segunda-feira, agosto 17, 2009

O Facebook é o Diabo?

Textinho publicado a 14 de Julho no Facebook. Republico hoje no Loja de Ideias. Porque li o artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso de 15 de Agosto sobre o Facebook. Penso que o MST tem razão nalgumas afirmações que faz mas considero o texto demasiado normativo, pouco reflexivo e pouco aberto. Lembrou-me um meu Professor de Físico-Químicas do Liceu Francês que, umas décadas atrás, diabolizava a panela de pressão. O acto de diabolizar remete o objecto diabolizado para um trono inacessível onde fica intocável e imutável, qual deus diabólico, a causar fascínio e adoração.

O simples facto de fazer um quizz em público configura uma relativa descontração perante os factos da vida e prefigura novos modos de estar, novos comportamentos, novas formas de sociabilidades e de socialidades. Fiz alguns quizz um pouco mais ousados por os ter descoberto nas páginas de vário/a/s amigo/a/s. Se num 1º minuto fiquei boquiaberta com a audácia alheia, no imediato 2º minuto tomei essa audácia nas minhas mãos, com muito prazer, e fui fazendo e comentando "n" quizz.

Mais engraçado e mais relevante do que os resultados (tolos, seja qual for o quizz...) de qualquer quizz é o facto de os fazermos em público ...

O Facebook é um palco. A audiência somos nós todos. Um certo grau de exibicionismo é uma característica da nossa sociedade, hoje, aqui, na era pós-televisão. Permitimo-nos/queremos subir ao palco porque temos uma socialização de 50 anos de televisão, onde já vimos muitos anónimos terem os seus 15 mn de fama.

O Facebook é, também e por isso, uma óptima via para a criação de um gigantesco hiper-texto colectivo onde reflectimos, propomos, mobilizamos. Tornamo-nos todos prosumidores. Os poderes instituídos parecem não amar o democrático Facebook: estão atentos e em sobressalto.

O futuro guarda surpresas.

5 comentários:

@ღღ@ disse...

bravo vera ;))))

Pedro Miguel Cardoso disse...

Agora fiquei curioso... Quais são as surpresas, Vera? O que é que sabes que nós não sabemos?

Vera T. Santana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vera T. Santana disse...

Pedro,

É surpresa (ninguém sabe; dependerá não só das técnicas mas também dos modos de apropriação, dos modos de uso, das transformações a operar nas relações entre as pessoas, das possíveis resistências e movimentos sociais, etc.). Há uma luta a travar já iniciada pelo partido pirata sueco - representado do PE - para que as operadoras não se apoderem de "pacotes" a vender aos navegadores, até agora livres).
Viva a navegação livre!

Francisco Castelo Branco disse...

O Facebook é um palco sim.

Onde podemos criar amizades e aproveitar para arranjar contactos

Em vez de estarmos na seca do trabalho ou em casa sozinhos ou a ver tv, sempre podemos comunicar com os nossos mais chegados onde quer que estes estejam.

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