segunda-feira, junho 25, 2007

Europa


Tema quente nestes últimos dias foi o da renovação constitucional europeia. Parece que se vai tentar outra vez. Com o mesmo conteúdo, mas com diferente rótulos. Parece, digo. Parece.
Temos de esperar para confirmar se o texto agora em (re)construção é ou não uma réplica do que foi sumariamente rejeitado nos referendos em França e na Holanda.

Parece também que Portugal, ou melhor, a Presidência portuguesa da UE, terá uma importante oportunidade de ficar na história, não com um novo CCB, mas como a grande promotora desse novo instrumento político-juridico de resolução de todos os problemas europeus.

Parece que esta é a nova salvação para os problemas de construção europeia, numa altura em que esta é acusada de se ter afastado dos seus cidadãos, de ser entendida apenas por burocratas em Bruxelas, e de não conseguir resolver o gravíssimo problema da legitimidade popular.

Parece ainda, a julgar por recentes declarações, que a palavra referendo foi banida do dicionário político europeu. Parece então que não se quer referendar nada que seja europeu. Pior, parece que querem que a aprovação dos parlamentos nacionais «conte» como referendo, justificando o facto de estes terem sido eleitos por cidadãos nacionais. Belíssima sugestão de quem quer aproximar a Europa dos europeus. Aliás, nada melhor do que um sistema indirecto para proporcionar a sensação de proximidade política.

Parece que este é o caminho a seguir. Ou não?

É que parece que já há quem se manifeste contra esta sugestão oligárquica. O Medeiros Ferreira (quem mais), coerente com a sua história e consciente da necessidade de re-ligar a Europa aos seus «eleitores», já se manifestou pelo referendo. Parece que o Daniel Oliveira também se pronuncia pelo referendo. Pelo que percebi, parece que também o Paulo Gorjão alinha na mesma equipa. E parece, por este texto, que podem marcar uma camisola com o meu nome.


Parece-me que apenas querem repor rótulos novos em garrafas velhas. Este processo cosmético, de maquilhagem política, assemelha-se a outros do passado, e está condenado ou a ser vivido por poucos ou a ser muito menos do que poderia ser. Não é assim que se constrói um projecto político, e temo que, pela estranha pressa deste processo, se perca (mais) uma oportunidade de ligar o projecto europeu a quem mais o quer: aos cidadãos da Europa.

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