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terça-feira, dezembro 07, 2010

Para bom entendedor

“Com suma benevolência, Diogo Freitas do Amaral contou um dia que Sá Carneiro fora obrigado a advertir um secretário de Estado de que o Conselho de Ministros não era o lugar próprio para um cidadão se proclamar apolítico."

Vasco Pulido Valente, Público de 11 de Março de 1990

Há muita falta de memória na política

Dá que pensar a estranha unanimidade em torno de Sá Carneiro, que até chega a Carvalho da Silva. Ora, quem foi que escolheu Soares Carneiro para candidato presidencial? De entre umas duas ou três dúzias de generais, Sá Carneiro escolheu precisamente aquele que havia sido secretário-geral do Governo de Angola até ao 25 de Abril, ao qual incumbia enviar os presos políticos para campos de concentração. Lindo cartão de visita.

Esta escolha tinha um objectivo preciso. De acordo com o que Vasco Pulido Valente escreveu ontem no Público, Sá Carneiro preparava-se para fazer um golpe constitucional se Soares Carneiro vencesse as eleições presidenciais: “O plano (se merece o nome) era eleger Presidente da República um general conservador e provocar, com o apoio dele, um referendo sobre a Constituição.” Como dizia o outro, há muita falta de memória na política.

domingo, dezembro 05, 2010

Se Lisboa fosse uma gravata eu hoje usava-a ao peito *

Francisco Sá Carneiro
De tempos a tempos esta notícia reaparece. Dando-lhe sempre grande destaque, como se fosse algo novo. A forma do PSD homenagear a morte do seu Grande Líder é sempre a mesma: falar do seu assassinato.

Pouco importa se o seu assasinato foi um acidente. Não um acidente no verdadeiro sentido da palavra (um problema no CESNA) mas um acidente pois Sá Carneiro nunca foi o verdadeiro alvo daquela bomba (parece-me "pacífico" que houve uma bomba). Ele só estava no lugar errado à hora errado. Um erro promovido pelo desespero de perder a eleição presidencial com Soares Carneiro, para Ramalho Eanes.
Este atentato, perpetrado contra Adelino Amaro da Costa, foi o suficiente para fazer de Sá Carneiro um mito. Um mito que poderia e deveria de ser construído à volta de Amaro da Costa, o real alvo. Mas as conjunturas que atravessaram o CDS fez com que este pequeno partido tenha uma memória muito fraca em relação ao periodo A.P. (antes de Portas) e, como tal, a criação de um mito, ainda que atrasado em relação a Sá Carneiro, seria impensável. Há memórias que ficam melhores enterradas nos escombros.
Adelino Amaro da Costa

Assim, foi bastante fácil ao PSD ocupar esse espaço, com a força de um Primeiro-Ministro morto. Um PSD que nada tem a ver, desde 1985, com o PSD de Sá Carneiro. Desde Cavaco Silva que o PSD nada tem a ver com o PSD que Sá Carneiro estava a criar e a imaginar para o futuro. Será precisamente essa a razão de toda a mitologia Sá Carneirista passar exclusivamente pelo atentado (pouco importando se o real significado esteja enterrado nos mesmos escombros da memória de Amaro da Costa) e nunca pelo seu pensamento político.

Como esta mitologia está a esgotar o espaço mediático e como as lamúrias para reaberturas de comissões parlamentares já só têm direito a 15 minutos de fama, os institutos Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, em conjunto, decidiram atacar um novo nicho de mercado: o chamado mercado "What If". What if they were still alive? Um mercado especulativo mas que permite que se continue a discutir a figura permitindo assim aos actuais e futuros dirigentes escupir à sua bela vontade o que teria sido o pensamento político de Sá Carneiro. Assim não há como falhar. Todos serão os naturais herdadeiros do seu desaparecido Líder. O único realmente esquecido, não em figura mas sim no seu pensamento, será o próprio.

Homenagemos então a figura, que o pensamento está a ser novamente assassinado.

* este título é uma frase que um professor de História (Prof. Júlio) tinha por hábito dizer quando nós, numa qualquer aula, lhe perguntávamos "s'tôr! E se...?"

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Portugal é um país muito pequeno

Estando a ver o Expresso da Meia-Noite na Sic Notícias, sobre o aniversário da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, soube duas coisas que ignorava por completo:

Maria Rosário Carneiro, sim a actual deputada independente eleita nas listas do PS, era irmã de Adelino Amaro da Costa.

António Capucho, actual presidente da Câmara de Cascais, foi primo de António Patrícío Gouveia, chefe de gabinete de Sá Carneiro e também vitimado em Camarate, que era irmão de Teresa Patrício Gouveia. ex-ministra de Cavaco Silva.

Realmente Portugal é um país muito pequeno, e a sua elite política ainda mais.

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