domingo, outubro 09, 2005

E assim começa...

Até às 12h00, votaram 21.35% dos eleitores.

Para comparação, em igual período, nas eleições legislativas de Fevereiro tinham votado 21.93%.

Se tivermos em atenção que a taxa de abstenção nas legislativas deste ano foi de 30%, e que a taxa de abstenção nas autárquicas de 2001 foi de 39.9%, acho que é possível que tenhamos, apesar da chuva nalguns locais, uma abstenção inferior a 2001.

A minha aposta é de 35% de abstenção para estas eleições.

Esperemos pela afluência às 16h00.

sábado, outubro 08, 2005

Dia de Reflexão

Reflectir quando se é parte, ou seja, candidato é difícil reflectir imparcialmente, pois se entrei num projecto, acreditei no mesmo, por esse motivo tornei-me parte deste, ficando assim a reflexão limitada.
Neste dia de reflexão espero três coisas quando as urnas fecharem:
Que haja pouca abstenção, pois vou pertencer a uma mesa de voto e gostava de ver muitas pessoas exercerem o seu acto de cidadania e para além disso mostrava-se que o descrédito é só aparente;
Que os candidatos do “Partido dos Piratas”, a saber Valentim Loureiro, Isaltino de Morais, Fátima Felgueiras e Adelino Ferreira Torres percam contra qualquer outro candidato e que as pessoas na sua sabedoria nos surpreendam, nomeadamente em relação ao primeiro dos citados, embora saiba que a probabilidade de isso acontecer é remota;
Que no meu Concelho, o de Cascais, haja uma mudança e que esta se revele como boa para as pessoas e não mais uma mera repetição dos anteriores que infelizmente fizeram ou muito pouco ou cometeram ilegalidades q. b..
Veremos quantos desejos destes se realizam...
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

I GALA LUSO-BRASILEIRA

Para quem não viu a I Gala Luso-Brasileira fica aqui o meu comentário.

Com apresentação da linda Silvia Pfeiffer e do baixinho Pedro Granger– mais nanico que o costume ao lado da altíssima Silvia, foi um evento com atribuição de prémios de excelência nas áreas da política, empresarial e de cultura, ciência e responsabilidade social, acompanhado da banda sonora adequada à ocasião.

Assim, enquanto prémios eram distribuidos, galardoando respectivamente o Governador Geraldo Alckmin, o empresário Dionísio Pestana e José Carlos Vasconcelos, director do Jornal de Letras, na grelha musical alinharam-se Adriana Calcanhoto e António Chaínho, João Pedro Pais e Lenine, Donna Maria, Ala dos Namorados e Zeca Baleiro e, por fim, os Clã e Arnaldo Antunes, num intercambio cultural de grande qualidade musical que faz jus às mensagens veículadas pelos intervenientes.

O tema da lusofonia serviu de mote ao evento com a já esperada referência a Fernando Pessoa e a Miguel Torga. “O cais do lado de lá do nosso destino” foi evocado por ambas as partes com a promessa de uma participação mais intensa no âmbito dessa pátria que reside na língua.

Por fim, foi atribuido o Prémio Revelação ao Professor Ivo Sousa, físico português, celebrando simultaneamente o 100º aniversário da divulgação da célebre fórmula de Einstein e 2005 – Ano Internacional da Física. Ficam as sugestões de consulta da página da Sociedade Portuguesa de Física e ver as actividades que foram agendadas para comemorar o ano.

A noite acaba com a Silvia a dobrar-se para oscular o Pedrito, que a espera em bicos de pés e face esticada.

Kindala Rocha

Festa em Luanda, e no B-Leza...

Angola está no mundial de 2006.

Ganhou hoje no Ruanda, por 1-0, golo do Akwa (penso), aquele antigo jogador do Benfica, e carimbou o passaporte para a Alemanha.
Pode ser raro, mas desta vez os Palancas bateram-nos, chegando primeiro ao Mundial que Portugal... (por algumas horas, mas é verdade).

Veremos uma festa de Lusofonia, com o Brasil, Portugal e Angola, na Alemanha 2006.

Parabéns Palancas.
Parabéns Angola.
Proh Pudor

Todas as noites ela me cingia
nos braços, com brandura gasalhosa;
todas as noites eu adormecia,
sentindo-a desleixada e langorosa.

Todas as noites uma fantasia
lhe emanava da fronte imaginosa;
todas as noites tinha uma mania
aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, moderadamente,
ela tinha um furor dos mais soturnos,
furor original, impertinente…

Todas as noites ela, ó sordidez!,
descalçava-me as botas, os coturnos
e fazia-me cócegas nos pés…

Cesário Verde

posted by Kindala Rocha

sexta-feira, outubro 07, 2005

"Socorro, estou grávida!"

Esta é uma peça que relata o "drama" de uma mulher que descobre que está grávida do namorado.

A peça em si é divertida, e revela uma Sofia Alves fora dos écrans com grande personalidade a aguentar sozinha em palco 1h20m sem quebras. O que mais me surpreendeu (pela positiva, pois a causa é-me grata) é o forte teor político da peça. Na peça defende-se claramente a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez até às dez semanas, sem pudores ou dissimulações.

Fala-se dos números de mulheres que morrem, quer a nível mundial, quer a nível português (por estimativa) duma forma fria, com o claro intuito de deixar o espectador a pensar.

Fala-se da hipocrisia de uma lei que não permite fazer a Interrupção Voluntária da Gravidez, mas permite o anúncio de clínicas espanholas na fronteira, a apenas duas horas de viagem.

Fala-se do caso do julgamento das mulheres em Setúbal, que felizmente se resolveu da melhor forma.

Fala-se de ideias e direitos, faz-se mais pela causa do que qualquer campanha.

"Socorro, estou grávida!" vai para digressão assim que sair de cena em Carnaxide. Venha lá esse referendo...

P.S. - Para que não fiquem dúvidas, o objectivo pró-despenalização foi assumido pela actriz em conversa após a peça.

P.S.2 - Como curiosidade, nunca vi tanto "mentiroso" junto. Numa plateia em que a média de idades era superior aos 50 anos, descobri que todos os homens presentes ajudavam nas mais variadas tarefas domésticas, e que todas as mulheres sabiam trocar pneus de automóveis (e já o haviam feito)!

Sondagens

Nesta campanha, temos tido sondagens para todos os gostos. Aqui está uma possível explicação!

Irregularidades sim. Mas sem acesso restrito, importante é a igualdade.

Dou por mim a pensar porque se aglutinam as pessoas em torno de chavões como: Os políticos são maus, vivemos cada vez pior, etc…
Neste cantinho ibérico parece não ser grave (na sua essência) a má organização do Estado. O problema reside em não podermos tirar partido dessa má organização, seja pela falta de competências ou dificuldade de acesso. Aí sim, o problema já é gravíssimo causador de grandes desigualdades.

Irregularidades sim. Mas sem acesso restrito, importante é a igualdade.

As práticas populistas são naturalmente aceites pela maioria que nelas encontra benefícios. A fuga aos impostos não se coloca (em muitos casos) pela falta de responsabilidade social que representa, mas sim pela desigualdade que apresenta, sendo mais atractivo deixar de pagar que travar a luta para que todos paguem. Estes são bons exemplos da promoção do individualismo egocêntrico, praticado por quem fecha o passado num baú, confiando o presente e futuro a um ser messiânico.

Vivemos horizontes limitados, a nossa rua, o bairro ou aldeia, uns quantos vivem na cidade, e para muitos mais sucede-se o cumprir da formalidade de por lá passar. Quanto ao país...só pela televisão.
Dizer que os políticos são maus e que vivemos cada vez pior, faz parte de uma tarefa de desresponsabilização colectiva (o discurso do tradicional pessimismo que em muitos casos funciona como justificação para o “nacional porreirismo”) de quem esquece ou quer esquecer que parte da solução passa pela exigência na primeira pessoa com posterior pedido de contas a quem coordena ou executa.

A acção política acaba por ser reflexo da passividade daqueles para quem o governo é um acto de gestão individual, dentro da linha: eu governo-me a mim próprio. Ganhando espaço na confiança dos que definem esta prática, ingenuamente, como os olhos protectores dos fracos e oprimidos. Gosto particularmente da ideia: dar voz a quem precisa…
Para quem falam realmente os politicos? Para todos!!!

Na base do problema encontra-se a educação (tema de um próximo post) o seu menor nível proporciona terreno fértil à demagogia, que prolifera aproveitando as lacunas temporais criadas pela falta de uma consistente memória colectiva.

Para uma maioria um projecto não deverá representar mais do que uma mera formalidade. Mas na verdade o que nos vai faltando é planeamento, tomar decisões que garantam sustentabilidade a longo prazo. Quem promete deve planear, chegado ao poder deve executar, sob pena de sofrer sanções pelo não comprimento do prometido.
Este bem poderia ser um primeiro passo. Mas, para isso são necessárias mudanças transversais ao todo social. E…

Quem está disposto a por em causa e se necessário abdicar do estatuto e poderes adquiridos?

«A reforma do sistema eleitoral português. A discussão Hoje.»

O Clube «Loja de Ideias» convida a estar presente na sua iniciativa

«A reforma do sistema eleitoral português. A discussão Hoje.»

Esta ocorrerá na Biblioteca-Museu República e Resistência, na quinta-feira, dia 13 de Outubro de 2005, pelas 21.00h.

No âmbito do ciclo sobre a «Reforma do Sistema Político Português», o Clube «Loja de Ideias» apresenta a conferência «A reforma do sistema eleitoral português. A discussão hoje». Este evento pretende confrontar as diversas propostas de alteração do sistema eleitoral nacional hoje existentes. Sabemos que o Partido Socialista e o Partido Social-democrata preparam legislação própria sobre a matéria. Sabemos também que contam com a oposição, assumida, de Bloco de Esquerda, Partido Comunista Português e Partido Popular.

Esta actividade procurará, assim, confrontar estas diversas visões e propostas.

A iniciativa contará com a presença dos seguintes conferencistas:


Fernando Rocha Andrade, Subsecretário de Estado da Administração Interna
Representante a indicar pelo PSD
Joao Rebelo

Joao Teixeira Lopes

Representante a indicar pelo PCP

Debate aberto ao público.

O clube «Loja de Ideias» apresenta-se como uma iniciativa não partidária e não ideológica e tem como objectivos contribuir para a construção de novos espaços de debate e intervenção política, fora dos círculos institucionais, visando uma melhor e oleada articulação entre a sociedade civil e a sociedade política e partidária; em suma, contribuir para a melhoria da relação entre o cidadão e a Cidade.

Dreamtigers

Na infância exerci com fervor a adoração do tigre: não a do tigre fulvo dos camalotes do Paraná e da confusão amazónica, mas a do tigre raiado, asiático, real, que só podem enfrentar os homens de guerra sobre um castelo, em cima de um elefante. Costumava demorar-me sem fim ante uma das jaulas do jardim zoológico; apreciava as vastas enciclopédias e os livros de história natural pelo esplendor dos seus tigres. (Recordo-me ainda dessas figuras: eu, que não posso recordar sem erro a fronte ou o sorriso de uma mulher.)
Passou a infância, caducaram os tigres e a sua paixão, mas estão ainda nos meus sonhos. Nessa napa submersa ou caótica continuam a prevalecer. Senão veja-se: adormecido, distrai-me um sonho qualquer e logo sei que é um sonho. Costumo então pensar: isto é um sonho, uma pura diversão da minha vontade, e já que tenho um ilimitado poder, vou causar um tigre.

Ó incompetência! Nunca os meus sonhos sabem engendrar a apetecida fera. Aparece o tigre, isso sim, mas dissecado ou débil, ou com impuras variações de forma, ou de tamanho inadmissível, ou muito fugaz, ou parecido com um cão ou um pássaro.

BORGES, Jorge Luis

quinta-feira, outubro 06, 2005

Causa

PODE O JORNAL «PÚBLICO» SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?

P.S. - Aderimos à campanha começada pelo Bloguítica, à qual já aderiram variadíssimos blogs.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Curtas da Campanha

Cascais: O Poder da Família*

Já muitos se devem ter interrogado qual a razão do concelho de Cascais estar ausente de toda a pletora de debates televisivos sobre autárquicas, em que a SIC-N tem suplantado o serviço público da RTP. Da mesma forma, pouco ou nada se tem falado sobre Cascais nas televisões, mesmo em termos de relato de campanha, excepção feita ao trágico acidente no Fim do Mundo, numa clara estratégia que beneficia o incumbente e candidato do PSD.

Esta ausência, incompreensível se tivermos em conta a sua importância demográfica, económica, cultural e política, vastamente superior a muitas capitais de distrito, começa a ser explicada se analisarmos com alguma profundidade as listas da coligação PSD/PP à câmara de Cascais.

Sabem que é a 10ª candidata à câmara de Cascais pela coligação PSD/PP? Trata-se de Joana Presas Pinto de Balsemão Correia da Silva. Muitos poderão logo dizer que se trata duma coincidência, contudo este site tira-nos logo as dúvidas. Até a idade coincide!

Não subestimem o poder do Google!

Pelos vistos a família ainda tem poder...

*Obrigado ao GeoSapiens pela dica

Porto: Rio Sujo

A campanha suja de Rui Rio para a autarquia portuense continua com o candidato do PSD a insultar e vilipendiar o Partido Socialista, porventura porque começa a perceber que vai levar uma trombada. As acusações de Rui Rio, que afirma que o PS poderá estar por detrás das tentativas de insulto/agressão são ridículas e visam transformá-lo em virgem vilipendiada, com o intuito de assim obter mais uns votos.

Assim, legitimamente se pergunta: como é que nós sabemos que não é Rui Rio quem está por detrás destes incidentes? Como é que sabemos que ele não os criou com o intuito de aparecer como vitima e denegrir assim a imagem do PS e de Francisco Assis.

O contraste entre atitudes é notório entre Rui Rio e a candidatura do PS a Arouca. Uma caravana baleada, com candidatos atingidos, e os representantes do PS foram lestos a afirmar, nas televisões, que não viam motivações políticas neste ataque.

É a diferença entre responsabilidade e irresponsabilidade.

A campanha de Rui Rio e do PSD ao Porto, é suja, mesmo suja...

Oeiras: Desespero a quanto obrigas

Na 2ªfeira começaram a aparecer panfletos no concelho de Oeiras que procuravam denegrir a imagem de Teresa Zambujo, candidata do PSD, ao afirmar as posses que ela dispunha como funcionária pública. Quem fez o panfleto deve se ter esquecido com quem ela se casou...

Isto é um sinal claro de desespero por parte de uma candidatura, que porventura ao contrário de todas as sondagens, inclusive as mais recentes, se deve ter percebido que está em risco de perder. O único candidato que tem a honra de ter criado um verbo próprio, vê-se assim em situação de desespero absoluto, porque é o tudo ou nada! Se perder, pode dizer adeus à sua carreira política. Daqui até às eleições, vai valer tudo.

Se tiverem dúvidas sobre a autoria deste panfleto, perguntem a quem o recebeu no carro, com que boletim de voto é que vinha...

terça-feira, outubro 04, 2005

Cidadania e o acto de o fazer.

Fala-vos de cidadania. Procuro identificar o que terá falhado desde o 25 de Abril de 1974, em que a democracia nos chegou. Oprimidos por um estado conservador e ditador, eram mais as obrigações do que os direitos. As pessoas não tinham opinião, a não ser que a mesma pertencesse á pandilha, ai sim, podiam opinar.

Mas passados tantos anos após a mudança de regime, deparamo-nos com uma democracia que por vezes mais parece uma babilónia, onde direitos e deveres se misturam, justificados por questões morais muito pouco convincentes, no meu entender. A classe politica com suas atitudes quebram quaisquer boa postura que queiram ter, tudo isto na maior das tranquilidades, que abraçadas e aceites como as regras de um qualquer jogo, se misturam conceitos morais, cívicos, religiosos. É a nossa sociedade. Se não, reparem nas cisões entre listas de partidos políticos e listas de independentes. Mas as pessoas aceitam, é a defesa da terra. Ou então os clubes de futebol onde só alguns (poucos) ganham com isso, e que fazem tudo ás claras. Mas as pessoas aceitam, e se for do clube de coração ainda acham correcto.

Onde pretendo chegar?

Ás pessoas que aceitam tudo isto passivamente como se tratasse de uma coisa pessoal, que lhes dissesse respeito a elas exclusivamente. Sentem-se no direito de dirigir critica a governos, a instituições, mas colaboram com todas estas situações e até as defendem, sem que obtenham nada com isso. Ou provavelmente obtêm e eu não estou a ver. Será que estes mesmos cidadãos poderão ser considerados aptos a tais criticas? A democracia onde vivemos confere-lhes esse direito, mas…

Todos criticam o poder político, que são isto, que são aquilo, que é tudo para o tacho… etc. Todavia estes mesmos cidadãos são os primeiros a fugir ao fisco, não pedindo facturas, não ajudando o todo… O nosso Portugal.

Não se importam com a quebra de regras tais como a circulação automóvel, não se importam com o lixo deitado no chão, não se importam da caquinha do animalzinho de estimação que deixam espalhado pelos passeios, são os nossos cidadãos que o fazem, mas criticam e culpabilizam os poderes locais, autárquicos, municipais e em ultima instancia os governos…

Pergunto novamente que tipo de sensibilização colectiva, teremos nós portugueses?

Criticam aqueles que manifestamente são defendidos pelo nosso sistema democrático, mas serão os nossos cidadãos exemplos para poderem legitimar essa indignação que no fundo lhes é facultada por viverem numa democracia? Não se esquecem estes nossos cidadãos que para poderem usufruir dos direitos também têm de respeitar algumas regras a que democraticamente chamámos de dever…

Teremos falhado na educação cívica dos nossos cidadãos?

Saberão eles o que é cidadania?

Influência, Medo ou a indecência dos recados

Leram o último editorial do José António Saraiva no Expresso do fim-de-semana? Pois não é que o director-injustamente-ainda-não-condecorado-no-10-de-Junho, num aparente sonho/pesadelo de colunista sem assunto, escreve sobre as existentes candidaturas de Cavaco, Portas, Basílio Horta, Manuel Monteiro e Santana, que dariam uma mais que possível vitória à 1ª volta de Mário Soares (com uns estimados 55%).

Pois bem, imagino que esta tentativa de exercício de humor ou de ironia tivesse como objectivo procurar inverter a polaridade política existente na questão presidencial. Mas a verdade é que a intenção passa ao lado, ao se perder em justificações parvas e sem sentido. À esquerda, são quatro os candidatos já existentes (a não ser que se conte com o Garcia Pereira, ou com o Manuel João), e à direita ainda esperamos anúncios. Terá sonhado? Ou entrado num estado temporário de loucura? Nada do que escreve existe, e afasta-se da ironia e do humor quando assume uma linguagem demasiada séria e quando rapidamente muda o destinatário do texto: não está a escrever para a esquerda, «brincando» com ela. Escreve para a direita, e está assustado.

Se não será de humor nem de ironia que o Sr. Director nos trata. Também não é daqueles que desperdiça espaço discorrendo em deambulações inférteis e vagabundas – aí lembra, e muito, Marcelo Rebelo de Sousa, que não desperdiça um segundo de tempo de televisão para colocar, e bem, os seus «tiros» (só que «O Director» apenas dispõe de 3500 caracteres semanais…).

Uma outra leitura, já vendo segundas intenções, pode apontar para uma exploração de uma ainda não existente fragmentação do espaço político da direita. Esta fragmentação viria de um confronto «primário» entre Cavaco, Portas e/ou Santana, e teria o objectivo de, segundo Pacheco Pereira, clarificar a direita portuguesa como a 1ª volta de 1985 clarificou a esquerda (triunfo de Soares contra o Eanista Zenha e a basista Pintasilgo). Pois bem, para um claro apoiante de Cavaco, como considero o director do Expresso, este exercício só poderá ter como destinatário o eleitorado/decisores de Direita, procurando veicular a mensagem que «cuidado, se nos dividirmos (Direita) nunca ganhamos à 1ª volta e corremos o risco de não ganharmos de todo, sem ondas e com unanimismos (mesmo que falsos) pode ser que consigamos». É que, ao contrario de Pacheco Pereira – que procura humilhar Portas e/ou Santana num confronto com Cavaco na 1ª volta das presidenciais –, José António Saraiva tem medo que, ao ser obrigado a uma 2ª volta, Cavaco perca com Soares.

É que JPP acredita que Cavaco vença Soares, num duelo em Fevereiro. O sr. Expresso não.

Entretanto, e para colmatar as suas sempre existentes dúvidas e medos, este tão mal-tratado-director-do-maior-semanário-português-e-escritor-de-grande-talento-e-próximo-possível-Nobel-português diverte-se a brincar à «Politica à Portuguesa», procurando manter o seu espaço de intervenção e de influência.
E que pior coisa pode acontecer, na nossa praça jornalística, que perder essa influência…

segunda-feira, outubro 03, 2005

VENHAM AS PRÓXIMAS!

As eleições autárquicas estão à porta. Fazem-se os preparativos, alinham-se estratégias, preparam-se as máquinas partidárias. A campanha está na rua.

Cada vez se torna mais complicado fazer campanhas originais. Já se fez de tudo um pouco. Distribuiram-se apitos, cartões amarelos, bonés, aventais, balões para o menino e para a menina. O Major até distribuiu uns electrodomésticozinhos pela boa gente de Gondomar que não se fez de rogada. Esteja o homem vivo e tem o lugar à disposição. Preso ou não. Em Portugal isso, aparentemente, não é premente. Um cidadão a braços com a justiça está em pé de igualdade com o cidadão cumpridor. O autarca-modelo não tem visibilidade, a sua obra não aparece nos telejornais das 20h, esse estatuto está reservado a quem foge vergonhosamente do País, incólume contudo aos olhos do “seu povo”, orgulhosos da “sua menina”. A senhora afirmou que ainda tem projectos para o seu concelho. Pode começar por extinguir o tribunal e reformar os funcionários. Dava um jeitão. As visitas seguintes ao Brasil seriam muito mais calmas.

Estas eleições são um teste à capacidade reformadora já evidenciada por este Governo. Os últimos actos eleitorais demonstraram inequivocamente que qualquer altura é boa para demonstrar desagrado perante insatisfações. António Guterres que o diga. E a verdade é que este Governo não se coibiu de fazer frente a situações que, por convicção ou por estar comprometido a tal pelo seu programa eleitoral (que está expresso ipsis verbis no programa de Governo) resolveu enfrentar de frente em vez de se resguardar com evasivas. Os resultados estão à vista, apesar de haver algum fogo de vista em alguns casos, como por exemplo o dos professores, em que as alterações efectuadas foram empoladas em números de insatisfação por parte dos Sindicatos, nomeadamente da Fenprof, provavelmente o exemplo mais cabal de corporativismo e sectarismo. Mas se juntarmos os funcionários públicos, os farmacêuticos, os juízes, os militares e restantes forças de segurança, o ramalhete fica mais composto.

É neste confronto entre os que lutam nas ruas contra as decisões tomadas, e os que as consideram como uma das formas de gerar algum equilíbrio entre públicos (tidos como os eternos favorecidos) e privados (privados de aumentos salariais, de promoções automáticas, de pré-reformas, de pontes com feriados à 3º e 5ª feiras, etc.) que muito se vai decidir a 9 de Outubro. E há que contar com aqueles que acham que o Governo desbaratou o seu estado de graça com decisões polémicas, com particular enfoque para as nomeações para cargos em administrações, institutos públicos e afins, em alguns casos sem experiência profissional que o justificasse, e outros em que a competência, mais que evidente, por si só não evita comentários à cedência ao clientelismo partidário a que os adversários apontam o dedo (Oliveira Martins e António Vitorino como alvos).

Quem cantar vitória na capital pode consagrar-se como vencedor a nível nacional, ou minorar externalidades negativas dos outros concelhos. E Lisboa, neste momento, está em empate técnico, pelo menos a crer nas sondagens. Nesta fase, qualquer coisa, por mais infíma que seja, pode ter efeitos irreversíveis para o resultado final. E a pré-campanha de Carrilho não augura nada de bom. Aparentemente, a mensagem não passa. Tudo soa a artificial, um expediente, um frete. Mais grave se torna esta situação quando é por demais evidente que ele e a sua entourage não compreenderam o adversário que têm pela frente, já para não falar no menosprezo a que votaram Carmona, por em 4 anos não ter obra feita, pelos muitos projectos faraónicos falhados, por ser independente e por não contar com o apoio do PSD (na prática isso não se está a verificar). E se dúvidas houvesse sobre o fracasso dos responsáveis pela campanha em Lisboa, em que a Concelhia do PS não se pode abster, nova hecatombe surgiu com o (pelas piores razões) famoso debate, que termina com o resultado que todos pudemos ver. Se em tempos idos, a notícia demorava eternidades a chegar, hoje é instantânea. Tudo se sabe, tudo é do domínio público. A net serviu de veículo para a propagação do efeito “não aperto de mão”. Para quem não viu o debate, aquilo é que vai vigorar, é a imagem que fica na retina. Hoje em dia, a imagem conta muito. Carrilho should have know better.

As eleições autárquicas estão à porta. Só faltam as Presidenciais para fechar este ciclo de idas à urna invulgarmente encadeadas. Os profissionais das campanhas precisam de descanso. Venham as próximas para fechar a loja. Mas só até daqui a 3 anos...

Madrid – Lisboa II

Foi somente após ter escrito este post, que me fui apercebendo que por toda a cidade estavam a ser espalhados cartazes-promessas a anunciar «projectos arquitectónicos personalizados». Em concreto refiro-me, ao que se vai anunciando em Alcântara (ali ao pé do Bingo, no final da 24 de Julho) com o projecto de Jean Nouvel. Sei, pelo que me dizem, que outros existem por aí espalhados, desde o Parque Mayer, à Encarnação e próximo do IADE (24 de Julho).

Retomo, então o debate sobre a utilização dos espaços públicos contemporâneos.

Como tinha aflorado, assistimos hoje a uma valorização excêntrica acerca do que se pode entender por «definição da nova urbanidade», no Espaço Público. Este é um ponto muito querido e polémico, e invariavelmente simboliza não só grandes investimentos financeiros, públicos e/ou privados, como manifestações estéticas, assumidas ou não, de regimes e/ou situações políticas. Vejam-se dois casos emblemáticos, ambos em Belém: o aproveitamento da Exposição do Mundo português de 1940 – Bairro do Restelo – um ex-libris do Estado Novo, e o recente CCB, o apogeu arquitectónico do cavaquismo.

Ambos os casos reflectem a clássica relação entre a Arte e o Poder.

É este o ponto, hoje, do nosso debate. E se habitualmente era relegado à Arte o lugar de parente pobre, nesta relação hierarquizada – onde era o Poder que encomendava à Arte a sua «participação» na obra, sempre mais de leitura política que artística – hoje esta relação está muito mais nivelada. Quem valoriza quem nesta relação? Ao se anunciar o nome do «Artista-arquitecto» como mais valia e dínamo do projecto a erigir (seja este projecto um bloco de apartamentos, um Museu, um Jardim ou um Aeroporto) retira-se ao promotor o Poder de liderança e de iniciativa; ou seja, perde poder o Poder. Valoriza-se o Artista, subentende-se o Político.

Ontem, a valorização da opinião poderia ser controlada por aqueles que ostentavam o Poder. Essa era a regra. Hoje, em sociedades democráticas, transparentes e com fluxos informativos livres, a formação de opinião e de taxas de aprovação obedece a linhas bem mais subtis que as manejadas por um António Ferro ou um Duarte Pacheco em acordo com um Conttinelli Telmo. Hoje a Obra a apresentar já não se justifica apenas nas «necessidades politicas ou sociais», é também justificada pelas «necessidades culturais». Estas são, hoje, bens de primeira importância política.

Cabe então ao político moderno saber explorar esses novos contornos da convivência com os novos artistas-vedetas. O problema é que essa relação pode descambar entre duas relações de «forma» em vez de «conteúdos»; ou seja, neste binómio Político-Artista em vez de um comunicação «conteúdo» / «conteúdo» termos apenas uma relação de «forma» / «forma». Essa é, e será sempre, não só desinteressante como danosa, quer financeiramente como artisticamente. O caso aqui citado, dos tais cartazes, aparenta uma clara valorização política da visibilidade dos «Artistas-Vedetas» citados – Jaen Nouvel (responsável pela recente ampliação do Museu Reina Sofia), Frank Gerry (supra-sumo da arquitectura mundial, responsável, entre outras obras, pelo Guggenheim de Bilbau) –, numa evidente tentativa de colagem do poder político promotor (a CML) a uma imagem cultural que não tem e quer promover.

Mas há uma questão anterior: que tipo de projectos estamos a promover, enquanto entidades políticas? Que benefícios trarão para o bem-estar da Cidade? Para a melhoria da sua qualidade de vida? Que contributo para a sua «urbanidade», para a sua «contemporaneidade» e «modernidade»?

Estas são as questões. Não me importa que sejam Gerrys ou Sizas a assinar. Importa-me sim o que eles vão fazer, o que vão valorizar e que conceitos criarão. Importa-me saber, como cidadão e como utilizador de «espaços públicos culturais», que tipos de políticas públicas e culturais estão a ser conceptualizadas pelos nossos poderes políticos. Afinal são esses que decidem as ordens de pagamento dos milhões de Euros envolvidos: X para o Artista, Y para o construtor, Z para...

[tema ainda a regressar…]

domingo, outubro 02, 2005

Eleições legislativas de 2005 na R.A.E.M...

Este post serve para falar sobre as Eleições na cidade estado, com “alguma” autonomia, da Região Administrativa e Especial de Macau (R.A.E.M.), há alguns tempos, que acompanho com especial interesse o que se passa naquele território pelo O Sínico, um blog promovido pelo Ma Ti Long, que tem óptimos posts sobre o território em particular e Ásia em geral.

Fazendo uma análise pessoal das mesmas, verifico com interesse, que os sectores pró aprofundamento da democracia no território e que lutam pelos direitos cívicos venceram as eleições, intitulada “Associação do Novo Macau Democrático”, ficou á frente, com 2 deputados (quase 3) e que conjuntamente com a “Nova Esperança” (ligada á comunidade portuguesa/macaense e aos trabalhadores da função pública) tem 3 deputados, esta ultima esvaziou a influencia da lista “Por Macau” que até agora tinha representado a Comunidade Portuguesa/Macaense, que se viu afastada do hemiciclo regional.
Outras listas com aspirações de aprofundamento democrático ou com forte pendor da Doutrina Social da Igreja Católica e que também eram pró aprofundamento da democracia não conseguiram lugares elegíveis, pode-se inferir que se estes concorressem conjuntamente com a lista vencedora esta teria conseguido 3 deputados e provavelmente conquistado um quarto, talvez na próxima eleição aprendam com esta lição.

Houveram factores preocupantes, é que uma lista ligada a interesses económicos do jogo, e provavelmente a outros ainda menos claros e que tem, como base eleitoral a comunidade chinesa que veio da província de Fujian, intitulada “Associação dos Cidadãos Unidos de Macau” ficou em segundo lugar, elegendo 2 deputados, o seu populismo e interesses não muito claros esvaziaram outras listas, é interessante verificar que é sobre esta lista que pendem suspeitas de ter entrado numa jogada de compra de votos, que está a ser investigada pela Policia e da qual a quadrilha que a organizava, foi preza pelas autoridades uns dias antes, para saber mais sobre este assunto ver este post.

De resto as listas com interesses pró-Pequim quer dividindo-se pelos interesses dos trabalhadores com a lista da “União para o Desenvolvimento” (que representa a Central Sindical “Associação Geral dos Operários”) quer por outros interesses mais locais e tradicionais através da lista “União Para o Progresso” (que defende os interesses da Associação Geral dos Moradores ou "Kai Fong") com dois deputados cada elegeram 4 deputados, mas tanto uma como a outra sofreram uma estagnação da votação, diversos foram os factores, mas pelos vistos para a primeira a vida não estará fácil, pois tem que defender os interesses dos trabalhadores contra os atropelos constantes à classe com o seu alinhamento com o governo de Macau e em especial com a China continental, tendo por esse motivo, uma margem de contestação limitada.

As listas que concorreram por interesses empresariais a “União Para o Bem Querer de Macau” e a “Convergência para o Desenvolvimento de Macau”, com um deputado cada, conjuntamente com a “Aliança para o Desenvolvimento de Macau” que defendia os interesses de Stanley Ho e da sua e ainda toda poderosa, S.T.D.M., têm 3 deputados, não obstante estes factos tanto as primeiras pela perda de votos como a terceira por ter tido um resultado decepcionante estão claramente a perder influência.

Por fim, as várias apostas criadas por franjas pró-Pequim, não auguraram bons resultados nomeadamente a “Nova Juventude de Macau”, que foi uma desilusão eleitoral.

No computo geral vemos que os cidadãos da “Cidade Estado” de Macau estão a ir pelos caminhos mais consentâneos com a realidade internacional e que, mesmo sofrendo de efeitos populistas momentâneos, podem nos próximos actos eleitorais apostar numa via pelo aprofundamento da via democrática, esta pode revelar-se profícua nomeadamente em prol dos interesses futuros dos cidadãos do gigante asiático, talvez este virús democrático contamine o gigante e lhe provoque uma constipação.

Com outras leituras dos resultados, de uma maneira diferente e com certeza muito mais informada, temos os artigos, Análise: Balanço pós-eleitoral (efectuada por Paulo Godinho no Ponto Final) e Uma AL de oposição, ou talvez não... (efectuada por José Matias e João Varela no Macau Hoje).

P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

O desprezo...

É frequente muitos Blogistas ou Blogueiros (alguém me sabe dizer a designação correcta?) referirem-se a outros, interessante verificar que fazem juízos críticos sobre os textos dos outros, e isto sem que os mesmos provavelmente saibam ou liguem a isso, esse direito como é obvio assiste-os, tanto aos que o fazem como aos que o desprezam, pois estamos numa sociedade livre e qualquer um o pode fazer, não obstante este facto importante, acho um bocado ridículo tais posts com esses comentários a outros post e noutros Blogs, pois a menos que seja algo que o autor reconheça, é redutor ou mesmo improdutivo o fazer.
Faço este post pois é constante tais referencias, até feitas por pessoas que conheço, mas a autofagia nunca foi nem será o que mais aprecio nesses post, pois o que interessa ao JPP do Abruto que falem deste, é o que ele quer, mas se reconhece os outros como interlocutores, não me parece.
Se vos disser que um breve passagem pelo mesmo Blog não me surpreendeu pelo olhar exclusivo para o seu umbigo, tal não vos deixará de espantar, pois os Blogs são na sua generalidade criados para isso, para olharmos para nós e deixarmos as nossas ideias, ou promover outras de que gostamos, mas talvez não sirvam para desprezar, por acto ou por omissão, as opiniões dos outros.
Por esse motivo, desprezo cidadãos que desprezam opiniões de outros, estar a dar-lhes publicidade é ridículo, talvez e depois de ter feito a referência ao Blog em causa, tenha sido ridículo em escrever este post, mas fi-lo com a convicção que o mesmo poderá servir como um alerta e ao mesmo tempo poderá contribuir para que tanto os autores desses posts como os post com essas referências diminuam.
Pelo menos na área da minha vizinhança!!!
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Previsão Lx

Não sei porquê, mas estou em crer que os próximos resultados autárquicos em Lisboa serão uma transcrição da recente situação alemã. Todos os partidos irao eleger vereadores, numa distribuiçao em 7-7-1-1-1.

Na Assembleia Municipal assistiremos a um fenómeno curioso: a fragmentação do voto proporcional será corrigida pelos «círculos uninominais», das Juntas de Freguesia, dotando a Assembleia de uma maior governabilidade, ou pelo menos de um claro vencedor, que não teria caso não fossem membros os Presidentes de Junta.

Não sei quem ganhará a CML, nem quem a governará; mas a esquerda terá a maioria e talvez caiba à direita a responsabilidade de formar governo municipal.

Assistiremos a um governo minoritário (não creio que algum partido alcance uma maioria absoluta)? Ou a coligações? E aí o exemplo alemão: quem se coliga com quem?

Talvez ainda o mais provável será umas intercalares em 2007…

sábado, outubro 01, 2005

O incomodo

Caro Paulo, imagino que este seu desabafo tenha a ver com alguns incómodos pessoais, e que nada tenha a ver com os meus últimos comentários acerca do que tem escrito acerca das presidenciais.

Entendo, no entanto, que, e pelo que tenho aqui escrito, que lhe devo adereçar pelo menos dois comentários, suscitados pela sua recente descarga emotivo-política.

Um, genérico.
Ao referir-se ao facto de ser ou não ser uma referência na blogosfera, mostrando de imediato um gráfico de auto-propaganda (muito em voga em alturas eleitorais como as de agora), está a procurar desviar-se do ponto em questão e justificar a sua «existência» e «importância» com números e desenhos. Estranho.

Não o tomava por alguém que se refugiasse na frieza dos «diagramas esquemáticos». Sempre o tomei por alguém que privilegiasse o conteúdo, não a forma.

Devo confessar que nunca esperei que se assumisse como referência, seja ela política, intelectual ou académica. Nunca o vi como tal. Vejo-o como alguém que procura pensar a política, agir sobre ela de uma forma teórica (por vezes), académica (menos) e reactiva; sempre procurando deixar bem vincado a sua independência sistémica ou partidária, justificando essa equidistância na necessidade de um «julgamento sério» do facto político em causa.

Esperava assim que acompanhasse o seu comentário diário com uma coerência e uma clarificação politica. E assim o tem feito, mais exemplo menos exemplo.

Não quero dizer com isto que as opiniões não possam ser personalizadas, que não possamos ter ódios ou paixões de estimação, que o irracional não possa irromper na análise. Nada disso. Digo sim que a coerência deve ser privilegiada. Digo que ziguezagues sobre temas tornam a linguagem e o discurso errantes, inconsistentes entre si e sem interesse.

Essa é a questão. E no tema das presidenciais você tem mostrado uma incoerência discursiva deveras estranha.

Se espera ser levado a sério, de uma forma independente e académico-teórica tem de manter uma certa credibilidade. Se espera ser levado a sério por quem o lê, o que penso ser o caso, tem de manter um capital de confiança elevado. E isso não tem feito recentemente. Admita.

O outro apontamento, especifico.
A mim não me importa, nada, em quem votará. Se em Alegre, se em Soares, Jerónimo, Louçã, Cavaco ou outro. Com toda a honestidade, estou-me nas tintas para o seu voto, para as suas atitudes pessoais. É, hoje e sempre, livre de definir pessoalmente o critério do seu votar. Este ponto é claro.

Agora, interessa-me, isso sim, é a sua atitude pública. E quando escreve num blog, público e com alguma visibilidade, você tem que assumir a responsabilidade pelo que escreve. Se por nada, pelo menos por um critério intelectual, académico e cientifico.

Assim, ao vaguear no tema das presidenciais como um vagabundo sem ideias, agarrado a números, sondagens e diagramas, apresenta-se fútil e desinteressante, afastando-se das premissas e dos critérios de independência e de cientismo que, penso eu, procura nas suas intervenções.

Neste tema das presidenciais, já o vi a apoiar Alegre, a dizer que Cavaco é que é necessário; sempre numa atitude anti-Soares. Parece-me que não tem pensamento relativamente ao tema.

É um não-argumento: votem contra Soares!

É uma postura que condeno.

Condeno-a porque não a explica; condeno-a porque é negativista e suja. Condeno-a porque é política menor, motivada por razões personalistas.

Não é esta a minha forma de estar na política, quer activa quer passiva. Não é assim que construo a minha intervenção pública. Não tomo o objecto político por absoluto, é certo; ele é criticável. Mas são necessários critérios. É necessário uma relação ética entre a política, e quem a estuda e analisa, e o político, que a exerce. E o que tem feito, neste tema, não contribui para uma este desejo.

É com sinceridade, e amizade, que lhe digo: esperava melhor de si. Não por o tomar como uma referência, mas por o tomar como um par.
Cordialmente
José Reis Santos

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