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quinta-feira, abril 23, 2009

Provocações

Quem hoje navega por essa blogosfera fora vê como a direita se manifestou em peso contra a promoção de Otelo Saraiva de Carvalho a Coronel, ao abrigo da lei que estipula a reconstituição de carreiras. Porque o seu passado, no início dos anos 80, foi criminosa. No entanto, a mesma direita, e mesmo a esquerda, passou olimpicamente ao lado da “pequena provocação” que se vai passar no próximo dia 25 de Abril, em Santa Comba Dão. É neste dia que se vai inaugurar a Praça António Oliveira Salazar, anteriormente conhecido como Largo da Praça.


Se existem, e claramente existem, saudosistas do antigo regime, talvez fosse mais lógico inaugurarem a dita praça no dia 24, fazendo um minuto de silêncio às 22h55m e começando o luto às 00:20m de dia 25.

P.S. Também publicado no Eleições 2009 e na Tertúlia do Garcia

quinta-feira, março 26, 2009

Salazar e a Maçonaria

Apareceu na passada semana na revista Visão uma reportagem/notícia, que também pode ser visto num blog da Bertrand (a editora do livro), sobre um livro intitulado Salazar, o Maçon. A tese defendida no livro, como o título do mesmo indica, é que Salazar era Maçon.
Estou curioso com o livro e tenho a intenção de o adquirir, já que estou extremamente curioso de saber como defende o livro esta tese num tempo e com um chefe de estado (supostamente Maçon) que permite isto:

quinta-feira, julho 24, 2008

Salazar

No outro dia, já nem sei à conta do quê, encontrei um site/blogue de livros antigos e, até sem muia surpresa, descobri os seis volumes dos Discursos do Salazar. Saibam que, por ser raro, o sexto nunca se encontra sozinho e, quando se encontra, está em colecções completas. Já vi algumas, em privado e à venda, e nunca valem menos de 500 euros (mesmo esfarrapadas). Admito que já houve tempos em que procurava o famigerado cromo, mas cheguei finalmente à conclusão de que (1) não valia o dinheiro e o tempo dispendido, até porque (2) os meus estudos andam mais nos anos 30/40, e não nos anos 60, data do sexto volume dos Discursos.

Foi então, dizia-vos, que encontrei a referência à colecção completa. Assim descrita:

Dedicatórias & Tiragens Especiais*Política*História*
OLIVEIRA SALAZAR (António de).— DISCURSOS. Coimbra Editora. Coimbra. 1935-1967. 6 vols. In-8º E.Exemplar da rara tiragem especial de 500 exemplares estando todos os volumes assinados por Oliveira Salazar.
PEÇA DE COLECÇÃO.

Excelentes encadernações com lombadas e cantos em pele. 3.000,00 €

Assinada, encadernação de luxo, edição especial, só falta a dedicatória e era a lotaria e o euromilhões. O topo de gama dos topos de gama.
Não lhe falta nada. Revi o preço. 3000 balas... Fascistas, pensei eu. Isto hoje em dia, tudo o que seja do Botas é acrescentado de mais um zero... Depois vi isto. Eram apenas careiros.
Arte*Literatura*Poesia*
JÚLIO & RÉGIO.— MÚSICA. Desenhos de Júlio gravados em linol. Palavras de José Régio. 1931. Presença. (S.l.). 33x42,5 cm.XVI págs. inums. B.São seis excelentes linóleos de Júlio (o poeta Saul Dias, irmão do autor de Biografia, José Régio) estampados em página inteira, precedidos de um texto em prosa de José Régio.
PEÇA RARA DE COLECÇÃO.
Em perfeito estado de conservação. Protegidos por um luxuoso estojo em chagrin ricamente ornado com ferros a ouro na lombada e pastas. 3.000,00 €

sexta-feira, julho 20, 2007

Salazar, o Democrata


Recentemente, sobre o tema do referendo ao novo tratado europeu, alguns comentadores, aqui na blogosfera, procuraram refugiar-se na história e, utilizando o argumento de que a se até a Constituição de 1933 tenha sido «referendada» o novo tratado também tinha de o ser.
Na altura procurei sucintamente explicar que os dois fenómenos rectificadores pouco ou nada tinham em comum, de que, tecnicamente, a Constituição de 33 tinha sido aprovada via plebiscito, onde as abstenções eram votos «Sim», onde o corpo eleitoral era constituído pelos «chefes de família», etc.
Tinha deixado essa polémica para trás, quando vi o Pedro Delgado Alves a repetir estes argumentos acerca de um post do Pedro Arroja, intitulado «contra o Povo». Parece, no entanto, que este Pedro Arroja tem a opinião que a democracia é a verdadeira «causa da decadência dos povos peninsulares»...
Estes reparos porque hoje, em leituras para a tese, me deparei com um discurso de Salazar, proferido na Assembleia Nacional, a 19 de Maio, onde este deambula sobre o fim da guerra, a ordem externa e a política interna. É um discurso apresentado já em plena sessão extraordinária relativa à III Legislatura (1942-46), sessão que decorre entre Maio e Julho de 1945, e que culminará na revisão constitucional de 1945, na suspensão dos trabalhos da Assembleia eleita e na eleição antecipada de Novembro de 1945, as tais eleições «tão livres como na livre Inglaterra».
Entre outras considerações, escolhi estas:

1. «E tenho de concluir que, se é indiscutível ter o totalitarismo morrido por efeito da vitória, a democracia, tanto na sua definição doutrinária como nas suas modalidades de aplicação, continua sujeita a discussões.»

2. «As liberdades interessam na medida em que podem ser exercidas e não na medida em que são promulgadas.»
3. «Esses estão confundidos e esquecem que a Constituição foi sancionada por plebiscito popular, nem melhor nem pior que todos os outros, e tem sido revista por uma Câmara eleita por sufrágio directo. Esses esquecem que não temos deportados por delitos políticos nem exilados forçados da Pátria (vozes – Muito Bem!).»

4. «Eu não quero forçar conclusões, mas, se a democracia pode ter, além do seu significado político, significado e alcance social, então os verdadeiros democratas somos nós. (Palmas prolongadas). Afirmo-o, sem acrimónia, mas convicto; nem tal conclusão poderia ter o ar de desafio em boca de quem sempre proclamou não sermos todos demais para servir Portugal. (Vozes: - Muito Bem!)(Palmas).»

Por isto, Pedro, talvez os verdadeiros democratas sejam eles...

sexta-feira, maio 25, 2007

Grande artista

E depois ainda dizem que o tipo não sabia o que fazia...
Salazar, após ter escrito um prefácio de 41 páginas à obra de António Ferro sobre ele (Salazar, Lisboa, Emprensa Nacional de Publicidade, 1933, 3ª edição), termina assim:
«Peço desculpa por ter escrito este prefácio. Não é que me envergonhe de o haver feito; é que me robou tempo de que eu precisava para outras coisas. 16 de Janeiro de 1933. Oliveira Salazar»
Qual agencia de comunicação, o homem sabia disto e muito... e ainda hoje o tomam por não político... o que ele fez foi definir o que é SER político. E nisso foi mestre e artista.

terça-feira, março 27, 2007

Salazar em França

lundi 26 mars 2007, 16h40
L'ancien dictateur Salazar élu "plus grand Portugais de tous les temps" lors d'une émission télévisée

LISBONNE (AP) - L'ancien dictateur Antonio Oliveira Salazar a été élu plus grand Portugais de tous les temps par les téléspectateurs d'une émission de télévision portugaise.
Salazar l'a emporté avec 41% des suffrages de téléspectateurs dimanche lors de la finale de l'émission "Grand Portugais", l'emportant sur neuf autres célèbres personnalités portugaises, dont l'explorateur Vasco de Gama. Le défunt chef du parti communiste portugais, Alvaro Cunhal, est arrivé deuxième avec 19% et Aristides Sousa Mendes, un diplomate qui aida des milliers de juifs à échapper aux nazis, troisième avec 13%.
Mort en 1970, Salazar, nommé président du conseil en 1932 dirigea jusqu'en 1968 le Portugal à la tête d'un régime nationaliste et répressif baptisé le "Nouvel Etat" et marqué par sa police politique (PIDE), qui procédait à des arrestations sans procès, et pratiquait la torture. La dictature fut renversée par des militaires lors de la Révolution des oeillets en 1974.
Ce choix insolite des téléspectateurs portugais est dû à l'ignorance, fulminait Pedro Marques Pereira, co-directeur du quotidien économique "Diario Economico". "C'est ridicule, vraiment. Cela montre le niveau de développement des Portugais". "Les gens votent pour ceux qu'ils connaissent", a-t-il estimé. "Pour en savoir plus sur les autres, il aurait probablement fallu un peu d'études".
Mais Maria Alice Oliveira, une septuagénaire croisée dans les rues de Lisbonne, jugeait que la victoire de Salazar témoignait du mécontentement des Portugais vis-à-vis de l'état actuel du pays. "Les gens en ont assez de la corruption aujourd'hui. Les gens de mon âge se rappellent que Salazar avait apporté la stabilité à ce pays, la croissance économique et avait réussi à nous tenir à l'écart de la Seconde guerre mondiale".

terça-feira, março 13, 2007

Salazar


Nos últimos tempos muito se tem escrito e dito sobre a possibilidade de Oliveira Salazar ser contemplado com um Museu em Santa Comba Dão. Gostaria de ter tido tempo de intervir nesta polémica, mas razões académicas não me tem permitido estar tão activo noutras frentes como gostaria de poder estar.
No entanto gostaria de dizer o seguinte. Não tenho nenhum tipo de problemas que Salazar tenha um museu (desde que não seja um templo) ou centros de estudos a si dedicados. Falamos de memória e de preservação de um espaço de herança cultural. Mas, da mesma maneira, acho inacreditável que, por exemplo, construam um condomínio fechado nas antigas instalações da PIDE, quando a alternativa era de aí erguer um Museu. Não podemos, sob o risco de valorizarmos a história e a perpetuação de memórias oficiais, defender num caso uma solução que é aplicável ao outro.
Salazar pode ter um Museu, claro. Também a PIDE.

Relembrei-me deste tema a ler nestes dois excelentes blogues (a casa de Usher e o Kontratempos) estes textos, do Tiago e do Ricardo. Alguns excertos.

Ricardo Revez, «a propósito dos acontecimentos em Santa Comba Dão»

Há uns dias, alguns membros da URAP deslocaram-se a Santa Comba Dão para se manifestarem contra a concretização daquela ideia. Uma manifestação de intenções pacíficas num país onde estas são perfeitamente legais. Porém, foram recebidos de forma bastante agressiva por um grupo misto de habitantes locais e apoiantes neo-fascistas ou neo-nazis.
Em relação a estes últimos, já era de esperar. Eles andam aí e aproveitam todas as oportunidades para aparecer. O que vale é que ninguém os leva a sério, o que não significa que não devamos estar sempre atentos. Nem sequer me parece que um líder como Salazar os fascine. Os verdadeiros salazaristas - no sentido de apoiantes do fascismo ou regime autoritário português (como lhe queiramos chamar) que vigorou entre 1933 e 1974 em Portugal - já morreram todos ou estão a caminho disso. Estes elementos da extrema-direita que foram aparecendo nos últimos 10 ou 15 anos são claramente influenciados pelo exemplo alemão de fascismo: revolucionário, viril, racista, não-católico, e que apresenta bastantes diferenças em relação ao caso português. No entanto, como aquele foi o regime autoritário ou fascismo que tivemos, não têm outra hipótese senão considerar-se como seus herdeiros, embora exagerando a ideia nacionalista até ao ponto do racismo e da xenofobia. Assim, podem jogar com os sentimentos de insegurança que grassam no país, sobretudo no que diz respeito à violência e crime urbanos, sem ter que invocar nomes cujo desprezo é universalmente mais unânime (ex: Hitler). Penso até que se estas pessoas vivessem 6 meses num regime de verdadeiras características fascistas, mudariam logo de opinião. Por vezes, as suas convicções parecem-me fruto de uma certa ingenuidade. Como a maioria já nasceu em democracia, julgam que com um regime fascista iriam ter um "best of both worlds". Mas não. Nesse tipo de regimes não há lugar para meios-termos. Gostaria de ver como reagiriam, se, após uma suposta expulsão de todos os estrangeiros e não-brancos de Portugal, e, assim, de uma inicial euforia, vissem que já não podiam reunir-se em grupo como gostam de o fazer, nem ter acesso aos livros, filmes e discos que gostavam de ler, ver e ouvir. Isto só para referir os aspectos que mais afectam os jovens, como eles são, na sua maioria.


Tiago Barbosa Ribeiro, «QUE FASCISMO PARA SALAZAR? - II» (excelente texto, bem documentado e sistematizado. Não totalmente completo mas um contributo de elevadíssima qualidade - se toda a blogosfera fosse assim, não havia jornais)

2. A quem possa interessar um pouco mais de pensamento proveniente das ciências sociais e menos de algumas sedes partidárias vagamente positivistas, existe efectivamente uma distinção entre grau e natureza nas diferentes ditaduras que emergiram no século XX europeu. Os conceitos de totalitarismo e autoritarismo não são simétricos. Designam obviamente sistemas repressivos, mas condições sociais, teóricas e ideológicas bem distintas. Os totalitarismos tiveram dois tipos-ideais, no sentido weberiano do termo, que foram o estalinismo e o nazismo. Conceptualmente, os totalitarismos afastam-se dos autoritarismos e consolidam-se como o grau superlativo de concentração do poder político, situando-se naquela «era das multidões» de que nos fala Gustave Le Bon. Ora, o fascismo italiano distingue-se de nazismo e estalinismo. E o salazarismo de todos eles.
3. O historiador Zeev Sternhell avança com a fórmula «Ni Droite, ni Gauche» (1983) para desmontar as bases do fascismo, sustentando que o fenómeno é tanto uma síntese da revisão antimaterialista marxista como uma recusa do universalismo liberal de Kant, de Rousseau e dos enciclopedistas. A recusa dos valores do século XVIII encontra-se matricialmente relacionada com o nacionalismo biológico do fascismo, extremamente vigoroso na apropriação política do temor com que as classes médias reagiram à possibilidade de expansão do comunismo na Europa e ao culminar da crise económica da década de 1920, que veio intensificar uma proletarização que já se iniciara com a guerra. Produto tardio das sociedades em modernização, como já foi escrito, o fascismo é a resposta de angústia das novas nações operárias contra as velhas nações imperialistas. Os fascismos são regimes monopartidários com propriedades históricas e sociais comuns a vários países. Mas substancialmente diferente daquilo que é o fascismo-movimento, revolucionário e secular, plebeu e miliciano, subversivo das ordens liberal e marxista, o fascismo-regime implicou lógicas de compromisso com a burguesia, o exército e a Igreja.4. Essa cristalização de um movimento que animava as massas em torno de uma ideologia anticlerical, idealista e mítica, provocou o redimensionamento do seu programa totalitário e quedou o regime por práticas autoritárias enquadradas por um nacionalismo modernizador e expansionista, ao contrário de outros nacionalismos autoritários, conservadores e integradores, como o Estado Novo. Procurando substituir as tradicionais representações políticas e sociais que se encontram em crise após 1917, o fascismo é um fenómeno multicausal na expressão do descontentamento de classes médias polarizadas, a quem o seu tempo convoca o detrimento da liberdade em função da segurança. Veneradoras da ordem, da estabilidade e de uma coesão social tradicionalmente preservada entre o mecânico e o desigual, essas classes foram inicialmente mais permeáveis ao programa que os Fasci di Combattimento impuseram em Itália, servindo de modelo a muitos outros países europeus.

9. Onde fica o salazarismo no meio de tudo isto? Com o golpe militar de 1926, sem supresa, o programa antidemocrático que inicialmente se afirmara como reformador da República vai denunciar os processos de transformação da modernidade pela «excepcionalidade» da crise portuguesa e reclamar a «salvação da pátria» com um governo forte e restauracionista, o terreno orgânico de Salazar. No seio da Ditadura Militar vão congregar-se diferentes direitas da direita antiliberal. Aí encontraremos monárquicos que militaram contra a República até republicanos antidemocráticos, mas a disputa faz-se essencialmente entre a direita católica representada pelo Centro Católico de Coimbra e entre a direita integralista, doutrinariamente próxima da utopia passadista do Antigo Regime e de um ultramontanismo feroz.

quinta-feira, março 08, 2007

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