sábado, abril 29, 2006

A prestigiada revista The Economist trazia com data de 20de Abril passado um estupendo ensaio na sua famosa coluna charlemagne.

Resume de forma sucinta todos os debates que a nível interno os Europeus estão a enfrentar, numa interessante comparação com o modelo americano.

The American system rewards risk-taking. Europeans think it is better to be safe than sorry.

Visto que o CLDI vai organizar um almoço acerca do futuro desenho do mundo após as grandes mudanças resultantes de um ano de eleições em quase todo o lado, este ensaio parece indispensável-assinalo esta passagem como inspiração para o debate do nosso almoço de 11 de Maio:

the constant theme of continental Europe during the past year has not been the triumph of the left (otherwise Christian Democrats would not have won in Germany), nor support for economic nationalism (which the Italian and German governments say they oppose, unlike the French one). It has been the minimising of change, even the kind that should, in theory, come easily when a government has a clear mandate.

Meditem pois nestas sábias reflexões…durante este FDS comprido!

sexta-feira, abril 28, 2006

História & datas


Barcelona, 14 de Abril 2006.

Há 75 anos a II República Espanhola era proclamada na Cidade Condal pela voz de Franscesc Macià. Hoje (dia 14 de Março) eram pouco mais de algumas dezenas os saudosistas do regime pré-franquista.

Talvez porque, como em outros países (ver o caso do 25 de Abril em Portugal), a data tenha sido apropriada e utilizada para valorizar politicamente quem não tem outra expressão. O folheto que vos mostro foi-me dado (melhor, eu é que o solicitei) na Plaça da Catalunya. É auto-explicatório.

A II República espanhola, se bem que muito marcada pela «esquerda» (a obreira, a socialista, a comunista, a anarquista, a libertária, etc), foi o culminar da evolução de um Ideal, de uma ideia civilizacional, de sociedade. Um pouco como o caso português, rapidamente esse ideal, manifestado nos Homens de primeira hora, se confrontou com as múltiplas realidades possibilistas de fraco equilíbrio político. A verdade é que, como em Portugal, a fragmentação política e as certezas ideológicas das linhas traçadas pelos diversos actores políticos, levaram a que a governança estável fosse uma utopia, diluída que estava nas preocupações. Não havia maioria que se pudesse entender. Todos queriam o Poder, todos julgavam ter a solução. Todos prometiam o Futuro.

Assim, não é de estranhar que, nos escassos 5/6 anos de existência do regime, se tenha assistido a 3 fases: uma primeira de «centro-esquerda», uma segunda de «centro-direita» e a última de «esquerda radicalizada». Esgotadas as tentativas, esgotadas as paciências, esgotado o diálogo, uma das partes – os militares – resolveram partir para o confronto armado. Começou a Guerra Civil. Não como em Portugal. Aqui o golpe militar encontrou pouca resistência (também, verdade seja dita, os excessos cometidos em Espanha não se verificaram, mesmo aquando da questão da separação do Estado e da Igreja), e a experiência republicana estava já muito gasta (tinha já 16 anos) e grande parte do regime almejava mudança.

No fim da Guerra Civil, o lado que ganhou optou por «enterrar» a experiência Republicana, reduzindo-a ao «biénio vermelho» (a 3ª fase), enterrando o Ideal Republicano progressista, civilizacional, laico e positivista. Agarrado à República manteve-se o anarquismo, o libertanismo e a esquerda mais radical. Se na génese a República era um Ideal para Todos, no Ocaso foi empurrada para alguns. No último dia 25 de Abril, somente parte da população politizada desceu a Avenida da Liberdade, organizada exclusivamente em instituições de espécie vária. Do centro e da Direita muito pouco ou nada. Só esquerda, e encostada.

Também como Abril a República, ou a ideia de República em Espanha, devia ser de todos. Não o é. Hoje em Barcelona apenas dezenas celebram a ocasião. Amanhã em Portugal, quantos celebrarão Abril?

SE ALGUEM GOSTOU DO FILME SOBRE ED MURROW OU APENAS SE CONSIDERA INTERESSADO NA HISTÓRIA DO JORNALISMO DEVE LER A COLUMA DE ARI FLEISCHER, ANTIGO PRESS SECRETARY DO SR.BUSH, É UMA REFLEXÃO QUE PARECE LIGEIRA MAS BEM FEITA DAS EVOLUÇÕES SURPREEDENTES DO JORNALISMO POLÍTICO:

Not so long ago, when Marlin Fitzwater was press secretary to the first President Bush, TV cameras weren't permitted to cover the briefing live. One of President Bill Clinton's press secretaries, Mike McCurry, in an effort to accommodate the new 24-hour-a-day cable news programs, allowed his briefings to be open to TV coverage. Poor Mike. The first briefing the press covered live was on the day the Monica Lewinsky story broke. Since then the briefing room has never been the same.


É DO WASHINGTON POST: Showtime at the White House

quinta-feira, abril 27, 2006

Dos outros

É de ir, e para mais o «nosso» Pedro Faria publica um capítulo sobre o Brasil que é do maior interesse.
Deixo a informação:
O Presidente do Instituto Diplomático, Professor Doutor Armando Marques Guedes e o Director do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, Professor Doutor João Luís Lisboa, têm a honra de convidar V. Exa. para o lançamento da obra Tratados do Atlântico Sul – Portugal-Brasil, 1825-2000, coord. por Zília Osório de Castro, Júlio Rodrigues da Silva e Cristina Montalvão Sarmento, que terá lugar no dia 2 de Maio, às 18h00m, na Cozinha do Convento do Palácio das Necessidades (entrada pelo Largo do Rilvas).

A obra será apresentada pelo Professor Doutor Adriano Moreira e pelo Professor Doutor Armando Marques Guedes.

Descida.

Fui, uma vez mais, à descida da Avenida da Liberdade no dia 25 de Abril.

Foi fraquinha este ano. O dia, os 25 graus, o fim-de-semana prolongado decerto afastaram muita gente. Só para resistentes, dirão alguns.

Eu fui, uma vez mais, um deles. Institucionalmente sozinho, individualmente bem acompanhado.
Foi uma tarde bem passada, devo dizer, e, se a parte inicial foi um pouco ofegante (pelo calor), rapidamente a descida atingiu a sombra das árvores do meio da Avenida, possibilitando que uma agradável brisa tornasse a passeata mais confortável.

Não entendi foi a exclusividade institucional que rodou o evento, tornando impossível acompanhar o cortejo em qualquer organização. Não tinha percebido que o 25 de Abril tinha sido tomado por todo o tipo de organizações reivindicativas. Explico. Só vi sindicatos, partidos políticos, organizações de juventude, SOS racismo, ILGA e tal. Tudo de esquerda, claro está. E o resto? Da direita já nem pergunto, mas não pode um cidadão livre isoladamente descer a Avenida da Liberdade? Aparentemente não. Teria de estar ou sindicalizado ou me inserir numa minoria qualquer que reivindicasse qualquer palavra de ordem (como vi o pessoal de Chelas protestar contra o aumento de rendas, ou «trabalhadores intelectuais» a protestarem contra a falta de cultura, etc).

É a isto que Abril de resume? A discussões etéreas sobre usos ou não de cravos na lapela, à exclusividade reivindicativa de certas organizações, politicamente orientadas?

Não devia ser de todos, o 25 de Abril? Não é isso que, em ultima análise ceebramos? O acesso à Liberdade de Todos?

Para o ano vou ocupar um espaço na descida, com uma faixa: «Povo. Expressão de cidadania». E quem sabe não poderá ser organizado pelo Clube «Loja de ideias»?...

Prorrogação

Prorrogação

Por pedidos de vários interessados, o prazo de entrega de propostas para o «Call for Papers» foi prorrogado até dia 1 de Maio, segunda-feira.

quarta-feira, abril 26, 2006

Sempre a correr...

Isto do tempo é impressionante, passa a correr...
Então não é que é já para a semana a nossa próxima iniciativa?
Esta conferência será o culminar do debate que temos vindo a promover sobre os Partidos Políticos e está inserida no ciclo de debates sobre a reforma do Sistema Eleitoral em Portugal que terminará em Junho com a apresentação das propostas seleccionadas do nosso Call for Papers.
Sobre a conferência de dia 4 de Maio:


Biblioteca Museu Republica e Resistência
Sistemas eleitorais e Partidos Políticos III.
Que democracia interna?
Joaquim Raposo (PS)
António Preto (PSD)
Carlos Jalali (Universidade de Aveiro)
Moderador: Clube «Loja de Ideias
Debate Aberto ao público


terça-feira, abril 25, 2006

Será que Jesus existiu?

Luigi Cascioli, um militante ateísta e autor do livro “A Fábula de Cristo”, trouxe finalmente o seu caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos de Estrasburgo. Este vai ser apresentado e defendido por dois dos mais famosos advogados italianos os Doutores Giovanni Di Stefano e Domenico Marinelli, que actuaram em diversos casos políticos importantes e com alguma relevância mediática, entre outros e nos mais recentes podemos referir que estes senhores defenderam Saddam Hussein e Tarek Aziz (até serem afastados pelas autoridades iraquianas) e Slobodan Milosevich.
Luigi Cascioli argumenta que não há nem provas independentes nem realistas que de alguma maneira provem que Jesus tenha sequer tido uma existencia histórica e acusa a Igreja Católica e Apostólica Romana (I.C.A.R.) de ter enganado as pessoas com a fábula de Cristo desde há dois mil anos para cá e de ter tido com isso ganhos financeiros.
Este acusa o Padre Enrico Righi de uma paróquia de Viterbo, de 76 anos, e seu ex colega de curso, de há três anos ter cometido dois crimes, este padre numa carta paroquial refere explicitamente que Jesus existiu historicamente, segundo Cacioli, este ao fazê-lo abusou da credulidade pública e personalizou historicamente a figura de Jesus, estes crimes são segundo Cascioli o suficiente para segundo o Código Penal Italiano pôr a I.C.A.R. em Tribunal.
Este perdeu a causa contra a I.C.A.R. nos tribunais italianos mas há cerca de uma semana conseguiu dar os passos necessários para levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Será que se este ganhar os Maçons podem pedir indemnizações por perseguições com base em ideias falsas?
E os Judeus por massacres com base ideológica infundada, pois não podem ser responsáveis pela morte de quem não existiu?
Será que nós enquanto cidadãos podemos reclamar, caso a existência de Jesus não se prove, pela utilização pública e a nacionalização de todos os bens da Igreja?
Estou expectante...
Fonte: Boletim Virtual Racionalista.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

segunda-feira, abril 24, 2006

25 de Abril sempre!

Este é um texto de que gosto muito. Produzi-o há 2 anos, para os 30 anos do 25 de Abril.
Desconfio que poucas pessoas o conheçam, por isso não é um auto-plágio muito grave.
(lembrem-se que nos 30 anos era Durão Barroso PM, e Abril já não era Revolução mas Evolução)
Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…

Em tempos de reformulações filosóficas e reconstruções históricas relativas ao 25 de Abril, onde uma revolução é substituída por uma evolução, nunca a obra do Parque Eduardo VII, alusiva à “Revolução dos Cravos”, me mereceu tanta atenção e reflexão.

Falo, obviamente, do Falo do Cutileiro. Aquele que tantos ódios, amores, polémicas e dissabores despertou não só no meio intelectual e artístico deste nosso cantinho tacanho, como na maioria da sociedade portuguesa que alguma vez se deu ao trabalho de o olhar. Para mim não me interessa tanto o que se pensa da obra, não me interessa que aspectos técnicos contêm, ou mesmo as considerações frequentes à personalidade do artista; o que me interessa é o que ela para mim simboliza, o que me faz pensar e sentir, em suma o que, ao nível do conceito, me faz transportar para um imaginário infinito e livre.

E esse imaginário é o 25 de Abril. É a Pujança, o Vigor e a Vontade. É a Acção, o Facto e o Verbo. É o Possível, o Infinito e o Sonho. É Abril. Abril fecundado.

É nesse Abril que eu vivo, no qual me transporto quando busco algo intemporal; no qual reflicto quando me confronto com as normalidades anormais da contemporaneidade portuguesa; é o Abril polemista, irreverente e imaginativo. Nesse Abril vive a Revolução.

Hoje vivemos, segundo a oficialidade governamental, na Evolução. Essa “evolução” disforme, incolor e insonsa. Uma evolução que pretende representar um Portugal neutro, cinza e murcho.
Num ápice, tudo o que granjeámos colectivamente em repetidas construções simbólicas, sempre pessoais e sempre possibilistas, transformou-se em obtusos gráficos, esquemas e indicadores. Acabou o sonho. Tudo é real. Não existiu. Aparece o manguito.

A mesma escultura que antes representava a historicidade lúcida de uma geração progressista e democrática apresenta-se como um grande manguito àqueles que procuram assumir a burocracia escura de gabinetes lânguidos como um factor de modernidade e contemporaneidade. Abril, antes erecto num orgasmo constante rumo ao infinito, é retratado como balizado, palpável e pornográfico.

Pois digo-vos que se enganem aqueles que procuram inculcar valores vazios e inócuos em Substantivos Colectivos. A história faz-se, é verdade, mas também se sente; e que nada nem ninguém tome para si a pretensão de se substituir ao sentimento. Esse é nosso.

E se, por disfunções ideológicas e complexos recalcados, homens hajam que nos procurem coarctar a Liberdade tão duramente conquistada, que lhe façamos um manguito, um GRANDE MANGUITO!!!

JRS

Adeus, até ao meu regresso...

Depois de umas férias bem passadas por terras de Espanha, Madrid e Barcelona, eis que regressei, bem a tempo de mais uma celebração do 25 de Abril.

Parece que ando de dia simbólico em dia simbólico, uma vez que , aquando da minha estada na Catalunha, também foi comemorado o dia da proclamação da II República Espanhola, a 14 de Abril de 1931. Fez, portando 75 anos. (mais tarde escreverei sobre isso).

Por agora, regressei.

quinta-feira, abril 20, 2006

Casino Royale

Inaugurou em Lisboa uma visão maravilhosa-o Casino- que segundo o DN nos fez regressar por momentos ao ambiente deslumbrante da Expo 98:

Stanley Ho e o ministro da Economia, Manuel Pinho, puxaram a alavanca e o fogo-de-artifício encheu o céu. Por momentos, o Parque das Nações parecia ter voltado à animação dos dias da Expo'98. Meia hora depois, pouco antes das 21.30, o Casino Lisboa abriu as portas

No meio desta maravilhosa benção para o turismo e para a cidade das tágides o sempre interessante correio da manhã revela o seguinte numa preciosa entrevista:

Correio da Manhã – Faz sentido abrir um casino quando Portugal está em crise?


Stanley HoPortugal não está em crise. Sei disso porque falei com o primeiro-ministro e com o ministro da Economia.


Estas e outras revelações são do maior interesse numa altura em que o engenheiro PM desapareceu da circulação mediática-o autor deste posts irreverentes- Petrus- esteve nos EUA e ouviu muito acerca do energético engenheiro e da sua amité com Villepin e outros furores na cena internacional.
Toda esta luz e som se esbateu e (digo eu) talvez se volte agora para o Casino.

Não será afinal isto um dejá vue....outro engenheiro a querer desaparecer num acto de magia -ou neste caso num show de ilusionismo digno de um grandioso Casino!

Até breve meus amigos...

quinta-feira, abril 13, 2006

Um novo contexto político

Tenho nos últimos tempos e no escasso tempo que agora disponho acompanhado um Blog do outro lado do atlântico elaborado por Aluízio Batista de Amorim (*) até porque concordo com a generalidade das opiniões que este apresenta neste artigo, publico-o integralmente aqui:
As eleições parlamentares realizadas na Venezuela sem a participação da oposição, que decidiu se retirar da disputa, encerram um episódio político raro em sistemas formalmente democráticos. Afinal, que leitura se pode fazer sobre isso e o que tem a ver com o Brasil e com toda a América Latina? É isto que tentaremos responder neste artigo.
Historicamente, o Brasil e os demais países que compõem o continente vêm sendo espoliados desde a época colonial. Todos foram colonizados pelo que havia de mais retrógrado na Europa, os povos ibéricos. Criou-se por aqui uma elite escravocrata, tanto é que o Brasil foi retardatário na abolição da escravidão.
Todos esses países latino-americanos têm uma cultura senhorial que permitiu aos endinheirados acumularem por vários séculos, mantendo uma horda de miseráveis e remediados ao seu dispor.
Os salários sempre foram baixíssimos e, ao longo do tempo, criou-se, evidentemente, mais pobreza do que classe média. Esse problema tornou-se mais agudo no final da primeira metade do século XX.
O resultado imediato disso, foram os sucessivos golpes de Estado na região, os quais representaram a derradeira tentativa das classes dominantes tradicionais de continuar no poder.
Ocorre que o índice de pobreza teve um aumento assustador, fato que, por várias circunstâncias internas e externas, inviabilizou a hegemonia das elites. Quanto ao conceito de elite, devo acrescentar que me refiro àquela "tradicional", pois na actualidade observa-se o aparecimento de uma "nova elite" que inclui em sua agenda a responsabilidade social. A velha máxima segundo qual "se não posso derrotar meu inimigo devo me aliar a ele", cai como uma luva no Brasil da actualidade. As elites tradicionais, que odiavam o Partido dos Trabalhadores (PT), não tiveram outra alternativa senão compor com esse partido, apoiando Lula à Presidência. Foi uma estratégia para descompressão social sem risco de ruptura. E tanto é verdade que representantes dos sectores empresariais de corte oligárquico estão lá ao lado do PT nos ministérios e no Banco Central.
Luiz Fernando Furlan, mega empresário da Sadia, por exemplo, é comandado pelo ex-operário Lula, como também o ex-Presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles. Na vice-presidência está o maior empresário têxtil da América Latina, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, José Alencar. Para essas elites, isto é conveniente porque o PT, domesticado pelo grupo de José Dirceu, foi fiador dessa estratégia de acalmar os pobres, que constituem a maioria dos brasileiros, dando-lhes ajuda paternalista. Esse mecanismo, acordado em campanha, garantiu ao sistema financeiro que a política económica seria mantida com seu viés monetarista ortodoxo.
Esta foi a única opção para as elites tradicionais continuarem dominando, com a vantagem de não se exporem à crítica de setores radicais, coisa que lhes imporia o risco de perder os dedos e os anéis.
Na Venezuela não houve este “pacto”, daí a razão do afastamento dos oposicionistas do pleito. Lá tentam esvaziar o poder de Chávez dando a impressão de que houve uma eleição fraudada.A proletarização da classe média na América Latina começa, portanto, a desenhar uma correlação de forças políticas completamente nova. De um lado, os ricos. De outro, a esmagadora maioria de pobres. Essa maioria é que decidirá as futuras eleições. Talvez ainda seja muito cedo para prognósticos, mas o que se nota é que os grupos tradicionais de poder não têm mais a influência de outrora, muito menos condições de impor a sua política.
A costura dessa aliança teve um perdedor: a classe média. É ela, e apenas ela, a real oposição ao governo do PT, só que não mais contando com representação parlamentar. Perdeu a sua influência política e foi abandonada à própria sorte. Se a classe média sempre foi, em qualquer lugar do mundo, a locomotiva da geração e da inteligência, é de supor-se que o seu aniquilamento resultará em prejuízos no que se refere ao avanço do conhecimento e da modernização das instituições políticas, bem como na evolução e refinamento dos padrões culturais.
É por isso que os sectores mais bem informados da população brasileira se sentem covardemente traídos por Lula e o PT.
A única coisa que não estava prevista no concerto desse pacto era que o PT fosse com tanta sede ao pote, promovendo um esquema de corrupção avassalador. Mas, às elites, ainda é mais vantajoso dar prosseguimento à "operação abafa" que impede o "impeachment" de Lula. As elites cedem os anéis para não perder os dedos.
Temos, portanto, uma oposição apenas de fachada. E é por tudo isso que Lula continua sendo o favorito para o pleito de 2006.

(*) Jornalista e editor do blog http://oquepensaaluizio.zip.net

quarta-feira, abril 12, 2006

Segurança Social Vs. Automóveis Topo de Gama

A Segurança Social vai penhorar, na última semana de Abril, 6353 carros topo de gama a pessoas que não cumprem com as suas obrigações para com este organismo. São 1373 pessoas a verem as suas “máquinas” penhoradas.

Ora, fazendo umas contas muito rapidamente, dá 4.62 carros por pessoa. Há vidas difíceis...

Curioso é a Segurança Social fazer a penhora de carros topo de gama por serem mais fáceis de vender!

P.S. – A notícia está aqui.

sábado, abril 08, 2006

sexta-feira, abril 07, 2006

Já chateia...

Já chateia tanto problema com o "Politicamente Correcto". Qual é o problema da letra original? Se me dizem que é uma asneira, tudo bem. Agora porque é discriminatório? Discriminatório é essa sua atitude...

Férias

Pessoal,

Tem de ser. Vou tirar umas férias. Tenho o cérebro a fritar. Vou descansar a Madrid e Barcelona.
Quando regressar, estarei nos anos 40, uma vez que será thesis time.

Até breve.

quinta-feira, abril 06, 2006

Assim está a conferência (2)


6 Abril 2006,

21 horas

Biblioteca-Museu República e Resistência


Sistemas eleitorais e Partidos Políticos II:
que reformas para o caso português?

com

Alda Macedo(BE)

Ana Serrano (PCP)

Andrès Malamud (CIES-ISCTE)

Moderador: Clube «Loja de Ideias»

DEBATE ABERTO AO PÚBLICO

The Sisters of Mercy


Mais um regresso esperado das catacumbas sonoras dos anos 80.
Foi ontem no Coliseu.

quarta-feira, abril 05, 2006

Um Comentário Deveras Interessante...

Este comentário foi deixado no meu Blog, o qual eu estou terminar. Mas, como acho que a discussão pode ser deveras interessante e entra no âmbito do Clube, deixo aqui o comentário que o Aluízo deixou no meu Blog, com o respectivo Blog enunciado. Estão "à vontade" para comentar/iniciar a discussão com ele..

"Rui,
obrigado pela retribuição visitando o meu blog. Para o Brasil a situação econômica internacional apresenta-se favorável. A pauta de exportações tem se ampliado e o superavit na balança comercial tem se repetido, particularmente, desde o ano passado, em que pese a valorização do real. Mas isto não tem significado nenhuma melhora nas condições econômicas da população. O governo Lula, do PT, tem vem praticando uma política econômica de viés monetarista ortodoxo. Juros nas alturas o que axfixia a classe média e os pequenos empresários e empreendedores pequenos e médios. Quem está contente hoje com Lula são os banqueiros e os grandes grupos empresariais de um lado; de outro, os setores pobres da popolução que crescem enormemente e que são alvo da política clientelística e assistencialista de um governo que se diz de esquerda mas cuja prática se assemelha ao que fazia a burguesia escravocrata. Nem a ditadura militar ousou tanto no paternalismo para se manter no poder. Lula e o PT são a maior mentira. Eu inclusive votei nele e em todos os candidatos parlamentares do PT, coisa que jamais farei e me envergonho de ter sido enganado, de ter bancado o otário. Não perdoarei Lula e o PT por essa traição grosseira. Além de tudo isso, Lula e o PT são os patrocinadores do maior esquema de corrupção já ocorrido no Brasil. O mundo precisa saber disso.
Acabei de postar no meu blog um resumo do que está na revista Veja, desta semana. É a principal revista de informação semanal brasileira. Se lhe interessar, passe pelo meu blog e dê uma olhada.
Fico mais uma vez grato pela sua atenção. Creio que a troca de informações entre blogueiros portugueses e brasileiros é salutar. Falamos o mesmo idioma, embora alguns portugueses nos acusem de assassinar o verdadeiro português. Enquanto por aqui, há os que implicam com o português fala em Portugal. De minha parte, gosto de estudar os dois idiomas, ver as diferenças, as questões semânticas, enfim, esse fenômeno que ocorre com os idiomas similares falados em lugares de culturas diferenciadas.
Cordial abraço do

Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net"

Os falsos vírus...

Andou por aí a circular na World Wide Web (Internet) pelos e-mails um aviso a respeito de um falso vírus, este dizia respeito ao jdbgmgr.exe.

Não passa este caso de um “hoax”, ou seja de uma lenda, já outros tinham circulado, para conseguir-mos discernir entre a realidade e a ficção, e no respeitante a este caso aconselho uma visita ao seguinte site, fica o conselho primário de este ficheiro não dever ser apagado.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Ronaldinho

Mundial? Sim, é verdade, vou lá estar! Mas espero poder ver, no ambiente, algo de excepcional! Algo que me passou ao lado no Euro por estar a trabalhar, mas que decerto aqueles que nos visitaram puderam viver. Não vou lá estar permanentemente, mas o tempo que lá vou estar quero saber o que é conviver com outras culturas no mesmo espaço mas...

Quanto a futebol, estes "180 minutos" de pura arte de Ronaldinho Gaúcho chegam. Nunca vi um jogador, sozinho, limitar tanto tempo de futebol. Principalmente na 1ª mão!

Ver ao vivo Ronaldinho Gaúcho é algo do outro mundo. O homem não falha, os outros é que lhe põe mal a bola! Mesmo! E quando os outros se chamam Van Bommel, Samuel Et'o, Deco, Erik Larson ou Messi (que eu não tive o prazer de ver jogar ao vivo) a "coisa" torna-se grave! É demais! Ronaldinho Gaúcho determina quer o jogo do Barça (como qualquer grande jogador numa equipa) quer o jogo da equipa adversária! E o Árbitro!

Ronaldinho Gaúcho é pura arte em movimento!

Ronaldinho Gaúcho é beleza estética!

Ronaldinho Gaúcho é a extensão de uma bola num ser humano (ou a extensão de um ser humano numa bola).
Ronaldinho Gaúcho é O JOGO!

E eu vi!!! Ao VIVO! É Excelente!!!


P.S. - Ver ao vivo e na televisão é completamente diferente! Se na 1ª mão, cada vez que ele "pegava na bola" a reacção era "DÁ-LHE", na segunda mão a "coisa" foi mais fácil de suportar! Realmente, o futebol é para ser visto ao vivo!

(Quase a acabar a segunda)

Ser elimando pelo Barcelona, depois de ter feito a "melhor equipa do Mundo" tremer, é uma sensação dúbia. Dúbia porque ficou a impressão (na 2ª mão) que afinal era possível, mas ao mesmo tempo com a sensação de que foi feito muito mais do que o "possível".

Termina assim o sonho, mas com uma certeza (ou como diriam os adeptos do Liverpool):

"When you walk through a storm
Hold your chin up high
And don't be afraid of the dark.
At the end of a storm
Is a golden sky
And the sweet, silver song of a lark.

Walk on, through the wind,
Walk on, through the rain,
Though your dreams be tossed and blown.
Walk on, walk on with hope in your heart,
And you'll never walk alone,
You'll never walk alone."
Muito e muito obrigado por poder voltar a sonhar com isto:










P.s. - Amanhã não vou pedir nehuma 1/2 dose de comida em lado nehhum!!!

(Fim da 1ª Parte)

O Beto realmente troca os pés pelos pés, mas também tem azar... O Petit já tinha falhado algumas cinco vezes e o Moretto até um penalty defendeu mas ao primeiro falhanço do Beto foi golo!!!

P.S. - A cerveja, ao menos, está boa e fresquinha!!!

Quem?!? Eu?? Nãããã...

Nervos, Eu??? Que é isso? Porque é que havia de estar nervoso? Hã? Porquê? Humpf! Nervos...

Nem sei o que isso é!

Assim está a conferência

6 Abril 2006,
21 horas
Biblioteca-Museu República e Resistência

Sistemas eleitorais e Partidos Políticos II:
que reformas para o caso português?

com
Alda Macedo(BE) - a confirmar
Ana Serrano (PCP)
Manuel Meirinho Martins (ISCSP-UTL) - a confirmar
Andrès Malamud (CIES-ISCTE)
Moderador: Clube «Loja de Ideias»
DEBATE ABERTO AO PÚBLICO

se isto não é azar, não sei

Estivemos até agora a confirmar os oradores de amanhã.

Esta é a situação:

O Meirinho Martins, do ISCSP, foi operado e está em casa, acamado. Vai tentar estar, ams não confirma.

O João Teixeira Lopes não estará em Lisboa. Falou com a seu colega, Alda Macedo, para o substituir.

O PCP confirmou a presença da Ana Serrano, funcionária do Partido e acessora do Grupo Parlamentar na Assembleia da República.

O Andrès Malamud está confirmado.

Perante este cenário (mais um orador a ser sobmetido a intervenção cirurgica) digam lá se não é de ir à bruxa...

Confirmado

Amanhã, pelo PCP, irá estar a Ana Serrano, acessora jurídica do Grupo Parlamentar na Assembleia da República

Bons textos

Que pena não ter seguido estes textos no tugir.
Parecem-me bons. Ver do CMC este sobre o PS, este sobre o PSD e este sobre militância partidária e ainda mais este sobre a social-democracia.
Só tive tempo de passar os olhor por eles, queria comentá-los e não vou conseguir nos próximos tempos.
Fica a referência e a divulgação.

Despedida

Henrique, agora que estás de saída é que te deu para escreveres um bom texto?...

(recomendo, sobre o Liberalismo do PS)

Só falta entregares a ficha de militante e por as mãos no barro.

Boa sorte, por aqui nos vemos.

Azares

Os azares acontecem,
Cruzam-se com a falha de visão,
Entrelaçam-se na falta de atenção.
Associam-se e padecem …

Ao insucesso provocado,
Pensamento ambíguo,
Pouca sorte e clarividência,
Ou apenas ausência.

Destino definido,
Um estado,
Um sentido,
Finalmente a resignação…

Afinal de contas…
Somos apenas pessoas…



Alex

terça-feira, abril 04, 2006

concerteza que já sabe...

Divulgação

Um bom amigo, António Brotas, enviou-me esta resposta à divulgação da nossa iniciativa de quinta-feira. Pediu divulgação.
Nós demo-la.
Aqui vai.
Caro Zeka,
Penso que a análise/discussão dos sistemas eleitorais "exteriores" (usados nos confrontos entre os partidos) só pode conduzir a algo de melhor para o nosso País quando acompanhada de um olhar/conhecimento das práticas eleitorais no interior dos partidos. Penso ser fundamental para a Democracia portuguesa que alguns partidos melhorem progressivamente estas práticas. Parece-me ser o caso do PS embora, algumas vezes, haja recuos. Respondo, assim, com este email, que peço para divulgar, ao convite da "Loja das Ideias".
Com as melhores saudações
António Brotas
*******************************

3 de Abril 2006
Cara Leonor Coutinho,
A três dias da data limite para a apresentação das candidaturas a Presidente da FAUL só se conhece o nome de um possivel candidato.
Penso que será mau para o PS se numa federação com a importância da FAUL houver um só candidato a Presidente, mas será bem pior se, depois, no Congresso, houver uma só lista candidata à Comissão Política da Federação.
Nos congressos federativos os candidatos eleitos, são eleitos nas secções em listas "com base em programas ou moções de orientação política". (nº 1 do Artigo 47º dos Estatutos). Estas moções não têm que ser as subscritas por candidatos a Presidente.
Parece-me desejavel que no Congresso da FAUL, e noutros, haja delegados eleitos que se sintam com a liberdade de, se o desejarem, contribuirem para a apresentação de listas para as Comissões Políticas diferentes das que os Presidentes eleitos não deixarão de apresentar.(Faço notar que os delegados por inerência têm esta liberdade).
Para os delegados eleitos se sentirem com esta liberdade, parece-me normal que, quando da apresentação das suas candidaturas nas suas secções, se refiram a moções diferentes das apresentadas pelos candidatos a presidente vencedores.
A "Moção C" que se segue, foi redigida como exemplo de moção que, com
possiveis correcções e/ou acrescentos, pode ser referida em listas de candidatos que queiram salvaguardar a referida liberdade.
O que me parece importante é que, com esta moção ou outras com efeito equivalente, cheguem ao Congresso da FAUL delegados eleitos em número suficiente para, em conjunto com delegados inerentes, poderem, se o desejarem, apresentar listas alternativas.
Para isso parece-me conveniente que este assunto seja debatido pelos militantes.
Peço-lhe, assim, a si e aos que a apoiaram na sua recente candidatura a Presidente da Concelhia, entre os quais me conto, para transmitirem este email a militantes de todas as secções de Lisboa e, se possivel, a outras da FAUL.
Com as melhores saudações socialistas
António Brotas
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Moção C
1-A eleição dos Presidentes das Federações e dos delegados aos Congressos federativos são eleições distintas (embora as votações sejam feitas no mesmo dia). As primeiras, são eleições uninominais que dizem respeito a todo o espaço da federação. As segundas, são eleições por listas apresentadas em separado nas diferentes secções.
2- Consideramos que a função mais importante dos Congressos é a eleição da Comissão Política da Federação. As listas submetidas a esta votação para serem aceites têm de ser completas e subscritas por 5 % dos delegados, com um mínimo de 15, sendo o apuramento final feito pelo método Hondt. Consideramos altamente desejavel que nestes próximos congressos federativos do PS, em particular no da FAUL, haja mais de uma lista candidata à Comissão Política da Federação.
3- As listas de candidatos a delegados ao Congresso têm de ser apresentadas, nas diferentes secções, "com base em programas ou moções de orientação política" (nº 1 do Artigo 47º dos Estatutos). Estes programas ou moções podem ser os subscritos por candidatos a Presidente da Federação, mas não necessariamente.
4- Consideramos que os delegados eleitos nas secções em listas referidas a programas ou moções de candidatos a Presidente da Federação, estão, depois, moralmente obrigados a apoiar, integrar, ou, pelo menos, não apresentar listas alternativas às que os referidos candidatos previsivelmente apresentarão.
5- Esta moção é elaborada por militantes da FAUL que têm a intenção de a ela se referirem nas candidaturas a delegados ao Congresso que pretendem apresentar nas suas secções. O objectivo primordial é o de lhes dar, no caso de serem eleitos, a liberdade de, no Congresso, actuarem como melhor entenderem no processo da apresentação das listas candidatas à Comissão Política.
6-Não pretendemos com esta moção manifestar qualquer posição, favoravel ou contrária, a potenciais candidatos a Presidentes da FAUL mas desejamos no entanto dizer que temos pena e achamos inconveniente para o PS se houver um só candidato.
7- Queremos também dizer que, no caso de sermos eleitos delegados, desenvolveremos os esforços que nos forem possiveis para que haja mais de uma lista candidata à Comissão Política da FAUL . Para isso, procuraremos estabelecer contacto, no Congresso e antes dele, com delegados inerentes e delegados eleitos em listas com propósitos semelhante ao nosso.
Em tudo o mais, procuraremos actuar no sentido de valorizar e desenvolver a prática da Democracia no interior do PS.
É este o nosso programa e o nosso propósito quando nos propomos ser, ou apoiar, candidatos a delegados ao congresso da FAUL. (Versão de 31 de Março 2006)

António Brotas e outros
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Quinta feira

6 Abril 2006, 21 horas
Biblioteca-Museu República e Resistência

Sistemas eleitorais e Partidos Políticos II:
que reformas para o caso português?

com
João Teixeira Lopes (BE)
Representante do PCP
Manuel Meirinho Martins (ISCSP-UTL)
Andrès Malamud (CIES-ISCTE)
Moderador: Clube «Loja de Ideias»

segunda-feira, abril 03, 2006

Do Cacique - Mais Uma Acha

Rapidamente, e para somente por uma "acha na fogueira" (dos caciques) não esquecer de falar os caciques que tanta importância têm em eleições locais (Assembleias de Freguesias, Assembleias Municipais e Câmara). E a exponenciação destas situação se passarmos para círculos uninominais, utilizando para tal a experiência noutros países...

Do Cacique II

Do Cacique II

Democracia: substantivo feminino;
Sistema politico em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade;
Nação democrata

in www.infopedia.pt

Para podermos fazer um juízo de valor sobre o cacique, é importante compreendermos a sua definição, o seu modo de funcionamento e as suas vantagens e defeitos. O cacique não é mais do que uma forma de angariação de votos, ou seja, tem a sua origem na democracia. Sem democracia não existe cacique.

Isto é um facto importante para a compreensão deste fenómeno. O ideal da democracia defende a ideia de que todos devem ser livres para decidir o seu próprio sentido de voto e que uma pessoa equivale a um voto. Em termos da liberdade de voto, o cacique não a limita, visto que actualmente, é uma actividade voluntária. Ou seja alguém deixa-se cacicar, por razões pessoais, profissionais, politica ou ideológicas, de livre vontade.

O que o cacique faz é alterar a ideia de uma pessoa, um voto, em que uma pessoa “controla” uma determinada quantidade de votos. Assim, para ganhar uma eleição só se precisa ter o apoio dos caciques, que eles tratam de angariar os votos necessários.

Em termos gerais, só nas eleições internas dum partido é que os caciques são determinantes, porque numa eleição geral o peso da media é muito mais determinante. O importante é a razão pela qual os caciques continuam a ser determinantes nas eleições internas dum partido, e em todas as actividades dum partido.

Dentro dos partidos, o número de votantes é muito mais reduzido, o que permite que o resultado duma eleição interna seja influenciável por um número reduzido de caciques, o que possibilita a sua existência e, embora ajude a explicar a sua origem, não explica porque é que se mantêm como a maior determinante de progressão politica interna.

Se olharmos para a evolução dos caciques, que se transformaram na força motora da mobilização dos militantes, podemos começar a vislumbrar uma razão para a sua preponderância. Grande parte da actividade dos partidos depende da capacidade de mobilização dos seus militantes, seja para jantares, comícios ou acções de rua.

Numa sociedade participativa e activa politicamente, em que as pessoas participam em todo o tipo de manifestações politicas, não existe tanto espaço para caciques. Mas na sociedade actual, em que existe um claro desinteresse da população e um crescente distanciamento das pessoas em relação aos partidos, os caciques florescem como única forma de mobilização dos militantes para actividades politicas, de impacto mediático.

O irónico é que os caciques são apontados como uma das razões para o distanciamento das pessoas em relação aos partidos.

Os partidos, ao empolarem a importância dos caciques, diminuem o espaço de intervenção de independentes, de pessoas que se interessam em discutir politica e em participar activamente na sociedade, mas que não têm interesse na vida interna dos partidos nem nas lutas por poder e lugares de destaque nos aparelhos partidários. Esta situação cria um vazio de debate interno e de capacidade de análise que é vital para a actividade politica se manter ligada à realidade social do dia-a-dia das pessoas.

Assim os caciques têm como vantagem a capacidade de mobilização dos militantes, e como desvantagem servirem de barreira à participação das restantes pessoas. Como ultrapassar estas desvantagens?

[continua]

João Boavida

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