sexta-feira, janeiro 04, 2008

Call Girl

Ouvi dizer que me calhou a mim, aqui no blog, em falar do filme. Pois bem, então aqui vai: saí da sessão de cinema com uma mistura de sentimentos. Por um lado, é uma história actual, bem contada, com boas interpretações (Nicolau Breyner é, uma vez mais, enorme) e com um ritmo interessante. Por outro, o filme está cheio de pequenos erros ou imprecisões que lhe retiram qualidade no computo geral.

A história é sabida. Uma grande empresa quer construir um resort no interior sul de Portugal (conhecido como Alentejo) e vê-se a braços com a teimosia do Presidente da Câmara que não deseja tal empreendimento para a localidade, embora tenha de combater a desertificação do seu concelho, ao mesmo tempo que quer construir um hospital num tempo em que o ministério os anda fechar.

O enredo forma-se quando a empresa que deseja construir o resort percebe que a única maneira de o construir é corrompendo o Presidente da Câmara, só que neste caso isso não é assim tão fácil. E é aí que entra a Call Girl.

Pena é que se exagere nos clichés (os polícias então… ui!). Ah! E que o som (pelo menos na sala onde o vi) só seja surround quando existe música.

E em relação aos erros, bem… Desde um microfone “entrar” três vezes em cena, a (pelo menos) uma imagem desfocada – Soraia Chaves sozinha no elevador – tivemos de tudo um pouco. Isto se nem contarmos com os erros de continuidade (o Álvaro Cunhal já morreu há uns anos, por exemplo).
De qualquer forma, Call Girl é um momento bem passado, que bem representa a renovação de mentalidades que se tem assistido no cinema português dos últimos anos. E é, na minha óptica, muito superior ao seu directo concorrente, o “Corrupção”.

2 comentários:

masterofmasters disse...

Caro Nascimento,

Sem qualquer ofensa comento a sua critíca ao filme Call Girl.
Desta forma, e em tópicos, porque não sei escrever de outra maneira, aqui vai:
- saiu da sala repleto de sentimentos? sensibilidade extrema, não?
- A história não é dum resort, mas duma Call Girl.
- Clichés? Diálogos, será?
- Álvaro Cunhal? Em que parte do filme há referências temporais? Podia passar-se este filme no ano em que dito senhor morreu?
- Corrupção? Directo concorrente? Um filme da tanga sobre uma história que só o pequeno tuga vai ver? Concorrente do Call Girl.....não vejo relação, sinceramente.
- o filme é isto?


Os meus melhores cumprimentos,

www.algumascriticas.blogspot.com

Rui Pedro Nascimento disse...

Caro Master of Masters:

Quando na primeira cena em que aparece o Joaquim de Almeida, a matrícula é 07/07, eu situo o filme no ano que agora findou... E eu não quis entrar pelos pormenores de continuídade.

Em relação restante, e se calhar não fui explícito, mas gostei imenso do filme. Desiludiu-me foram os erros técnicos num filme de qualidade.

P.S. - A relação estabelecida entre o Call Girl e o Corrupção é que ambos versão o tema da corrupção, cada um no seu ambito e da sua forma.

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