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sábado, novembro 27, 2010

Pequena Lição da crise para a Europa


Deve ser a jogar dados que as agências dão os seus ratings
 Podem dizer o que quiserem, mas a realidade é que os mercados estão interessados em fazer dinheiro com a especulação sobre os países. Durante anos andaram a fazer exactamente isto com os bancos e com os produtos financeiros. Falharam sempre. No entanto, o mundo continua a confiar na sua válida opinião. Dois meses antes do colapso, a Islândia era considerado o país mais evoluído do mundo. Antes do colapso, a Irlanda tinha o modelo económico correcto. Dias antes da falência da Lehman Brothers os produtos (agora reconhecidamente) tóxicos que provocaram a falência desta (e da AIG, que muita gente se esquece) foram classificados pelas agências de ratings com AAA (ou triple A), a classificação mais alta que estes produtos podem ter.

O curioso é que quando os CEO's destas empresas (Standard and Poor’s, Moody's e Fitch) foram questionados no Congresso Americano, a resposta deles foi singela e inocente (qualquer coisa como): "Nós só transmitimos uma opinião. Não obrigamos ninguém a segui-la".

Agora, depois deste passado fantástico com o rating de produtos, anda o mundo preocupado com a opinião destes senhores? Se alguém falhasse tanto, com este nível de gravidade, no seu emprego estava garantidamente despedido. Com estes senhores, no entanto, nada se passa e o mundo treme com a opinião deles.

O mais curiosos é que a Europa encontra-se sobre o ataque especulativo daqueles que à dois anos ajudou a salvar. Com o bailout da Administração Americana a várias empresas e com a intervenção dos Estados Europeus com a salvação de vários bancos e com o aumento da despesa pública foi possível evitar a recessão. Evitou-se um nível maior de crise financeira para termos que suportar uma crise especulativa daqueles que foram salvos (em última análise) pelos Estados.

É caso para dizer: Ricos e mal-agradecidos.

P.S. - Espero que demore muito tempo a esquecer (de preferência, que não nos esqueçamos) do que "estes senhores" (estas agências) andam a fazer. Nunca se sabe quando será necessário salvar outra vez conglomerados financeiros. Nessa altura, e retirando desta lição os ensinamentos que dela advêm, que tal se tirar também a rede de segurança?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Lições da Crise: Não podem haver bancos "Too Big to Fail"

"One of the key lessons we’ve learned in this crisis is that any time a small country takes pride in its large and profitable international banks, everything is liable to end in tears. Big banks are too big to fail, which means their national governments have to bail them out—but when the banks are as big or bigger than the government in question, such a bailout becomes politically and economically disastrous. My feeling is that no government should ever allow its banks to become too big to bail out, because no government can credibly promise not to bail out such banks should they run into difficulties"

Learning from Ireland, Felix Salmon

Esta é uma lição que deve ser também aprendida em Portugal. Dificilmente o Estado português tem capacidade para salvar um dos 4 grandes bancos nacionais (CGD, BCP, BES ou BPI) sem provocar a quase falência do país.

No entanto, não os salvar numa crise, pode provocar o fim do financiamento externo ao conjunto do sistema bancário nacional.

A solução? Partir os grandes bancos em várias entidades mais pequenas, que poderão ser individualmente salvas (ou deixadas cair pelo Estado) sem grandes consequências para as finanças públicas e para o país.

A era do "Too Big to Fail" tem de terminar!

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