terça-feira, outubro 23, 2007

A MORTE DE JULIETA GANDRA NÃO FOI NOTÍCIA (IV)


Julieta Gandra

Julieta Gandra viveu 90 anos de ousadia. Desafiou regras, desafiou convenções, desafiou poderes. Foi uma referência para gerações de jovens de esquerda. Viveu a política com alegria e convicção e por uma causa: Angola

"Olhe! Em vez de estar aí parado ajude-me a carregar os embrulhos!" Sem dar tempo para ao pide, que lhe vigiava a casa, reagir, Julieta Gandra despejou os muitos pacotes com que chegara ao nº 7 da Ilha do Príncipe, em Lisboa, e obrigou assim o agente da polícia política a subir até ao 4º-B, carregando as suas compras em silêncio. Esta história desconcertante é recordada, entre sorrisos, por Diana Andringa, que, na segunda metade dos anos 60, morava no 5º-A e que conviveu com Julieta Gandra, médica, oposicionista, militante feminista e anticolonialista e, sobretudo, transgressora, falecida a 8 de Outubro, em Lisboa, com 90 anos.

Nascida a 16 de Setembro de 1917, em Oliveira de Azeméis, Maria Julieta Guimarães Gandra era filha de Aurora e Mário Gandra, solicitador e pequeno comerciante, e tinha três irmãos, Fernanda, mais velha e ainda viva, Ângela, e Hernâni, arquitecto que militou no PCP.

Julieta cursou medicina, em Lisboa, onde conheceu Ernesto Cochat Osório, oposicionista e poeta, natural de Angola. Depois de casados e de ter nascido, em 1944, o seu filho Miguel (que não quis colaborar neste trabalho), rumam de barco a Luanda. Julieta é então especialista em medicina tropical. Irá interessar-se por obstetrícia e ginecologia e será ela a introdutora do parto sem dor em Angola. Médica das jovens brancas da elite de Luanda, dá também consulta a mulheres pobres, brancas e pretas.

Em Luanda, priva com intelectuais não afectos ao regime e frequenta o Cine-Clube e a Sociedade Cultural de Angola. O que fora uma aproximação à oposição na faculdade torna-se ligação ao PCP em Angola. (Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, III vol. pp. 517-526). Em meados dos anos 50, participa na formação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Vem de então a sua amizade com Agostinho Neto, Lúcio Lara, Paulo Jorge e Arménio Santos.

Durante a década e meia que vive em Angola, viaja. Vem a Lisboa. E, em 1958, depois de visitar, em Bruxelas, a exposição mundial, ruma à União Soviética. De regresso a Luanda, passa por Paris e Lisboa e, a sua sobrinha Ana Rita Gandra Gonçalves, ainda hoje se lembra das discrições de um espectáculo de Ives Montand e os discos de Léo Ferré que distribui pelos mais novos.Processo dos 50A 29 de Março de 1959, Julieta Gandra é presa pela PIDE. Em Agosto, realiza-se o primeiro julgamento político de nacionalistas angolanos, "o processo dos 50".

No final, os presos brancos serão enviados para a metrópole, enquanto os negros irão reabrir o Campo do Tarrafal.

A sua prisão causa polémica e constrangimento na Luanda branca. Era uma intelectual influente e médica da elite. Chegou a sair da prisão para ir assistir a um parto da filha de um engenheiro belga, responsável de uma petrolífera, que assim o exigiu.

O seu tempo de prisão em Luanda foi de cela aberta. Primeiro na PSP, onde a sua detenção incomodava, pois era médica da instituição. Depois, na ala feminina do hospital psiquiátrico, que funcionou como prisão, pois não havia cadeias para presas políticas. O director acaba por exigir mesmo a retirada do pide que vigia a porta, argumento: perturba as doentes da ala feminina.

Em Lisboa, amigos da família tentam libertar Julieta. Há mesmo quem interpele o ministro Paulo Cunha, ao que este responde: "Não me fale dessa senhora!"

Julieta foi acusada de ter dado 500 escudos ao MPLA, ter convidado para jantar um membro do movimento, ter enviado um sobrescrito contendo papéis do MPLA e ser militante do PCP. As provas nunca apareceram no Tribunal Militar de Luanda e o seu advogado ficou retido em Lisboa.

Foi condenada a 12 meses de prisão. Pena que foi agravada para dois anos de prisão maior e medidas de segurança de seis meses a três anos, após recurso do Ministério Público. Julieta recorre também e realiza-se novo julgamento, já em Lisboa, mas a pena aumenta: quatro anos de prisão maior e medidas de segurança de seis meses a três anos.

Depois do processo, o filho vem viver com a tia Fernanda e estudar no Colégio Moderno, da família Soares, de que era amiga, já que o pai de Julieta e João Soares foram correlegionários na I República. Mário Soares será o advogado já no período final da cadeia e conduzirá a libertação, após uma campanha internacional conduzida pela Amnistia, a partir de Londres.

Presa do ano
Em 1964, Julieta Gandra é escolhida como "presa consciência do ano", depois de já ter sido o centro de uma campanha do grupo de defesa dos direitos humanos West Bristol, em 1962. Foi a primeira vez que um preso português é escolhido, o que voltará a acontecer com Mário Soares, em 1973, explica ao P2 Vítor Nogueira, da Amnistia Internacional, que privou também com Julieta Gandra.

No início de Julho de 1965, Julieta Gandra abandona finalmente a prisão de Caxias, onde chegara a 8 de Novembro de 1960. E onde partilhou cela com figuras como Maria Eugénia Varela Gomes, presa no Golpe de Beja, que sobre ela contou: ""Era muitíssimo inteligente, cultíssima, uma grande dama, corajosa politicamente, uma mulher frontal, impecável perante a PIDE, uma boa médica, uma mulher muito interessante."

Também a militante comunista Ivone Dias Lourenço partilhou cela com Julieta: "Era extremamente solidária, nunca fez vida à parte, nunca fez luta à parte. Ela foi sempre de uma extrema ajuda, culta, enciclopédica, interessava-se por tudo, viva, uma grande contadora de histórias, muito viajada, era o centro das nossas conversas, alimentava a curiosidade, tinha uma visão contemporânea do mundo. Eu própria considero que lhe devo o abrir dos olhos para o mundo."

Transgressão máxima
É também na cela, em Caxias, que conhece Fernanda da Paiva Tomás, nascida a 8 de Novembro de 1928, com quem manterá desde então uma relação afectiva, até à morte de Fernanda, com um tumor cerebral, em 15 de Setembro de 1984.

Fernanda da Paiva Tomás era uma alta dirigente do PCP, que entrara já em ruptura com o partido - "queriam que ela deixasse a clandestinidade para visitar Joaquim Carreira, o pai do filho, que fora preso, e ela achava que era militante comunista e não companheira", conta Diana Andringa, que esteve na mesma cela de Fernanda, no final dos anos 60. Presa em 6 de Fevereiro de 1961, Fernanda só será libertada em 19 de Novembro de 1970, sendo a mulher que mais tempo sucessivo esteve presa pela PIDE, um total de nove anos e nove meses, que se somam a onze anos de clandestinidade anterior."Com a saída de Fernanda Tomás da cadeia foi uma lufada de ar fresco na vida da Julieta e naquela casa. Foi um período muito porreiro. Mas nunca abordei a relação, para mim eram apenas duas pessoas que viviam na mesma casa", diz Amílcar Sequeira, amigo de Julieta que até à sua morte continuou a visitá-la no lar, onde vivia desde 2001.

O início da relação entre ambas, em Caxias, é referido por Maria Eugénia Varela Gomes em Contra Ventos e Marés (pp. 229/230). Ao P2 apenas diz: "Era visível dentro da cela a relação das duas, escrevi porque é a verdade histórica." Já Ivone Dias Lourenço sublinha: "Era muito miúda, não tinha experiência de vida, não me apercebi de nada, só soube depois da Fernanda morrer.

"Apesar de o assunto ser omitido ainda hoje por muitos que privaram com as duas, Ana Rita Gandra Gonçalves, sobrinha de Julieta, assume: "Eu gostava muito da Fernanda, era uma pessoa muito especial. Elas tinham uma atitude muito natural em relação à situação. Não houve propriamente festa de casamento, mas naquelas idades não se faz isso."

Por sua vez, Maria Teresa Horta é peremptória em afirmar que, com o passar dos anos sobre a morte de Fernanda Tomás, "a relação foi silenciada, mas as pessoas sabem, até porque criou celeuma na própria cela". E prossegue: "Tinham uma afectividade imensa e uma solidariedade imensa entre as duas. Para fazer aquilo que elas fizeram, era preciso que houvesse uma grande coragem e um grande amor. Mesmo depois do 25 de Abril havia silêncio à volta do assunto. Não por elas, que não escondiam. Mas em relação à mulher é mais difícil falar-se, não há homossexualidade feminina porque não há sexualidade feminina."

E frisa: "Imagine-se o que é duas mulheres assumirem uma relação dentro de uma cela de uma cadeia da PIDE cheia de presas do PCP. É um acto de transgressão máxima, para mais porque são presas políticas do fascismo. Além da transgressão que as leva ali, há esta."

Uso da pílula em Portugal
É também no período de Caxias que Julieta Gandra se afasta do PCP, embora sobre isso Ivone Dias Lourenço apenas diga: "Não sei quem se afastou de quem." Já Teresa Horta, que foi também militante do PCP, acrescenta: "Tentei falar sobre o assunto com Alda Nogueira [esteve presa na mesma cela] e com Georgete Ferreira, ambas não quiseram falar." O afastamento consuma-se já fora da prisão e dá-se a aproximação à extrema-esquerda, se bem que o centro da luta de Julieta fosse a questão colonial.

Junta-se então ao filho em casa da irmã Fernanda e pouco depois começa a dar consultas em Sintra e monta consultório na Rua Manuel da Maia, em Lisboa, onde dará emprego a Aida Paula, com quem esteve presa em Caxias. Volta a exercer clínica, tornando-se uma das ginecologistas percursoras do uso da pílula em Portugal.

"Ela ia muito à frente, falava com grande liberdade do prazer sexual a que a mulher tinha direito sem ser penalizada com a gravidez. E pesava sobre ela o peso da suspeição do regime. Era uma mulher muito corajosa", afirma Teresa Horta acrescentando: "Fazia muita medicina gratuita, o que lhe interessava era aquilo que hoje se chama serviço público."

Santuário angolano
Após alguns meses a dormir no consultório, aluga a casa da Rua Ilha do Príncipe. Será este o lugar mítico para gerações de militantes de esquerda não alinhados com o PCP e, acima de tudo, o santuário do independentismo angolano.

"Ela era uma referência. A casa da Julieta era importante. Para mim foi um livro aberto", diz Amílcar Sequeira. É lá que as novas gerações convivem com figuras do independentismo. "Permitiu-nos ouvir históricos como o Ilídio Machado e Arménio Santos", salienta Diana Andringa que assume a dívida: "Se me perguntarem qual a minha pátria, digo Angola. De alguma forma, Julieta ajudou-me a isso. Fez-me não ter vergonha de ser branca e privilegiada."É lá que se realiza, após o 25 de Abril, a primeira reunião para organizar a primeira manifestação anticolonial, onde estiveram Carlos Antunes e Cabral Fernandes, entre outros. E Julieta integra uma delegação da Casa de Angola que vai ao Alvor, durante a assinatura do acordo das independências, reunir-se com Agostinho Neto.

Em 1975, regressa a Luanda, para ai montar o serviço de saúde e despacha directamente com Neto. Fernanda Tomás vai consigo e trabalha no Ministério da Educação. Julieta Gandra instala o serviço de vacinação e a rede de enfermeiros e faz o levantamento para determinação de epidemias. Regressa a Lisboa profundamente doente, de urgência, em 1977, e ruma a Londres onde lhe é diagnosticado um edema pulmonar.

A dívida de Angola para com Julieta Gandra é expressa numa subvenção que recebia irregularmente do Governo angolano e que completava a subvenção atribuída no Governo de António Guterres, em reconhecimento da sua luta como antifascista. Mas recusou-se a receber a Ordem da Liberdade, já no segundo mandato de Jorge Sampaio.

"Era pessoa forte, opinativa", lembra Ana Rita Gandra Gonçalves. "Obrigava-nos a pensar. Tinha pouca paciência para chavões. Na altura da guerra do Biafra, dizia que não era adoptando uma criança que se resolvia o problema. Tinha muita paciência para nós, os mais novos, mas não tinha paciência para pieguices e disparates", lembra Diana Andringa e acrescenta: "Era uma militante feminista e anticolonial. Em tudo o que dizia e fazia estava presente que as mulheres são iguais aos homens, têm os mesmos direitos e os mesmo deveres, até o dever de pensar."

22.10.2007, São José Almeida

I Curso de História Contemporânea no El Corte Inglés


Já começou, com uma extraordinária sessão com o Luís Salgado Matos. Excelente a pôr-nos todos com água na boca.

Vai ser um bom curso.

Podem, caso entendam, seguir o que se vai passando aqui (sim, mais um blogue)

Divulgação académica


Caros amigos e colegas,

No próximo dia 7 de Novembro terá lugar na FNAC Chiado um debate sobre a revolução russa, no momento em que se passam 90 anos da revolução. Na mesa estarei eu, que farei uma apresentação breve do número especial da História dedicado ao tema; o Carlos Taibo, professor da Universidade Autónoma de Madrid e profundo conhecedor da Rússia pós queda do muro, que falará sobre o significado histórico do fim da URSS e o Antóno Louçã, jornalista e investigador, que vai falar sobre a actualidade da revolução russa.
Creio que o melhor que posso dizer dos dois palestantes - para além do rigor e seriedade com que têm levado a cabo os seus trabalhos de investigação - é que ambos fazem parte daquele grupo de homens e mulheres que decidiram na sua vida que não basta interpretar o mundo, há que transformá-lo.
Segue em anexo o cartaz do evento
Raquel Varela
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Caros amigos e colegas,
Por razões que se prendem com a própria FNAC o debate sobre a revolução russa, com Carlos Taibo e António Louçã, foi alterado para as 19:30 do mesmo dia, dia 7 de Novembro. O local mantém-se, FNAC Chiado.
Um abraço
Raquel Varela

segunda-feira, outubro 22, 2007

Manifesto 2009


Dear Activist,

Swedish Social Democrat Leader Mona Sahlin has agreed to take part in the first PES Yourspace manifesto2009 YouTube debate! When? On Wednesday 24 October at 6pm!

How does it work? You submit your question to Mona Sahlin either in video on our Yourspace YouTube channel or as written question by email. She will give her answers on Wednesday afternoon and we will put the videos online by Thursday.

Mona Sahlin is leading the discussion in the PES on the ‘Save our Planet’ manifesto theme. So she is looking for questions and comments on climate change, environmental protection, renewable energy, how to achieve a fossil-fuel free society and any other issue which you believe is important for her to take into account.

For more information on the PES Youspace ‘save our planet’ theme see http://manifesto2009.pes.org/en/save-our-planet/
For more information on how to upload a video on our YouTube channel see http://manifesto2009.pes.org/en/postyourvideos
To see our YouTube channel go to http://www.youtube.com/europeansocialists

Send a written question to Mona Sahlin to manifesto2009@pes.org if you are unable to send a video.

It’s Yourspace – please use it

Campeão!!!


Change happens

Parece que a coisa mudou, lá para os lados da Polónia. Ainda falta um dos gémeos, mas o que se podia afastar agora foi afastado. Vá lá que assinaram o acordo de Lisboa a tempo...
O Pedro Mexia e o Carlos Castro já referiram, indirectamente, o facto, mas eu acrescento uma interrogação: não podiam os polacos ter um Partido Socialista (liberal) que fosse competitivo nas eleições?
Ah, quem ganhou as eleições foram os Liberais.

António José Seguro


Desde há muito que sigo e aprecio o trabalho parlamentar e político do António José Seguro. Há tempos apreciámos o seu projecto de reforma do Parlamento - hoje já em vigor - e recentemente descobrimos o seu espaço online.

Na altura estava ainda em versão beta, em testes e aperfeiçoamento. Hoje está bastante melhor.

E digo isto não só pelo aspecto gráfico e pela óptima navegabilidade que proporciona, não. Digo isto pelo conteúdo político do próprio espaço.

Destaco uma reflexão sobre a eleição dos líderes partidários (a propósito da eleição do PSD), onde é avançada uma proposta de melhora do sistema actualmente em voga no PS (e que comentarei nos próximos dias); a apreciação que o deputado faz da semana que passou (num exercício de comentário do contemporaneo muito interessante); e o conjunto de informação, devidamente catalogado, referente ao processo de construção da proposta de reforma do Parlamento. Este último exemplo é essencial para a desconstrução do processo legislativo, e um auxiliar de investigação precioso a quem estuda política.

Já o disse mais que uma vez, mas não canso de me repetir: é, hoje, sem dúvida, dos melhores valores socialistas, dos marcos políticos da sua geração e parlamentar de estudo posterior.

DocLisboa


Não fui ver nada. Tinha bilhetes, convites, tudo. E nada, nem um documentariozito. Tenho de ver se volto a ter alguma vida além da profissional... E ainda pensei que o que o Daniel tem colocado no Arrastão fossem as versões completas...
Mesmo assim, já deu para descobrir o Enemies of Happiness, um documentário sobre Malalai Joya, jovem afegã concorrente à Assembleia Constituinte do Afeganistão, expulsa da mesma, e recandidata ao Parlamento, agora com existência constitucional. Vejam o inicio do doc. É de ficar com água na boca...
E já agora, uma nota de reconhecimento ao trabalho que o Daniel Oliveira tem produzido no Arrastão à volta do DocLisboa 2007. Excelente. Só chateia não estarem os filmes completos...

Ferrari

Rui,
Esta é uma devida homenagem. Como escreve o Pedro Sales, no Zero de Conduta: Luigi segue solo le Ferrari. Agora, convinha trocar o Michael pelo Kimi (digo eu...)

Parece que é só clicar ...

E o público-alvo destes rastreios grátis são as mais desefavorecidas.
Isto quer dizer que estamos a ajudar quem mais necessita.
E poder ajudar uma mulher despreviligiada é uma gratificação que não dispenso.
E tudo por 5 segundos no nosso tempo.
[depende da velocidade da net, mas não é mais de 20s, garanto]

domingo, outubro 21, 2007

Intermitentes

Já deu para perceber que é um assunto que me interessa, e muito. Aqui ficam dois que a Plataforma preparou para o dia 19, o dia da Intermitência.



Novo Campeão do mundo de Fórmula 1



Kimi Raikkonen campeão do mundo de Fórmula 1
Quando só se discutia qual dos dois Maclaren iria vencer...
Parece-me que afinal o trabalho de equipa sempre resulta...

Campeonato de pilotos e de construtores para a Ferrari...

Quem ri por ultimo... Ri melhor...

DocLisboa


"Ainda" a decorrer em Lisboa.
Culturgest,
Cinema Londres,
Cinema São Jorge.
Ainda não foram porquê? Ainda têm tempo...
Mais informações aqui...

Administrador

Admito. Sou um administrador [do blogue] fascista.
E admito ainda que não acho piada nenhuma aqueles blogues que têm 15 nomes de colaboradores e depois só 2 ou 3 escrevem. É que não acho mesmo piada.
E assim, porque sou autoritário e totalitário, decidi que quem não escrever até ao final do mês será «limpo» do blogue.
E digo isto sem vontade nenhuma de o fazer, por isso é que convidei as pessoas para partilharem o blogue. Agora, se se assume a escrita, que se cumpra. Se não, sem stress. Não cumprem, não estão. A liberdade e o voluntarismo continuam a ser peças de toque neste projecto.
«Amigo não impata amigo», já dizia o outro. E estou farto de ver nomes aqui associados que mais não são que puras associações, decidi - como administrador fascista - que era uma boa altura para clarificar quem está neste projecto, neste blogue.
Repito: quero que todos aqui continuem. Mas a participar.
Esperemos até Novembro.

sábado, outubro 20, 2007

Intermitentes

Fui ontem ao debate sobre a intermitência.
Nem sei onde começar. Foi no salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II. Boa casa, sala quase cheia. A malta do costume. Toda. Não vi, que me apercebesse, uma cara nova; um novo interlocutor, uma nova ideia. O costume.
O interesse era duplo: saber como estava a relação entre a Plataforma e o processo legislativo em curso e mostrar solidariedade com o movimento intermitente e, quem sabe, ouvir um bom debate teórico sobre o que é a intermitência, afinal.
Do segundo interesse, nada. Nem uma ideia. Toda a gente fala e critica o que o governo apresenta sobre a matéria, toda a gente chuta para o ar modelos a importar (França é amplamente citada), mas ninguém apresenta uma única proposta ou ideia adaptada à realidade portuguesa.
Só criticas, portanto. Procura-se afirmar categoricamente que a intermitência existe, que é indefinível e extremamente complexa de descrever (como todas as indefinições), e que a tentativa de definição apresentada nos textos na Assembleia falha. Concordo. Que se deixe cair, então, a palavra «intermitência». Afinal não é para isso que se está a legislar, é para resolver um problema laboral, em primeiro lugar, e de acesso à segurança social, em segundo. E é um assunto que causa muita confusão a muita gente. Dispensa-se.
Continuando. Sobre o outro ponto, a apreciação do trabalho da Plataforma. Devo dizer que sou fã deste tipo de iniciativas, por isso é que me associo a elas, directa ou indirectamente. Sinceramente acho essencial que existam este género de dinâmicas, emergentes da «sociedade civil», mais ou menos organizada (há um carácter claramente profissional na Plataforma), que possa servir de interlocutor privilegiado com o processo legislativo, seja ele qual for.
E é aqui que a coisa complica, porque a maior parte dos intervenientes não entenda os trâmites dos processos de construção de leis; confunde o acessório com o essencial. Admito que há que deixar que o processo de aprendizagem assente; que se entenda os tempos da intervenção dos legislativa, onde e quando intervir (Assembleia da Republica, Segurança Social, Teoria da Intermitência, Academia, Sociedade Civil). Mas o pior é que esta inexperiência e o carácter novel deste tipo de organizações torna-as demasiado permeáveis a «profissionais da política», especialistas em sabotar o que poderia ser processo de consenso político entre a Plataforma e o Governo.
Digo mais, julgo que existe quem não queira qualquer tipo de acordo, para daí retirar dividendos políticos directos e abrir com os «trabalhadores das artes e dos espectáculos» nova frente de ataque ao governo. E é claro que é o PCP que assume essa posição.
É pena, digo, pois julgo estarem criadas todas as condições para que a situação seja resolvida de forma satisfatória por todas as partes interessadas (Trabalhadores, Empregadores, Governo, Partidos Políticos, Sociedade Civil em geral). E temo que estas intenções dúbias estejam a desviar o que era uma boa aproximação entre o poder legislativo e uma classe profissional com sérios problemas laborais para resolver.
Bem sei que não temos muitas experiências, de base, de contacto entre a «sociedade civil» e o poder político. E a esquerda, sejamos francos, não se sabe organizar. A acrescentar, temos que a falta de cultura politica no momento da negociação e da criação de consensos é impeditiva da construção de linhas de diálogo construtivas.
É notória a incapacidade de distinção do que está em discussão. Repare-se: admitindo a densidade e a complexidade do tema, eu diria que existem três peças em discussão, o problema laboral, a ser tratado na Assembleia; o problema do acesso à segurança social, a ser tratado pelo Governo, e o problema teórico do que é a intermitência. Estes temas têm de ser tratados em separados, pois só assim conseguem ser efectivos. Colocá-los todos juntos significa não só dilui-los num conjunto fragilizado; correr o risco de nunca conseguir um articulado satisfatório (pois não existem 3 pessoas com o mesmo conceito de intermitência, só para dar um exemplo); mas também significa ou nunca ter alguma Lei ou ter um traçado legal que não satisfaz ninguém (ou que talvez satisfaça quem gosta e procura que nada resulte).
A solução é, então, separar as águas. Retirar a segurança social do pacote. Remete-la para debate posterior. Mas, entretanto, ir não só abrindo portas como preparando propostas. Depois é deixar cair essa palavra maldita, a «Intermitência», do diploma. Por fim, promover debates, também com académicos, sobre o conceito da «Intermitência».
Se assim for feito (mais ou menos), julgo ser possível alcançar uma solução bem razoável, onde todas as partes consigam se rever e, simultaneamente, consigam criticar e propor melhoras (da negociação política nunca resulta a satisfação, apenas graus de insatisfação). Se se prosseguir o caminho manipulado do confronto barato, ou do conflito por encomenda, temo que os resultados não sejam os melhores.
E logo quando estão criadas todas as condições para que se comece a entender e a resolver a complexidade do modelo laboral do pessoal das artes e dos espectáculos. Estamos tão próximo do primeiro passo. Não deixem o estraguem.

(vê-se que «gostei» do debate; e que espero pelos próximos).

sexta-feira, outubro 19, 2007

Dia de Sensibilização para a Intermitência


Dia de Sensibilização para a Intermitência


A Plataforma dos Intermitentes, que junta as principais organizaçõesrepresentativas dos profissionais das artes do espectáculo eaudiovisual, promove hoje um dia de sensibilização para a intermitência. Decorrerão várias acções pelo país tais como:

- Leitura e distribuição de um comunicado nos espectáculos deteatro, música, dança, filmagens, gravacões de telenovelas e sériestelevisivas, festivais, etc, procurando assim informar os profissionais destas áreas e sensibilizar os espectadores daprecariedade dos profissionais das artes do espectáculo e audiovisual(comunicado em anexo)

- Debate sobre as perspectivas de legislação para os intermitentes, às 18h, no Salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.

- Festa/Concerto em Lisboa, na ZDB, no Bairro Alto, com os KumpaniaAlgazarra, às 24h e apresentação de um spot para televisão e internet.

A Plataforma dos Intermitentes vem reclamando a criação de um estatutoprofissional para os profissionais das artes do espectáculo e doaudiovisual, dada a ausência contínua de legislação nestas matérias, oque consequentemente tem vindo a consolidar e a aumentar a precariedade existente nestas profissões.

Por isso, surge a palavra intermitência (tal como já surgiu noutros países),que corresponde à natureza das actividades em que se baseiam estas profissões.Basta dar o exemplo da variedade do cartaz de cinema ou de teatro, a que cidadão comum tem acesso, cartaz esse que muda frequentemente,permitindo assim aos espectadores que possam usufruir dessa variedadee de uma dinâmica de conteúdos.

As propostas partem de um conjunto de situações que é urgente acautelar e que se sintetizam nos seguintes termos:

- intermitência

– a generalidade destas actividades profissionais estásujeita a ciclos económicos de duração limitada, que resultam tanto datransitoriedade das actividades de produção de espectáculos e audiovisual como da necessidade da existência de períodos depreparação e de desenvolvimento artístico destes trabalhadores.

- insuficiência do regime de segurança social dos trabalhadoresindependentes a que está sujeita a grande maioria desta classe profissional, com escassas excepções, como é o caso de algumasestruturas de maior densidade institucional p.e., orquestrasprofissionais e Teatros Nacionais.

- escassez de regulamentação relativa ao modo de prestação do trabalho, que resulta da aplicação inapropriada do regime da prestaçãode serviços.

2Foram apresentados projectos pelos Grupos Parlamentares do PCP e do BEe pelo Governo, aprovados na generalidade e actualmente em discussão na especialidade na Comissão Parlamentar do Trabalho.

A Plataforma tem vindo a promover o diálogo e a discussão entreprofissionais e poder político. O projecto do Governo não vemresponder à maior partes das carências destas profissões e pretendemos com este dia, informar e sensibilizar a opinião pública para arealidade do trabalho intermitente.

A Plataforma dos Intermitentes é constituida pelas seguintes organizações: AIP- Associação de Imagem Portuguesa, Associação Novo Circo, ARA –Associação de Assistentes de Realização e Anotação, ATSP – Associaçãodos Técnicos de Som Profissional, CPAV - Centro Profissional do SectorAudiovisual, Granular - Associação de Música Contemporânea, PLATEIA -Associação de Profissionais das Artes Cénicas, REDE - Associação deEstruturas para a Dança Contemporânea, RAMPA, Sindicato dos Músicos,SINTTAV- Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, STE - Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo.

Já está.

Tratado de Lisboa!
[e agora, Referendo?]

Dia da Intermitência

[ Clique para aumentar a imagem]
E vai haver um óptimo debate no D. Maria II às 18h. Aparece.
E dizem que vai ainda haver festa da boa na ZDB. Dizem...

quinta-feira, outubro 18, 2007

Escândalo?

Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975


Uma nova investigação sobre o salazarismo, a Inglaterra e a descolonização portuguesa para conhecer no próximo dia 19 de Outubro, sexta-feira, pelas 18h, na Casa Fernando Pessoa. O livro de Pedro Aires Oliveira (docente no Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e chefe de redação da revista Relações Internacionais) «Os despojos da aliança – A Grã-Bretanha e a questão colonial portuguesa – 1945-1975» será apresentado por José Medeiros Ferreira e por Francisco José Viegas. A edição é da Tinta-da-China.

Só gente de qualidade, como se vê. É de estar.

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