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sábado, fevereiro 19, 2011

O número de eleitor, as eleições e a responsabilidade

Uma das questões de maior desgaste, actualmente, deste governo, se descontarmos toda a questão existente com a dívida externa e os mercados, é certamente a questão que envolve o Ministro Rui Pereira e o sucedido nas últimas eleições presidenciais. Ao não ser possível a vários milhares de eleitores votar (e só sabemos daqueles que tentaram – não quero nem imaginar se estas tivessem sido umas eleições concorridas), ficou criada uma situação insustentável para o titular da pasta.
Quando este se recusa a se demitir, e tenta arranjar culpados de uma situação que, certamente, terá vários, arranja um problema ao Primeiro-Ministro.

Começando do início: obviamente esta situação terá vários culpados.

1) Quem analisou o sistema, que não previu o exponencial aumento de pedidos de informação no dia das eleições
2) O Director-Geral demitido, sendo verdade que falhou nas suas funções
3) O Ministro, que tem responsabilidades políticas óbvias e evidentes

(numa sidenote também se poderiam culpar os costumes portugueses de deixar tudo para a última da hora e também a CNDP que colocou grandes óbices a todo o processo do Cartão do Cidadão, numa suposta protecção dos cidadãos que não é mais que retórica e que na realidade não protege nada mas adiciona dificuldades a todo o processo que o Cartão do Cidadão pretende simplificar)

Imagino que no primeiro ponto as responsabilidades tenham sido assacadas, mas obviamente não chegaram às manchetes da imprensa. O segundo está resolvido. Falta o terceiro. É óbvio que o ministro não pode nem deve passar entre os pingos da chuva nesta situação. Rui Pereira deveria ter concluído o óbvio e uma vez que não o concluíu, alguém – e esse alguém é o Primeiro-Ministro – deveria ter concluído por ele. Ao não fazê-lo, nem o fazerem por ele, o Governo deixou-se arrastar para uma situação da qual não sairá vencedora (o facto do ministro fica em funções não é definição de situação vencedora e se for essa a medida que se está a considerar, então está-se a medir muito mal a situação) mas que ainda vai a tempo de parar o desgaste extra que esta situação está a trazer. Por comparação, Jorge Coelho também não poderia fazer nada na tragédia de Entre-os-Rios mas o então ministro não deixou a culpa política morrer solteira e demitiu-se. Uma grande diferença para o actual detentor da pasta da Administração Interna.

No entanto, o Governo anunciou esta semana a extinção do número de eleitor, previsto para 2013. A oposição depressa concluiu que tal medida servia para encobrir as falhas da última eleição e era como que uma fuga para a frente em toda esta situação.

Vá lá… agora a sério: é mesmo isso que pensam?

Então está bem. É a vossa opinião. Na minha, a medida é excelente. Para que é que precisamos de um cartão de eleitor, nos tempos que correm? Percebe-se que quando a democracia começou houvesse a necessidade de ter um processo simples fazer a numeração e ordenação dos cadernos eleitorais, numa altura em que essa coisa dos computadores era algo muito evoluído (uma coisa dos States) e as juntas tinham de saber quem eram os seus eleitores. Com o avançar da tecnologia esta situação tornou-se ridícula e causadora de problemas (limpeza de cadernos eleitorais, potenciadora de erros das mesas – e eu já passei por um destes… um dia conto).

A oposição tinha aqui uma excelente oportunidade de, apoiando uma medida do Governo, fazer todo o espectáculo mediático que pretendia. Como? Bastaria para tal perguntar porque foi a medida apresentada por Pedro Silva Pereira e não Rui Pereira. Se o Governo já não tinha confiança no ministro da pasta e porque não era o mesmo demitido. Desviava as atenções de uma proposta que é boa, aproveitando a mesma para desgastar mais o Governo numa questão que, pela forma como lidou com ela, claramente merece. Mas preferiu desvalorizar a proposta.

Dizem-nos aqueles que “não aceitam” os resultados das últimas eleições legislativas que cada País tem o Governo que merece. Poderá eventualmente assim ser. Mas também tem a oposição que merece. E esta está a ser muito fraquinha.

Concluindo, em toda esta questão: O Ministro deveria ter-se demitido. Ao não se demitir, deveria ter sido demitido que uma falha desta gravidade no que a democracia tem de mais essencial não é uma questão menor. E a proposta de eliminação do número de eleitor deverá ser levada até ao fim. São duas faces da mesma moeda, em que toda a classe política esteve mal.

sábado, fevereiro 12, 2011

Mais depressa se apanha um mentiroso de que um coxo

Algo que Rui Pereira e Dalila Araújo podem vir a aprender às suas custas. Não bastava o triste caso dos blindados para Rui Pereira conspurcar o cargo?

Até quando?



quarta-feira, janeiro 26, 2011

Rui Pereira não é um estadista.

 

O Partido Socialista já produziu grandes ministros que, quando a situação assim o exigia, tiveram a atitude digna de saírem para que um determinado evento, ou conjunto de eventos, não manchasse o cargo, o Governo, ou a República.

António Vitorino abandonou o Governo por causa de uma alegação falsa sobre o não pagamento de parte dos impostos de uma propriedade que tinha adquirido no Alentejo.

Jorge Coelho, no seguimento dos trágicos acontecimentos que resultaram da queda da ponte de Entre-os-Rios, apresentou a demissão para que a “culpa não morresse solteira”, apesar de ser por mais evidente para todos que nenhuma responsabilidade possuía, para alem de ser o ministro da pasta.

António Vitorino e Jorge Coelho eram estadistas. E ainda hoje são bem recordados no partido.

Rui Pereira não é um estadista.

Rui Pereira parece agarrar-se ao cargo de Ministro como uma lapa. Incapaz de compreender que já há muito que a sua situação se tornou insustentável, tendo sido o inaceitável escândalo de um número indeterminado de cidadãos serem privados do seu direito de voto nas presidenciais de Domingo, o mais elevado direito que uma democracia possui, a coroa de miséria de um mandato tenebroso à frente do Ministério da Administração Interna, pautado ainda pela compra inútil de blindados para as forças de segurança, que ainda hoje não estão explicados.

Com os pedidos de demissão de hoje, segurar Rui Pereira começa a ser um risco demasiado elevado para o Governo e para o PS.

Rui Pereira podia sair pelo seu próprio pé. Escolheu não o fazer. Em vez da atitude nobre, escondeu-se, à boa maneira portuguesa, atrás de um inquérito.

Alguém terá que lhe apontar a porta de saída. Talvez José Sócrates. Talvez o Presidente da República. Será “empurrado” para sair.

E a culpa não morrerá solteira.

A culpa será sua.

 

 

 

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