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domingo, dezembro 05, 2010

Se Lisboa fosse uma gravata eu hoje usava-a ao peito *

Francisco Sá Carneiro
De tempos a tempos esta notícia reaparece. Dando-lhe sempre grande destaque, como se fosse algo novo. A forma do PSD homenagear a morte do seu Grande Líder é sempre a mesma: falar do seu assassinato.

Pouco importa se o seu assasinato foi um acidente. Não um acidente no verdadeiro sentido da palavra (um problema no CESNA) mas um acidente pois Sá Carneiro nunca foi o verdadeiro alvo daquela bomba (parece-me "pacífico" que houve uma bomba). Ele só estava no lugar errado à hora errado. Um erro promovido pelo desespero de perder a eleição presidencial com Soares Carneiro, para Ramalho Eanes.
Este atentato, perpetrado contra Adelino Amaro da Costa, foi o suficiente para fazer de Sá Carneiro um mito. Um mito que poderia e deveria de ser construído à volta de Amaro da Costa, o real alvo. Mas as conjunturas que atravessaram o CDS fez com que este pequeno partido tenha uma memória muito fraca em relação ao periodo A.P. (antes de Portas) e, como tal, a criação de um mito, ainda que atrasado em relação a Sá Carneiro, seria impensável. Há memórias que ficam melhores enterradas nos escombros.
Adelino Amaro da Costa

Assim, foi bastante fácil ao PSD ocupar esse espaço, com a força de um Primeiro-Ministro morto. Um PSD que nada tem a ver, desde 1985, com o PSD de Sá Carneiro. Desde Cavaco Silva que o PSD nada tem a ver com o PSD que Sá Carneiro estava a criar e a imaginar para o futuro. Será precisamente essa a razão de toda a mitologia Sá Carneirista passar exclusivamente pelo atentado (pouco importando se o real significado esteja enterrado nos mesmos escombros da memória de Amaro da Costa) e nunca pelo seu pensamento político.

Como esta mitologia está a esgotar o espaço mediático e como as lamúrias para reaberturas de comissões parlamentares já só têm direito a 15 minutos de fama, os institutos Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, em conjunto, decidiram atacar um novo nicho de mercado: o chamado mercado "What If". What if they were still alive? Um mercado especulativo mas que permite que se continue a discutir a figura permitindo assim aos actuais e futuros dirigentes escupir à sua bela vontade o que teria sido o pensamento político de Sá Carneiro. Assim não há como falhar. Todos serão os naturais herdadeiros do seu desaparecido Líder. O único realmente esquecido, não em figura mas sim no seu pensamento, será o próprio.

Homenagemos então a figura, que o pensamento está a ser novamente assassinado.

* este título é uma frase que um professor de História (Prof. Júlio) tinha por hábito dizer quando nós, numa qualquer aula, lhe perguntávamos "s'tôr! E se...?"

segunda-feira, abril 12, 2010

Sobre o Congresso do PSD

Não havia mulheres para as listas?

A reportagem que, desta vez, não foi feita

O 31 da Armada é, como sabem, um blogue habituado a Congressos. Não falha um, o que quer dizer que com a prática adquirida nos congressos do PSD, os dos outros partidos são extremamente fáceis de fazer.

Nestas alturas, o 31 da Armada é óptimo para ver "o outro lado do congresso", até pela maneira inteligentemente cómica de fazerem a sua reportagem.

Fiquei curioso de saber quais os meios de transporte, e respectivas marcas, dos congressistas do PSD, à imagem do que tinham feito no último congresso do PS.

Não encontrei... que estranho! Da última vez até fizeram um filme... Certamente terá sido por estarem muito ocupados com o acompanhamento do Congresso!
Felizmente, havia alguém que estava por perto e que fez essa reportagem: A Nossa Terrinha.

P.S. - Eu sei que o 31 não é, nem tem de ser, isento. Pois... nem eu!

terça-feira, abril 07, 2009

A pluralidade faz confusão... na casa dos outros.

Se olharmos para alguns textos publicados na blogosfera lusa, parece que o PS não sabe bem o que fazer em relação à Presidência da Comissão Europeia, naquele que será o rescaldo das Eleições Europeias de 2009. Interessante ver isso, já que nas confusões de propostas para cabeça de lista do PSD, às questões entre actual líder e ex-líder do mesmo partido, ou da diferença de opinião em relação ao Provedor de Justiça revelada entre a actual líder e o candidato que ficou em segundo não se leu tamanha indignação.

É caso para dizer que a pluralidade faz confusão... se for na casa dos outros

terça-feira, fevereiro 10, 2009

(Mais um)A Noite das Facas Longas (?)

Costuma-se dizer que "em casa que não tem pão, todos ralham e ninguém tem razão!". O PSD insiste, desde o tempo de Cavaco, em dar tiros nos pés. Agora é Azevedo Soares que pede a demissão de Ferreira Leita. Exceptuando na breve passagem pelo poder da dupla de Durão/Santana, em que as confusões passaram para o país em vez de serem exclusivas do próprio partido, o PSD insiste em nos dar tristes espectáculos.

É caso para dizer: Pedro Passos Coelho, prepara-te que és o próximo!

quarta-feira, maio 21, 2008

Campanha eleitoral

Tenho seguido, à distância, a campanha interna do PPD/PSD. Tenho visto os sites, os blogues e mesmo algumas das entrevistas e...parece que falta alguma coisa... não sei...

Não vão haver debates entre os candidatos (pelo menos os 3 principais)? Não vai haver mais troca de ideias, apresentação de projectos? Desculpem-me os sociais-democratas, mas é inevitável a comparação da grande eleição partidária da História portuguesa - a de do Partido Socialista em 2005. Aí foram apresentadas ideias e projectos bem distintos, defendidos por gentes da categoria de um Manuel Alegre ou de um João Soares (e apoiantes, entenda-se). Essa campanha interna gerou momentos de grande qualidade política colocando-a, por vezes (e com a devida distância), ao nível do que de melhor se faz nos EUA.

Esta campanha interna do PSD anda chocha, morna. Nem na blogosfera parece animar. Talvez lhe falte um Alberto João para apimentar a coisa, não sei…

O que se destaca são os ataques, as quotas, os apoios, o cacique. Ainda ontem, Pedro Santana Lopes dedicou 90% da sua entrevista à Ana Lourenço em ataques aos seus adversários. Ontem ainda, mas na TVI, era Luis Filipe Menezes a atacar Manuela Ferreira Leite; e tem sido constante a demarcação de Passos Coelho do PSD dos seus adversários…

Bem sei que as águas sociais-democratas andam, há muito, agitadas; de que estas três candidaturas representam tantas facções internas e o facto de todas serem competitivas aguça-lhes a raça do combate pelo poder (o que lhes trás combatividade, mas que necessariamente retira discernimento). Talvez seja essa uma das explicações do sucesso da campanha socialista: é que bem cedo se percebeu que seria Sócrates o vencedor, o que deslocou para o plano das ideias o discurso e a campanha. Como no caso laranja a competição ferve, até é natural que se queira ganhar, primeiro, e explicar o que se quer fazer depois.

Não sei, parece-me.

Esta questão levanta-se ainda outra reflexão (a responder no futuro): o que faz um líder do PPD/PSD eleito com menos de 50%? Que importância terão nessa situação os delegados ao Congresso? E como será o futuro Conselho Nacional?

Tema, certamente, a regressar.

segunda-feira, maio 19, 2008

Jardim sai de cena


Outro excelente texto do Ricardo Fresco no PS Belém:


No cartoon do Semanário Económico desta semana, o enfoque principal prende-se com a não-candidatura de Alberto João Jardim à liderança do PSD. Provavelmente o pior bluff político dos últimos tempos, após sujeitar o seu avanço a uma vitória indiscutível, pois não acredito que o Sr. acreditasse que alguém iria recuar para o apoiar. Antes quero crer que esta incerteza só veio contribuir para a "balcanização" que o PSD atravessa actualmente, para a qual ele próprio ajudou, ao afirmar que "os candidatos se estavam a suicidar", ainda no início do processo eleitoral. Não saiu de cena sem deixar o seu apoio a P. Santana Lopes, o que também não surpreende ninguém. São duas faces da mesma moeda.

Mas o cartoon não deixa de ser uma imagem forte, insinuando a ida dos candidatos mais fortes pelo cano abaixo. Não sei se foi propositado ou não, mas o que está mais à tona, P. Passos Coelho, ainda tem sido o que conseguiu trazer algo de diferente. Não entrando no jogo dos ataques pessoais, optou por um discurso mais ideológico, situando-se numa posição mais liberal, fugindo do centro e ocupando um espaço político vazio. Independentemente do resultado que alcançar, consegue afastar-se da imagem de total descrédito de PSL e da desilusão que M. Ferreira Leite tem transmitido, pela erosão e total falta de ideias.
Ricardo Fresco

quarta-feira, maio 07, 2008

Nós podemos. O inicio

Não tinha visto, mas o Buraka está ligado à crise do PSD.
Aqui o inicio.
(está demais o sketch. Concorrência?)


sexta-feira, maio 02, 2008

Contratação

Parece que no blogue de apoio ao Pedro Passos Coelho escreve o Paulo Gorjão.
Sabia-o descontente com este Governo, mas pensava-o de esquerda. Terá assim este PS lhe ter feito tanto mal para que sentisse necessidade de saltar de barco? Ou será que sentiu que naquela Freguesia poderia ter algum espaço para participar activamente num projecto político (que neste PS nunca terá)?
E, by the way, votará o Paulo no Pedro? Isto é, ter-se-á tornado militante laranja?
Ainda não me pronunciei sobre as eleições no PPD / PSD, mas gosto que hajam candidatos que agitem e que prometam renovação. Isto o Pedro Passos Coelho parece prometer.
[Tema a regressar]

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