt a European Women’s Rights Charter to improve women’s rights and opportunities and promote mechanisms to achieve gender equality in all aspects of social, economic and political life. Moreover, this Charter must be carried by a visible, effective, target-driven platform with a sufficient budget to ensure that its content is implemented and respected in all Member States.

Improving paid and shared parental leave rights and pre-school child care and education would benefit labour market participation and economic performance, reduce poverty – thereby alleviating welfare burdens - as well as improve the life chances of children. We must reach the EU Barcelona child care targets. The use of quotas in politics and the private sector should be explored in order to overcome latent discrimination and entrench gender equality.

We will continue to campaign for equal political representation of women and men in all decision-making bodies at European level. In this respect, we are proud that the first EU High Representative for Common Foreign and Security Policy, following the ratification of the Lisbon Treaty; is Catherine Ashton, a woman from our political family.

We welcome the forthcoming Spanish EU Presidency’s placing of women’s rights at the top of the European agenda. We will promote women’s sexual and reproductive health rights throughout the EU. We propose to step up European efforts to eradicate human trafficking and sexual exploitation through closer judicial and police cooperation. We also propose to encourage and support the EU and its Member States in their efforts to stop domestic and gender-specific violence, including that perpetrated against women of ethnic minorities, through all appropriate EU programmes and funds.

We are convinced that pursuing gender equality will bring far-reaching benefits for European.

Prague, 8 December 2009

Domingo, Dezembro 06, 2009

CARTA EUROPEIA DOS DIREITOS DAS MULHERES


PES Women President calls for European Women’s Rights Charter
06/12/2009


Yesterday at the PES Women Annual Conference Zita Gurmai MEP was unanimously re-elected President of PES Women. In her opening remarks, she called upon European Commission President Barroso to deliver on his promise to put in place a European Women’s Rights Charter that will enforce gender equality for the 21st century.

The PES Women Annual Conference entitled ‘Feminism in the 21st Century’ is being held in Prague from 5th – 6th December. The Conference is focusing on the 21st century challenges to gender equality in Europe and formulating PES Women responses.

Zita Gurmai MEP, President of PES Women said: “The European Women’s Rights Charter must constitute an enhanced commitment to gender equality. This must be visible, effective, target-driven and have a sufficient budget to ensure that the content is implemented and respected in all Members States. Gender equality policies cannot be relegated to a sectoral approach. Our future depends on how we can make these gender policies work”.

Gender equality and the participation of women is essential for a progressive European society”, concluded the newly re-elected PES Women President, Zita Gurmai

Minha Senhora de Mim


Maria Teresa Horta nasceu em Lisboa e fez a sua estreia no campo da poesia em 1960, com um livro de poemas cujo título é premonitório: Espelho Inicial. Jornalista de profissão, o seu nome começa por ser associado ao grupo da «Poesia 61». Mas, a partir de 1971, devido ao escândalo que envolveu a publicação das Novas Cartas Portuguesas, de que foi co-autora, e ao processo judicial que se lhe seguiu, passa a ser vista como um expoente do feminismo em Portugal.




A sua luta pelos direitos das mulheres é inseparável de uma carreira literária muitas vezes afectada, positiva ou negativamente, pelo seu posicionamento ético. No entanto, e apesar da intransigência das suas convicções, a escritora não se reconhece na imagem estereotipada da «feminista militante»: «Eu sou precisamente o contrário do que as pessoas imaginam das mulheres feministas» (Pública, 208, 21.5.00).

Se a imagem da escritora é naturalmente associada à coerência e firmeza das suas posições em prol dos direitos da mulher, é tempo de (re)lermos os seus livros um a um, e seguirmos o trajecto luminoso de uma escrita poética nascida de uma exigência radical de liberdade. O erotismo que a percorre começa por ser a denúncia da repressão sexual que pesa violentamente sobre a mulher nos anos ses¬senta, num momento em que é posta a nu (Reich, Marcuse) a articulação entre esta e o poder político. Mas, logo se torna perceptível que esse erotismo extremado é muito mais do que a expressão de um inconformismo lúcido ou de um exercício subversivo da liberdade. A escrita erótica de Maria Teresa Horta é sentida como uma forma intolerãvel de apropriação de um discurso do prazer, ou da fruição, que era pertença exclusiva do território masculino, não só dentro de uma ordem social e política discriminatória, mas também, e sobretudo, no interior de uma ordem simbólica, onde a própria linguagem é um instrumento de opressão. Como foi insistentemente sublinhado por Roland Barthes, a língua encarrega-se de marcar a diferença sexual e social, mantendo, por um lado, separados os géneros feminino e masculino, e confundindo, pelo outro, «a servidão e o poder» (Lição, 1979). A subordinação da mulher ao homem é função de um discurso que intenta salvaguardar os princípios da hegemonia cultural masculina, sendo o corpo feminino uma construção que se vai adaptando aos imperativos de uma ordem falocêntrica dominante. Neste sentido, Minha Senhora de Mim (1971) é, sem dúvida, um dos livros que assinala um importante momento de viragem na escrita feminina contemporânea e, mais subtilmente, na obra da própria autora.

A poesia de Maria Teresa Horta afasta-se contudo dos imperativos definidores e delimitadores das formas mais radicalizadas do feminismo actual. A sua visão do erotismo funda-se no desejo de uma autêntica complementaridade entre a mulher e o homem e esclarece-se, quanto a nós, à luz da tese platónica da cisão originária dos seres em duas metades e da trajectória de cada uma delas em busca da outra, através do amor. Daí que a sua poesia se reconheça dentro de uma belíssima definição do erotismo dada por Bataille: «uma imensa aleluia perdida num silêncio sem fim» (O Erotismo, 1957).

Nesta obra poética, marcada por uma invulgar coerência, espelha-se uma concepção de poesia profundamente intimista e feminina, alimentada pela crença no amor único e recíproco, como forma absoluta de negar a violência da morte e a inconstância dos afectos humanos. [...]

Maria João Reynaud, in Vozes e Olhares no Feminino, Edições Afrontamento, Porto 2001, pp. 32 - 34

N.B. Posto este texto porque é neste feminismo que eu me revejo; porque não compreendo os pós-feminismos nascidos dos feminismos radicais e que visam, actualmente, "quebrar todos os dualismos de sexo e de género". Porque este é o meu modo de ser/estar. Com Wilhelm Reich, com Georges Bataille e com Maria Teresa Horta, com uma "exigência radical de liberdade".

Sábado, Dezembro 05, 2009

From Mexico with love


Somaterapia


“Nada é tão contagiante como o gosto pela Liberdade” Roberto Freire







Foi lançado em Lisboa, no dia 28 de Novembro, um livro sobre Somaterapia, da autoria de João da Mata. Pode ser adquirido na Livraria Letra Livre, em Lisboa.

O objectivo da somaterapia é o de, partindo das emoções expressas pelo soma (pelo "corpo") libertar os seres humanos das "couraças" que todos fomos adquirindo, que nos prendem a territórios desajustados e não desejáveis, que nos bloqueiam portas, que nos impedem de partir "on the road", que nos roubam energias criadoras. Baseia-se, entre outros autores, nos trabalhos de Wilhelm Reich e de Gregory Bateson. A somaterapia é uma terapia libertária que ajuda a desconstruir modos de reagir enquistados e desadequados.


Nota: "corpo" entre aspas porquanto para a somaterapia não existe qualquer dualismo, seja ele corpo e alma ou outro; somos seres unos e cada um de nós é único.

Uma Cantora Nómada (3)

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Agenda Feminista 2010. CML. UMAR

Uma Cantora Nómada (2)

Uma Cantora Nómada (1)

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Dia Mundial da Luta contra a Sida

Cinco Razões para não usar preservativo

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Festejar o Tratado de Lisboa

Domingo, Novembro 29, 2009

Cimeira Ibero-Americana

Realizou-se hoje a abertura da Cimeira Ibero-americana acolhida em Portugal, sob a éfige do tema conhecimento e inovação. Uma éfige cara, ampla, abrangente, ambiciosa da qual se pretendem grandes definições para o mundo actual e para o futuro. Uma cimeira que tem a ambição de lançar os próximos anos de construção dos países participantes, de uma cooperação mais global e focalizada entre estes países, entre a Península Ibérica e a América-Latina.
Nos primeiros discursos notou-se a preocupação no combate à pobreza, como se num apelo ao travar das consequências da crise económica mundial. Uma crise estrutural que marca todos os encontros de Estados desde Setembro de 2008 a esta parte e que portanto tem de e deve ser discutida por todos, que exige conclusões profundas e rápidas, uma urgência de conhecimento, de tomadas de decisões racionais e estruturadas tecnicamente, uma urgência de novas ideias e dar azo à criatividade e às boas ideias.
Marca-se também aqui a entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
Faço votos para que as conclusões aqui tiradas e os compromissos aqui assumidos sejam tão ambiciosos quanto a éfige do tema.

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

PES WOMEN


A propósito do texto do José Reis, aqui deixo um outro texto, da Zita Gurmai, sobre a Europa e as Mulheres, a Europa com poucas Mulheres em cargos de liderança, a construção de uma Europa por e para Homens e Mulheres.




PES is calling for fair representation of women in the EU


On the eve of the EU summit, PES Women are calling on Mr Barroso and all EU heads of state to ensure that the new college of Commissioners will be gender balanced and will represent women in Europe.

Zita Gurmai MEP, President of PES Women, expressed serious concerns about the current nomination process of the new college of Commissioners, in which, in the foreseeable scenario, there will only be two or three women among the 27 Commissioners.

Zita Gurmai said: “This tiny proportion does not, first and foremost, represent women in Europe, where around 53%, a clear majority, are women.

I wonder how one expect women to respect and identify with such an EU Commission? Or even, what image the European Commission wants to portray? If we do not take into account all the talent that society has to offer, it should come as no surprise that women are Eurosceptic and reluctant to vote in European Elections.”

“The PES campaigned for a gender-equal European Commission and gender-equal European Parliament and we also called for the creation of a European Commissioner for Gender Equality. Now is the time for Mr Barroso to deliver on the Commission.”
PES Women members therefore urge

• the Commission President José Manuel Barroso to make another round of consultation with Member States' governments, making clear that anything less than was already achieved by the former Commission is not acceptable (i.e. at least 27% of women Commissioners);
• the EU Commission to adhere to international commitments made by all EU governments for gender-balanced representation in all EU decision-making positions;
• all MEPs to reject a Commission which is in such stark contrast with the principles and values of the EU.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Nova Lisboa

Como hábito, deixo aqui o meu último artigo do Diário Económico. É sobre o Tratado de Lisboa. O artigo é da edição impressa de ontem (24 Novembro) (versão online aqui).


Na última semana a União Europeia preencheu os dois novos cargos institucionais criados com o Tratado de Lisboa.

Herman Van Rompuy, até à altura primeiro-ministro belga, foi eleito para exercer a função de presidente do Conselho Europeu; e Catherine Ashton, na altura comissária Europeia e ex- ministra britânica, para Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

Este foi então o primeiro efeito prático e público do novo tratado. Um Tratado que dotará a Europa de uma rede institucional mais eficaz e democrática. Eficaz no sentido em que se simplificaram e aligeiraram os processos de decisão no seio do Conselho Europeu, alargando-se as áreas onde são necessárias apenas maiorias qualificadas para se tomarem decisões; e democrática porque o Parlamento Europeu - órgão directamente eleito pelos cidadãos - verá os seus poderes reforçados, intervirá com mais frequência e em mais áreas, e terá um papel decisivo no orçamento da União.

O tratado traz ainda outras novidades, e, de entre elas, a mais significativa é a criação do cargo de Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, que poderá ser a voz da Europa no mundo. A Europa terá, pela primeira vez, personalidade jurídica própria (o que lhe permitirá assinar tratados internacionais, por exemplo) e um corpo diplomático autónomo com recursos à disposição. Kissinger já terá o seu número de telefone europeu. Resta saber se é com lady Catherine Ashton que quererá falar, ou se a baronesa servirá apenas como telefonista.

No entanto, se o recente passo institucional não for acompanhado por uma alteração da atitude política perante os assuntos europeus, a Europa continuará distante, burocrática e aristocrática. O recente exemplo da eleição de Van Rompuy e de lady Ashton (eleitos por um corpo eleitoral de 27, recordo), negociada longe das câmeras e em bastidores pouco frequentados, recorda que na vida política europeia os principais actores políticos continuam a ser os Estados, e não os partidos políticos ou os cidadãos-eleitores.

Falta à Europa uma vida política interna energética e vibrante, e não novos ordenamentos das suas instituições. E para que a política exista ao nível europeu é necessário romper com a tradição do consenso e do "bloco central", e introduzir dinâmicas partidárias e ideológicas consistentes e vinculativas. É verdade que o novo tratado de Lisboa introduz alterações potencialmente importantes e significativas, mas nada terá efeito se a atitude dos principais actores políticos não se adequar a estas intenções. Mais democracia, eficácia e transparência anuncia-se com a nova Lisboa. Mais democracia, eficácia e transparência pede-se. Cumpra-se então.

Faire et défaire le genre 2

in Multitudes n°37-38, par Judith Butler

Il existe, bien sûr des avantages à demeurer en deça de toute intelligibilité, si celle-ci est comprise comme le produit d’une reconnaissance dépendant des normes sociales dominantes. Il faut bien dire que si les options qui me sont offertes me semblent détestables, si je n’éprouve pas le désir d’être reconnu/e au sein d’un certain système de normes, le sentiment de ma survie dépendra de la possibilité d’échapper à l’emprise des normes par lesquelles cette reconnaissance est conférée. Il se peut que, de ce fait, mon sentiment d’appartenance sociale soit affaibli par la distance que je prends, mais pour autant, cette distanciation reste préférable à un sentiment d’intelligibilité conféré par des normes qui par ailleurs ne feraient que m’effacer. En fait, pouvoir développer une relation critique vis-à-vis de ces normes présuppose de s’en écarter, de pouvoir en suspendre ou en différer la nécessité quand bien resteraient-elles l’objet d’un désir qui permette de vivre. L’établissement de cette relation critique dépend également d’une capacité, toujours collective, d’articuler une version alternative et minoritaire de normes ou d’idéaux consistants me permettant d’agir. Si je suis quelqu’un qui ne peut être sans faire, alors les conditions pour que je fasse recouvrent en partie les conditions mêmes de mon existence. Si ce que je fais dépend de ce qui m’est fait, ou plutôt, des façons dont je suis "fait/e" par les normes, alors la possibilité de ma persistance en tant que "je" dépend de ma capacité à faire quelque chose de ce qui est fait de moi. Ce qui ne signifie aucunement que je puisse refaire le monde pour en devenir le créateur. Ce fantasme de pouvoir quasi-divin n’est que le refus des façons dont nous sommes constitués, toujours et dès l’origine, par ce qui nous est antérieur et extérieur. Ma capacité d’agir ne consiste pas à refuser cette condition de ma constitution. Si j’ai une quelconque capacité d’agir, elle s’élargit du fait même que je suis constitué/e par un monde social qui ne relève en aucune façon de mon choix. Que ma capacité d’agir soit clivée par un paradoxe ne signifie pas qu’elle soit impossible. Cela signifie seulement que le paradoxe est la condition de sa possibilité.


De ce fait, le "je" que je suis se trouve simultanément constitué par des normes et assujetti à ces normes. Mais il s’efforce également de vivre en maintenant une relation critique et transformatrice avec elles. Ce qui n’a rien de facile, car ce "je" devient jusqu’à un certain point "indéchiffrable". Il est menacé de non-viabilité et de déconstruction totale s’il n’incorpore plus ces normes de manière à rendre ce "je" pleinement reconnaissable. Il faut une certaine rupture avec l’humain pour initier le processus de re-création de l’humain et je risque d’avoir le sentiment de ne pas pouvoir vivre sans une certaine forme de reconnaissance. Mais il est également possible que les termes mêmes qui permettent cette reconnaissance me rendent la vie invivable. C’est de ce point de jonction que la critique émerge, c’est là qu’elle devient une mise en question des termes qui contraignent la vie pour élargir la possibilité de modes de vie différents. Et ceci, non pour célébrer la différence en tant que telle, mais pour établir des conditions plus diversifiées et favorables à la protection et au maintien de la vie tout en résistant aux modèles d’assimilation.

Faire et défaire le genre 1

in Multitudes n°37-38, par Judith Butler


Dire que le genre procède du "faire", qu’il est une sorte de"pratique", [a doing], c’est seulement dire qu’il n’est ni immobilisé dans le temps, ni donné d’avance ; c’est indiquer également qu’il s’accomplit sans cesse, même si la forme qu’il revêt lui donne une apparence de naturel pré-ordonné et déterminé par une loi structurelle. Si le genre est "fait", "construit", en fonction de certaines normes, ces normes mêmes sont celles qu’il incarne et qui le rendent socialement intelligible. Si, en revanche, les normes de genre sont également celles qui bornent l’humain, c’est-à-dire qu’elles déterminent la manière dont le genre doit être construit afin de conférer à un individu la qualité d’humain, alors les normes de genre et celles qui constituent la personne sont intimement liées. Se conformer à une certaine conception du genre équivaudrait alors précisément à garantir sa propre lisibilité en tant qu’humain. À l’inverse, ne pas s’y conformer risquerait de compromettre cette lisibilité, de la mettre en danger.



Je voudrais ici poser une question normative relativement simple que je
formulerai ainsi : que se passe-t-il si l’on "défait" les conceptions normatives et restrictives de la vie sexuelle et genrée ? Il peut arriver qu’une conception normative du genre "défasse", "déconstruise", la "personne" [personhood] et l’empêche, à long terme, de persévérer dans sa quête d’une vie vivable. Il peut aussi arriver qu’en déconstruisant une norme restrictive, on déconstruise du même coup une conception identitaire préalable, pour tout simplement inaugurer une nouvelle identité dont le but sera de s’assurer une meilleure viabilité.



Si le genre est une sorte de pratique, une activité qui s’accomplit sans cesse et en partie sans qu’on le veuille et qu’on le sache, il n’a pour autant rien d’automatique ni de mécanique. Bien au contraire. Il s’agit d’une sorte d’improvisation pratiquée dans un contexte contraignant. De plus, on ne "construit" pas son genre tout seul. On le "construit" toujours avec ou pour autrui, même si cet autrui n’est qu’imaginaire. Il peut arriver que ce que j’appelle mon genre "propre" apparaisse comme le produit de ma création et comme une de mes possessions. Mais le genre est constitué par des termes qui sont, dès le départ, extérieurs au soi et qui le dépassent, ils se trouvent dans une socialité qui n’a pas d’auteur unique (et qui met d’ailleurs radicalement en cause la notion même d’auteur).



Si l’appartenance à un certain genre n’implique pas nécessairement que le désir
prenne une direction définie, il existe néanmoins un désir qui est constitutif du genre lui-même. C’est pourquoi opérer un clivage entre vie de genre et vie de désir n’est ni facile ni rapide. Que veut le genre ? Si la question peut paraître étrange, ce sentiment s’atténue lorsqu’on réalise que les normes sociales qui constituent notre existence sont porteuses de désirs qui ne sont pas fondateurs de notre individualité. Le problème se complique encore du fait que la viabilité de notre individualité dépend essentiellement de ces normes sociales.



Dans la tradition Hégélienne, le désir est lié à la reconnaissance. Le désir est toujours un désir de reconnaissance et ce n’est que par le biais de cette expérience de reconnaissance que chacun se constitue en tant qu’être socialement viable. Cette conception a, certes, son charme et sa vérité mais deux éléments importants lui échappent. Les termes qui permettent notre reconnaissance en tant qu’humains sont socialement organisés et modifiables. Il arrive parfois que les termes mêmes qui confèrent la qualité d’humain [humanness] à certains individus sont ceux-là mêmes qui privent d’autres d’acquérir ce statut, en introduisant un différentiel entre l’humain et le "moins-qu’humain". Ces normes ont des effets considérables sur notre compréhension du modèle de l’humain habilité à bénéficier de droits ou ayant sa place dans la sphère participative du débat politique. L’humain est appréhendé différemment en fonction de sa race, de la lisibilité de cette race, de sa morphologie, de la possibilité de reconnaître cette morphologie, de son sexe, de la possibilité de vérifier visuellement ce sexe, de son ethnicité, du discernement conceptuel de cette ethnicité. Certains humains sont reconnus comme étant moins qu’humains et cette forme de reconnaissance amoindrie ne permet pas de mener une vie viable. Certains humains n’étant pas reconnus en tant qu’humains, cette non-reconnaissance les engage à mener un autre type de vie invivable. Si ce que le désir veut en partie, c’est d’être reconnu, alors le genre, dans la mesure où il est animé par le désir, voudra également être reconnu. Mais si les schèmes de reconnaissance dont nous disposons sont ceux qui "défont" la personne en conférant de la reconnaissance, ou encore qui "défont" la personne en lui refusant cette reconnaissance, alors celle-ci devient un lieu de pouvoir par lequel l’humain est produit de manière différentielle. Ce qui signifie que, dans la mesure où le désir est impliqué dans les normes sociales, il est intimement lié à la question du pouvoir et à celle de savoir qui a la qualité d’humain reconnu comme tel et qui ne l’a pas.



Autre question : si j’appartiens à un certain genre suis-je quand même considéré/e comme faisant partie des humains ? Est-ce que l"humain" s’étendra jusqu’à m’inclure dans son champ ? Si mon désir va dans un certain sens, aurai-je la possibilité de vivre ? Y aura-t-il un lieu pour ma vie et sera-t-il reconnaissable pour ceux dont dépend mon existence sociale ?
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