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quarta-feira, outubro 13, 2010

Obama continua a decepcionar

(Via Huffington Post.)

Não sei o que dizer. Obama opõe-se à lei publicamente, mas porque "tradicionalmente o Departamento de Justiça recorre de decisões judiciais que contrariam legislação do Congresso", a administração está a defender uma lei que fere os mais básicos valores progressistas.

Poderíamos dizer que os americanos tinham votado num progressista, mas como tradicionalmente a presidência dos EUA é de um conservador...

Por estas e por outras é que as eleições para o Congresso vão ser o desastre que se avizinha.

terça-feira, novembro 17, 2009

Casamento Gay

Estive vendo o programa da RTP 1 pros e contras, uns defendiam o sim, outros o não, ou melhor, defendem um referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo...

Os que defendem o sim, apresentam argumentos sustentados na igual oportunidade, a não descriminação, os mesmos direitos, entrepondo com algo que me parece perfeitamente justo, o devido reconhecimento pela sociedade, da qual fazem parte integrante, na qual participam e na qual produzem, igual a qualquer outro cidadão dito "normal"...

Os que defendem o não, ou melhor defendem um referendo à sociedade, disseram das maiores barbaridades que tenho ouvido nos ultimos tempos... Ora se perdiam com questões juridicas, avocando que o casamento enquanto instituição celebrado entre duas pessoas, vai ser alterado, sendo por isso um risco para a instituição no seu aspecto de acordo mutuo entre duas pessoas, no caso Homem e mulher, que a instituição Familia iria ser afectada e a sua definição enquanto tal ficaria alterada, e por ultimo que poderia haver esse grande perigo de, imagine-se um casal Homossexual, sim eu escrevi Homossexual, duas pessoas do mesmo genero poderem vir a adoptar uma criança...

Bom, não defendo esta causa por ser Homossexual, Não defendo esta causa por questões de teimosia partidaria, ou por estar na moda. Defendo-a por ter percebido, que daquele tal outro lado, o lado dos incessantes e sagazes que corajosamente se assumiram, existem pessoas iguais a mim... Com pais, irmãos, tios, primos, Avós... Pessoas na sua mais humilde ascendência... Que Têm sentimentos e como eu necessito desses sentimentos, estas pessoas iguais a mim também necessitam, mas sobretudo têm direito a te-los...

Têm direito a escolherem com quem e como querem estar, amar, viver...
Sobre o casamento entre pessoas do mesmo genero estamos conversados...

Sobre essas pessoas terem o direito de proporcionar a uma criança abandonada, jogada fora, um lar, amor, atenção, carinho, um sentido para uma vida... Voltaremos depois...

Para já só me ficou a hipocrisia dos que sem perceberem muito bem porquê, defendem doutrinas e ideologias dogmaticas, como se ESTAS PESSOAS, fossem um pano branco sem manchas... Um pano sem nodoas... Como se ESTAS PESSOAS, não cometessem erros e não lhes possa apontar nada de errado....
Pessoas sem macula... Puras, como um certo DEUS as criou...

Haja paciência para Demagogia, para Hipocrisia, para Falsos Moralismos...

Estas pessoas só defendem um referendo por estarem no desespero, por perceberem que tudo aquilo em que construiram a sua personalidade vai começar a cair por terra...

Não critico ESTAS PESSOAS por pensarem diferente de mim, nem critico as pessoas que viveram num paradigma anterior, com um contexto de sociedade diferente, critico as pessoas, que tendo um papel importante na sociedade actual e actuando nesta, se fazem acompanhar de argumentos arbitrários...

A ESTAS PESSOAS olho-as como algum desdém, por querem estar tão acima numa piramide, que nem percepcionam a realidade que os envolve...

Cobardes e egoistas... É o que concluo...

quinta-feira, junho 18, 2009

Orgulho e Preconceito

No próximo sábado vai-se realizar a 10ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (o Pride de Lisboa); evento tradicional no calendário festivo da cidade, com tradições no século passado. Celebra-se o Orgulho LGBT.

Estranhamente, há quem questione a validade destas iniciativas, desvalorizando-as e procurando apresentá-las como marginais colocando em causa a sua importância e colando-a a movimentos marginais ou insignificantes. Foi neste sentido que li os comentários do Tiago Azevedo Fernandes a este post («Ainda estou para perceber por que razão é que a orientação sexual, seja ela qual for, há-de ser motivo de orgulho», «há também homossexuais que não simpatizam com este tipo de manifestações - deverão sentir-se mal consigo próprios por esse facto?»). Esta reacção é, ainda – e infelizmente – muito comum em parte da sociedade portuguesa, em especial naquela que não se liberta de certos preconceitos e que não entende totalmente o contexto de iniciativas como a Marcha do Orgulho LGBT.

Claro que a Marcha não é exclusiva da comunidade LGBT. Eu sou heterossexual e vou estar no sábado no Principe Real, como sempre o faço e como muitas pessoas fazem. O Orgulho que se vai celebrar é o de cada um de nós poder ser e assumir aquilo que é, no que toca à sua orientação sexual, qualquer ela que seja. Também se celebra, de forma indirecta, o Orgulho na nossa sociedade; uma sociedade tolerante que permite a viabilidade dessa escolha; uma sociedade activa e orgulhosa do que já conseguiu construir; uma sociedade que está consciente do que ainda necessita construir (para quando a plenitude e a igualdade de direitos?). Só quem não sabe como são outras realidades (adenda: ver esta ou esta) pode colocar em causa o Orgulho que temos em poder celebrar isto.

Por isso, caro Tiago, não se deve sentir nem bem nem mal com a posição que toma relativamente a estas iniciativas. Eu é que lhe agradeço os comentários que fez a este post, e que me motivaram a escrever este texto, e aproveito para o convidar pessoalmente a vir à Marcha do Orgulho LGBT de Sábado. Procure-me, sei que não tem os preconceitos que parece ter.

quinta-feira, junho 04, 2009

5.000 and counting

Não sei se é recorde, mas o Movimento pela Igualdade já recolheu mais de 5.000 assinaturas online desde Domingo.
Numa altura destas, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu (onde se espera uma abstenção elevadíssima); quando é recorrente o discurso sobre o afastamento das pessoas dos assuntos da política, é verdadeiramente impressionante que este movimento – totalmente emanado da sociedade civil, sem qualquer apoio partidário – consiga, praticamente sem recursos que não sejam a vontade dos seus subscritores, alcançar tal resultado.
Bem sei que este tema, o do casamento entre pessoas do mesmo género, é já mainstream na camada progressista e liberal da sociedade portuguesa. É essa característica que permite que com grande facilidade gentes de esquerda e de direita, novos e velhos, pessoas de todas as áreas profissionais estejam a assinar o documento promovido pelo MpI com a vontade e o entusiasmo demonstrado pelos números.
Portugal tem mesmo uma nova geração de gente que se interessa pelo Bem Comum, que respeita a Liberdade Individual de cada um e que se bate pela Igualdade total no acesso à Lei. Nestes sim, vislumbra-se um futuro interessante, para este canto da Europa.
(já assinou? Quer faze-lo? Clique aqui)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Campaigning - LGBT

Dear José,
We're just 42 days away from the most important election of our lifetime, and every vote counts. You know that there is no better way to grow this movement than by connecting with people directly -- talking to friends, family and others about why you support Barack Obama. Our LGBT supporters have done an amazing job of reaching out to people in their communities. But in the final stretch, we want to make sure we are getting the word out as broadly as possible. That's why we are asking you to be a part of Hometown Pride, and talk to the people in the places you know best.
Hometown Pride is a great way that the LGBT communities can make sure they are connecting with people all over the country -- and make a difference in battleground states. You can do that just by telling your story, and explaining why there is so much at stake for all of us this year. We've made it easy. Click here to find suggestions on who to contact and what you can talk about.
Thanks for everything you do,
Dave Dave Noble
LGBT Vote Director Obama Pride

sábado, setembro 20, 2008

Casamento - Update

1. Parece que o PS pode abrir excepções à disciplina de voto (relativamente à votação das propostas do BE e dos Verdes sobre o casamento homosexual).
2. A proposta de «Os Verdes»
3. A proposta do Bloco de Esquerda.
4. O Paulo Gorjão parece incomodado pela não exigência de um referendo para esta questão (não demonstrou a mesma indignação pela questão da alteração da Lei do Divórcio). Eu pergunto-lhe a quem estaria interessado tal referendo?

sexta-feira, setembro 19, 2008

Parece que a coisa não está pacifica

Bom, sempre pode haver o truque do pessoal sair da sala, ou nem sequer aparecer no dia da votação. Não era mais simples assumir que se vai (ou que já se está) a avançar no tema?

Pois, por vezes parece que estão todos a brincar

Ana,

Como deves de imaginar, estou totalmente de acordo contigo (e com o Miguel Vale de Almeida).
Agora, também devemos pensar os porquês das diversas faltas de coordenação e articulação entre as diversas entidades promotoras e interessadas na boa prossecução dos interesses reformistas. Não te parece que há demasiada partidarite, em detrimento de compromissos estratégicos bem assumidos e politicamente plurais? Não deveriam as diversas associações existentes estarem juntas nesta luta?
Mais, porquê parar na questão do casamento? Porque não considerar e legislar nas outras questões? Parece-me a mim claro que há duas visões sobre estes temas, uma política e outra social. Muitas vezes, a maioria mesmo, ambas andam muito distantes.
A visão política acha (e talvez com alguma razão) que a questão do casamento é relativamente consensual, enquanto a adopção é polémica. Se estivéssemos perante um cenário de referendo, em que os argumentos políticos fossem mais expostos, eu poderia apoiar esta estratégia minimalista (aprovar o casamento e deixar o resto para segundas núpcias).
Como o cenário de um referendo não se coloca (e ainda bem), a questão é então apenas social, e nesse sentido não se entende qualquer solução que não seja a total, e que termine com TODAS as discriminações que este grupo social (e outros) se tem sujeitado, não fazendo sentido, assim, legislar apenas sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Agora, nova questão, não é possível desenvolver uma proposta de consenso? Que concentre as ambições das diversas associações LGBT e os diversos partidos políticos interessados em acabar com a descriminação em função da orientação sexual?

quarta-feira, setembro 17, 2008

Quem é que anda a brincar com quem?

Ana,
Desculpa mas, apesar de entender a tua indignação, não concordo coloques no PS a responsabilidade total relativamente à questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Recordo-te que recentemente o líder parlamentar, Alberto Martins, reconheceu a importância do tema e pré-agendou-a para a próxima legislatura. Além dele, têm sido vários os dirigentes (quer do PS quer da JS e de outras estruturas do PS - como os PES Activists Portugal) que se tem manifestado de acordo com a alteração legal que impede o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sempre na próxima legislatura (e de preferência com um debate alargado sobre o tema, debate que inclua também outros assuntos relacionados, como a questão da adopção, da doação do sangue, entre outras).
Neste cenário, julgo ser evidente que a intenção socialista é de resolver com um consenso alargado a questão, repito, na próxima legislatura. Acho sinceramente que todos já o tínhamos percebido.
O recente agenciamento do Bloco de Esquerda, perante estes factos, só pode ser entendido como uma jogada política para ficar com os louros (políticos) de uma votação positiva ou de culpar o PS pelo chumbo da proposta (como, como se vê, já está a acontecer). É, realmente, uma jogada inteligente do BE, pois é uma situação win-win (ganha sempre). Claro que às despesas de quem quer verdadeiramente alterar a lei, que são os milhares de homens e mulheres que querem que o seu amor por alguém do seu sexo tenha a mesma dignidade legal que o de entre sexos diferentes.
O problema Ana é que o BE sabia que o PS ai chumbar esta proposta, daí esta jogada ser apenas táctica, e não efectiva. Ou seja, o BE sabia - e sabe - que o único resultado é o chumbo e apenas procura culpabilizar o PS e colocar-se como o único defensor dos direitos LGBT (realidade que não corresponde - de todo - à verdade, como sabes). Claro que quem saí exposto e prejudicado são todos os casais homossexuais, que são apresentados – uma vez mais – como peças de um jogo político que não querem jogar (pois o que querem é poder casar, e adoptar, e dar sangue, etc) e vêem ser adiada a resolução desta questão.
Agora questiono: que mal viria ao mundo da política se o BE tivesse esperado pela próxima legislatura para, com o PS, apresentar uma proposta? Se a vontade é de que o problema seja resolvido, porque não esperar pela proposta do PS, prometida para a próxima legislatura?
Eu até arrisco uma resposta: é porque ao BE o interesse não é resolver a situação, ou aprovar a sua proposta. O interesse do BE é fazer política com o tema LGBT, apresentar-se como seu principal paladino e, no caminho, causar mossa no PS.
Mais, estou certo que esta questão será resolvida por proposta do PS, a apresentar e ser aprovada na próxima legislatura. Estou certo também que é intenção do PS que a solução a encontrar seja produto de um debate alargado que envolva a sociedade parlamentar e civil. Porque esta é a forma de trabalhar estes temas. Tratá-los com importância social e nacional. Nunca partidária, e nunca exclusivamente política.
Quem é que afinal anda a brincar?

domingo, agosto 17, 2008

Optimo

Parece que o Duarte Cordeiro, e a Juventude Socialista, não vão deixar cair a bandeira do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Eu vejo a vontade com desconfiança, devo dizer, pois no passado essas ambições foram demasiadas vezes assumidas para depois serem abandonadas em detrimento de compromissos e posicionamentos políticos à la longue.

É verdade que o Partido Socialista tem tratado o tema com indiferença, apesar de algumas (poucas) iniciativas pouco estruturadas, pelo que pode a JS, ainda por cima com uma nova direcção, apanhar esta bandeira, o que acho óptimo.

Da minha parte, como militante socialista activo, julgo ser importante preparar uma série de iniciativas que levantem e organizem o debate sobre o tema, e que possam contribuir, com propostas concretas, para o futuro programa eleitoral do PS.

Recordo que recentemente o Partido Socialista Europeu promoveu um alargado e participado processo de consulta para o Manifesto eleitoral que pretende apresentar nas eleições europeias de 2009 e que desse processo, além dos contributos portugueses, houve uma forte concordância em defender o fim de todas as discriminações ainda existentes.

Defendo, assim, um processo semelhante onde se possam ouvir as várias instituições e organizações que pensam e actuam sobre o tema, recolher contributos de actores académicos e políticos, numa iniciativa que se pretende dinâmica, integradora e substancial.

(em breve direi mais sobre o tema…)

Vamos ver o que o futuro nos reserva, mas parece-me que se este vai ser um tema quente na próxima campanha e ainda bem. Pode ser que consiga que em Portugal acabar um pouco mais com as discriminações.

terça-feira, julho 15, 2008

Agora?

Antes tarde do que nunca: despedida em grande do Pedro Nuno da JS. É amanhã.




Fica a nota de divulgação do site da Juventude Socialista:

JS organiza Conferência, dia 16 de Julho, pelas 18h, no auditório do Edifício Novo da Assembleia da República sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A Conferência terá como principal orador Pedro Zerolo (Secretário Federal do PSOE)
A Juventude Socialista organiza na próxima quarta-feira, dia 16 de Julho, pelas 18h no auditório do Edifício Novo da Assembleia da República, uma Conferência Internacional intitulada “Nada mais que a Igualdade” e subordinada ao tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A Conferência, compromisso político da Juventude Socialista, será moderada por Pedro Nuno Santos, Secretário Geral da Juventude Socialista e terá como oradores convidados:

·Pedro Zerolo (Secretário Federal do PSOE com os pelouros dos Movimentos Sociais e ONG)
·Ana Catarina Mendes (Deputada e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS)
·Miguel Vale de Almeida (Antropólogo)
·Isabel Moreira (Constitucionalista)
·Paulo Pamplona Corte-Real (ILGA – Portugal)
A Conferência será aberta ao público.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Aviso Panteras

Enforcamento Iraniano, Silêncio Europeu
Makwan Mouloudzadeh foi enforcado a 5 de Dezembro às 5 h da manhã na prisão central de Kermanshah, no Irão. Era acusado de ter mantido uma relação homossexual com um rapaz de 13 anos, idade que ele mesmo tinha à altura dos factos, em 1999.
À política criminosamente homofóbica do Estado iraniano corresponde o silêncio cínico dos diplomatas europeus eda presidência portuguesa da União Europeia. Sobre este assassinato homofóbico, nem uma palavra, nem um gesto, nem um olhar.
Não duvidamos: tanto é culpado o carrasco como o cínico que olha para o lado em nome de interesses políticos e comerciais, ou quaisquer outros.
Shame on Iran, Shame on the European Presidency and the European Comission!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

De mão dada ao Henrique Raposo

De vez em quando partilho a ideia geral de algo que o meu amigo Henrique Raposo escreve. Não é muito costume, mas hoje foi um desses dias.
Curiosamente tinha tido um almoço onde falava sobre assuntos LGBT, estratégias, direitos e deveres. Em suma, o que pode hoje a sociedade aceitar no que diz respeito a direitos LGBT (casamento, adopção, a questão do sangue, etc...).
Não me lembro de o ter visto, mas se calhar o Henrique esteve na mesa do lado.
Sobre o que diz, estamos de acordo em quase tudo. Só tenho dúvidas em relação a referendos. Fazê-los é perde-los.
30 anos estivemos à espera de consagrar o direito ao aborto. Não quero mais 30 para poder ver duas mulheres a casarem.
reproduzo o que diz na Atlântico:
O meu amigo Chico

“Oh, Chico, pá. Deixa-te de coisas. O que ganhas com isso, de ir para a rua mostrar o rabo? Achas que é mostrando o rabo que vais ganhar direitos?”.

O Chico ficou um bocado chateado comigo. É que o Chico quer casar com o Zé. E acha que ir para a rua fazer manifs é a solução. “Chico, não é esse o caminho”. Estou farto de avisar o Chico para seguir o exemplo daquelas duas raparigas: “tens de ir para os tribunais, Chico; tens de mostrar a absoluta contradição entre a constituição e o código civil”. Aliás, nem é preciso a Constituição. “Basta isto, Chico: um cidadão, maior e vacinado, que faça sexo com outro cidadão do mesmo género, tem todo o direito a casar-se com o dito companheiro”. “E adoptar filhos?”, diz ele logo. “Calma, Chico, uma coisa de cada vez. Sim, a família tradicional não tem o monopólio do amor e tal, Chico, mas tem calma. As revoluções, mesmo as da cama, não fazem nada bem. Uma coisa de cada vez”.
O Chico ainda não está convencido. Mas com o tempo isto vai lá, sobretudo com o referendo. Vamos lá brincar aos referendos outra vez. É que gostava de ajudar o Chico. O Chico é fixe.
Henrique Raposo

quarta-feira, julho 04, 2007

"Mãos ao alto, a Chueca é um assalto!"



Parece que em Madrid foi bem mais concorrido, a «Europride».
Excelente texto do Sérgio Vitorino, numa reflexão bem conseguida entre uma visão pessoal, activista e política.
Excelentes reflexões e críticas de quem vive o movimento LGBT como poucos. De imperdível leitura.
Um excerto:
Eurocirco?
O Europride em si é o exemplo máximo deste estado de coisas: com quase nada de política ou reivindicação, parece uma ode ao dinheiro e ao consumo e à confusão instalada entre emancipação e capacidade de consumir, uma catedral de corpos masculinos (eles rendem sempre mais dinheiro do que elas), todos iguais, musculados pelos mesmos ginásios, como se talhados a plástico e produtos de beleza para parecerem qualquer coisa como "verdadeiros gays", com o comércio a definir identidades em vez das pessoas, como se o "gay" se definisse pelo que veste e consome. Enormes camiões TIR de todo o tipo de marcas e projectos comerciais, todo o tipo de multinacionais vestidas de arco-írios e transfiguradas em "amigas" dos gays, o camião do google a perguntar se já comprámos o nosso não-sei-o-quê, a Coca-cola a dizer-nos que os gays é aquilo que bebem (ou então não são gays?), numa espécie de mundo rosa em que supostamente já não há discriminação, mas tudo se compra e vende (até o direito a ser-se gay) e se conclui que quem não compra não ganhou ainda o direito à não-discriminação. Um circo? Foi a melhor palavra que nos ocorreu: um grande, grande circo.
[PS. Neste fim de semana, dia 7, é o Arraial do Porto]

terça-feira, julho 03, 2007

Comentário

Recebi via e-mail este comentário do Sério Vitorino relativo a este post. Falava, no post, da minha experiencia da marcha LGBT.

O Sérgio pede-me para poder colocar o seu comentário na caixa de comentários da «Loja». Eu acho que ele merece estar no corpo principal. Reproduzo:

Olá zé, desculpa só agora dar sinal de vida, mas sabes como são estes meses para nós - o lufa-lufa só termina com a marcha do Porto este sábado, e as responsabilidades são muitas.Li, e gostei. Acho que os teus argumentos podiam ser do movimento - e alguns são. Gosto do excerto do Daniel que escolheste, porque colocas as coisas como elas devem ser, fora do plano da mera tolerância ou do habitual desejo heterossexual de modelar os comportamentos homo de forma a que possam ser aceites, sem nunca se questionar se são aceitáveis os comportamentos da maioria hetero para com a minoria homo.
Estou de acordo também com os bons sinais que referes quanto a lisboa e aos candidatos que estiveram nos eventos. Creio que realmente temos hoje sinais de um início de quebra do isolamento social desta comunidade, a par de um tímido processo de institucionalização que o movimento há muito desejava. E que há-de ter processos contraditórios, naturalmente, uns bons e outros maus (do meu ponto de vista pessoal), uns de transformação e outros de acomodação, - mas isso sou eu que luto menos por uma integração da comunidade lgbt na realidade social que existe, e mais por transformar a realidade social que existe, e que é estruturalmente opressora da diferença - , a ponto de não fazer sentido distinguir entre lgb's e hetero, ou entre homens e mulheres biológicos e as pessoas transgénero. Esse é o meu sonho. Aprecio o teu optimismo, mas acho que não é para daqui a 10 anos, nem é um processo fluido que à semelhança dos deterministas históricos possamos pensar que irá sempre na direcção correcta, mas acho que esse optimismo nos é indispensável de qualquer forma para continuarmos a fazer o que tem de ser feito por esta causa. Da qual és já um activista :), e da qual cada vez mais pessoas o vão sendo, independentemente da sua orientação sexual. Disso não há dúvidas, e que a relação de forças entre a discriminação e a abertura tem mudado radicalmente. Assim continue :), e em grande medida depende de nós.


Se tiveres a gentileza de me mandar o link do teu blog, de bom grado coloco lá este comentário :)

Um abraço para ti e obrigado pelo texto.

sérgio vitorino

terça-feira, junho 26, 2007

Marchas e arraiais


Marchas e arraiais

Nestes dias de intensa campanha eleitoral, onde se confundem arraiais e romarias, foi com muito interesse que verifiquei a atenção com que a esquerda, de uma maneira geral, acolheu o Arraial Pride e a tradicional «Marcha do Orgulho».
Claro que quando falo de esquerda ponho de lado o PCP, que porfia de uma posição muito própria sobre toda a temática LGBT. Refiro-me à esquerda do BE e do PS e que agora Helena Roseta se procura associar.
Fui importante verificar que estas três candidaturas (repito, BE, HR e PS) se tenham associado a esta manifestação de uma minoria / maioria que só quer ter os mesmos direitos, liberdades e garantias que todos os cidadãos activos.
Não entendo como é que, em pleno século XXI, as sociedades contemporâneas ainda não se organizam de forma livre, justa e tolerante. É inconcebível que ainda se assista a um conjunto de atitudes, jurídicas e políticas, que impedem o acesso de gentes de bem, de cidadãos livres, a um conjunto de direitos; exclusivamente por razões da sua sexualidade. Não é aceitável.

O Daniel Oliveira resume bem quando diz que:

«[as LGBT] Querem os mesmos direitos que todos os que os acham intoleráveis têm. Não querem simpatia. Não querem que os heterossexuais os achem esteticamente suportáveis para lhes concederem finalmente a cidadania plena. Querem apenas, sem ter de pedir licença. E fazem muito bem. Exigirem menos do que isso seria vergonha. Falta de orgulho»

Qualquer sociedade que se intitula livre tem de confiar nos seus concidadãos. Bem sei que no mundo latino, por natureza desconfiado, é muito aceitável que seja o Estado a decidir pela latitude a dar aos nossos direitos, enquanto indivíduos. Era assim, até há pouco tempo, na questão da Interrupção Voluntária da Gravidez. É assim, ainda hoje, na questão dos direitos das LGBT’s.
Do que podemos desconfiar? De que o sangue de um homossexual seja «sujo»? E o de tantos «heteros»? não o será também? Não devemos por a tónica no carácter não infeccioso do sangue?
Do que podemos desconfiar? De que duas pessoas do mesmo sexo tenham um tipo de amor diferente e que sejam impedidas de celebrar esse amor, através do rito do casamento? Porquê? No que é que esse amor é desigual?
Do que poderemos desconfiar? De que um pai por ser homossexual seja um mau pai? Ou que uma lésbica não possa ser mãe? Mas porquê? Não há tantos casos «hetero» de má parentalidade? Onde diz que é a tendência sexual que define quem pode e não pode ser pai ou mãe?
Do que podemos desconfiar? De que homossexuais não possam ser cidadãos plenos?
Não é aceitável essa desconfiança. Não no Portugal livre, democrático do século XXI.
Bem sei que, pelo que tenho vindo a assistir, que nos encontramos provavelmente na cauda da Europa em matéria de homo e transfobia, talvez apenas superado pela Polónia. Devemos, neste que é o ano europeu para a igualdade, fazer um esforço suplementar. Simplesmente ouvir. Talvez seja possível mudar alguma coisa.
Também sei que este país, de tantas desigualdades e de tanta falta de cultura, cívica, é capaz do melhor e do pior. Sei que pode ser difícil esperar que todo o país seja açambarcado por um súbito espírito tolerante; mas podemos, pelo menos, ambicionar a que hajam bons exemplos para servirem de catalizadores à mudança de mentalidades, ainda hoje, muito exigida.
Lisboa pode ser um desses exemplos.
Lisboa já é esse espaço de liberdade incondicional. Não é perfeito. Talvez nunca o venha a ser. Mas foi relevante ver que estas preocupações já não são de uma minoria marginal. Importou ver o Sá Fernandes na marcha, a Helena Roseta e a Ana Sara Brito no Arraial Pride, na Praça do Comércio. Importou ouvir a intervenção da Elza Pais ou ler a entrevista do António Costa à Sábado. Significa que estamos na fronteira da minoria / maioria.
Não tenho dúvidas da evolução da sociedade portuguesa, e o recente exemplo em relação ao aborto é muito convincente. E de que daqui a 10 anos estes sejam temas do nosso passado. Não pelo orgulho de quem hoje promove marchas, mas pelo orgulho de todos nós.

[texto também publicado no Costa do Castelo]

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