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terça-feira, janeiro 10, 2012

1984

"O Governo tem desde hoje um novo portal na internet (www.portugal.gov.pt) onde agrega todos os ministérios que até aqui tinham sites individuais, mas apagou boa parte dos conteúdos referentes aos executivos anteriores"

 "Who controls the past, controls the future: who controls the present controls the past."

domingo, janeiro 25, 2009

Acordo Microsoft-Apple

Por vezes, ao falar com pessoal amigo, aqui do blog ou sem ser do blog, refiro o acordo Microsoft-Apple de há uns anos atrás. Toda a gente fica incrédula…

Hoje posto aqui a prova J!


quinta-feira, novembro 06, 2008

E pur si muove!

Só sei que o meu coração está em Festa.

Uma amiga minha diz serem estes resultados eleitorais um alento.

São um alento porque nos dizem que as coisas podem mudar, se quisermos. Comecemos então por mudar um bocadinho aqui, um bocadinho ali, com o alento que o Obama nos trouxe.

Obrigado, Obama! Obrigado Povo dos USA por fazerem História! O mundo está a mudar. Foi preciso um Martin Luther King e muitas outras pessoas Grandes desenharem uma estrada para chegarmos aqui, hoje, 50 anos depois.

E pur si muove!



quinta-feira, agosto 21, 2008

Esta não sabia

Descobri, já nem sei bem como, o blogue suite de ideias (deve ser um primo). Nele vi a referência à data de 14 de Agosto, como a data da batalha de Aljubarrota. Há quem diga que esse é que deveria ser feriado, e não o 15.
Conheça aqui o excelente site da Fundação Batalha de Aljubarrota e aqui o trailer da batalha.

quinta-feira, julho 17, 2008

Esquecimento, Memória e Política



Passou recentemente (no dia 14) mais um aniversário da Revolução Francesa, momento primordial da nossa contemporaneidade social e política. Não o assinalámos aqui na Loja de Ideias, nem sei porquê. Esquecimento, talvez. Provavelmente. De tanto nos esquecemos nos dias de hoje...
Recebi, entretanto, uma intervenção de uma amiga sobre a revolta do povo de Olhão contra os invasores franceses. Poucos se recordarão do evento, e poucos são os livros de história que registam o acontecimento ou que lhe dotam da devida importância.
Isto vem ao encontro de uma reflexão larga sobre esquecimento e memória, sobre o que escolhemos, como colectivo organizado, preservar para o nosso futuro. E é grave que nos esqueçamos de assinalar (mais) um aniversário sobre o 14 de Julho de 1789, assim como é grave esquecermos o que o Povo de Olhão fez, há 200 anos...
A minha amiga teve a oportunidade de relembrar a Assembleia da República deste episódio. Ela chama-se Esmeralda Ramires e é deputada pelo Algarve. Esta foi a sua intervenção:



Portugal é hoje um país livre e democrático que é membro de pleno direito da União Europeia, a quem ainda recentemente deu um prestimoso contributo para a construção do Tratado Europeu, um instrumento de revitalização política, vital para este mundo globalizado em que vivemos. Mas Portugal é também um dos países mais antigos da Europa e que tem, entre as suas maiores riquezas, uma inolvidável História. É neste contexto que no ano em que se comemora o bicentenário da Guerra Peninsular, trago a esta Câmara, casa mãe da democracia, uma evocação histórica de uma parte da memória colectiva dos portugueses.

A memória do feito heróico e patriótico da povoação de Olhão durante a primeira invasão francesa, ao protagonizar duas verdadeiras epopeias, a sublevação contra os franceses e a viagem ao Brasil para informar a família real da expulsão dos invasores.

Saúdo os representantes democráticos do povo de Olhão, os descendentes directos de alguns dos seus heróis e todos os cidadãos e cidadãs que se encontram hoje aqui presentes.

Uma nação não se constrói de forma linear, por isso a sua História resulta da convergência de muitos factos e atitudes relevantes para o seu território e para o seu povo ao longo da sua caminhada e ainda das vicissitudes e dos diferentes contextos políticos, sociais, geográficos e antropológicos em que os mesmos ocorrem.

Não se pode esquecer ou ignorar a História, mas sim conhecê-la e compreendê-la, pois ela é a memória de um povo e um povo sem memória é um povo sem futuro.

É nesta senda que hoje, ao evocar o protagonismo histórico do Algarve, mais concretamente de alguns dos seus filhos, quiçá, mais audazes, o povo de Olhão, o faço, não numa atitude de patriotismo exacerbado e anacrónico, mas, numa dimensão de partilha, coesão e reconhecimento.

É uma evocação devida à povoação de Olhão. Á povoação sim, pois foram todos os homens, mulheres, jovens e idosos da então pequena aldeia, que no dia 16 de Junho de 1808, recusando-se a aceitar a submissão a uma soberania estrangeira, se sublevaram contra as tropas francesas, abrindo caminho para a sua expulsão do Algarve e escrevendo assim, uma página de patriotismo, coragem, audácia e coesão não só na História do Algarve mas também na História de Portugal.

Como Fernando Pessoa, escreveu num dos seus poemas: Eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.

Também aquele povo nunca se viu pequeno, diminuído ou limitado, talvez, porque, habituado como estava a lutar contra o mar exortava os medos e olhava em frente até onde o olhar já não alcançava.

Por isso não se quedou em quaisquer interesses de classe ou indecisões de outra natureza. Reagiram contra os invasores, responderam à chamada, armaram-se, organizaram-se, atacaram e defenderam-se, por terra e por mar, sofreram baixas, inclusive mortes, mas, com muita ousadia, muita coragem e porque não, com a sorte que protege os mais audazes, qual David contra Golias, venceram.

Foi uma sublevação que tendo tido o seu epílogo entre os dia 12 e 18 de Junho de 1808, se desenvolveu num contexto político, militar e social de que os historiadores nos têm dado conta, na perspectiva nacional. Falta, todavia, integrar nessa perspectiva os contextos e os factos ocorridos nas diferentes regiões e localidades deste país, para que a História seja mais fiel e justa para com os seus protagonistas.

E, no pequeno apontamento que aqui cabe fazer, recordo que após a grande excitação do povo, no dia 12 de Junho quando as Armas Reais foram destapadas, a revolta eclodiu no dia 16, quando o Coronel José Lopes de Sousa, Governador de Vila Real de Santo António, afastado de funções, ao ver o povo ler os editais a apelar aos portugueses para ajudarem os amigos franceses contra os espanhóis, reagiu rasgando o edital, acto aplaudido pela população que a seguir hasteou a bandeira nacional e tocou os sinos a rebate, convidando todos os patriotas dos campos e das freguesia circunvizinhas a tomarem parte na luta.

Estava iniciada a revolta que se materializou no dia 18 de Junho, quando o povo comandado pelo Capitão Sebastião Martins Mestre, enfrentou as forças francesas, num primeiro confronto por mar e depois por terra, na ponte de Quelfes e na Meia Légua e que culminou com a vitória dos revoltosos.

Só após a constatação da vitória, resultante da decisão inabalável dos olhanenses é que a classe aristocrática que constituía o poder administrativo regional, oportunisticamente adormecida, levantou igualmente o pendão da revolta estendendo-a a toda a província e juntos expulsaram os invasores do então Reino dos Algarves.

E, foram novamente os pescadores olhanenses que num pequeno caíque, de Bom Sucesso, seu nome se fizeram ao mar, rumo ao Brasil, para numa atitude de grande sabedoria informar a família real, o que teve como corolário a sua ascensão a vila, ficando assim a criação do concelho de Olhão indelevelmente ligado à insurreição contra os invasores franceses.

Efectivamente, perante a audácia e coragem daqueles homens que tinham vencido não só as tropas francesas, como os perigos do mar, desde a armada francesa, aos corsários e piratas e ainda a fome e a sede, o Príncipe Regente D. João, futuro D. João VI, agraciou o povo da aldeia de Olhão no Reino do Algarve com o título de Vila de Olhão da Restauração.

Mas não só, de acordo com os termos do Alvará Régio de 15 de Novembro de 1808, assinado no Rio de Janeiro, o Príncipe elevou-a à categoria de Vila, com todos os privilégios, liberdades, franquezas, honras e isenções, de que já gozavam as vilas mais notáveis do Reino de Portugal.

Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados

Ainda no âmbito da evocação à povoação de Olhão não podemos ignorar o futuro que aquela construiu em duzentos anos. Desde logo da concessão do título de Vila à delimitação do seu Termo, decorreram 18 anos de grande perseverança e combatividade até que em 1826, D. Pedro reconheceu o Termo de Olhão como concelho com as freguesias de Olhão, Pechão, Quelfes, Moncarapacho e Fuseta.

Entretanto registou um crescimento populacional de 5 mil para 45 mil habitantes, a par de um desenvolvimento que teve sempre subjacente uma atitude de liberdade, coragem, coesão, empreendedorismo e ambição, escrevendo continuamente a História, como o fez na defesa da causa liberal, ao lado de D. Pedro IV, lutando contra tudo e contra todos ou ainda para a implantação da República.

E, não poderia deixar de dar algumas notas sobre algumas das características mais relevantes de Olhão, designadamente a extasiante paisagem da Ria Formosa, de que Olhão é a capital. E citando o poeta João Lúcio, um dos filhos de Olhão, que tão bem soube interpretar o Algarve e o seu clima, as suas paisagens e as suas gentes, no seu poema “ O Algarve” ,

“Oh meu ardente Algarve impressionista e molle,
Meu lindo preguiçoso adormecido ao sol,
Meu Louco sonhador a respirar chimeras,
Ouvindo, no azul, o canto das espheras…”

E ainda dar uma nota sobre os seus padrões culturais que são únicos e que resultam do contacto de várias culturas, nomeadamente a árabe-islâmica, que conferiu aos olhanenses uma mundo vivência de que são exemplo a arquitectura cubista, as suas açoteias, os seus mirantes, as suas estreitas e sinuosas ruas, ou mesmo as suas lendas, de que destaco a Floripes e o menino dos olhos grandes.

Paisagens e mistérios que tão bem foram descritos por Aquilino Ribeiro no Guia de Portugal, por Raul Brandão, nos seu escritos sobre “ Os Pescadores”, por António Sérgio, na História de Portugal por Manuel da Fonseca nas suas “Crónicas Algarvias”, ou por Miguel Torga e ainda cantados por Zeca Afonso, de que cito esta quadra, que hoje se adequa:

O Vila de Olhão
Da Restauração
Madrinha do Povo
Madrasta é que não

Outra dimensão não menos importante da hoje cidade de Olhão, tem sido a sua capacidade de se desenvolver de forma harmónica, sem se descaracterizar, mantendo a traça, mantendo as tradições e as suas actividades económicas da pesca, de que o seu importante porto é exemplo, do marisqueio e da industria conserveira ao mesmo tempo que se abre às novas tecnologias ligadas ao mar, bem como ao turismo.

É, pois, com muito orgulho que presto hoje esta singela homenagem a Olhão, concelho que se fez a si próprio e que ganhou por direito um lugar na nossa história colectiva.
Esmeralda Ramires

quinta-feira, maio 29, 2008

Um pouco de História

A batalha de Trancoso, também conhecida como batalha de São Marcos ocorreu no final de Maio do ano de 1385 quando forças que obedeciam ao rei João I de Castela invadiram Portugal.

A invasão castelhana, foi uma medida de represália que se seguiu à proclamação em Coimbra em 6 de Abril de D. João, mestre de Aviz, como D. João I, rei de Portugal e Algarves. A aclamação oficial de D. João I como rei de Portugal foi vista como uma afronta directa ao rei de Castela, que pretendia acrescentar Portugal aos seus domínios.
As forças castelhanas, constituiram-se como força punitiva, com o objectivo de destruir os lugares por onde passassem. Os castelhanos entraram por Almeida e tomaram Trancoso, tendo avançado posteriormente na direcção de Viseu, cidade que foi saqueada e queimada.
Após terem saqueado a cidade, as forças castelhanas, estimadas em 3.000 homens, voltavam para o seu território com o produto do saque, quando se deparam com forças portuguesas, reunidas apressadamente pelos alcaides da região.
As forças castelhanas, carregadas com o saque e cansadas da marcha, optaram inicialmente por evitar o combate, mas tal mostrou-se ser impossível dado as forças portuguesas, estimadas em 2.000 homens terem conseguido impedir completamente a passagem ao exército castelhano.
Sem possibilidade de evitar o combate as forças castelhanas não podiam ficar paradas, porque isso só dificultaria a sua situação e decidiram atacar. Os cavaleiros desmontaram e todo o combate se deu a pé.
A escolha do local por parte das forças portuguesas parece ter sido especialmente importante, porque ao impedir as forças castelhanas de escapar, sabendo que estas não poderiam receber qualquer tipo de reforço nem apoio, condicionaram os castelhanos a ter que atacar tão rapidamente quanto possível.
Sabe-se que todas as tentativas castelhanas de quebrar as linhas portuguesas falharam. Sabe-se também que o numero de mortos entre o exército castelhano foi enorme.
Acredita-se que por ser uma expedição punitiva, e pelo facto de por isso as forças castelhanas terem pilhado e destruído os lugares por onde passaram, os castelhanos atraíram sobre si a ira e a raiva dos populares e dos nobres da região.
Poucos castelhanos escaparam, e todos os nobres castelhanos que seguiam no exército foram mortos, tendo apenas um sido poupado para contar a história.
A vitória de Trancoso, é também importante pelo facto de ter sido resultado não das manobras militares do Condestável do reino D. Nuno Álvares Pereira, mas sim da resolução dos portugueses da Beira, quer da nobreza quer do povo, que pegaram em armas por sua iniciativa para lutar contra o rei de Castela.
Perante as notícias da perda praticamente total do seu exército, o rei de Castela entendeu que sem um exército verdadeiramente poderoso não seria possível vencer Portugal. Dois meses depois, o próprio rei marcharia sobre Portugal, à frente do maior exército de que havia memória nos países Cristãos desde há muitos séculos.
Um exército tão grande, que poderia garantir a Juan de Castela o domínio de Portugal.
Esse poderoso exército passaria à história, em 14 de Agosto de 1385, num lugar chamado Aljubarrota.

O planalto da batalha de Trancoso, foi declarado Monumento Nacional e o dia 29 de Maio, é Feriado Municipal naquela vila portuguesa.

Só nos anos 80 do século XX se confirmou que a batalha se deu a 29 de Maio de 1385, por se ter descoberto num museu de Barcelona, uma lápide tumular, em que se faz referência a um nobre castelhano, morto naquela batalha naquela data.

sábado, fevereiro 09, 2008

sábado, dezembro 15, 2007

Prémio Pessoa


Aqui deixámos um curto post de noticia e de parabéns à historiadora Irene Fulsner Pimentel, que acaba de ser agraciada com o Prémio Pessoa 2007.
Agora dedico-lhe algumas palavras mais.
Não conheço pessoalmente a Irene Pimentel, só o seu trabalho, mas a regularidade do seu uso e a qualidade do seu labor permite-me construir uma relação de certa intimidade com a autora. Mais ainda, partilho com a Irene quer o período de estudo (o Estado Novo), quer a oportunidade de desenvolver trabalho junto do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.
Sinto-me, humildemente, e a anos luz de distancia, seu colega. E é nessa condição que aqui escrevo.
A Irene é daquelas historiadoras que não tem medo de ser opinativa, de intervir, de tomar posição, assumida. Afasta-se assim do politicamente correcto, da neutralidade da análise política contemporânea, que de tanto querer ser ausente se robotiza e se esquece de ser emotiva.
Que não se julgue, no entanto, que estamos perante uma historiadora panfletária, nada disso. Longe disso mesmo. O seu critério, rigor científico, capacidade de investigação e de análise colocam-na no patamar superior da elite académica portuguesa, e, sem dúvida, autora de destaque e de referência no período do Estado Novo; primeiro com os seus trabalhos sobre as organizações femininas, e, mas recentemente, com a sua monumental História da PIDE.
Aparte do seu trabalho como historiadora, a Irene Pimentel é uma personagem bem interveniente no activismo cívico, nomeadamente através do movimento «Não apagues a Memória», tantas vezes citado neste blogue.
Este galardão, e para terminar, premeia não só a historiadora, a mulher, a activista ou a militante. Premeia também a academia portuguesa e a historiografia contemporânea que, numa altura onde tanto se critica a falta de cultura geral, sabe produzir gentes e trabalhos da qualidade que a Irene nos tem habituado.

Parabéns Irene.
-
Publicou diversos artigos em jornais e revistas científicas, de divulgação histórica e de colaborações em dicionários e obras colectivas.
Tem ainda os seguintes livros:
História das Organizações Femininas do Estado Novo. 1.ª ed. Lisboa: Círculo de Leitores, imp. 2000.
Cardeal Cerejeira: Fotobiografia de Manuel Gonçalves Cerejeira. 1.ª ed. Lisboa: Círculo de Leitores, imp. 2002.
Os Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Em fuga a Hitler e ao Holocausto. Lisboa: Esfera dos Livros, 2006.
Vítimas de Salazar. Estado Novo e Violência Política. Lisboa: Esfera dos Livros, 2007. (co-autora)
A História da PIDE. 1.ª ed. Lisboa: Círculo de Leitores, 2007.
Mocidade Portuguesa Feminina. Lisboa: Esfera dos Livros, 2007.
.
Soube da distinção da Irene Pimentel no Womenage a trois, que me reencaminhou para este texto da Cláudia Castelo e do Daniel Melo no Peão, que, por sua vez, que sugeriram este texto da Irene Pimentel sobre o concurso «Os grandes portugueses» aqui.

Prémio Pessoa

Parabéns à Irene Pimentel pela recente distinção. Parece que o Instituto de História Contemporânea ainda consegue apresentar qualidade ímpar.
[descoberto via Womenage a trois]

segunda-feira, outubro 29, 2007

Um arquivo único: Arquivo Histórico da CML


[via PS Lumiar]

Um arquivo único: Arquivo Histórico da CML
Utilizadores apenas têm acesso a alguns documentos microfilmados.
Complexo previsto para o Vale de Santo António está a ser reavaliado e poderá não ir por diante.
O Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa integra alguns dos mais importantes e antigos documentos da história da cidade.
De acordo com o site do Arquivo Municipal de Lisboa, destacam-se no arquivo histórico "o traslado [cópia] do Foral de 1179, o Foral Manuelino, o Cartulário Pombalino e os valiosos espólios de Neves Águas, José Luís Monteiro e dos arquitectos Cassiano Branco, Keil do Amaral e Ruy Athouguia". Desde 2001 apenas está acessível a documentação que se encontra microfilmada.
O Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa está encerrado e inacessível aos investigadores e cidadãos em geral há precisamente cinco anos. A braços com as dificuldades financeiras que se conhecem, o executivo municipal está, entretanto, a reavaliar a decisão de construir um vasto complexo destinado a acolher os arquivos camarários e a biblioteca central da autarquia, mas tudo indica que esse projecto venha a ser abandonado.
Há muito instalado na Praça do Município, o arquivo histórico foi transferido para as caves de dois edifícios de habitação social no Alto da Eira, em Sapadores, na sequência do incêndio registado nos Paços do Concelho em 1996. No local já funcionava o arquivo intermédio, constituído essencialmente por processos de obras e outra documentação de que os serviços camarários ainda necessitam com alguma frequência. Provisórias e precárias desde o início, as instalações do Alto da Eira acabaram por ser fechadas em 28 de Outubro de 2001, depois de o Instituto Ricardo Jorge as considerar impróprias em termos ambientais e de saúde pública.
Sem alternativa ficaram desde logo as dezenas de estudantes, investigadores e outros cidadãos que ali acorriam todos os dias em busca de elementos para os seus estudos, ou de informações de que necessitavam. Passados três anos, no Verão de 2004, uma parte do problema foi provisoriamente resolvido, mais uma vez, com a instalação do arquivo intermédio nas garagens de um outro bairro social, o bairro da Liberdade, em Campolide. Os leitores do arquivo histórico, bem como os interessados na consulta de fundos particulares confiados ao município - entre os quais os arquivos dos arquitectos Cassiano Branco, Keil do Amaral e Jervis de Athouguia - continuaram, porém, sem qualquer resposta.
A documentação permaneceu no Alto da Eira, onde foi sujeita a tratamentos de desinfestação, e deveria ter seguido igualmente para as garagens do bairro da Liberdade. Só que as obras necessárias à adaptação do espaço nunca foram terminadas e a situação de inacessibilidade dos fundos mantém-se nas caves de Sapadores. Acresce que todo o trabalho inerente ao tratamento e manutenção do arquivo histórico, bem como a integração nele de novos documentos, se encontra suspenso desde 2001.
A questão tem sido objecto dos protestos de utilizadores e da preocupação de alguns técnicos, mas a solução parece cada vez mais longínqua. Para complicar o caso, o actual executivo municipal tem dado sinais - embora ainda o não tenha dito publicamente - de que não vai dar seguimento à construção do centro cívico do Vale de Santo António, o complexo que deveria receber a totalidade dos arquivos camarários, incluindo um outro que funciona no Arco do Cego, e a Biblioteca Central. A primeira pedra deste empreendimento chegou a ser lançada por Santana Lopes, mas as obras ficaram-se pelos muros de contenção.
Contactado o gabinete do presidente da Câmara Municipal de Lisboa nada disse sobre uma eventual solução provisória para o arquivo histórico, nem sobre o futuro do projecto do Vale de Santo António. Ambos os assuntos "estão a ser alvo de análise e de uma reavaliação", limitou-se a responder o assessor de imprensa de António Costa.
José António Cerejo – Publico (28.10.2007)

quinta-feira, outubro 18, 2007

Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975


Uma nova investigação sobre o salazarismo, a Inglaterra e a descolonização portuguesa para conhecer no próximo dia 19 de Outubro, sexta-feira, pelas 18h, na Casa Fernando Pessoa. O livro de Pedro Aires Oliveira (docente no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e chefe de redação da revista Relações Internacionais) «Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975» será apresentado por José Medeiros Ferreira e por Francisco José Viegas. A edição é da Tinta-da-China.

Só gente de qualidade, como se vê. É de estar.

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