quinta-feira, outubro 02, 2008

It's the economy, stupid!

Escrever sobre economia é algo extremamente dificil, principalmente porque a maior parte dos economistas não se entende. A anedota que diz que se juntarmos 10 economistas numa sala, acabamos com 11 teorias económicas diferentes é especialmente certeira, se bem que irreal, visto que subavalia o numero final de teorias. Acho que é porque leva em conta apenas as teorias com um mínimo de consistência. Se quiserem ver teorias que não estejam limitadas por esse mínimo sugiro que dêem uma olhada aqui e aqui, com principal atenção aos comentários.
A actual crise financeira mundial e a solução proposta pelo secretário norte-americano do Tesouro, o "Plano Paulson", têm todos os componentes de um "blockbuster" económico, para quem gosta do género. Um governo dominado pelos neo-con vem propor a maior intervenção estatal na economia desde o "New Deal" de Roosevelt. Seria hilariante, não fosse a gravidade da situação.
Nos meus tempos de universidade, tive a oportunidade de fixar uma lição sobre economia e governo. Um professor referiu uma vez que, depois de assumirem responsabilidades governativas, é raro o liberal que consegue deixar os mercados à deriva, e nunca se viu um intervencionista que fosse capaz de conduzir os mercados para onde ele queria. Parece-me que é o que se passa agora e, neste caso, ainda bem que decidiram intervir.
Passemos ao concreto, os mercados financeiros neste momento são como um barco a meter água (não como o Titanic, espero eu) e se a razão pela qual os mercados estão a afundar foi a falta de regulação, um aumento da regulação poderá evitar novos rombos no casco, mas pouco faz para tapar o rombo que já lá está.
Seja através do "Plano Paulson", ou através de qualquer outra intervenção, é urgente haver uma intervenção do governo, visto que os privados não têm nem a liquidez nem a confiança para intervir quando os mercados são afectados por uma falha sistémica. Tenho a certeza que o "Plano Paulson" tem inúmeras falhas e inúmeras possibilidades de melhoria, afinal saiu da administração Bush, mas este é um daqueles casos em que o bom é inimigo do óptimo, o óptimo é impossível e, se tiver que ser, prefiro uma intervenção medíocre a termos outra Grande Depressão nos EUA.
Para aqueles que duvidam que seja boa ideia os contribuintes pagarem pelos erros dos bancos, a resposta é simples, esqueçam essa ideia. Os contribuintes vão pagar a crise, seja através dos impostos e das ajudas financeiras dadas pelo governo federal, seja através da perda das poupanças, aumento dos juros ou casas apreendidas. Afinal, a responsabilidade ultima é deles (que nos sirva de lição) ao elegerem governos e representantes que não acautelaram estas situações. Eu sei que é injustamente duro, mas não deixa de ser verdade.
Para Portugal, parece que crise pouco afectará a nossa economia. É capaz de ser verdade, por estarmos mais preparados e em melhor condições do que há 3 anos. Mas desenganem-se aqueles que acham que não vamos sofrer consequências desta crise. Apenas temos um casco reforçado por 3 anos de sacrifícios, e elegemos uns timoneiros com experiencia a evitar glaciares. Pode ser que nos safemos...

1 comentário:

Rui Pedro Nascimento disse...

Por muito preparados estejamos, esta é daquelas situações em que levamos sempre com a crise. Poderemos suportar melhor, pois diversificamos as exportações para países em forte crescimento, mas continuamos a sofrer da crise de forma directa e indirecta (directa pela previsível diminuíção de exportações para os EUA e pelo aumento da Euribor - pelo menos até o BCE intervir - e indirecta pois outros grandes parceiros económicos vão sofrer da parte dos EUA o mesmo que nós, ou seja, uma diminuíção de exportações para aquele mercado, não nos comprando tanto a nós).

De qualquer forma, as teorias económicas do estilo que assinalaste no teu texto têm o condão de me deixarem bem disposto. Advogar a perfeição de algo leva sempre a uma situação destas, que parece saída de uma(s) qual(is)quer(es) teoria(s) de conspiração(ões).

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