domingo, março 01, 2009

A Dignidade do Congresso

Ontem à noite houve uma falha de energia que obrigou a que o congresso do PS tivesse que encerrar os trabalhos por volta das dez e meia da noite, em vez da hora normal das 2/3 da manhã. Obviamente, isso significou que vários delegados não puderam falar ao congresso, usando os três minutos de que dispõem. Seria natural que o congresso no dia de hoje tivesse que se prolongar para permitir que esses delegados inscritos pudessem usar da palavra.

No entanto, o meu camarada Vitalino Canas disse às câmaras de televisão que o congresso encerraria com o discurso de José Sócrates por volta da uma da tarde de hoje, e pedia compreensão aos delegados que assim não poderia falar ao congresso. Mais tarde, Almeida Santos rectificaria essa posição de Vitalino Canas dizendo que seria feito o máximo esforço para que todas as pessoas inscritas pudessem falar. Penso que essa posição é a única sustentável à luz dos princípios do PS.

Mas este episódio levanta dúvidas sobre o papel do congresso do partido na lógica institucional do PS.

Sabemos que do ponto de vista mediático, os congressos são eventos planeados para o exterior, para a comunicação social, de forma a apresentar as principais linhas do partido ao país. Mas tal função de mediatismo não pode ofuscar a importância do congresso como órgão máximo do partido.

Apenas dois órgãos são escolhidos por votação entre todos os militantes do PS em eleição directa. O secretário-geral e os delegados ao congresso.

O congresso é o órgão máximo do PS! Os seus delegados aprovam a moção global de estratégia do partido até ao próximo congresso, e elegem a comissão nacional que é quem vai nomear a comissão política e o secretariado do partido. E mais do que isso, os delegados eleitos representam directamente todos os militantes. E falam pelos militantes.

Mesmo que estejam a falar para uma sala quase vazia, mesmo que utilizem os seus minutos para declamar poesia à Edite Estrela, ou para cantar o "malhão malhão". Eles são os representantes de todos os militantes.

É preciso respeitar isso!

Diogo Moreira

1 comentário:

Pedro Miguel Cardoso disse...

Muito bem Diogo, apoiado!

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