terça-feira, maio 13, 2008

Que futuro?

O meu Mestre Vitorino Magalhães Godinho (aos Mestres basta-lhes o nome e o apelido, maiores que os títulos académicos ou outros) tem dado entrevistas à Antena 2, ontem e hoje. Sempre defensor de um ideário democrático e socialista. Socialista por "colocar o interesse colectivo à frente dos interesses particulares".

Aqui deixo algumas ideias soltas e desarticuladas, que foram muito bem equacionadas pelo Mestre. Corro voluntaria e gostosamente os perigos de o desvirtuar, pois quem conta um conto acrescenta um ponto, mais não seja por ser aprendiza do Mestre, por ter o meu próprio ponto de vista e por utilizar a minha linguagem, menos científica, eventualmente incorrecta e emotivo-impressionista, bem como as minhas próprias leituras do mundo e de autores.



1. é fundamental ter uma perspectiva diacrónica para entender a actualidade;


2. a era do capitalismo, tal como foi definida por Marx, já não existe; porque acabou o valor "trabalho" e porque acabaram as "empresas";


3. estas estão a ser substituídas por redes mafiosas detentoras de uma fatia de recursos que abarca praticamente a totalidade do bolo disponível no planeta;


4. a estratificação social em pirâmide - até aqui uma realidade, mesmo que concretizada em pirâmides de diversas formas, mais achatadas ou mais afiladas - está a ser substituída por uma estratificação em dois únicos estratos sociais: um minoritário (mais minoritário do que alguma vez fora?) constituído pelas redes mafiosas acima designadas, outro, amplamente maioritário constituído pelas restantes pessoas (todos nós que somos trabalhadores p.c.p ou p.c.o, pequenos empresários, talvez mesmo médios empresários e, também, os desempregados, os intermitentes, os precários, os "sem abrigo", etc ...);


5. a precariedade é um insulto à dignidade humana;


6. a precariedade leva ao desemprego; este faz diminuir o poder de compra;


7. coloca-se, por conseguinte, a questão do escoamento de bens e serviços, até aqui inexistente porque sustentada por uma classe média (como muito bem foi percebido pelo capitalismo do século passado que, por isso, passou a melhor remunerar os trabalhadores; estou a lembrar-me, por exemplo, do fordismo);


8. as redes detentoras do grande bolo planetário constituído por todos os recursos estão interligadas e determinam a vida económica de tal modo que, se um senhor do mundo financeiro fizer uma afirmação, as consequências são imprevisíveis e de grande magnitude (sim, magnitude como os terramotos);


9. o ponto anterior aponta para a possibilidade da aplicação da teoria do caos (Edward Lorenz, MIT) ao campo económico;


10. a estratificação em dois blocos dificulta, ao ponto extremo de poder mesmo inviabilizar, o exercício da democracia.



Nota: em itálico estão as ideias do Professor Doutor Vitorino Magalhães Godinho.

2 comentários:

Geração Activa disse...

Excelentes ideias! Exactamente o que Portugal precisa. Ideias e de gente que as tenha.  Muitas e boas. Partilhem as vossas connsoco e acompanhem muitas outras no espaço www.twitter.com/geracaoactiva.
Parabéns! Esperamos por vós.

#Geração Activa.

Vera T. Santana disse...

Boa tarde, Geração Activa,

Agradeço o comentário que me fez reler os ensinamentos do meu Mestre à luz do que são hoje as nossas circunstâncias.

Deixo uma nota: não uso twitter, apenas blogs, facebook, email . . .

Saudações,

Vera

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