domingo, agosto 19, 2007

Corpo central

O Ricardo Revez, de forma esperada, admito, deixou este comentário sobre os intelectuais hoje (ver Agustina). Merece estar no corpo central, quem sabe para provocar debate.
Aqui fica:
Penso que estaremos à altura ou melhor do que eles em determinadas coisas e abaixo noutras. Não teremos quase de certeza lido tantos livros como eles, que não tinham TV, nem computador, etc, etc, quando tinham a nossa idade, para os distrair. Mas teremos, com certeza, outras qualidades que eles não têm. Com a globalização, talvez tenhamos uma maior noção da "big picture", maior acesso a autores, ideias, pensadores, artistas, etc, que eles não tinham. Provavelmente teremos uma formação cultural mais heterogénea, recolhida em vários países, e não apenas francófona com uns restinhos de autores russos e um ou outro anglo-saxónico. Não sei... Foi o que me ocorreu. Já tenho pensado nessa questão...
Ricardo Revez

sábado, agosto 18, 2007

Timor e a transição para a Democracia


COLUNA DE ANTONIO VITORINO NO DN DE HOJE

A luta pelo poder e o seu exercício transformam o comportamento dosagentes políticos. Essa alteração dos padrões de comportamento faz-se sentir de forma muito especial nos processos de transição política, designadamente quando do acesso à independência ou de uma mudança deregime político.

Os períodos de transição deixam, por via de regra, uma marca muito forte na matriz do sistema político em gestação. Mas reconheçamos que o específico ambiente de uma transição não produz mecanicamente resultados que se possam ter por predeterminados.

Recordemos o caso das transições ibéricas nos anos 70.

A queda da ditadura em Portugal verificou-se num ambiente revolucionário que quase colocou o país à beira de uma guerra civil. A estabilização democrática passou por quase década e meia deajustamento do texto constitucional, seguindo um processo deprogressivas aproximações.Por contraste, a transição espanhola foi levada a cabo de forma contratualizada (a chamada "rotura pactuada"), sob a égide dainstituição monárquica, que havia sido reinstaurada pelo próprio franquismo, e acabou por se traduzir num texto constitucional que acabaria por permanecer imutável até hoje.

Ora, o que é curioso é que a conturbada transição portuguesa, assente num texto constitucional colocado ele próprio no centro do combatepolítico, viria a gerar um regime político onde os padrões do combate político são bem menos crispados e acintosos do que os que vigoram nocombate político em Espanha, onde a transição foi muito mais controlada e mais consensual, desde os seus primórdios, quanto à definição das próprias regras do jogo.

Em larga medida estas diferenças resultam do papel que as liderançasdesempenharam nos respectivos processos de transição e das preocupações que os nortearam. Pode-se dizer que em Portugal imperou uma preocupação de edificação de um sistema político que privilegiasse a concertação e a partilha do poder, sem partidos hegemónicos ou mesmo dominantes.
Enquanto que em Espanha a lógica dominante foi a de fomentar ocontraponto entre alternativas de poder ideologicamente orientadas, matizadas apenas pela realidade das Comunidades Autónomas de base regional.
Esta reflexão vem a propósito dos acontecimentos recentes em Timor-Leste.

Os portugueses que, na sua esmagadora maioria, apoiaram ao longo dosanos a autodeterminação e independência de Timor-Leste habituaram-se,no seu imaginário da Resistência contra a ocupação indonésia, tanto na luta armada como na acção político-diplomática, a colocar do mesmolado da barricada todos aqueles que hoje se confrontam em Timor-Leste na praça pública numa luta sem quartel pelo poder.

A instabilidade assim gerada causa perplexidade e projecta sériasdúvidas sobre a viabilidade, a prazo, da estabilização do sistema democrático em Timor-Leste. Desde logo porque se afigura que aseleições presidenciais e legislativas, convocadas precisamente paraultrapassar a crise política e institucional que se manifestou tão dramaticamente no início do ano passado, afinal não produziram amudança de ambiente político que se desejava e esperava.

Cabe, pois, às lideranças timorenses, tanto às políticas como às dasociedade civil, compreenderem e assumirem, neste momento grave davida de Timor-Leste, o papel que lhes cabe desempenhar na definição damatriz futura do sistema político do seu país.

Sem esse contributo de bom senso e de moderação a crise políticapersistirá e a transição para uma independência plena e democrática poderá continuar incompleta. Por quanto tempo mais?
A questão que deixo é esta: deixando Timor e regressando ao Portugal de 1979, 1980, matém António Vitorino as duvidas sobre uma construção viável para um caminho democrático? Ou devemos assumir que «tivemos sorte» em termos operacionalizado um processo de transição em plena guerra fria, num mundo pré-União Europeia e sem comunidade internacional?
Se fosse hoje teriamos por cá tropas das Naçõs Unidas? E como lideraríamos com isso?

sexta-feira, agosto 17, 2007

Ainda lhe pagam?


Descobri agora que o João Miranda, do Blasfémias, tem coluna do DN. É impressionante. Logo momentos depois de me ter interrogado «onde andam os nossos intelectuais?». Não passam, decerto, pela influência do João Miranda, que mais não é que (mais um) fenómeno blogosférico, existente pela quantidade de comentários que magnetiza (situação conseguida por se posicionar, estrategicamente, nos antípodas da opinião publica e publicada comum, assumindo alguma raiva fóbica acerca temas-ruptura e beneficiando com os efeitos de spill over que esta estratégia, se bem implantada, promove).


Quer isso dizer que lhe pagam para escrever, e o que escreve é desta qualidade:





Portanto, a educação existe porque os ricos têm filhos. O Estado ou não tem de apoiar nenhuma política de natalidade, deixando esta entregue à «naturalidade» (onde os com mais posses deverão ter mais filhos) tem de ou ter cuidado com o apoio a dar, podendo correr o risco de apoiar grupos pouco produtivos (o desmanche do argumento do João Miranda pode implicar que os filhos dos pobres serão necessariamente incultos, analfabetos e incivilizados).

Posso perguntar ao João de que classe é filho? Se é pai? Ou se tenciona ser? Podemos ainda esticar o argumento e perguntar, também, o que lhe parece o desenvolvimento de políticas não de natalidade, mas de esteralidade? Pode ser dificil obrigar os ricos a terem filhos, e descendência (o que era o melhor dos mundos, pois esses são os super-seres portadores do desenvolvimento - segundo o João Miranda), mas pode-se ir pensando em impedir os pobres de terem filhos... (boa ideia, não, João)

Agustina

Vejo a Agustina no segundo canal. Vejo quem fala, quem testemunha, quem partilha.
Penso, onde estão os intelectuais de hoje?
Quem por nós falará, daqui a 40 anos?
Estaremos á altura dos que hoje falam? Não sei.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Fechado

Impressionante.
Percorri todo o Chiado, Bairro Alto, Principe Real, Praça das Flores à procura de um «jornaleiro».
Nada, a cidade partiu para parte incerta...
[adenda]
Parece que o Medeiros Ferreira também não se safou...

terça-feira, agosto 14, 2007

Memórias...



... de outros tempos.

Aqui entrega de 355 novos eleitores na Freguesia de Santa Maria de Belém, resultantes do recenseamento promovido para as eleições Administrativas e «políticas» (para deputados) de 1945.

Recordo que nos cadernos eleitorais era distinta a atribuição de direitos polítcos activos; assim, para sa Juntas de Freguesia votavam os chefes de Familia, enquanto que para Deputados votavam, segundo o Decreto-lei 23406, de Dezembro 1933, que regulava a atribuição de direitos políticos activos, os «cidadãos portugueses do sexo masculino que sejam maiores e emancipados, saibam ler e escrever e residam no Continente, Ilhas e Colónias portuguesas há mais de seis meses, e neles exerçam funções públicas.
Os que, embora não saiba ler nem escrever, paguem ao Estado e corpos administrativos, a uns e a outros, quantia não inferior a 100$00, por todos, algum ou alguns destes impostos; contribuição predial, imposto profissional, contribuição industrial e imposto sobre aplicação de capitais. E do sexo feminino, também maiores ou emancipados, mas com curso especial, secundário ou superior, comprovado por diploma, e residentes ou exercendo funções como se discrimina para os do sexo masculino.
Não terão direito a voto os indivíduos que recebam subsídios da assistência pública ou da beneficência particular e especialmente os que estenderem a mão à caridade, os pronunciados por qualquer crime com transito em julgado, os interditos da administração da sua pessoa e bens, por sentença com transito em julgado; os falidos não reabilitados e em geral todos os que não estejam no gozo dos seus direitos civis e políticos, ainda os notoriamente conhecidos como dementes, embora não interditos por sentença

Outras memórias, de outros tempos...

Musica para teses


Adolfo Rocha, 100 anos


Adolfo Rocha, nascido a 12 de Agosto de 1907, na aldeia de São Martinho de Anta, algures na província transmontana. comemora-se, pois, agora o centenário do seu nascimento.
Mas quem o conhece por seu nome próprio? São, de certo muito poucos.

O médico-poeta ou poeta-médico, conforma a perspectiva de cada um, é, sobretudo conhecido pelo nome que adoptou em 1934 para a sua vida literária e profissional da medicina "Miguel Torga”.

Coimbra, sua terra adoptiva, porto de partida e cais de chegada das suas viagens “mundanas” acaba de o homenagear enquanto homem do povo e do mundo.

Não creio que alguma vez tivesse chegado a possuir cartão de militante mas foi, com certeza, um dos mais fieis e sinceros militantes socialistas.
Acompanhou o PS nos momentos mais difíceis e decisivos da implantação da democracia em Portugal.
Presidiu ao primeiro comício realizado pelo Partido Socialista em Coimbra, a 1 de Junho de 1974.

Militou contra aqueles que davam murros na boca da democracia os quais muitas das vezes provocavam úlceras no estômago da liberdade.
Não estaria, não poderia estar, contente com certos exageros que por aí vemos, ouvimos e lemos, alguns deles provocados por certos “militantes” ditos de esquerda, pseudo-guardiões de um socialismo que a Miguel Torga de modo nenhum poderia agradar e que de certo combateria.
E Branquinho, in PS Lumiar

segunda-feira, agosto 13, 2007

Update USA 2008


Realmente este teste é bem mais completo. Os resultados são também mais inesperados, não relativamente às posições de topo mas em relação à lista completa.
Eis o que me «calhou»:
1. Barack Obama (84%) Information link
2. Dennis Kucinich (81%) Information link
3. Christopher Dodd (77%) Information link
4. Alan Augustson (campaign suspended) (77%) Information link
5. Michael Bloomberg (not announced) (73%) Information link
6. Hillary Clinton (73%) Information link
8. Joseph Biden (73%) Information link
8. Wesley Clark (not announced) (69%) Information link
9. Mike Gravel (68%) Information link
10. John Edwards (67%) Information link
11. Al Gore (not announced) (64%) Information link
12. Bill Richardson (56%) Information link
13. Kent McManigal (campaign suspended) (55%) Information link
14. Ron Paul (49%) Information link
15. Elaine Brown (41%) Information link
16. Rudolph Giuliani (40%) Information link
17. John McCain (28%) Information link
18. Mike Huckabee (27%) Information link
19. Tommy Thompson (withdrawn) (26%) Information link
20. Mitt Romney (26%) Information link
21. Chuck Hagel (not announced) (25%) Information link
22. Sam Brownback (21%) Information link
23. Newt Gingrich (not announced) (19%) Information link
24. Fred Thompson (not announced) (17%) Information link
25. Tom Tancredo (16%) Information link
26. Jim Gilmore (withdrawn) (14%) Information link
27. Duncan Hunter (12%) Information link

Musica para teses


USA 2008


Tiago, podes ver o meu resultado aqui.

Como vês não andamos muito longe uns dos outros - eu, tu e o Daniel. Kucinich parece ser o resultado nº 1 do inquérito, apesar de nem eu nem o Daniel o apoiarmos. Isto de inquérios, ainda mais de 3 minutos, tem muito que se lhe diga.
(parece, no entanto, que Kucinich é a resposta a esse teste, pelo que se pode ver aqui e aqui)

Entretanto, o Daniel faz referência a outro teste, segundo ele melhor, que descobriu via Zero de Conduta. Vamos ver se é melhor, quem sabe se os resultados repetem...
Que interessante vão ser os próximos 18 meses da política Norte Americana.

sábado, agosto 11, 2007

XY - YY


YY

XY
É uma questão de escolha...

Elections in América

O Daniel Oliveira descobriu este teste que ordena as nossas preferenças no que respeita à eleições norte-americanas de 2008. Descubra aí qual é o seu candidato à Presidência dos Estados Unidos.

O meu teste foi este:
Em primeiro Dennis Kucinich, em segundo Mike Gravel, em terceiro Barak Obama, seguido de John Edwards e de Hillary Clinton.
Esta é a ordenação estatistica. Por cá, continuo oscilante entre o Obama e a Hillary (tenho de melhor me informar).

Denúncia policial


As Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia endereçaram hoje à Inspecção Geral da Administração Interna, com conhecimento à Amnistia Internacional, a denúncia de uma situação de violência policial, após termos tomado conhecimento do ocorrido através do presidente da Opus Gay, e termos confirmado os elementos da denúncia junto das prostitutas do Conde Redondo, nomeadamente uma das pessoas que terá sido agredida.


Denúncia de Violência Policial
Para Inspecção Geral da Administração Interna:

Com conhecimento à Amnistia Internacional:Exm@s. Sr(a)s,O movimento Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransFobia tomou conhecimento, através do testemunho de uma das pessoas agredidas, da seguinte situação que passamos a relatar.

Na sexta-feira, dia 3 de Agosto, a prostituta trans A foi (segundo nos foi relatado, por motivo legítimo e sem que haja notícia de conduta incorrecta por parte dos agentes responsáveis) conduzida pela PSP à esquadra da Praça da Alegria, em Lisboa. Não sabendo do motivo da detenção da amiga e tendo recebido um sms desta a dizer que ia pernoitar na esquadra, as suas colegas B e C dirigiram-se separadamente à mesma esquadra para saber do que se passava e apoiar a colega. B chegou primeiro e entrou. Quando C chegou, não lhe foi permitida a entrada, pelo que B se lhe juntou cá fora. Neste momento, chegam à entrada da esquadra dois agentes fardados e dois (supostos) agentes à paisana e não reconhecíveis como agentes policiais. Houve uma troca de insultos, não estando esclarecido quem iniciou a provocação, e na sequência da mesma, B agride um dos homens não fardados. C intervem, separando a briga e conseguindo colocar B num táxi. Ambas regressam ao Conde Redondo, para o seu local de trabalho, junto ao Hopital dos Capuchos.

c0ntinue a ler aqui

sexta-feira, agosto 10, 2007

Nem de propósito


recebi este mail, que rapidamente difundo. Tem muito a ver com isto [parece-me mesmo que o João Miranda pode ser um dos homofóbicos que bebem no bar aqui retractado].

Contunuo na minha: tem tudo a ver com respeito, liberdade e escolha. Só.


Compañeros y compañeras,

Os pedimos apoyo al Manifiesto y al Acto de protesta a celebrar el próximo viernes 10 de agosto del 2007

MANIFIESTO "KISSING KONTRA LA HOMOFOBIA"

La decisión de tomar una copa para cerrar una noche romántica puede convertirla en dramática. El pasado martes 31 de julio, Carles y Joan quisieron hacer una copa en el bar Chekere Jazz después de cenar. Ya habían ido a este local en diversas ocasiones, pero nunca mostraron su afecto públicamente; no por nada, sino que hasta el martes hicieron lo que hacemos todos nosotros: besarse, amarse cuando el cuerpo te lo pide. La mala pata de besarse aquella noche hizo que explotara la homofobia del barman y encargado del local. A grito pelado el camarero y propietario les indicó que aquello era feo, que era malo, que se fueran a "sus" locales.

Carles y Joan después de intentar hacerle ver su gran error se marcharon, pero con la firme convicción de que querían reparar aquella humillación. Por eso, una vez nos informaron, desde el Col·lectiu Gai de Barcelona les animamos a poner la denuncia pertinente y también decidimos que haríamos una concentración para denunciar públicamente los hechos, el próximo viernes 10 de agosto a les 20:00 hores, delante del Chekere Bar, en la calle Ample 54 .

Por qué amamos el amor libre, por qué no nos gusta que nos discriminen, por qué no queremos ser animales exóticos del zoológico particular que es el Gaixample, por qué tenemos todo el derecho a mostrar nuestro amor cuando y donde queramos, todos nosotros queremos gritar contra la homofobia.

Por qué es un acto de responsabilidad hacer entender a este y a otros empresarios que el derecho de admisión es una cosa bien diferente de la libertad de opción e identidad sexual, por qué por muchas leyes que ahora nos amaparen debemos continuar luchando para que la sociedad realmente cambie, por qué a menudo encontramos el silencio como única respuesta a nuestros gritos, el próximo viernes 10 de agosto a las ocho de la tarde haremos una besada contra la homofobia.

Si lo que les molesta es nuestro amor, que lo prueben, que quizás es que son víctimes de la autorepresión.

Convoca:Col.lectiu Gai de Barcelona

Ptge. Valeri Serra 2308011 Barcelona

Telfs. 934 534 125 - 616 94 49 18

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