domingo, junho 14, 2009

A contra-corrente

Na sequência do post publicado por Vera Santana intitulado "People First ?", gostaria de acrescentar alguns pontos de reflexão, a meu ver, tão importantes quanto os que foram naquela publicação lançados.
Os Estados Unidos da América (EUA) elegeram um Presidente representante do Partido Democrata, mas com discursos de unificação, de governo para as pessoas, pelas pessoas, com latentes preocupações sociais querendo criar um país mais justo e igualitário. Bem sabemos que nos EUA nenhum dos partidos do poder se posicina à esquerda. O Partido Democrata não é um partido de esquerda, mas se existisse uma esquerda nos EUA era por aqueles discursos que seria representada, com uma posição mais humanista do que lobista da Economia. No seu discurso a justiça e a igualdade de oportunidades estão sempre presentes e as preocupações socias sempre sublinhadas e sublimadas. O povo americano percebeu a necessidade de mudar, afirmou o cansaço de políticas económicas firmadas pelo capitalismo selvático (que nunca foi, é verdade, o timbre e tom do capitalismo europeu), aceitou a necessidade de intervenção do Estado na Economia e votou Obama.
O povo europeu voto a contra-corrente desta mudança pregada nos EUA. E Portugal foi a contra-corrente da Europa e também dos EUA.
Há quem diga que o centro direita conservador europeu ganhou as eleições porque tem líderes fortes que o centro esquerda não tem. Foi esta a censura dos europeus.
Independentemente dos motivos subjacentes à escolha dos europeus, a consequência desta escolha será a tomada de posições semelhantes às que até à crise vinham sendo tomadas, sendo que agora e cada vez mais a reboque do dinamismo norte-americano porque esta escolha se traduziu numa posição defensiva face à tomada nos EUA, deixando agora que aqueles concertem sobre a crise, que ajam sobre a crise, enquanto que nós europeus, nos resignaremos a reagir às suas tomadas de posição.
Ao centro esquerda resta reestruturar-se, reforçar-se, tomando posições mais funcionais em matéria de política económica, propondo medidas fortes no combate à corrupção, ditando as regras em matéria de política ambiental, claramente uma das possibilidades de motor da Economia Europeia, propondo medidas reais, eficazes e inovadores em matéria social, sendo pioneiros em propostas de criação de emprego, tornando funcionais os sectores estatais responsáveis pela informação sobre emprego e também ouvindo o associativismo, o que lhe permitirá conquistar votos de independentes.
Estas são as oportunidades que o centro esquerda tem de aproveitar, visando o seu próprio benefício, mas acima de tudo, visando os interesses de cada Estado e consequentemente da Europa.
Porque é deste centro esquerda que a Europa precisa, somando-lhe os líderes fortes.

1 comentário:

Pedro Miguel Cardoso disse...

De facto os resultados nas eleições europeias são surpreendentes e contra-corrente. Quando a maioria dos especialistas propõe mais regulação na economia para combater as causas da crise, os europeus votam em maioria nos partidos que defendem menos regulação.

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