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sábado, fevereiro 19, 2011

A moção

Sinceramente, não percebi todo este barulho à volta da moção de censura do Bloco de Esquerda. Muitos falam da questão da responsabilidade. Para mim, este é um argumento patético. O Bloco tem os seus eleitos no parlamento mediante um programa e são essas as ideias que deve defender. Além disso, desde quando é que o normal funcionamento da democracia é irresponsabilidade? A apresentação de moções de censura faz parte das regras da democracia. Os mercados não gostam? Onde estão esses mercados nas regras da democracia? A ditadura dos mercados, a ditadura da agências de ratings é que nunca vi inscritas nas regras da democracia. E não usei a palavra ditadura por acaso.

Este desistir da governação que se vê por toda a Europa para se sossobrarem às opiniões das agências e/ou mercados é muito mais preocupante e irresponsável do que a moção do Bloco de Esquerda, mas essa situação não parece incomodar muito os arautos da responsabilidade.

Em relação à moção, não concordei com a apresentação da mesma. Uma moção de censura deve ter um objectivo político. Para o País ou, mais mesquinha e comumente, para o próprio partido.
Parece-me, pois, que esta moção não serve nenhum dos objectivos. Se a moção passar o resultado das eleições que viriam poriam no poder a direita "mais à direita" que Portugal já conheceu, pelo que a solução defendida para o País pelo Bloco ficaria mais longe de acontecer. Do ponto de vista dos benefícios para o partido, permitiria ao PS fazer uma campanha a atacar mais à esquerda, depois de uma governação com poucos indícios disso, vitimizando-se pela moção apresentada. Retiraria, certamente, votos ao Bloco - que não tem um eleitorado assim tão solidificado como, por exemplo, o PCP (e, por analogia, a CDU) - quer pela vitimização, quer pelo fenomeno do voto útil, numa eleição em que somente o PS poderia evitar que este PSD, o mais à direita de sempre, chegasse ao governo.

Vai chumbar, pela direita, e esse chumbo foi anunciado antes da apresentação do texto da moção. Mais um exemplo da qualidade da oposição.

sexta-feira, julho 31, 2009

A Secret Plan to Fight Inflation*

(este é um novo texto colocado ontem no Simplex, sob o nome Teoria da Conspiração)

Segundo o líder do Bloco de Esquerda "há um programa que não está escrito, um programa secreto" do PS para a próxima legislatura.

O que dizer de alguém que tem uma afirmação destas? A única razão que consigo encontrar é que o programa é 'suficientemente' de esquerda para que esta seja a primeira razão que Francisco Louçã encontra para atacar o PS quando lhe perguntam a opinião sobre o programa apresentado pelo PS. Depois lá se recompõe e diz que "na política e na economia, não há mudança nenhuma. E se o PS levar avante este programa, isto quer dizer que o país fica na mesma".

Mas fica o registo de que a primeira crítica foi "um programa secreto"...

* A primeira coisa de que me lembrei quando vi notícia que motivou o texto foi o vídeo abaixo mostrado. Por ser de uma série conhecida (The West Wing) não o coloquei no Simplex, nem usei o nome no post. Aqui, até hoje, não temos esse problema. Eis a cena...


terça-feira, julho 07, 2009

Todos Iguais?

Agora que se está a entrar na pré “silly season” campanha eleitoral, não deixa de ser interessante verificar a imagem que a imprensa potencia de cada partido, nomeadamente dos dois maiores.

Depois de muito criticada pela leviandade com que permitiu que Elisa Ferreira e Ana Gomes fossem candidatas a mais que um órgão, a direcção do PS decidiu não permitir que tal aconteça nos próximos actos eleitorais. Como diz o Luís e bem, o PS aprendeu com o erro e corrigiu-o. É um assunto polémico internamente? Certamente que é. Vem daí algum mal? Não. Se eu preferia que Miguel Coelho ou Leonor Coutinho estivessem calados? Sim. Mas não estão e como felizmente o país e o PS têm essa coisa a que se convencionou chamar Liberdade de Expressão, todas as pessoas são livre de a utilizar.

segunda-feira, maio 11, 2009

Criminosos ou coitadinhos?

Francisco Louçã, mais uma vez, não percebe ou não quer perceber que há uma diferença em ajudar os "pobre e desprotegidos" e permitir a criminosos que destruam propriedade privada e ataquem polícias que estão no cumprimento do seu dever. Há uma certa esquerda que não consegue, definitivamente, conviver com autoridade e que prefere acusar todos aqueles que defende o estado de direito desculpando os delinquentes que provocam os desacatos (escrevo desacatos para ser simpático) no bairro da Bela Vista.

Seria bom ouvir (ou, neste caso, ler) algo mais que o velho chavão de uma certa esquerda sobre as políticas para ajudar os coitadinhos. Num caso como o que está a ocorrer, o que é que um Governo BE faria? Pedia desculpa, a quem anda a roubar, pela acção das forças de segurança? Abria um inquérito ao trabalho da polícia? Demitia o Ministro da Administração Interna por responsabilidade política sobre o caso? Demitia-se por não ter conseguido encontrar uma política que ajudasse os "pobres e desprotegidos"?

Uma vez mais, o facto do Bloco de Esquerda se recusar a fazer parte da solução (ou seja, ser considerado como opção para parceiro de governo) torna-o parte do problema. Dá cobertura política a casos destes. Nada de novo, portanto…

P.S. - Também escrito no Eleições 2009 do Público e na Tertúlia do Garcia.

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