quinta-feira, agosto 09, 2007

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By Paulo Dias

Reprodução



Francisco Almeida Leite in Corta-Fitas.

António Costa escolheu para vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa o simpático Marcos Perestrello. Escolhido para super-vereador (durante a campanha foi anunciado que teria a pasta do Ambiente, só que esta acabou por ser negociada com Sá Fernandes) este licenciado em Direito nunca exerceu advocacia por ter andado sempre nos gabinetes ministeriais de Guterres, tendo depois passado para o Parlamento, onde não se lhe conhece uma intervenção digna de registo, sob o consulado de Sócrates.
Para além de ser o primeiro "costista", o secretário-nacional do PS para a organização, vulgo o aparelho, dá um salto de gigante dos gabinetes e da última fila na Assembleia da República, onde repetidamente se sentava, para a ribalta política como número dois da maior câmara do País.
Como disse, e repito, acho que Marcos Perestrello é simpatiquíssimo. É fino no trato, bem educado, coisa rara entre os políticos da praça de hoje em dia, e repetem-me à exaustão que é inteligente e um valor socialista a acompanhar. Tem só 36 anos, também não acho que a idade possa ser apontada como factor de risco nesta indigitação.
É do lado de António Costa que vem o problema. O presidente da CML foi eleito com a tal "equipa" pluridisciplinar, onde pontificavam o arquitecto com mais obras assinadas na capital (Manuel Salgado), uma senhora autarca repescada às hostes de Manuel Alegre (Ana Sara Brito) e não é que quem é o número dois é o jovem Perestrello?
Será que António Costa prefere não se entregar totalmente a quem é mais experiente e jogar pelo seguro, com uma pessoa que sempre dependeu de si política e profissionalmente? Ou terá deixado metade do seu exército no Governo e no PS, para quando for preciso dar o golpe na guerra da sucessão a Sócrates, lá para 2013?
É bom lembrar que nos últimos anos o lugar de "vice" da CML deu quase sempre para uma entrada directa no hall of fame da política lusa: João Soares foi vice de Sampaio e chegou lá; Carmona foi vice de Santana e, mal ou bem, também chegou lá. Atenção à navegação de Perestrello, portanto.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Leituras daqui e dali...


A baixa da capital estava bloqueada por uma visita do presidente americano e Gustavo Selva, veterano membro do Senado, estava atrasado para chegar a uma entrevista na televisão. Confrontado com tão ignóbil contratempo para alguém do seu estatuto, o senador chamou uma ambulância e deu indicações para o levarem à morada do seu "cardiologista", que era, claro, a morada do estúdio de televisão, onde a sua augusta pessoa prontamente relatou o episódio, no ar e em directo, elogiando a sua própria capacidade de desenrascanço.

João Gato in Boina Frigia


Lincoln relembra-nos que o conservador é aquele que vive no meio da tensão permanente entre o poder político e o direito natural. A vida civilizada depende do equilíbrio entre estas duas margens. O conservador é o seu guardião. É a terceira margem, algures no meio do rio. É assim este bicho estranho, o conservador ou, como se diz deste lado do atlântico, o conservador-liberal. Alguém que, não negando os lúciferes e demais arcanjos mal dispostos, está sempre à procura dos «better angels of our nature» (p. 155).

Henrique Raposo in Atlantico

Claro como a água

Claro meu caro Paulo que quem devia ter assumido um papel de grande desgaste e exposição, para já não falar de responsabilidade, numa CML tão exposta e tão política devia ser quem menos experiencia tem, quem menos estaleca política tem...
[adenda]
Quem é que deveria acumular os pelouros? A Rosália Vargas?
Sobre independentes... ainda acredita que existem?
Deixe-me adivinhar... o Paulo é.... Independente?!

terça-feira, agosto 07, 2007

Musica para teses


Pelouros na CML. O super-vereador

O vereador da Câmara de Lisboa Marcos Perestrello vai assumir a vice-presidência da autarquia e os pelouros da Higiene Urbana e Espaço Público, Desporto, Obras Municipais e Mercados, revelou à Lusa o gabinete da presidência.
De acordo com a distribuição de pelouros, o presidente da Câmara, António Costa (PS), passa a deter os pelouros da Segurança e Actividades Económicas, conforme anunciou durante a campanha eleitoral, e Marcos Perestrello, eleito em quarto lugar na lista socialista, aparece como um «super-vereador».
Sob dependência de Marcos Perestrello ficará a EMEL (Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa) e a EMARLIS (Empresa Pública Municipal de Águas Residuais de Lisboa), a ligação entre a Câmara e as juntas de freguesia, a ligação à SIMTEJO, à VALORSUL e ao MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa).
O vereador fica com a tutela do Departamento de Segurança Rodoviária e Tráfego, Direcção Municipal de Ambiente Urbano, com excepção do departamento de Ambiente e Espaços Verdes, Direcção Municipal de Projectos e Obras, Departamento de Abastecimentos, Departamento de Desporto Social da Direcção Municipal de Acção Social, Educação e Desporto.
O presidente, António Costa, terá sob a sua dependência a Polícia Municipal e o Regimento de Sapadores Bombeiros, Direcção Municipal de Segurança e Tráfego, com excepção do Departamento de Tráfego, o Turismo de Lisboa e a LISPOLIS (Associação para o Pólo Tecnológico de Lisboa).
São igualmente da tutela de António Costa, o Gabinete de Auditoria Interna, Departamento de Apoio à Presidência, o Departamento de Apoio aos Órgãos do Município, Direcção Municipal de Actividades Económicas, com excepção do Departamento de Abastecimentos.
O vereador Manuel Salgado acumula com o Urbanismo, que já tinha sido anunciado ficar sob a sua tutela, Planeamento Estratégico, a EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) e as Sociedades de Reabilitação Urbana (SRU).
Eleito em segundo lugar na lista do PS, Salgado ficará com a Direcção Municipal de Planeamento Urbano, Direcção Municipal de Gestão Urbanística, Direcção de Conservação e Reabilitação Urbana e Departamento de Planeamento Estratégico.
O vereador Cardoso da Silva, o detentor anunciado do pelouro das Finanças, ficará igualmente responsável pelos pelouros do Património e Recursos Humanos e a tutela das finanças de todas as empresas municipais e participadas.
São da sua competência as direcções municipais dos Serviços Centrais, Recursos Humanos, Finanças, o Departamento do Património Imobiliário e a AMBELIS.
O pelouro da Cultura ficará com a vereadora Rosália Vargas, que também é responsável pela Educação e Juventude.
A Empresa de Gestão e Equipamentos Culturais (EGAC), a Orquestra Metropolitana de Lisboa e as direcções municipais da Educação e Cultura ficam igualmente com Rosália Vargas.
A vereadora Ana Sara Brito ficará responsável pela Habitação e Acção Social, a empresa que gere os bairros municipais, GEBALIS, a Direcção Municipal de Habitação, o Departamento de Acção Social da Direcção Municipal de Acção Social e desporto.
Ana Sara Brito, antiga deputada municipal, ficará ainda encarregue da ligação entre a Câmara e a Assembleia Municipal.
O vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, com quem o PS estabeleceu um acordo pós-eleitoral, terá a tutela dos Espaços Verdes e Plano Verde.
Sá Fernandes fica com o Departamento de Ambiente e Espaços Verdes e assuntos relativos ao Plano Verde e com a Agência Municipal de Energia e Ambiente, Lisboa E-Nova.

Via TSF

domingo, agosto 05, 2007

Polémica na cultura


Luis,

Gratos pelas palavras de apreço.
Não entendi a questão da «marcação de agenda». Não penso que me imiscuí nas agendas, pessoais ou colectivas, deste ou daquele blogue. Pelo contrário, pouco me interessam. Também não ando a tentar passar algum tipo de agenda pessoal, não me confundas, por favor, com outros bloggers da praça.
Limito-me a comentar e reflectir sobre o que me interessa, de forma livre e independente. Chateia, para dizer a verdade, que invés de se aproveitar os «casos Dalila» para se debater, de forma responsável, honesta e transparente, Política (com P maiúsculo) se faça deste mais um «número de um circo cada vez mais vazio e balofo». Chateia viver num país de superfície, sem profundidade. Nada se analisa nem se inscreve. Tudo se opina e verbaliza.
Escrevias, num post recente, que tudo hoje é popular, populista, populismo.
Bem sei, e estou farto.
Para quando a qualidade?

sábado, agosto 04, 2007

Diversos




Teste de Verão. Óptimo.

Polémica na cultura (3)

Comunicado de Imprensa do Instituto Português de Museus.

Lisboa. Medida 1

O meu caro amigo Carlos Castro, sobre a primeira medida da «gestão Costa» em Lisboa, a questão dos assessores na CML, deixou o seguinte comentário (no Tugir):

Credibilizar a gestão, assumir transparência

A reunião de Câmara desta manhã, que decorreu à porta fechada, aprovou por unanimidade o limite máximo de 94 cargos, sendo 67 assessores e 27 funcionários administrativos no novo executivo

Primeira boa medida. Depois do descalabro de assessores dos anos anteriores, a gestão socialista da Câmara de Lisboa imprime credibilidade e transparência na gestão municipal. António Costa entra com o pé direito e cumpre, desde já, o seu compromisso com os lisboetas: rigor.

CMC

Meu caro Carlos,
Desculpa a reprimenda, mas sem bons assessores não há eleito que faça alguma coisa... Há vezes que a fuga para o populismo fácil é apenas solução para encher. O rigor está na transparência e na responsabilização da escolha, não no número de contratados.
A vida política tem de se deixar de esconder atras de demagogias faceis (não é o teu caso Carlos, que fique claro) e assumir, definitivamente, o papel que os recursos desempenham. No caso do pessoal auxiliar, qualquer eleito necessita de ter uma pequena entourage consigo. Só assim consegue «produzir» em condições. Agora que se assuma isso, que se tornem transparente os processos de recrutamento do pessoal político e que se responsabilize quer quem contrata, quer quem é contratado.
Agora que não se pense que se faz melhor política sem assessores, adjuntos ou outros nomeados que tal. A boa política faz-se com competência, transparência e responsabilidade.
É aí que está o rigor.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Acordo PS -BE



O Acordo entre o PS e o BE para a governação de Lisboa pode ser lido, na íntegra, aqui.

Estes devem pensar que são portugueses...



Não, espera! Estes ganharam o campeonato do Mundo.

Polémica na Cultura II


Parece que o episódio da Dalila Rodrigues está aí para aquecer a silly season. Pelo menos aqui, aqui, e aqui já vi comentários ao acontecido. Também aqui já opinei, se bem que de leve, sobre o que pensava sobre o tratamento jornalístico dado à situação.
Quero, agora, acrescentar algumas reflexões.
1. Continuo a defender que não estamos perante nenhuma exoneração ou despedimento. A entidade tutelar do MNAA decidiu, com legitimidade, não reconduzir a Dalila no cargo de directora do Museu. É o Ministério da Cultura que tem e define o critério para a recondução ou não dos directores dos museus à sua tutela. Não podemos, com certeza, esperar que o cargo de directora da MNAA seja pessoal e intransmissível, e que a Dalila permaneça no lugar enquanto ela decidir. Não, quem decide é o Ministério. Aqui não há discussão.
2. Agora, põe-se em causa dois problemas: o do critério de avaliação e o da qualidade das políticas culturais.
3. Sobre a avaliação, a Ministra, se quer ser tomada como séria, tem de assumir publicamente o porquê da não recondução de Dalila no cargo. Repare-se que a Ministra da Cultura pode adiantar uma série de considerações legítimas e aceitáveis, desde a quebra de confiança, à mudança de política no Ministério, etc. Não pode é, no meu ponto de vista, ficar calada. Tem de se expor ao escrutínio e à responsabilização. Qualquer Estado democrático avançado é confrontado com as suas decisões políticas. Tem de ser normal e natural que os Ministros expliquem as suas decisões, não numa lógica desculpatória, mas numa atitude responsabilizadora, transparente e activa. Só assim pode a política sair da penumbra dos gabinetes, das decisões escondidas e das suspeita caciquista.
4. A Ministra da Cultura tem toda a legitimidade de ter feito o que fez. Tem é que o assumir, e acartar com a responsabilidade dos seus actos, para o bem e para o mal.
5. Depois há a questão da política cultural seguida por este ministério e este governo. E aqui há muito que criticar. Mas, atenção, a crítica não vem de agora, não é exclusiva a este executivo, nem atinge apenas as políticas culturais do Estado português. A verdade é que não temos política cultural no nosso país. Nem no Estado, nem nas Câmaras. Este é que deveria ser o verdadeiro debate. E neste ponto não vejo intervenções políticas nem «reportagens jornalísticas».
6. Não se entende como é que as Instituições culturais deste país não tem autonomia - artística, financeira e pedagógica – para poderem se desenvolver. Sabemos que para se desenvolver um projecto institucional são necessários vários anos, décadas mesmo, e não é com a permanente instabilidade da incerteza das direcções que se consegue a tal linha coerente que permita o desenvolvimento, crescimento e cimentação das nossas principais instituições culturais (e este é um ponto a favor da permanecia da Dalila).
7. Agora, não chega a estabilidade. Tem de haver objectivos, patamares a alcançar. Tem de haver a capacidade de avaliação do trabalho, e aí poderem ser assumidamente confrontadas as responsabilidades dos diversos promotores culturais, desde directores a chefes de divisão, a secretários de Estado e à próprio titular do cargo da Cultura. E voltamos ao problema da avaliação. Como se faz, quem a assume, quem a defende, quem se responsabiliza.
8. Depois há ainda o problema da centralidade administrativa. Há, geneticamente, neste país, um forte controlo centralista, que alguns – populistas – querem chamar de estalinista e colar à imagem deste governo. Pois este executivo não é diferente do anterior, como não é diferente da antiga governação da CML (para dar dois exemplos) na relação com a descentralização responsabilizada. Não a prática. Ponto. Como não descentralizava Carmona Rodrigues a relação com as Bibliotecas e Museus da cidade de Lisboa. Como não o fazia Pedro Roseta.
9. O problema é do Estado. Do sistema. Porque não confia, não descentraliza, não responsabiliza. Esta é o verdadeiro debate. Não o fait divers da Dalila Rodrigues, independentemente dos méritos que a senhora tenha.
10. Também todo o trabalho que CCB tinha feito nos últimos 10 anos foi deitado ao lixo com a birra do Berardo, e poucos se importaram; também todo o departamento cultural da CML deixou de existir nos últimos anos, e também poucos se importaram.
11. Estamos perante um puro aproveitamento político populista e demagógico de uma situação paralela. Que se debata o que importa, não o que enche o olho.

Lisboa


Voltei a comprar CD's.
Comprei este, de homenagem à cidade de Lisboa.
Vale bem a pena.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Pedro

Viram a última do Pedro?

Polémica na cultura


Parece que a directora do Museu de Arte Antiga não foi reconduzida no cargo. Repito não foi reconduzida. Parece que razões de divergência acerca do modelo de gestão do Museu estiveram na origem da decisão de nomear outra pessoa para a próxima comissão de serviço no museu.

Pergunto: porque é que dizem que a senhora foi afastada? que a expulsaram do Museu? O que será que quer dizer «não reconduzida»?

É impressionante a leitura política, exagerada e manipulativa, que grande parte da comunicação social dá a estes casos. Já lá vem , outra vez, os «estalinistas» os «pensamentos únicos».

Será que deverá ser o Estado obrigado a reconduzir quem não partilhe dos elementos básicos de articulação institucional instituídos? Não estará esta senhora a ser, também, manipulada? Para se tornar mais uma «vitima do estalinismo socialista».

Ridículo, totalmente ridículo.

Que se apurem os factos, que se trate com distância a noticia. Depois que se opine. Nunca antes.
Que merda de jornalismo temos!

(e já agora, não há um jornalista que lhe pergunte: «mas a senhora foi afastada ou não foi reconduzida? é que há diferenças... e já agora, como é que foi nomeada, em 2004?»)

Lisboa, dia 1


Serviço entregue...

Boas amigo,
Põe por favor este video (caso consigas) no blog do loja de ideias...
Abraço
Etiqueta: Ambiente

Paulo Dias

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