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sábado, setembro 18, 2010

sexta-feira, julho 10, 2009

Virar a página em Oeiras

É muito curioso este texto de Vasco Campilho (sumário aqui, versão desenvolvida aqui). O título chamou-me a atenção. Pensei que o Vasco iria dizer que, em Oeiras, se devia votar PS (não pensei nada, mas achei que esta frase ficava bem aqui). Afinal, o que o Vasco defende para Oeiras é a manutenção de uma política que vem desde 1986. Uma política que tudo tem feito para agradar aos construtores civis. Uma política de betão.

Muitos dizem que Oeiras evoluiu imenso desde então. Pois evoluiu! Façamos agora o raciocínio inverso. Digam-me um, só um, concelho da Área Urbana de Lisboa que não tenha evoluído imenso desde 1986. Vá, eu espero...

Pronto! Agora que já desistiram, voltemos à conversa. Desde 1986 que o PSD conduz os destinos de Oeiras. Com Isaltino. Com Teresa Zambujo. Com Isaltino, em coligação. Mas o Vasco descobriu agora que era necessário mudar de página.
Meu caro, isso já nós, no PS, dizemos há muito. Até agora sem sucesso. Mas essa coerência é nossa.

Para poder defender a sua dama (que é literalmente disso que se trata) o Vasco não resiste a referir Marcos Perestrello. Mais uma vez falha o alvo. O Marcos é alguém que tem um percurso político público reconhecido, tendo exercido vários cargos públicos com eficiência, sendo somente o último (até à data) o de vereador na Câmara de Lisboa, onde esteve a contribuir para melhorar a situação da Câmara depois de dois mandatos (ok, um e meio) desastrosos de governação PSD. E aceitou vir encabeçar o embate em Oeiras onde o PSD está no poder à 23 anos.

Mas percebe-se porque é que o Vasco, que não tem por hábito comentar assuntos internos do PSD, comentou a escolha de Isabel Meirelles para candidata (depois de, como já disse aqui, andarem com cartazes durante meses com outra pessoa). É exactamente por causa desses assuntos internos que não tem por hábito comentar. É que com Manuela Ferreira Leite candidata a Primeiro-Ministro e Pedro Santana Lopes candidato a Presidente da Câmara de Lisboa, só falta saber por onde andam Pedro Passos Coelho e os seus apoiantes.

Bom, uma já é candidato a uma Câmara!

quinta-feira, maio 14, 2009

Claro que, para a opinião pública, a exoneração é uma prova de culpa

Diogo,

sobre a tua resposta, tenho a dizer:
  1. Nada;
  2. Nada - se bem que o conformismo com o estigma chateia-me;
  3. Aqui alto! Tentar manietar? Li bem? Quem é que está a manietar? Desde que saiu nos jornais a passagem do inquérito a processo disciplinar que só ouvi a Zita Seabra (além do governo, claro está!) a defender a ideia de que se deveria deixar o processo correr os seus tramites normais. Tudo o resto aproveitou a ideia para exigir que o Primeiro-Ministro o exonerasse. Claro que nada disso interessa. O homem tem uma suspeita em cima e portanto há que corrê-lo daqui para fora! O quê? Precedente? Que é isso? Igualdade de Direitos? Nããã, esqueçam! Direito a defesa? Pfff. Para quê?
  4. Cargos por nomeação ou cargos eleitos são cargos políticos. Nessa óptica (que é a minha) ou punes todos pela suspeita (em total desacordo) ou só punes quando confirmado a culpa por quem de direito. Exemplo: Isaltino está a responder em tribunal. Continua a ser Presidente da Câmara (não com o meu voto, mas isso é outra história). Acho bem. Até ver é inocente. Fátima Felgueiras condenada em tribunal. Continua a ser Presidente da Câmara mesmo após ter sido condenada por crimes cometidos enquanto Presidente da Câmara. Erradíssimo.

Ainda referente ao teu post anterior, há uma altura em que referes "Poderão dizer-me que estamos a crucificar uma pessoa na praça pública, sem sequer se provar que ele é culpado. Essa visão parte de um princípio errado, que aliás foi ilustrado por Rui Tavares no Directo ao Assunto de ontem na RTP-N. Lopes da Mota está a exercer um cargo de confiança política, em comissão de serviço. Isto não é o seu emprego."

Pois não. Nem o lugar de Presidente de Câmara ou de Ministro.

No entanto, reforço que na minha opinião Lopes da Mota deveria, ele próprio, demitir-se ou suspender funções. Como o fez, por exemplo, António Vitorino. Que, como todos sabemos, teve após isso uma carreira pública fulgurante e pujante!

Medidas sérias ou demagógicas?

Quando se diz que Lopes da Mota se deveria afastar do cargo que exerce, estamos de acordo. Era uma medida séria de quem está envolvido num processo disciplinar que pode provar culpabilidade no uso das suas funções, como defendem vários ilustres da nossa praça.

Se Lopes da Mota o fizesse, se ele por inciativa própria suspendesse ou mesmo se demitisse de funções, estaria a dar um valioso contributo para a credibilização das instituíções.

Se o Procurador Geral da República ou o Governo o exoneracem do seu cargo, estariam a reconhecer que Lopes da Mota era culpado, isto ainda antes de sair o resultado do processo disciplinar (e para isso já basta o tribunal da opinião pública). E lá se ia a teoria de que todos somos inocentes até prova em contrário.

Mas o que é defendido pelo Diogo, ou pelo Rui Tavares, teria de ser aplicado a todos os casos. Não importa que estejam num cargo por Comissão de Serviço, por terem sido eleitos, ou nos seus empregos. Chama-se a isso Princípio de Igualdade. Que, como a inocência até prova em contrário, é um dos Princípios basilares da nossa democracia.

Há que começar a entender isso.

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