segunda-feira, julho 30, 2007

Ingmar Bergman


Morreu Ingmar Bergman. Tinha 89 anos.

Estado Laico?

Deu na passada madrugada de Domingo, na RTP2 o documentário Friends of God, produzido pela HBO. Este documentário incide sobre a Igreja Evangélica nos Estados Unidos da América, um poderoso grupo religioso de pressão que visa a institucionalização dos EUA como um estado temente a Deus. Produzido, realizado, e narrado por Alexandra Pelosi (filha de Nancy Pelosi, Speaker do Congresso Norte-Americano). É um documentário que demonstra claramente o lobby efectuado por esta Igreja em assuntos que vão desde o(s esperados) Aborto e Casamento Homossexual até há tentativa de mudança da matéria leccionada no programa escolar sobre a Evolução humana, tentado substituir a teria da evolução pelo Creacionismo. Mas o que mais choca neste lobby é ver que este grupo actua desde a mais tenra idade, dando verdadeiros cursos – ou, mais precisamente, verdadeiras lavagens cerebrais – onde “ensinam”, por exemplo, que a evolução do Homem como a ciência explica está errada – porque a Bíblia diz que Deus criou o Mundo em 6 dias – e que, por exemplo, o Homem e os dinossauros habitaram a Terra ao mesmo tempo - porque, pasme-se, a Bíblia não diz o contrário.

A tentativa que os líderes desta Igreja estão a fazer para a implementação de um Estado fundamentalista cristão é séria e atinge desde as mais tenras idades as próximas gerações. Para tal, usam todos os meios disponíveis: concertos, parques de diversões, desportos radicais, espectáculos de comédia, feiras, wrestling, "aulas" e depois os mais tradicionais – missas, grandes reuniões de fieis.
Fazem campanha porta a porta, apregoando e pedindo o voto nos candidatos que defendem os “valores morais de uma sociedade justa” e, embora nunca dizendo nestas acções qual o candidato/partido que apoiam, já o publicitaram anteriormente (Partido Republicano, obviamente)

Será que não há ninguém (nenhum grupo) nos EUA que consiga fazer uma campanha séria contrária, explicando que os que esta igreja quer é exactamente o mesmo, embora noutro credo, que aquilo que existe no médio oriente e que o actual governo americano tanto apelida de inimigos da Liberdade e Democracia, e berço do terrorismo internacional?

P.S. - Estima-se que esta igreja tenha qualquer coisa como entre 50 a 80 milhões de membros nos EUA, e embora hajam estudos que indicam que não há grupos deste tamanho que votem em massa nos prentendidos pelos seus líderes - pelo menos por essa mesma razão - o certo é que, como eloquentemente é dito no documentário, Al Gore já aprendeu, John Kerry já aprendeu e Hillary Clinton vai aprender!" a não ir contra os valores que eles defendem.

sexta-feira, julho 27, 2007

Internet Helpdesk

Delirante... só me lembrei das horas de telefone com a Netcabo...

Lisboa inclusiva? Ou Pequim 2008?

Helpdesk

Dar sentido ao PS

Dar sentido ao PS
É quando o adversário está derrotado que se prepara a próxima batalha. O actual estado de desordem do PSD não deve fazer o PS baixar a guarda. Pelo contrário: é necessário que o PS retome agora a iniciativa, para garantir que não virá a perdê-la para o PSD antes do próximo ciclo político (2009-13).
Todos perceberam já os pontos fortes do actual PS, mas também os seus pontos fracos. O PS de Sócrates teve a sorte de ver o poder cair-lhe nas mãos graças à inépcia das lideranças do PSD e à consciência pesada do dr. Sampaio. Mas teve o mérito indiscutível de saber agarrar a oportunidade e de constituir um governo cujo nível de competência é bem superior ao daqueles que o precederam. No poder, o PS de Sócrates restaurou a credibilidade das instituições e encetou um processo reformista consequente, apesar – ou sob a pressão – de um contexto de crise orçamental e económica.
Com Sócrates, o PS e o seu governo evitaram todos os erros de Guterres, mas parecem estar a cair num erro que Guterres não cometeu. Ao governo de Sócrates sobra em pragmatismo aquilo que a Guterres faltava em capacidade de decisão e realização. Mas Guterres tinha, desde os Estados Gerais, uma visão e um discurso legitimador. Foi isso que o levou a ganhar eleições. E é isso que falta, crescentemente, ao actual governo e ao partido que o sustenta.
No combate político, a primeira batalha a travar é sempre a das ideias e das consciências. Quem ganha esta batalha tem a porta aberta para a vitória nas urnas. Neste aspecto, a direita que agora parece politicamente tão anémica tem marcado pontos. Às muitas iniciativas e movimentos da direita (como o Compromisso Portugal, mas não só), à sua progressiva conquista do espaço de opinião nos ‘media’, tem correspondido o quase absoluto silêncio da área do PS. Aqui não se encontram movimentos de cidadãos, nem ‘think tanks’, nem publicações de relevo.
A habilidade do actual PS tem consistido em antecipar ou reciclar as ideias da direita sempre que elas parecem suficientemente boas, dúcteis e factíveis . Mas isso não pode durar para sempre, nem funciona em todos os casos. O PS tem de formar uma visão e um discurso coerente para dar sentido à sua acção presente a ao programa para 2009-13. Este esforço, que implica reflexão interna e abertura à sociedade civil, tem de ser feito desde já, ou poderá chegar demasiado tarde.
Qualquer socialista minimamente atento ao que o rodeia compreenderá que a base ideológica do PS hoje não pode ser a social-democracia clássica, com a sua desconfiança em relação ao mercado livre e a ligação privilegiada ao movimento sindical. Mas essa base também não poderá ser a Terceira Via, demasiado agarrada à herança de Tatcher, insuportavelmente paternalista e incapaz de gerar uma sociedade equilibrada. O tipo de base ideológica que melhor parece corresponder às preocupações e às boas práticas do governo do PS é o “liberalismo social”. Mas, uma vez que o substantivo “liberalismo” é oficiosamente proibido em Portugal, pode-se-lhe chamar “socialismo liberal” (ainda que a palavra “socialismo” seja aqui puramente retórica).
Este socialismo liberal tem de afirmar a absoluta prioridade das liberdades básicas enquanto forma de respeito por cada cidadão e pela sua capacidade de saber o que é melhor para si mesmo. Tem de valorizar o mercado não apenas pela sua eficiência, mas porque ele é melhor para a liberdade individual. Tem de pôr em evidência a igualdade de oportunidades e o papel que o acesso ao ensino, à formação profissional e os cuidados de saúde universais desempenham nesse quadro. Tem de trabalhar para a redução das desigualdades colocando maior ênfase no sistema fiscal do que no sistema de segurança social, já excessivamente sobrecarregado. E tem de compreender que a sociedade civil pode fazer quase todas estas coisas melhor do que o Estado e com menos dinheiro dos contribuintes (por ex., para quê agora mais creches públicas em vez de subsidiar as creches dos sectores privado e social?).
Clarificar a sua base ideológica e ser capaz de ligar aquilo que faz – e que por vezes parece meramente casuístico ou oportunista – a uma visão para Portugal é o grande desafio do PS.
João Cardoso Rosas, Professor de Teoria Política

quinta-feira, julho 26, 2007

Obrigado, Simão!


Lisboa Cool e Informada


Happening Arte na Rua Pintura na Fachada do IADE
Em tempo de férias chega de ficar em casa a ser influenciado por ideias feitas e por músicas desaconselháveis ao teu precário bem disposto estado de espírito. Partindo do pressuposto que em cada alma vive um artista em potência, o IADE cobriu a sua fachada de telas em toda a sua largura (cerca de 65 metros por 3 metros de altura). E pede-te que a pintes, transformes, reveles o teu lado de artista plástico. E ainda por cima há prémios para todos os participantes. Justifica-se a frase: viva a pintura democrática! /Catarina Medina
ONDE
IADE
QUANDO
26 Jul a partir das 12h
QUANTO
Inscrições no IADE, limitadas ao espaço disponível

Ciclo Juntacin: Voando sobre um ninho de cucos
Num verdadeiro ninho de párias, McMurphy é o mais pária de todos. Selvagem e livre, prefere morrer do que ser comido pelo monstro institucional, que começa logo pelas asas. De 1975 e com Jack Nicholson num heróico papel de anti-herói, foi gravado quase todo em sequência (à excepção de uma única cena) num hospital psiquiátrico de Oregon. Dentro do ciclo Juntacin, junta cinco filmes relacionados com o tema “ Pobreza e exclusão social”. Começamos pelo primeiro: Saúde Mental: Um Fenómeno Atemporal. Com Jack no baixo, Louise na bateria e Milos com a batuta. /Vera Morgado
ONDE
Junta de Freguesia de Santa Catarina Largo Dr. António de Sousa Macedo, nº 7 Bairro AltoTel. 213 929 800/04/05
QUANDO
27 Jun às 14h30
QUANTO
Entrada Livre

Dança Ópera
É ópera sem ser ópera. Esse foi apenas o ponto de partida. É um espectáculo que reúne um coreógrafo, Tiago Guedes, e uma actriz, Maria Duarte. É dança. É texto. É coreografia que se escuta. É ópera que se vê dançada. Adaptada de “Dido e Eneias” de Henry Purcell, esta será também a música que se fará ouvir. É partitura musical e libreto. É movimento. É corpo. É voz. É som. É teatro, música e dança. É ópera sem ser ópera e sem ser nos grandes salões ornamentados onde se vê ópera. É no Negócio que estreia o resultado de uma residência que parte depois para outros destinos: Bélgica e França. /Sónia Castro
ONDE
Negócio Rua de O Século, n.º 9, porta 5Tel.21 343 02 05
QUANDO
27 Julho a 5 Agosto às 21h30
QUANTO
10€
Concerto Corações de Atum
Cara Nação: encontramo-nos em plena época balnear. A situação não é alarmante, é antes escaldante! Recomenda-se o uso de roupagens reduzidas e a frequência de locais ditos cool, ou seja, praias sem vigilância para que se possa levar o cão, toda e qualquer esplanada que tenha cerveja ou outra bebida gelada, o pinhal, a Costa Vicentina e o Maxime! A alimentação deve ser rica em líquidos e cores, não devendo faltar no farnel a bela da lata de atum. Este peixe de águas frias, quando dono de um coração, tem propriedades afrodisíacas capazes de dar vida à mais velha das carcaças, lustro ao apagado e calor à frigidez. Em concerto, melhor. Sigam todas estas recomendações e vão à pesca na Praça da Alegria!/Célia F.
ONDE
Cabaret Maxime Pç. Alegria, 58Tel.21 3467090
QUANDO
28 de Julho abertura de portas às 22h
QUANTO
10€

Feira Ladra Alternativa
Reciclar está na moda, na decoração, na pintura, na fotografia e na 8ª edição da ladralternativa. Jovens criadores e novos artesãos fazem do trabalho criação e apresentam a sua originalidade entre peças únicas e ideias em prática. Sem limites imaginários, o melhor da tradição volta ao coração de Lisboa seguindo os passos da cultura popular até Alfama. No bom caminho, e por uma excelente causa, “Aprender África” está presente nesta edição para recolher e entregar muitos livros aos meninos moçambicanos que aprendem a crescer com os olhos cheios de alegria. Boas ideias não faltam nem falham. Entre linhas e circuitos alternativos, sigam o coração. Está tudo lá! /Fitijane
ONDE
Centro Cultural Dr. Magalhães Lima Largo do Salvador AlfamaTel.966 305 676
QUANDO
28 e 29 lulho Sáb:10h-21h Dom:10h-19h
QUANTO
Entrada livre Não há multibancos

Concerto Galaxy 5 Orchestra
Era uma vez uma galáxia que se chamava NGC5128. Ficava situada a 795km/s da Via Láctea. Todos os seres do Universo a conheciam pelo seu brilho. Era a quinta galáxia mais brilhante do céu. Ofuscava qualquer tentativa de visionar o que por lá se passava, permanecendo assim no maior dos mistérios. Nunca ninguém soube nada sobre ela. Até que um dia (há sempre um dia!), nos céus da superfície terrestre apareceu uma nave envolta em luz. Os ocupantes eram quatro extraterrestres musicais surpreendentemente bonitos. Saíram do interior e apresentaram-se à entusiasta população. Eram Benjamin Brodbeck, Filipe Raposo, Johannes Krieger e Francesco Valente. Toda a gente ficou surpreendida com a sua aparente normalidade. Serão eles afinal deste planeta?! Para desvendar o mistério dirijam-se ao planeta Bacalhau. /Célia F.
ONDE
Verão do Bacalhau Campo das Cebolas no meio das palmeiras frente à casa dos Bicos
QUANDO
29 de Julho às 20h30
QUANTO
Entrada livre


Aluguer Scooter Mania
Fazia falta um serviço destes em Lisboa. Agora já podes andar para baixo e para cima nestas colinas a acelerar uma scooter. E também podes dizer aos teus amigos e conhecidos estrangeiros que há uma loja onde se pode alugar uma motorizada. Mesmo a calhar para este Verão. Os preços são acessíveis e a morada não podia estar mais bem localizada, bem no centro da cidade. Se estiveres com um grupo, o preço ainda baixa mais. E sais da loja com ideias para fazer percursos de scooter. /Blindim

ONDE
Scooter Mania Rua do Cruxifixo, 17, BaixaTel. 213467144
QUANDO
Das 09h às 20h
QUANTO
Preços muito acessíveis

Hamburgueres H3 (Not So Fast Food)
Esta é uma experiência transcendental provocada por um hambúrguer. Às vezes os alimentos têm disto, tiram-nos do sério, ficamos com aquela cara de parvos, olhos fechados e a boca a absorver o sabor. Qualquer versão de um hambúrguer gourmet do H3 (todos de 200gr) vai saber bem: com molho Café 3 (nome do restaurante onde tudo começou), com molho de cogumelos, à portuguesa (com ovo a cavalo), Benedict (com espinafres, molho holandês e ovo escalfado), com foie gras e cebola confitada em Vinho do Porto ou simples. O acompanhamento pode ser de arroz thai, batata frita ou esparregado, que por sinal é uma delícia. A sobremesa pode ser fruta da época portuguesa, um semi-frio ou um Coulant de chocolate H3 (também transcendental). Claro que tudo isto é para comer de forma not-so-fast, até porque o espaço a isso convida. E reparem nos preços... / Blindim
ONDE
Dolce Vita Monumental Praça do SaldanhaTel.21 352 72 10
QUANDO
Todos os dias, das 09h às 23h
QUANTO
Menus a partir de 5.90€!

Divulgação / Convite


Inauguração este Sábado, dia 28, às 18h, da livraria Book'n'Shop, projecto em parceria com a Thisco, Chili com carne e a galeria Work'n'Shop situada na Rua das Pedras Negras 17 ; 1100-401 Lisboa.
O projecto Book'n'Shop surge de urgência pois vivemos tempos em que as livrarias estão mais preocupadas com livros Pop ou de Elfos - aliás, as livrarias de "livros normais" nos dias que correm conseguem ser ainda mais folclóricas que as lojas especializadas em bd sobre as quais se ridicularizava por serem lojas de "nerds", vulgo, consumidores de super-heróis e estatuetas de super-gajas com super-mamas e super-armas.
Dada decadência e falta de incentivo quer das livrarias normais quer das lojas especializadas, há muito que a CCC desejava partilhar um espaço onde as suas publicações e as dos seus associados pudessem ter o destaque merecido.
Aliados à editora de música electrónica Thisco e à galeria de arte Work'n'Shop, onde aliás se situa a Book'n'Shop, é com gosto que convidamos à inauguração da livraria onde poderá encontrar a cultura obscura e vanguardista que necessita e que não encontra noutros sítios.
Para que fosse ainda uma capital europeia, Lisboa precisa de um sítio onde se encontre temas como Art Brut, bd alternativa, Culture Jam, Street-art, Shamanismo High-Tech, Ocultura, Zines, livros de autor, e editoras de referência como Re/Search / V-Search / Juno, Le Dernier Cri, Media Vaca, Disinformation, Feral House, Canicola,... e a MMMNNNRRRG, Imprensa Canalha, El Pep, Opuntia Books,... e claro, a Chili Com Carne.

quarta-feira, julho 25, 2007

Fogo cruzado

António Costa é o principal vencedor das eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. Além dele, ninguém nem nenhum partido político saíram vitoriosos.

Por isso mesmo, interessa perceber o efeito das "candidaturas independentes" e dos "movimentos de cidadãos" sobre o eleitorado. Ora, e a meu ver, esse efeito assemelha-se a um fogo cruzado ao dispararem em todas as direcções, os independentes acabaram por ser também vítimas do seu próprio jogo. Mais, ao pretenderem ocupar um espaço que está "de fora" do sistema político, jogaram com as mesmas regras e acabaram por limitar a capacidade de manobra e de decisão do agora eleito presidente da Câmara.

Se essa era a sua verdadeira intenção, se pretendiam colocar-se na posição – sempre cómoda – de quem critica a acção política dos outros, então esse objectivo foi, em larga medida, conseguido. Além do mais, a percentagem de distribuição de votos à Direita e à Esquerda manteve-se sensivelmente a mesma: o que sucedeu nos resultados eleitorais de Lisboa foi uma repartição do eleitorado do PS e uma considerável divisão dos eleitores do PSD. Ou seja: as candidaturas independentes não alteraram a distribuição dos votos e das tendências naturais de orientação política dos eleitores.

Serviram, isso sim, para dividir os eleitorados de origem dos candidatos ditos "do sistema" e – com este tipo de comportamento – tornaram ainda mais difícil a governação da cidade de Lisboa nos próximos dois anos. Parece-me, portanto, pouco verosímil que se possam tentar muitas extrapolações dos resultados de Lisboa para o resto do país e que se possa tentar alguma futurologia relativamente ao que seria este tipo de eleição se se tratasse de legislativas. Agora um facto verdadeiramente surpreendente nesta campanha eleitoral foi a capacidade para – em tempo recorde – se montarem duas campanhas de "movimentos de cidadãos", recolhendo as respectivas assinaturas e organizando uma máquina de propaganda.

E se – por definição – os movimentos não têm um carácter permanente e acabam por desaparecer com o tempo, é inevitável que as estruturas distritais de Lisboa do PSD e do PS retirem as respectivas conclusões dos resultados alcançados. E que aproveitem, bem, esta oportunidade de mudança.

Paulo Pereira de Almeida in Jornal de Notícias, 25/07/2007

Em 2007 como se fosse 1982.

Ficou famoso o poema lido por Natália Correia a João Morgado após este último ter dito que a função sexual servia unicamente para a procriação. Estávamos em 1982, 8 anos após a revolução, num país culturalmente e intelectualmente extremamente atrasado.

Após este debate parlamentar (que conduziu à promulgação da então lei da I.V.G. que permitia à mulher abortar em caso de violação, perigo de vida e malformação do feto) muita coisa mudou neste país: Aderimos à (então) CEE, revolucionamos os meios de comunicação, abatemos as fronteiras com os outros países da UE, fizemos a Expo 98, aderimos ao Euro, batalhámos nas instâncias internacionais pela auto-determinação do povo de Timor-Leste, organizámos o Euro 2004, comandámos (e comandamos) os destinos da Europa com a Agenda de Lisboa, tornámo-nos um país receptor de imigrantes, temos a presidência da Comissão Europeia... enfim, tudo mudou no nosso país!

Tudo? Não!

Assim como existe, na criação de Albert Uderzo e René Goscinny, uma aldeia de irredutiveis gauleses, também existe um pedaço de terra (felizmente para nós, continentais, e infelizmente para alguns dos habitantes desse mesmo pedaço de terra, rodeado de água por todos os lados) neste país que continua irredutível às transformações efectuadas e que insiste em se manter atrasado em tudo o que lhe for possível, excepto na arte de angariar fundos ao país continental que tão rapidamente e em toda e qualquer situação repudia. Até hoje, embora o Chávez da Madeira sempre tenha quebrado as barreiras do razoável, nunca se tinha assistido a tamanha confrontação a uma decisão das leis da república. Ao discutir a questão da aplicabilidade da IVG naquela parcela do território nacional, e escudado numa autonomia que faz por esquecer que é isso mesmo, uma autonomia e não uma independência, o líder da maioria reinante mandou a sua corte atacar a aplicabilidade da lei do país, e estes fizeram-no através da agora tristemente famosa Rafaela Fernandes. Perante o silêncio das estruturas partidárias de Lisboa, certamente mais interessadas em saber a quem mandar as referências multibanco para pagamento das quotas do que em pôr termo a esta desfaçatez (situação que, como é sabido, faz escola para aqueles lados), o PSD Madeira diz e faz o que bem quer e lhe apetece, como quer e lhe apetece, ofendendo quem bem quer e lhe apetece, e minorando os direitos de quem quer e lhe apetece.

Como a mais Alta Autoridade do país prefere não comentar e assobiar para o lado, característica tão conhecida dessa personagem mas que andava esquecida, continuamos a assistir aos dislates do aspirante a ditador e de sus muchachos, impávidos e serenos, enquanto que outros sofrem do por ter nascido num pedaço de terra errado, e que por azar (deles) se encontra rodeado de água por todos os lados...

[as frases]

"o aborto não será, com certeza, a primeira decisão de uma mulher porque é contra-natura. A função das mulheres é, precisamente, a da procriação"

"Até à data qualquer mulher (madeirense) que tinha de tomar essa decisão (abortar) não deixava de a tomar... tomava as suas providências e fazia-o lá fora"

terça-feira, julho 24, 2007

A «Marca» Lisboa


Lisboa Cidade Cri@tiva

Da campanha eleitoral do António Costa um tema tem-me despertado: a relação da CML com a Cultura e com a criatividade no que se pode consubstanciar na ideia da «Marca Lisboa».

Nas iniciativas do Teatro Aberto e do Maxime, especialmente dedicadas ao tema, ouviram-se muitas ideias, críticas e propostas. Pelo capital humano reunido, parece-me ser este um daqueles momentos, raros em política, onde um bom líder, com uma boa equipa e com um bom projecto (a conjugação destas três variáveis é raríssima) são suficientemente atractivos para reunirem à sua volta os que de melhor trabalham nas diversas áreas profissionais de intervenção no espaço urbano.
Parece que as condições para que se criem um excepcional momento para a vida da cidade estão criadas. A ligação entre a política, a academia, o mundo empresarial, tantas vezes ambicionada, é assumidamente estratégica. Os mundos da ciência, da política, da cultura, tantas vezes de costas voltadas, finalmente partilham as mesmas salas onde todos se podem confrontar a partilhar projectos, ideias e vontades. Esta ligação é definidora do que a cidade quer ser, do que a «Marca Lisboa» ambiciona ser, do que a capital de um país europeu, cidade com história e cultura impar, tem de ser.
Lisboa, com estas condições, pode criar as circunstâncias certas para fabricar um momento impar na sua história, um hype político e cultural que lhe permita, por uma década, estar na vanguarda europeia no que concerne à definição de um life style europeu, cosmopolita e moderno.
Lisboa tem, assim, de ser modernidade, tolerância, criatividade. Tem de ser competitiva e contemporânea. Lisboa tem de ser Cultura e Ciência. Lisboa tem de ter uma Ideia agregadora para servir de catalizador de uma nova fase de desenvolvimento na vida de Lisboa, atirando-a para a contemporaneidade e para a dinâmica do século XXI. E essa ideia pode ser a definição da «Marca» da cidade.
É necessário ter em atenção de que a Lisboa institucional ainda não entrou no novo século, mas que a sua sociedade civil sim. Hoje Lisboa pulula de ideias, iniciativas e projectos. Todos feitos à margem do poder autárquico. Este divórcio necessita de ser anulado. Do que tenho visto, lido e reflectido, parece-me que o conceito das «Cidades Cri@tivas», devidamente enquadrado na cultura lisboeta, pode e deve poder ser utilizado e desenvolvido. Este, congregando os «t’s»do Talento, da Tecnologia e da Tolerância, assume que as políticas de desenvolvimento sustentáveis e integradas nas cidades contemporâneas se assentam na maximização do seu potencial de criação sustentada na sua massa humana envolvente e envolvida. Esta Ideia sustenta que uma Cidade com capacidade de apoiar e promover criadores consegue ser atractiva e socialmente mais equilibrada e justa; que uma cidade com capacidade de se apoiar nas suas redes sociais e humanas pode transformar o seu cosmopolitismo transversal numa existência solidária e competitiva. Seria, então, através do aproveitamento das diversas redes já existentes na sociedade civil, devidamente enquadradas na prática política a ser desenvolvida na CML, que se desenvolveria a nova atitude para cidade. Uma vez retomada esta ligação, o potencial de construção multiplica-se.
E é possível começar a procura a identidade que queremos criar, começar a definir a «Marca Lisboa».
Mas a ideia da «Marca Lisboa» carece ainda de definição identitária. O que é, hoje, Lisboa? o que simboliza?
A definição da identidade tem de passar não só pela promoção do conceito de cidade criativa. Tem de passar ainda pela construção da memória e pela apropriação da cultura popular e urbana que vive na cidade. E hoje Lisboa está sem memória. Lisboa esqueceu de tratar do seu passado.
Não será, como se imagina, tarefa prioritária para o «período da Urgência», mas não tenho dúvidas que as questões da memória serão importantes. No muito que tenho ouvi, no decurso da campanha, a ideia de tornar Lisboa uma cidade agradável á investigação científica é algo muito atraente e que tem feito o seu caminho no discurso político de António Costa. Agora, esse discurso não pode ser restrito apenas às ciências exactas. Temos de fazer prevalecer a mais valia das ciências sociais, em especial as ciências históricas e documentais, importantíssimas na manutenção e na projecção – cultural, mas também política e económica – de Lisboa como cidade global. Sabemos que as novas tecnologias são essenciais na comunicação e na ligação entre os conteúdos e os consumidores finais. Mas não nos podemos distanciar da necessidade da produção de conteúdos, e estes podem, e devem, provir das ciências sociais e humanas. Serão estas que terão a responsabilidade de apontar as metas finais a atingir. Serão estas que definirão a identidade de Lisboa, retirada da espuma da História e da Cultura da Cidade.
Na construção da identidade da cidade, decisiva na sustentação da «Marca» é imperativo saber articular estas duas vertentes, simbolicamente apontadas para o Futuro e para o Passado da Ideia de Lisboa. Como é que se pode operacionalizar esta ideia?
Construindo equipas multidisciplinares que consigam interiorizar este projecto de redefinição da Ideia da Cidade de Lisboa, da sua identidade, da sua Marca. Promovendo o conceito de «Lisboa, Cidade Cri@tiva» em simultâneo com o desenvolvimento de um amplo projecto de investigação na memória e na identidade da cidade. Dos seus espaços e das suas gentes. Do passado projectar o futuro, definindo assim o presente.
Sabemos que aos agentes políticos cabe a procura do equilíbrio entre os recursos disponíveis e os recursos necessários, numa muitas vezes estranha dança entre o que se quer e o que se pode fazer. Por isso é importante que antes das tomadas de decisões (i.e. da distribuição de recursos), se tome o tempo necessário para que os projectos sejam bem elaborados, e obedeçam a necessidades estratégicas para o desenvolvimento da cidade.
Agora, não se podem desperdiçar novas oportunidades. E a próxima CML terá de ter a atenção necessária à memória e à identidade cultural da cidade de Lisboa. Há, repito, que incentivar a criação de projectos multidisciplinares de investigação olissipográfica, definindo áreas, temas ou épocas estratégicas para a construção identitária de Lisboa, para a edificação de uma melhor «Marca», produto de consumo turístico, e para se criarem as condições necessárias para um hype à volta de Lisboa, para que se crie – por cinco, seis anos - um movimento sustentado de investigação criativa articulada estrategicamente com a necessidade de criar em Lisboa não só uma marca reconhecível como um espaço urbano de vivência estruturada, que aposta no Talento dos seus criadores, na Tolerância das suas gentes e na Tecnologia dos seus cientistas.
Lisboa tem, hoje, um acervo histórico de valor incalculável; mas está depositado em armazéns fechados. Lisboa não pode voltar costas à sua história, uma vez que ela é, como já referimos, central na redefinição da «Marca Lisboa». Nesta coabitam a Lisboa Fenícia, a Lisboa Romana e a Lisboa Medieval e Renascentista. A Lisboa das Descobertas e a Lisboa do Império. A Lisboa do Terramoto e a Lisboa Pombalina. E a Lisboa Liberal, a Lisboa Modernista e a Lisboa Revolucionária. Quantas cidades têm tantas cidades?
Quando se fala de «Marcas», num estranho sentido macro-económico e «marqueteiro», esquece-se que a «Marca» não é mais que uma identidade consolidada e pronta para consumo. E Lisboa perdeu, há muito, o sentido da sua identidade.
Há que refazê-la. Na História, na Memória e na Criatividade.
A Ideia é, em suma, envolver a cidade na cidade, construindo um discurso mais inclusivo e moderno. A Cidade que defendo, albergando gentes de todas as raças, credos, tendências, géneros e formas de vida, é uma cidade que vive nela, de forma orgânica. É uma cidade que se solidariza e que cria. É uma cidade de várias ciências, de várias tendências, de várias vidas. É uma cidade que atrai e compete. É uma cidade que projecta e cumpre. É uma cidade que assume uma «Marca» e uma cidade que se revê na sua identidade.
Este seria o desafio para um «quarto tempo», nunca assumido no programa de António Costa: o Tempo de uma Geração.

Adenda


Parece que Marques Mendes já encontrou «palhaço» para contracenar na comédia preparada para Setembro. Tal não invalida o que aqui escrevi, pelo contrário confirma.


O que o PSD ainda não entendeu é que foi o processo electivo interno no Partido Socialista - Sócrates / Alegre / João Soares - o principal impulsionador da maioria absoluta socialista. Foi um processo largamente participado, publicamente escrutinado, transparente e exposto. O debate foi profundo e, apesar da vitória larga de Sócrates, importante para uma nova definição programática dos socialistas. Muito diferente do que está em curso no PSD. De todo muito diferente.

Democracia

Uma perguntinha a quem tem Arte: A democracia só tem vitórias quando ganham aqueles que nós achamos melhores?

segunda-feira, julho 23, 2007

Eleições

Para quem estuda eleições em regimes autoritários, as palavras e acções de Marques Mendes parecem-me estranhamente próximas.
Os métodos e as suspeições são as mesmas:
1. Controlo do caderno eleitoral e do processo de eleição. Hoje através das cotas. Ontem através dos cadernos de recenseamento eleitoral.
2. A oposição denuncia estes procedimentos e condiciona a sua candidatura à «reunião de condições de liberdade para poder apresentar-se ao eleitorado».
4. Réplica do poder instalado às criticas da oposição com acusações de «cobardia» de «falta de espirito democrático» e de fuga às «regras do jogo». Ontem como hoje iguais.
5. Resultado final: candidatura única e «fuga da oposição ao confronto».

São estas, em traços gerais, as principais caracteristicas de eleições não competitivas, de eleições sem escolha e, logo, eleições não significativas. São estas, hoje, as caracteristas de muitos actos eleitorais em partidos políticos (e não só no PSD). Há, no que respeito diz a actos eleitorais, uma razão de ouro para que possam ser tomados como sérios: a «situação» poder perder.
E é esse o risco que Marque Mendes não quer correr.

sexta-feira, julho 20, 2007

Salazar, o Democrata


Recentemente, sobre o tema do referendo ao novo tratado europeu, alguns comentadores, aqui na blogosfera, procuraram refugiar-se na história e, utilizando o argumento de que a se até a Constituição de 1933 tenha sido «referendada» o novo tratado também tinha de o ser.
Na altura procurei sucintamente explicar que os dois fenómenos rectificadores pouco ou nada tinham em comum, de que, tecnicamente, a Constituição de 33 tinha sido aprovada via plebiscito, onde as abstenções eram votos «Sim», onde o corpo eleitoral era constituído pelos «chefes de família», etc.
Tinha deixado essa polémica para trás, quando vi o Pedro Delgado Alves a repetir estes argumentos acerca de um post do Pedro Arroja, intitulado «contra o Povo». Parece, no entanto, que este Pedro Arroja tem a opinião que a democracia é a verdadeira «causa da decadência dos povos peninsulares»...
Estes reparos porque hoje, em leituras para a tese, me deparei com um discurso de Salazar, proferido na Assembleia Nacional, a 19 de Maio, onde este deambula sobre o fim da guerra, a ordem externa e a política interna. É um discurso apresentado já em plena sessão extraordinária relativa à III Legislatura (1942-46), sessão que decorre entre Maio e Julho de 1945, e que culminará na revisão constitucional de 1945, na suspensão dos trabalhos da Assembleia eleita e na eleição antecipada de Novembro de 1945, as tais eleições «tão livres como na livre Inglaterra».
Entre outras considerações, escolhi estas:

1. «E tenho de concluir que, se é indiscutível ter o totalitarismo morrido por efeito da vitória, a democracia, tanto na sua definição doutrinária como nas suas modalidades de aplicação, continua sujeita a discussões

2. «As liberdades interessam na medida em que podem ser exercidas e não na medida em que são promulgadas.»
3. «Esses estão confundidos e esquecem que a Constituição foi sancionada por plebiscito popular, nem melhor nem pior que todos os outros, e tem sido revista por uma Câmara eleita por sufrágio directo. Esses esquecem que não temos deportados por delitos políticos nem exilados forçados da Pátria (vozes – Muito Bem!).»

4. «Eu não quero forçar conclusões, mas, se a democracia pode ter, além do seu significado político, significado e alcance social, então os verdadeiros democratas somos nós. (Palmas prolongadas). Afirmo-o, sem acrimónia, mas convicto; nem tal conclusão poderia ter o ar de desafio em boca de quem sempre proclamou não sermos todos demais para servir Portugal. (Vozes: - Muito Bem!)(Palmas).»

Por isto, Pedro, talvez os verdadeiros democratas sejam eles...

Choque tecnológico

Via De Rerum Natura deparei-me com este confronto tecnológico de interesse. Código Morse versus SMS. Qual destas tecnologias é a mais eficaz?

Parece que ele anda aí...

Pedro Santana Lopes estreia-se na blogosfera, aqui.
Do seu segundo texto, sobre as eleições de 15 de Julho, retiro este parágrafo:
Quem fala assim não é gago...

Aceitam-se apostas

Harry Potter and the Deathly HallowsSerá que o jovem morre ou não? Se quiserem, deixem as vossas apostas na caixa dos comentários...

quinta-feira, julho 19, 2007

Lisboa informada


Concerto + Filme Lisboa, Crónica Anedótica
A 1 de Abril de 1930 estreava no S.Luiz e no Tivoli o considerado mais fiel documentário feito sobre a cidade de Lisboa, até hoje. José Leitão de Barros mostrou Lisboa no que confessou ser o “lado pobrete mas alegrete do fatalismo sem revolta” - ou arriscaria até - alegrete mas pobrete da revolta sem fatalismo. Leitão de Barros, esteta e atleta a exaltar os valores tradicionais, nacionalista puro mas pouco dado a estereótipos, deu os primeiros passos na antropologia visual ao pôr a nu a beleza ingénua da verdade de Lisboa. A verdade que ele via e que, mais do que a palavra, o podia ajudar a transmitir o que era. Hoje Lisboa mudo-cronicada é musicada ao vivo por Flak e uma orquestra de quatro. /Vera Morgado
ONDE
Music Box Cais Sodré
QUANDO
19 de Julho às 23h
QUANTO
8€ com oferta de 3€ de consumo


Dança NOI-TRAD'as do Carmo
As danças tradicionais chegaram para ficar! Andanças no Verão, Entrudanças no Carnaval e agora por todo o país, pequenos bailes e muitos workshops que nos enchem a alma e nos fazem mexer o corpo todo o ano. Lisboa não é excepção! Comecem já esta noite nas mágicas ruínas do Carmo, com uma vista do melhor e muita música para nos levar pela noite fora. Se quiserem saber tudo sobre Bourrées, Chappelloise, Fandango, Mazurka, Scottisch, Tarantellas, só para dar alguns bons exemplos, espreitem aqui e aqui. “Porque dançar vale sempre a pena, quando a alma não é pequena”! / Floppy
ONDE
Ruínas do Carmo, Chiado, Lisboa
QUANDO
20 de Julho às 23h (todas as 6ªas, se o tempo permitir)
QUANTO
É só aparecer e bailar…


Concerto Lello Perdido
Shhhhh... Silêncio, que se vai cantar o fado. Ou será que não vai? Lello da Câmara Nespereira a.k.a. Manuel João Vieira, vai-nos transportar ao mais profundo das nossas raízes, tocar-nos no mais recôndito das nossas almas lusas e cantar o fado. Sim, leram bem. F-a-d-o. Faduncho, aquele que fala de saudade e amor, de devoção e mais saudade, na voz do Lello perdido e agora reencontrado. Numa altura em que proliferam jovens fadistas, futuras promessas da voz nacional, temos de saber o que vale ou não a pena ir ver. E este fenómeno...vale. Mariza, tens aqui rival. Hermínia, os teus prémios e condecorações de pouco valem. Amália, treme, o teu longo reinado de suprema voz do Fado está ameaçado. O Lello vai cantar. Ah! Garganta lindaaaa! /Marta D’Orey
ONDE
Cabaret Maxime Pç. Alegria, 58Tel.962 804 368
QUANDO
21 de Julho a partir 22h (abertura de portas)
QUANTO
10€


Teatro A Última Ceia
Estão com fome de teatro!? O pessoal da Casa Conveniente convida-nos para a Última Ceia, que afinal não vai ser a última. São várias as sessões. É um jantar para 25 pessoas durante quatro semanas. Serão quatro ementas e quatro apresentações diferentes, mas sempre sob o signo de “O Cerejal” de Anton Tchékhov. À mesa, a acompanhar os convidados, estão quatro actrizes. O conceito é, pois, teatro à mesa. Fica mais em conta do que ir jantar e depois ir ver uma peça de teatro! E todos os sentidos ficam regalados. Não se fiquem só pela água na boca! Reservem já a vossa mesa./Sónia Castro
ONDE
Casa Conveniente Rua Nova do Carvalho, n.º 11Tel.96 351 19 71
QUANDO
A partir de 23 de Julho, às 20h
QUANTO
14,90€ (inclui refeição completa, vinhos e café)


Centro Cultural O Século
Ai Lisboa Lisboa, nunca ninguém te viu tão boa! A nível cultural, não nos podemos queixar. Estamos melhor que nunca. Fora cortes orçamentais, a vontade de crescer e melhorar é tanta que as alternativas proliferam. Ele é oferta por todos os lados. Procura procura que hás de encontrar. Para acrescentar mais valia à criatividade alfacinha, abriu recentemente um novo centro cultural. Mas não um qualquer, tradicional. É um centro de exibição de arte avançada, uma coisa muito à frente para acompanhar os tempos que correm. Os responsável já deram provas do que valem, por isso espalhem a notícia. Lá se têm passado coisinhas bem interessantes e muitas estão para vir. Fica atento. Este é o novo sítio onde tens que ir. /Jane
ONDE
Rua D'O Século, 80Tel.21 324 37 55
QUANDO
QUANTO
depende dos eventos

divulgação


Eu não tenho muito jeitinho...
Mas para quem tenha...

quarta-feira, julho 18, 2007

Divulgação


Divulgação

Congresso de Provérbios
Olá!

O meu nome é Anabela e sou secretária do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional, dirigido pela Prof. Ana Paula Guimarães.

Venho por este meio convidar-vos a aceder ao site www.ielt.org/colloquium2007 e espreitar a informação referente ao Congresso de Provérbios que estamos a organizar, que será de 5 a 12 de Novembro. Para qualquer dúvida, podem contactar comigo, respondendo para o meu e-mail - horus.pb@gmail.com.

Embora pareça que os prazos para submissão de resumos terminaram, os mesmos foram alargados.

Todos os que queiram participar serão bem vindos!

Um abraço,

Anabela

Ideia

Olha que boa ideia... (como é que não tinha pensado nela antes?...)

Pequeno apontamento sobre as eleições!

Depois de ouvir os depoimentos na noite eleitoral do passado domingo, e de ler alguns comentários por aí na blogosfera, percebi finalmente duas coisas:
  1. O PS ganhou as eleições mas se calhar não ganhou, foi só assim... como dizer... uma coisa mais ou menos e tal!
  2. A principal razão da abstenção não foram as férias (é que eu, que não moro nem voto em Lisboa, mas que trabalho em Listboa, não tenho apanhado muito menos transito na Cril/ 2ª Circular - se calhar é por causa do Túnel do Marquês)!

Um dia há gente que vai ter uma surpresa...

Sou mesmo 'Tuga!

89!



  • Licenciado em Direito

  • Prisioneiro

  • Prémio Nobel da Paz

  • Presidente

Parabéns, Nelson Mandela

Finito


Já posso parar de atender telefonemas desesperados, procurando indicar pessoa A a pessoa B, para que o martírio de uma gravidez indesejada tivesse fim.

Já era legal e regulamentada. Ontem entrou em vigor.

Quem tenha uma gravidez indesejada que a queira terminar, por favor não volte a telefonar. Dirija-se ao seu Hospital de zona (onde hajam médicos com a decência de a atender e de não, covardemente, alegarem «objecção de consciência»)

Ver Diário da República completo, com tabelas e tal aqui.


MINISTÉRIO DA SAÚDE

Portaria n.º 781-A/2007 de 16 de Julho

A Lei n.º 16/2007, de 17 de Abril, alterou o artigo 142.ºdo Código Penal, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 48/95,de 15 de Março, e alterado pela Lei n.º 90/97, de 30 deJulho, no sentido de passar a ser não punível a interrupção da gravidez realizada, por opção da mulher, nas primeiras
10 semanas de gravidez, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido.
Assim, para além das situações de interrupção da gravidez a que o Serviço Nacional de Saúde já dava resposta, é necessário adaptar os estabelecimentos de saúde a esta nova realidade.
O primeiro passo foi dado com a Portaria n.º 741 -A/2007, de 21 de Junho, que estabelece as medidas a adoptar nos estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecidos com vista à realização da interrupção da gravidez nas situações previstas no artigo 142.º do Código Penal.
É, agora, necessário definir os preços da interrupção da gravidez, quer medicamentosa quer cirúrgica, adequando-os às novas exigências e especificidades da interrupção da gravidez por opção da mulher, designadamente incluindo a obrigatoriedade de a mulher ser atendida numa consulta prévia e a possibilidade de lhe ser disponibilizado apoio psicológico e social.
A interrupção da gravidez, até às 10 semanas de gestação, realizada em ambulatório, será paga ao preço de € 341 no caso de uma interrupção medicamentosa, e de € 444 no caso de uma interrupção cirúrgica.
O pagamento deste valor pressupõe a realização ou administração de todos os actos, procedimentos e medicamentos definidos em circular normativa da Direcção -Geral
da Saúde.
Nas situações que dêem lugar a internamento, serão aplicados os preços estipulados para os Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH), de acordo com o estabelecido na tabela de preços do Serviço Nacional de Saúde e que são de € 829,91 e € 1074,45 (GDH 380 e GDH 381), consoante seja medicamentosa (M) ou cirúrgica (C).
A interrupção da gravidez, em ambulatório, a partir das 10 semanas de gestação, por se tratar de uma situação mais complexa, de maior risco e com maior consumo de recursos, é paga pelos preços estipulados para os GDH. Deste modo, para a interrupção medicamentosa da gravidez, em ambulatório, aplica -se o GDH 380 — aborto sem dilatação e curetagem — com o preço de € 719,53.
Para a cirúrgica, em ambulatório, aplica -se o preço estipulado para o GDH 381 — aborto com dilatação e curetagem, curetagem, aspiração e ou histerotomia —, que é de € 931,56.
As actividades inerentes à interrupção da gravidez em ambulatório até às 10 semanas de gestação e respectivos custos serão objecto de monitorização e avaliação durante os próximos seis meses, após os quais os preços ora fixados poderão ser alterados.

terça-feira, julho 17, 2007

Election Night

[via Margem de Erro e Arte da Fuga]


Leituras daqui e dali...

Aqui desafiei alguns bloggeres a exporem algumas das suas leituras, mas esqueci-me de picar o Ricardo Revez e o Jorge Macieirinha.
Já sabem, passem a outro e não ao mesmo...

Radares


Parece que nas primeiras 9 horas de existência foram apanhados cerca de 2.000 infratores.
Se a CML receber 50% das multas, será este o plano de solvência financeira que Lisboa precisa?
Tenham atenção, e recalculem as distâncias temporais entre destinos.

Divulgação

Gostaríamos de o(a) convidar a participar no debate dedicado ao tema «A União Europeia na Encruzilhada: Limites e Possibilidades do Projecto Europeu», promovido pelo Le Monde diplomatique - edição portuguesa em colaboração com o Dinâmia - Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica, que irá realizar-se na próxima sexta-feira, 20 de Julho, a partir das 21H30.
O debate, relativo ao dossiê da componente portuguesa da edição de Julho, decorrerá no novo espaço das livrarias Eterno Retorno e Ler Devagar (Fábrica de Braço de Prata - Lisboa) e contará com a presença de António Figueira, Nuno Teles, Pedro Nuno Santos e Ricardo Paes Mamede.
Para mais informações sobre o dossiê, consulte o nosso sítio Internet aqui (artigos) e aqui (links úteis sobre a construção europeia).
Mais informações sobre o debate, incluindo o mapa com a localização da livraria Eterno Retorno - Ler Devagar, disponíveis aqui.

Divulgação

Gostaríamos de o(a) convidar a participar no debate dedicado ao tema «A União Europeia na Encruzilhada: Limites e Possibilidades do Projecto Europeu», promovido pelo Le Monde diplomatique - edição portuguesa em colaboração com o Dinâmia - Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica, que irá realizar-se na próxima sexta-feira, 20 de Julho, a partir das 21H30.
O debate, relativo ao dossiê da componente portuguesa da edição de Julho, decorrerá no novo espaço das livrarias Eterno Retorno e Ler Devagar (Fábrica de Braço de Prata - Lisboa) e contará com a presença de António Figueira, Nuno Teles, Pedro Nuno Santos e Ricardo Paes Mamede.
Para mais informações sobre o dossiê, consulte o nosso sítio Internet aqui (artigos) e aqui (links úteis sobre a construção europeia).
Mais informações sobre o debate, incluindo o mapa com a localização da livraria Eterno Retorno - Ler Devagar, disponíveis aqui.

Curtas


1. Parabéns ao Luís Carmelo pelo 4º aniversário do Miniscente. Excelente blogue de referência.

2. Parece que o Luís Tito de vai dedicar, também, ao corte de cabelo...

3. Leituras recomendadas da noite eleitoral:




3.3. Corta-fitas (vários posts de diversos autores)


Mapa cor-de-rosa


A Matemática tem destas coisas

Muito bom o post "Da Legitimidade Política".

A matemática dá para fazer estas coisas...

E aqui vêm os dois primeiros exemplos

E são de José Saramago. Ter um prémio Nobel a iniciar a Silly Season é um luxo!


"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

segunda-feira, julho 16, 2007

Divulgação


Silly Season

Começou a Silly Season, finalmente!

Já não era sem tempo.

10 leituras rápidas

10 leituras rápidas

1. O PS é o claro vencedor, e António Costa um justo eleito Presidente da CML. O PS esperava ter eleito 7 vereadores. Ficou longe do 7º (5.000 votos).

2. O PSD teve a maior derrota eleitoral da sua história. 15% em Lisboa é fraquíssimo. É o derrotado da noite.

3. O PP consegue desaparecer de Lisboa, ficando mesmo atrás dos brancos e nulos juntos (7645 contra 7258). Fica abaixo dos 4%, e a 2.000 votos da eleição.

4. As candidaturas independentes justificaram a existência, prejudicando Carmona o PSD e o PP e Helena Roseta o BE e o PS. Talvez sem Helena o PS conseguisse a maioria.

5. Nos pequenos a vitória é clara do PCTP/MRPP, que aumenta a sua votação absoluta, quando todos os partidos descerem comparativamente a 2005.

6. Manuel Monteiro perde contra o PNR de José Pinto Coelho.

7. A direita junta teve 35%. A esquerda 65%.
8. Ao PS para se coligar com uma força política tem de se coligar à duireita (Carmona ou Negrão, com 3 vereadores). Á esquerda tem de coligar com duas forças (CDU + Roseta; Roseta + BE, BE + CDU).
9. O PS ganhou, pela segunda vez na sua história eleitoral, todas as 53 Freguesias de Lisboa (a outra vez foi com a reeleição de Sampaio, em 1993).
10. Com uma participação de 37%, com 4% de votos brancos e nulos e cerca de 27% dos votos a serem «contra os partidos organizados e tutelares da democracia portuguesa», esta eleição deve ser um inicio de reflexão importante nas principais direcções partidárias, à esquerda e à direita. Com uma abstenção de mais de 60% ninguém pode estar satisfeito. Há que melhorar a qualidade da nossa democracia e do nosso sistema partidário.

Hondt

Distribuição de vereadores
Mandatos a atribuir: 17

Atribuido 1º mandato a PS com quociente 57907 - António Costa
Atribuido 2º mandato a Carmona com quociente 32734 - Carmona Rodrigues
Atribuido 3º mandato a PSD com quociente 30855 - Fernando Negrão
Atribuido 4º mandato a PS com quociente 28953.5 - Manuel Salgado
Atribuido 5º mandato a Roseta com quociente 20006 - Helena Roseta
Atribuido 6º mandato a PS com quociente 19302.3 - Ana Sara Brito
Atribuido 7º mandato a CDU com quociente 18681 - Ruben Carvalho
Atribuido 8º mandato a Carmona com quociente 16367 - Pedro Feist
Atribuido 9º mandato a PSD com quociente 15427.5 - José Salter Cid
Atribuido 10º mandato a PS com quociente 14476.75 - Marcos Perestrello
Atribuido 11º mandato a BE com quociente 13348 - José Sá Fernandes
Atribuido 12º mandato a PS com quociente 11581.4 - Rosália Vargas
Atribuido 13º mandato a Carmona com quociente 10911.3 - Gabriela Seara
Atribuido 14º mandato a PSD com quociente 10285 - Margarida Saavedra
Atribuido 15º mandato a Roseta com quociente 10003 - Manuel João Mendes da Silva Ramos
Atribuido 16º mandato a PS com quociente 9651.16 - José Cardoso da Silva
Atribuido 17º mandato a CDU com quociente 9340.5 - Rita Magrinho

Resultados brutos

Resultados de Lisboa

Inscritos - 524248
Votantes - 196041 (37.39%)

Em Branco - 4549 (2.32%)
Nulos - 3096 (1.58%)

Freguesias apuradas - 53

PS - 57.907 votos, 29.54%, 6 vereadores
Carmona Rodrigues, 32.734 votos, 16.70%, 3 vereadores
PPD/PSD, 30.855 votos, 15.74%, 3 vereadores
Helena Roseta, 20.006 votos, 10.21%, 2 vereadores
PCP-PEV, 18.681 votos, 9.53%, 2 vereadores
B.E., 13.348 votos, 6.81%, 1 vereador

CDS-PP, 7.258 votos, 3.70%
PCTP/MRPP, 3.122 votos, 1.59%
P.N.R., 1.501 votos, 0.77%
PND, 1.187 votos, 0.61%
MPT, 1.052 votos, 0.54%
PPM, 745 votos, 0.38%

domingo, julho 15, 2007

responsabilidade democrática

Obrigado ao Medeiros Ferreira, pelas gratas palavras e considerações...
É uma responsabilidade pertençer à mesma geração de um dos «founding fathers» do nosso sistema democrátrico...

sexta-feira, julho 13, 2007

IVG

Olá,
Abaixo, em inglês, uma mensagem apelando a que votemos online no site http://www.ireland.com/head2head/ onde está a decorrer uma votação acerca da despenalização do aborto na Irlanda, um dos 3 países europeus onde o aborto a pedido da mulher ainda é crime (Malta e Polónia são os outros dois). Não custa nada ir ao site e dar uma força aos/às nossos/as companheiros/as pro-escolha de lá, até porque estas sondagens, como sabemos, ajudam a mudar muita coisa, nem que seja (principalmente) a título simbólico. E neste momento o não está a ganhar com 69%...
bjs
Cristina

quarta-feira, julho 11, 2007

Ainda na memória




Há muito que queria acrescentar alguma refllexão a esta nossa troca de ideias. Como imaginas, a campanha tem sido dura e exigente, pelo que não tenho tido muito tempo para escrever.

Vejo, sem espanto, que temos poucas são as diferenças que nos separam. Na verdade concordo com grande parte do que dizes.
Permite-me apenas algumas considerações.

Em primeiro lugar os agentes políticos devem procurar o equilíbrio entre os recursos disponíveis, numa por vezes estranha dança entre o que se quer e o que se pode fazer. Claro que era bom que pudéssemos ter recursos ilimitados, que estes pudessem ser colocados nos melhores projectos, em prol do desenvolvimento da cidade. Mas, como sabes, os recursos são escassos e a distribuição de recursos por projectos é bem deficiente.

É por isso que considero importante que antes das tomadas de decisões (i.e. da distribuição de recursos), se tome o tempo necessário para que os projectos sejam bem elaborados, e obedeçam a necessidades estratégicas para o desenvolvimento da cidade.

No caso dos arquivos, também eu (como imaginas) queria vê-los abertos amanhã, com óptimas condições de armazenamento, com bases de dados construídas e publicadas na net, com óptimos espaços de consulta e de trabalho. Infelizmente isso não é possível. Pelo menos no imediato. Mas é possível pensar sobre o que queremos fazer. Qual o quadro onde queremos desenhar as novas formas de colaboração e de articulação entre as diversas entidades que, necessariamente, tem de se envolver. É sobre esta construção que penso, quando afirmo que é necessário ter o esquema bem pensado, antes de voltar a abrir os arquivos.

Entretanto, pode-se aproveitar os arquivos existentes. Do arquivo do Arco do Cego lembro-me de um bom par de investigações que se podem fazer. Umas ligadas a conteúdos eleitorais (ainda mais quando, em 2008, faz 100 anos da vitória republicana nas eleições municipais de Lisboa), outras à arquitectura. Pelo menos sei que existem amplos acervos nessas áreas.

Agora, não se podem desperdiçar novas oportunidades. E a próxima CML terá de ter a atenção necessária à memória e à identidade cultural da cidade de Lisboa. Há, repito, que incentivar a criação de projectos multidisciplinares de investigação olissipográfica, definindo áreas, temas ou épocas estratégicas para a construção identitária de Lisboa, para a edificação de uma melhor «Marca», produto de consumo turístico, e para se criarem as condições necessárias para um hype à volta de Lisboa, para que se crie – por cinco, seis anos - um movimento sustentado de investigação criativa articulada estrategicamente com a necessidade de criar em Lisboa não só uma marca reconhecível como um espaço urbano de vivência estruturada.

Quando se fala de marcas de cidades, num estranho sentido macro-económico e «marqueteiro», esquece-se que a Marca não é mais que uma identidade consolidada e pronta para consumo. E Lisboa perdeu, há muito, o sentido da sua identidade.

Há que refazê-la. Na História e na Memória.

A próxima CML, se liderada por António Costa, terá todas as condições para colocar em marcha estas ideias. Tenho poucas dúvidas disso.

[Entretanto verifiquei que também o Daniel opinou sobre a necessidade de preservar a memória da cidade. Este texto é, assim, um pouco para os dois.]

(Texto também publicado no Costa do Castelo)

Dia da População

O Dia Mundial da População é um momento de focalizar no compromisso e a acção para assegurar que cada gravidez seja desejada, cada nascimento seja seguro, cada jovem esteja livre do VIH/SIDA, e cada menina e mulher sejam tratadas com dignidade e respeito.

O tema do Dia Mundial da População 2007 é Homens como parceiros na Saúde Materna.

Hoje demasiadas mulheres morrem desnecessariamente das complicações evitáveis da gravidez e do parto.

Em cada minuto uma mulher perde a sua vida.
Cada minuto, a perda de uma mãe quebra uma família e ameaça o bem-estar de crianças sobreviventes.
E para cada mulher que morre, mais de 20 mulheres experimentam complicações sérias tais como a fístula obstétrica.

Os líderes mundiais comprometeram-se a melhorar a saúde materna e a avançar na igualdade de género.

E os homens podem dar uma contribuição tremenda usando o seu poder para a mudança positiva. Os homens têm o poder amplo em situações desde a decisão pessoal e da família às decisões políticas e de programas em todos os níveis da governação.

UNFPA, apoia iniciativas de maternidade segura em torno do mundo. Trabalhamos com governos e outros parceiros para assegurar-se de que cada mulher tenha o acesso a três serviços de saúde reprodutiva que excepto vidas das mulheres. Estes são planeamento de família voluntário, parto assistido e cuidados obstétricos de emergência no caso de complicações durante o parto. Nos países onde estes serviços estão extensamente disponíveis, mais mães e bebés sobrevivem.

A experiência mostra que a participação e envolvimento dos homens pode fazer toda a diferença. Desencorajar o casamento precoce, promover a escolaridade e educação das raparigas, promover relações de igualdade e equidade, e apoiar a saúde reprodutiva e direitos das mulheres, então os progressos surgem.

Hoje, no Dia Mundial da População, é hora para todos os homens - pais, irmãos, maridos, líderes religiosos e da comunidade, membros de governo - sejam parceiros assumidos na saúde materna. Juntos podemos fazer que este seja o último dia em que 1.440 mulheres morreram durante a gravidez e o parto.

Avancemos com a mensagem: Nenhuma mulher deve morrer a dar vida. Deixei-nos fazer tudo para promover o direito de cada mulher viver uma vida com saúde, dignidade e igualdade de oportunidades.
Toraya Obaid, Directora Executiva do UNFPA
[Texto recebido via e-mail da Alice Frade]

Debate

Sem tempo para escrever com mais reflexão, uma pergunta rápida: que raio de programa pós debate foi aquele na RTP-N, no Porto (???), com 1 comentador (???).
É por essas e por outras que a RTP-N nunca passará de um apendice infectado no corpo da RTP, enquanto que a SIC e a SicNot coabitam e articulam do melhor que se faz em política televisiva...

terça-feira, julho 10, 2007

Segundo Aniversário

Parece que passou, novamente, a data do nosso aniversário. O Clube «Loja de Ideias» entra no seu terceiro ano de existência.
Honestamente parece-me que esta experiência e este projecto leva bem mais tempo encima. Bom sinal. De que o tempo passa sem se notar, de que a Ideia original mantém-se, de que os nossos príncipios continuam válidos.
É impressionante que um Clube dirigido por um historiador tenha tanta atenção à memória dos outros, e deixe escapar as suas razões de celebração. Em tempo de aniversário tenho de individualizar o grupo de pessoas mais chegadas que tem mantido este projecto vivo.
Começo pelo meu co-blogger activo, o Rui Pedro Nascimento, que tem sido bem mais que um membro de um projecto de ideias e de participação política. É, hoje, mais que um amigo, um verdadeiro pilar.
Depois o Diogo, companheiro diário destas e de outras andanças (anda afastado do blogue, é verdade, mas é raro o dia que passa que não falamos do Clube...), verdadeiro compagnon de route, sempre disposto a mais um desafio.
Depois o Paulo Dias, de uma casta diferente. Mais pragmático, menos organizado (em tempo para a colaboração), fornece-nos o elemento de terra-a-terra por vezes bem necessário...
A Graça, rival stressada, sempre a 1000, um poço de energia e de benevolência. Com ela o Paulo, o militar pragmático, eterno curioso e atento observador.
Ainda o Sandro, Humanista utópico, um pouco desaparecido é certo, mas sempre presente. O Fernando, aquisição nem sempre assumida, mas sempre participante. O Boavida, que nunca desliga; e a Fernanda, a eterna madrinha.
O Macieirinha, que do Norte fornece o sotaque necessário à fala diferenciada, e o decadente Revez, eterno novecentista em permanente contradição.
Aos mais recentes, um abraço académico do Tombo ao Pedro Faria, e um beijo fraterno de quem sempre defende as causas que acredita à Paula Peres.
Gentes de muitos lados, de muitas ideias, de muitas vontades. Outros já por cá passaram, outros ainda não chegaram. Este é um projecto em permanente mudança. Assim são as ideias, assim devem ser os projectos.
Continuamos com ideias (a mais, aliás) e com vontade de contribuir para uma melhor qualificação do panorama intelectual e associativo da sociedade civil em geral, e em Lisboa em particular.
Há dois nos assumíamos:
Move-nos o ideal cívico do tributo político em prol do Bem Social. Numa nova formulação transdisciplinar, queremos tornar a experimentação cultural fonte de discurso político.Para um exercício de cidadania responsável, procuramos experimentar, com responsabilidade. Querermos poder explorar, formar e informar.

Há Gajos/as Esquecidos/as! (Ano 2)

É impressão minha, ou deixámos passar aqui, novamente, uma data?
O primeiro registo acessível é (continua a ser) este... De qualquer forma fizemos dois anos e ninguém reparou (nem nós, novamente). Deveremos consolidar a ilação tirada o ano passado (estilo, ter que começar mesmo a tomar comprimidos).

Já agora, fica aqui (mais uma vez novamente) a Carta de Apresentação.

domingo, julho 08, 2007

4 - 12 - 15


Caro Paulo,

Em primeiro lugar, parabéns pelo quarto aniversário do Bloguítica. É, hoje, mais que uma referência da blogosfera. Parabéns.

Depois, respondendo à tua pequena «provocação» respondo com simplicidade, apresentando-te dois números: 12 e 15.

12 são o número de candidatos à presidência da CML. Bons e maus, mais bem preparados ou autênticos pára-quedistas, a verdade é que 12 concorrentes dividirão entre si o bolo eleitoral de 15 de Julho, dificultando, naturalmente, alguma grande concentração de votos.

O outro número é o 15. O dia das eleições. 15 de Julho, como deves de imaginar, é o dia onde muitos lisboetas saem para férias, chegam de férias, ou estão furiosos por não estarem de férias. É, sem dúvida, a pior data eleitoral dos últimos anos, e eu tenho muitas dúvidas que a votação chegue aos 50%. Ora perante este cenário António Costa é dos candidatos mais afectados (não é o único, no entanto), uma vez que o seu eleitorado, mais ao centro, é exactamente aquele que está a entrar ou a sair da cidade para, literalmente, ir a banhos. Isto sem contar com os veraneantes de ocasião, que aproveitam o fim-de-semana para sairem da capital.

Estas são duas explicações muito básicas, espécie de 101 da política autárquica.

Resumo. Muitos candidatos - voto mais distribuído. Eleições marcadas para o meio do período de férias - poucos eleitores - candidato centrista muito afectado.

Posso, se quiseres, adiantar algumas explicações adicionais, que requerem já uma abordagem um pouco mais elaborada (que pode ter a ver com conceitos como voto flutuante, distribuição por método de Hondt, eleitorado fixo, abstenção, etc).

Se queres a minha opinião, acho incrível é como ainda pode ser possível atingir a maioria absoluta, como ainda se fala nisso. Em como aindas falas nisso. Em qualquer cenário competitivo tal situação seria impensável. Ao falares nisso só vens dar razão a quem, como eu pensa só haver um candidato à presidência da CML, sendo todos os outros apenas candidatos a vereador. Ao resumires os temas da campanha à questão da maioria absoluta só vens lembrar que só António Costa pode aspirar ao (bom) governo da câmara, e que, nesse sentido, todo e qualquer voto noutro candidato só enfraquecerá o próximo executivo, que se quer capaz de resolver a inacreditável situação em que se encontra Lisboa.


Sabia-te descrente. Mas não te sabia assim tão descrente... (e, admito, fiquei surpreendido com a tua falta de paciencia para com António Costa, tratando-o como se ele fosse um bandido vulgar, um político sujo e um cidadão-militante partidário de suspeita)

Ah, e isto não é sabonete, é um programa. Um programa para a cidade de Lisboa que, ao contrario do normal, é exequível. Se quiseres, também tens em versão reduzida

Para terminar, permite-me devolver a questão: como podes achar assim tão impossível que António Costa possa ter uma maioria que o permita governar, por 2 anos, a CML? Não consideras que Lisboa necessita de estabilidade política que lhe permita sair do buraco onde está? Ou defendes a ingovernabilidade, a anarquia como estado político? (é uma estranha posição para quem estuda a política, admito). Talvez defendas a política avulso, negociando a metro, com quem melhor convier para cada momento?

Não deve ser a política assumida e sufragada?

Sem coligações pré-eleitorais assumidas, quem quiser dotar a próxima CML de um governo estável e dar a Lisboa uma possibilidade de sair da trágica situação onde se encontra só tem um voto possível: António Costa. Tudo o resto ameaça prolongar esta crise.

[Texto também publicado no Costa do Castelo]

sexta-feira, julho 06, 2007

Comicio do Parque Mayer - Prelúdio

Como acabei agora a montagem da peça que se segue, tomei a liberdade de roubar ao Carlos Castro, via Tugir e Abrir Lisboa, o seguinte texto introdutório.

Muitas pessoas usufruiram de um bom comício, numa noite bastante agradável, num local emblemático da cidade e bastante revelador da degradação a que Lisboa chegou com a gestão camarárias dos últimos seis anos. O Parque Mayer é o exemplo do que não pode continuar a ser tolerado em Lisboa: degradação e desleixo.
António Costa explicou bem por que a Câmara Municipal precisa de contar com uma maioria estável. Além de ter referido duas condições que só a candidatura do PS apresenta aos lisboetas: um programa claro e uma equipa qualificada para o cumprir, só com estabilidade no órgão executivo, isto é, uma maioria, será possível arrumar a casa nestes dois anos de mandato. A Câmara tem de ser parte da solução, não um problema e obstáculo para a cidade como tem sido.
Por outro lado, nenhuma candidatura, como vários candidatos já fizeram saber esta semana, mostra interesse em ser parte integrante de uma solução municipal.
Só uma maioria claramente inequívoca pode arrancar Lisboa do atraso a que tem estado votada nos últimos seis anos.


Não Apaguem a Memória!

Eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa

Em 5 de Outubro de 2005, um conjunto de cidadãos reuniu-se junto à antiga Sede da PIDE/DGS, reafirmando o protesto público contra a conversão daquele edifício em condomínio fechado, sem que nele figurasse qualquer menção adequada à memória da resistência de tantas portuguesas e portugueses à Ditadura do Estado Novo que vigorou durante quase 50 anos.
Desta iniciativa cívica resultou a criação do Movimento “Não Apaguem a Memória! movimento plural e aberto que, ao longo de quase dois anos, realizou diversas acções nos locais simbólicos da resistência à Ditadura e desenvolveu uma série de contactos com os Órgãos de Soberania, Assembleia da República e Governo, a nível central e local, bem como com Ordens Profissionais (Arquitectos e Advogados).

Motivado pela exigência da salvaguarda, investigação e divulgação desta memória colectiva, este conjunto de iniciativas culminou com a entrega ao Presidente da Assembleia da República de uma Petição, actualmente em discussão na Assembleia da República, subscrita por mais de seis mil cidadãos, para que seja cumprido – em colaboração com o conjunto dos poderes públicos e a sociedade civil – o “Dever de Memória” do Estado português.

Porque sem memória não há Futuro.
Lisboa, à imagem do País, teve ao longo dos 48 anos de ditadura um longo percurso de momentos e locais que conduziram ao 25 de Abril.
No momento em que estão na ordem do dia as eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa, o Movimento Cívico Não Apaguem a Memoria! entende questionar as candidaturas às eleições intercalares de Lisboa sobre qual a posição que a Câmara Municipal de Lisboa deve assumir face a:
1. Criação de um Museu da Resistência e da Liberdade situado no centro histórico de Lisboa sendo para o efeito utilizadas as instalações da antiga cadeia do Aljube.
2. Criação, organização e manutenção de um Núcleo museológico localizado no edifício-sede da ex-PIDE/DGS, em Lisboa, que venha dignificar a memória do sofrimento causado a tantos portugueses que por lá passaram (aliás no seguimento dos compromissos assumidos pela anterior vereação)
3. Construção de um Memorial em homenagem aos presos políticos da Ditadura fascista do Estado Novo.
4. Toponímia urbana que permita assinalar os locais da memória da resistência à Ditadura e da celebração da Liberdade, enquanto património histórico da cidade.
5. Celebração de Protocolos e apoios a iniciativas de divulgação das questões da Resistência e da Liberdade na rede escolar e circuito cultural da cidade de Lisboa (programas temáticos em datas apropriadas).
6. Estimulo à investigação histórica neste domínio, disponibilizando recursos e meios, em colaboração com o Museu da Resistência.
7. Criação do Roteiro da Resistência e da Memória da Cidade de Lisboa.

O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!

quinta-feira, julho 05, 2007

Leituras daqui e dali...

Caro Carlos,

Desafio aceite. Como imaginas, uma intensa vida académica não se coaduna com uma regular leitura de «material» que não seja científico. Como imaginas, não sou muito romanceiro ou sorvedor de literatura de cordel.
Apenas algumas referências de obras que me marcaram, de uma forma ou de outra.

1. A Arte e a Revolução, de Richard Wagner, onde o génio Alemão expõe a sua teoria, totalitária, de como a Arte pode ser o catalizador da revolução, da mudança social, da consciencialização política. Depois de o escrever procurará por as suas ideias em prática, e são estas ideias que estão por detrás da grande Ópera do «Anel dos Nibelungos».
2. Portugal século XX (1890-1976). Pensamento e acção política, do Fernando Rosas. É um livro diferente. Apesar de ser escrito por um historiador engajado, e nota-se, é um estilo de ensaio histórico poucas vezes tentado e com poucos bons exemplos. Não é apenas um livro de história. É muito mais. É a visão da contemporaneidade portuguesa pelos olhos de um dos seus mais atentos observadores. Muito bom. Recorro a ele amiúde. Gostava que mais «observadores» produzissem ensaios destes.
3. As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino é um pequeno livro de sonhos, de pequenas utopias, de desejos e sensações. Gosto de o reler frequentemente. Viajo muito nele.
4. Da República, Fernando Pessoa, é um conjunto de escritos de Fernando Pessoa, compilados por Joel Serrão, que expõe uma vertente mais política e interventiva do grande poeta lisboeta
1984, George Orwell, dispensa apresentações. É a anti-utopia. O lado negro da força da política. É o que podemos ser.
5. O Príncipe, Nicolau Maquiavel, autêntico manual de ciência política, peça essencial para quem quer, hoje, olhar o mundo. Moderníssimo.
6. Utopia, Thomas More, para completar o ramalhete da construção imaginada. Quem, como eu, estuda e vive a política é facilmente atraído pelo desejo de construção do resultado final perfeito, pela utopia. Só isso faz sentido para quem tem um sentido de dever público, um sentido de estar na política na lógica do Outro e não do Próprio. É isso que são as utopias. Mundos perfeitos onde a política não existe. Não precisa.

Agora, passo a bola ao Pedro Delgado Alves, o Pedro Nuno Santos, o Sérgio Vitorino, o Daniel Oliveira, a Palmira Silva, à Marta Rebelo e ao Medeiros Ferreira. Imagino que as suas recomendações sejam bem mais interessantes...

Pesquisar neste blogue