segunda-feira, abril 06, 2009

Ainda Barroso

Julgo que o tema da recondução (ou reeleição?) de Durão Barroso vai dar água pela barba. Ainda recentemente o Luís Tito nos apresentou a página do corrente Presidente da Comissão Europeia claramente já em versão eleitoral (e com desejo de se corresponder com ingleses, franceses, alemães, espanhóis, italianos e… polacos. Bom, decerto terá entendido que três línguas latinas seriam suficientes. Grande portugalidade). Adiante.
A razão deste texto tem a ver com o comentário que o Vasco Campilho aqui postou, e que dava conta que o PS português se opunha à oposição do PES no que respeite à reeleição de Barroso.
Bom, sem querer duvidar das informações que o Vasco possa ter junto da Secção Portuguesa da Internacional Socialista (link daqui), a verdade é que ainda muito recentemente Vital Moreira parece que confirmou que o PSE não deveria apoiar o candidato do PPE, mas sim apresentar candidato próprio (na linha, aliás, do que o Presidente do PES já referira em recente entrevista ao Le Monde).
Sobre o que diz acerca do PPE e do PSE, julgo que é evidente - para quem queira perceber - as diferenças entre estes dois partidos europeus. O PPE apresenta-se como um produto político exclusivamente táctico, sem programa, ideias, projectos ou propostas. O número Barroso só aconteceu depois das insinuações dos apoios de governos… socialistas.
Os socialistas e sociais-democratas apresentam-se com a força das suas ideias e das suas propostas, observando, e bem, que tem sido a direita liberal e conservadora quem tem dominado a política das instituições europeias, em muito responsável no actual estado das coisas. Bem sei que para alguns as ideias e as propostas não são importantes em política, nem quando essas propostas são concretas e procuram responder a problemas concretos da vida dos cidadãos e cidadãs europeus.
Agora, devo dizer ainda que me parece que se faz confusão quando se refere à actual situação do Presidente da Comissão. Ele pode ser reeleito ou reconduzido? É que para ser reeleito, ter-se-á de se basear num resultado eleitoral, saído da eleição de Junho. Se for para ser reconduzido, então estará a basear a sua legitimação no apoio dos Governos da União. A verdade é que o próximo Presidente da Comissão Europeia necessitará de ambas as legitimidades - a popular e a estatal – e Barroso (e a direita) têm de saber isso. O que quer dizer que se quiserem levar a sua por diante, a direita tem de recentrar o seu discurso, pois por agora dizem querer reeleger Durão com base nos putativos apoios à sua recondução. Nada oiço sobre uma vitória eleitoral, apenas do apoio de Estados ou de estadistas.
Bem sei que é norma na direita (e na direita europeia) reduzirem a política à elite, menosprezando sistematicamente as bases, tudo decidindo no cume dos seus directórios partidários, mas é ridículo tratarem milhões de europeus como actores insignificantes do processo político europeu.
Outras considerações aparte, a realidade é que esses cidadãos europeus, quase 500 milhões, merecem mais respeito. E merecem saber que é do seu voto que a nova realidade parlamentar europeia vai ser definida. Que são eles quem vão decidir sobre o rumo a dar à Europa. Que eles têm a possibilidade de alterar o curso liberal que a Europa, com péssimos resultados, tem seguido nos últimos anos.
Em última análise, deverão ser os cidadãos da Europa, com o seu voto, a decidirem quem tomará conta do leme da Comissão para os próximos 5 anos, e não o directório do PPE (que nem tem alguma ideia o que fazer com a Europa, onde anda o seu manifesto eleitoral?). É por uma Europa democrática que (todos) temos de lutar. Nos partidos, na política, e nos blogues. Não posso, nem quero, acreditar que ainda há quem julgue que apenas uns quantos tudo devem decidir entre eles.
Dependendo da referência, fazem este ano 233 anos que a Revolução Americana e 210 anos que a Revolução Francesa colocaram o cidadão comum no centro da política. Não nos esqueçamos disso, e saibamos respeitar o voto do eleitorado e as instituições democráticas que tanto trabalho deram a construir e a aperfeiçoar. E por isso, e porque é bem possível que o grupo do PSE seja maioritário no Parlamento Europeu em Setembro deste ano, sugiro que alguma direita comece a pensar num outro plano que não o «B».
(um aparte: acho muita piada – mesmo – que o Vasco continuar se incomode com o facto do PSE (ainda) não ter indicado candidato á Presidência da Comissão Europeia, quando o PSD continua a chutar para canto – ou para a bancada – a apresentação do seu cabeça-de-lista ao círculo de Portugal ao Parlamento Europeu).
[texto também publicado no Eleições 2009 e no Les Canards Libertaires]

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Aí está o novo Blog para quem não quer ver repetida a trapalhada em que Lisboa esteve metida com Santana Lopes:

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