quarta-feira, outubro 31, 2007

Lisboa 2007

Por acaso até que desatinava contra alguma coisa. Está tanto na moda...


Manifestantes precisam-se:

Os Manif3stos vão proceder à gravação do videoclip do seu álbum de estreia "Gerasons". Para primeiro single foi escolhido o tema " Politicana" e, como este se refere à nossa visão sobre estado político do nosso país, estamos a organizar uma espécie de comício "clandestino" para simular uma reunião de membros manif3stantes.
Para que a nossa ideia resulte a vossa ajuda é essencial.Estamos a recrutar os manif3stantes para que dia 5 de Novembro (2ª feira) se juntem a nós na SMUP – Sociedade Musical e União Paredense - a partir da 8:00 da manhã.
Sabemos que é um pedido exigente mas a qualidade do videoclip depende também da vossa presença.
Agradecemos que os interessados nos respondam a esta mensagem e nos digam qual a disponibilidade que têm para esse dia (não é necessário estarem o dia todo... 1 hora fará toda a diferença). Pedimos que o façam até 5ª feira (1 de Novembro) para termos tempo de reunir um número de pessoas suficiente para transmitir o que pretendemos. Desde já obrigado a todos e contamos convosco para a manifestação no Carquistão.
Passem palavra.
Abraços e beijinhos --
MANIF3STOS

Manifesto 2009

Dear PES activist networkers,

I’m Rikke, the editor of Yourspace – the website of the open consultation for the PES 2009 manifesto. I know you’ve been contacted previously by Nils, our activist coordinator, and now I’m following up to hear how your experience with the website has been. Do you have any feedback or thoughts you would like to share regarding http://ww.manifesto2009.pes.org?

We are working really hard to get in touch with socialists and social democrats all over Europe and it would be a great help if you would mention Yourspace on your blog or forward this e-mail to your friends. You can download banners and buttons here:
http://www.manifesto2009.pes.org/en/download-buttons-and-banners/

If you’re up for some commenting, here are a few of our most popular posts:

Save the planet: Biofuels may cause famine?

New Social Europe: Women could stop working in November!

Democracy & diversity: PES activists in Brussels: more democracy, please!

EU in the world: Russia and managed democracy

Looking forward to hearing from you.

Best,
Rikke

Rikke Skovgaard Andersen
Web editor - Yourspace

Party of European Socialists

Rue du Trône, 98
B-1050 Brussels

T +32 2 548 90 42
F +32 2 230 17 66

Welcome to‘Yourspace’: an open consultation by the Party of European Socialists on priorities and progressive policies for the manifesto of the European elections in June 2009. http://manifesto2009.pes.org

button

Se puderem não percam.


A Claudia é dos melhores valores da nova geração de «artistas» portugueses. Realizou um dos filmes mais bonitos para o referendo do aborto. Se puderem, não percam.
Sem dúvida parte da «nova vaga criativa», que pula por Lisboa, ocasionalmente.

31 de Outubro

Hoje é dia 31 de Outubro. O último dia antes da limpeza de colaboradores.

Tudo o que entra tem de sair

video

Esturãos?

Isto era um tipo que só queria ir para Esturãos...
E lá teve de passar em Celeirós e Amoinha Nova.

terça-feira, outubro 30, 2007

45000

Bom número.

AS ESCUTAS...

Escutas...

Autorizadas ou não?

Quando termina a minha liberdade e começa a liberdade do proximo?

Quando é que se considera devassa da vida privada ou investigação pertinente de um pseudo-crime em curso?

Será que a segurança nacional necessita assim tanto de monitorização?

Será que as maçonarias também são "escutadas"?

Depois dos ultimos acontecimentos das visitas aos "professores" e afins começo a ficar muito atento... Parece que afinal quem é escutado é o "POVO"... Ou então como explicam que situações de branqueamento de dinheiros fique impune... Não é para isso que as "escutas" servem...

O que acham? Dava um grande debate...

Exposição

Visita guiada dia 8 de Novembro, às 15,00 horas

O Centro Nacional de Cultura (CNC) e o Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia (GAMNA) promovem uma visita guiada à exposição "A ARQUEOLOGIA COMO MEDIDA DO TEMPO – Portas, Passagens, Cidades Imaginárias", pelo escultor Charters de Almeida, dia 8 de Novembro, às 15,00 horas, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. Informações/Inscrições Museu Nacional de Arqueologia (D. Adília Antunes)

Tel. 213620000
Fax. 213620016
E-mail: gamna@mnarqueologia-ipmuseus.pt

Noite Wenceslau

"Convidamos e, nestes tempos difíceis (frios, gélidos, arrepiosos) de algummonotematismo dos media, agradecemos se divulgarem:

NOITE WENCESLAU

no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, no dia 29 de outubro às 22 horas

António Jorge Gonçalves e Rui Zink apresentam o seu trabalho de pesquisacriativa efectuado na viagem ao Japão em 2005 (na qual foram bolseiros daFundação Oriente), por ocasião da publicação do Romance Gráfico REI.Tendo como guia Wenceslau de Moraes, a noite será de palavras, imagens emúsica sobre a cultura japonesa e suas várias declinações, em particular aforma ocidental de nos debruçarmos sobre ela.O que não impede, antes pelo contrário, que seja uma noite de festa. Aentrada, para começar, é livre .

Para ver o trailer do livro: http://www.youtube.com/watch?v=FJgy-Au197k"

Puto reguila


video

Vejam bem este puto. O apresentador fica parvo...

E também ando muito assim...



Experiment No. 6

[Lemon Jelly, Lost Horizons]

0:09
500 milligram dose administered
Experiment begins

0:59
Temperature 98.6
Pulse 68
Blood pressure 120/70
Breathing regular
Focus clear

1:41
Pulse 110
Blood pressure 140/90
Sweat glands aroused
Slight constriction of pupils
Inducing stage 2

2:25
Temperature 98°
Increasing dilation of pupils
Deleta waves moving from cranial anterior to posterior
Overwhelming sense of well being and euphoria

2:49
Increasing input voltage to maximum

3:37
Temperature rising to 106.2
Pulse 160
Blood pressure 190/120
Displaying symptoms of disorientation
Profuse sweating
Extreme dilation of pupils
Inducing stage 3

4:34
Core temperature drop to 93°
Pulse down to 34
Blood pressure 60/40 and falling
Eye lids flickering

5:17
Pulse and temperature continuing to fall
Body inert
Skin grey and flacid
No response to external stimulae
EEG shows no cerebral activity

5:42

Experiment ends

Sometimes you can't make it on your own

Esqueci que agora no Youtube está tudo...
Acompanhem aqui.

Divulgação / Convite


Esta é para um grande amigo!
[eu quero ver se vou...]

segunda-feira, outubro 29, 2007

Um arquivo único: Arquivo Histórico da CML


[via PS Lumiar]

Um arquivo único: Arquivo Histórico da CML
Utilizadores apenas têm acesso a alguns documentos microfilmados.
Complexo previsto para o Vale de Santo António está a ser reavaliado e poderá não ir por diante.
O Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa integra alguns dos mais importantes e antigos documentos da história da cidade.
De acordo com o site do Arquivo Municipal de Lisboa, destacam-se no arquivo histórico "o traslado [cópia] do Foral de 1179, o Foral Manuelino, o Cartulário Pombalino e os valiosos espólios de Neves Águas, José Luís Monteiro e dos arquitectos Cassiano Branco, Keil do Amaral e Ruy Athouguia". Desde 2001 apenas está acessível a documentação que se encontra microfilmada.
O Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa está encerrado e inacessível aos investigadores e cidadãos em geral há precisamente cinco anos. A braços com as dificuldades financeiras que se conhecem, o executivo municipal está, entretanto, a reavaliar a decisão de construir um vasto complexo destinado a acolher os arquivos camarários e a biblioteca central da autarquia, mas tudo indica que esse projecto venha a ser abandonado.
Há muito instalado na Praça do Município, o arquivo histórico foi transferido para as caves de dois edifícios de habitação social no Alto da Eira, em Sapadores, na sequência do incêndio registado nos Paços do Concelho em 1996. No local já funcionava o arquivo intermédio, constituído essencialmente por processos de obras e outra documentação de que os serviços camarários ainda necessitam com alguma frequência. Provisórias e precárias desde o início, as instalações do Alto da Eira acabaram por ser fechadas em 28 de Outubro de 2001, depois de o Instituto Ricardo Jorge as considerar impróprias em termos ambientais e de saúde pública.
Sem alternativa ficaram desde logo as dezenas de estudantes, investigadores e outros cidadãos que ali acorriam todos os dias em busca de elementos para os seus estudos, ou de informações de que necessitavam. Passados três anos, no Verão de 2004, uma parte do problema foi provisoriamente resolvido, mais uma vez, com a instalação do arquivo intermédio nas garagens de um outro bairro social, o bairro da Liberdade, em Campolide. Os leitores do arquivo histórico, bem como os interessados na consulta de fundos particulares confiados ao município - entre os quais os arquivos dos arquitectos Cassiano Branco, Keil do Amaral e Jervis de Athouguia - continuaram, porém, sem qualquer resposta.
A documentação permaneceu no Alto da Eira, onde foi sujeita a tratamentos de desinfestação, e deveria ter seguido igualmente para as garagens do bairro da Liberdade. Só que as obras necessárias à adaptação do espaço nunca foram terminadas e a situação de inacessibilidade dos fundos mantém-se nas caves de Sapadores. Acresce que todo o trabalho inerente ao tratamento e manutenção do arquivo histórico, bem como a integração nele de novos documentos, se encontra suspenso desde 2001.
A questão tem sido objecto dos protestos de utilizadores e da preocupação de alguns técnicos, mas a solução parece cada vez mais longínqua. Para complicar o caso, o actual executivo municipal tem dado sinais - embora ainda o não tenha dito publicamente - de que não vai dar seguimento à construção do centro cívico do Vale de Santo António, o complexo que deveria receber a totalidade dos arquivos camarários, incluindo um outro que funciona no Arco do Cego, e a Biblioteca Central. A primeira pedra deste empreendimento chegou a ser lançada por Santana Lopes, mas as obras ficaram-se pelos muros de contenção.
Contactado o gabinete do presidente da Câmara Municipal de Lisboa nada disse sobre uma eventual solução provisória para o arquivo histórico, nem sobre o futuro do projecto do Vale de Santo António. Ambos os assuntos "estão a ser alvo de análise e de uma reavaliação", limitou-se a responder o assessor de imprensa de António Costa.
José António Cerejo – Publico (28.10.2007)

Ando muito assim...


Sometimes You Can't Make It On Your Own
[U2]

.
Tough
You think you've got the stuff
You're telling me and anyone
You're hard enough
.
You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight
.
Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone
.
And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own
.
We fight all the time
You and I, that's alright
We're the same soul
.
I don't need
I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more
.
Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone
.
And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own
.
I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can you hear me when I sing...
You're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me
.
Where are we now?
I've still got to let you know
A house still doesn't make a home
.Don't leave me here alone
.
And it's you when I look in the mirror
And it's you that makes it hard to let go
Sometimes you can't make it on your own
.
Sometimes you can't make it
Best you can do is to fake it
Sometimes you can't make it on your own

O dia de hoje.

.
.

Divulgação / Convite


CONVITE
Assembleia da República – Auditório do Edifício Novo – 30 Outubro 2007


3º Colóquio


Os Direitos Humanos na Ordem do Dia


Colocar os Direitos Humanos na Agenda Internacional. Desafios e estratégias da Ajuda Pública ao Desenvolvimento – Papel dos parlamentares

9h Sessão de Abertura e Boas vindas

Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama
Grupo Parlamentar Português Sobre População e Desenvolvimento, Deputada Maria Antónia Almeida Santos
Fórum Europeu de Parlamentares – Membro do Comité Executivo

9:45 h Sessão de trabalhos:

Presidência – Membros do GPPSPD e EPF

João Gomes Cravinho, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (*)
Sietske Steneker, UNFPA, Fundo das Nações Unidas para a População
Francisco George, Director Geral de Saúde / Ministério da Saúde
José Manuel Pureza, Economista, Universidade de Coimbra
Alice Frade, Responsável da Advocacy e Cooperação para o Desenvolvimento, APF

Debate

Encerramento: 12h
(*) A confirmar

Será assegurada a tradução simultânea
Informações e Inscrições: Telef: 21 385 3993 Fax: 21 388 73 79

sábado, outubro 27, 2007

Porque é fim de semana...

Manifesto 2009

Decerto já terão entendido que esteremos envolvidos, de várias maneiras, na construção do Manifesto 2009. Este será o primeiro projecto político europeu assumido, liderado pelos socialistas europeus, cujo objectivo prático é dotar o conjunto de candidatos do PES em 2009 de uma plataforma política comum.
Assim, na Roménia ou no Reino Unido, em Portugal ou na Dinamarca, em França ou na República Checa, os candidatos socialistas estarão sob uma base comum. Apresentaremos, assim, em 2009, um projecto socialista para a Europa.
Regressaremos ao tema.

Aqui fica um video sobre o tema:

A quem interessar...

Eu ainda estou por cá. O resto é uma intenção que ainda não foi concretizada!

P.S. - Estou farto de andar a dizer que estou em Portugal.

Parece que este anúncio foi banido. Não entendo porquê?...

Divulgação académica

No âmbito do seminário permanente Comunismos: História, Poética, Política e Teoria, realiza-se na próxima terça-feira 30 de Outubro, às 17.30h no auditório B 203 do ISCTE (edifício novo) a quinta sessão do ciclo de Outono, dedicada ao tema

Marx e o Projecto Comunista.

Com José Barata Moura.

José Barata-Moura é Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, tendo desempenhado as funções de reitor da Universidade Clássica entre 1998 e 2006. É filósofo, escritor e cantor. Publicou, entre outros: Kant e o conceito de Filosofia, Estética da canção política, Totalidade e contradição, Ideologia e Prática, Para uma crítica da "Filosofia dos valores", Ontologias da "práxis" e idealismos , Marx e a crítica da "Escola Histórica do Direito" e Estudos de Filosofia Portuguesa.


ENTRADA LIVRE

Divulgue s.f.f.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Boa crónica, porquê?

Quando alguém diz um conjunto de generalidades, isso qualifica uma crónica como boa? Pedro Lomba faz uso de um conjunto de generalidades, que muitos comentadores da nossa praça dizem por aí, sem nunca consubstanciarem, bem como o autor desta crónica no DN, e tira duas brilhantes conclusões no final do seu texto, sem nunca se explicar, nem sequer tentar, como chegou a elas (nem sequer afirma que são somente conviccções, e se eu lhe estou a chamar conclusões, é porque o texto assim o deixa implícito).


Para terminar, e ainda sobre o artigo de opinião de Pedro Lomba, será que o comentador sabe como é que se resolvem problemas como "a estagnação social e económica" ou "o afastamento das populações"? Com (como é que chamam àquilo?) Políticas! E das sectoriais!

Esta malta deve ver o Marcelo todos os dias.


Vejam bem esta troca de argumentos no 31 da Armada.
Diogo Belfour Henriques «acusa» o Vital Moreira primeiro de propor, na Comissão a que preside, um verdadeiro programa legislativo revolucionário para celebrar a república; e depois questiona a legitimidade com que o mesmo ataca a Igreja Católica na questão das capelanias e na questão do tratamento priviligiado que Universidade Católica Portuguesa usufrui, no quadro universitário português.
O senhor Belfour Henriques responde, dizendo que a UCP deve manter esse estatuto em virtude de não ser uma universidade privada; mas sim uma "universidade pública não-estatal", como é inscrito na Concordata.
Entendem? uma "universidade pública não-estatal". Sabem o que é? É uma universidade pública? Sim. Mas é do Estado? Não. Mas então é privada? Também não. É uma Universidade pública não-estatal".
Ou seja, uma Universidade com estatuto único para poder cobrar as propinas mais elevadas do sistema de ensino privado português e ainda conseguir ser subsidiada em força pelo Estado.
Caro Diogo, pare de ver o Marcelo, que lhe faz mal... aos argumentos.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Já começa a choradeira.



Imagino como será para o ano.

[video via 31 da Armada]

Todos os dias


Meu caro Medeiros Ferreira, bem sei que não era essa a sua intenção, nem o objecto directo do seu post, mas não podia deixar de lhe referir que aqui é lido, com interesse, todos os dias. Sem excepção. Gosto, e não é de hoje como sabe, da sua visão simultaneamente informada, desafiadora e cheia de ironia. É dos poucos que o faz. Talvez porque possa, como apraz dizer, ou porque é mesmo assim, como eu prefiro anunciar.
Enfim, daqui, aquele abraço
(e que esteja para breve o café combinado na Cister)

Notícias de Itália


De facto, o blogue do António José Seguro ameaça tornar-se uma peça importante na blogosfera política nacional. Já aqui tinhamos referido algumas das suas caracteristicas por nós preferidas. Hoje encontro nele um excelente texto sobre as recentes eleições no Partido Democrático Italiano (escritas por uma activista atenta).

Teremos do texto importantes ilacções a retirar, nomeadamente no que refere a relação entre a «sociedade política» e a «sociedade civil», tema a nós, e ao António José Seguro, muito próximo.


Novidades de Itália
No passado domingo dia 14 de Outubro, mais de 3 milhões de italianos escolheram o líder do novo Partido Democrático (PD), nas primeiras “eleições primárias” do país.
O Partido Democrático é, na realidade, o resultado de um processo iniciado na Itália depois do final da guerra fria.
Nessa altura (1990), o Partido Comunista mudou para Partido Democrático da Esquerda (PDS, depois renomeado DS), membro do Partido Socialista Europeu, desde Novembro 1992.
Nessa fase apareceram em Itália novos partidos políticos, tal como a Forza Itália de Silvio Berlusconi.
Outros partidos, pelo contrário, desaparecerem. Em particular, o Partido Cristão Democrata (DC), desmembrando-se em dois: o Partito Popolare (PPI) e Cristãos Democratas Unidos (CDU).
O PPI integrou desde essa altura a coligação de centro-esquerda (O Olivo) liderado por Romano Prodi; e a CDU fez parte da coligação de centro-direita liderada por Silvio Berlusconi.
Nos últimos anos o PPI formou um novo partido – chamado Margherida – que reúne o PPI com outros políticos de centro-esquerda, entre os quais o antigo Presidente da Câmara Municipal de Roma, Francesco Rutelli.
O problema é que em Itália, principalmente por causa da lei eleitoral, mas não só, o panorama político aparece-nos fragmentado e instável: o Governo Prodi, por exemplo é formado por uma coligação de nove partidos e a sua sobrevivência no Senado é assegurada pelo voto dos Senadores nomeados! Na Itália, há 7 senadores nomeados vitaliciamente, pelo Presidente da República, atendendo aos seus méritos pessoais.
As infinitas discussões e a baixa eficácia das instituições têm sido a causa mais recente de fenómenos de rejeição da política da parte dos cidadãos, de que é exemplo o “Vaffa Day”, organizado pelo cómico Beppe Grillo: um dia, no qual milhares de pessoas se reuniram para protestar contra “a politica” e “os partidos políticos” em geral.
Apesar do sistema democrático italiano não estar a ser posto em causa, estes são sinais muito preocupantes.
Neste quadro, a decisão dos leaders dos DS e da Margherita de formar um só partido, o Partido Democrático, foi uma aposta dificil e corajosa.
Unir duas tradições e histórias políticas tão diferentes não foi e não vai ser tarefa fácil. Mais valeu a pena fazê-lo: a amplíssima e inesperada participação das pessoas nas “primárias” para a eleição do líder do novo partido demonstrou que foi uma boa escolha, apesar de algumas dúvidas sobre o método escolhido.
Nestas primárias, os eleitores (todos os residentes na Italia de mais de 16 anos podiam ser eleitores) tinham que escolher tanto o líder no novo partido, como os 2500 membros da Assembleia Constituinte do PD (que vai reunir-se pela primeira vez no final do mês, em Milão).
Todavia, por um lado, sabia-se desde o princípio que dos três candidatos principais - Walter Veltroni, Enrico Letta e Rosy Bindi – era o primero, e actual Presidente da Câmara Municipal de Roma, quem iria ganhar. E assim aconteceu.
Por outro lado, o sistema eleitoral escolhido foi muito criticado, por ser muito penalizador para os candidatos com menor notoriedade (e de facto a maioria absoluta dos membros da assembleia constituinte do novo partido é constituída por ex-membros dos DS), e pelo facto das listas dos candidatos serem fechadas. O resultado foi que líderes políticos importantes para o processo reformista italiano, de que Giuliano Amato é o exemplo mais sonante, não foram eleitos para a Assembleia Constituinte.
Isto poderia ter causado muita desilusão nos potenciais eleitores. Bem pelo contrário, a enorme afluência ao voto – com filas em toda Itália! – e o entusiasmo dos votantes mostrou com clareza que os Italianos perceberam a importância desta novidade no sistema partidário: ser de facto fundadores de uma nova, e importante, formação política, num processo bottom-up (ou quase). Ainda mais importante se pensarmos que o maior partido hoje existente em Itália (pelo menos em termos de votos) continua a ser Forza Itália, o qual – ao contrário do PD – foi fundado (e financiado) pelo seu líder, ainda hoje líder também da coligação do centro-direita, num processo up-bottom.
Com este voto, os Italianos também mostraram que não são todos contra a política como alguns pretenderiam, mas que, ao mesmo tempo, querem fortemente que a transição, que começou depois do final da guerra fria, seja completada. Só com uma serie de reformas importantes do sistema político e institucional, desde logo a da lei eleitoral, pode a Itália, enfim, tornar-se num pais “normal”, com uma maioria que governa e uma oposição que faz a oposição, entre as quais os cidadãos possam escolher na base dos resultados alcançados e não das promessas eleitorais nunca compridas.
Federiga Bindi

Emenda


Caros amigos e colegas,
Por razões que se prendem com a própria FNAC o debate sobre a revolução russa, com Carlos Taibo e António Louçã, foi alterado para as 19:30 do mesmo dia, dia 7 de Novembro. O local mantém-se, FNAC Chiado.
Um abraço
Raquel Varela

A MORTE DE JULIETA GANDRA NÃO FOI NOTÍCIA (V)



Comentário do Dia – 25 de Outubro de 2005
A morte de Julieta Gandra não foi notícia.
Pediram-me [PS Lisboa] um pequeno comentário, sobre uma notícia do dia, de um destes dias. Aceitei, como geralmente aceito, sem tabus ou preconceitos, os desafios construtivos e edificantes. Folheio páginas e páginas, cadernos e suplementos. Leio e releio jornais, revistas; gratuitos e pagos. As notícias sucedem-se. Há muitas letras grandes. Ofuscam. Não sei o que escolher.
Abstraio-me da necessidade imperativa de reagir ao imediato. Escolho uma não-notícia. A não notícia da morte de Julieta Gandra.
Esteve estas semanas em destaque na blogosfera a noticia da não notícia da morte de Julieta Gandra. E repare-se que podia facilmente ter sido noticiada. Afinal fora homenageada por António Guterres, que lhe atribuíra uma subvenção estatal em reconhecimento do seu papel na luta antifascista; recusara a Ordem da Liberdade oferecida por Jorge Sampaio e era personagem de louvor em Angola. De facto, podia ter sido notícia. Mas não foi.
Destaco este evento não porque Julieta Gandra tenha sido uma mulher com 90 anos de vida intensa, digna de um filme da melhor qualidade de argumento e produção; ou porque tenha sido uma permanente resistente antifascista, comunista, anticolonialista e feminista. Ou por ser mulher-médica, formada em medicina tropical e transformada em ginecologista e obstetra por necessidade humana (será quem introduz o parto indolor em Angola); culta, enciclopédica, que se interessava por tudo, viva, uma grande contadora de histórias, intima de Agostinho Neto, Lúcio Lara, Arménio Santos e tantos outros, em tantos lados.
Nem aqui a refiro por ter sido estupidamente presa pela PIDE, em 1959, acusada de ser militante do PCP, de ter dado jantar e 500 escudos a um membro ao MPLA (irá envolver-se num longo onde será, inclusive, defendida por Mário Soares). Nem ainda por ter sido considerada, em 1964, "presa consciência do ano", na primeira vez que um português receberia tão prestigiado galardão (curiosamente, será Mário Soares, em 1973, o segundo).
Nem tampouco a destaco por ter sido uma homossexual assumida, partilhando uma vida de felicidade a dois, com Fernanda Tomás, que, acasos da vida, conhecera na cadeia, em Caxias. Vejam e imaginem o que seriam duas mulheres assumirem uma relação dentro de uma cela de uma cadeia da PIDE cheia de presas do PCP. Sem dúvida um acto de transgressão máxima, como refere Maria Teresa Horta.
Não, mas não é por Julieta Gandra ter assumido a sua condição feminina, a sua paixão, a sua sexualidade, a sua escolha partilhar o futuro, com amor e coragem, com quem queria. Não é por ter decidido viver uma vida de transgressão permanentemente assumida; numa época onde os proibidos eram quotidiano e onde os prazeres se guardavam debaixo dos papeis em gavetas secretas, longe, distantes e esquecidos. Nem ainda por ser uma das ginecologistas percursoras do uso da pílula em Portugal ou por ter assumido a defesa de uma causa, de um país e um projecto, como fez por Angola e pelos angolanos.
Não. Relembro Julieta Gandra porque me aflige a perda da sua memória.
Bem sei que hoje o dia tem mais de 24 horas. Muito mais. Que o caudal informativo obriga a um consumo imediato de sondbites preparados e pré-formatados. De José Mourinhos, Santana Lopes ou Congresso do PSD. De Presidência Portuguesa, Tratado de Lisboa ou Liga dos Campeões. Sei da importância de tudo isso. Mas não chega. Há que saber inscrever, criar identidade. Recordar. Saber preservar a memória. Passar a palavra. Definir Cultura.
Há que não esquecer que a consciência colectiva de um povo se constrói no somatório das pertenças individuais (e institucionais) de quem partilha determinado espaço cultural comum. E a Julieta, pelo que era, partilhou esse espaço, connosco. Não a recordarmos, é esquecemo-nos de nós próprios. É não inscrever. Não existir.
Há que lembrar o que foi a conquista da Liberdade, da Política, da Democracia, da Sexualidade, do direito ao individualismo sem cláusulas ou barreiras de outros. Há que saber dizer e lembrar que Portugal tinha um campo de morte, no Tarrafal, onde morriam presos políticos. Há que saber dizer e lembrar que no condomínio de luxo que hoje se constrói no Chiado, torturavam presos políticos, nem há 40 anos. Há que não esquecer.
E afinal, como evoca Diana Andringa, Julieta era apenas: "uma militante feminista e anticolonial. Em tudo o que dizia e fazia estava presente que as mulheres são iguais aos homens, têm os mesmos direitos e os mesmo deveres, até o dever de pensar."
E não é essa uma luta de recordar? De tornar notícia? Muito mais que a próxima equipa do Benfica, ou do aparato policial da visita do Presidente Putin..
Recordem: Morreu em Outubro de 2007 Julieta Gandra. Médica, feminista, resistente antifascista e lutadora pela independência de Angola. Tinha 90 anos.
José Reis Santos

quarta-feira, outubro 24, 2007

A Ler...


Obama versus Rudi

Autêntica battle of the starlettes.
Eu vou pelo Obama.
.
.

USA 2008

Colbert
.
.

.
sobre o Stephen Colbert ver este apontamento do Pedro Magalhães

USA 2008

Obama
.
.

USA 2008

Hillary
.
.

O porque da democracia?

http://www.whydemocracy.net/


Li no jornal metro o anuncio do maior evento multimédia de sempre...



Um assunto transversal, direi eu a todos os portugueses e não só, o Porque da democracia...



Uma panóplia de países, onde canais de televisão, jornais, etc, se juntaram para debater o porque da democracia? - Como a percebemos, sentimos, compreendemos?



Sendo a democracia algo que se constroí no tempo, algo que se aperfeiçoa na sua vivência, carece de uma visita online...



Interessante...



Este movimento iniciado pela estação Britanica BBC, com o tema "Why Democracy?, tem como principio de debate dez documentários realizados por cineastas de todo o mundo...

Irão realizar-se outros 20 filmes subordinados ao tema "O que é que a democracia significa para mim?".



Vamos todos participar...

terça-feira, outubro 23, 2007

El Cambio


Fez recentemente 25 anos da primeira vitória do PSOE em Espanha, como aqui lembrou o Carlos Castro.

Na altura Filipe Gonzalez cortou o bigode, colocou o socialismo duro na gaveta (como Sottomayor Cardia e Mário Soares o haviam feito em Portugal), meteu mãos à obra e levou Espanha ao século XXI.

Por cá, parece que vai ser agora... mas a premissa ainda carece de confirmação.

Vejam, sobre o assunto, este pequeno trabalho do El Pais; que se intitula, e bem, El Cambio.

Saber fazer.

Pois é Carlos, daí devíamos tirar algumas lições. O problema é que em Portugal não existe nenhum partido liberal, nem conseguimos fugir do bipartidarismo amorfo com que construímos a nossa democracia. É uma pena, mas se, em teoria, o Luís Filipe Meneses se aguentar 20anos na liderança do PSD, há-de ser Primeiro-Ministro, como o foi Durão Barroso.
É essa a inevitabilidade de um sistema político muito pouco competitivo, que não obriga à inovação, que corrói a vontade e que impede a renovação.
Quanto à Polónia… pelo que sei é a geração da mudança quem lidera o PS local, com um líder na casa dos 30. Nestas condições, é difícil requerer uma mudança geracional. Há que regressar às bases. Construir uma nova equipa, um novo projecto, para que a social-democracia consiga ser competitiva num sistema potencialmente tripartido no futuro próximo.

Outra vez????


Parece que na edição de papel do jornal Público este post esteve impresso (o link remete para o site geral, há, depois, de procurar no Caderno 2 pela secção blogues de papel, na página 2).

Outra vez? E desta também não disseram nada...

É obvio que é um prazer. Voltem sempre.

A MORTE DE JULIETA GANDRA NÃO FOI NOTÍCIA (IV)


Julieta Gandra

Julieta Gandra viveu 90 anos de ousadia. Desafiou regras, desafiou convenções, desafiou poderes. Foi uma referência para gerações de jovens de esquerda. Viveu a política com alegria e convicção e por uma causa: Angola

"Olhe! Em vez de estar aí parado ajude-me a carregar os embrulhos!" Sem dar tempo para ao pide, que lhe vigiava a casa, reagir, Julieta Gandra despejou os muitos pacotes com que chegara ao nº 7 da Ilha do Príncipe, em Lisboa, e obrigou assim o agente da polícia política a subir até ao 4º-B, carregando as suas compras em silêncio. Esta história desconcertante é recordada, entre sorrisos, por Diana Andringa, que, na segunda metade dos anos 60, morava no 5º-A e que conviveu com Julieta Gandra, médica, oposicionista, militante feminista e anticolonialista e, sobretudo, transgressora, falecida a 8 de Outubro, em Lisboa, com 90 anos.

Nascida a 16 de Setembro de 1917, em Oliveira de Azeméis, Maria Julieta Guimarães Gandra era filha de Aurora e Mário Gandra, solicitador e pequeno comerciante, e tinha três irmãos, Fernanda, mais velha e ainda viva, Ângela, e Hernâni, arquitecto que militou no PCP.

Julieta cursou medicina, em Lisboa, onde conheceu Ernesto Cochat Osório, oposicionista e poeta, natural de Angola. Depois de casados e de ter nascido, em 1944, o seu filho Miguel (que não quis colaborar neste trabalho), rumam de barco a Luanda. Julieta é então especialista em medicina tropical. Irá interessar-se por obstetrícia e ginecologia e será ela a introdutora do parto sem dor em Angola. Médica das jovens brancas da elite de Luanda, dá também consulta a mulheres pobres, brancas e pretas.

Em Luanda, priva com intelectuais não afectos ao regime e frequenta o Cine-Clube e a Sociedade Cultural de Angola. O que fora uma aproximação à oposição na faculdade torna-se ligação ao PCP em Angola. (Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, III vol. pp. 517-526). Em meados dos anos 50, participa na formação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Vem de então a sua amizade com Agostinho Neto, Lúcio Lara, Paulo Jorge e Arménio Santos.

Durante a década e meia que vive em Angola, viaja. Vem a Lisboa. E, em 1958, depois de visitar, em Bruxelas, a exposição mundial, ruma à União Soviética. De regresso a Luanda, passa por Paris e Lisboa e, a sua sobrinha Ana Rita Gandra Gonçalves, ainda hoje se lembra das discrições de um espectáculo de Ives Montand e os discos de Léo Ferré que distribui pelos mais novos.Processo dos 50A 29 de Março de 1959, Julieta Gandra é presa pela PIDE. Em Agosto, realiza-se o primeiro julgamento político de nacionalistas angolanos, "o processo dos 50".

No final, os presos brancos serão enviados para a metrópole, enquanto os negros irão reabrir o Campo do Tarrafal.

A sua prisão causa polémica e constrangimento na Luanda branca. Era uma intelectual influente e médica da elite. Chegou a sair da prisão para ir assistir a um parto da filha de um engenheiro belga, responsável de uma petrolífera, que assim o exigiu.

O seu tempo de prisão em Luanda foi de cela aberta. Primeiro na PSP, onde a sua detenção incomodava, pois era médica da instituição. Depois, na ala feminina do hospital psiquiátrico, que funcionou como prisão, pois não havia cadeias para presas políticas. O director acaba por exigir mesmo a retirada do pide que vigia a porta, argumento: perturba as doentes da ala feminina.

Em Lisboa, amigos da família tentam libertar Julieta. Há mesmo quem interpele o ministro Paulo Cunha, ao que este responde: "Não me fale dessa senhora!"

Julieta foi acusada de ter dado 500 escudos ao MPLA, ter convidado para jantar um membro do movimento, ter enviado um sobrescrito contendo papéis do MPLA e ser militante do PCP. As provas nunca apareceram no Tribunal Militar de Luanda e o seu advogado ficou retido em Lisboa.

Foi condenada a 12 meses de prisão. Pena que foi agravada para dois anos de prisão maior e medidas de segurança de seis meses a três anos, após recurso do Ministério Público. Julieta recorre também e realiza-se novo julgamento, já em Lisboa, mas a pena aumenta: quatro anos de prisão maior e medidas de segurança de seis meses a três anos.

Depois do processo, o filho vem viver com a tia Fernanda e estudar no Colégio Moderno, da família Soares, de que era amiga, já que o pai de Julieta e João Soares foram correlegionários na I República. Mário Soares será o advogado já no período final da cadeia e conduzirá a libertação, após uma campanha internacional conduzida pela Amnistia, a partir de Londres.

Presa do ano
Em 1964, Julieta Gandra é escolhida como "presa consciência do ano", depois de já ter sido o centro de uma campanha do grupo de defesa dos direitos humanos West Bristol, em 1962. Foi a primeira vez que um preso português é escolhido, o que voltará a acontecer com Mário Soares, em 1973, explica ao P2 Vítor Nogueira, da Amnistia Internacional, que privou também com Julieta Gandra.

No início de Julho de 1965, Julieta Gandra abandona finalmente a prisão de Caxias, onde chegara a 8 de Novembro de 1960. E onde partilhou cela com figuras como Maria Eugénia Varela Gomes, presa no Golpe de Beja, que sobre ela contou: ""Era muitíssimo inteligente, cultíssima, uma grande dama, corajosa politicamente, uma mulher frontal, impecável perante a PIDE, uma boa médica, uma mulher muito interessante."

Também a militante comunista Ivone Dias Lourenço partilhou cela com Julieta: "Era extremamente solidária, nunca fez vida à parte, nunca fez luta à parte. Ela foi sempre de uma extrema ajuda, culta, enciclopédica, interessava-se por tudo, viva, uma grande contadora de histórias, muito viajada, era o centro das nossas conversas, alimentava a curiosidade, tinha uma visão contemporânea do mundo. Eu própria considero que lhe devo o abrir dos olhos para o mundo."

Transgressão máxima
É também na cela, em Caxias, que conhece Fernanda da Paiva Tomás, nascida a 8 de Novembro de 1928, com quem manterá desde então uma relação afectiva, até à morte de Fernanda, com um tumor cerebral, em 15 de Setembro de 1984.

Fernanda da Paiva Tomás era uma alta dirigente do PCP, que entrara já em ruptura com o partido - "queriam que ela deixasse a clandestinidade para visitar Joaquim Carreira, o pai do filho, que fora preso, e ela achava que era militante comunista e não companheira", conta Diana Andringa, que esteve na mesma cela de Fernanda, no final dos anos 60. Presa em 6 de Fevereiro de 1961, Fernanda só será libertada em 19 de Novembro de 1970, sendo a mulher que mais tempo sucessivo esteve presa pela PIDE, um total de nove anos e nove meses, que se somam a onze anos de clandestinidade anterior."Com a saída de Fernanda Tomás da cadeia foi uma lufada de ar fresco na vida da Julieta e naquela casa. Foi um período muito porreiro. Mas nunca abordei a relação, para mim eram apenas duas pessoas que viviam na mesma casa", diz Amílcar Sequeira, amigo de Julieta que até à sua morte continuou a visitá-la no lar, onde vivia desde 2001.

O início da relação entre ambas, em Caxias, é referido por Maria Eugénia Varela Gomes em Contra Ventos e Marés (pp. 229/230). Ao P2 apenas diz: "Era visível dentro da cela a relação das duas, escrevi porque é a verdade histórica." Já Ivone Dias Lourenço sublinha: "Era muito miúda, não tinha experiência de vida, não me apercebi de nada, só soube depois da Fernanda morrer.

"Apesar de o assunto ser omitido ainda hoje por muitos que privaram com as duas, Ana Rita Gandra Gonçalves, sobrinha de Julieta, assume: "Eu gostava muito da Fernanda, era uma pessoa muito especial. Elas tinham uma atitude muito natural em relação à situação. Não houve propriamente festa de casamento, mas naquelas idades não se faz isso."

Por sua vez, Maria Teresa Horta é peremptória em afirmar que, com o passar dos anos sobre a morte de Fernanda Tomás, "a relação foi silenciada, mas as pessoas sabem, até porque criou celeuma na própria cela". E prossegue: "Tinham uma afectividade imensa e uma solidariedade imensa entre as duas. Para fazer aquilo que elas fizeram, era preciso que houvesse uma grande coragem e um grande amor. Mesmo depois do 25 de Abril havia silêncio à volta do assunto. Não por elas, que não escondiam. Mas em relação à mulher é mais difícil falar-se, não há homossexualidade feminina porque não há sexualidade feminina."

E frisa: "Imagine-se o que é duas mulheres assumirem uma relação dentro de uma cela de uma cadeia da PIDE cheia de presas do PCP. É um acto de transgressão máxima, para mais porque são presas políticas do fascismo. Além da transgressão que as leva ali, há esta."

Uso da pílula em Portugal
É também no período de Caxias que Julieta Gandra se afasta do PCP, embora sobre isso Ivone Dias Lourenço apenas diga: "Não sei quem se afastou de quem." Já Teresa Horta, que foi também militante do PCP, acrescenta: "Tentei falar sobre o assunto com Alda Nogueira [esteve presa na mesma cela] e com Georgete Ferreira, ambas não quiseram falar." O afastamento consuma-se já fora da prisão e dá-se a aproximação à extrema-esquerda, se bem que o centro da luta de Julieta fosse a questão colonial.

Junta-se então ao filho em casa da irmã Fernanda e pouco depois começa a dar consultas em Sintra e monta consultório na Rua Manuel da Maia, em Lisboa, onde dará emprego a Aida Paula, com quem esteve presa em Caxias. Volta a exercer clínica, tornando-se uma das ginecologistas percursoras do uso da pílula em Portugal.

"Ela ia muito à frente, falava com grande liberdade do prazer sexual a que a mulher tinha direito sem ser penalizada com a gravidez. E pesava sobre ela o peso da suspeição do regime. Era uma mulher muito corajosa", afirma Teresa Horta acrescentando: "Fazia muita medicina gratuita, o que lhe interessava era aquilo que hoje se chama serviço público."

Santuário angolano
Após alguns meses a dormir no consultório, aluga a casa da Rua Ilha do Príncipe. Será este o lugar mítico para gerações de militantes de esquerda não alinhados com o PCP e, acima de tudo, o santuário do independentismo angolano.

"Ela era uma referência. A casa da Julieta era importante. Para mim foi um livro aberto", diz Amílcar Sequeira. É lá que as novas gerações convivem com figuras do independentismo. "Permitiu-nos ouvir históricos como o Ilídio Machado e Arménio Santos", salienta Diana Andringa que assume a dívida: "Se me perguntarem qual a minha pátria, digo Angola. De alguma forma, Julieta ajudou-me a isso. Fez-me não ter vergonha de ser branca e privilegiada."É lá que se realiza, após o 25 de Abril, a primeira reunião para organizar a primeira manifestação anticolonial, onde estiveram Carlos Antunes e Cabral Fernandes, entre outros. E Julieta integra uma delegação da Casa de Angola que vai ao Alvor, durante a assinatura do acordo das independências, reunir-se com Agostinho Neto.

Em 1975, regressa a Luanda, para ai montar o serviço de saúde e despacha directamente com Neto. Fernanda Tomás vai consigo e trabalha no Ministério da Educação. Julieta Gandra instala o serviço de vacinação e a rede de enfermeiros e faz o levantamento para determinação de epidemias. Regressa a Lisboa profundamente doente, de urgência, em 1977, e ruma a Londres onde lhe é diagnosticado um edema pulmonar.

A dívida de Angola para com Julieta Gandra é expressa numa subvenção que recebia irregularmente do Governo angolano e que completava a subvenção atribuída no Governo de António Guterres, em reconhecimento da sua luta como antifascista. Mas recusou-se a receber a Ordem da Liberdade, já no segundo mandato de Jorge Sampaio.

"Era pessoa forte, opinativa", lembra Ana Rita Gandra Gonçalves. "Obrigava-nos a pensar. Tinha pouca paciência para chavões. Na altura da guerra do Biafra, dizia que não era adoptando uma criança que se resolvia o problema. Tinha muita paciência para nós, os mais novos, mas não tinha paciência para pieguices e disparates", lembra Diana Andringa e acrescenta: "Era uma militante feminista e anticolonial. Em tudo o que dizia e fazia estava presente que as mulheres são iguais aos homens, têm os mesmos direitos e os mesmo deveres, até o dever de pensar."

22.10.2007, São José Almeida

I Curso de História Contemporânea no El Corte Inglés


Já começou, com uma extraordinária sessão com o Luís Salgado Matos. Excelente a pôr-nos todos com água na boca.

Vai ser um bom curso.

Podem, caso entendam, seguir o que se vai passando aqui (sim, mais um blogue)

Divulgação académica


Caros amigos e colegas,

No próximo dia 7 de Novembro terá lugar na FNAC Chiado um debate sobre a revolução russa, no momento em que se passam 90 anos da revolução. Na mesa estarei eu, que farei uma apresentação breve do número especial da História dedicado ao tema; o Carlos Taibo, professor da Universidade Autónoma de Madrid e profundo conhecedor da Rússia pós queda do muro, que falará sobre o significado histórico do fim da URSS e o Antóno Louçã, jornalista e investigador, que vai falar sobre a actualidade da revolução russa.
Creio que o melhor que posso dizer dos dois palestantes - para além do rigor e seriedade com que têm levado a cabo os seus trabalhos de investigação - é que ambos fazem parte daquele grupo de homens e mulheres que decidiram na sua vida que não basta interpretar o mundo, há que transformá-lo.
Segue em anexo o cartaz do evento
Raquel Varela
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Caros amigos e colegas,
Por razões que se prendem com a própria FNAC o debate sobre a revolução russa, com Carlos Taibo e António Louçã, foi alterado para as 19:30 do mesmo dia, dia 7 de Novembro. O local mantém-se, FNAC Chiado.
Um abraço
Raquel Varela

segunda-feira, outubro 22, 2007

Manifesto 2009


Dear Activist,

Swedish Social Democrat Leader Mona Sahlin has agreed to take part in the first PES Yourspace manifesto2009 YouTube debate! When? On Wednesday 24 October at 6pm!

How does it work? You submit your question to Mona Sahlin either in video on our Yourspace YouTube channel or as written question by email. She will give her answers on Wednesday afternoon and we will put the videos online by Thursday.

Mona Sahlin is leading the discussion in the PES on the ‘Save our Planet’ manifesto theme. So she is looking for questions and comments on climate change, environmental protection, renewable energy, how to achieve a fossil-fuel free society and any other issue which you believe is important for her to take into account.

For more information on the PES Youspace ‘save our planet’ theme see http://manifesto2009.pes.org/en/save-our-planet/
For more information on how to upload a video on our YouTube channel see http://manifesto2009.pes.org/en/postyourvideos
To see our YouTube channel go to http://www.youtube.com/europeansocialists

Send a written question to Mona Sahlin to manifesto2009@pes.org if you are unable to send a video.

It’s Yourspace – please use it

Campeão!!!


Change happens

Parece que a coisa mudou, lá para os lados da Polónia. Ainda falta um dos gémeos, mas o que se podia afastar agora foi afastado. Vá lá que assinaram o acordo de Lisboa a tempo...
O Pedro Mexia e o Carlos Castro já referiram, indirectamente, o facto, mas eu acrescento uma interrogação: não podiam os polacos ter um Partido Socialista (liberal) que fosse competitivo nas eleições?
Ah, quem ganhou as eleições foram os Liberais.

António José Seguro


Desde há muito que sigo e aprecio o trabalho parlamentar e político do António José Seguro. Há tempos apreciámos o seu projecto de reforma do Parlamento - hoje já em vigor - e recentemente descobrimos o seu espaço online.

Na altura estava ainda em versão beta, em testes e aperfeiçoamento. Hoje está bastante melhor.

E digo isto não só pelo aspecto gráfico e pela óptima navegabilidade que proporciona, não. Digo isto pelo conteúdo político do próprio espaço.

Destaco uma reflexão sobre a eleição dos líderes partidários (a propósito da eleição do PSD), onde é avançada uma proposta de melhora do sistema actualmente em voga no PS (e que comentarei nos próximos dias); a apreciação que o deputado faz da semana que passou (num exercício de comentário do contemporaneo muito interessante); e o conjunto de informação, devidamente catalogado, referente ao processo de construção da proposta de reforma do Parlamento. Este último exemplo é essencial para a desconstrução do processo legislativo, e um auxiliar de investigação precioso a quem estuda política.

Já o disse mais que uma vez, mas não canso de me repetir: é, hoje, sem dúvida, dos melhores valores socialistas, dos marcos políticos da sua geração e parlamentar de estudo posterior.

DocLisboa


Não fui ver nada. Tinha bilhetes, convites, tudo. E nada, nem um documentariozito. Tenho de ver se volto a ter alguma vida além da profissional... E ainda pensei que o que o Daniel tem colocado no Arrastão fossem as versões completas...
Mesmo assim, já deu para descobrir o Enemies of Happiness, um documentário sobre Malalai Joya, jovem afegã concorrente à Assembleia Constituinte do Afeganistão, expulsa da mesma, e recandidata ao Parlamento, agora com existência constitucional. Vejam o inicio do doc. É de ficar com água na boca...
E já agora, uma nota de reconhecimento ao trabalho que o Daniel Oliveira tem produzido no Arrastão à volta do DocLisboa 2007. Excelente. Só chateia não estarem os filmes completos...

Ferrari

Rui,
Esta é uma devida homenagem. Como escreve o Pedro Sales, no Zero de Conduta: Luigi segue solo le Ferrari. Agora, convinha trocar o Michael pelo Kimi (digo eu...)

Parece que é só clicar ...

E o público-alvo destes rastreios grátis são as mais desefavorecidas.
Isto quer dizer que estamos a ajudar quem mais necessita.
E poder ajudar uma mulher despreviligiada é uma gratificação que não dispenso.
E tudo por 5 segundos no nosso tempo.
[depende da velocidade da net, mas não é mais de 20s, garanto]

domingo, outubro 21, 2007

Intermitentes

Já deu para perceber que é um assunto que me interessa, e muito. Aqui ficam dois que a Plataforma preparou para o dia 19, o dia da Intermitência.



Novo Campeão do mundo de Fórmula 1



Kimi Raikkonen campeão do mundo de Fórmula 1
Quando só se discutia qual dos dois Maclaren iria vencer...
Parece-me que afinal o trabalho de equipa sempre resulta...

Campeonato de pilotos e de construtores para a Ferrari...

Quem ri por ultimo... Ri melhor...

DocLisboa


"Ainda" a decorrer em Lisboa.
Culturgest,
Cinema Londres,
Cinema São Jorge.
Ainda não foram porquê? Ainda têm tempo...
Mais informações aqui...

Administrador

Admito. Sou um administrador [do blogue] fascista.
E admito ainda que não acho piada nenhuma aqueles blogues que têm 15 nomes de colaboradores e depois só 2 ou 3 escrevem. É que não acho mesmo piada.
E assim, porque sou autoritário e totalitário, decidi que quem não escrever até ao final do mês será «limpo» do blogue.
E digo isto sem vontade nenhuma de o fazer, por isso é que convidei as pessoas para partilharem o blogue. Agora, se se assume a escrita, que se cumpra. Se não, sem stress. Não cumprem, não estão. A liberdade e o voluntarismo continuam a ser peças de toque neste projecto.
«Amigo não impata amigo», já dizia o outro. E estou farto de ver nomes aqui associados que mais não são que puras associações, decidi - como administrador fascista - que era uma boa altura para clarificar quem está neste projecto, neste blogue.
Repito: quero que todos aqui continuem. Mas a participar.
Esperemos até Novembro.

sábado, outubro 20, 2007

Intermitentes

Fui ontem ao debate sobre a intermitência.
Nem sei onde começar. Foi no salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II. Boa casa, sala quase cheia. A malta do costume. Toda. Não vi, que me apercebesse, uma cara nova; um novo interlocutor, uma nova ideia. O costume.
O interesse era duplo: saber como estava a relação entre a Plataforma e o processo legislativo em curso e mostrar solidariedade com o movimento intermitente e, quem sabe, ouvir um bom debate teórico sobre o que é a intermitência, afinal.
Do segundo interesse, nada. Nem uma ideia. Toda a gente fala e critica o que o governo apresenta sobre a matéria, toda a gente chuta para o ar modelos a importar (França é amplamente citada), mas ninguém apresenta uma única proposta ou ideia adaptada à realidade portuguesa.
Só criticas, portanto. Procura-se afirmar categoricamente que a intermitência existe, que é indefinível e extremamente complexa de descrever (como todas as indefinições), e que a tentativa de definição apresentada nos textos na Assembleia falha. Concordo. Que se deixe cair, então, a palavra «intermitência». Afinal não é para isso que se está a legislar, é para resolver um problema laboral, em primeiro lugar, e de acesso à segurança social, em segundo. E é um assunto que causa muita confusão a muita gente. Dispensa-se.
Continuando. Sobre o outro ponto, a apreciação do trabalho da Plataforma. Devo dizer que sou fã deste tipo de iniciativas, por isso é que me associo a elas, directa ou indirectamente. Sinceramente acho essencial que existam este género de dinâmicas, emergentes da «sociedade civil», mais ou menos organizada (há um carácter claramente profissional na Plataforma), que possa servir de interlocutor privilegiado com o processo legislativo, seja ele qual for.
E é aqui que a coisa complica, porque a maior parte dos intervenientes não entenda os trâmites dos processos de construção de leis; confunde o acessório com o essencial. Admito que há que deixar que o processo de aprendizagem assente; que se entenda os tempos da intervenção dos legislativa, onde e quando intervir (Assembleia da Republica, Segurança Social, Teoria da Intermitência, Academia, Sociedade Civil). Mas o pior é que esta inexperiência e o carácter novel deste tipo de organizações torna-as demasiado permeáveis a «profissionais da política», especialistas em sabotar o que poderia ser processo de consenso político entre a Plataforma e o Governo.
Digo mais, julgo que existe quem não queira qualquer tipo de acordo, para daí retirar dividendos políticos directos e abrir com os «trabalhadores das artes e dos espectáculos» nova frente de ataque ao governo. E é claro que é o PCP que assume essa posição.
É pena, digo, pois julgo estarem criadas todas as condições para que a situação seja resolvida de forma satisfatória por todas as partes interessadas (Trabalhadores, Empregadores, Governo, Partidos Políticos, Sociedade Civil em geral). E temo que estas intenções dúbias estejam a desviar o que era uma boa aproximação entre o poder legislativo e uma classe profissional com sérios problemas laborais para resolver.
Bem sei que não temos muitas experiências, de base, de contacto entre a «sociedade civil» e o poder político. E a esquerda, sejamos francos, não se sabe organizar. A acrescentar, temos que a falta de cultura politica no momento da negociação e da criação de consensos é impeditiva da construção de linhas de diálogo construtivas.
É notória a incapacidade de distinção do que está em discussão. Repare-se: admitindo a densidade e a complexidade do tema, eu diria que existem três peças em discussão, o problema laboral, a ser tratado na Assembleia; o problema do acesso à segurança social, a ser tratado pelo Governo, e o problema teórico do que é a intermitência. Estes temas têm de ser tratados em separados, pois só assim conseguem ser efectivos. Colocá-los todos juntos significa não só dilui-los num conjunto fragilizado; correr o risco de nunca conseguir um articulado satisfatório (pois não existem 3 pessoas com o mesmo conceito de intermitência, só para dar um exemplo); mas também significa ou nunca ter alguma Lei ou ter um traçado legal que não satisfaz ninguém (ou que talvez satisfaça quem gosta e procura que nada resulte).
A solução é, então, separar as águas. Retirar a segurança social do pacote. Remete-la para debate posterior. Mas, entretanto, ir não só abrindo portas como preparando propostas. Depois é deixar cair essa palavra maldita, a «Intermitência», do diploma. Por fim, promover debates, também com académicos, sobre o conceito da «Intermitência».
Se assim for feito (mais ou menos), julgo ser possível alcançar uma solução bem razoável, onde todas as partes consigam se rever e, simultaneamente, consigam criticar e propor melhoras (da negociação política nunca resulta a satisfação, apenas graus de insatisfação). Se se prosseguir o caminho manipulado do confronto barato, ou do conflito por encomenda, temo que os resultados não sejam os melhores.
E logo quando estão criadas todas as condições para que se comece a entender e a resolver a complexidade do modelo laboral do pessoal das artes e dos espectáculos. Estamos tão próximo do primeiro passo. Não deixem o estraguem.

(vê-se que «gostei» do debate; e que espero pelos próximos).

sexta-feira, outubro 19, 2007

Dia de Sensibilização para a Intermitência


Dia de Sensibilização para a Intermitência


A Plataforma dos Intermitentes, que junta as principais organizaçõesrepresentativas dos profissionais das artes do espectáculo eaudiovisual, promove hoje um dia de sensibilização para a intermitência. Decorrerão várias acções pelo país tais como:

- Leitura e distribuição de um comunicado nos espectáculos deteatro, música, dança, filmagens, gravacões de telenovelas e sériestelevisivas, festivais, etc, procurando assim informar os profissionais destas áreas e sensibilizar os espectadores daprecariedade dos profissionais das artes do espectáculo e audiovisual(comunicado em anexo)

- Debate sobre as perspectivas de legislação para os intermitentes, às 18h, no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.

- Festa/Concerto em Lisboa, na ZDB, no Bairro Alto, com os KumpaniaAlgazarra, às 24h e apresentação de um spot para televisão e internet.

A Plataforma dos Intermitentes vem reclamando a criação de um estatutoprofissional para os profissionais das artes do espectáculo e doaudiovisual, dada a ausência contínua de legislação nestas matérias, oque consequentemente tem vindo a consolidar e a aumentar a precariedade existente nestas profissões.

Por isso, surge a palavra intermitência (tal como já surgiu noutros países),que corresponde à natureza das actividades em que se baseiam estas profissões.Basta dar o exemplo da variedade do cartaz de cinema ou de teatro, a que cidadão comum tem acesso, cartaz esse que muda frequentemente,permitindo assim aos espectadores que possam usufruir dessa variedadee de uma dinâmica de conteúdos.

As propostas partem de um conjunto de situações que é urgente acautelar e que se sintetizam nos seguintes termos:

- intermitência

– a generalidade destas actividades profissionais estásujeita a ciclos económicos de duração limitada, que resultam tanto datransitoriedade das actividades de produção de espectáculos e audiovisual como da necessidade da existência de períodos depreparação e de desenvolvimento artístico destes trabalhadores.

- insuficiência do regime de segurança social dos trabalhadoresindependentes a que está sujeita a grande maioria desta classe profissional, com escassas excepções, como é o caso de algumasestruturas de maior densidade institucional p.e., orquestrasprofissionais e Teatros Nacionais.

- escassez de regulamentação relativa ao modo de prestação do trabalho, que resulta da aplicação inapropriada do regime da prestaçãode serviços.

2Foram apresentados projectos pelos Grupos Parlamentares do PCP e do BEe pelo Governo, aprovados na generalidade e actualmente em discussão na especialidade na Comissão Parlamentar do Trabalho.

A Plataforma tem vindo a promover o diálogo e a discussão entreprofissionais e poder político. O projecto do Governo não vemresponder à maior partes das carências destas profissões e pretendemos com este dia, informar e sensibilizar a opinião pública para arealidade do trabalho intermitente.

A Plataforma dos Intermitentes é constituida pelas seguintes organizações: AIP- Associação de Imagem Portuguesa, Associação Novo Circo, ARA –Associação de Assistentes de Realização e Anotação, ATSP – Associaçãodos Técnicos de Som Profissional, CPAV - Centro Profissional do SectorAudiovisual, Granular - Associação de Música Contemporânea, PLATEIA -Associação de Profissionais das Artes Cénicas, REDE - Associação deEstruturas para a Dança Contemporânea, RAMPA, Sindicato dos Músicos,SINTTAV- Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, STE - Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo.

Já está.

Tratado de Lisboa!
[e agora, Referendo?]

Dia da Intermitência

[ Clique para aumentar a imagem]
E vai haver um óptimo debate no D. Maria II às 18h. Aparece.
E dizem que vai ainda haver festa da boa na ZDB. Dizem...

quinta-feira, outubro 18, 2007

Escândalo?

Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975


Uma nova investigação sobre o salazarismo, a Inglaterra e a descolonização portuguesa para conhecer no próximo dia 19 de Outubro, sexta-feira, pelas 18h, na Casa Fernando Pessoa. O livro de Pedro Aires Oliveira (docente no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e chefe de redação da revista Relações Internacionais) «Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975» será apresentado por José Medeiros Ferreira e por Francisco José Viegas. A edição é da Tinta-da-China.

Só gente de qualidade, como se vê. É de estar.

Tratado de Lisboa

É hoje?

A guerra


Recentemente, como reacção ao último prós e contras, escrevi um post [a que chamei Oportunidade Perdida], onde atacava a memória que se procura construir em redor de tais programas. Pois no mesmo, Joaquim Furtado apresentava o seu novel trabalho, «A Guerra», exactamente sobre a Guerra Colonial / de África / do Ultramar / de Libertação. Não o vi todo. Gravei. Pareceu-me, no entanto, muito cuidado, muito exacto, com diversas fontes, em suma, com interesse.

Parece que não fui o único a ficar com boa impressão. No Womenage a Trois, a/o cenas obscenas também apreciou bem o trabalho do Joaquim Furtado. Diz que:

O que me impressionou foi o carácter improvisado, caseiro, artesanal, da logística da preparação dos ataques de 15 de Março de 1961, que passaram nas barbas dos portugueses sem que estes reparassem em nada. Houve folhetos a serem divulgados com pormenores e códigos, houve informações concretas de que algo pairava no ar. Um dos portugueses disse isto para a câmara, preto no branco. Ninguém ligou, ninguém quis saber, apesar dos avisos de alguns Nem as autoridades, nem os colonos. Afinal, eram coisas de pretos, digo eu. Ninguém reparou, sequer, no ambiente internacional que soprava numa direcção hostil. Os assaltos de 15 de Março apanharam todos completamente desprevenidos, sem razão real. Todos embalados pelos fumos do luso-tropicalismo e dos brandos costumes. Os problemas existiam lá, no Congo Belga. O preto do Congo Belga não tem nada a ver com o preto angolano.

continue a ler aqui.
E de facto impressionou não tanto a tontaria portuguesa, crente na sua natural superioridade, na sua missão civilizacional e na inferioridade organizativa «do preto». O que a mim me fascinou foi a simplicidade e a inteligencia crua da organização das «forças de libertação». Também percebi que não estávamos nada organizados. Nem preparados. Não estávamos preparados para a guerra, nem para a paz, nem para a administração do território angolano (que era o caso), nem para a colonização africana. Em suma, não estávamos preparados para nada.
Venha o segundo episódio (se bem que ainda tenha de acabar de ver o primeiro).
[duas adendas, uma vinda do Amigo do Povo, do Bruno Cardoso Reis, e da Ana Claudia Vicente. E ainda uma outra do Fernando Martins, no Desconcertante, o seu blogue pessoal]

E ainda acusam o Estado Novo de ser careta...

Há dias em que ser investigador compensa. Descobrimos cada coisa.
Vejam esta notícia, retirada do jornal «A Voz», de influência católica e monárquica, de 25 de Novembro de 1942. Na primeira página assumia que:
«A cultura de Cânhamo pode e deve extender-se a todo o país. Exige-o o interesse da Nação»
Penso que não se terá seguido esta recomendação de forma efectiva. Senão teriamos um país bem mais risonho que o actual. Com 60 anos de cultura de cânhamo, decerto que construiriamos uma ou duas elites de espirito bem aberto...

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