domingo, março 26, 2006

Do cacique

Contribuição do João Boavida sobre o tema
Do cacique I

Cacicar: verbo intransitivo, angariar votos para uma eleição in www.infopedia.pt

A actividade de "cacicar" existe desde que existe democracia em Portugal. Desde os chefes de família, que levavam toda a família a votos, até aos proprietários das terras, que exerciam pressão sobre os seus trabalhadores, passando pelos padres que faziam discursos do púlpito da igreja a incentivar o voto neste ou naquele candidato.

Devido à realidade actual, estes fenómenos são muito mais localizados visto que a partir de certo número de pessoas se torna impossível exercer este tipo de influência. Com uma grande excepção, que são os partidos políticos, que de maneira geral, por exigências operacionais, continuam a manter uma estrutura altamente hierarquizada e piramidal, incentivadora do cacique como forma de progressão politica.

Nos partidos continuam a existir os caciques como redes de influência, benigna ou não, direccionados ao voto interno. Existem diversas formas de cacique, mas podemos definir à partida os principais. Desde logo o cacique pessoal, em que se garante votos através dos laços familiares e de amizade; o cacique profissional, em que se influencia votos através das relações profissionais, muitas vezes através do tão afamado tacho; o cacique politico, em que se troca um lugar politico pelos votos; e o cacique ideológico, em que se garante votos através das ideias e dos projectos propostos. Normalmente o cacique ideológico costuma ter associado um juízo de valor benigno, e os outros costumam ser considerados como condenáveis.

De facto, poucos são os votos que se podem enquadrar em apenas uma destas classificações, pois normalmente têm um conjunto de 2 ou mais destes tipos de influência. É importante não confundir racionalização com razão, em que a razão que leva as pessoas a votar de determinada maneira pode ser de ordem pessoal, profissional ou politica, mas normalmente a racionalização é de ordem ideológica, pois normalmente as pessoas têm alguma dificuldade em admitir que a verdadeira razão para votarem de determinada maneira é de ordem pessoal, politica ou profissional.

João Boavida

Ps- A discussão que surgiu entre o José Reis Santos, do Clube «Loja de Ideias» e o Luis Tito, do Tugir pareceu-me ser uma discussão fruto de ruído na mensagem, em que o JRS começou por discutir o que existe e o porquê, e o LNT discutiu o deveria ser e porquê.
Da minha parte, e para que não haja duvidas, tentei neste texto dar forma ao inicio da ideia que criei a partir do que eu vejo e de quais eu acho que são as origens destes comportamentos. Reservo a minha opinião do que como deve e deveria ser a actividade politica para um próximo texto.

1 comentário:

Luís Novaes Tito disse...

Aguardo atento o teu próximo texto.
Espero, pelo que te conheço, que não se ficará pelo "sempre foi assim" porque acho que és dos que podem fazer com que assim deixe de ser.
Abraço.

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