Não foram quatro, mas sim cinco os feriados que nos roubaram.
And the dreamers? Ah, the dreamers! They were and they are the true realists, we owe them the best ideas and the foundations of modern Europe(...). The first President of that Commission, Walter Hallstein, a German, said: "The abolition of the nation is the European idea!" - a phrase that dare today's President of the Commission, nor the current German Chancellor would speak out. And yet: this is the truth. Ulrike Guérot & Robert Menasse
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domingo, fevereiro 05, 2012
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Carnaval
Texto de Manolo Piriz no Peão
O Carnaval brasileiro tem sua origem no Entrudo português, onde, entre os séculos 15 e 16, as pessoas encontraram uma maneira muito estranha de se divertirem. Depois de se empanturrarem de comida e bebida, jogavam umas nas outras água, ovos e farinha. Os mais agressivos e de mentes diabólicas, no entanto, iam mais além: injetavam no interior de laranjas e limões substâncias mau-cheirosas e as utilizavam como verdadeiro arsenal de “guerra” contra os mais incautos. E foi exatamente este Entrudo, com influência das festas carnavalescas da Itália e França, que desembarcou em Terras Brasilis quase dois séculos depois.
No final do século 19 e início do 20, começam aparecer no Brasil os primeiros blocos carnavalescos [1], cordões [2] e os corsos. Este último se tornou mais popular em 1907 e foi o que deu origem aos carros alegóricos dos desfiles de Carnaval. Ao contrário dos componentes dos blocos e cordões, os participantes dos corsos eram da elite econômica carioca que desfilavam em seus automóveis jogando confetes, serpentinas e esguichadas de lança-perfume (proibido na década de 1960 por ser considerado entorpecente) nos pobres mortais, que tinham como única diversão o direito de serem meros espectadores das excentricidades burguesas da época. Foi justamente deste contraste que nasce a primeira Escola de Samba [3], criada pelo sambista carioca Ismael Silva (1905 - 1978), em 1928 – a Deixa Falar, que anos mais tarde leva o nome de Estácio de Sá. A partir dai, o Carnaval de rua brasileiro começa a ter um novo formato. Surgem novas escolas no Rio de Janeiro e em São Paulo. E é este o tema de meu post. O desfile das Escolas de Samba, não só como um evento festivo, mas, acima de tudo, como manifestação artística, criada a partir da cultura popular.
Ao contrário do mau gosto e aquela coisa caótica que é o Carnaval brasileiro, o desfile das Escolas de Samba é o resultado final da eficiência, da organização e da disciplina. É, sobretudo, a maravilhosa fusão de diferentes linguagens artísticas, o que lhe dá um conceito estético bem peculiar. O desfile das Escolas de Samba se apóia no enredo e seus temas são dramatizados pelos integrantes das alas através da música (samba-enredo), dança (sambistas e passistas [4]), fantasia e carros alegóricos. Bateria, samba-enredo e harmonia são quesitos essencialmente musicais. Alegoria, fantasia e adereço pertencem à estética visual. Em outras palavras, a amálgama de todos estes elementos artísticos dão forma a um imenso teatro-visual surrealista a céu aberto. Por ser mais perceptível, o componente visual ganhou muita força no decorrer dos anos, dando à figura do carnavalesco [5] papel de relevante importância na hierarquia da escola.
Na realidade, o desfile das Escolas de Samba é uma expressão plástica tanto para quem assiste como para quem dele participa. É um turbilhão de símbolos, formas, cores e sons, que deixa fluir harmoniosamente em nosso intelecto e retinas o imaginário e o real, onde os sambistas tornam-se verdadeiras esculturas-vivas, que bailam ao ritmo da sedução e do encanto, dando aos seus corpos um intenso movimento de elegância, provocação e rara beleza. Em suma, a matéria-prima desta arte não é a tela e as tintas do pintor, nem o barro e o metal do escultor ou a palavra do poeta. A sua matéria-prima é essencialmente o ser humano. O ser humano metamórfico e efêmero que viverá em pleno êxtase por apenas 80 minutos. Depois disso, ele se desfaz.
No final do século 19 e início do 20, começam aparecer no Brasil os primeiros blocos carnavalescos [1], cordões [2] e os corsos. Este último se tornou mais popular em 1907 e foi o que deu origem aos carros alegóricos dos desfiles de Carnaval. Ao contrário dos componentes dos blocos e cordões, os participantes dos corsos eram da elite econômica carioca que desfilavam em seus automóveis jogando confetes, serpentinas e esguichadas de lança-perfume (proibido na década de 1960 por ser considerado entorpecente) nos pobres mortais, que tinham como única diversão o direito de serem meros espectadores das excentricidades burguesas da época. Foi justamente deste contraste que nasce a primeira Escola de Samba [3], criada pelo sambista carioca Ismael Silva (1905 - 1978), em 1928 – a Deixa Falar, que anos mais tarde leva o nome de Estácio de Sá. A partir dai, o Carnaval de rua brasileiro começa a ter um novo formato. Surgem novas escolas no Rio de Janeiro e em São Paulo. E é este o tema de meu post. O desfile das Escolas de Samba, não só como um evento festivo, mas, acima de tudo, como manifestação artística, criada a partir da cultura popular.
Ao contrário do mau gosto e aquela coisa caótica que é o Carnaval brasileiro, o desfile das Escolas de Samba é o resultado final da eficiência, da organização e da disciplina. É, sobretudo, a maravilhosa fusão de diferentes linguagens artísticas, o que lhe dá um conceito estético bem peculiar. O desfile das Escolas de Samba se apóia no enredo e seus temas são dramatizados pelos integrantes das alas através da música (samba-enredo), dança (sambistas e passistas [4]), fantasia e carros alegóricos. Bateria, samba-enredo e harmonia são quesitos essencialmente musicais. Alegoria, fantasia e adereço pertencem à estética visual. Em outras palavras, a amálgama de todos estes elementos artísticos dão forma a um imenso teatro-visual surrealista a céu aberto. Por ser mais perceptível, o componente visual ganhou muita força no decorrer dos anos, dando à figura do carnavalesco [5] papel de relevante importância na hierarquia da escola.Na realidade, o desfile das Escolas de Samba é uma expressão plástica tanto para quem assiste como para quem dele participa. É um turbilhão de símbolos, formas, cores e sons, que deixa fluir harmoniosamente em nosso intelecto e retinas o imaginário e o real, onde os sambistas tornam-se verdadeiras esculturas-vivas, que bailam ao ritmo da sedução e do encanto, dando aos seus corpos um intenso movimento de elegância, provocação e rara beleza. Em suma, a matéria-prima desta arte não é a tela e as tintas do pintor, nem o barro e o metal do escultor ou a palavra do poeta. A sua matéria-prima é essencialmente o ser humano. O ser humano metamórfico e efêmero que viverá em pleno êxtase por apenas 80 minutos. Depois disso, ele se desfaz.
Para entender o que é avaliado num desfileBateria - A bateria sustenta com sua marcação a cadência indispensável ao desenvolvimento do samba, do canto e da evolução. Cada bateria possui identidade própria e liberdade quanto ao ritmo e a distribuição dos instrumentos. Veja aqui os principais instrumentos de uma bateria, que poderá ter até 400 ritmistas. Aqui vai um vídeo.
Harmonia – Harmonia em desfile de Escola de Samba é o entrosamento entre o ritmo (bateria), a melodia (canto) e a dança.
Samba-enredo - É a ilustração poético-melódica do enredo. Sua letra se refere ao enredo apresentado pela escola. Deve, portanto, haver compatibilidade entre o tema e a letra do samba. O samba-enredo possui estilo característico e versejar próprio e não deverá ser julgado como composição erudita, mas como expressão de linguagem popular. Ouça aqui um áudio.
Evolução - Aqui reside o ponto alto do conjunto e seus movimentos de dança. Devem ser observados em sua avaliação o vigor, a empolgação, a vibração, a agilidade, a precisão, a espontaneidade, a elegância e a criatividade dos sambistas das alas, que em movimentos progressivos e contínuos, produzirão a beleza do conjunto do desfile, garantindo sua unidade.
Mestre-sala e porta-bandeira – O mestre-sala e porta-bandeira têm a honra de conduzir a bandeira, o símbolo maior da agremiação. A função do mestre-sala é cortejar a porta-bandeira durante toda a apresentação, através de gestos e posturas elegantes que demonstrem a reverência a sua dama, respeitando e protegendo o pavilhão. O casal apresenta uma dança com passos e características básicas próprias, que vem sendo enriquecida em seus maneios e mesuras, através do tema.
Enredo - Enredo é o tema central de um desfile. Pode-se compará-lo a um roteiro de cinema ou teatro. A Escola de Samba desenvolve e transmite o seu enredo através de seus elementos dramáticos, musicais e visuais. A criatividade é um fator de fundamental importância neste quesito. E o tema pode ser o mais variado possível: histórico, folclórico, político, abstrato e tudo mais que a nossa imaginação permitir.
Fantasia - As fantasias devem retratar a época se o enredo girar em torno de acontecimentos históricos, ou os elementos tradicionais, regionais e etc... de acordo com o tema. O critério mais importante a ser observado neste quesito é o perfeito entrosamento ao tema e ao enredo propostos, não importando o material a ser usado e sim a criatividade, a originalidade, a graça e o belo.
Alegorias e adereços – As alegorias são elementos cenográficos sobre rodas (os carros alegóricos) e os adereços são objetos carregados pelos sambistas. São recursos que devem contribuir para um melhor esclarecimento e leitura do tema, assim como as fantasias, com as quais devem estar integradas.
Comissão de frente – A comissão de frente é um dos elementos tradicionais das escolas. Ela saúda os assistentes em nome da diretoria, dos componentes e pede passagem para a agremiação.
* Na média, uma Escola de Samba desfila com quatro mil componentes, dividida em 28 alas e seis carros alegóricos
...................[1] Grupo de foliões que durante o Carnaval dançam e cantam nas ruas ao som de bateria.[2] Grupo de carnavalescos que saem juntos e muitas vezes com a mesma indumentária ou fantasia.[3] Foi baseado na estrutura da Escola Normal Estácio de Sá (bairro do Rio de Janeiro) que um grupo de malandros cariocas criou o nome Escola de Samba. O compositor Ismael Silva, primeiro a usar o termo, dizia que esta é a verdadeira origem e que a expressão foi adotada por causa dos professores da escola. “Se havia lá uma escola com professores e normalistas, por que não poderia haver também outra de samba, com seus mestres de samba e alunos?”[4] Pessoa que dança o samba com muita, técnica, agilidade e graça, destacando-se do conjunto dos sambistas das Escolas de Samba.[5] Geralmente um profissional de artes plásticas ou cenografia responsável pela concepção e desenvolvimento do enredo a ser apresentado, assim como a concepção, desenvolvimento e construção das alegorias e fantasias relacionadas ao enredo proposto.
Manolo Piriz no Peão
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