sexta-feira, julho 23, 2010

Questões de pormenor

No Corta-Fitas, João Távora fala sobre António Reis, que vai fazer o acompanhamento histórico de uma mini-série produzida pela RTP para emitir nos dias que marcam os cem anos da implantação da República em Portugal.

E diz João Távora sobre a questão: "O Professor António Reis Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e eminente socialista foi o escolhido para dar chancela “científica” à mini-série de ficção histórica da RTP a emitir em Outubro por ocasião do centenário da implantação da República. A afinal o centenário é um tacho e a república um banquete entre amigos. Uma bestialidade que mete nojo."

Sem entrar em considerações sobre as opções de regime do Távora, cliquei no link que ele dá como referência. A seguir transcrevo a biografia de António Reis, retirado do mesmo sítio de onde o Távora retirou:

"Biografia social e política
Dirigente do movimento estudantil, tornou-se militante activo da Oposição Democrática ao regime salazarista pelo que foi presseguido pelas suas actividades.
Foi co-fundador do Partido Socialista e redactor da Revista Seara Nova de 1969 a 1974, mais tarde foi Director-Adjunto da Revista de Reflexão e Crítica Finisterra.
Como oficial miliciano, participou na preparação e execução da operação militar que pôs termo à Ditadura em 25 de Abril de 1974, tendo integrado o destacamento da Escola Prática de Administração Militar que ocupou os estúdios da RTP, onde regressou em 1985 agora como Director-Adjunto de Programas Culturais cargo que exerceu durante dois anos.
Antes disso foi membro do Conselho de Imprensa entre 1980 e 1982 e posteriormente á sua passagem pela RTP foi membro e da Alta Autoridade para a Comunicação Social entre 1990 e 1994.
Integra actualmente o comité de especialistas escolhido pelo Parlamento Europeu para orientar a criação da futura Casa da História Europeia.[2]

Biografia académica
Licenciado em Filosofia pela Universidade de Friburgo (Suíça).
Doutorado em História especialidade História Cultural e das Mentalidades Contemporâneas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação intitulada Raúl Proença – Biografia de um Intelectual Político Republicano.[3]
Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Responsável pelo Seminário de História Cultural e das Mentalidades do Mestrado de História Contemporânea (secção século XX).[3]
Presidente do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, de 1993 a 1995.[3]
Vice-Presidente do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa."

A seguir vêm as Funções políticas, Funções maçónicas e a Obra Públicada. Como se pode ver António Reis tem o perfil correcto para prestar o acompanhamento científico que a mini-série requer. Mas isso não interessa nada para o Távora. O problema é um maçon e socialista prestar esse acompanhamento. Talvez devesse ser Paulo Teixeira Pinto, identificado com a Opus Dei e reconhecido Monarquico.

3 comentários:

João Távora disse...

Só se pedia alguém com alguma isenção em relação ao tema.
Cumprimentos,

Vera T. Santana disse...

Isenção?

Um historiador/cientista social tem instrumentos que lhe permitem ser um cientista, logo ver as coisas para lá da paixão ou do ódio. Um historiador/cientista social republicano continua a ter esses instrumentos. O gosto pelo tema pode aclarar a percepção. Já a indiferença pelo tema pode ser responsável por deixar passar ao lado aspectos relevantes. Para não falar do ódio ao tema - como seria o caso de um historiador/cientista social monárquico - que pode cegar mesmo.

Trata-se, na minha opinião, não de isenção mas de honestidade intelectual.

Não nos conhecemos, caro João Távora, nunca nos cruzámos a não ser agora, mas aqui fica a minha visão da "coisa".

Ricardo Revez disse...

Isso seria o mesmo que eu, por ser republicano, não poder estudar, como historiador, a Monarquia Constitucional, por exemplo. Uma coisa são as nossas convicções, outra o nosso trabalho como historiador. É óbvio que não há uma objectividade completa num trabalho historiográfico. Este é feito por homens, não por máquinas, e a própria natureza da "ciência" histórica tem uma componente subjectiva forte, nomeadamente na interpretação dos factos.
Agora, a impossibilidade de se ser totalmente objectivo, não implica que não exista rigor e profissionalismo, e quanto a isso penso que o Prof. António Reis tem que sobre. E digo-o com conhecimento da pessoa e da obra.
Mas também é verdade que, sobretudo no que diz respeito à História da 1ª República, que tem estado muito na "montra" por causa do centenário, parece-me haver, em geral, pouco esforço no sentido da objectividade na análise. Isto por aquilo que vou por aí observando e lendo. Muitas vezes usa-se a História como muleta para fazer campanha política.

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