And the dreamers? Ah, the dreamers! They were and they are the true realists, we owe them the best ideas and the foundations of modern Europe(...). The first President of that Commission, Walter Hallstein, a German, said: "The abolition of the nation is the European idea!" - a phrase that dare today's President of the Commission, nor the current German Chancellor would speak out. And yet: this is the truth. Ulrike Guérot & Robert Menasse
sexta-feira, julho 06, 2007
Comicio do Parque Mayer - Prelúdio
Muitas pessoas usufruiram de um bom comício, numa noite bastante agradável, num local emblemático da cidade e bastante revelador da degradação a que Lisboa chegou com a gestão camarárias dos últimos seis anos. O Parque Mayer é o exemplo do que não pode continuar a ser tolerado em Lisboa: degradação e desleixo.
António Costa explicou bem por que a Câmara Municipal precisa de contar com uma maioria estável. Além de ter referido duas condições que só a candidatura do PS apresenta aos lisboetas: um programa claro e uma equipa qualificada para o cumprir, só com estabilidade no órgão executivo, isto é, uma maioria, será possível arrumar a casa nestes dois anos de mandato. A Câmara tem de ser parte da solução, não um problema e obstáculo para a cidade como tem sido.
Por outro lado, nenhuma candidatura, como vários candidatos já fizeram saber esta semana, mostra interesse em ser parte integrante de uma solução municipal.
Só uma maioria claramente inequívoca pode arrancar Lisboa do atraso a que tem estado votada nos últimos seis anos.
Não Apaguem a Memória!
Em 5 de Outubro de 2005, um conjunto de cidadãos reuniu-se junto à antiga Sede da PIDE/DGS, reafirmando o protesto público contra a conversão daquele edifício em condomínio fechado, sem que nele figurasse qualquer menção adequada à memória da resistência de tantas portuguesas e portugueses à Ditadura do Estado Novo que vigorou durante quase 50 anos.
Desta iniciativa cívica resultou a criação do Movimento “Não Apaguem a Memória! movimento plural e aberto que, ao longo de quase dois anos, realizou diversas acções nos locais simbólicos da resistência à Ditadura e desenvolveu uma série de contactos com os Órgãos de Soberania, Assembleia da República e Governo, a nível central e local, bem como com Ordens Profissionais (Arquitectos e Advogados).
Motivado pela exigência da salvaguarda, investigação e divulgação desta memória colectiva, este conjunto de iniciativas culminou com a entrega ao Presidente da Assembleia da República de uma Petição, actualmente em discussão na Assembleia da República, subscrita por mais de seis mil cidadãos, para que seja cumprido – em colaboração com o conjunto dos poderes públicos e a sociedade civil – o “Dever de Memória” do Estado português.
Porque sem memória não há Futuro.
Lisboa, à imagem do País, teve ao longo dos 48 anos de ditadura um longo percurso de momentos e locais que conduziram ao 25 de Abril.
No momento em que estão na ordem do dia as eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa, o Movimento Cívico Não Apaguem a Memoria! entende questionar as candidaturas às eleições intercalares de Lisboa sobre qual a posição que a Câmara Municipal de Lisboa deve assumir face a:
1. Criação de um Museu da Resistência e da Liberdade situado no centro histórico de Lisboa sendo para o efeito utilizadas as instalações da antiga cadeia do Aljube.
2. Criação, organização e manutenção de um Núcleo museológico localizado no edifício-sede da ex-PIDE/DGS, em Lisboa, que venha dignificar a memória do sofrimento causado a tantos portugueses que por lá passaram (aliás no seguimento dos compromissos assumidos pela anterior vereação)
3. Construção de um Memorial em homenagem aos presos políticos da Ditadura fascista do Estado Novo.
4. Toponímia urbana que permita assinalar os locais da memória da resistência à Ditadura e da celebração da Liberdade, enquanto património histórico da cidade.
5. Celebração de Protocolos e apoios a iniciativas de divulgação das questões da Resistência e da Liberdade na rede escolar e circuito cultural da cidade de Lisboa (programas temáticos em datas apropriadas).
6. Estimulo à investigação histórica neste domínio, disponibilizando recursos e meios, em colaboração com o Museu da Resistência.
7. Criação do Roteiro da Resistência e da Memória da Cidade de Lisboa.
O Movimento Cívico Não Apaguem a Memória!
quinta-feira, julho 05, 2007
Leituras daqui e dali...
Caro Carlos,
Desafio aceite. Como imaginas, uma intensa vida académica não se coaduna com uma regular leitura de «material» que não seja científico. Como imaginas, não sou muito romanceiro ou sorvedor de literatura de cordel.
Apenas algumas referências de obras que me marcaram, de uma forma ou de outra.
1. A Arte e a Revolução, de Richard Wagner, onde o génio Alemão expõe a sua teoria, totalitária, de como a Arte pode ser o catalizador da revolução, da mudança social, da consciencialização política. Depois de o escrever procurará por as suas ideias em prática, e são estas ideias que estão por detrás da grande Ópera do «Anel dos Nibelungos».
2. Portugal século XX (1890-1976). Pensamento e acção política, do Fernando Rosas. É um livro diferente. Apesar de ser escrito por um historiador engajado, e nota-se, é um estilo de ensaio histórico poucas vezes tentado e com poucos bons exemplos. Não é apenas um livro de história. É muito mais. É a visão da contemporaneidade portuguesa pelos olhos de um dos seus mais atentos observadores. Muito bom. Recorro a ele amiúde. Gostava que mais «observadores» produzissem ensaios destes.
3. As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino é um pequeno livro de sonhos, de pequenas utopias, de desejos e sensações. Gosto de o reler frequentemente. Viajo muito nele.
4. Da República, Fernando Pessoa, é um conjunto de escritos de Fernando Pessoa, compilados por Joel Serrão, que expõe uma vertente mais política e interventiva do grande poeta lisboeta
1984, George Orwell, dispensa apresentações. É a anti-utopia. O lado negro da força da política. É o que podemos ser.
5. O Príncipe, Nicolau Maquiavel, autêntico manual de ciência política, peça essencial para quem quer, hoje, olhar o mundo. Moderníssimo.
6. Utopia, Thomas More, para completar o ramalhete da construção imaginada. Quem, como eu, estuda e vive a política é facilmente atraído pelo desejo de construção do resultado final perfeito, pela utopia. Só isso faz sentido para quem tem um sentido de dever público, um sentido de estar na política na lógica do Outro e não do Próprio. É isso que são as utopias. Mundos perfeitos onde a política não existe. Não precisa.
Agora, passo a bola ao Pedro Delgado Alves, o Pedro Nuno Santos, o Sérgio Vitorino, o Daniel Oliveira, a Palmira Silva, à Marta Rebelo e ao Medeiros Ferreira. Imagino que as suas recomendações sejam bem mais interessantes...
2 life

Enfim, que dizer?
Esta candidatura «é muito à frente...»
Lisboa, Cidade Cri@tiva.
No próximo dia 7 de Julho às 14.30h vamos ter um café-debate sobre Lisboa Cidade Criativa, no Maxime! Junto em anexo o convite. Esta iniciativa conta com a dinamização do António Câmara, do João Caraça, do Henrique Cayatte, do Gustava Cardoso e de muitas outras pessoas ligadas à Sociedade do Conhecimento e da Informação, das Indústrias Criativas e do Conhecimento e pretende ser um espaço aberto à discussão de ideias e propostas para transformarmos Lisboa numa cidade mais criativa e atractiva para as indústrias criativas, do conhecimento, do design e da cultura. Participem conosco nesta discussão! Se puderem, confirmem a vossa presença e de mais quem quiser vir!
Beijos e abraços
Graça Fonseca
Sobre os arquivos da CML.
Em comentário a este post disseste:
"Gostava que a candidatura encabeçada por António Costa, tal como todas as outras, se pronunciasse sobre o escândalo de o Arquivo Histórico Municipal de Lisboa continuar encerrado ao público há cerca de cinco anos (aniversário no próximo mês de Outubro!), contrariando o direito de acesso dos cidadãos aos documentos e à informação histórica. Importa lembrar que se trata da memória política e institucional da Câmara Municipal de Lisboa e da memória social da Cidade."
Vi, mais tarde, que tinhas desenvolvido a ideia no Peão.
Como sabes o tema que trazes a debate é-me muito querido. Não só por trabalhar em História, por ser investigador ou por ter investigado (e trabalhado) sobre a História de Lisboa (onde consultei, muitas vezes, o Artigo do Alto da Eira). É por considerar que uma cidade que não trata do seu passado não tem presente nem pode ambicionar ao futuro.
No muito que tenho ouvido, no decurso desta pré-campanha, a ideia de tornar Lisboa uma cidade agradável á investigação científica é algo muito atraente e que tem feito o seu caminho no discurso político de alguns candidatos, em especial de António Costa. Agora, vamos ter de nos batermos (eu vou) pela não restrinção a ciência apenas às ciências exactas. Temos de fazer prevalecer a mais valia das ciências sociais, em especial as ciências históricas e documentais (importantíssimas na manutenção e na projecção – cultural, mas também política e económica – de Lisboa como cidade global). Temos de saber vender a História (velha discussão).
Levantas algumas boas questões, vou tentar responder a algumas (em nome próprio).
1. Não me parece prioritário a construção de um edifício central no Vale de Santo António. Parece-me mais eficaz ver, no edificado camarário existente, a possibilidade de poder apresentar uma solução mais válida que um novo edifício.
2. Levantas a questão da brevidade de resolução do problema, e deixa-me dizer-te que prefiro que se pense primeiro no que se vai fazer, do que comprar soluções de pacote, prometer obras e transferências milagrosas. Não se pode repetir o exemplo da Hemeroteca. Tem que se elaborar um plano, articulando todas as entidades interessadas na boa solução: CML, investigadores, Universidades e Centros de Investigação, os utilizadores comuns e o próprio Estado.
Há inclusive um Gabinete de Estudos Olissiponenses. O que faz? Não devia ele coordenar tudo o que respeitasse a estas necessidades? Que estudo fazem lá para o palácio do Beau Sejour?
Pergunta-se sempre o que é que a CML pode fazer pelos investigadores, e o que é que os investigadores podem fazer pela CML?
Uma nova cidade.

6. Como exemplo, eis a divisão em 4 Bairros, existente no Estado Novo:
1.º BairroAnjos, Castelo, Coração de Jesus, Encarnação, Graça, Madalena, Mártires, Mercês, Pena, Sacramento, Santa Catarina, Santa Engrácia , Santo Estêvão, Santiago , São José, São Mamede, São Miguel, São Nicolau, São Paulo, São Vicente de Fora, Sé, Socorro, Santa Justa e São Cristóvão e São Lourenço
7. E que este seja apenas o inicio dos trabalhos.
quarta-feira, julho 04, 2007
Nascido a 4 de Julho
Daí para cá ganharam duas grandes guerras (ajudaram a ganhar, principalmente a segunda), provocaram uma grande depressão, ganharam uma guerra (fria) ideológica, levaram-nos novamente à euforia do consumo e puseram-nos à beira de um ataque de nervos, só para falar de “situações em grande”. O que é certo é que (mais uma vez) para o bem ou para o mal, são o grande farol do mundo contemporâneo, como antes o foram Roma, Grécia ou Egipto. Estão baseados noutros pressupostos (o dinheiro em vez da cultura) mas o que é certo é que, hoje por hoje, são eles que comandam a cena internacional, são eles de quem se espera a resposta final, são eles que representam o sonho de muita gente no mundo. O tão famosos “American Dream”.
Hoje é 4 de Julho. E, como alguém disse, faz hoje 231 anos que começou a modernidade política.
"Mãos ao alto, a Chueca é um assalto!"
O Europride em si é o exemplo máximo deste estado de coisas: com quase nada de política ou reivindicação, parece uma ode ao dinheiro e ao consumo e à confusão instalada entre emancipação e capacidade de consumir, uma catedral de corpos masculinos (eles rendem sempre mais dinheiro do que elas), todos iguais, musculados pelos mesmos ginásios, como se talhados a plástico e produtos de beleza para parecerem qualquer coisa como "verdadeiros gays", com o comércio a definir identidades em vez das pessoas, como se o "gay" se definisse pelo que veste e consome. Enormes camiões TIR de todo o tipo de marcas e projectos comerciais, todo o tipo de multinacionais vestidas de arco-írios e transfiguradas em "amigas" dos gays, o camião do google a perguntar se já comprámos o nosso não-sei-o-quê, a Coca-cola a dizer-nos que os gays é aquilo que bebem (ou então não são gays?), numa espécie de mundo rosa em que supostamente já não há discriminação, mas tudo se compra e vende (até o direito a ser-se gay) e se conclui que quem não compra não ganhou ainda o direito à não-discriminação. Um circo? Foi a melhor palavra que nos ocorreu: um grande, grande circo.
Divulgação
Ler
Mark Kirby, Helena Roseta e o PS, in Costa do Castelo.
.
Quando tudo apontaria para que o PS revelasse uma natural dificuldade em lidar com a candidatura de Helena Roseta, eis que a realidade demonstra que é Helena Roseta que tem uma enorme dificuldade em posicionar-se face ao PS.
Os desgraçados dos adolescentes (tantas vezes chatos, inconvenientes e irritantes, é verdade) são uns seres da terra de ninguém. Não são pequenos nem grandes. Para mais, não votam…
Mas eu gosto dos tipos, divertem-me. E “amar é amar com e não apesar de”, como dizia a Yourcenar.
Uma nova cidade.
Continue a ler aqui, no Costa do Castelo.
Apoio

terça-feira, julho 03, 2007
Memória da Memória

Silly Season
Comentário
O Sérgio pede-me para poder colocar o seu comentário na caixa de comentários da «Loja». Eu acho que ele merece estar no corpo principal. Reproduzo:
Estou de acordo também com os bons sinais que referes quanto a lisboa e aos candidatos que estiveram nos eventos. Creio que realmente temos hoje sinais de um início de quebra do isolamento social desta comunidade, a par de um tímido processo de institucionalização que o movimento há muito desejava. E que há-de ter processos contraditórios, naturalmente, uns bons e outros maus (do meu ponto de vista pessoal), uns de transformação e outros de acomodação, - mas isso sou eu que luto menos por uma integração da comunidade lgbt na realidade social que existe, e mais por transformar a realidade social que existe, e que é estruturalmente opressora da diferença - , a ponto de não fazer sentido distinguir entre lgb's e hetero, ou entre homens e mulheres biológicos e as pessoas transgénero. Esse é o meu sonho. Aprecio o teu optimismo, mas acho que não é para daqui a 10 anos, nem é um processo fluido que à semelhança dos deterministas históricos possamos pensar que irá sempre na direcção correcta, mas acho que esse optimismo nos é indispensável de qualquer forma para continuarmos a fazer o que tem de ser feito por esta causa. Da qual és já um activista :), e da qual cada vez mais pessoas o vão sendo, independentemente da sua orientação sexual. Disso não há dúvidas, e que a relação de forças entre a discriminação e a abertura tem mudado radicalmente. Assim continue :), e em grande medida depende de nós.
Se tiveres a gentileza de me mandar o link do teu blog, de bom grado coloco lá este comentário :)
Um abraço para ti e obrigado pelo texto.
sérgio vitorino
O Pinto e os Gatos
segunda-feira, julho 02, 2007
CONVITE
Open Your Eyes!
We are calling on everyone to not just consider this a matter for politicians and social workers. All of us need to open our eyes to the secret suffering of children. What about you?
Open Your Eyes!






