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terça-feira, novembro 15, 2011

Defender a estupidificação


Quando pretendem que não existam debates no único meio, por ser público, que pode ser questionado o alinhamento dos intervenientes, o que estes senhores pretendem é deixar na mãos dos privados a selecção de temas e de pessoas para debater estes temas, permitindo assim que certos grupos económicos decidam o que se deve debater e que ideias devemos debater.

Dito isto, e lendo o que pretendem para a RTP Internacional teria de passar à ofensa pura e gratuita. E a vida não está para gratuitidades!

sábado, fevereiro 13, 2010

Pela democracia, nós tomamos partido

"Vivemos tempos que impõem uma tomada de posição. O que se está a passar em Portugal representa uma completa subversão do regime democrático. Os sinais avolumam-se diariamente e procuram criar as condições para impor ao país uma solução rejeitada nas urnas pelos portugueses.Com base numa suposta preocupação com a «liberdade de expressão», que não está nem nunca esteve em causa, um conjunto de pessoas tem fomentado a prática de actos nada dignos, ao mesmo tempo que pulverizam direitos, liberdades e garantias. É preciso recordar: à Justiça o que é da Justiça, à Política o que é da Política."

Para ler e, se desejarem, assinar e divulgar.

domingo, fevereiro 07, 2010

O 4º poder.

Desde as eleições legislativas do passado de dia 27 de Setembro, que se assiste neste país ao maior ataque alguma vez visto em democracia aos emanados desse acto. Muita gente não aceitou e ainda hoje continua sem aceitar os resultados dessa eleição. Já na noite eleitoral em questão começámos a ouvir que o PS tinha sido o grande derrotado. Como se o partido que é o mais votado e que voltará a constituir governo possa, em alguma análise, ser o grande derrotado da noite.

Se bem se lembram, nessa noite, houve quem sofresse da síndrome PCP: transformar as derrotas em vitórias. O PCP (na sua vertente coligação denominada de CDU) aproveitando o facto de ter tido mais um deputado que na anterior legislatura, e desleixando tudo o resto. O PSD, porque o PS perdeu a maioria absoluta.

Como vencedores dessa noite emergiram, na realidade, dois partidos: CDS-PP e BE. Estes, sim, venceram em toda a linha. Aumentaram a sua votação, o número de deputados, cumpriram os objectivos a que se propuseram e subiram na “classificação eleitoral”, se bem que no final da noite o BE tenha ficado com o amargo de boca de ter ficado aquém das expectativas.
Num sentimento misto, o PS: Ganhava a eleição, iria constituir governo, mas perdera de forma retumbante a maioria absoluta.

No entanto, os maiores derrotados foram todos os comentadores que pululam pela nossa imprensa, e os meios de comunicação que já desde o meio do mandato anterior demonstram claramente que terem uma agenda política passa pelo derrube do governo (não é por acaso que há quem comente que se quer ganhar a vida a fazer comentários tem de dizer mal do governo).
Ora, após os resultados o que vimos neste cantinho à beira mar plantado? Passámos um primeiro período a ouvir comentadores políticos a explicar-nos como o PS tinha sido o único e grande derrotado dessas eleições. Notícias que levantam suspeitas sobre o governo mas que pouco ou nada concretizam. Teorias da conspiração sobre a fortíssima ofensiva anti-democrática promovida por membros do governo e um escalar do ruído oposicionista baseado na difamação e no levantamento de suspeitas sem nada para consubstanciar. Chegamos assim ao fim dos primeiros cem dias de governo e, no meio disto tudo, um grande punhado de nada do lado da oposição baseado em muito barulho e pouca acção, e um clima que conduz a descredibilização de Portugal em todos os quadrantes políticos e económicos internacionais.

Neste momento, assiste-se em Portugal a uma ofensiva que já não olha a nada para derrubar o governo eleito à menos de cinco meses. Olhamos para as notícias que saem, e facilmente constatamos que os ataques mais ferozes que assistimos, a um governo, estão em marcha. Ao pé disto, o Jornal das Sextas da TVI, quando era efectuado pela ex-deputada do CDS/PP, é uma brincadeira de crianças. Tudo serve para minar a confiança nas instituições públicas. É curioso ver os comentadores políticos atacarem a ineficácia das nossas instituições e propagarem para quem os quiser ouvir/ler (ou para quem lhes pagar os comentários) que muitas das funções do estado deveriam ser entregues aos privados, e posteriormente ouvi-los/lê-los a tecerem considerações sobre a falta de confiança do povo português nas instituições políticas.

Perante o estatuto sagrado de jornalistas e comentadores, personagens mais ou menos obscuras que ninguém ou pouca gente conhece, e que certamente ninguém elege, podem dizer o que quiserem, atacando e maldizendo quem quiserem, dando estampa a conversas privadas em que, como se sabe, se tem menos cuidado com as palavras do que quando se está a falar em público, e quando se tecem considerações sobre essas personagens obscuras que ninguém ou pouca gente conhece, e que certamente ninguém elege, é um atentado à liberdade.

Algo está errado neste país. O povo falou à menos de cinco meses e por duas vezes em menos de um mês, deu duas vitórias (uma agridoce) ao PS. Estes senhores, que têm um meio privilegiado de comunicação, fazem e dizem o que bem querem e lhes apetece, ao arrepio da vontade expressa do povo.

P.S. – Prefiro, sobre este aspecto, a ideia americana de imprensa. É pública a tendência editorial dos órgãos de comunicação social. Não vivem na hipocrisia da isenção que não existe em nenhum órgão de comunicação social portuguesa.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Mário Crespo

Mário Crespo denunciou ontem uma alegada conversa entre o Primeiro-Ministro José Sócrates, o Ministro Pedro Silva Pereira, o Ministro Jorge Lacão e um Executivo de televisão passada ao almoço no passado dia 26 em que os governantes terão tecido comentários pouco ou nada abonatórios sobre a sua pessoa, e onde teriam chegado a falar de como seria possível afastá-lo do ar. A ser verdade, e não estou com isto a dizer que é ou que não é, a situação é de uma gravidade extrema: temos um governo a discutir como silenciar uma voz incómoda. Uma situação que não se deseja nem para a Venezuela ou China, muito menos se deseja para Portugal.

Mário Crespo é um jornalista de causas, uma espécie que não tem grande escola em Portugal. Como qualquer jornalista de causas, pode ser extraordinariamente incómodo para o poder instituído, ou extremamente benéfico para o mesmo, conforme esteja contra ou a favor desse mesmo poder. Mário Crespo nunca escondeu a sua opinião em relação a este governo, ou ao anterior. Não deixou, contudo, de ser dos jornalistas mais isentos aquando da divulgação de notícias ou mesmo quando fazia entrevistas. Mas mantinha, como era sabido, uma coluna de opinião no JN, onde criticava o governo livremente. Mas essa é a essência de uma coluna de opinião. Por isso, não estranho, até porque acompanhava com alguma regularidade essa coluna, que o artigo de opinião agora censurado tenha aparecido no Instituto Sá Carneiro.

Nesta história toda, quem quer acreditar em Mário Crespo, acredita. Quem não quer, não acredita. O que eu não percebo é que o homem que é tão frontal e corajoso na denúncia deste caso, nomeando os governantes envolvidos, não consiga nomear o executivo da televisão.

Mas quero acreditar que só não o fez porque a sua fonte não lhe soube dizer quem era!

sábado, dezembro 05, 2009

Somaterapia


“Nada é tão contagiante como o gosto pela Liberdade” Roberto Freire







Foi lançado em Lisboa, no dia 28 de Novembro, um livro sobre Somaterapia, da autoria de João da Mata. Pode ser adquirido na Livraria Letra Livre, em Lisboa.

O objectivo da somaterapia é o de, partindo das emoções expressas pelo soma (pelo "corpo") libertar os seres humanos das "couraças" que todos fomos adquirindo, que nos prendem a territórios desajustados e não desejáveis, que nos bloqueiam portas, que nos impedem de partir "on the road", que nos roubam energias criadoras. Baseia-se, entre outros autores, nos trabalhos de Wilhelm Reich e de Gregory Bateson bem como nas teorias e nas práticas do Living Theatre. A somaterapia é uma terapia libertária que ajuda a desconstruir modos de reagir enquistados e desadequados.


Nota: "corpo" entre aspas porquanto para a somaterapia não existe qualquer dualismo, seja ele corpo e alma ou outro; somos seres unos e cada um de nós é único.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Alguém me tira uma dúvida?

Pegando no mais recente caso Obama/Fox News, peço que alguém me explique uma coisa, que não consigo perceber. É algo que já vem do famigerado caso Sócrates/Público/Jornal de 6ª feira da TVI.

Se um jornalista ou meio de comunicação social decide constantemente contestar uma pessoa (político ou não, para o caso não interessa) está a exercer o seu direito de Liberdade de Expressão. Completamente de acordo.

Se uma pessoa (político ou não, para o caso não interessa) decidir não comentar ou dar entrevista ou comunicar de qualquer outra forma com esse jornalista ou meio de comunicação, é alguém que ataca a Liberdade de Expressão.

A dúvida é: se o jornalista ou meio de comunicação social decide, no seu direito inealienável de Liberdade de Expressão, contestar uma pessoa, porque é que essa pessoa não tem o direito de Escolha de não falar a esse jornalista ou meio de comunicação?

Desde quando é que a Liberdade de Expressão de uns retira a Liberdade de Escolha de outros? Se alguém me puder responder...


terça-feira, maio 27, 2008

NA SENDA DE MAIO DE 68, A LIBERTAÇÃO DAS REPRESSÕES SOCIAIS E POLÍTICAS POR MEIO DO EROS EM PRAXIS

De João da Mata, em Londres, recebo a notícia e o impacto da mesma na imprensa do Brasil

SÃO PAULO - O médico psiquiatra, psicanalista e escritor Roberto Freire, de 81 anos, morreu na noite de sexta-feira, 23. Ele ficou conhecido na década de 1970 por criar, com base nos estudos de Wilhelm Reich, a Somaterapia, método revolucionário de psicanálise que busca a saúde e a harmonia emocional. Freire estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A causa da morte do psicanalista não foi divulgada, a pedido de sua família. O corpo do escritor foi cremado por volta do meio-dia deste sábado, 24, no Crematório da Vila Alpina, na capital paulista.

Freire se considerava um anarquista, referencial ético em que baseava a Somaterapia, uma terapia corporal e em grupo, baseada nas pesquisas de Reich. Defendia a sexualidade, o prazer e a liberdade. Para ele, o racional e o lógico não eram suficientes para se entender a vida social e seu impacto sobre a individualidade.

Freire escreveu mais de 20 livros, vivendo seu auge de sucesso nos anos 70 e 80. Um de seus maiores best sellers foi Cléo e Daniel, publicado em 1966 e que teve por muitos anos uma grande repercussão entre jovens. O livro ganhou uma adaptação para o cinema com Sônia Braga, Myriam Muniz e John Herbert. Freire escreveu ainda Sem Tesão Não Há Solução, de 1987, talvez um de seus livros mais importantes e que defende a liberação de repressões sociais e políticas por meio do sexo. Vendeu mais de 200 mil exemplares. Outros sucessos do escritor: Coiote, Ame e Dê Vexame e Sem Entrada e Sem Mais Nada.

Além de escrever romances e livros de ensaios, Freire integrou a equipe de roteiristas de séries de televisão como Malu Mulher e a primeira edição de A Grande Família, ambos na Rede Globo. Ainda na Globo, Freire teve um quadro de sucesso no programa TV Mulher, que ficou no ar de 1980 a 86, com participação também da atriz Regina Duarte, revelou Marília Gabriela como apresentadora, Marta Suplicy como sexóloga, Clodovil Hernandez tinha um quadro como estilista, entre outros participantes.Em 1992 foi criado um grupo de pesquisa e ação da Soma, terapia anarquista que nasceu para combater a idéia então vigente na sociedade de controle e redução do prazer, o que a longo prazo, segundo Freire, origina as neuroses. Este grupo de somaterapeutas, chamado de Coletivo Brancaleone, foi supervisionado desde então pelo próprio psicanalista. Freire se definia como "militante do tesão".

***

Em Lisboa, Barcelona, Valência e noutras capitais europeias, a terapia de Roberto Freire começou, em 2007/2008, a ser divulgada e praticada por João da Mata.

domingo, novembro 18, 2007

O nascimento do génio

Noite de 1966, concurso de musica popular brasileira. Já era conhecido, já tinha reputação, mas seria depois desta aparição, e da vitória, que catapultou o nome e a sua genialidade.
Chico Buarque tinha 22 anos.



A Banda
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
.
Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

.

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor
.
O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

.

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

.

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

.

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

.

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

.

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
.
Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou
.
E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor...
.

Estranhamente, teve um momento de génio

Podem não acreditar, mas a letra é do Roberto Carlos, que a compos para o regresso de Caetano Veloso do exílio.
Vejam a felicidade do Caetano a canta-la.



Debaixo Dos Seus Caracóis
Composição: Roberto Carlos

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
.
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar
.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante
.
As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora
.
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente
.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante
.
Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho
.
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso
.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Outro Génio

Redemption Song
Bob Marley, composer
Old pirates, yes, they rob I;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottomless pit.
.
But my hand was made strong
By the 'and of the Almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.
.
Won't you help to sing
These songs of freedom?
-'Cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs.
.
Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time.
.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Ooh! Some say it's just a part of it:
We've got to fulfil de book.
.
Won't you help to sing
These songs of freedom? -
'Cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.
.
Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our mind.
Wo! Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them-a can-a stop-a the time.
.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Yes, some say it's just a part of it:
We've got to fulfil de book.
.
Won't you help to sing
Dese songs of freedom?
-'Cause all I ever had:
Redemption songs
-All I ever had:Redemption songs:
These songs of freedom,
Songs of freedom.
.
Video aqui (não sei porquê, mas não dá para embeber no blogue)

segunda-feira, outubro 08, 2007

Quando Portugal era a Birmânia


Em 1957 um grupo de oposicionistas desafiava o regime ao organizar um congresso republicano para a cidade de Aveiro. O país, lembramos, era a preto e branco. Só. As fotos. A imprensa. A TV (que nasceu nesse mesmo ano). E especialmente a política.
Branco – Situação. Preto – Oposição.
Poucos resultados práticos teve este primeiro congresso, aparte de servir de base às listas da oposição em 1957, nas eleições legislativas do mesmo ano; e de ter fornecido à PIDE dados sobre potenciais novos inquilinos (e muitos viriam a sê-lo). O processo irá repetir-se em outras duas ocasiões. Uma em 1967 e 1973, em vésperas do 25 de Abril.
Nesta efeméride urge recordar que nem sempre a Liberdade está assegurada, no que designamos de regimes políticos.
Hoje já não nos lembramos o que era viver sem ser em liberdade.
Hoje já não nos lembramos que Portugal já foi Birmânia.

Todos os dias experimentamos diversos quotidianos de liberdade: Uma imprensa livre, a possibilidade de exprimir e divulgar ideias próprias, sem que para isso se tenha de jurar fidelidade a um qualquer tipo de organização política.
Hoje temos o direito de votar livremente, de apresentarmos candidaturas, de organizarmos campanhas eleitorais de esclarecimento político.
Hoje temos a liberdade de podermos escolher os caminhos da nossa definição individual, do ponto de vista cultural, político, religioso, sexual, ou o que quer que seja. Hoje podemos ser.
Hoje já não nos lembramos o que era viver sem ser em liberdade.
Hoje já não nos lembramos que Portugal já foi Birmânia.
E a Birmânia ainda existe.


Deixo a memória e a notícia que o PS Lumiar publica.

Aveiro vai assinalar no dia 06 de Outubro, sob a égide do governo civil, a passagem dos 50 anos sobre a realização do I Congresso Republicano que reuniu os opositores ao Estado Novo.
Segundo o governador civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, que sublinha a importância de que revestiu o histórico congresso, «como elemento congregador da evocação do ideário republicano, fundador da modernidade social, política e cultural», as comemorações vão decorrer no mesmo local, o Teatro Aveirense, e serão inspiradas no programa de 1957.
Será também um momento para evocar a memória das personalidades que se constituíram em comissão organizadora do primeiro dos três congressos republicanos: Mário Sacramento, João Sarabando, João Seiça Neves, Manuel das Neves, Armando Seabra, Costa e Melo, Joaquim José Santana, Alfredo Coelho de Magalhães, Horácio Briosa e Gala e Álvaro Seiça Neves.
Figura incontornável dos acontecimentos da época foi também o então governador civil, Vale Guimarães, que sendo um homem comprometido com o Estado Novo, ousou autorizar a realização do congresso em Aveiro e, ao contrário de outros governadores, defendia que o regime não precisava de «chapeladas e da viciação eleitoral».
O regime acabou por substitui-lo, mas voltou ao cargo com Marcelo Caetano, o que viabilizou a realização, também em Aveiro, do III Congresso, o da Oposição Democrática, em 1973, precursor do 25 de Abril.
Em relação ao primeiro congresso, comenta Filipe Neto Brandão, «não pode deixar de ser particularmente tocante para todos os que apreciam a liberdade, saber que em 1957, numa cidade de província, em pleno Portugal amordaçado e bafiento, este tenha terminado, segundo os relatos da época, com os presentes repetindo vivas à República e à Liberdade e entoando, de pé, “A Portuguesa”».
«Foi a partir de Aveiro que o propósito de liberdade, democracia e cidadania, encontrou um tronco comum, que veio a culminar no 25 de Abril e nesse primeiro congresso os republicanos reencontraram-se na pureza do seu ideário fundador», explica o actual governador civil.
O programa que está a ser delineado para as comemorações vai estar centrado no Teatro Aveirense, com a realização de uma sessão evocativa, na manhã do dia 06 e, à noite, um concerto pela Filarmónica das Beiras com Mário Laginha e Bernardo Sassetti.
No mesmo espaço vai estar patente uma exposição de material alusivo à época, com um espólio constituído por fotografias, manuscritos e recortes de imprensa.
A efeméride será ainda assinalada pela cedência pelo Estado ao Município da peça «Liberdade», de Vieira da Silva, que integra a colecção de arte contemporânea.
Diário Digital/Lusa

terça-feira, outubro 02, 2007

Free Burma.


Dear friends, Our emergency petition to stop the crackdown on peaceful protesters in Burma is exploding, with nearly 500,000 signers from every nation of the world. But the situation in Burma remains desperate, with reports of hundreds of monks being massacred and tortured. Burma's rulers have also killed and expelled international journalists, cutting off global media coverage of their cruelty.
China is still the key - the country with the most power to halt the Burmese generals' reign of terror. We're delivering our message this week with a massive ad campaign in major newspapers, beginning with a full page ad in the Financial Times worldwide tomorrow, and in the South China Morning Post on Thursday. The strength of the ad comes from the number of petition signers listed – can we reach our goal of 1 million signatures this week?
The link to sign the petition and view the ad is below, forward this email to all your friends and family! China continues to provide key economic and military support to Burma's dictatorship, but it has been openly critical of the crackdown.
Now we need the government to match words with actions. Our ad paints a powerful moment of choice for China in its relationship with the world – will it be a responsible and respected member of the global community, or will it be associated with tyranny and oppression? People power, on the streets of Burma, and around the world, can triumph over tyranny. Our strength is in our numbers, spread the word!
With hope and determination, Ricken, Paul, Ben, Graziela, Pascal, Galit and the whole Avaaz team. For the best local reporting on the situation in Burma, try these links [1 and 2].

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Gisberta


Depois de ler o último post do Rui, sobre o aniversário da morte da Felisberta, recordei-me que me tinha esquecido de divulgar o comunicado de imprensa que recebi das Penteras Rosa, e que divulgo agora.

Comunicado de imprensa de 21-02-2007

Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia

Um ano depois do assassinato da transsexual Gisberta. Tudo na mesma.

Faz amanhã um ano desde que foi encontrado o corpo de Gisberta, transsexual, toxicodependente, seropositiva, prostituta e imigrante brasileira, que sucumbiu a três dias de tortura e sevícias sexuais e posterior afogamento, ao ser lançada a um poço por um bando de rapazes no Porto. Um ano passado, fala-se de um crime que "chocou o País". E não é verdade: um país chocado, é um País que reage e previne. E não foi assim.

O problema está em que o referido "choque" foi limitado à jovem idade dos autores deste crime (eles próprios vítimas de injustas políticas sociais e de desprotecção de menores), e não se estendeu à perda de uma vida, à exclusão social extrema em que esta vítima mortal estava encurralada, e sobre a qual, um ano depois, praticamente nenhuma intervenção teve lugar, e nada de concreto se alterou. O País pode, portanto, acertar os relógios e continuar a contar os dias até à próxima Gisberta, talvez menos mediática mas nem por isso menos certa. Aliás, o País queria esquecer e já esqueceu.

Um ano depois, temos uma sentença judicial ignóbil que responsabiliza os jovens em causa por agressão mas que os iliba do assassinato e da tortura, sustentando que a vítima morreu por culpa da água em que se afogou. Gisberta morreu assassinada mas ninguém a assassinou, tal como às restantes transsexuais que têm tido sorte semelhante e cujos casos não vêm a público. Por outras palavras, podem matar-se transsexuais, porque isso não tem em si consequência jurídica.

Um ano depois, a protecção legal de pessoas como Gisberta continua inexistente, e as condições de marginalização de grande parte da população transsexual continuam intocadas porque os decisores políticos e o Estado continuam a fugir às suas responsabilidades, tal como aliás no que toca também à população homossexual:

Num país campeão da violência sobre menores, o sistema de "guarda e protecção de menores" continua sem medidas de reforma para que seja mais do que um armazém de crianças e jovens, das quais metade entregues a instituições religiosas, sem contexto emocional ou educativo .

Continua ausente da discussão política o reconhecimento do direito à identidade de género e a protecção legal da população trans contra a discriminação e a violência, no sentido do que legislaram já a Espanha ou a Inglaterra.

Os/as transsexuais continuam sujeitos/as a um processo médico abusivo e mesmo, os transsexuais masculinos, à esterilização forçada, para poderem alterar os seus nomes no BI . Continuam impedidos/as de ver alterado o seu género noutros documentos de identificação, com prejuízo evidente das suas oportunidades de acesso ao emprego .

Nada se fez para limitar o impacto da exclusão social da maioria da população transsexual. A primeira violência de que esta é vítima, é institucional e legal.

Numa altura em que a política institucional volta a adiar o reconhecimento do direito ao casamento civil para os casais do mesmo sexo, lembremos que em Portugal ainda estamos na fase de debater medidas que poderiam significar a diferença entre a vida e a morte.

Quando alguma agenda política e mediática tende a resumir ao tema do "casamento" as reivindicações do movimento Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero (LGBT), o caso de Gisberta Salce Júnior aí está para nos lembrar e não deixar esquecer que em Portugal a homofobia e a transfobia continuam regra, que a verdadeira fractura social está na discriminação, e não no reconhecimento de direitos à população LGBT.

Sobretudo, que no combate a estas discriminações, temas como o do casamento civil são "parte" mas não "o todo", porque está quase tudo por fazer naquilo que pode em concreto melhorar as vidas sujeitas a estas discriminações e violências.

Certo é que a transfobia, a homofobia, e a violência discriminatória começam e acabam por ser institucionais, e pouco se alterará nas mentalidades enquanto assim for, e enquanto os políticos continuarem a escudar-se na necessidade de "um grande debate nacional" para não fazerem o que está certo: prevenir (a violência e a discriminação), educar e legislar. O que não dizem os políticos que assim falam, é que eles próprios não estão abertos a esse debate:

A legislar contra a discriminação pela orientação sexual ou pela identidade de género, ainda mais desprotegida.

A assumir responsabilidade por políticas activas de Educação para a prevenção destas discriminações, à semelhança de outras.

A assumir a extinção de normas discriminatórias, como a que continua a excluir homossexuais na doação de sangue.

A alterar a legislação discriminatória e contrária ao princípio constitucional de não discriminação em função da orientação sexual , reconhecendo as novas expressões familiares e as famílias não-heterossexuais e os seus direitos: reconhecer os milhares de famílias de homossexuais com filhos e, em consquência, o acesso à adopção, alargar, sim, o acesso ao casamento civil, regulamentar o acesso à inseminação artificial para lá dos casos de esterilidade, regulamentar e fazer aplicar a Lei das Uniões de Facto.

O Estado continua a ser o primeiro violador da igualdade. Não só não a combate como promove a discriminação através da sua inacção e das suas leis.

"Tema fracturante", realmente, só vemos um: a discriminação que nos expõe à desigualdade e à violência, sobre a qual ninguém em Portugal assume responsabilidades. Mas essa indiferença tem custos humanos e sociais, de que Gisberta é um lembrete incómodo. E prova trágica de que quem não assume as suas responsabilidades, é já responsável.

MOVIMENTO PANTERAS ROSA - FRENTE DE COMBATE À LESBIGAYTRANSFOBIA
www.panterasrosa.com
www.panterasrosa.blogspot.com

Exposto isto, concordo com o Rui, que mais importante que recordar a morte da Gisberta é «celebrar» a sua vida e a liberdade que ele(a) teve para a pode escolher.

Não me parece boa ideia!

A petição para a criação de um memorial para Gisberta, morta à um ano, não me parece boa ideia. A morte de Gisberta, embora trágica, insere-se num conjunto de violência que deriva da não aceitação da diferença. O combate que deve ser feito é o combate à ignorância, à estupidez, à intolerância. Gisberta tornou-se conhecida não pela sua morte, mas pelas razões da sua morte! Façam um memorial à liberdade, na sua plenitude. É capaz de ser melhor!

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