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sábado, novembro 13, 2010

A quem interessa o FMI?

Toda a gente anda por aí a comentar (bem, toda a gente não - os comentadores e bloggers de direita! mas adiante) quando chega o FMI e o que virá fazer. Agora que estamos na casa dos 7% existem uns quantos encartados da blogosfera que acham que o FMI já deveria estar a aterrar na Portela, sem considerarem que a Irlanda está um bocadinho pior que nós e o FMI ainda não comprou bilhete para o aeroporto de Dublin.

Nos anos 80, se bem me lembro (felizmente não me lembro pois era muito novo nessa altura e não tinha a noção das dificuldades - desde que houvesse comida na mesa e escola no dia a seguir, o meu mundo estava a funcionar normalmente -, mas como sou um rapazinho curioso, perguntei aos meus pais e outras pessoas da mesma geração) a situação é ligeiramente diferente. Ligeiramente diferente a situação económico-financeira do país e ligeiramente diferente as condicionantes de intervenção do FMI.

Assim sendo, a quem interessa que chegue o FMI ?
E é aqui que quero chegar: O FMI, neste momento, não tem o bicho papão do comunismo ao lado da Europa Ocidental para contrapor com as medidas de mercado livre e desregulamentado que deseja. Neste caso, seria espectável que o FMI, uma vez aterrado na Portela, sugerisse que houvesse um conjunto de privatizações ainda maior do que aquelas já anunciadas pelo actual governo (e que, em alguns casos, são altamente discutíveis, para dizer o mínimo).

Assim, nesse pacote de privatizações não é difícil imaginar as seguintes:
  • RTP
  • Caixa Geral de Depósitos
  • Parte da Segurança Social (esta é uma situação genérica, eu sei, mas não sou especialista na matéria, nem tento passar por um)
Ora, a quem interessa a privatização da RTP? A Pinto Balsemão, militante n.º 1 do PSD? À OnGoing, para onde foi trabalhar, deixando a Assembleia, Agostinho Branquinho, ex-deputado do PSD?
E a quem interessa a privatização da CGD, o maio banco nacional? (Ui! Que esta lista é enorme...) Alguém consegue imaginar quanto ganhariam todos os bancos (e pagaríamos todos nós) por uma simples consulta de multibanco? Um simples levantamento? (Mais que o valor da CGD, que é imenso, este era o verdadeiro pote no fim do arco-íris da privatização da mesma).

Em relação à parte da Segurança Social, toda essa questão estaria envolvida na principal vantagem que a actual turbe dirigente do PSD vê na chegada do FMI. A imposição do seu programa de governo, que foi tão bem demonstrado na agora esquecida proposta de Revisão Constitucional, e que, com o chapéu protector do FMI, poderiam impor ao país. Este é o verdadeiro Euromilhões do jogo político actual. Mais que mudarem as caras da administração e dos Jobs, o que a turbe que dirige o PSD quer, com o FMI em Portugal, é alterar profundamente a sociedade portuguesa, por forma a liberalizar todo o sistema laboral, retirando toda a protecção dada pelo estado. Está bem demonstrado no projecto de Revisão Constitucional, e eles não se esqueceram da verdadeira queda livre que deram nas sondagens quando o mesmo viu a luz do dia e se começou a esmiuçar o mesmo.

A quem interessa o FMI?
A este PSD. É óbvio. Não numa perspectiva eleitoralista (onde também iriam ganhar) mas numa perspectiva de alteração de paradigma da sociedade portuguesa. Este PSD é a direita que anda a reclamar do estado socialista. Este PSD é a direita que não está confortável com o fim de muitos aspectos do antigo regime. Este PSD é a direita que venera o Reaganismo e o Thatcherismo. Este PSD é o PSD que quer privatizar tudo aquilo em que o estado é contestado (pela esquerda e pela direita) para depois poder dizer que não tem nada a ver com isso, que isso são sectores privados (educação, saúde).

Com o FMI em Portugal, e provocando eleições antecipadas, este PSD pensa que conseguirá, sem ser muito responsabilizado por tal, impor o seu programa, a sua agenda, o seu paradigma, a sua ideologia. Por isso é que são estes senhores que querem que o FMI venha para Portugal. E não se calam com isso.

quinta-feira, outubro 14, 2010

A Ler: Que venha o bendito FMI

Que venha o bendito FMI:

Portanto, considero-me mais defendido por peritos estrangeiros que nada tenham que ver com votos ou com interesses pessoais da imensa burguesia política que gere este país do que com os oportunistas que por cá andam. Dizem-me que se vier o FMI será mais duro, talvez seja verdade mas certamente não o será para os que estão pagando a crise sozinhos. Mas tenho a certeza de que os peritos do FMI serão mais independentes, rigorosos e honestos do que os nossos partidos, além disso tenho a certeza de que para o ano o espectáculo não se repete e que os esforço que os portugueses terão de fazer não resulta de jogos eleitorais.

Por tudo isto que venha o FMI, deixamos de aturar os Medinas, os Salgueiros, os Teixeiras e outros, os dirigentes partidários comem e calam deixando-se de jogos eleitorais feitos à custa dos outros, ficaremos a saber todos os podres económicos que ainda estão escondidos e ficamos certos de que os problemas serão resolvidos.

Não é por acaso que ao contrário do que é costume, serem os pobres a recear a vinda do FMI, desta vez são os mais ricos e a burguesia instalada que tem esse receio. De resto as medidas já anunciadas e as exigidas são bem piores do que qualquer acordo com o FMI a que Portugal se sujeitou no passado.

(Via O JUMENTO.)

sábado, setembro 18, 2010

A Irlanda fez tudo o que a direita apregoua. Expliquem lá porque não funcionou.

Para quem acompanha a blogosfera nacional, sabe que a solução apresentada pela direita bloguista é, básicamente, a imagem que emana do projecto de revisão constitucional do PSD. Sejam 31’s, blasfemos ou alguns fumadores (entre outros) o problema está no Estado e na presença deste na economia. Até há pouco tempo, a Irlanda foi-nos apresentados por vários representantes destes blogues como um exemplo de como se deveria combater o problema da dívida externa.

E é verdade, a Irlanda fez tudo o que estes senhores apregoam. Fez cortes, baixou salários, the works.

Assim, como explicam os doutos senhores “donos” dessa solução milagrosa que, ontem, quer a Irlanda quer o FMI tenham vindo a público desmentir a intervenção daquela organizaçãr naquele país? Expliquem lá como é que “A combination of costly bank bailouts, anemic growth and the worst budget deficit in the European Union has stoked fears of a full-blown debt crisis in Ireland”? A solução não era óbvia? Não eramos nós, os mauzões dos socialistas, que não queriamos ver o que o Mundo (excepto os EUA) já tinha visto?

Pois é. Afinal parece que estavam errados. Parece que, afinal, não há uma solução milagrosa. Vamos lá “arregaçar as mangas” e trabalhar um pouco mais.

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