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sexta-feira, novembro 12, 2010

Duas maneiras de dar um título à mesma notícia

De um lado temos a notícia pequena: "Portugal cresce 0,4% no terceiro trimestre".

Do outro a notícia grande: "Economia portuguesa cresce 1,5% no terceiro trimestre".

Depois a notícia começa da mesma maneira:"O PIB português cresceu 1,5 por cento no terceiro trimestre de 2010, quando comparado com igual período do ano anterior. Face ao trimestre anterior, o aumento foi de 0,4 por cento".

Mas a perspectiva do órgão de comunicação social que dá a notícia em relação ao governo é diferente. De um lado (na notícia pequena) ficamos com a clara sensação, principalmente se não lermos o corpo da notícia, que a economia entrou em clara desacelaração. Do outro (na notícia grande) ficamos com a ideia de que a economia manteve o rumo do restante ano.

Assim sendo, e uma vez que ambas as notícias, no seu corpo, são identicas, qual o órgão de comunicação social que está correcto? E qual seria a forma de dar um título completamente isento? Seria possível?

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Mário Crespo

Mário Crespo denunciou ontem uma alegada conversa entre o Primeiro-Ministro José Sócrates, o Ministro Pedro Silva Pereira, o Ministro Jorge Lacão e um Executivo de televisão passada ao almoço no passado dia 26 em que os governantes terão tecido comentários pouco ou nada abonatórios sobre a sua pessoa, e onde teriam chegado a falar de como seria possível afastá-lo do ar. A ser verdade, e não estou com isto a dizer que é ou que não é, a situação é de uma gravidade extrema: temos um governo a discutir como silenciar uma voz incómoda. Uma situação que não se deseja nem para a Venezuela ou China, muito menos se deseja para Portugal.

Mário Crespo é um jornalista de causas, uma espécie que não tem grande escola em Portugal. Como qualquer jornalista de causas, pode ser extraordinariamente incómodo para o poder instituído, ou extremamente benéfico para o mesmo, conforme esteja contra ou a favor desse mesmo poder. Mário Crespo nunca escondeu a sua opinião em relação a este governo, ou ao anterior. Não deixou, contudo, de ser dos jornalistas mais isentos aquando da divulgação de notícias ou mesmo quando fazia entrevistas. Mas mantinha, como era sabido, uma coluna de opinião no JN, onde criticava o governo livremente. Mas essa é a essência de uma coluna de opinião. Por isso, não estranho, até porque acompanhava com alguma regularidade essa coluna, que o artigo de opinião agora censurado tenha aparecido no Instituto Sá Carneiro.

Nesta história toda, quem quer acreditar em Mário Crespo, acredita. Quem não quer, não acredita. O que eu não percebo é que o homem que é tão frontal e corajoso na denúncia deste caso, nomeando os governantes envolvidos, não consiga nomear o executivo da televisão.

Mas quero acreditar que só não o fez porque a sua fonte não lhe soube dizer quem era!

terça-feira, julho 07, 2009

Todos Iguais?

Agora que se está a entrar na pré “silly season” campanha eleitoral, não deixa de ser interessante verificar a imagem que a imprensa potencia de cada partido, nomeadamente dos dois maiores.

Depois de muito criticada pela leviandade com que permitiu que Elisa Ferreira e Ana Gomes fossem candidatas a mais que um órgão, a direcção do PS decidiu não permitir que tal aconteça nos próximos actos eleitorais. Como diz o Luís e bem, o PS aprendeu com o erro e corrigiu-o. É um assunto polémico internamente? Certamente que é. Vem daí algum mal? Não. Se eu preferia que Miguel Coelho ou Leonor Coutinho estivessem calados? Sim. Mas não estão e como felizmente o país e o PS têm essa coisa a que se convencionou chamar Liberdade de Expressão, todas as pessoas são livre de a utilizar.

terça-feira, maio 26, 2009

Será?

Anda uma pessoa entretida uns minutos pela blogosfera e, de repente e sem aviso, dá com um blogue que é construído com base na ideia de que a imprensa não é assim tão livre e que, principalmente, tem uma agenda oculta. Imagino que se devam estar a perguntar: "Qual foi o blogue de amiguinhos e/ou boys do governo onde encontraste isso?"
Bom, o blogue é o Mitos Climáticos, onde cheguei pelo O Insurgente, insuspeito em relação a estas coisas de ser amiguinho e/ou boy do governo.
Mas deve estar aqui qualquer coisa errada, uma vez que a imprensa não tem agenda, como ouvimos reclamar à cerca de um mês atrás, por causa das acusações de José Sócrates.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Inocente até prova em contrário

O Correio da Manhã de hoje prejudica imenso a já muito debilitada imagem da justiça. Ao dar destaque de primeira página às declarações de Catalina Pestana (que revelam um desconhecimento que não julgava possível a uma pessoa que foi provedora da Casa Pia), demonstra que o único objectivo é vender o seu produto, e não a verdade.
Catalina Pestana demonstra a sua falta de conhecimento com o que diz, o Correio da Manhã a sua ética.
Fica a informação para Catalina Pestana: no nosso sistema judicial, uma pessoa é inocente até prova em contrário.
Para o Correio da Manhã fica o pedido: Informe o seu público, não se limitem exclusivamente a vender!

sexta-feira, agosto 22, 2008

Vergonha



Esta capa é uma verdadeira vergonha. Num dia em que se conquistou a quarta medalha de ouro olímpica para o país, o destaque do Record é... uma entrevista ao Reyes.

Vergonhoso!!!

quinta-feira, outubro 11, 2007

A ler...


...o recente texto do Daniel Oliveira, em réplica ao Pedro Marques Lopes. Debate-se sobre a imprensa em Portugal.

Gostava de poder ter tempo para acrescentar alguma ideia refletida ao tema. Nao tenho (tempo, não ideias). Deixo um excerto do Daniel:

O Pedro que pense nisto: porque não sobrevive nenhum jornal de esquerda em Portugal e há vários de direita, quando pelo menos metade dos portugueses e dos leitores são de esquerda? Os leitores de esquerda compram, dão lucro, vêem a publicidade. O que falta? Falta a «outra coisa qualquer».
Mesmo nos pequenos projectos, a verdade é que, num mercado reduzido como o português, a direita consegue o mínimo dos mínimos para ter investidores. Muitas vezes o investimento é pouco para quem o dá mas tudo para quem o recebe. O mecenato ideológico é uma realidade que demonstra que há no mundo do dinheiro mais mundo que o dinheiro.

Podem ler o texto na íntegra aqui.

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