segunda-feira, junho 22, 2009

Uma pequena grande crítica aos Lojistas aqui do burgo!

Eu estive fora do país, e só agora tive conhecimento da notícia da morte de Carlos Candal. E tive conhecimento ao dar uma vista de olhos no 31 da Armada (podia ter sido noutro, mas foi por aqui que comecei a ronda pelos blogues), num texto sobre Rui Rio e a RTP, do Nuno Gouveia.
Acho incrível que este blogue, sempre tão de esquerda com causas tão nobres e progressistas, se esqueçam de mencionar e homenagear um socialista como Carlos Candal. Até porque certamente também haverá por aqui quem, além de mim, conheça pessoalmente filho Afonso.
História e memória é algo que os socialistas têm e devem ter. Nenhuma causa terá sucesso sem honrar e homenagear o passado. Homenagear aqueles que desbravaram o caminho que agora percorremos. Homenagear a luta de Homens e Mulheres por aquilo que acreditavam e que nós agora continuamos, acrescentando capítulos, textos, páginas ou pequenos parágrafos às páginas de História que eles continuaram antes de nós.

Carlos Candal morreu no passado dia 18 de Junho, no Hospital de Coimbra. Aqui fica a justa chamada de atenção, o mínimo que podemos e devemos fazer!

Uma semana que passa e nada de novidades!

Uma pessoa sai uma semana e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (assinasse ele mais depressa que os uruguaios do Porto e já lá estava mesmo).

Uma pessoa chega e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (lavasse ele os dentes – curioso que o prof. Jesualdo disse em tempos que no Porto ganhar era como lavar os dentes – e já lá estava mesmo).

Passou uma semana e o país está na mesma. E até parece, por este blogue, que no Irão não se passa nada (tema a voltar, de preferência amanhã) …

Podia – e devia – ter continuado de férias!

domingo, junho 21, 2009

Novas Fronteiras 2009-2013

Decorreu ontem, dia 20 de Junho na sala Tejo do Parque das Nações, o Fórum Novas Fronteiras 2009-2013. Este fórum pretende ser a plataforma de lançamento e desenvolvimento de ideias que sustentarão o programa legislativo das próximas eleições para o Partido Socialista e as reuniões estão abertas a toda a sociedade civil, que pode prpoõr ideias e alternativas.
A sessão aberta teve a participação do primeiro-ministro José Sócrates e de António Vitorino, entre outros ilustres.
Gostaria de louvar a iniciativa de movimento cívico, representando assim uma abertura do Partido Socialista à sociedade civil que convida ao empenho no programa do próximo governo socialista. Representa também um sinal de maturidade democrática ao se apelar à sociedade civil que colabore em tão ambicioso programa. Trata-se de democracia directa a funcionar.
É nosso dever cívico, independentemente das tendências partidárias de cada um, aproveitar a magnífica oportunidade que nos é dada a todos para pensar o país em conjunto e concretizar o governo do país( que é de todos), sugerindo ideias que edificarão a sociedade portuguesa na próxima legislatura.
Está lançado o desafio, que é de todos e para todos. Podemos retribuir a oportunidade com ideias, aparecendo, falando, debatendo, consolidando posições possíveis.

quinta-feira, junho 18, 2009

Orgulho e Preconceito

No próximo sábado vai-se realizar a 10ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (o Pride de Lisboa); evento tradicional no calendário festivo da cidade, com tradições no século passado. Celebra-se o Orgulho LGBT.

Estranhamente, há quem questione a validade destas iniciativas, desvalorizando-as e procurando apresentá-las como marginais colocando em causa a sua importância e colando-a a movimentos marginais ou insignificantes. Foi neste sentido que li os comentários do Tiago Azevedo Fernandes a este post («Ainda estou para perceber por que razão é que a orientação sexual, seja ela qual for, há-de ser motivo de orgulho», «há também homossexuais que não simpatizam com este tipo de manifestações - deverão sentir-se mal consigo próprios por esse facto?»). Esta reacção é, ainda – e infelizmente – muito comum em parte da sociedade portuguesa, em especial naquela que não se liberta de certos preconceitos e que não entende totalmente o contexto de iniciativas como a Marcha do Orgulho LGBT.

Claro que a Marcha não é exclusiva da comunidade LGBT. Eu sou heterossexual e vou estar no sábado no Principe Real, como sempre o faço e como muitas pessoas fazem. O Orgulho que se vai celebrar é o de cada um de nós poder ser e assumir aquilo que é, no que toca à sua orientação sexual, qualquer ela que seja. Também se celebra, de forma indirecta, o Orgulho na nossa sociedade; uma sociedade tolerante que permite a viabilidade dessa escolha; uma sociedade activa e orgulhosa do que já conseguiu construir; uma sociedade que está consciente do que ainda necessita construir (para quando a plenitude e a igualdade de direitos?). Só quem não sabe como são outras realidades (adenda: ver esta ou esta) pode colocar em causa o Orgulho que temos em poder celebrar isto.

Por isso, caro Tiago, não se deve sentir nem bem nem mal com a posição que toma relativamente a estas iniciativas. Eu é que lhe agradeço os comentários que fez a este post, e que me motivaram a escrever este texto, e aproveito para o convidar pessoalmente a vir à Marcha do Orgulho LGBT de Sábado. Procure-me, sei que não tem os preconceitos que parece ter.

Lição aberta de José Gil. Hoje às 18 horas.

Caros amigos e amigas, hoje às 18 horas iremos transmitir on-line a lição aberta de José Gil no âmbito das Conferências de Lisboa. A transmissão será feita em simultâneo no site do Público On-line , no site das Conferências de Lisboa, bem como um grupo de vários blogs que se juntaram nas últimas semanas: Arrastão, 5dias, canard libertaire, spectrum, queluz e jeunegarde, além de nós próprios.

Uma história de amor

domingo, junho 14, 2009

A contra-corrente

Na sequência do post publicado por Vera Santana intitulado "People First ?", gostaria de acrescentar alguns pontos de reflexão, a meu ver, tão importantes quanto os que foram naquela publicação lançados.
Os Estados Unidos da América (EUA) elegeram um Presidente representante do Partido Democrata, mas com discursos de unificação, de governo para as pessoas, pelas pessoas, com latentes preocupações sociais querendo criar um país mais justo e igualitário. Bem sabemos que nos EUA nenhum dos partidos do poder se posicina à esquerda. O Partido Democrata não é um partido de esquerda, mas se existisse uma esquerda nos EUA era por aqueles discursos que seria representada, com uma posição mais humanista do que lobista da Economia. No seu discurso a justiça e a igualdade de oportunidades estão sempre presentes e as preocupações socias sempre sublinhadas e sublimadas. O povo americano percebeu a necessidade de mudar, afirmou o cansaço de políticas económicas firmadas pelo capitalismo selvático (que nunca foi, é verdade, o timbre e tom do capitalismo europeu), aceitou a necessidade de intervenção do Estado na Economia e votou Obama.
O povo europeu voto a contra-corrente desta mudança pregada nos EUA. E Portugal foi a contra-corrente da Europa e também dos EUA.
Há quem diga que o centro direita conservador europeu ganhou as eleições porque tem líderes fortes que o centro esquerda não tem. Foi esta a censura dos europeus.
Independentemente dos motivos subjacentes à escolha dos europeus, a consequência desta escolha será a tomada de posições semelhantes às que até à crise vinham sendo tomadas, sendo que agora e cada vez mais a reboque do dinamismo norte-americano porque esta escolha se traduziu numa posição defensiva face à tomada nos EUA, deixando agora que aqueles concertem sobre a crise, que ajam sobre a crise, enquanto que nós europeus, nos resignaremos a reagir às suas tomadas de posição.
Ao centro esquerda resta reestruturar-se, reforçar-se, tomando posições mais funcionais em matéria de política económica, propondo medidas fortes no combate à corrupção, ditando as regras em matéria de política ambiental, claramente uma das possibilidades de motor da Economia Europeia, propondo medidas reais, eficazes e inovadores em matéria social, sendo pioneiros em propostas de criação de emprego, tornando funcionais os sectores estatais responsáveis pela informação sobre emprego e também ouvindo o associativismo, o que lhe permitirá conquistar votos de independentes.
Estas são as oportunidades que o centro esquerda tem de aproveitar, visando o seu próprio benefício, mas acima de tudo, visando os interesses de cada Estado e consequentemente da Europa.
Porque é deste centro esquerda que a Europa precisa, somando-lhe os líderes fortes.

sexta-feira, junho 12, 2009

"I'm an American Jew. I'm supposed to be safe here."

 

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Yesterday's attack at the U.S. Holocaust Museum was another terrible example of the frightening increase in homegrown anti-Semitic terrorism.

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and support ADL's security programs.

As courageous security officers, at terrible personal cost, safeguarded the lives of thousands of visitors, law enforcement and media called on ADL's expertise. We quickly confirmed that the perpetrator was a white supremacist and anti-Semite with a criminal history.

ADL immediately contacted Jewish institutions around the country who rely on us for security leadership, and provided vital and time-sensitive security guidance.

At this critical moment, ADL is there. We are leading the fight against a new wave of anti-Semitic violence:

  • We've trained more than 100,000 law enforcement professionals, including the Washington, D.C., Police
  • Our unparalleled security education protects the Jewish community
  • ADL works every day to protect you and your family

The threat to the American Jewish community is real. As the leading organization dedicated to fighting anti-Semitism and extremism, and protecting your family, your support is more essential than ever. ADL needs you now..




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quinta-feira, junho 11, 2009

Crónica de uma eleição europeia (I) [título modificado]

48 horas depois já consigo proferir um par de análises sobre o 7 de Junho. Irei faze-lo em jeito de crónica e em posts distintos: um prelúdio, um par de ideias sobre as eleições e uma ou duas reflexões sobre o futuro.
Prelúdio: Bruxelas, 7 de Junho.
O dia 7 de Junho começou de forma fantástica. Viagem para Bruxelas em primeira (deram-me um update de ultima hora, que aceitei) e no lugar ao lado do do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Acabei por trocá-lo com o João Marques de Almeida – não me fosse eu não me comportar– mas ir para Bruxelas com Bruxelas pintou de excentricidade a viagem e permitiu alargar a palete de cores do meu dia. Vinha vestido de vermelho, puro; e agora uns tons de azuis apresentavam-se institucionalmente.
Chegado a Bruxelas, ao Parlamento Europeu, a atmosfera era a dos grandes jogos. Centenas de jornalistas, vários estúdios de televisão e da rádio, entrevistas por todo o lado. Uma energia contagiante. Gente e mais gente, encontrões, olhares cruzados, piadas e risos. Stress. Muito stress. Mais cores apareceram. Verde, Amarelos, tons de Vermelho e de Azul, Cinzas. Todas as cores do espectro político europeu visíveis ao olho nu. A democracia vestida com o seu melhor traje. Fantástico cenário.
No Partido Socialista Europeu a noite não era a das grandes vitórias. O semblante carregado do staff não nos deixava grandes esperanças, e o vislumbre dos primeiros resultados confirmava as piores expectativas. Esperava-se perder nos grandes países e de uma maneira geral um pouco por todo o lado. Mas quando se começou a perceber o que se ia passar em França, na Alemanha, na Polónia, na Hungria a ideia inicial de fazer um bom jogo, de nos apresentarmos competitivos, de podermos – de alguma maneira – moldar a nova Europa eleita (condicionando, por exemplo, a eleição de Barroso), rapidamente desvaneceu. Agora era evitar a goleada, e procurar promover as pequenas vitórias na segunda divisão da política europeia (Grécia, Belgica, Malta, Dinamarca, Chipre, mais tarde a Roménia, etc). Afinal, os partidos membros do PES subiram em 10 dos 27 países.
Esperávamos perder, mas nunca de goleada, nunca assim. Nunca tão cedo. E perdemos Portugal. E perdemos Espanha. Caímos nos bastiões do socialismo progressista europeu que são o exemplo da governação social-democrata para essa Europa de esquerda. Desastre. Massacre. Afinal, até tínhamos uma boa equipa. Um bom programa. Os activistas. A crise provocada pela direita neo-liberal. Onde falhámos?
Tenho descrito esta situação como se fossemos, o PES, uma equipa de fórmula I. Desenhámos um carro (o Partido), colocámos-lhe um bom motor (o manifesto eleitoral), umas boas rodas (os activistas), e quando foi altura de o conduzir… não só percebemos que não tínhamos condutor como parte da nossa equipa queria o piloto dos nossos adversários. Caricato, não? Depois tomámos consciência de que este não era, afinal, um jogo de equipa – onde todos vestem e suam a mesma camisola – mas antes uma espécie de entretenimento colectivo, amador, onde os jogadores da equipa se apresentam juntos no campo dos jogos com camisetas semelhantes mas todas diferentes, na core nas tonalidades. Não conseguimos transformar o potencial das nossas individualidades numa mais-valia colectiva, e fomos um qualquer conjunto de galácticos da política, equipa cheia de vedetas, incapazes de passarmos a bola uns aos outros, mais preocupados com a gestão das diversas carreiras pessoais do que em ser competitivos no campeonato da política europeia. Aí errámos. Procurámos criar e construir uma realidade europeia onde só existe dinâmica nacional. Não há 27. Há 1+1+1+1+1+1…
A noite acabou por acabar numa boa nota: a eleição – ainda por confirmar – do Rui Tavares. Éramos muito poucos os resistentes. Com interesses distintos. Curiosamente portugueses e italianos, mais e mais cabisbaixos. Os Socialistas italianos ficaram fora do Parlamento Europeu. Julgo que devemos ter uma qualquer sina para a dramaturgia trágica. Entretanto, o ruído de fundo, ritmado, do rebentar das garrafas de champanhe marcava o tempo e recordava-nos de que a festa era num outro lado. Rui, PCP ou outro do PSD. Elegemos o Rui. Podia fechar a noite com um sorriso.
Telefonei-lhe. O Rui tinha-me ligado – estava eu em Bucareste numa acção de campanha do PES – quando decidiu aceitar o 3º lugar na lista do BE. Era um dos socialistas a quem ele queria comunicar tal decisão, disse. No mínimo queria ser um dos primeiros a congratulá-lo. Telefonei-lhe. Rimos. E prometi-lhe uma cerveja pelo Parvis de Saint-Gilles e fui dormir.

terça-feira, junho 09, 2009

People First?

A Europa está mais conservadora. Conserva modos de estar na vida, conserva modos de fazer política - dando espaço às forças económicas - e conserva a União Europeia. O PPE - Partido Popular Europeu – mantém a maioria, apoiado por maiorias conservadores na governação de 21 dos 27 países europeus.

As esquerdas tradicionais não marxistas - Partidos Socialistas, Trabalhistas e Sociais Democratas – perdem lugares no Parlamento Europeu. Mais do que constituirem-se como força reguladora das forças económicas, estes partidos de esquerda serão, hoje, sobretudo motores para institucionalizar novos modos de estar na vida, legitimando a plena existência destes ao lado de modos tradicionais de estar na vida?

O extremo direito do leque partidário – a direita da direita – estendeu-se para além das ideologias democráticas (os extremistas de direita) e foi premiado com um maior número de deputados eleitos para o Parlamento Europeu, nomeadamente pela mão de um povo educado, “tolerante”, rico e civilizado, os abertos holandeses. Chegada a um máximo de vivências plurais e de amplas liberdades, a sociedade holandesa privilegia agora outras vias? Como se houvera uma mão invisível - não económica mas social - a travar alguma tendência para situações sociais de anomia? Como se a sociedade fosse ela mesma pensante, au-delá dos pensamentos dos grupos e dos indivíduos? Esta perspectiva durkheimiana sobre o social interroga fortemente os construtivismos explicativos das transformações sociais.

Os Verdes mantêm um significativo número de deputados no Parlamento Europeu. Situados no espectro esquerdo do hemiciclo europeu, poderão ter um bom efeito doseador sobre uma economia liberal se, nesta grande orquestra que é o PE, tocarem em harmonia com o PSE e outros partidos.

Constituirá este quadro uma saída europeia para a crise internacional?

A sê-lo, será uma saída que, por um lado, se traduzirá num filme slow-motion ainda mais lento, a ter lugar no Parlamento Europeu - porque mais variado parece ser o leque e, dentro de naipes não-maioritários, maior o número de instrumentistas - e, por outro lado, continuará a trazer, nos próximos tempos, grandes dificuldades aos estratos sociais mais frágeis dos países europeus.

Deixo mais algumas interrogações: que factores levaram os europeus a preferirem o liberal (em termos económicos) Partido Popular Europeu - PPE, num momento de crise internacional que desvendou à outrance a urgência de regulação sobre o liberalismo económico (regulação que reside, tradicionalmente, nas mãos do PSE e não do PPE)? Como vai a Europa tratar do desemprego e dos desempregados, da saúde e dos doentes, da pobreza e dos pobres?

A Europa optou por "People after economic solutions"? People later...

Nos próximos 5 anos, as respostas a estas interrogações serão socialmente visíveis. Para já, fico a aguardar ansiosamente comentários, de cariz mais político do que este, por parte dos meus camaradas de blog e outros.

sexta-feira, junho 05, 2009

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