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quinta-feira, abril 25, 2013

Cavaco I

Hoje é mais um dia em que dei graças por Portugal ser uma República!

Imaginem ter de aturar uma personagem tipo Cavaco Silva como monarca vitalício...

domingo, agosto 02, 2009

Venham mais Cinco!



Porque Zeca nunca é demais. E porque "Venham mais Cinco" esteve para ser a Canção do 25 de Abril, antes da escolha ter recaído na morena "Grândola". Disse-me um Militar de Abril mas creio não ser segredo. E porque hoje o Zeca faria 80 anos.

segunda-feira, abril 27, 2009

25 de Abril - Como o Comemorei

  1. Fazendo a descida da Avenida da Liberdade;
  2. Jantando com amigos (eramos mais de dois - um antigamente perigoso ajuntamento)
  3. Acabando a noite bebendo umas "Cuba Livre"

Digam lá - Foi ou não foi uma comemoração da Liberdade?

sábado, abril 25, 2009

Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…


Este é um texto de que gosto muito. Produzi-o há 5 anos, para os 30 anos do 25 de Abril, e todos os anos o repito...
Desconfio que poucas pessoas o conheçam, por isso não é um auto-plágio muito grave. (lembrem-se que em 2004 era Durão Barroso PM, e Abril já não era Revolução mas Evolução).
Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…
Em tempos de reformulações filosóficas e reconstruções históricas relativas ao 25 de Abril, onde uma revolução é substituída por uma evolução, nunca a obra do Parque Eduardo VII, alusiva à “Revolução dos Cravos”, me mereceu tanta atenção e reflexão.
Falo, obviamente, do Falo do Cutileiro. Aquele que tantos ódios, amores, polémicas e dissabores despertou não só no meio intelectual e artístico deste nosso cantinho tacanho, como na maioria da sociedade portuguesa que alguma vez se deu ao trabalho de o olhar. Para mim não me interessa tanto o que se pensa da obra, não me interessa que aspectos técnicos contêm, ou mesmo as considerações frequentes à personalidade do artista; o que me interessa é o que ela para mim simboliza, o que me faz pensar e sentir, em suma o que, ao nível do conceito, me faz transportar para um imaginário infinito e livre.
E esse imaginário é o 25 de Abril. É a Pujança, o Vigor e a Vontade. É a Acção, o Facto e o Verbo. É o Possível, o Infinito e o Sonho. É Abril. Abril fecundado.
É nesse Abril que eu vivo, no qual me transporto quando busco algo intemporal; no qual reflicto quando me confronto com as normalidades anormais da contemporaneidade portuguesa; é o Abril polemista, irreverente e imaginativo. Nesse Abril vive a Revolução.
Hoje vivemos, segundo a oficialidade governamental, na Evolução. Essa “evolução” disforme, incolor e insonsa. Uma evolução que pretende representar um Portugal neutro, cinza e murcho.Num ápice, tudo o que granjeámos colectivamente em repetidas construções simbólicas, sempre pessoais e sempre possibilistas, transformou-se em obtusos gráficos, esquemas e indicadores. Acabou o sonho. Tudo é real. Não existiu. Aparece o manguito.
A mesma escultura que antes representava a historicidade lúcida de uma geração progressista e democrática apresenta-se como um grande manguito àqueles que procuram assumir a burocracia escura de gabinetes lânguidos como um factor de modernidade e contemporaneidade. Abril, antes erecto num orgasmo constante rumo ao infinito, é retratado como balizado, palpável e pornográfico.
Pois digo-vos que se enganem aqueles que procuram inculcar valores vazios e inócuos em Substantivos Colectivos. A história faz-se, é verdade, mas também se sente; e que nada nem ninguém tome para si a pretensão de se substituir ao sentimento. Esse é nosso.
E se, por disfunções ideológicas e complexos recalcados, homens hajam que nos procurem coarctar a Liberdade tão duramente conquistada, que lhe façamos um manguito, um GRANDE MANGUITO!!!JRS

quinta-feira, abril 23, 2009

Provocações

Quem hoje navega por essa blogosfera fora vê como a direita se manifestou em peso contra a promoção de Otelo Saraiva de Carvalho a Coronel, ao abrigo da lei que estipula a reconstituição de carreiras. Porque o seu passado, no início dos anos 80, foi criminosa. No entanto, a mesma direita, e mesmo a esquerda, passou olimpicamente ao lado da “pequena provocação” que se vai passar no próximo dia 25 de Abril, em Santa Comba Dão. É neste dia que se vai inaugurar a Praça António Oliveira Salazar, anteriormente conhecido como Largo da Praça.


Se existem, e claramente existem, saudosistas do antigo regime, talvez fosse mais lógico inaugurarem a dita praça no dia 24, fazendo um minuto de silêncio às 22h55m e começando o luto às 00:20m de dia 25.

P.S. Também publicado no Eleições 2009 e na Tertúlia do Garcia

segunda-feira, abril 28, 2008

Contar o 25 de Abril

Para um trabalho escolar numa Escola Pública, a minha Neta de 8 anos pediu-me, por sms, para lhe contar como fora o 25 de Abril. Aqui fica a mensagem que, por sms, lhe enviei:


No dia 25 de Abril de 1974, soubemos que estava em curso o princípio de uma revolução que iria abrir o País tão fechado a tudo. De manhã, não fui trabalhar, à tarde fui viver com alegria, entusiasmo e esperança, o que acontecia no Largo do Carmo. Um punhado de soldados, armados e com tanques de guerra, negociava com Marcelo Caetano a sua rendição pacífica. Depois, foi o delírio: sem um único tiro, sem uma única morte, os soldados arrumaram a ditadura que nos governava há 40 anos e que limitava a liberdade de expressão, através da Censura, impedindo-nos de ver muitos filmes e de ler muitos livros. Dou-te um exemplo: não pude ver, no final da década de 60, a Sagração da Primavera, ballet de Maurice Béjart, porque a Companhia foi posta na fronteira, findo o 1º espectáculo (no Coliseu, onde, no final, foi colectivamente cumprido 1 minuto de silêncio pela Paz no Mundo) e eu tinha bilhete para o 2º dia de espectáculo...
No dia 25 de Abril, os cravos vermelhos enfeitaram os canos das armas que, nesse dia, não dispararam e A Poesia Desceu à Rua, com as palavras de Sophia de Mello Breyner e as nossas, bem como a pintura num mural colectivo feito em Belém, no antigo Museu de Etnologia, à beira-Tejo. Todos nos sentíamos irmãos, cantávamos "Grândola Vila Morena" e queríamos fazer de Portugal um País com Justiça, Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Eu tinha 22 anos e fui feliz.

sexta-feira, abril 25, 2008

Sempre!


(imagem tirada daqui)

Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…


Este é um texto de que gosto muito. Produzi-o há 4 anos, para os 30 anos do 25 de Abril, e todos os anos o repito aqui neste blogue...

Desconfio que poucas pessoas o conheçam, por isso não é um auto-plágio muito grave. (lembrem-se que em 2004 era Durão Barroso PM, e Abril já não era Revolução mas Evolução).


Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…


Em tempos de reformulações filosóficas e reconstruções históricas relativas ao 25 de Abril, onde uma revolução é substituída por uma evolução, nunca a obra do Parque Eduardo VII, alusiva à “Revolução dos Cravos”, me mereceu tanta atenção e reflexão.


Falo, obviamente, do Falo do Cutileiro. Aquele que tantos ódios, amores, polémicas e dissabores despertou não só no meio intelectual e artístico deste nosso cantinho tacanho, como na maioria da sociedade portuguesa que alguma vez se deu ao trabalho de o olhar. Para mim não me interessa tanto o que se pensa da obra, não me interessa que aspectos técnicos contêm, ou mesmo as considerações frequentes à personalidade do artista; o que me interessa é o que ela para mim simboliza, o que me faz pensar e sentir, em suma o que, ao nível do conceito, me faz transportar para um imaginário infinito e livre.


E esse imaginário é o 25 de Abril. É a Pujança, o Vigor e a Vontade. É a Acção, o Facto e o Verbo. É o Possível, o Infinito e o Sonho. É Abril. Abril fecundado.


É nesse Abril que eu vivo, no qual me transporto quando busco algo intemporal; no qual reflicto quando me confronto com as normalidades anormais da contemporaneidade portuguesa; é o Abril polemista, irreverente e imaginativo. Nesse Abril vive a Revolução.


Hoje vivemos, segundo a oficialidade governamental, na Evolução. Essa “evolução” disforme, incolor e insonsa. Uma evolução que pretende representar um Portugal neutro, cinza e murcho.Num ápice, tudo o que granjeámos colectivamente em repetidas construções simbólicas, sempre pessoais e sempre possibilistas, transformou-se em obtusos gráficos, esquemas e indicadores. Acabou o sonho. Tudo é real. Não existiu. Aparece o manguito.


A mesma escultura que antes representava a historicidade lúcida de uma geração progressista e democrática apresenta-se como um grande manguito àqueles que procuram assumir a burocracia escura de gabinetes lânguidos como um factor de modernidade e contemporaneidade. Abril, antes erecto num orgasmo constante rumo ao infinito, é retratado como balizado, palpável e pornográfico.


Pois digo-vos que se enganem aqueles que procuram inculcar valores vazios e inócuos em Substantivos Colectivos. A história faz-se, é verdade, mas também se sente; e que nada nem ninguém tome para si a pretensão de se substituir ao sentimento. Esse é nosso.


E se, por disfunções ideológicas e complexos recalcados, homens hajam que nos procurem coarctar a Liberdade tão duramente conquistada, que lhe façamos um manguito, um GRANDE MANGUITO!!!
JRS

sexta-feira, abril 27, 2007

Ainda 25 de Abril

Como referido aqui, deixo alguma da informação que trenho recebido sobbre este assunto. Ainda neste tema, ver o que o Medeiros Ferreira e o Daniel Oliveira escrevem.
Este texto recebi da Raquel Freire:
Confirma-se, houve porrada. Recebi os links,aqui seguem.
(Não estive lá, quando a manif chegou ao Largo do Camões fui-me embora com o Dinis para casa, ele estava a fazer imensas perguntas sobre o que é o fascismo, o que é um acto fascista, o que é a democracia, se a liberdade é para todos, todos, todos, se os os redskins que íam à nossa frente eram dos bons porque eram reds - e o isso queria dizer, se a polícia era boa ou má, porque é que há polícia boa e polícia má, se a polícia ao pé de nossa casa é nossa amiga, porque é que estes pareciam que nos queriam bater, se algum polícia lhe ía bater, porquê, se ele podia bater-lhe também, se eu já tinha apanhado porrada da polícia, porquê e dos skins, também, porquê, o que era o povo unido, porquê que os avós eram comunistas e iam aos comícios e eu não ía, o que era o comunismo, enfim, tudo perguntas fáceis de responder a uma criança que ainda não entrou para a escola primária e que quer perceber o mundo todo. Foi um 25 de Abril inesquecível.)
Raquel Freire

Sobre as bastonadas da polícia, ontem, depois da manif antifascista
Relato recebido de uma amiga da Raquel, sobre o desenlace repressivo da manif antifascista de ontem:
Ontem a polícia de intervenção espancou muitos jovens que se manifestavam contra o fascismo.
Ontem vi uma amiga a ser espancada à minha frente e não pude fazer nada.
Ontem, dia da liberdade, fomos agredidos e ameaçados porque lutamos contra as manifestações nazis e fascistas, contra o museu do salazar e porque queremos igualdade para tod@s.
Só consegui tirar duas fotos... depois fui ameaçada de porrada e de ficarem com a minha máquina fotográfica. Refugiei-me numa loja indiana (a que vende lenços no final da rua do Carmo com o rossio) e um polícia ficou a vigiar-me para não tirar fotos enquanto via um fotógrafo a ser espancado e a ser roubado o seu equipamento fotográfico por ter tirado fotos aos jovens a serem espancados.
Depois de um anormal ter lançado o tal verylight a polícia bateu em tod@s que encontrou pelo caminho...sem justificação com uma violência brutal. A manif era de pessoas que estão contra o capitalismo e o fascismo...pessoas pacíficas que lutam pela igualdade e que levaram porrada sem nada terem feito...
Tenho amigos que tiraram fotografias, filmaram, que foram espancados e dois colegas da faculdade que foram detidos e que tiveram de receber tratamento hospitalar devido à porrada que levaram da polícia.
Ontem no dia da liberdade o chiado encheu-se de sangue e não houve um único jornalista que tivesse tido a coragem para denunciar esta violência.
Ontem ficou comprovado que a liberdade de expressão é só para alguns...para aqueles que têm dinheiro para outdoors e museus...
Uma profunda tristeza.

Reportagem sobre a carga policial de ontem sobre os manifestantes anti-fascistas:
REPORTAGEM. por Manuel Baptista
A manif correu muito bem, sem incidentes até ao Largo Camões. As pessoas no Largo Camões tiraram fotos, gritaram uns slogans e algumas dispersaram. Outras ficaram mais um pouco e organizaram-se em marcha «de regresso». Assim, começaram a descer (em sentido inverso) o Chiado, virando na Rua do Carmo, umas cinquenta pessoas, gritando slogans anti-fascistas. Eu acompanhei a manifestação «de regresso» até este ponto. Verifiquei que os carros da polícia iam retirando à medida que os manifestantes se aproximavam, os três graduados da PSP, com os seus pingalins, desciam descontraidamente a uns metros à frente da manif. Não houve problemas até meio da Rua do Carmo. Na altura em que estavam os manifestantes a alcançar as escadas por de baixo do elevador de Sta Justa (a meio da Calçada), começaram eles -manifesantes- a fazer meia volta e a correr calçada acima. Alguém os avisou que tinham sido encurralados. E assim foi.
Carrinhas com polícias de choque às largas dezenas desceram em grande velocidade o Chiado, selando o alto da rua do Carmo, enquanto outras com igual força e os referidos polícias de choque subiam a rua do Carmo. Estes últimos desceram imediatamente dos carros, ainda antes destes travarem e começaram a correr em direcção aos manifestantes, agredindo-os à bastonada enquanto estes tentavam escapar desesperadamente. Os que estavam perto, meros espectadores ou pessoas que acompanharam o cortejo de lado, ficaram também encurralados por polícias agressivos, com ameaça física a toda a gente, mas que batiam selvaticamente e sem hesitação em alguém que tivesse «aspecto» de manifestante. Vi polícias em grupos de cinco ou mais «dar caça» na baixa a manifestantes ou outras pessoas.
Uma rapariga que ia a fugir, estava diante da Pastelaria Suiça, quando foi agredida, imobilizada no chão e arrastada sob prisão a 500 metros de distância para ser encurralada nos carros celulares. O mesmo passou-se com outros (eles não fizeram nenhum gesto agressivo, a fuga era para os polícias o «motivo» para perseguirem e baterem selvaticamente nessas pessoas). As pessoas que assistiram a isto tudo têm com certeza cenas de uma brutalidade inaudita para contar (é importante testemunharem para se apurarem responsabilidades).
Eu tentei evitar que as pessoas permanececem presas, tentei falar calmamente com o graduado da PSP. Este não ficou nada impressionado com o meu pedido, inclusive disse-lhe que o que estava a fazer era profundamente incorrecto e que ao menos soltasse as pessoas, pois não tinha a mínima legitimidade para as manter presas. As pessoas que foram presas, provavelmente foram brutalizadas todas no momento da prisão, pois eu verifiquei o modo de actuar da polícia em vários casos. Contaram-me que uma jovem ficou com o braço partido, o que não me espantaria. A actuação foi deliberada. Foi uma actuação destinada a instilar medo. O que fizeram e comandaram os graduados da PSP foi obviamente premeditado. Penso que eles cometeram um atentado à liberdade de manifestação e à integridade fícia de pessoas. É uma acusação grave mas posso (pudemos) prová-la. Queriam mostrar que são eles que decidem o que é a lei, no 25 de Abril, em especial. Assim estão eles a «garantir» a segurança dos cidadãos. Os manifestantes, não estavam a cometer nenhuma infracção grave, apenas estavam a gritar palavras de ordem e mais nada. A polícia, essa, cometeu desacatos e muitos...
Fascismo NUNCA MAIS... 25 de Abril SEMPRE !!! O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO.

Esta reportagem tem comentários audio, ouçam-nos! notícia sobre os actos de vandalismo para com o cartaz do PNR

25 de Abril.

Fui, uma vez mais, ao desfile da Avenida. Este ano esteve bom (pena é que não consiga tirar as fotografias do telemóvel...). Pena é que a direita não se associe aos desfiles (porque há vários) e torna o 25 de Abril verdadeiramente DE TODOS.

Este ano desci com as Panteras Rosas. Depois do IVG, parece-me que o tema da homo/transfobia deve ser uma das minhas próximas atenções. Além disso são divertidíssimos.
Depois do Rossio, fui à antiga sede da PIDE, hoje quase condomínio de luxo, solidarizar-me com quem não quer apagar a memória. Por fim, no caminho de casa, passei no Largo de Camões, onde assisti a uma terceira manifestação. Estava, como as outras, pacíficas. Encontrei um par de amigos e fui para casa. Tranquilo. Estranho que depois tenha visto noticiado os confrontos que envolviam estas duas últimas manifestações. Parece que afinal nada se terá passado com o «Não apaguem a memória» e que só com os anarquistas / libertários terá havido alguns problemas.
Entretanto chegaram-me algumas informações, com fotografias, que passarei a divulgar.
Da minha parte, do que vi, e como disse, tudo tranquilo.

terça-feira, abril 24, 2007

25 de Abril, SEMPRE!

25 de Abril


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Este é um texto de que gosto muito. Produzi-o há 3 anos, para os 30 anos do 25 de Abril.
Desconfio que poucas pessoas o conheçam, por isso não é um auto-plágio muito grave. (lembrem-se que em 2004 era Durão Barroso PM, e Abril já não era Revolução mas Evolução)

Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…
Em tempos de reformulações filosóficas e reconstruções históricas relativas ao 25 de Abril, onde uma revolução é substituída por uma evolução, nunca a obra do Parque Eduardo VII, alusiva à “Revolução dos Cravos”, me mereceu tanta atenção e reflexão.

Falo, obviamente, do Falo do Cutileiro. Aquele que tantos ódios, amores, polémicas e dissabores despertou não só no meio intelectual e artístico deste nosso cantinho tacanho, como na maioria da sociedade portuguesa que alguma vez se deu ao trabalho de o olhar. Para mim não me interessa tanto o que se pensa da obra, não me interessa que aspectos técnicos contêm, ou mesmo as considerações frequentes à personalidade do artista; o que me interessa é o que ela para mim simboliza, o que me faz pensar e sentir, em suma o que, ao nível do conceito, me faz transportar para um imaginário infinito e livre.

E esse imaginário é o 25 de Abril. É a Pujança, o Vigor e a Vontade. É a Acção, o Facto e o Verbo. É o Possível, o Infinito e o Sonho. É Abril. Abril fecundado.

É nesse Abril que eu vivo, no qual me transporto quando busco algo intemporal; no qual reflicto quando me confronto com as normalidades anormais da contemporaneidade portuguesa; é o Abril polemista, irreverente e imaginativo. Nesse Abril vive a Revolução.

Hoje vivemos, segundo a oficialidade governamental, na Evolução. Essa “evolução” disforme, incolor e insonsa. Uma evolução que pretende representar um Portugal neutro, cinza e murcho.Num ápice, tudo o que granjeámos colectivamente em repetidas construções simbólicas, sempre pessoais e sempre possibilistas, transformou-se em obtusos gráficos, esquemas e indicadores. Acabou o sonho. Tudo é real. Não existiu. Aparece o manguito.

A mesma escultura que antes representava a historicidade lúcida de uma geração progressista e democrática apresenta-se como um grande manguito àqueles que procuram assumir a burocracia escura de gabinetes lânguidos como um factor de modernidade e contemporaneidade. Abril, antes erecto num orgasmo constante rumo ao infinito, é retratado como balizado, palpável e pornográfico.

Pois digo-vos que se enganem aqueles que procuram inculcar valores vazios e inócuos em Substantivos Colectivos. A história faz-se, é verdade, mas também se sente; e que nada nem ninguém tome para si a pretensão de se substituir ao sentimento. Esse é nosso.

E se, por disfunções ideológicas e complexos recalcados, homens hajam que nos procurem coarctar a Liberdade tão duramente conquistada, que lhe façamos um manguito, um GRANDE MANGUITO!!!

JRS

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