And the dreamers? Ah, the dreamers! They were and they are the true realists, we owe them the best ideas and the foundations of modern Europe(...). The first President of that Commission, Walter Hallstein, a German, said: "The abolition of the nation is the European idea!" - a phrase that dare today's President of the Commission, nor the current German Chancellor would speak out. And yet: this is the truth. Ulrike Guérot & Robert Menasse
terça-feira, outubro 09, 2012
Claramente para ler o artigo de opinião de João Pinto e Castro de ontem
terça-feira, outubro 18, 2011
O mundo mudou
terça-feira, novembro 09, 2010
RAP e o orçamento dos mercados
"(...)Cavaco Silva partilha as preocupações de toda a gente que não vai sentir na pele os efeitos da nova política de austeridade: é importante que o PSD viabilize rapidamente o orçamento, para que o orçamento possa começar a inviabilizar a nossa vida. Ainda sou do tempo em que os orçamentos tinham por objetivo facilitar a vida dos cidadãos. Agora, trata-se de facilitar a vida a essa entidade misteriosa que se chama "os mercados". Antigamente, os eleitores votavam nos seus representantes e estes, em retribuição, definiam um orçamento que servisse as aspirações dos eleitores. Agora, há que agradar aos mercados, o que torna o trabalho dos deputados mais complexo, até porque os mercados são mais exigentes que os eleitores. E mais poderosos. Os mercados são uma espécie de bicho feroz cujo aspeto ninguém conhece ao certo. A única coisa que sabemos acerca dos mercados é que levam a mal se os portugueses não passarem a pagar mais pelo leite. E sabemos também que são uma entidade coletiva, o que assusta mais. Não temos de agradar apenas a um mercado, mas sim a uma pluralidade de mercados. Os mercados atacam em grupo, como os gangues. Mas são menos meigos e levam-nos mais dinheiro."
sábado, setembro 18, 2010
Há outro argumento também muito batido
quinta-feira, abril 23, 2009
Aguenta e não chora!
Poupem-me!
sexta-feira, abril 17, 2009
Dizem que está velho
" O ex-Presidente da República, Mário Soares, corrigiu o primeiro-ministro José Sócrates, que indicou na semana passada que vai apoiar a recandidatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia por “questões patrióticas”, afirmando que isso não é patriotismo, mas antes “nacionalismo no pior sentido da palavra”. “Se houver um português que seja mau, não o vamos defender pelo facto de ele ser português”, disse Soares."
quinta-feira, abril 16, 2009
Miguel Sousa Tavares - Como fritar um Primeiro-Ministro em lume brando
Miguel Sousa Tavares
Segunda-feira, 13 de Abr de 2009
- Eis o meu ponto de partida: eu não acredito que o cidadão José Sócrates Pinto de Sousa tenha, enquanto ministro do Ambiente, aceite quatro milhões (de euros ou de contos, a suspeita nunca ficou clara) para autorizar, contra a lei, o Freeport de Alcochete. Não acredito: é um direito que me assiste e que decorre não apenas da experiência de trinta anos a observar políticos por dever profissional, como também pelo conhecimento pessoal que dele tenho.
Segundo ponto: além da crença pessoal, eu desejo veementemente e como português que quem quer que seja primeiro-ministro do meu país esteja acima, largamente acima, de tão rasteiras suspeitas. Isso, porém, não impede que existindo suspeitas, dúvidas, interrogações por esclarecer, com ou sem razão, elas sejam investigadas a sério e a fundo. Acho que nenhuma outra coisa podemos desejar e exigir.
Terceiro e decisivo ponto: acho absolutamente intolerável que a investigação e esclarecimento de um assunto desta gravidade, envolvendo suspeitas deste tipo sobre um PM, acabe - uma vez mais! - por flutuar, sem prazo nem dignidade alguma, nesse limbo de maledicência e de justicialismo popular onde invariavelmente vegetam ultimamente todas as investigações deste tipo, entre a incompetência do Ministério Público e a leviandade de uma imprensa que vive para o escândalo e que se está borrifando para o que seja o Estado de Direito. Por outras e mais cruas palavras: é intolerável que, uma vez mais, o palco principal da investigação seja ocupado, não pelos seus progressos e conclusões, mas pelas notícias sobre incidentes laterais, estados de alma dos investigadores e insinuações sobre pressões externas - tudo, como sempre, alimentado por sistemáticas fugas de informação que, para vergonha nossa, toda a gente sabe de onde vêm e
mesmo assim se repetem constantemente.
Não consigo entender como é que, nas últimas semanas, o centro das atenções relativamente ao Freeport se deslocou dos resultados da própria investigação para as queixas de "pressões" dos magistrados dela encarregados. Primeiro, porque já vi este filme várias vezes e sei que, quando começam queixinhas destas, elas são invariavelmente o sinal de que a investigação marca passo e já se procuram desculpas. Depois, porque não entendo que um magistrado de investigação ande a queixar-se publicamente de pressões em lugar de lhes resistir silenciosamente e continuar o seu trabalho. Terceiro, porque há qualquer coisa de pouco transparente em queixarem-se de pressões atribuídas a um outro magistrado, amigo e colega de trabalho neste
mesmo caso. Vai agora um outro magistrado encarregar-se da extraordinária investigação de saber se o facto de Lopes da Mata ter dito aos colegas que o primeiro-ministro queria celeridade no processo é ou não uma pressão política ilegítima. E assim se vai entretendo o tempo, como se (e a ser verdade que Sócrates terá enviado aquele recado por interposto procurador) não fosse apenas o PM, mas todos nós, a democracia portuguesa, a exigir celeridade e poucos floreados
para distrair as atenções!
Escreveu Pacheco Pereira há dias que "colocar o caso Freeport debaixo do tapete, enchê-lo de medos, de sussurros, de silêncios, de incomodidades, deixará Portugal envenenado por muitos e bons anos". Ora, salvo melhor opinião, o que tem sucedido é exactamente o contrário: o caso Freeport ocupa a cena há três meses, em vez de silêncios e sussurros, é objecto de uma gritaria sem fim e, em vez de medos, tem propiciado abundantemente o que melhor caracteriza a nossa
investigação criminal nos chamados casos mediáticos: permitir ou promover a execução pública dos suspeitos, antes que eles tenham tido uma hipótese de se defender e muito antes de a acusação concluir se tem ou não matéria para levar o caso a tribunal. É grave que isto possa suceder com qualquer cidadão; é gravíssimo que possa suceder com o próprio primeiro-ministro: não por José Sócrates, no caso, mas pela saúde pública do regime democrático. Desgraçadamente, chegámos a um ponto em que qualquer pessoa, por mais inocente que esteja, e em especial se for figura pública, pode ser executado em lume brando na praça pública, num fogo assassino alimentado pela negligência da investigação e pelas sistemáticas violações do segredo de justiça, que permitem a uma imprensa sedenta de sangue e de 'sucessos' atear as
labaredas da execução popular. Mesmo quando, como foi o caso, tudo nasce de uma denúncia anónima - para mais, sugerida pela própria PJ e com contornos mais do que suspeitos de manobra política eleitoral, nunca devidamente esclarecida.
Eu não quero saber se os senhores magistrados se sentem ou não pressionados porque o PM supostamente lhes terá mandado dizer que andassem rapidamente com o processo, conforme é obrigação deles. Eu quero é que eles não finjam não perceber a gravidade do que têm em
mãos, as implicaçõe s políticas imediatas e a prazo do arrastar do caso e a arrasadora suspeita que pende sobre a cabeça de um cidadão que, por acaso, também é primeiro-ministro.
Tanto quanto sei, seguindo as coisas de fora, t odas as suspeitas contra José Sócrates assentam na existência de um vídeo onde um tal Charles Smith, para tentar justificar perante os patrões do Freeport uma quantidade de dinheiro que desapareceu em Portugal, o explica dizendo que teve de corromper o então ministro do Ambiente. Ora, o sr. Smith está para aí, à disposição dos investigadores, que aliás já o interrogaram algumas vezes. Permitam-me os senhores magistrados que diga que não vejo aqui nenhum bico de obra: ou conseguem que o sr.
Smith prove como e quando pagou a Sócrates e qual o destino do dinheiro, ou não o conseguem e, então, só lhes resta uma coisa a fazer: arquivar o processo contra Sócrates e prossegui-lo contra o sr. Smith e demais envolvidos, por crime de falsas declarações e muito provável roubo, em benefício próprio, dos tais quatro milhões. Não alcanço porque são precisos cinco anos de adormecidas investigações e mais três meses de histeria investigatória para concluir uma destas
duas coisas.
Ainda esta semana ouvi o ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral referir-se ao casal McCann como assassinos da própria filha - a tese que ele defendeu durante as investigações que conduziu e que depois publicou em livro. Durante dois anos, o dr. Amaral teve todos os meios, tempo e condições para fazer provar a sua gravíssima tese ou então descobrir o que tinha sucedido a Maddie e se estava viva ou morta. Não o conseguiu e, prorrogados todos os prazos de investigação, esta foi encerrada sem conclusões, por falta de qualquer indício do que quer que fosse. Mas, imperturbável, o senhor aí continua, a acusar os próprios pais de terem morto a filha e a dizer que só não o conseguiu provar por culpa das "pressões políticas". Será este tipo de 'justiça' que os
investigadores do Freeport se preparam para reservar também a José Sócrates? - O argumento de que Durão Barroso tem de ser também o candidato do Governo socialista à presidência da Comissão Europeia porque é português é igual ao argumento de que todos tínhamos de achar o Cristiano Ronaldo melhor que o Messi na eleição de jogador do ano só
porque também é português. Se alguém acha que Barroso - essa alforreca política - representa a melhor Europa, hoje e no futuro, é porque não percebeu nada da diferença que faz Barack Obama no renascer da esperança, num mundo em grande parte reduzido à desesperança pela falta de qualidade dos líderes políticos.
terça-feira, março 03, 2009
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Alguém disse complot?
- PS e Governo controlam a comunicação social;
- Complot na comunicação social para derrubar (entenda-se - fazer perder as eleições) o Governo;
Não é nenhuma votação nossa, mas podia bem ser...
quarta-feira, setembro 17, 2008
terça-feira, agosto 26, 2008
Resposta ao contraditório
Desde que escreveste este texto que espero por uma boa oportunidade de te responder. Queria te dizer que é necessários que existam Marcos Fortes. E Nelson Évora. E Vanessas e Pedros e Saras. Que o desporto Olímpico não se resume à conquista de medalhas, nem à mentalidade ganhadora que referes.
É necessário ter em consideração estas dimensões para que o debate sobre as políticas de desporto em Portugal (existem?) possa ser prospectivo. Faz sentido pedir uma medalha ao Marcos Fortes? Claro que não. Mas a sua presença em Pequim possibilitou que um miúdo de 15 anos da Reboleira pense que pode ir a Londres em 2012. Isso já é uma vitória.
Entretanto, é necessário distinguir bem entre o que consideramos ser o desporto de manutenção, de prospecção e de competição (e dentro deste o de alta e o de média competição).
Desporto de manutenção deve ser o que é promovido individualmente com o propósito do desporto em si, da melhoria ou manutenção da nossa condição física. Deve ser essencialmente privado, se bem que possa ser promovido institucionalmente (pelo Governo, por Câmaras Municipais, Clubes desportivos, etc).
A dimensão prospectiva é o interface entre a prática desportiva casual e a competitiva; e devem existir mecanismos para bem identificar os que apresentam talento para o desporto de competição. Aqui a prestação institucional é mais premente, dos Clubes Desportivos e Câmaras Municipais ao Governo e às Universidades. Julgo que este interface ou não existe, ou não funciona ou não produz resultados.
Por fim, o desporto de competição deve funcionar com métodos e meios claros e definidos. Porque não construir um fundo desportivo (ou fundo olímpico) com dinheiro do Futebol (que também é desporto olímpico)? Podia-se taxar os jogadores a sério e essa contribuição ficaria anexada a esse fundo desportivo, para ser gasta no planeamento da actividade desportiva profissional. Outra ideia é a preparação de médio prazo, ou seja, em vez de se pensar apenas na olimpíada seguinte (Londres 2012) ter a capacidade de ambicionar mais além (2016). Isso significaria que teria de ser criada uma política desportiva e de recrutamento que permitisse captar novos valores (que terão 20 anos em 2016 e que agora estarão entre os 8 e os 12 anos) e não apenas que o trabalho se processe em quem já demonstrou capacidades (que é o que vai acontecer para 2012).
Temo que enquanto se pensar exclusivamente no futuro próximo, que enquanto não existir uma nova geração de dirigentes (desportivos e políticos) pouco se possa esperar, globalmente, do desporto em Portugal. É essa a mentalidade que tem de mudar, Rui; e não a de muitos atletas (mas isso já é outra conversa).
(Ah, comecei a escrever este texto com a intenção de remeter para a última crónica do Rui Tavares sobre o Marco Fortes algumas das minhas preocupações sobre política desportiva. Acidentalmente escrevi alguns parágrafos, mas não deixo de recomendar o Rui. Esta cada vez melhor).
segunda-feira, maio 19, 2008
Jardim sai de cena

Outro excelente texto do Ricardo Fresco no PS Belém:
sexta-feira, maio 16, 2008
Sócrates na Venezuela
O Governo liderado por José Sócrates encontra-se em visita oficial à Venezuela, numa comitiva que ainda integra mais de 80 empresários das áreas mais díspares. A principal razão desta visita prende-se com o aumento das exportações portuguesas para aquele país, onde existe uma forte comunidade portuguesa, dos actuais 17 milhões de euros para 200 milhões, ainda em 2008.
Pluralismo Político
José Alberto Carvalho, em sede da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura na Assembleia da República, manifestou-se "incomodado com o oportunismo que sentiu em relação às reacções do relatório da ERC" (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). O responsável pela informação da RTP considerou ter havido um aproveitamento político do respectivo relatório.
Todos nos lembramos das insinuações do PSD relativamente à falta do contraditório, nomeadamente no que ao programa do Dr. António Vitorino diz respeito, "esquecendo-se", apenas para citar um exemplo, do programa do Prof. Marcelo, muito mais orientado pelo entrevistado, parcial e pré-agendado.
J. A. Carvalho também considerou inaceitável a existência de quotas para cada partido na televisão pública, impedindo a escolha livre dos meios de comunicação social dos seus critérios jornalísticos. Pelo que não é de surpreender, dada a actualidade política, da panóplia de convidados da esfera do PSD (Menezes, Santana, Ferreira Leite, Rui Rio, António Borges) que pela RTP têm passado nas últimas semanas. O Partido Socialista, como qualquer outro partido político, pode questionar a necessidade de tantas figuras políticas, mas ninguém se manifestou da forma deselegante e insinuosa como o PSD, sendo o pluralismo político mais um fait-diver deste partido sem rumo.
sábado, abril 19, 2008
Just Words?
(Este era um post que estava para escrever há muito tempo. Já se conta, aliás, por meses este atraso. Pertence à categoria de resposta/manutenção de debate com o Carlos sobre as presidenciais americanas. Resposta porque tem a ver com as segundas preferências de cada um, manutenção do debate porque é disso que se trata)
No ultimo post sobre a matéria, eu disse a determinada altura que “ando para escrever sobre aquilo que eu considero a principal força de Obama, que é algo que eu procuro preferencialmente (irónico, não?) num político. Mas estou a ‘escudar-me’ na indefinição democrata para adiar o texto”
Pois chegou a altura de falar dessa força. E essa é, como é fácil perceber…
o Carisma
Quando eu ouço Obama discursar, principalmente naqueles momentos em que tal é MESMO necessário (seja para empolar ou para responder a algo), Obama inspira qualquer um. Acho que isso é perfeitamente perceptível e aceitável mesmo para aqueles que não conseguem suportar nada das suas ideias políticas. O seu timbre, a sua presença, “obrigam” qualquer um a virar a cara para ele, nem que seja para lhe chamar nomes. E isso torna-se essencial quando queremos fazer passar uma mensagem.
Depois vem a questão da tarefa. E embora o poder do presidente americano seja imenso, tornando-se comum ser chamado de “o homem mais poderoso do planeta”, esse poder advém de, principalmente, duas situações: i) o poder bélico americano e ii) o poder de influência.
Ora, se para o primeiro, “basta” ser eleito, já o segundo pode ser tremendamente aumentado devido ao carisma do personagem em questão. Numa altura como a que vivemos, e sendo os EUA o motor económico do mundo, torna-se premente que quem vá habitar a Casa Branca após o próximo dia 20 de Janeiro seja alguém que “nos” consiga fazer dar aquele extra para que a economia mundial retome o crescimento em vez de se manter na recessão que se encontra. E para isso, a acompanhar bons planos económicos, tem de estar a prosa de quem lidera. E é aí que entramos n’…
os Discursos – just words?
E essa questão leva-nos até às críticas que foram em tempos muito veiculadas por toda a gente que não era Obamaniacs, mas que na verdade foi para mim um grande tiro no pé.
Os discursos de Obama são a sua principal arma. E é essa a arma que ele irá também usar para a recuperação económica. Mas não é por acaso que ele diz que irá basear a sua política externa no diálogo. Além de marcar uma clara diferença para a actual administração, penso que Obama conta com o poder da sua voz para persuadir outros a chegarem a compromissos. É claro que para tal terá de haver cedências de parte a parte, mas isso é o jogo a jogar.
A questão que se põe é se isso será suficiente com grupos terroristas. Claro que não é! Mas pode muito bem ser a diferença entre ter nações a apoiar grupos terroristas e nações que não o façam (bem, pelo menos diminuir o número de nações que o façam)
Em suma, é por esse carisma e por essa inspiração que eu disse, em tempos, que se tivesse do lado de lá do norte atlântico provavelmente estaria a colaborar activamente na campanha de Obama. E é certamente por isso que ele está a arrasar nos caucases.
quarta-feira, abril 09, 2008
Semibreves

Semibreves
Diz-nos Weber ser a ética protestante o berço do espírito do capitalismo. Abraço a tese. Há muito que a desenvolvo perante os meus alunos de Sociologia. Quando viajo, para fora do meu País – fisicamente, lendo, vendo filmes - a observação dos povos tocados por essa ética tem confirmado a tese weberiana.
A ética protestante trouxe, ao mundo católico, a ideia do trabalho como salvação e ajudou a construir burgos ricos e indústrias prósperas. Reforçou o poder da burguesia que, para trilhar os passos da aristocracia, apoiou as artes e as letras.
E trouxe um individualismo que permitiria múliplas literacias: a leitura individual da Bíblia foi o caminho para termos povos letrados; a leitura e o canto, nas igrejas nuas e despojadas, dos salmos em letra de música, foi o caminho traçado por povos que, desde a Reforma e em tenras idades, aprenderam a linguagem musical e praticaram a música.
A ética protestante permitiu o nascimento de uma estética democratizada. A democratização das várias literacias[1] – leitura, música lida e cantada – consolidou o exercício democrático. A Europa central, que alguns dizem ser um mito judaico, é exemplar no mundo da produção musical erudita, barroca, clássica, romântica ou contemporânea como Berg e Stockhausen, e da produção literária. Também por lá se produziu a obra de Kafka, o pensamento de Nietszche, Freud, Goethe, Marx e “O Homem Sem Qualidades” (Musil). Aqui nasceram as ideias de Homem Novo que tantos dramas humanos, guerras e totalitarismos causariam.
Por que não adoptar, no mundo cristão, as “boas práticas” do mundo protestante? Se a missa vai passar a ser em latim, a Igreja Católica pode / deve incluir o estudo do latim nas aulas de catequese, juntar o estudo da música e fomentar, em cada crente, o hábito de ler, por si próprio, o Livro e os Cânticos, a letra e a notação musical.
Fica aqui o apelo, feito por uma agnóstica espiritual, ao Vaticano. Façamos da Europa um mundo de gente literata, nas Letras e na Música. E na vida pública.
Vera Santana
9 de Abril de 2008
[1] Claro que a Católica Itália tem tradições musicais, o que nos levaria para outras reflexões.
segunda-feira, março 10, 2008
A AVALIAÇÃO NA BÉLGICA
É importante que o Ministério da Educação, antes de tentar impor uma reforma global que pode estar radicalmente errada, se procure informar sobre as formas de avaliação dos professores adoptadas noutros paises da Europa, que parecem serem razoavelmente aceites pelos seus professores. A Comunicação Social pode dar, neste assunto, uma importante ajuda. No Sábado passado, vi na televisão, num curto programa, um professor explicar que, quando na Bélgica, o director de uma escola recebe a indicação de um professor não estar a desempenhar convenientemente as suas funções, pede ao Ministério para nomear uma comissão para o avaliar. Penso que uma medida deste género, desde que convenientemente negociada, pode ser aceite pelos Sindicatos e Comissões de Pais portugueses. Os maus e muito maus professores são poucos, mas existem, e há que proteger os estudantes de a eles estarem sujeitos.
O ensino português pode melhorar com simples medidas de bom senso. No caso citado , o Ministério, em vez de procurar avaliar simultâneamente 140.000 professores, tem, simplesmente, de promover a criação de orgãos especializados para avaliar a competência dos relativamente poucos professores suspeitos de não serem competentes. A estes, devem ser dadas todas as garantias como, por exemplo, a de poderem designar dois elementos para integrarem a comissão encarregue de os avaliar.
O Ministério deve, também, criar orgãos vocacionados para detectar os muito bons professores, que são o património mais valioso de um sistema educativo, e que devem, depois, ser utilizados pelo Ministério como motores da melhoria do nosso sistema de ensino. Numa avaliação global, simultânea e esquemática, estes melhores professores correm o sério risco de não serem considerados aptos para serem professores titulares, e serem assim impedidos de influenciar o evoluir das próprias escolas. E corremos um outro risco: o de alguns dos piores professores se tornarem “especialistas em serem avaliados” sendo assim seleccionados para professores titulares e passando a influenciar fortemente o futuro do nosso ensino.
António Brotas
Antigo Secretário de Estado e Director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação.
segunda-feira, novembro 05, 2007
Inacreditável!
sexta-feira, outubro 26, 2007
Boa crónica, porquê?
terça-feira, outubro 09, 2007
Convidado especial
O Cartão do Cidadão
Enquanto estava a fazer a habitual troca do Público da semana passada, pelo Público desta semana (para mim o Público é um semanário, só compro quando sai o 007) o artigo sobre o Cartão do Cidadão chamou-me a atenção…
Que fique claro desde o inicio, para mim o Cartão do Cidadão não só vai aumentar a segurança dos nossos dados mas também vai facilitar a vida da maior parte dos portugueses… Ainda assim o titulo do artigo principal “Simplex ou Big Brother?” e o artigo de opinião “Eppur si muove…” de São José Almeida, dão a entender que são mais os riscos do que as virtuosidades do novo cartão, e apontam principalmente para 2 riscos, o risco do Estado abusar do seu poder e começar a cruzar dados indevidamente, e o risco de alguém usurpar a nossa identidade roubando o cartão ou usando uma máquina que clonasse o cartão. Interessante, a ideia de que os riscos vão aumentar com um novo cartão…
Em primeiro lugar, o Estado… se se põe a questão de o Estado poder livremente cruzar dados, isso realmente seria um abuso de poder, mas é por isso que foram instalados tantos controles e separações informáticas entre as bases de dados. Agora são estes controles falíveis? Sem duvida. Será que alguém pertencente ao aparelho do Estado poderia ultrapassar estes controles? Não, porque para o fazer precisaria de conhecimentos informáticos acima da média. Então e se esse alguém tivesse esses conhecimentos? Então ai sim, teria algum trabalho, mas eventualmente conseguiria ultrapassar todo o tipo de barreiras informáticas. O facto é que isso significa que, das pessoas que actualmente têm a possibilidade de fazer um cruzamento de dados ilegal, apenas 10% (estou a ser generoso) terá os conhecimentos informáticos para o fazer. Sim, porque o sistema actual é tão seguro que com um telefonema para o amigo que trabalha na Segurança Social, no Arquivo de Identificação, ou qualquer outro organismo estatal, fico a saber tudo o que o Estado sabe sobre mim! Pelo menos com um sistema informatizado é mais fácil manter um registo de todos aqueles que usam o acesso a dados pessoais para fins ilegais, e puni-los judicialmente…
Em segundo lugar, o roubar do Cartão do Cidadão… Eu normalmente ando com todos os cartões, que o Cartão do Cidadão vem substituir, na carteira, por isso é me indiferente se me roubam a carteira com um cartão ou com cinco, o resultado prático é mais ou menos o mesmo, com a diferença que o cartão de Contribuinte, e todos os cartões sem fotografia passam a ter fotografia. Agora as máquinas de clonar cartões, máquinas que conseguem aceder a um chip presente no cartão e criar uma cópia exacta, capaz de enganar todos? Isto parece-me um risco real, e eu ficaria preocupado, se não me lembrasse que, sem o chip, sem os novos elementos de segurança, a dificuldade de copiar todos os nossos cartões resume-se a… uma fotocopiadora? Algum talento no photoshop?
Talvez o medo do Cartão do Cidadão se prenda com o facto usar as novas tecnologias? O medo que existam informáticos, hackers, crianças que percebem tanto de computadores como o Bill Gates e que sejam capazes de fazer coisas que nós ainda nem sequer pensámos? O medo do desconhecido é algo sempre presente, e existem sempre Velhos do Restelo para nos alertarem dos perigos e das tormentas que se avizinham, mas nem por isso podemos parar de explorar, e de desafiar os limites do nosso quotidiano.
Toda e qualquer solução que se apresente para o Cartão do Cidadão é falível, no médio-longo prazo, e existem sempre riscos. Mas se o Cartão do Cidadão for menos falível e apresentar menos riscos do que o que existe neste momento, então é um passo na direcção certa.
Boavida

