segunda-feira, junho 29, 2009

Não estiveste lá? Estranho...

Vejo no 31 da Armada que o Carlos Nunes Lopes se indigna com o facto de a Gebalis ter admitido 6 (seis) novos funcionários na Gebalis. Seis. Não foram sessenta, nem seiscentos; mas seis. Eu ainda me recordo da gestão camarária do PSD de Santana-Carmona, e lembro-me bem do centro de emprego que era a CML para os boys laranjinhas. Estranho o Carlos Nunes Lopes não ter por lá passado, tantos foram os felizes contemplados.
Claro que a indignação do Carlos se refere ao facto de todos os seis (repito, seis), serem do Partido Socialista, o que pressupõe que militantes socialistas não podem ter valências, características ou méritos que lhes permitam serem contratados por entidades públicas. Outro erro.
O que o Carlos decerto quereria fazer notar é a facilidade com que as nomeações políticas se fazem neste país, com os principais partidos a tomarem – ciclicamente – conta de partes do aparelho do Estado. Aparte da reflexão acerca dessa necessidade, que permite a implementação mais facilitada das políticas públicas, a verdade é que essa rotina já foi mais visível. Hoje, apesar de ainda existir, está bem mais controlada, e só quem tem vista curta ou memória fraca pode atacar o PS na CML de favorecer «os seus». Bem sei que há quem queira esquecer a governação Santana – Carmona a todo o custo; mas há também quem não a esqueça (e sinceramente é preciso ter vergonha na cara pensar que se esquece tudo com tanta facilidade).
(tema a voltar)

domingo, junho 28, 2009

Clubismo Partidário ou uma reflexão sobre Identidade em Política.

Amanhã vai sair um novo cartaz do António Costa e da candidatura Unir Lisboa. O mesmo, que pode ver neste post, é em tons de verde. Não me parece mal a cor (apesar do meu benfiquismo), que procura absorver o conceito plural do alfacinha lisboeta (daí a cor verde alface), nem me parece uma má ideia do ponto de vista político e do marketing. Se por um lado procura apresentar António Costa como um líder para toda a cidade; por outro, procura lembrar o carácter trans-partidário da sua candidatura, facto manifestado pela elevada quantidade de independentes da sua lista de 2007 (que se espera que se repita em Outubro). Essa é uma marca da candidatura Unir Lisboa, que agora se procura valorizar.
No entanto, não posso deixar de estranhar a volatilidade identitária que se tem verificado na forma de comunicar da política contemporânea, que reflecte como se aprecia a ideia de identidade Política. Antigamente as cores eram fixas e tinham uma importante representação simbólica. O vermelho representava o trabalhismo, a social-democracia, o socialismo e os vários comunismos. O azul a democracia cristã. O Amarelo os liberais e o Verdes… os verdes. Quando vemos que muitos partidos e forças políticas mantem as suas cores, a verdade é que o PS se foi afastando da sua. Fê-lo por razões de deslocamento ideológico e de penetração no mercado eleitoral centrista (que tinha – e ainda tem – receio de demonstrações demasiado rubras), Fê-lo por questões de procura de espaço simbólico (excessiva concorrência nos vermelhos – o Bloco também o fez, correndo para os roxos). Inicialmente António Guterres inventou o Rosa; e mais recentemente José Sócrates apresentou-se com os azuis institucionais. As razões são as mesmas: deslocar ideologicamente o Partido Socialista da esquerda, coloca-lo no centro governamental e disputar o eleitorado centrista e conservador. Boa medida em termos de resultados eleitorais, mas com dúvidas em relação à implementação de políticas públicas (boas numas áreas, más noutras).
Curiosamente, também por razões de marketing, os clubes de futebol sofreram nos últimos anos uma transformação simbólica similar. Antigamente o Benfica só se apresentava de Vermelho ou de Branco. O Porto de Azul e o Sporting de Verde. Hoje, para que se vendam mais e mais camisolas, vemo-los a trocar de equipamento todos os anos, para cinzas, pretos, cor-de-rosa, etc. A ideia continua a ser a de conquistar eleitorado. Neste caso futebolístico.
Esta fase de clubismo partidário, que parece só afectar o Partido Socialista, diz-nos então – pelo menos – quatro coisas. (1) O PS perdeu sustento ideológico e hoje é um partido assumidamente de poder (o que em si não é uma má característica, pelo contrário, pois assume a responsabilidade de ser transformador); (2) desenvolveu uma leitura da sociedade onde entende que o Partido deve ser superior à sua militância e ao seu activismo; procurando ligar-se directamente aos cidadãos. Este processo é possível porque (3) o PS perdeu a sua definição ideológica e assume-se como um Partido catch-all sem o sustento simbólico que amarra a sua militância-base. Neste caminho foi perdendo identidade. Primeiro o Vermelho, depois o Rosa. Por outro lado, (4) esta estratégia apresenta o Partido Socialista como o Partido de todos os Portugueses, e não somente da sua clique partidária ou grupos de interesse que o procurem sustentar. O PS é hoje um Partido de Governo, e para sê-lo com mais eficácia simbólica necessitou de se afastar de um passado carregado ideologicamente. Esta dimensão, reafirma a primeira apreciação, pois um Partido com tais características liga-se directamente ao eleitorado, menosprezando os seus militantes.
Agora, é esse o rumo da política contemporânea? Ou só o do PS? A verdade é que outros partidos também fazem este percurso. O Bloco nasceu no Roxo, e os partidos da direita nunca necessitaram de sair das suas definições simbólicas, até porque eram os únicos no terreno (laranja só o PSD, azul só o CDS; enquanto que no vermelho…). Sobre o assunto acho que nem tanto ao Mar nem tanto à Terra. É verdade que os Partidos Políticos devem procurar sair da sua massa militante constituinte e procurar envolver directamente os cidadãos; mais ainda quando se apresenta em listas sem exclusividade partidária (como foi a lista Unir Lisboa). Por outro lado, não podem as forças políticas perder a sua identidade, pois se o fizerem ficam reféns dos líderes de circunstância e das modas dos tempos e correm o risco de governar sem sabor, sem Ideia, sem Ideologia. Esta é uma pecha da governação contemporânea, em especial à esquerda (e isto é visível não só em Portugal) e que necessita de ser colmatada. Como o fazer? Isso é motivo para um outro post… (e um desafio para quem ler este…)


sexta-feira, junho 26, 2009

Eleições poupadas ou eleições democráticas?

Quatro eleições simultâneas? Recuso participar numa mesa de voto

Fina d'Armada


As eleições autárquicas não são UMA, mas TRÊS. Os eleitores votam em três impressos com candidatos e símbolos em posições diferentes. Só quem desconhece o que é uma mesa de voto pode defender 4 eleições ao mesmo tempo!
Presidi a uma mesa, na freguesia de Rio Tinto, Gondomar, nas últimas autárquicas. A freguesia tinha 32 mesas de voto para mais de 36 mil eleitores, cerca de 1100 eleitores por mesa. Na minha, votaram 800 e tal. Fiz as contas e durante as 11 horas de abertura, deu 45 segundos para cada eleitor. Foi um pandemónio, sobretudo quando chegavam autocarros trazendo os idosos dos lares. Eles não aguentavam de pé, estava sol e, como eram tantos, a fila estendia-se porta fora. Alguns vinham acompanhados de familiares para votarem por eles sem passarem pelo delegado de saúde. Começaram a insultar a mesa: que não tinham posto gente em termos, que só havia bicha naquela mesa, que eram uns incompetentes...
Valentim Loureiro concorrera para a Câmara e para a Ass. Municipal, mas não para as Juntas. E fez a campanha: “para votar no Valentim, vota no fim”. Chegavam à mesa e perguntavam: “Então para votar no Valentim são precisos três papéis?” Às vezes entregavam-nos apenas um, deixando os outros na cabine. Na fila, falavam uns para os outros: “Ó Zé, é para votar em todos no fim?” “É”. Conclusão: como no impresso das Juntas calhara ao BE estar nessa posição, este conseguiu um resultadão. No final, o PSD perdeu Juntas e maiorias. Em Rio Tinto, o BE elegeu dois, um foi para o executivo. Em Fânzeres, três membros eleitos pediram a demissão. Em Medas, não se conseguiu formar Junta... Não se fiem em mim, façam um estudo em Gondomar para conhecerem o país real.
Como nas autárquicas a polícia acompanha o presidente das mesas com os votos, eram 22 horas e ainda eu estava no local. Tive de os ditar por telefone. Por isso, que vá para as mesas quem defende QUATRO eleições simultâneas!

* * *

Se dúvidas eu tinha (sobre a simultaneidade ou não das autárquicas e das legislativas) e, na verdade, tinha, eclipsaram-se!

Jon Stewart Standup - 1996

Ainda bem actual...

A verdade da Mentira

Se é isto que é falar verdade, a verdade da senhora é como a do futebol: o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Desde a entrevista na SIC que a questão do momento tem sido o negócio da PT com a Prisa sobre a Média Capital. Ainda ontem, na mesma SIC Notícias, Miguel Relvas e João Soares trocavam argumentos sobre o mesmo, mantendo Miguel Relvas, mesmo depois de se saber que Moniz continuaria na direcção da TVI, a tese do controlo governamental do dito canal. O próprio Presidente da República, ao contrário do que fez no caso BPN, comentou este negócio ampliando as suspeições sobre o mesmo negócio.


O que nenhum deles estava à espera é que Manuela Ferreira Leite, após ter andado durante este tempo a opor-se ao negócio viesse agora criticar o Primeiro-Ministro por este inviabilizar o negócio, pondo assim fim à suspeição. Mas entende-se a posição de Manuela Ferreira Leite: Dava muito mais jeito continuar a alimentar suspeitas.


P.S. - De referir que, à esquerda, manteve-se a coerência. BE e CDU concordam com a decisão do Governo. Já o CDS alinhou pelo diapasão do maior partido da direita portuguesa.

The King is dead





quarta-feira, junho 24, 2009

Gostava de ter escrito isto

“(...) como um homem patético. Passe a redundância.”

Mexia, Pedro, (2008), “Eu devia ter tido mais juízo” in Nada de Melancolia, Tinta da China, p.136.

Lição

E será que o querem nas listas?

Pedro Passos Coelho, adversário de Ferreira Leite na corrida à liderança do partido, no ano passado, foi ao conselho nacional dar o seu apoio à direcção do partido, garantindo estar disposto a colaborar. Inclusivamente para ser candidato a deputado por Vila Real, se for essa a vontade da distrital e da própria comissão política nacional.


Depois do famoso dia de campanha nas Europeias, e de toda a oposição interna que tem feito, as perguntas a fazer são: E será que o querem nas listas? E aos seus apoiantes? E que quantidade?

Um tema a acompanhar nos próximos tempos...

terça-feira, junho 23, 2009

Young Women beaten in streets of Tehran while protesting

Imagens de uma democracia em acção

Pequena dúvida...

Quando a ideia que se passa é que o PS ganha umas eleições legislativas sem maioria absoluta, discute-se a formação do bloco central.
Quando a ideia que se passa é que o PSD ganha umas eleições legislativas sem maioria absoluta, discute-se a formação de de uma coligação de direita.

Alguém me sabe explicar o porquê?

E mau para a Europa, digo eu!

Naturalmente, Durão Barroso recebeu o apoio unânime dos 27 países membros da UE para se manter à frente da Comissão Europeia. Boa notícia para Portugal, como acentuou José Sócrates. Má notícia para Mário Soares. E Vital Moreira.

É o que diz aqui o Pedro Correia, no Corta-Fitas. E mau para a Europa, digo eu!

segunda-feira, junho 22, 2009

Uma pequena grande crítica aos Lojistas aqui do burgo!

Eu estive fora do país, e só agora tive conhecimento da notícia da morte de Carlos Candal. E tive conhecimento ao dar uma vista de olhos no 31 da Armada (podia ter sido noutro, mas foi por aqui que comecei a ronda pelos blogues), num texto sobre Rui Rio e a RTP, do Nuno Gouveia.
Acho incrível que este blogue, sempre tão de esquerda com causas tão nobres e progressistas, se esqueçam de mencionar e homenagear um socialista como Carlos Candal. Até porque certamente também haverá por aqui quem, além de mim, conheça pessoalmente filho Afonso.
História e memória é algo que os socialistas têm e devem ter. Nenhuma causa terá sucesso sem honrar e homenagear o passado. Homenagear aqueles que desbravaram o caminho que agora percorremos. Homenagear a luta de Homens e Mulheres por aquilo que acreditavam e que nós agora continuamos, acrescentando capítulos, textos, páginas ou pequenos parágrafos às páginas de História que eles continuaram antes de nós.

Carlos Candal morreu no passado dia 18 de Junho, no Hospital de Coimbra. Aqui fica a justa chamada de atenção, o mínimo que podemos e devemos fazer!

Uma semana que passa e nada de novidades!

Uma pessoa sai uma semana e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (assinasse ele mais depressa que os uruguaios do Porto e já lá estava mesmo).

Uma pessoa chega e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (lavasse ele os dentes – curioso que o prof. Jesualdo disse em tempos que no Porto ganhar era como lavar os dentes – e já lá estava mesmo).

Passou uma semana e o país está na mesma. E até parece, por este blogue, que no Irão não se passa nada (tema a voltar, de preferência amanhã) …

Podia – e devia – ter continuado de férias!

domingo, junho 21, 2009

Novas Fronteiras 2009-2013

Decorreu ontem, dia 20 de Junho na sala Tejo do Parque das Nações, o Fórum Novas Fronteiras 2009-2013. Este fórum pretende ser a plataforma de lançamento e desenvolvimento de ideias que sustentarão o programa legislativo das próximas eleições para o Partido Socialista e as reuniões estão abertas a toda a sociedade civil, que pode prpoõr ideias e alternativas.
A sessão aberta teve a participação do primeiro-ministro José Sócrates e de António Vitorino, entre outros ilustres.
Gostaria de louvar a iniciativa de movimento cívico, representando assim uma abertura do Partido Socialista à sociedade civil que convida ao empenho no programa do próximo governo socialista. Representa também um sinal de maturidade democrática ao se apelar à sociedade civil que colabore em tão ambicioso programa. Trata-se de democracia directa a funcionar.
É nosso dever cívico, independentemente das tendências partidárias de cada um, aproveitar a magnífica oportunidade que nos é dada a todos para pensar o país em conjunto e concretizar o governo do país( que é de todos), sugerindo ideias que edificarão a sociedade portuguesa na próxima legislatura.
Está lançado o desafio, que é de todos e para todos. Podemos retribuir a oportunidade com ideias, aparecendo, falando, debatendo, consolidando posições possíveis.

quinta-feira, junho 18, 2009

Orgulho e Preconceito

No próximo sábado vai-se realizar a 10ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (o Pride de Lisboa); evento tradicional no calendário festivo da cidade, com tradições no século passado. Celebra-se o Orgulho LGBT.

Estranhamente, há quem questione a validade destas iniciativas, desvalorizando-as e procurando apresentá-las como marginais colocando em causa a sua importância e colando-a a movimentos marginais ou insignificantes. Foi neste sentido que li os comentários do Tiago Azevedo Fernandes a este postAinda estou para perceber por que razão é que a orientação sexual, seja ela qual for, há-de ser motivo de orgulho», «há também homossexuais que não simpatizam com este tipo de manifestações - deverão sentir-se mal consigo próprios por esse facto?»). Esta reacção é, ainda – e infelizmente – muito comum em parte da sociedade portuguesa, em especial naquela que não se liberta de certos preconceitos e que não entende totalmente o contexto de iniciativas como a Marcha do Orgulho LGBT.

Claro que a Marcha não é exclusiva da comunidade LGBT. Eu sou heterossexual e vou estar no sábado no Principe Real, como sempre o faço e como muitas pessoas fazem. O Orgulho que se vai celebrar é o de cada um de nós poder ser e assumir aquilo que é, no que toca à sua orientação sexual, qualquer ela que seja. Também se celebra, de forma indirecta, o Orgulho na nossa sociedade; uma sociedade tolerante que permite a viabilidade dessa escolha; uma sociedade activa e orgulhosa do que já conseguiu construir; uma sociedade que está consciente do que ainda necessita construir (para quando a plenitude e a igualdade de direitos?). Só quem não sabe como são outras realidades (adenda: ver esta ou esta) pode colocar em causa o Orgulho que temos em poder celebrar isto.

Por isso, caro Tiago, não se deve sentir nem bem nem mal com a posição que toma relativamente a estas iniciativas. Eu é que lhe agradeço os comentários que fez a este post, e que me motivaram a escrever este texto, e aproveito para o convidar pessoalmente a vir à Marcha do Orgulho LGBT de Sábado. Procure-me, sei que não tem os preconceitos que parece ter.

Lição aberta de José Gil. Hoje às 18 horas.

Caros amigos e amigas, hoje às 18 horas iremos transmitir on-line a lição aberta de José Gil no âmbito das Conferências de Lisboa. A transmissão será feita em simultâneo no site do Público On-line , no site das Conferências de Lisboa, bem como um grupo de vários blogs que se juntaram nas últimas semanas: Arrastão, 5dias, canard libertaire, spectrum, queluz e jeunegarde, além de nós próprios.

Uma história de amor

domingo, junho 14, 2009

A contra-corrente

Na sequência do post publicado por Vera Santana intitulado "People First ?", gostaria de acrescentar alguns pontos de reflexão, a meu ver, tão importantes quanto os que foram naquela publicação lançados.
Os Estados Unidos da América (EUA) elegeram um Presidente representante do Partido Democrata, mas com discursos de unificação, de governo para as pessoas, pelas pessoas, com latentes preocupações sociais querendo criar um país mais justo e igualitário. Bem sabemos que nos EUA nenhum dos partidos do poder se posicina à esquerda. O Partido Democrata não é um partido de esquerda, mas se existisse uma esquerda nos EUA era por aqueles discursos que seria representada, com uma posição mais humanista do que lobista da Economia. No seu discurso a justiça e a igualdade de oportunidades estão sempre presentes e as preocupações socias sempre sublinhadas e sublimadas. O povo americano percebeu a necessidade de mudar, afirmou o cansaço de políticas económicas firmadas pelo capitalismo selvático (que nunca foi, é verdade, o timbre e tom do capitalismo europeu), aceitou a necessidade de intervenção do Estado na Economia e votou Obama.
O povo europeu voto a contra-corrente desta mudança pregada nos EUA. E Portugal foi a contra-corrente da Europa e também dos EUA.
Há quem diga que o centro direita conservador europeu ganhou as eleições porque tem líderes fortes que o centro esquerda não tem. Foi esta a censura dos europeus.
Independentemente dos motivos subjacentes à escolha dos europeus, a consequência desta escolha será a tomada de posições semelhantes às que até à crise vinham sendo tomadas, sendo que agora e cada vez mais a reboque do dinamismo norte-americano porque esta escolha se traduziu numa posição defensiva face à tomada nos EUA, deixando agora que aqueles concertem sobre a crise, que ajam sobre a crise, enquanto que nós europeus, nos resignaremos a reagir às suas tomadas de posição.
Ao centro esquerda resta reestruturar-se, reforçar-se, tomando posições mais funcionais em matéria de política económica, propondo medidas fortes no combate à corrupção, ditando as regras em matéria de política ambiental, claramente uma das possibilidades de motor da Economia Europeia, propondo medidas reais, eficazes e inovadores em matéria social, sendo pioneiros em propostas de criação de emprego, tornando funcionais os sectores estatais responsáveis pela informação sobre emprego e também ouvindo o associativismo, o que lhe permitirá conquistar votos de independentes.
Estas são as oportunidades que o centro esquerda tem de aproveitar, visando o seu próprio benefício, mas acima de tudo, visando os interesses de cada Estado e consequentemente da Europa.
Porque é deste centro esquerda que a Europa precisa, somando-lhe os líderes fortes.

sexta-feira, junho 12, 2009

"I'm an American Jew. I'm supposed to be safe here."

 

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Yesterday's attack at the U.S. Holocaust Museum was another terrible example of the frightening increase in homegrown anti-Semitic terrorism.

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As courageous security officers, at terrible personal cost, safeguarded the lives of thousands of visitors, law enforcement and media called on ADL's expertise. We quickly confirmed that the perpetrator was a white supremacist and anti-Semite with a criminal history.

ADL immediately contacted Jewish institutions around the country who rely on us for security leadership, and provided vital and time-sensitive security guidance.

At this critical moment, ADL is there. We are leading the fight against a new wave of anti-Semitic violence:

  • We've trained more than 100,000 law enforcement professionals, including the Washington, D.C., Police
  • Our unparalleled security education protects the Jewish community
  • ADL works every day to protect you and your family

The threat to the American Jewish community is real. As the leading organization dedicated to fighting anti-Semitism and extremism, and protecting your family, your support is more essential than ever. ADL needs you now..




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quinta-feira, junho 11, 2009

Crónica de uma eleição europeia (I) [título modificado]

48 horas depois já consigo proferir um par de análises sobre o 7 de Junho. Irei faze-lo em jeito de crónica e em posts distintos: um prelúdio, um par de ideias sobre as eleições e uma ou duas reflexões sobre o futuro.
Prelúdio: Bruxelas, 7 de Junho.
O dia 7 de Junho começou de forma fantástica. Viagem para Bruxelas em primeira (deram-me um update de ultima hora, que aceitei) e no lugar ao lado do do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Acabei por trocá-lo com o João Marques de Almeida – não me fosse eu não me comportar– mas ir para Bruxelas com Bruxelas pintou de excentricidade a viagem e permitiu alargar a palete de cores do meu dia. Vinha vestido de vermelho, puro; e agora uns tons de azuis apresentavam-se institucionalmente.
Chegado a Bruxelas, ao Parlamento Europeu, a atmosfera era a dos grandes jogos. Centenas de jornalistas, vários estúdios de televisão e da rádio, entrevistas por todo o lado. Uma energia contagiante. Gente e mais gente, encontrões, olhares cruzados, piadas e risos. Stress. Muito stress. Mais cores apareceram. Verde, Amarelos, tons de Vermelho e de Azul, Cinzas. Todas as cores do espectro político europeu visíveis ao olho nu. A democracia vestida com o seu melhor traje. Fantástico cenário.
No Partido Socialista Europeu a noite não era a das grandes vitórias. O semblante carregado do staff não nos deixava grandes esperanças, e o vislumbre dos primeiros resultados confirmava as piores expectativas. Esperava-se perder nos grandes países e de uma maneira geral um pouco por todo o lado. Mas quando se começou a perceber o que se ia passar em França, na Alemanha, na Polónia, na Hungria a ideia inicial de fazer um bom jogo, de nos apresentarmos competitivos, de podermos – de alguma maneira – moldar a nova Europa eleita (condicionando, por exemplo, a eleição de Barroso), rapidamente desvaneceu. Agora era evitar a goleada, e procurar promover as pequenas vitórias na segunda divisão da política europeia (Grécia, Belgica, Malta, Dinamarca, Chipre, mais tarde a Roménia, etc). Afinal, os partidos membros do PES subiram em 10 dos 27 países.
Esperávamos perder, mas nunca de goleada, nunca assim. Nunca tão cedo. E perdemos Portugal. E perdemos Espanha. Caímos nos bastiões do socialismo progressista europeu que são o exemplo da governação social-democrata para essa Europa de esquerda. Desastre. Massacre. Afinal, até tínhamos uma boa equipa. Um bom programa. Os activistas. A crise provocada pela direita neo-liberal. Onde falhámos?
Tenho descrito esta situação como se fossemos, o PES, uma equipa de fórmula I. Desenhámos um carro (o Partido), colocámos-lhe um bom motor (o manifesto eleitoral), umas boas rodas (os activistas), e quando foi altura de o conduzir… não só percebemos que não tínhamos condutor como parte da nossa equipa queria o piloto dos nossos adversários. Caricato, não? Depois tomámos consciência de que este não era, afinal, um jogo de equipa – onde todos vestem e suam a mesma camisola – mas antes uma espécie de entretenimento colectivo, amador, onde os jogadores da equipa se apresentam juntos no campo dos jogos com camisetas semelhantes mas todas diferentes, na core nas tonalidades. Não conseguimos transformar o potencial das nossas individualidades numa mais-valia colectiva, e fomos um qualquer conjunto de galácticos da política, equipa cheia de vedetas, incapazes de passarmos a bola uns aos outros, mais preocupados com a gestão das diversas carreiras pessoais do que em ser competitivos no campeonato da política europeia. Aí errámos. Procurámos criar e construir uma realidade europeia onde só existe dinâmica nacional. Não há 27. Há 1+1+1+1+1+1…
A noite acabou por acabar numa boa nota: a eleição – ainda por confirmar – do Rui Tavares. Éramos muito poucos os resistentes. Com interesses distintos. Curiosamente portugueses e italianos, mais e mais cabisbaixos. Os Socialistas italianos ficaram fora do Parlamento Europeu. Julgo que devemos ter uma qualquer sina para a dramaturgia trágica. Entretanto, o ruído de fundo, ritmado, do rebentar das garrafas de champanhe marcava o tempo e recordava-nos de que a festa era num outro lado. Rui, PCP ou outro do PSD. Elegemos o Rui. Podia fechar a noite com um sorriso.
Telefonei-lhe. O Rui tinha-me ligado – estava eu em Bucareste numa acção de campanha do PES – quando decidiu aceitar o 3º lugar na lista do BE. Era um dos socialistas a quem ele queria comunicar tal decisão, disse. No mínimo queria ser um dos primeiros a congratulá-lo. Telefonei-lhe. Rimos. E prometi-lhe uma cerveja pelo Parvis de Saint-Gilles e fui dormir.

terça-feira, junho 09, 2009

People First?

A Europa está mais conservadora. Conserva modos de estar na vida, conserva modos de fazer política - dando espaço às forças económicas - e conserva a União Europeia. O PPE - Partido Popular Europeu – mantém a maioria, apoiado por maiorias conservadores na governação de 21 dos 27 países europeus.

As esquerdas tradicionais não marxistas - Partidos Socialistas, Trabalhistas e Sociais Democratas – perdem lugares no Parlamento Europeu. Mais do que constituirem-se como força reguladora das forças económicas, estes partidos de esquerda serão, hoje, sobretudo motores para institucionalizar novos modos de estar na vida, legitimando a plena existência destes ao lado de modos tradicionais de estar na vida?

O extremo direito do leque partidário – a direita da direita – estendeu-se para além das ideologias democráticas (os extremistas de direita) e foi premiado com um maior número de deputados eleitos para o Parlamento Europeu, nomeadamente pela mão de um povo educado, “tolerante”, rico e civilizado, os abertos holandeses. Chegada a um máximo de vivências plurais e de amplas liberdades, a sociedade holandesa privilegia agora outras vias? Como se houvera uma mão invisível - não económica mas social - a travar alguma tendência para situações sociais de anomia? Como se a sociedade fosse ela mesma pensante, au-delá dos pensamentos dos grupos e dos indivíduos? Esta perspectiva durkheimiana sobre o social interroga fortemente os construtivismos explicativos das transformações sociais.

Os Verdes mantêm um significativo número de deputados no Parlamento Europeu. Situados no espectro esquerdo do hemiciclo europeu, poderão ter um bom efeito doseador sobre uma economia liberal se, nesta grande orquestra que é o PE, tocarem em harmonia com o PSE e outros partidos.

Constituirá este quadro uma saída europeia para a crise internacional?

A sê-lo, será uma saída que, por um lado, se traduzirá num filme slow-motion ainda mais lento, a ter lugar no Parlamento Europeu - porque mais variado parece ser o leque e, dentro de naipes não-maioritários, maior o número de instrumentistas - e, por outro lado, continuará a trazer, nos próximos tempos, grandes dificuldades aos estratos sociais mais frágeis dos países europeus.

Deixo mais algumas interrogações: que factores levaram os europeus a preferirem o liberal (em termos económicos) Partido Popular Europeu - PPE, num momento de crise internacional que desvendou à outrance a urgência de regulação sobre o liberalismo económico (regulação que reside, tradicionalmente, nas mãos do PSE e não do PPE)? Como vai a Europa tratar do desemprego e dos desempregados, da saúde e dos doentes, da pobreza e dos pobres?

A Europa optou por "People after economic solutions"? People later...

Nos próximos 5 anos, as respostas a estas interrogações serão socialmente visíveis. Para já, fico a aguardar ansiosamente comentários, de cariz mais político do que este, por parte dos meus camaradas de blog e outros.

sexta-feira, junho 05, 2009

Obama Speech to Muslim World in Cairo

Home



Home é um filme-documentário que estreia hoje em mais de 50 países. Em Portugal dá às 20:30 na RTP2. É lançado neste 5 de Junho, em televisão, cinema, DVD e internet.

A não perder.

Sites:
Site oficial, Facebook, Canal Youtube

O Espelho

Espelho para que algumas pessoas possam para lá olhar
Há muita gente que devia perceber a loucura onde está metido. Por vezes, o espelho é um bom começo para obter esse entendimento!

COMICIO DE ENCERRAMENTO - NOS EUROPEUS - 5 de Junho 2009, LISBOA


Já começam a perceber a loucura da estratégia do PS?

Mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa revela critério de recrutamento de figuras socialistas

Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa (parte do grupo BPN).

Quem manda lama, nunca fica limpo.

quinta-feira, junho 04, 2009

Sobre a disparidade dos meios de campanha

Esta notícia sobre os meios de campanha dos partidos nas eleições europeias é interessante. Dando como boa a informação lá presente (algo sempre complicado na comunicação social portuguesa), a disparidade dos meios de campanha do PS face aos dos restantes partidos é realmente impressionante. Isso contudo levanta-me uma dúvida: que o orçamento do PSD para as europeias era superior ao do PS. Cerca de 2 milhões e 200 mil euros para o PSD face a 1 milhão e 520 mil euros para o PS.

Será que o PSD já esta a poupar dinheiro para os outros actos eleitorais?

Essa dúvida à parte, só podemos elogiar o carácter profissional da máquina de campanha do PS. Sem dúvida, e isso é visível, a melhor máquina de campanha destas eleições.

É pena que essa excelente máquina só sirva para transmitir conteúdo de baboseiras e afins, que envergonham a história do partido.

A isso voltaremos, noutro post.

Por que há coisas que são realmente tarde...

Há certas pessoas que deveriam começar a diversificar as fontes de informação que têm. Porque quando se lembram das coisas... é tarde!
Falar é fácil, trabalhar é que é difícil!

Agora é que se lembraram disto? É tarde!

Sabemos via EuropeanVoice que oito grandes líderes de partidos socialistas, entre os quais estão Mário Soares, Gonzalez, Schroeder e Jospin, publicaram uma declaração no dia 2 de Junho a defender que o Partido Socialista Europeu deveria apresentar urgentemente um candidato alternativo a Durão Barroso para Presidente da Comissão.

Esta tentativa de criar um verdadeiro debate nestas eleições europeias é paupérrima. Tendo sido publicada na recta final da campanha, isto soa a mais um embuste. Se os signatários desta declaração queriam realmente que houvesse um candidato socialista à Comissão, então que usassem da sua influência colectiva e individual para que tal acontecesse. Por exemplo, publicando isto numa altura em que poderia ter algum efeito.

Alguém acha que a dois dias do começo das eleições (o Reino Unido e a Holanda votam hoje) esta declaração terá alguma espécie de utilidade?

Publicada agora, esta declaração não parece ser tanto uma afirmação de coragem dos signatários face aos respectivos partidos, mas sim uma acção de cobertura das respectivas imagens pessoais. O que custa defender algo, quando se sabe que já não se pode pôr em prática?

Um espectáculo triste, portanto.

Estas eleições europeias são uma farsa. E a culpa é dos Socialistas!

Este é o tema da crónica de Wolfgang Proissl no FT Deutschland de ontem (via Eurointelligence). A razão é simples: ao não terem um candidato que concorresse contra Durão Barroso para Presidente da Comissão, os partidos socialistas impediram a realização duma verdadeira campanha sobre assuntos europeus. Para quê discutir as diferentes visões que os vários partidos europeus possam a vir a ter sobre a Europa, se os principais partidos estão unidos no apoio às actuais políticas liderados por Barroso?

Até se pode perguntar se não será um embuste dizer que o Partido Socialista Europeu defende ideias diferentes dos Populares. Isto seria a mesma coisa que o PSD e o PS dizerem que tem ideias opostas para a governação do país, e depois Manuela Ferreira Leite vir dizer que apoia a continuação de Sócrates como Primeiro-Ministro!

Foi este o grande contributo que Zapateiro, Brown, e Sócrates, juntamente com as "mentes brilhantes" do SPD alemão, deram para o debate europeu. Ou melhor, para a inexistência dum debate europeu. Isso era uma coisa muito complicada. Obrigava os socialistas europeus a terem ideias, a discuti-las e a defende-las. E isso é uma maçada. E podia interferir com os pratos de lentilhas que a malta vai ter (vide exemplo dos rumores sobre Martin Schulz e o cargo de comissário que ele ambiciona).

E nós aqui, à beira-mar plantados, sempre podemos dizer que continuamos a ter um português num dos cargos mais importantes do mundo. E isso será propagandeado como uma grande vitória do governo.

Porreiro pá!

5.000 and counting

Não sei se é recorde, mas o Movimento pela Igualdade já recolheu mais de 5.000 assinaturas online desde Domingo.
Numa altura destas, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu (onde se espera uma abstenção elevadíssima); quando é recorrente o discurso sobre o afastamento das pessoas dos assuntos da política, é verdadeiramente impressionante que este movimento – totalmente emanado da sociedade civil, sem qualquer apoio partidário – consiga, praticamente sem recursos que não sejam a vontade dos seus subscritores, alcançar tal resultado.
Bem sei que este tema, o do casamento entre pessoas do mesmo género, é já mainstream na camada progressista e liberal da sociedade portuguesa. É essa característica que permite que com grande facilidade gentes de esquerda e de direita, novos e velhos, pessoas de todas as áreas profissionais estejam a assinar o documento promovido pelo MpI com a vontade e o entusiasmo demonstrado pelos números.
Portugal tem mesmo uma nova geração de gente que se interessa pelo Bem Comum, que respeita a Liberdade Individual de cada um e que se bate pela Igualdade total no acesso à Lei. Nestes sim, vislumbra-se um futuro interessante, para este canto da Europa.
(já assinou? Quer faze-lo? Clique aqui)

quarta-feira, junho 03, 2009

A força do carácter

A páginas tantas nesta (pouco) interessante campanha eleitoral discutia-se mais a personalidade da Elisa Ferreira - o que disse ou não disse, o facto de ser candidata à Câmara Municipal do Porto (facto que ainda continua a incomodar muita gente) – do que a mais-valia que a (ainda) eurodeputada tem a acrescentar à lista do PS para a Europa e para a representação portuguesa no Parlamento Europeu. (sobre este assunto, podem consultar este e este posts)
Pois na altura muitos se insurgiram sobre umas pretensas declarações da Elisa ao Jornal de Negócios, atribuindo-lhe erradamente a autoria da citação "o dinheiro é do Estado, é do PS". Este artigo causou um grande mal entendido e deu azo a diversos comentários e artigos na imprensa. Apesar de prontamente desmentida, muitos houve que não a interiorizaram, continuando mesmo a por em causa a veracidade do (primeiro e tímido) desmentido do Jornal de Negócios. Destaco entre os que não aceitaram o desmentido, o Nuno Gouveia, que em repetidos posts tem atacado a candidatura da Elisa ao Porto (por exemplo aqui).
Pois ontem, o Director do Jornal de Negócios, Pedro Guerreiro, faz um editoral completamente esclarecedor sobre este assunto, que pode ser aqui consultado. Uma vez mais se demonstrou a força do carácter da Elisa Ferreira. Terão os seus principais detractores a mesma característica e emitir, também, um pedido de desculpa público?

Mudsliding, humor e política.

Recentemente coloquei neste blog um video que levantou alguma polémica. Não entendo porquê, sinceramente, afinal as tácticas de mudsliding já existem há algum tempo na política portuguesa (basta recordarmos os ataques pessoais que José Sócrates teve de suportar durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2005).
O vídeo, que, repito, não o aprovo, é um exemplo recente que caracteriza os rumos do debate em Portugal: ataque pessoal ao principal adversário político, ad hominen. É essa a táctica que alguma direita tem procurado promover, por exemplo (como o comprova aliás alguns dos comentários recebidos neste post).
Dizia então que estas formas de fazer política estão cada vez mais frequentes na vida política nacional, e cortam qualquer intenção de elevar o debate sobre as propostas em causa. É o que se tem visto por esta campanha fora, e de parte a parte, admito.
O vídeo em causa, em minha opinião, roça o limite do aceitável, por ser talvez demasiado explicito, muito on your face. É verdade que o Paulo Rangel, com as respostas dadas, se põe a jeito para um contra-ataque destes, mas a coisa podia ter sido feito com mais… delicadeza.
Para exemplificar o argumento, deixo-vos outros vídeos, também de ataque político, mas que pelo uso da ironia, do humor e da ficção se destacam. Um é produzido pelo Bloco de Esquerda e é contra o Tratado de Lisboa; o outro é da responsabilidade da Sinistra i Libertá, coligação de esquerda concorrente às eleições europeias, que ataca o Partido Democrático (outra coligação de «esquerda» em Itália).
Estes exemplos reportam à melhor tradição do uso da caricatura e do humor em política, e devem relembrar que há outras formas de fazer política, mesmo negativa, do que atirar lama à cara do adversário. À atenção da direita.
Disfrutem.

Mãozinhas

Ana Gomes acusa Paulo Rangel de ser campeão do flick-flack político

El brote verde

Directamente de Espanha.

terça-feira, junho 02, 2009

Eu ainda tenho esperança

Eu ainda mantenho a esperança de que estes últimos dias de campanha para as Europeias sejam aproveitados para se discutir as questões seríssimas que nos ligam à Europa. Que relação querem estes partidos estabelecer com a Europa e a definição de uma política de emprego, que partido (e espero que o PS o faça) nos defende no seio da Política Agrícola Comum latifundiária, mais importante ainda perante a ameaça de uma crise mundial de alimentos nas próximas décadas, que passos a dar no desenvolvimento tecnológico, em que mais podemos concretizar o ambicioso projecto sociedade do conhecimento, como unificar a cultura europeia perante a sua rica diversidade, que política ambiental a seguir.
Em cada um destes temas inúmeras oportunidades de crescimento e desenvolvimento económico podem emergir. O crescimento económico e desenvolvimento económico devem constituir o cerne da questão política nacional e europeia. Eu ainda mantenho a esperança de ver o trabalho preparado pelos partidos em prol da fundamentação das suas posições em todas estas questões enumeradas neste hiato de tempo que mediou as actuais e as passadas eleições europeias, para que a campanha perca este tom de ideias com pouca profundidade ou nenhuma seriedade democrática.

Afinal há outro... apoiante

Desde que não aumente a carga fiscal, um imposto europeu, idêntico ao proposto por Vital Moreira, é uma opção que Paulo Rangel admite vir a assinar por baixo.

Afinal parece que Vital Moreira também contribui para a discussão europeia. Convém é admiti-lo só depois do soundbyte contra, já que impostos são sempre uma temática impopular para quem os propõe.

TGV mais barato?

Segundo o Diário Económico, a primeira fase do TGV ficará 900 milhões de euros mais barato do que a estimativas iniciais do Governo, em Dezembro de 2005. A confirmar-se esta notícia, é caso para dizer que erros de cálculo como este do Governo são sempre bem-vindos.

In "Sciences Po / PS"

La science de la statistique et l’art du compromis

Certains leaders politiques français, par ailleurs anciens membres du Parti Socialiste, ont récemment multiplié les déclarations sur les très nombreux votes communs du Parti Socialiste Européen (PSE) et du Parti Populaire européen (PPE) au sein du Parlement européen. On nous affirme, chiffre effrayant, que 97% des décisions seraient prises d’un commun accord par ces deux formations. En bon sympathisant socialiste, il y a de quoi s’alarmer. Quelques jours plus tard, la terrible statistique vient une fois de plus nous faire sursauter, cette fois-ci de la bouche du chef du Nouveau Parti anticapitaliste. Pas besoin de plus pour dérouter le sympathique sympathisant. Mais qu’en est-il vraiment ?

Reprenons ce chiffre. D’où sort-il ? Comme l’a relevé récemment Jean Quatremer dans Libération, il semble que MM. Mélenchon et Besancenot, car il s’agit bien d’eux, soient allés glaner leur chiffre sur le site « l’observatoire de l’Europe », site eurosceptique proche de la mouvance de Philippe de Villiers. On retrouve ce chiffre dans l’étude d’un chercheur suédois, Jan Johansson mené en 2008 sur les 535 votes finaux de textes législatifs européens. Au-delà de l’étrange mélange des genres, il semble que les dirigeants politiques mentionnés n’aient pas vraiment saisi la manière dont les textes législatifs sont adoptés au sein des institutions communautaires, ce qui est fort regrettable lorsqu’on constate qu’ils sont eux-mêmes candidats à des sièges d’eurodéputés…

Citons Pervenche Bérès, présidente de la Commission des Affaires Economiques et Monétaires et membre de la délégation socialiste française que mentionne le même Jean Quatremer : « La négociation européenne, c’est comme une négociation syndicale : on se bat, mais au final il faut conclure un accord tenant compte du rapport de force ». C’est qu’en effet, les textes votés ne tombent pas du ciel in extenso.

Si la Commission qui détient le monopole de l’initiative communautaire a actuellement, au travers de son président, une orientation plutôt libérale, il n’en va pas de même au sein du collège des chefs d’Etats et de gouvernement du Conseil européen qui décide des grandes impulsions à donner à la construction européenne. Il n’en va également pas de même de l’ensemble des gouvernements représentés au sein du Conseil des ministres de l’Union qui examine le texte avant le Parlement et doit généralement trouver une majorité qualifiée, si ce n’est pas l’unanimité pour l’adopter. De ce fait, avant que d’être examiné par le Parlement, les textes ont-ils déjà fait l’objet de débats parfois très vifs et de compromis souvent délicats, dont les formations politiques respectives doivent tenir compte. Et pendant l’examen des textes mêmes, discute-t-on article par article des amendements proposés par les différentes formations. Si on y ajoute le fait qu’aucune de ces dernières ne détient de majorité absolue au sein du Parlement, on comprend alors aisément qu’au final chaque groupe aura plus ou moins intérêt à voter ou refuser le texte selon les amendements qu’ils ont pu introduire.

Logiques institutionnelles, logiques partisanes, logiques compromissoires. Toutes ces données s’entremêlent et raffinent le mode de prise de décision, rendant réductrice une statistique fondé sur le seul vote final des textes. Va-t-on reprocher aux socialistes de jouer le jeu de la démocratie pour obtenir le plus d’avancées sociales concrètes ?

La statistique est une science bien malléable. Les chiffres semblent ne jamais pouvoir mentir et pourtant on leur fait dire ce que l’on veut. Alors, à ceux qui s’indignent de ces 97% de votes finaux « communs », on a envie de souffler qu’une étude très sérieuse de la LES et de l’Université libre de Bruxelles a démontré que si on inclut à notre étude le vote par amendement, on recense 42% de vote commun des communistes avec le PPE… Bonnet blanc et blanc bonnet, vraiment ?


Simon G.

Filme de Guardiola para motivação antes da final

segunda-feira, junho 01, 2009

LGBT : les socialistes européens s'engagent !



Estive em Roma no fim-de-semana desta acção de campanha. Estive como activista e cidadão preocupado com a qualidade da democracia ao nível europeu. Já conhecia muitos dos intervenientes, conheci outros. Soube que na Bielorrússia internaram o Andrei num hospital psiquiátrico porque ele se assumiu homossexual. Soube ainda que na Suécia se conversa com os agentes do clero para se construir um ritual religioso para a celebração do rito do casamento entre pessoas do mesmo género.
Neste fim-de-semana, já em Portugal, tive a oportunidade de estar na conferência de imprensa do Movimento pela Igualdade. Já aqui vos tinha falado disso (tema que o Pedro Morgado também já referiu), e a sessão correu muitíssimo bem, com extraordinárias intervenções da Isabel Moreira, do Pedro Marques Lopes, do Daniel Sampaio e da Ana Zanati (esta principalmente).
O Movimento pela Igualdade surgiu da necessidade de promover o debate, dentro da sociedade progressista e liberal portuguesa, acerca do acesso ao casamento civil de pessoas do mesmo género. É uma questão de igualdade. Ponto. Bem sei que Portugal já não é a Bielorrússia, nestes temas; mas também sei que ainda não é a Suécia. Andaremos algures no meio destas realidades.
Do que tenho tido a oportunidade de verificar, através do meu envolvimento no MpI, é que há de facto uma camada bem significativa da população portuguesa que está preparada para dar a cara e, sem ambições partidárias ou políticas, se envolver por uma questão de civilidade e pelo reconhecimento público que todos temos o direito à felicidade e à equiparação jurídica perante a Lei.
Em breve teremos mais novidades do MpI (que vos transmitirei). Por agora está submetida a subscrição pública o documento do Movimento pela Igualdade, http://www.petitiononline.com/mpi/petition.html.
(reconheço que estranhei o afastamento táctico de alguma direita, que convidada decidiu se manter a margem deste processo… papa a mais?)

Goodbye, GM ...by Michael Moore

Goodbye, GM
by Michael Moore

June 1, 2009

I write this on the morning of the end of the once-mighty General Motors. By high noon, the President of the United States will have made it official: General Motors, as we know it, has been totaled.

As I sit here in GM's birthplace, Flint, Michigan, I am surrounded by friends and family who are filled with anxiety about what will happen to them and to the town. Forty percent of the homes and businesses in the city have been abandoned. Imagine what it would be like if you lived in a city where almost every other house is empty. What would be your state of mind?

It is with sad irony that the company which invented "planned obsolescence" -- the decision to build cars that would fall apart after a few years so that the customer would then have to buy a new one -- has now made itself obsolete. It refused to build automobiles that the public wanted, cars that got great gas mileage, were as safe as they could be, and were exceedingly comfortable to drive. Oh -- and that wouldn't start falling apart after two years. GM stubbornly fought environmental and safety regulations. Its executives arrogantly ignored the "inferior" Japanese and German cars, cars which would become the gold standard for automobile buyers. And it was hell-bent on punishing its unionized workforce, lopping off thousands of workers for no good reason other than to "improve" the short-term bottom line of the corporation. Beginning in the 1980s, when GM was posting record profits, it moved countless jobs to Mexico and elsewhere, thus destroying the lives of tens of thousands of hard-working Americans. The glaring stupidity of this policy was that, when they eliminated the income of so many middle class families, who did they think was going to be able to afford to buy their cars? History will record this blunder in the same way it now writes about the French building the Maginot Line or how the Romans cluelessly poisoned their own water system with lethal lead in its pipes.

So here we are at the deathbed of General Motors. The company's body not yet cold, and I find myself filled with -- dare I say it -- joy. It is not the joy of revenge against a corporation that ruined my hometown and brought misery, divorce, alcoholism, homelessness, physical and mental debilitation, and drug addiction to the people I grew up with. Nor do I, obviously, claim any joy in knowing that 21,000 more GM workers will be told that they, too, are without a job.

But you and I and the rest of America now own a car company! I know, I know -- who on earth wants to run a car company? Who among us wants $50 billion of our tax dollars thrown down the rat hole of still trying to save GM? Let's be clear about this: The only way to save GM is to kill GM. Saving our precious industrial infrastructure, though, is another matter and must be a top priority. If we allow the shutting down and tearing down of our auto plants, we will sorely wish we still had them when we realize that those factories could have built the alternative energy systems we now desperately need. And when we realize that the best way to transport ourselves is on light rail and bullet trains and cleaner buses, how will we do this if we've allowed our industrial capacity and its skilled workforce to disappear?

Thus, as GM is "reorganized" by the federal government and the bankruptcy court, here is the plan I am asking President Obama to implement for the good of the workers, the GM communities, and the nation as a whole. Twenty years ago when I made "Roger & Me," I tried to warn people about what was ahead for General Motors. Had the power structure and the punditocracy listened, maybe much of this could have been avoided. Based on my track record, I request an honest and sincere consideration of the following suggestions:

1. Just as President Roosevelt did after the attack on Pearl Harbor, the President must tell the nation that we are at war and we must immediately convert our auto factories to factories that build mass transit vehicles and alternative energy devices. Within months in Flint in 1942, GM halted all car production and immediately used the assembly lines to build planes, tanks and machine guns. The conversion took no time at all. Everyone pitched in. The fascists were defeated.

We are now in a different kind of war -- a war that we have conducted against the ecosystem and has been conducted by our very own corporate leaders. This current war has two fronts. One is headquartered in Detroit. The products built in the factories of GM, Ford and Chrysler are some of the greatest weapons of mass destruction responsible for global warming and the melting of our polar icecaps. The things we call "cars" may have been fun to drive, but they are like a million daggers into the heart of Mother Nature. To continue to build them would only lead to the ruin of our species and much of the planet.

The other front in this war is being waged by the oil companies against you and me. They are committed to fleecing us whenever they can, and they have been reckless stewards of the finite amount of oil that is located under the surface of the earth. They know they are sucking it bone dry. And like the lumber tycoons of the early 20th century who didn't give a damn about future generations as they tore down every forest they could get their hands on, these oil barons are not telling the public what they know to be true -- that there are only a few more decades of useable oil on this planet. And as the end days of oil approach us, get ready for some very desperate people willing to kill and be killed just to get their hands on a gallon can of gasoline.

President Obama, now that he has taken control of GM, needs to convert the factories to new and needed uses immediately.

2. Don't put another $30 billion into the coffers of GM to build cars. Instead, use that money to keep the current workforce -- and most of those who have been laid off -- employed so that they can build the new modes of 21st century transportation. Let them start the conversion work now.

3. Announce that we will have bullet trains criss-crossing this country in the next five years. Japan is celebrating the 45th anniversary of its first bullet train this year. Now they have dozens of them. Average speed: 165 mph. Average time a train is late: under 30 seconds. They have had these high speed trains for nearly five decades -- and we don't even have one! The fact that the technology already exists for us to go from New York to L.A. in 17 hours by train, and that we haven't used it, is criminal. Let's hire the unemployed to build the new high speed lines all over the country. Chicago to Detroit in less than two hours. Miami to DC in under 7 hours. Denver to Dallas in five and a half. This can be done and done now.

4. Initiate a program to put light rail mass transit lines in all our large and medium-sized cities. Build those trains in the GM factories. And hire local people everywhere to install and run this system.

5. For people in rural areas not served by the train lines, have the GM plants produce energy efficient clean buses.

6. For the time being, have some factories build hybrid or all-electric cars (and batteries). It will take a few years for people to get used to the new ways to transport ourselves, so if we're going to have automobiles, let's have kinder, gentler ones. We can be building these next month (do not believe anyone who tells you it will take years to retool the factories -- that simply isn't true).

7. Transform some of the empty GM factories to facilities that build windmills, solar panels and other means of alternate forms of energy. We need tens of millions of solar panels right now. And there is an eager and skilled workforce who can build them.

8. Provide tax incentives for those who travel by hybrid car or bus or train. Also, credits for those who convert their home to alternative energy.

9. To help pay for this, impose a two-dollar tax on every gallon of gasoline. This will get people to switch to more energy saving cars or to use the new rail lines and rail cars the former autoworkers have built for them.

Well, that's a start. Please, please, please don't save GM so that a smaller version of it will simply do nothing more than build Chevys or Cadillacs. This is not a long-term solution. Don't throw bad money into a company whose tailpipe is malfunctioning, causing a strange odor to fill the car.

100 years ago this year, the founders of General Motors convinced the world to give up their horses and saddles and buggy whips to try a new form of transportation. Now it is time for us to say goodbye to the internal combustion engine. It seemed to serve us well for so long. We enjoyed the car hops at the A&W. We made out in the front -- and the back -- seat. We watched movies on large outdoor screens, went to the races at NASCAR tracks across the country, and saw the Pacific Ocean for the first time through the window down Hwy. 1. And now it's over. It's a new day and a new century. The President -- and the UAW -- must seize this moment and create a big batch of lemonade from this very sour and sad lemon.

Yesterday, the last surviving person from the Titanic disaster passed away. She escaped certain death that night and went on to live another 97 years.

So can we survive our own Titanic in all the Flint Michigans of this country. 60% of GM is ours. I think we can do a better job.

Yours,
Michael Moore
MMFlint@aol.com
MichaelMoore.com

Britains Got Talent 2009 - Final - Diversity (HQ) - Vencedores

A grande favorita era Susan Boyle, mas afinal quem ganhou foram estes rapazes. Alguém pode dizer que foi mal entregue?

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