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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Rui Pereira não é um estadista.

 

O Partido Socialista já produziu grandes ministros que, quando a situação assim o exigia, tiveram a atitude digna de saírem para que um determinado evento, ou conjunto de eventos, não manchasse o cargo, o Governo, ou a República.

António Vitorino abandonou o Governo por causa de uma alegação falsa sobre o não pagamento de parte dos impostos de uma propriedade que tinha adquirido no Alentejo.

Jorge Coelho, no seguimento dos trágicos acontecimentos que resultaram da queda da ponte de Entre-os-Rios, apresentou a demissão para que a “culpa não morresse solteira”, apesar de ser por mais evidente para todos que nenhuma responsabilidade possuía, para alem de ser o ministro da pasta.

António Vitorino e Jorge Coelho eram estadistas. E ainda hoje são bem recordados no partido.

Rui Pereira não é um estadista.

Rui Pereira parece agarrar-se ao cargo de Ministro como uma lapa. Incapaz de compreender que já há muito que a sua situação se tornou insustentável, tendo sido o inaceitável escândalo de um número indeterminado de cidadãos serem privados do seu direito de voto nas presidenciais de Domingo, o mais elevado direito que uma democracia possui, a coroa de miséria de um mandato tenebroso à frente do Ministério da Administração Interna, pautado ainda pela compra inútil de blindados para as forças de segurança, que ainda hoje não estão explicados.

Com os pedidos de demissão de hoje, segurar Rui Pereira começa a ser um risco demasiado elevado para o Governo e para o PS.

Rui Pereira podia sair pelo seu próprio pé. Escolheu não o fazer. Em vez da atitude nobre, escondeu-se, à boa maneira portuguesa, atrás de um inquérito.

Alguém terá que lhe apontar a porta de saída. Talvez José Sócrates. Talvez o Presidente da República. Será “empurrado” para sair.

E a culpa não morrerá solteira.

A culpa será sua.

 

 

 

A "Verdade" das Presidenciais*

Cavaco Silva é o Presidente de todos os Portugueses.

Foi eleito pela maioria absoluta dos eleitores que quiseram, ou puderam, ir votar. Como é óbvio, detém todos os poderes que a Constituição atribui ao cargo de Presidente da República.

Tudo o resto, sobre maior ou menor legitimidade, sobre “magistratura activa” ou “interventiva”, sobre dissolver ou não dissolver a AR, etc..., é simplesmente conversa da treta.

Pode entreter, via comentadores na televisão, ou vender jornais e revistas, via artigos de opinião.

Mas não deixa de ser conversa da treta.

Cavaco Silva fará aquilo que quiser fazer. Já não tem que prestar contas a ninguém, a não ser à sua consciência, ou ao seu legado histórico.

* em homenagem a Manuela Ferreira Leite, que abriu o trilho em que outros agora caminham. 

Curtas sobre as Presidenciais

1) Como é possível que o candidato que disse "que só não seria Presidente se lhe dessem um tiro na cabeça", tenha tantos, na opinião publicada, a dizer que fez a melhor campanha de todos os candidatos? De qualquer forma, a moda dos candidatos independentes parece ter pegado e acredito, como alguns, que teremos novo candidato extra-partidário, talvez o mesmo, em 2016.

2) Os dois discursos de vitória de Cavaco Silva são a prova que o terceiro-mundismo está a bater-nos à porta. Ele ganhou, logo todos os portugueses sabem que as "calúnias" sobre BPN, vivenda da Coelha e afins, são todas inventadas. Aliás, vai andar atrás dos jornalistas para que lhe revelem as fontes dessas notícias. Não sabia que tínhamos eleito um misto de Isaltino Morais, Fátima Felgueiras e Alberto João Jardim como Presidente da República.

3) Parece que se tornou moda dizer que o "fracasso" da campanha de Alegre demonstrou que o PS e o BE não conseguem funcionar em conjunto. Isso é cómico, se tivermos em atenção que a máquina do PS esteve completamente ausente da campanha do Alegre. Ou alguém no seu perfeito juízo acha que o PS não consegue encher o Coliseu dos Recreios no penúltimo dia de campanha, se quisesse? Onde é que andavam os autocarros das últimas legislativas? O que aconteceu foi simples: o PS socrático tramou a ala esquerda, dando-lhes nenhum apoio, para que depois pudessem ser enterrados no “day after”. Dito e feito.

4) Independentemente na ausência da máquina partidária, tornou-se óbvio que muitos socialistas não perdoaram a Alegre a desfaçatez de ir contra o candidato do partido em 2006. Que fique de memoria para “futuros Alegres”.

5) José Manuel Coelho, assim como a subida avassaladora de votos brancos e nulos, que, respectivamente, quadruplicaram e duplicaram face à 2006, representam um potencial de descontentamento que existe à margem do sistema politico, e que apenas ainda não se materializa com mais força devido à não existência de candidaturas independentes à Assembleia da República. Mas eles existem e “andam por aí”.

6) Defensor Moura foi a "lebre" de Alegre. Cumpriu a sua missão. É pena que não tenham decidido levantar também o célebre caso das escutas. Acho que foi um erro não o ter incluído na campanha. E ao contrário de muitos, acho que as perguntas sobre o carácter dos candidatos vieram para ficar na política portuguesa. É um sinal de modernidade política, como as campanhas americanas atestam. E em parte foram bem sucedidas. Afinal, Cavaco Silva foi reeleito com a mais baixa votação em presidenciais de sempre.



quarta-feira, janeiro 19, 2011

Em cada buraco da calçada em que tropeçamos...

... ou encontramos uma história esquisita, e mal explicada, sobre o património ou vida de Cavaco Silva...

... ou encontramos um putativo candidato a presidente do Sporting.

Pobre clube o meu,...

... pobre país o meu!

O melhor texto sobre as presidenciais que já li

Os imbecis da esquerda imbecil são imbecis precisamente por causa das imbecilidades que fazem, não por serem menos inteligentes do que o comum dos mortais. Terem apostado no BPN em vez de no caso das escutas é apenas mais uma das manifestações da sua endógena imbecilidade. A causa de tal imbecil escolha por um tema que permitia vitimizações, os dinheiros privados num tempo de pousio da actividade política, poderá ser a mesma que explica o silenciamento das operações do duo Lima-Zé Manel, as quais igualmente serviam os interesses do BE e PCP para as eleições de Setembro. Tudo o que fosse munição para deitar abaixo Sócrates era festejado pelos imbecis, viesse donde viesse, até dos reaças mais fanáticos. Por isso não vimos a legião de histéricos comentadores da esquerda imbecil a pedir explicações ao Presidente da República, muito menos responsabilidades. Preferiram juntar-se à Manela e ao Pacheco para explorar outras escutas no Parlamento, essas reais e com sabor a caldeirada de enguias à moda de Aveiro.

(...)

Alegre devia ter feito da sua candidatura a continuação do tal tantas vezes incensado movimento cívico com que andou a pavonear-se 5 anos. Mesmo que continuasse a querer o apoio do PS, que mendigou, e o dos imbecis do BE, que abraçou, foi pura estultícia ter ostracizado o centro. E era canja garantir tranquilamente uma 2ª volta, posto que já levava 1 milhão de votos de avanço: bastava fazer das questões da Justiça o núcleo temático da sua estratégia. Esse é o território mais universalista, e importante, para quem se candidata ao único órgão de soberania unipessoal, aquele onde se representa o Estado ao mais alto nível da hierarquia. E esse é um território onde Cavaco é cúmplice das disfunções e perversões do sistema. Os portugueses desesperam com a ausência de líderes que assumam o desafio de enfrentar o poder de magistrados em roda-livre, apostados em fazer aos políticos que não se vergarem o que já fazem aos cidadãos: subalternizá-los aos interesses da corporação. O Presidente da República é a única figura que tem uma autoridade sufragada que lhe permite enfrentar os agentes da Justiça com um poder que lhes é fundamentalmente superior: a representação suprapartidária do Povo. Quer dizer, o Chefe de Estado tem a legitimidade para lembrar à Justiça que deve respeito ao Soberano.

terça-feira, janeiro 18, 2011

É sempre mais cómodo ser treinador de bancada

Filipe Santos Costa disse hoje na SIC Notícias que esta campanha presidencial revela a pobreza franciscana da política portuguesa, porque, na sua opinião, a política em Portugal normalmente não é muito diferente do vazio de ideias e das banalidades que estamos a ser bombardeados, via comunicação social, desde o início desta campanha.

A diferença é que agora levamos com a política desde o pequeno-almoço até à ceia, devido à missão dos media de "esclarecer" os eleitores.

Isto levanta várias interrogações:

1) Desde quando é missão dos media ser corrente acéfala de transmissão da propaganda, e "banalidades", de candidatos? Porque não os confrontam com os reais problemas do país?

2) É de uma profunda hipocrisia que a comunicação social que permite que o candidato mais bem colocado não tenha até agora respondido, ou explicado, UMA das múltiplas acusações e escândalos em que está envolvido.

3) Se os media acham que os políticos não discutem os reais problemas do país, porque não promovem eles próprios essa discussão junto da sociedade? Sem envolver políticos, ou ex-políticos, claro. Talvez porque também estejam interessados no status quo?

Como diria Freitas do Amaral: é preciso ter topete!

quinta-feira, novembro 18, 2010

Joana Amaral Dias voltou a escrever no seu blog

Pastel de Belém:


Os mercados arremessaram EUA e Europa para um crise inédita. Depois, conseguiram que grande parte da sua dívida fosse paga com dinheiro público. Não satisfeitos, continuam a extorquir nações. Perante o esbulho, que diz o Presidente da República? Desaconselha qualquer crítica. Recomenda que fiquemos caladinhos e quietos, deixando os saqueadores levarem o que quiserem. No primeiro mandato, Cavaco candidatou-se como grande economista capaz de resolver a crise do país. Vê-se. No segundo, alegou ir a eleições em nome de Portugal. Nota-se.
Mas se os demais candidatos a Belém são constantemente interpelados, Cavaco é permanentemente poupado. Se Alegre tem de opinar sobre o orçamento ou acerca das suas relações com o PS, a Cavaco é concedida uma moratória sine die, inclusive pelos socialistas, que já desistiram das presidenciais. Cavaco pode tentar enxovalhar a classe política, que não é confrontado com o seu longo passado de primeiro ministro; pode ter um representante nas negociações do Orçamento, que não é interrogado sobre as suas interferências no PSD; podem continuar os escândalos BPN, que não é questionado sobre a sua ligação à má moeda.
Enfim, o conformismo do Presidente da República é um problema. Mas o conformismo do país perante Cavaco Silva não tem solução.
Publicado no Correio da Manhã

(Via Córtex Frontal.)

Mesmo que seja a republicação dos seus artigos de Jornal.

Algo que, enfim, alguns de nós também deveriam fazer...

quinta-feira, setembro 25, 2008

Algumas notas

Gostei bastante do Break’s over (MUST SEE), enquanto fã do Aaron Sorkin e apoiante do Obama. Só tenho pena que a ultima serie dele não tenha tido continuação, mas ainda tenho o 30 Rock para ver.
Este video, do Bill Clinton no Daily Show, é ligeiramente mais sério mas tem os seus momentos. É só amor... Pena o Bill não ter respondido à hipotese de por quantos é que ganharia se fosse ele o candidato.
Para quem quiser saber a resposta experimente isto... Eu ainda não consegui ganhar ao Teddy Roosevelt, mas não desisto. Para um jogo tão simples, está muito bem esgalhado.

quarta-feira, maio 09, 2007

O Debate foi este...

Podem ver um comentário aqui.

[Adenda]

E podem ler a transcrição do debate aqui.

Eleições USA 2008 (D)

Hillary Clinton
Hillary Clinton solidifica a vantagem sobre os restantes adversários democratas, numa sondagem pós-debate.

Não deixa de ser interessante verificar o resultado obtido por Al Gore, quando este ainda nem sequer anunciou a sua candidatura.

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