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quinta-feira, setembro 04, 2008

terça-feira, agosto 26, 2008

Resposta ao contraditório

Rui,

Desde que escreveste este texto que espero por uma boa oportunidade de te responder. Queria te dizer que é necessários que existam Marcos Fortes. E Nelson Évora. E Vanessas e Pedros e Saras. Que o desporto Olímpico não se resume à conquista de medalhas, nem à mentalidade ganhadora que referes.
Não pode. E não se pode argumentar que o desporto hoje é profissional, de que todos pagamos para que exista delegação olímpica. Fazê-lo seria não entender a ideia de que o desporto deve ser natural à existência humana nas suas diferentes dimensões. Para muitos importa a prática desportiva, para alguns a competição, para poucos as vitórias (outros ainda vagueiam entre esta tipologia).
É necessário ter em consideração estas dimensões para que o debate sobre as políticas de desporto em Portugal (existem?) possa ser prospectivo. Faz sentido pedir uma medalha ao Marcos Fortes? Claro que não. Mas a sua presença em Pequim possibilitou que um miúdo de 15 anos da Reboleira pense que pode ir a Londres em 2012. Isso já é uma vitória.
Entretanto, é necessário distinguir bem entre o que consideramos ser o desporto de manutenção, de prospecção e de competição (e dentro deste o de alta e o de média competição).
Desporto de manutenção deve ser o que é promovido individualmente com o propósito do desporto em si, da melhoria ou manutenção da nossa condição física. Deve ser essencialmente privado, se bem que possa ser promovido institucionalmente (pelo Governo, por Câmaras Municipais, Clubes desportivos, etc).
A dimensão prospectiva é o interface entre a prática desportiva casual e a competitiva; e devem existir mecanismos para bem identificar os que apresentam talento para o desporto de competição. Aqui a prestação institucional é mais premente, dos Clubes Desportivos e Câmaras Municipais ao Governo e às Universidades. Julgo que este interface ou não existe, ou não funciona ou não produz resultados.
Por fim, o desporto de competição deve funcionar com métodos e meios claros e definidos. Porque não construir um fundo desportivo (ou fundo olímpico) com dinheiro do Futebol (que também é desporto olímpico)? Podia-se taxar os jogadores a sério e essa contribuição ficaria anexada a esse fundo desportivo, para ser gasta no planeamento da actividade desportiva profissional. Outra ideia é a preparação de médio prazo, ou seja, em vez de se pensar apenas na olimpíada seguinte (Londres 2012) ter a capacidade de ambicionar mais além (2016). Isso significaria que teria de ser criada uma política desportiva e de recrutamento que permitisse captar novos valores (que terão 20 anos em 2016 e que agora estarão entre os 8 e os 12 anos) e não apenas que o trabalho se processe em quem já demonstrou capacidades (que é o que vai acontecer para 2012).
Temo que enquanto se pensar exclusivamente no futuro próximo, que enquanto não existir uma nova geração de dirigentes (desportivos e políticos) pouco se possa esperar, globalmente, do desporto em Portugal. É essa a mentalidade que tem de mudar, Rui; e não a de muitos atletas (mas isso já é outra conversa).

(Ah, comecei a escrever este texto com a intenção de remeter para a última crónica do Rui Tavares sobre o Marco Fortes algumas das minhas preocupações sobre política desportiva. Acidentalmente escrevi alguns parágrafos, mas não deixo de recomendar o Rui. Esta cada vez melhor).

quarta-feira, agosto 20, 2008

Ecos (revisto)

1. Tenho seguido com vontade os Jogos Olímpicos. São, devo dizer, uma paixão de miúdo (e um sonho que quando vejo tipos de 40 anos a ganhar medalhas ainda imagino poder cumprir). Vi a natação e terminei hoje de ver a ginástica. Já viram a equipa feminina chinesa? Duvido que alguma das suas atletas possa ter 12 anos, quanto mais os 16 requeridos para os olímpicos (confirmem CHENG Fei, DENG Linlin, HE Kexin, JIANG Yuyuan, LI Shanshan, YANG Yilin).

2. Recentemente dei conta que o tema da idade das ginastas chinesas está a ser alvo de alguma polémica, bem como a questão da arbitragem. É verdade que a fonte sofre de um hiper-americanismo evidente, mas não deixei de notar durante a competição que algumas notas terão sido...injustas. A verdade é que as alterações das pontuações (que privilegiam os níveis de dificuldade em detrimento da sua execução) justificam a existência de campeões com quedas e negam (julgo) qualquer teoria da conspiração. Agora, que faz confusão ver uma jovem de 18 anos a competir com uma de 8 (ou 10 ou 12), faz…

terça-feira, agosto 19, 2008

Parece um relógio suíço

Naide Gomes após um salto que, vá lá, não falhou!
Quando chega a hora da verdade, nunca desilude: Falha sempre! Tão certo como um relógio suíço.


P.S. - Agora chega a Portugal e começa a reclamar com a falta de condições para treinar, com a falta de apoios, etc...

quarta-feira, agosto 13, 2008

Portugal & China

A presença portuguesa nos Jogos Olímpicos assemelha-se a parte da cerimónia de abertura dos JO: não está a acontecer.
Aqui um blogue sobre a participação lusa em Pequim.

sábado, agosto 09, 2008

Olympics 2.0



















1. Cerimónia

Os jogos da XXIX Olimpíada começaram com uma cerimónia de abertura espectacular. Já se antevia que os chineses, com a sua leitura própria da contemporaneidade e da tradição, aliada à experiencia na organização de grandes eventos de (e para) massas, elevassem o conceito das cerimonias a um outro patamar, entrando estes espectáculos verdadeiramente no século XXI.
Tenho para mim que a melhor cerimónia de abertura foi a de Barcelona 92 (a dos Fura del Baus), pois soube aliar a criatividade à espectacularidade do evento catapultando, definitivamente, a Espanha para o palco mundial. Neste sentido, a cerimónia de 2008 não foi tão criativa (no sentido teatral), preocupada que estava, em minha opinião, em demonstrar que a síntese entre o passado e o futuro, entre a tecnologia e a tradição, entre o desenvolvimento sustentável e a persecução da Paz no mundo é liderada pelo Império Chinês, e não por qualquer potência ocidental.
Esse objectivo foi conseguido, com um conjunto de quadros muito bem conseguidos do ponto de vista cénico (o dos tambores iniciais ou o dos caracteres, por exemplo); do ponto de vista criativo (o da papiro pintado pelos bailarinos) e do ponto de vista tecnológico (os quadro que mostra os anéis olímpicos no centro, ou o do rolo de papiro, etc). O exemplo mais conseguido é o do percurso final da chama olímpica, que culmina com uma espectacular volta ao estádio não ao nível do solo, mas percorrendo a lateral da cobertura, confirmando que os heróis de Shaolin sempre existiram. O quadro final mostrava que a modernidade chinesa se desenrola bem fora dos conceitos tradicionais ocidentais, como o afirma o simbólico triunfo sobre a gravidade, demonstrando que a China quer ser, definitivamente, a potência hegemónica do século XXI (e já não o é?).










2. Política

Muito se tem referido em relação aos aspectos políticos dos jogos, as questões do Tibete, dos Direitos Humanos e das liberdades políticas. Bom, em primeiro lugar, não me lembro de assistir a uns jogos olímpicos onde a política estivesse ausente (como bem assinala a Joana Lopes no excelente caminhos da memória).
Em segundo lugar o movimento olímpico nunca impôs condições de democraticidade nem aos seus membros nem aos participantes dos jogos. Fazê-lo seria assumir um espaço que não é seu, nunca foi, e apresentar o Comité Olímpico Internacional como uma instituição que assumisse as verdadeiras consequências políticas do desporto, o que também nunca fez.
Por fim, basta recordar os frequentes escândalos que envolvem o COI para perceber que não há nenhum interesse em reclamar democracia ou respeito por direitos humanos. Não são os seus dirigentes (internacionais e nacionais) regularmente acusados de corrupção, de falta de legitimidade democrática e de transparência? Quem «elege» os representantes do COI? Quem decide onde se realizam os jogos? Que gere os milhares de milhões de euros que envolvem os jogos? Quem controla o COI? Ou o COP?). Talvez não fosse má ideia se antes de se pedir legitimidades externas houvesse a preocupação de exigir um melhor escrutínio interno.

(A continuar)



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