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terça-feira, agosto 10, 2010

Uma história sobre lucro ou prejuízo

Após a proposta que não era bem proposta de Revisão Constitucional do PSD, muitos bloggers de direita da nossa praça vieram falar da ineficiência do SNS. Curiosamente, agora que o mesmo que se passou há meses no Santa Maria se verificou numa clínica privada, não se "ouviram" vozes a falar da qualidade de assistência médica.

Em ambos os casos, por negligência, pacientes perderam a visão. Há, contudo, uma diferença. Uma diferença que marca toda uma atitude. Enquanto que no caso de Santa Maria o infortúnio das pessoas foi, posteriormente, acompanhado pelo sistema público, que havia cometido o erro, no caso mais recente a clínica privada não continuou a tratar dos seus pacientes.

Quando o Sr. K, que preza muito a saúde do seu filho, ponderar onde irá receber os seus cuidados médicos, deverá ficar menos preocupado se souber que existe um Sistema que não pensa exclusivamente no lucro, mas que também "investe" na resolução dos casos, independentemente do sucesso desta resolução e também independentemente da situação dar lucro ou não.

Enquanto isso, continuem preocupados com a ineficiência dos serviços públicos de saúde. Eu também me preocupo com isso. Afinal, essa é uma das maneiras de potenciar o aumento da eficiência do SNS. Esse é o real problema, e não se este é público.

Mas isso é capaz de não dar muito jeito do ponto de vista ideológico.

sábado, julho 31, 2010

Misdirection of a right wing liberal

Henrique Raposo, cronista residente do Expresso e autor do blogue Clube das Repúblicas Mortas (grande nome, by the way) tem no seu blogue um texto, assinado por Bruno Vieira Amaral mas que presumo que o dono do blogue concorda, que conta uma "estória" de um Sr. que vai ao SAP com o filho para que este seja atendido e, depois de voltas e mais voltas, recorre aos sistemas de saúde privada, mesmo sendo estes mais caros, para resolver o problema que aflige o filho (otite).

Conclui o texto que o dito Sr. vê o problema do seu filho resolvido no privado, e portanto o Sr. não se importa de pagar mais no privado pois com a saúde não se brinca. Após esta parte, o texto segue posteriormente o caminho da ADSE.

Em relação à primeira parte deste texto, duas coisas a dizer:

  1. Gostaria de saber em que estudo é que o texto se baseia, pois da maneira que esta situação é posta, o privado leva vantagem sobre o público numa questão tão "simples" como uma otite. Como o autor do texto não explica, parto do pressuposto que ou é uma ideia pré-concebida ou é uma experiência pessoal. Se for a segunda, é uma situação infeliz, mas que pode acontecer a qualquer um, seja no público ou no privado. Se for a primeira, nem vale a pena discutir: é uma ideia pré-concebida e por muito que se possa dizer não vai alterar a ideia do autor do texto
  2. Em relação à questão monetária da situação, o que eu não entendo é como um liberal que defende o mercado livre se esquece dum princípio básico da economia de mercado: A Lei da Oferta e da Procura! Parece-me óbvio que o atendimento do privado, sendo já bastante mais caro que o do público e tendo a concorrência deste, tem os seus preços controlados pela oferta apresentada pelo sector do público, pois certamente muita gente prefere ir ao sector público. Acabando com esta oferta, nada regula o mercado, e o sector privado poderá subir os preços como quiser, pois a oferta procura aumentará obrigatóriamente. Afinal, e como o autor do texto afirma "o(s) senhor(es) K.('s) não é (são) maluco(s) e a saúde do(s) filho(s) é uma coisa que o(s) preocupa" (os plurais foram colocados por mim)

Parece óbvio que um liberal não se esquece da regra mais básica de mercado - A Lei da Oferta e da Procura – e só se pode concluir que o mesmo desvia as atenções desta situação, que costuma sempre incluir no seu pensamento.

P.S. – Para quem possa estar a pensar que o mercado auto-regularia o preço, devido à concorrência, relembro o que se passa nos casos dos combustíveis e nas telecomunicações. Depois de explicarem a "concorrência feroz" que faz reduzir os preços nestes dois mercados, podem começar a dissertar sobre a competividade no mercado da saúde, se este não fosse regulado.

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