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segunda-feira, novembro 12, 2007

A ver...

Teatro Taborda - Teatro Clip

8 de Novembro a 2 de Dezembro 4ª a Domingo 21H30

Teatro-clip é a nova peça do Teatro da Garagem, escrita e encenada por Carlos J. Pessoa. O conceito formal que atravessa as diferentes histórias desta peça é, como se deduz do título, o conceito de clip, ou melhor, de video-clip. Um video-clip é um número musical acompanhado de imagens que suportam, interpretam, exemplificam ou contradizem esse número musical, socorrendo-se para isso de características, mais ou menos comuns, a todos os video-clips: o ritmo descontínuo e fragmentado das imagens (clip significa corte); a coexistência de diferentes planos temporais e de acção; a repetição de um leit-motiv; a urgência de uma mensagem iconográfica e sonora e de uma paisagem emocional que, embora ambíguas ou não directas, se apresentam e experienciam num curto espaço de tempo, num instante ou momento. São estas ideias que conferem uma unidade formal e conceptual aos diferentes clips de Teatro-clip que, não obstante serem suficientemente autónomos entre si, apresentam, no entanto, um nexo comum, isto é, todos eles se constituem, de algum modo, como histórias de amor, através de um estilo que se aproxima mais do registo poético do que do registo dramático. Teatro-clip é, por isso e sobretudo, uma genealogia do que pode ser amar ou ter um projecto, que é outra forma de dizer, que o simples acto de viver e realizar acções constituem um acto de amor, mesmo que isso, às vezes, implique a morte, a espera, a ingenuidade, a angústia, a dúvida, a recusa, o êxito, a loucura desmedida e a surpresa de cada dia, que assegura a nossa existência aqui e agora.

David Antunes

Durante hora e meia, viajamos por um mundo de pequenos recortes da realidade, a qual é transportada para o espectador de uma forma muito dinamica...

Gostei...

Preçário
Teatro Taborda
10€ Público Geral
5€ Estudantes <26> 65 anos Prof. Espectáculo Grupos > 10 Pax
2,5€ Residentes na zona
Estudantes das Artes do Espectáculo
Condições especiais para os Amigos da Garagem

sexta-feira, outubro 12, 2007

«A Desobediência» estreia no Trindade

A notícia não é minha (já não me lembro de onde a tirei...), mas, como aqui referi, fui à estreia. Vale muito a pena, mesmo!
Em breve uma pequena crítica.

«A Desobediência», peça de Luiz Francisco Rebello sobre o cônsul português em Bordéus Aristides de Sousa Mendes, que salvou 30 mil judeus passando-lhes vistos contra as ordens de Salazar, sobe hoje à cena no Teatro da Trindade.
“Uma ficção dramática sobre uma história autêntica”, como diz o encenador, Rui Mendes, esta peça, escrita em 1995 e baseada no livro de Rui Afonso «A Injustiça – O caso Sousa Mendes», “não pretende ser teatro histórico, mas sim teatro político e popular, na melhor acepção dos termos”.
A acção situa-se no Verão de 1940, quando as tropas nazis invadiram a França e a salvação de milhares de judeus na Europa dependia de um visto de trânsito para um país neutro.Dividido entre a sua consciência e o cumprimento das ordens dadas por Salazar, Aristides de Sousa Mendes decidiu desobedecer ao ditador, o que resultou na salvação de 30 mil pessoas e no seu afastamento definitivo da carreira diplomática.
“Todos eles são seres humanos e o seu estatuto na vida, religião ou cor são totalmente irrelevantes para mim (...) Eu sou cristão e, como tal, acredito que não devo deixar esses refugiados sucumbir. E assim, declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça” – nestes termos se defendeu o cônsul português das acusações que o Estado Novo lhe dirigiu na sequência dos acontecimentos de Junho de 1940.
“Se outra valia não tiver – escreveu Luiz Francisco Rebello no texto de apresentação da peça – valerá como a simples homenagem de um simples dramaturgo português da segunda metade do século XX a um dos grandes portugueses desse século, que ousou desobedecer num tempo em que se exigia dos homens obediência cega”.
Depois de ser condenado à inactividade num processo disciplinar viciado, de estar arruinado e impedido de exercer a advocacia, Sousa Mendes viu-se obrigado a recorrer à caridade para sustentar a numerosa família.
Criado após a Segunda Guerra Mundial para julgar os crimes cometidos pelos nazis, o Tribunal de Nuremberga estabeleceria que ninguém pode atentar contra os valores humanos sob o pretexto da obrigação de cumprir ordens.Com interpretação de Rogério Vieira, no papel do cônsul português, Carmen Santos, Diogo Amaral, Igor Sampaio, Joana Brandão, João Didelet, José Henrique Neto, Marques d’Arede e Rita Loureiro, entre outros, «A Desobediência» estará em cena até 25 de Novembro, na sala principal do Teatro da Trindade, de quarta-feira a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h00.
No mesmo espaço, decorrerá um ciclo de actividades paralelas com entrada gratuita, intitulado «Desobediências», que pretende “enquadrar a apresentação do espectáculo” e incluirá artes plásticas, uma mostra de cinema intitulada «Histórias de Resistência», vídeo e actividades lúdicas e expressivas para estudantes, já que Aristides de Sousa Mendes é uma figura estudada em vários programas escolares, nomeadamente nos 6.º, 9.º e 12.º anos.
Estão ainda previstos o lançamento de um blogue, cujo objectivo será actualizar a informação e referir temas relacionados com o ciclo, e várias sessões públicas de debate

quarta-feira, outubro 10, 2007

Eu vou à estreia. É amanhã.


Texto via PS Lumiar
O INATEL, através do Teatro da Trindade, leva a efeito um conjunto, diversificado, de iniciativas que visam recordar e homenagear Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em França, Bordéus, durante um dos mais negros períodos da história europeia, o regime nazi de Hitler.
A peça teatral, “A Desobediência”, de Luís Francisco Rebelo encenada por Rui Mendes sai, mais uma vez, à cena entre 11 de Outubro e 25 de Novembro, na Sala Principal do Trindade.
Um inédito ciclo de cinema, sobre historias da resistência, ilustrativas daquele conturbado período e conflitos, é também ali levado aos écrans nos dias 16, 23, 30 de Outubro e 6, 13 e 20 de Novembro.
Por outro lado está aberta, permanentemente, a exposição cujo tema genérico é “A Acção Humanitária de Aristides de Sousa Mendes”, até 25 de Novembro no Salão Nobre do Teatro, bem como um painel de exposição colectiva intitulado “memorial da Desobediência de Aristides de Sousa Mendes”.
Também, entre 11 de Outubro e 25 de Novembro são promovidas, às Terças e Quintas pelas 15h00, conferencias versando sobre a actividade desenvolvida pelo cônsul, seu significado e importância para a liberdade individual dos que ajudou a libertar e liberdade colectivas dos povos, enquanto diversidade de culturas, mosaico de que, sobretudo, a Europa é constituída.
Aristides de Sousa Mendes “desobedecendo” às orientações diplomáticas que o regime de Salazar (para os que viveram aquele tempo) lhe ditava permitiu a fuga a muitos milhares de refugiados que de outro modo teriam tido como destino certo os campos de concentração nazi.
Como ele próprio afirmou “ todos eles são seres humanos e o seu estatuto na vida, religião ou cor são totalmente irrelevantes para mim. Alem disso as cláusulas da constituição do meu país relativas a casos como o presente dizem que em nenhuma circunstância a religião ou convicções políticas de um estrangeiro, o impediriam de procurar refúgio no território português. Eu sou cristão, e como tal acredito que não devo deixar esses refugiados sucumbir. E assim, contra ordens que, em meu entender, são vis e injustas, declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que seja que o peça”.
Como é do conhecimento público, uma posição de tão elevada coerência e verticalidade de carácter, custou ao cônsul e sua família a ruína, a completa marginalização e abandono por parte do regime ditatorial de Salazar e Caetano.
Mesmo a democracia, que em muitas coisas deveria ser mais avisada e menos distraída, só o veio a reabilitar em 1987, treze anos depois da revolução de Abril.
Eu diria mesmo, a democracia não o reabilitou, de todo, na medida em que o seu exemplo raramente é seguido. Tem-se perdido muito de verticalidade, de coerência de princípios que deveriam ser elementos da teológica formação do povo português e de práticas de Homens impolutos.
Está, pois, de parabéns o INATEL ao recordar e homenagear, além da pessoa, o seu carácter e princípios que a democracia, mais do que qualquer outro regime, deveria ensinar nas escolas e universidades, enunciar nas praticas, e cultivar na sociedade.
EBranquinho

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