terça-feira, março 07, 2006

PRESIDENTE DA RES PUBLICA E AS MEDITAÇÕES EUROPEIAS

É já na quinta que seremos espectadores da estreia mediática do novo PR.

Sua Exª já quis dar um ar da sua graça comunicando ao vizinho ABC que acha muitas coisas acerca da Europa.

Não entrando agora em meditações presidenciais gostava de chamar a atenção para o editorial do Prof.Panebianco (reputado politólogo italiano) - uma peça notável datada de 1 de Março - um excelente conjunto de pensamentos para este mês, em que tudo será (muito) primaveril!....

Vejam como este senhor lá de itália (!) verifica que são os corporativismos vários e a defesa (suposta) do "interese nacional" que prolongam a ideia de uma rivalidade entre as nações desta nossa Europa, algo que devia já estar num passado remoto...

il generoso tentativo di costruire uno spazio economico comune in grado di sviluppare nel tempo un' interdipendenza così stretta da eliminare per sempre lo spettro delle rivalità politiche che hanno insanguinato per secoli la storia europea.

A História Europeia repete-se ?
Eis um tema vasto para o CLDI.

Definição.


Vi ontem um programa muito interessante. Foi na 2 e era acerca da «guerra civil» entre Octaviano (mais tarde Augusto) e Marco António/ Cleópatra. Não vi grande novidade interpretativa, e, apesar da fraca qualidade dos efeitos, o programa tinha a mais valia de fugir à tradicional valorização romanceada no período em questão.

O que me interessou foi, além da apresentação do James Woods (que é sempre simpática), o enfoque possibilista do decurso da batalha de Actium. Na verdade não eram somente o destino do mundo romano que se decidia, era o nosso pilar constitutivo que emergia. Em causa estavam duas visões-mundo diametralmente opostas: a visão Helenista/Ptolemaica com sedes em Alexandria e Atenas e a visão Latina assente em Roma.

A 1 e 2 de Setembro de 31 AC o entroncamento da nossa contemporaneidade apresentava-se limpo. Os dois caminhos estavam bem assentes. Ao cruzaram-se, deixaram na História, de forma inequívoca, um dos poucos momentos-chave, contendo no seu desenlace a matriz definidora não só de um momento contextualizado mas de toda uma linha civilizacional. Com o triunfo de Marco António (e Cleópatra) dificilmente a raiz latina assumiria tamanha importância na expansão romana. O Império de Augustos, momento definidor da ideia de «Europa», não existiria e o Mediterrâneo evoluiria em torno do eixo Atenas/Alexandria (e não Roma), com as consequências perceptíveis. O advento do Cristianismo (o outro momento definidor) na zona de influência deste «novo» Império poderia implicar uma outra adaptação religiosa que a latina (que se verificou). Assim, e extrapolando, poderíamos supor que a evolução do culto a Cristo seguiria uma outra tendência (existente nos primeiros séculos e com bastante força até aos primeiros cismas do século VIII) organizativa e hierárquica onde a necessidade de copia ao modelo romano não era premente. Dizer isto é dizer que a Igreja Católica Apostólica e Romana nunca existiria, os Papas não seriam necessários e muitos dos dogmas e mitos eclesiásticos não teriam sido criados, pois a absorção das religiões autóctones do Norte da Europa, que «moldam» o Cristianismo moderno, não se teria dado com a intensidade que ocorreu. A tendência seria para uma área de importância geoestratégica mais virada a Oriente, facilmente englobando a Índia e, quem sabe, a própria China.

Teríamos um mundo muito diferente, sem dúvida, caso esse dia 2 de Setembro tivesse virado para outro lado. É estranho pensar nisso. Mas é também estranho não pensar nas consequências.

Raros são na História os momentos que, como este, se apresentam limpos, puros, com capacidade definidora. Este foi um.

E suscitou-me esta reflexão.

URSULA RUCKER

«The title of my new album is "Ma AT Mama" and the inspiration for that came from... actually my College experience, when I was a student at Temple University and I was taking African-American Studies courses, one of my favorite courses actually, with one of my favorite teachers from College; this word came into my understanding: “Ma AT”». Ursula Rucker


Para quem gosta de ChillOut, Ursula Rucker, a cantora poeta de Filadélfia, apresenta no próximo dia 14 de Março na Discoteca Lux o seu terceiro Álbum “Ma’at Mama”. Este, cruza hiphop, soul, jazz e percussões afro, no mais cru e directo dos três álbuns da poeta cantora. Com fortes criticas á sociedade, desce ás raízes onde a sua poesia cresce e a música se confunde com a verdade da História negra, Prince, Marvin, Stevie, Gil Scott-Heron, Coltrane, James Baldwin, Brown, Basquiat ou Frida Kahlo. Todos são convocados, mas continua a ser a voz de Ursula a revelar o segredo que se descobre nas palavras que vão do fundo da alma ao fundo da História. O seu novo álbum “Ma´at Mama”, invoca o princípio da antiguidade egípcia que estabelece o equilíbrio e ordem universais através da verdade.

A não perder...


segunda-feira, março 06, 2006

FRIDA KAHLO


Para se entender as pinturas de Frida Kalho é necessário conhecer a sua vida.

Frida Nasceu em 1907 no México, mas gostava de se declarar filha da revolução ao dizer que tinha nascido em 1910. Sua vida sempre foi marcada por grandes tragédias; aos seis anos contraiu poliomelite, o que a deixou coxa. Já tinha superado essa deficiência quando o autocarro em que passeava chocou contra um bonde. Ela sofreu múltiplas fracturas e uma barra de ferro atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Por causa deste último, fez várias cirurgias e ficou muito tempo presa a uma cama.

Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua cama. Frida sempre pintou a si mesma: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor". Suas angustias, suas vivências, seus medos e principalmente seu amor pelo marido Diego Rivera.
A sua vida com o marido sempre foi bastante tumultuada. Diego tinha muitas amantes e Frida não ficava atrás, compensava as traições do marido com amantes de ambos os sexos. A maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as sequelas do acidente lhe impossibilitaram levar uma gravidez até ao fim), o que ficou claro em muitos dos seus quadros.

Os seus quadros reflectiam o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante "fortes", não eram surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade". Frida contraiu uma pneumonia e morreu em 1954 de emboliapulmonar, mas no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero nunca mais voltar - Frida".

Talvez Frida não suportasse mais.

Os quadros de Frida Kahlo estão em exposição no Centro Cultural de Belém.

Morrer Lentamente

Quando me perco em leituras de pessoas que indagam sobre a vida e que são reconhecidas, embora na grande maioria das vezes sem se perceber muito bem a real extensão das mesmas, sem a percepção do verdadeiro sentido desses pensamentos partilhados com o mundo, coloco-me num sitio alto e olho a sociedade... Percebo que existe muita gente perdida...


Morrer lentamente

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda


domingo, março 05, 2006

O confronto...

Uma nota para a compreensão que Wafa Sultan tem em relação aos Judeus e os apelos que faz quanto á tolerância a que os que seguem o Islão têm que ter face ás outras religiões.
Agradeço também ao Luis Mateus da Associação Republica e Laicidade o facto de me ter facultado esta informação.

P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Um testemunho directo sobre a Opus Dei e de como a mesma separa as famílias...

Falar da Opus Dei é difícil, mexe comigo, aliás sempre mexeu.
Quem teve familiares ou conhecidos ligados á Obra, reconhece que esta torna-se num obstáculo para não dizer numa presença constante, nem que seja pelos desabafos que tanto, pessoas amigas como os familiares vão deixando escapar, vemos que a Obra divide as famílias mais do que as une.
Este testemunho impressionante desta ex-supranumerária demonstra alguns dos verdadeiros dramas que assisti e que pude constatar através de discursos indirectos, vale a pena ler até ao fim e veram que dão os vinte minutos que perdem como bem empregues.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Ele há dias assim,

Sobre a nossa última conferência, apetece dizer «ele há dias assim» …

De facto, dificilmente me lembro de uma noite de conferência tão dinâmica, viva e aguerrida. Os palestrantes prometiam: MRPP versus CDS/PP (versão PP), equilibrado pela acutilância do Zé Castilho e do «seu» Estado Novo.

Não desiludiram.

Abriu as hostes o historiador, pintando uma tela de recrutamento carregada com cores bem conhecidas: homens, advogado, licenciados em Direito, entre os 45 e 55 anos. Demasiado comum para procurarmos subtilezas: onde estavam as diferenças entre os recrutados no Estado Novo e os de agora? Afinal, tudo mudámos, para nada mudar.

De seguida a surpresa da noite: soubemos que o Garcia Pereira não era o secretário-geral do MRPP: é o camarada Luis Franco. Soubemos também que o problema do caciquismo também afecta os (ainda) marxistas.

Por fim, um jovem e eléctrico Pedro Mota Soares agarrou a audiência com viagens entre as dinâmicas internas do CDS/PP, a Teoria política e a disciplina jurídica do político moderno. Muito bom.

Por fim o debate.

Eles há dias assim pois a plateia apresentou-se intimista, interveniente e bem informada (como de habito, aliás). Pena fosse que fosse reduzida, não se atingindo as duas dezenas.
Merecia mais gente esta noite. Merecia bem mais gente.

No entanto acredito que não se tivesse tornado tão intimista a sessão, caso estivesse a sala cheia. Talvez assim, mais privada, mais «café-concerto», fosse de uma intensidade dificilmente atingida com multidões.

O que privilegiar? Encher salas ou egoisticamente criar espaços intimistas de debate e troca de Ideias? O que queremos?

Eu penso que, como em tantas outras, a virtude se encontra no meio. Não nos interessa as grandes salas, o espectáculo-gratuito-empacotado-e-pronto-para-consumo-com-prazo-de-validade-e-mercado-garantido. Interessa-nos, sempre em destaque, os conteúdos, as Ideias, o debate. Nós vamos lá estar. Sempre.
2 Junho 2006, 21 horas
Biblioteca Museu República e Resistência

Sistemas eleitorais e o Futuro II.
Propostas de reforma do Sistema eleitoral em Portugal.

André Freire (ISCTE)
Comentador: Jorge Miranda (FDL-UL)
Duas propostas seleccionadas do «Call for Papers».
Moderador: Clube «Loja de Ideias»
1 Junho 2006, 21 horas
Biblioteca Museu República e Resistência

Sistemas eleitorais e o Futuro I.
Propostas de reforma do sistema eleitoral em Portugal.
Villaverde Cabral (ICS-UL)
Comentador: Pedro Magalhães (ICS-UL)
Duas propostas seleccionadas do «Call for Papers».
Moderador: Clube «Loja de Ideias»

Próximas iniciativas

4 Maio 2006, 21 horas
Biblioteca Museu Republica e Resistência

Sistemas eleitorais e Partidos Políticos III.
Que democracia interna?
Joaquim Raposo (PS)
António Preto (PSD)
Carlos Jalali (Universidade de Aveiro)

Moderador: Clube «Loja de Ideias

Próximas iniciativas

6 Abril 2006, 21 horas
Biblioteca-Museu República e Resistência

Sistemas eleitorais e Partidos Políticos II:
que reformas para o caso português?
João Teixeira Lopes (BE)
Representante do PCP
Manuel Meirinho Martins (ISCSP-UTL)
Andrès Malamud (CIES-ISCTE)

Moderador: Clube «Loja de Ideias»

sábado, março 04, 2006

Post Codificado

Requinte

Uma palavra a recordar...

O Requinte com 4 anos e o Requinte com 15 anos...

Um debate a ter?

Ou teremos que organizar um ciclo de animação menos visível...

Espalhem a notícia

Lembrei-me que estivemos aqui.

Mais um grande concerto do Coliseu .

ESPALHEM A NOTÍCIA

Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia do que é quente
e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
do ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol como é costume foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Sérgio Godinho, Canto da Boca, 1980

sexta-feira, março 03, 2006

Ontem

«Sistemas eleitorais e Partidos Políticos I»

Na conferência de ontem cujos intervenientes, Pedro Mota Soares, deputado do CDS/PP, Orlando Alves – Representante do MRPP, José Tavares Castilho - Investigador no ISCTE, debateram entre si e com o público presente a primeira de 3 conferências sobre Sistemas eleitorais e Partidos I.

Nesta primeira focámos os processos de recrutamento de líderes e mecanismos de selecção de candidatos, recordando o Estado Novo e confrontando o actual com as duas posições dos partidos representados.

Iniciou o Historiador José Tavares Castilho recordando o recrutamento no Estado Novo, onde mostrou alguns quadros com valores de referência da época onde considerou haver uma continuidade de atitudes que foram transpostas para o nosso presente.

O representante do MRPP, Orlando Alves, Funcionário Público e membro do Comité Central do MRPP, levantou-nos um pouco o véu da forma como o partido internamente se processa, da escolha dos seus líderes, como se organiza. Partilha essa que muito agradou à assistência e aos próprios conferencistas desmistificando algo que era do desconhecimento da maioria presente na sala, eu incluído. De forma convicta e por serem um partido de recursos muito limitados, referiu que a escolha dos líderes e por sua vez a sua renovação é algo difícil por não haver muita escolha. O afastamento dos cidadãos, enquanto elementos imparciais e fiscalizadores dos partidos políticos, foi apontado para a falta de credibilidade dos mesmos.

Criticou e questionou a lei dos partidos defendendo o direito de voz a todos, pequenos e grandes. Referiu também a intromissão da comunicação social no seio dos partidos políticos e da manipulação que poderá daí existir… “temos de parar de ser politicamente correctos” esta foi uma das frases de Orlando Alves, a qual eu interpreto, discutir sempre mas passemos aos actos… Gostei...

Passada á terceira ronda, o deputado do CDS-PP Pedro Mota Soares, com ar dinâmico, objectivo e de discurso fácil, abordou igualmente a organização do seu partido nos processos de gestão e escolha dos seus líderes. Referiu ser apanágio do CDS-PP a permanente recruta de jovens para os seus quadros e representações.

Sem hesitar falou em caciques, gostei… Não são muitos que o fazem! Criticou o sistema das directas nas escolhas dos líderes políticos, onde referiu ser maior o caciquismo. Concorda com a transparência dos partidos políticos… De facto será esse o caminho para que eventualmente se possa dar maior credibilidade aos partidos políticos…

O debate continuou, literalmente, pela noite dentro… Apesar de poucos, éramos efectivamente… Interessados!

Apesar das vicissitudes no confronto ideológico, quer Orlando Alves, quer Pedro Mota Soares, concordaram que a permanência dos partidos mais pequenos nas decisões do país são importantes.

Terminou eram cerca de 0h35m.

Espero que a próxima seja ainda mais participada.

Portanto dia 06 de Abril e 4 de Maio, não faltem…

Colo.

Via e-mail.

Quem é que anda a ser levado ao colo?

Equilibrio da Alma

Quem sou eu?
O que busco,
Encontrei algo?
O que será…

Nesta senda citadina organizada,
Deambulei no vazio,
Numa passada desencontrada,
Alumiado por uma luz a pavio.

Via escuro…
Alma sem equilíbrio.
Pensamentos conturbados,
Funestos e siderados.

A pausa necessária…
O ver novamente…
A resignação crescente,
A percepção premente.

Finalmente respiro,
Sem tensões,
È assim que prefiro,
Sem procurar razões.

Deixo-me envolver na paixão,
Embalado na sedução,
No meu amor reparo…
Porque ele sempre cá esteve…

Alex

quinta-feira, março 02, 2006

Traz um amigo também...

Biblioteca-Museu República e Resistência

2 Março 2006, 21 horas
Sistemas eleitorais e Partidos Políticos I:
processos de recrutamento de lideres e mecanismos de selecção de candidatos.
Oradores convidados
Pedro Mota Soares (CDS/PP)

Representante do MRPP
José Tavares Castilho (CEHCP-ISCTE)
Moderador: Paulo Dias, Clube «Loja de Ideias»
DEBATE ABERTO AO PÚBLICO

quarta-feira, março 01, 2006

"Ah, quem te viu e quem te vê!"


Confesso que estou perplexo com a nova capa de cordeirinho de Saddam. O outrora dono e senhor todo poderoso do Iraque, tornou-se num democrata convicto, não abdicando dos direitos contemplados pela lei. Jogadas de bastidores atrasam dia após dia o seu julgamento com recursos e truques, dramas, honras ofendidas e não sei mais o quê.
Pode parecer absurdo, mas confesso que gosto da sua actitude provocadora, quando desafia os juízes afirmando em pleno tribunal "Mas com quem é que você pensa que está a falar?" E o mais caricato é que o juíz por momentos, tolhido de surpresa se acobardou. Agora imaginem que seria o nosso Bibi, em pleno processo casapiano "armando-se de valor" e dizendo o mesmo? Teria a sua graça.
Mas de volta ao Iraque, quase que dá para pedir que o regime sanguinário de Sadam, o mesmo que agora foi agarrado pelas malhas da lei, que volte e depressinha. Ah, que belos tempos, quando a justiça era célere e segura de si mesma. Se fosse há 5 anos quando Uday e Qusay se pavoneavam como os meninos bonitos do Médio Oriente, não haveria tempo para engonhar com os direitos dos prisioneiros. Isto é, quando se perdia tempo a organizar um julgamento, pois de vez em quando o intempestivo Uday fazia justiça pelas próprias mãos, como quando limpou o cebo à paulada, ou melhor, à porrada a um dos seus próprios guarda-costas por um desentendimento.
Naqueles anos dourados, o julgamento seria apenas uma formalidade e a única dúvida persistiria em saber ao certo o dia da execução e, mais alguns pequenos detalhes protocolares, como optar entre a decapitação, fuzilamento, afogamento ou cadeira eléctrica. Ops, desculpem, esta última prática é lá dos States, os campeões da democracia. Mas enfim, naquela época em que a religião era quase proibida e mal vista, uma boa excução pública daria sempre um espectáculo interessante para os transeuntes de Bagdá (como escrevem os brasileiros).
Os 148 xiitas que foram excutados nos anos 80 são bem prova cabal do que acabo de escrever. Até porque para Saddam a coisa era bem legal, visto que tentaram conspirara contra a sua própria vida. Olhá só que lata!
Mas hoje, e porque a memória é curta, parece que os iraquianos perderam o medo e o respeito. E até mesmo aqueles de Tikrit, a terra natal do ex-ditador, não tiveram peijo nenhum em profanar uma mesquita sunita onde pasme-se... jaz o corpo do pai de Saddam. Olha só até onde vai o atrevimento. Dá mesmo para dizer, "Ah, quem te viu e quem te vê!"

Recomeçamos amanhã

Amanhã recomeçamos com as nossas actividades na
Biblioteca-Museu República e Resistência
2 Março 2006, 21 horas

Sistemas eleitorais e Partidos Políticos I:
processos de recrutamento de lideres e mecanismos de selecção de candidatos.
Oradores convidados

Pedro Mota Soares (CDS/PP)
Representante do MRPP
José Tavares Castilho (CEHCP-ISCTE)
Moderador: Paulo Dias, Clube «Loja de Ideias»
DEBATE ABERTO AO PÚBLICO

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