sábado, julho 31, 2010

Misdirection of a right wing liberal

Henrique Raposo, cronista residente do Expresso e autor do blogue Clube das Repúblicas Mortas (grande nome, by the way) tem no seu blogue um texto, assinado por Bruno Vieira Amaral mas que presumo que o dono do blogue concorda, que conta uma "estória" de um Sr. que vai ao SAP com o filho para que este seja atendido e, depois de voltas e mais voltas, recorre aos sistemas de saúde privada, mesmo sendo estes mais caros, para resolver o problema que aflige o filho (otite).

Conclui o texto que o dito Sr. vê o problema do seu filho resolvido no privado, e portanto o Sr. não se importa de pagar mais no privado pois com a saúde não se brinca. Após esta parte, o texto segue posteriormente o caminho da ADSE.

Em relação à primeira parte deste texto, duas coisas a dizer:

  1. Gostaria de saber em que estudo é que o texto se baseia, pois da maneira que esta situação é posta, o privado leva vantagem sobre o público numa questão tão "simples" como uma otite. Como o autor do texto não explica, parto do pressuposto que ou é uma ideia pré-concebida ou é uma experiência pessoal. Se for a segunda, é uma situação infeliz, mas que pode acontecer a qualquer um, seja no público ou no privado. Se for a primeira, nem vale a pena discutir: é uma ideia pré-concebida e por muito que se possa dizer não vai alterar a ideia do autor do texto
  2. Em relação à questão monetária da situação, o que eu não entendo é como um liberal que defende o mercado livre se esquece dum princípio básico da economia de mercado: A Lei da Oferta e da Procura! Parece-me óbvio que o atendimento do privado, sendo já bastante mais caro que o do público e tendo a concorrência deste, tem os seus preços controlados pela oferta apresentada pelo sector do público, pois certamente muita gente prefere ir ao sector público. Acabando com esta oferta, nada regula o mercado, e o sector privado poderá subir os preços como quiser, pois a oferta procura aumentará obrigatóriamente. Afinal, e como o autor do texto afirma "o(s) senhor(es) K.('s) não é (são) maluco(s) e a saúde do(s) filho(s) é uma coisa que o(s) preocupa" (os plurais foram colocados por mim)

Parece óbvio que um liberal não se esquece da regra mais básica de mercado - A Lei da Oferta e da Procura – e só se pode concluir que o mesmo desvia as atenções desta situação, que costuma sempre incluir no seu pensamento.

P.S. – Para quem possa estar a pensar que o mercado auto-regularia o preço, devido à concorrência, relembro o que se passa nos casos dos combustíveis e nas telecomunicações. Depois de explicarem a "concorrência feroz" que faz reduzir os preços nestes dois mercados, podem começar a dissertar sobre a competividade no mercado da saúde, se este não fosse regulado.

sexta-feira, julho 30, 2010

10 anos é muito tempo

Diz a canção que "Dez anos é muito tempo". Os investigadores do Freeport quiseram fazer da letra da canção uma regra e acham que seis anos é coisa pouca. Assim, reclamaram que não tiveram tempo para fazerem perguntas nem ao Primeiro-Ministro nem ao Ministro da Presidência.

Depois de terem estado cerca de dois anos (os últimos) com um processo que durou seis, o "escândalo" que tentam provocar é de que os prazos postos para o processo não os permitiram ir mais longe. Enfim...

"Se pudesse matava o bicho a rir"

O bicho não conseguiste, mas nós demos umas boas risadas à tua conta. Obrigado e até um dia!

Story of Stuff

Aqui mostra de forma sucinta a economia actual e de como essa anda ERRADA...

quarta-feira, julho 28, 2010

E os políticos é que são demagogos

O Bispo auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, pediu aos políticos cristãos que abdicassem de 20% dos seus rendimentos para um fundo social, sem explicar que iria gerir esse fundo, a Igreja?



Tamanha demagogia nunca vi da boca de um homem do clero (e os nossos padres até têm um historial bastante infeliz em declarações públicas).



Mas se queremos ser mais demagógicos, porquê não pedir que todas as igrejas abdiquem...



... dos benefícios fiscais em Portugal (IVA e IRS) e que aumentaram quase 70%, tendo totalizado 90 milhões de euros no final de 2008. Ainda não se conhecem as últimas contas, contudo, presume-se que os benefícios terão aumentado já que, após a entrada em vigor da Lei nº 91/2009, de 31 de Agosto, as igrejas passaram a poder cumular a solicitação da restituição do IVA com a possibilidade de ficarem com donativos de contribuintes particulares, desde que devidamente assinalados no IRS (o regime anterior obrigava à alternativa entre um benefício e o outro).



Como se vê, a Igreja tem à sua disposição uma generosa plêiade de vantagens fiscais que a privilegiam. A tudo isto acrescem donativos financeiros numa média superior a mil milhões de euros por ano do Orçamento do Estado a título de transferências financeiras (acordos de cooperação) com o fito de a auxiliar na sua missão social.



Que tal transferirem 20% destas maquias para um fundo social a ser gerido pelo Estado?



Afinal, tal como parecem fazer querer dos políticos cristãos, 80% dos seus rendimentos (antes de impostos) devem ser suficiente para as suas necessidades...



(com a devida vénia a Carlos Abreu Amorim).

Podemos agradecer a Sócrates

Os accionistas podem agradecer a Sócrates por ter conseguido tudo o que eles falharam: mais preço e Brasil.

"Vivó Sócrates", Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

O extracto do editorial do Jornal de Negócios de hoje, acima citado, resume em poucas palavras o que se pode dizer sobre as acções do governo nesta novela PT/Telefónica/Vivo. A venda foi feita por mais 350 milhões de euros do que o preço que tinha ido à Assembleia-geral, e o Governo garante o interesse nacional da manutenção de uma presença estratégica no Brasil, através da compra de 22% da operadora Oi.

Os críticos dizem que a PT trocou uma participação de controlo na Vivo (e não os 50% directos tão badalados, mas sim 50% de uma empresa que detinha 60% da Vivo, ou seja na realidade 30% directos), operadora número 1 do Brasil, por uma participação estratégica numa operadora menor.

Esquecem-se é claro que o problema nunca foi abdicar do controlo por parte da PT, mas sim abdicar de um controlo partilhado (a 50%) com a Telefónica. Sendo impossível partir a empresa, o que destruiria o valor da sua aquisição, uma das duas (PT ou Telefónica) teria sempre que comprar a participação da outra. E sejamos claros, nunca seria a PT. O status quo também era impossível de manter, ante o interesse declarado de comprar por parte da Telefónica. Qualquer outro cenário destruiria a própria Vivo.

A mestria da jogada da Golden Share por parte do Governo, foi conseguir transmitir à população que estava a defender o interesse nacional contra a “ofensiva espanhola”, quando na realidade o interesse nacional estava ameaçado pelos próprios accionistas da PT.

Falamos do BES, da Ongoing e de outros que se intitulavam a si próprios “núcleo de accionistas nacionais”, que na ânsia de lucros a todo o custo, queriam converter a venda da Vivo em dinheiro vivo para si, através de dividendos extraordinários. Sem dúvida um interesse legítimo, mas que não era compatível com o interesse nacional.

A PT traz para o país grandes benefícios da sua participação no Brasil, que muito vão para além do mero lucro financeiro. O centro de inovação da PT existe para sustentar uma empresa de cariz global, não uma mera operadora nacional. A qualidade da sua gestão, da sua I&D e do seu pessoal existem porque a PT é um player mundial. Uma mera operadora nacional não precisa de tais características, nem as consegue sustentar financeiramente.

E foi isso que o Governo salvou. Ao exigir que houvesse uma compra prévia de nova participação estratégica no Brasil, Sócrates impediu que fosse o lucro fácil a matar a galinha de ovos de ouro. E os próprios contornos do negócio são interessantes: a Oi parece ser peça essencial da estratégia do Brasil em expandir a banda larga a toda a população.

A PT entra nesse projecto de interesse público apadrinhada pelo próprio Lula da Silva e. como penso que a própria experiência da PT demonstra, ter o beneplácito de um governo é sempre positivo.

E isso, também podemos agradecer a Sócrates.

terça-feira, julho 27, 2010

O poder da Comunicação Social, mesmo quando inventa uma história

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Lost in Race
www.thedailyshow.com
Daily Show Full EpisodesPolitical HumorTea Party

Shirley Sherrod foi demitida após uma peça montada para deturpar o que ela havia dito. Jon Stewart brinca, falando muito a sério, sobre o poder dos média e das redes de informação.

Freeport - Corruptores sem corrompidos

Balança que se quer de Justiça
Se há coisa que a Justiça Portuguesa é, é cega! Mas é cega no "pior" sentido da palavra, e não no sentido que se deseja atribuir à justiça.


Está-se mesmo a ver que o caso, nos tribunais, só vai servir para perder tempo. Senhores investigadores, um corruptor, para o ser, tem de corromper alguém. Se não houver corrompido, não há corruptor nem corrupção.

Desculpem, mas não consigo imaginar que o seguinte monólogo ocorra: "Eh, pá! Toma lá X M€ para aprovares esta cena. 'Tás m'ouvir? Onde estás tu? Quem és? Para onde mando o dinheiro?"

É que se alguém ficou com o dinheiro e não corrompido, só pode ser desvio de fundos, abuso de confiança (os juristas que arranjem a acusação mais acertada) mas nunca corrupção.

Mas, nos tempos que correm, não é nada que surpreenda!
[Adenda]
Afinal os dois acusados foram-no de extorsão e não de corrupção. Pelo menos neste caso, a justiça "abriu os olhos"!

sexta-feira, julho 23, 2010

Campanha pela Liberdade de Expressão

Retirado daqui.

Passemos para coisas sérias

Devemos agradecer às camaradas Ana Catarina Mendes, Inês Medeiros, Marcos Sá e Vera Jardim o facto de terem liderado o chamamento do grupo parlamentar do PS à razão, contra o frenesim anti-republicano e pseudo-religioso que duas deputadas eleitas nas listas do PS procuravam propagandear sob uma capa cómica de solidariedade e competitividade.

Que não tivessem ouvido os apelos dos seus colegas de bancada, para que retirassem esta proposta e poupassem ao PS o embaraço de a ter que chumbar, diz muito do seu sentido de responsabilidade e lealdade para com o partido que as colocou na sua lista para a AR.

Agora que este acto de “silly season” antes de tempo foi ultrapassado, poderemos concentrar-nos unidos em coisas sérias, e de vital importância para o país, como travar a ofensiva neoliberal de Passos Coelho e seus comparsas.

E as Sras. Deputados Rosário Carneiro e Teresa Venda deviam aproveitar o Verão para reflectir na votação que esta sua aberrante proposta obteve.
Estarem isoladas contra todos os seus colegas de lista pode ser visto de modo simplista como acto de convicção, mas talvez seja simplesmente um indicativo de que estão no grupo parlamentar errado.



Questões de pormenor

No Corta-Fitas, João Távora fala sobre António Reis, que vai fazer o acompanhamento histórico de uma mini-série produzida pela RTP para emitir nos dias que marcam os cem anos da implantação da República em Portugal.

E diz João Távora sobre a questão: "O Professor António Reis Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e eminente socialista foi o escolhido para dar chancela “científica” à mini-série de ficção histórica da RTP a emitir em Outubro por ocasião do centenário da implantação da República. A afinal o centenário é um tacho e a república um banquete entre amigos. Uma bestialidade que mete nojo."

Sem entrar em considerações sobre as opções de regime do Távora, cliquei no link que ele dá como referência. A seguir transcrevo a biografia de António Reis, retirado do mesmo sítio de onde o Távora retirou:

"Biografia social e política
Dirigente do movimento estudantil, tornou-se militante activo da Oposição Democrática ao regime salazarista pelo que foi presseguido pelas suas actividades.
Foi co-fundador do Partido Socialista e redactor da Revista Seara Nova de 1969 a 1974, mais tarde foi Director-Adjunto da Revista de Reflexão e Crítica Finisterra.
Como oficial miliciano, participou na preparação e execução da operação militar que pôs termo à Ditadura em 25 de Abril de 1974, tendo integrado o destacamento da Escola Prática de Administração Militar que ocupou os estúdios da RTP, onde regressou em 1985 agora como Director-Adjunto de Programas Culturais cargo que exerceu durante dois anos.
Antes disso foi membro do Conselho de Imprensa entre 1980 e 1982 e posteriormente á sua passagem pela RTP foi membro e da Alta Autoridade para a Comunicação Social entre 1990 e 1994.
Integra actualmente o comité de especialistas escolhido pelo Parlamento Europeu para orientar a criação da futura Casa da História Europeia.[2]

Biografia académica
Licenciado em Filosofia pela Universidade de Friburgo (Suíça).
Doutorado em História especialidade História Cultural e das Mentalidades Contemporâneas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação intitulada Raúl Proença – Biografia de um Intelectual Político Republicano.[3]
Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Responsável pelo Seminário de História Cultural e das Mentalidades do Mestrado de História Contemporânea (secção século XX).[3]
Presidente do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, de 1993 a 1995.[3]
Vice-Presidente do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa."

A seguir vêm as Funções políticas, Funções maçónicas e a Obra Públicada. Como se pode ver António Reis tem o perfil correcto para prestar o acompanhamento científico que a mini-série requer. Mas isso não interessa nada para o Távora. O problema é um maçon e socialista prestar esse acompanhamento. Talvez devesse ser Paulo Teixeira Pinto, identificado com a Opus Dei e reconhecido Monarquico.

A olhar para um palácio!

Há gente que adora teorizar. E ler o que teoriza. Aqui pode-se encontrar um bom exemplo. Ao ler esta teoria, ficámos a saber que na saúde e no ensino público existem imensos trabalhadores que estão submetidos ao "jugo da servidão hierárquica".
Esta é uma situação que não se passa no privado. Aí nós só falamos para, porque só temos, pares. Um cenário muito melhor!
Ficamos assim todos a saber que, para o Blasfemo João Miranda, no sector privado não existe hierarquia.
Eu, que colaboro (para o caso de não saberem, a função pública tem trabalhadores e o privado colaboradores) numa multinacional americana, descobri agora que, tendo a opinião do João Miranda como base, a empresa para onde trabalho é uma Empresa Multinacional Pública Americana.


Um de nós está a olhar para um palácio!

quinta-feira, julho 22, 2010

Realmente, a moral é muita.



O líder da comissão de revisão constitucional do PSD, onde se propõe uma maior flexibilidade laboral, saiu do BCP com uma indemnização de 10 milhões de euros e com o compromisso de receber até final de vida uma pensão anual equivalente a 500 mil euros.

Falamos de Paulo Teixeira Pinto.

Vegas Money

Aposto que pela primeira vez na história da nossa democracia, a Constituição não será revista numa legislatura que tem poderes para o efeito.

Os irredutíveis neoliberais do “Novo PSD” de Pedro Passos Coelho, por oposição ao “velho PSD” que não pára de estilhaçar esta proposta de revisão constitucional, conseguiram dar uma machadada no consenso que está na raiz do nosso regime político: o Bloco Central.

Bem vindos à era da polarização ideológica.

Nunca a separação entre quem defende o Estado Social, e quem o quer destruir em nome do “Mercado”, divindade falsa mas cujos acólitos são tão fanáticos como os outros, foi tão clara.

Não é o PS que foi encostado a uma retórica radical, mas sim o PSD que foi tomado pela “Invencível Armada neoliberal”. Ébrios pela sua putativa vitória em futuras eleições legislativas, estão cegos pelas suas crenças, e parecem confundir estupidez política com coragem. Enfim, quanto mais demonstram a sua arrogância, menos parecem perceber que se estão a tornar naquilo que queriam destruir. Arriscam-se assim a ter o destino da “Invencível Armada” original.

Aposto que as futuras eleições legislativas se tornaram bastante mais renhidas.
                                                                                        

terça-feira, julho 06, 2010

"As soluções da social-democracia para a crise económica", Conferência Internacional

No próxima sexta e sábado, respectivamente dias 9 e 10 de Julho de 2010, irá realizar-se no Museu do Bombeiro em Lisboa, a Conferência Internacional subordinada ao tema "As soluções da social-democracia para a crise económica".

A Conferência é patrocinada pela Fundação RES PÚBLICA e pela FEPS.

Entre os oradores estará Poul Rasmussen, Presidente do PES, a par de José Sócrates, António Vitorino, Edite Estrela, José Lello, Luis Amado, João Proença (UGT), entre muitos outros convidados de renome, nacionais e estrangeiros.

Mais informações no Blog do PES Activist Portugal, aqui.

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