domingo, setembro 07, 2008

A entrevista que custou uma entrevista

Parece que McCain desmarcou uma entrevista com o Larry King por causa desta entrevista. Concordo com o Luis Rainha, de onde retirei o vídeo, que aflige ver o júnior republicano (Tucker Bounds) a tentar defender-se das indefensáveis pancadas que Campbell Brown, jornalista da CNN, lhe afligia. Não achei as questões descabidas, pelo contrário. Elas prendiam-se com a experiência internacional e militar da governadora Palin, ao que o spin doctor respondia que ela imensa, uma vez que comandava... a guarda-nacional do Alaska. É verdade que Brown percebe o mal-estar de Bounds e aperta-o, mas fá-lo em busca da resposta à questão colocada e nunca respondida.
Concordo com o Luís Rainha quando refere que já temos políticos assim, que só nos faltam os jornalistas; mas acrescento que para existirem jornalistas como Campbell Brown é necessário que exista independência dos Media e da Comunicação Social, que o Poder Económico e Político estejam separados, que a ética e a autonomia jornalística exista, e que a sociedade civil (ou os espectadores) valide esta informação com audiências (todas características que temo não existirem em Portugal).
Campbell Brown sabe que pode (e deve) ter a atitude que teve. É para isso que lhe pagam e é isso que os espectadores dela esperam (e a razão das suas audiências). Não teme perder o emprego, passar a cobrir o deporto ou a ser colocada na prateleira. Em Portugal ainda se teme muito. Demasiado. (e, curiosamente, acho que muita gente encararia muito bem que mais pessoas houvessem a denunciar e confrontar os agentes políticos, que passam – ainda - demasiadamente impunes dos muitos abusos que cometem).
Deixo o vídeo para vosso conhecimento e julgamento

4 comentários:

Rui Pedro Nascimento disse...

Isto é um arraso!!

Boavida disse...

Tenho algumas dúvidas se temos políticos assim, mas realmente gostava de ter jornalistas destes.
Ainda assim, discordo por completo das pré-condições que pões para que surjam jornalistas destes em Portugal.
Primeiro o poder económico e político está tão separado cá como nos EUA, para os efeitos em questão (é uma salvaguarda importante) e existe ética e autonomia jornalística, falta é profissionalismo.
Independência dos media? Tanto quanto sei, a origem do jornalismo hardball e a tradição do Pulitzer advêm mais da dependência dos jornais para com a industria e dos interesses dos seus donos, do que de valores de independência (como historiador, és capaz de encontrar aqui alguma falha).
É preciso que os espectadores validem este tipo de jornalismo com audiências? Acho difícil validarem com audiências antes de ser transmitido algo deste género.
É bonito dizer que falta independência nos média, que falta ética e autonomia, mas o que realmente faz falta é profissionalismo, é formação, é (talvez) inteligência.
Mesmo quando um jornalista quer enterrar um politico, não o consegue fazer com o mesmo estilo e arte da Campbell Brown. Estou-me a lembrar de algumas entrevistas da Manuela Moura Guedes, em ela não consegue ser incisiva, e para sacar uma resposta dum politico, acaba por usar como principal arma jornalística o aumentar do nível de voz... E estou a dar um exemplo dum pivot! Nem vale a pena falar dos mil e um incompetentes que fazem reportagens no terreno, incapazes de fazer uma pergunta que já não tenha sido repetida até á exaustão.
Já agora, o cenário da imprensa escrita não é muito diferente…
Se queres um exemplo de qualidade jornalística em Portugal sugiro-te que vejas alguns documentários independentes, tenho ouvido umas criticas bastante boas, da parte de pessoas que percebem do assunto.

Rui Pedro Nascimento disse...

Boavida,

Em relação à Manuela Moura Guedes, e a sua forma de fazer jornalismo, tudo cai por terra quando ela foi para o parlamento como deputada por um partido. O mesmo se pode dizer da Maria Elisa ou do Vicente Jorge Silva.

Não te esqueças que estamos a falar duma televisão que pugna por ser independente (não é uma Fox ou um MSNBC) e que mesmo assim não se livrou, em tempos, de ser conotada - foi conhecida como Clinton News Network.

Boavida disse...

Rui,
Se queres que te diga, não acho assim tão importante que os jornalistas portugueses se façam eleger para o Parlamento. O que considero ser a maior falha dos jornalistas portugueses é a falta de profissionalismo. Se o tivessem em doses bastante mais elevadas, com certeza seriam capazes de separar as suas carreiras politicas e jornalísticas...
Infelizmente, sem esse profissionalismo, qualquer tipo de cargo electivo só demonstra ainda mais falhas enquanto jornalistas.
Já agora, acho que os jornalistas, como qualquer outra pessoa, têm o direito de ter opiniões, de as defenderem e de se fazerem eleger com base nelas. Mas têm de ser capazes de fazer o seu trabalho bem, independentemente delas, caso contrário são apenas comentadores. O problema em Portugal não é os jornalistas que têm opiniões e ideais, o problema é que mesmo quando não as têm são incompetentes (ou pelo menos incapazes de fazerem uma entrevista do estilo da Campbell Brown).

Ps- Por que é que os meus comentários ficam com os parágrafos todos trocados?

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