domingo, outubro 14, 2007

(mais) algumas ideias sobre o XXX Congresso do PSD



1. Num momento político onde se aprecia o cada vez maior número de mulheres na vida política activa, quer em cargos de governo, de chefia ou dentro dos partidos, o exemplo apresentado hoje pelo PSD é absolutamente inaceitável. É denunciador de uma forma de estar e de fazer política na qual não só não nos revemos (o que é natural) como indicia um retorno a um passado que julgávamos ultrapassado: o da política machista, pato-bravista e misógina.

Confirmem. Nos eleitos ao Conselho Nacional, em 55 possíveis, 2 mulheres. 3.6%. Nem no Estado Novo se via tão fraca participação feminina. E os lugares da eleição? A Ofélia Moleiro entrou em 29º lugar e a Cláudia Ferreira em 34º.

2. Depois, não vi nem li o discurso do Luis Filipe Meneses no encerramento do Congresso, mas pelo que o meu querido amigo Carlos Castro aqui, aqui e aqui descreve, Meneses apresentou a verdadeira quadratura do círculo, quem sabe numa tentativa de marcação ao seu arqui-rival Pacheco Pereira.

Sou, no entanto, da opinião de que o que se está a passar no PSD não é uma boa notícia para o PS. Isto porque o Partido pode se sentir tentado a acompanhar o populismo de direita que emerge ou pode ser encurralado numa espécie de redoma elitista que menospreza o «povo» (que será, sem dúvida, uma das jogadas tácticas do PSD).

Para mim, o que o PS tem de fazer é ser profissional. Renovar o partido, com tranquilidade, retocar os seus mecanismos de comunicação, e continuar a governar o país como tem feito até hoje: com uma ideia, com um projecto, com um futuro.

3. Regressando ao PSD, será interessante verificar como será gerido um partido de autarcas, de Presidentes de Câmara, de Vereadores, Presidentes de Junta, Deputados Municipais ou membros de Assembleias de Freguesia. Num primeiro momento ver como ficarão essas autarquias, agora que os seus líderes acumulam lugares de destaque no Partido; depois verificar que tipos de propostas apresentarão, para discussão pública (pelo que o Carlos reporta, será tudo de tudo para todos. Populismo à décima casa).

A tomar a atenção à paridade como indicador, diria que no PSD os níveis de testosterona andam bem elevados, antevendo um clima político já não habitual. Uma política basista, é certo, populista, com certeza, mas também demagoga, maquiavélica e reactiva, não se coibindo de prometer mundos e fundos para obter alguns resultados práticos directos. Vão, é certo, jogar para as sondagens, para o soundbite, para a política fácil. Esquecem os projectos, as ideias ou a visão estratégica.

4. Termino: convém avisar, como o fez indirectamente Manuela Ferreira Leite, de que o país não é uma Câmara Municipal; onde se pode gastar até rebentar com os tectos de endividamento e que depois alguém paga (ou não) a factura.

1 comentário:

Rui Pedro Nascimento disse...

Segundo o Carlos Magno, e é uma opinião com a qual concordo em parte, o discurso de encerramento de Luís Filipe Menezes foi um discurso para a acta. Falou de tudo e de "todos". Para daqui a uns tempos poder dizer "eu, já no congresso, abordei esse tema!".

Não foi, definitivamente, um discurso para as TV's.

Mas foi um discurso fraquinho, fraquinho... Quase desprovido de ideias.

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