terça-feira, agosto 30, 2005

Chatos!

Precisa de uma boa gargalhada? Tenho o remédio para si.
Se nunca encontrou uma parceira que entendesse a sua adoração pela desfragmentação da sua drive C:, se acha que os espanhóis é que a sabem toda por terem inventado a siesta, ou se como resolução de Ano Novo promete a si mesmo utilizar com maior frequência o fio dental, este artigo diz-lhe respeito.
O "Dull Men´s Club" é isto e muito mais. Celebra o vulgar, confessa pouca apetência para sair de casa e divertir-se, transfigura afazeres domésticos em prazeres celestiais. Se tiver curiosidade, www.dullmen.com, garante-lhe bons momentos de diversão ou, quem sabe, uma nova perspectiva de vida. Esteja descansado, "This web site contains no violence or scary scenes."
Ndr: neste clube menina não entra porque, simplesmente, mulheres não são chatas. Não sei em que tomos da antiguidade foram desencantar esta pérola, mas eu tenho as minhas dúvidas sobre tão veemente afirmação. Lol!

Parangonas

O sucedido recentemente com o super homem do ciclismo, Lance Armstrong, 7 vezes campeão da Volta a França, dá que pensar sobre os media. Aquilo que vemos no nosso burgo, não difere por esse mundo fora. Quando não é o poder político a preencher os diários e semanários de referência com jornalistas "seus", é o poder económico e financeiro a ditar leis sobre os tópicos a divulgar, e os alvos a abater.
Neste caso concreto, tudo se torna muito nublado. Apresentar provas (?) de análises clínicas com vestígios de substâncias proibidas, referentes a 6 anos atrás (!), sem possibilidade de recurso a contra-análises, é de uma sacanice totalmente repudiável. Lança-se barro à parede, reza-se para que ninguém se lembre de pensar (actividade cada vez mais em voga) porque razão não foram divulgadas mais cedo, e impede-se que sejam apresentadas provas contrárias. Dois coelhos de uma cajadada só. E o ferido orgulho françês de ser batido, provavelmente para sempre, um recorde de vitórias da prova maior do ciclismo por um estrangeiro (heresia!) fica defendido. O que estranha, pelo menos a mim, é o que leva um jornal respeitável a embarcar numa decadência tal.
No mesmo sentido, a história do pianista, génio, mudo, naúfrago que deu à costa que, afinal, era um doente com problemas psiquiátricos que apenas dedilhava as teclas e falava com normalidade, mostra que a realidade e a ficção têm tendência a misturar-se nos media com frequência inusitada. Vivemos à procura do inalcançável, do hibrído, do irreal, para fugirmos à normalidade das nossas vidas, banais, monótonas, sem percalços. Esquecemo-nos das pequenas coisas porque fomos abençoados: a capacidade de raciocinar, a família que nos ama, o amor da nossa vida, o trabalho que nos permite ter alguma qualidade de vida, os avanços tecnológicos que nos permitem saber as novidades do outro lado do mundo. Isn´t that the big picture?

Manter o nível

Meu caro Geosapiens,

Se quiseres falar da JS, do PS, ou de qualquer outra estrutura partidária ou associativa, és livre de o fazer no teu próprio espaço. Podes mesmo intervir internamente nessas estruturas, se tal te for permitido e o puderes fazer. Mas não podes utilizar o espaço do Clube para ofender pessoas ou organizações. Se tal voltar a acontecer, a administração do blog (neste caso eu) tomará medidas. Por enquanto o blog fica como está. Está na tuas mãos.

Os actuais capachos humanos de serviço...

É verdade á mesmo capachos humanos (não os confundamos com os pobres tapetes á entrada das nossas casas, que tem a nobre tarefa, de nos limpar das porcarias que trazemos da rua) e o pior é que estão de serviço...

De serviço e de mão estendida a ver se cai alguma coisa, o celebre Boy, está a ser nomeado ás dezenas.

Mas não nos vamos focar apenas e só no tempo actual, antes destes foram Comunas, Xuxas sociais democráticos, outros Xuxas socialistas mais betinhos e betos completos da opus dei encartados (para não se confundirem, estes são os do C.D.S.-P.P.), só falta os floquistas, mas estes também terão a sua oportunidade, por isso não fiquem tristes e aproveitem para beber uns copos nos reles bares do Bairro Alto, pois quando tiverem o tacho só quererão o Champanhe ou o T-Clube.

A diferença destes capachos, os actuais Xuxas socialistas para os outros, é que estes servem para apagar oposições, pelo menos na Juventude Socialista, é vê-los secretários dos ministros ou acessores de impressa, que até então só tinham cortado jornais em gabinetes de imprensa de câmaras municipais, mentecaptos que pensam que a lei só é boa para fazerem as suas ilegalidades como assessores jurídicos de ministérios ou “coisas” que vão para direcções regionais ou governos civis com uma noção do cargo que desempenham, que se pode comparar a um burro a olhar para um palácio, é verdade, o deslumbramento é tal que até se esquecem que há pessoas que não trabalham como capachos e por isso não são sub-capachos e os podem pura e simplesmente mandar bugiar.

Precisamos de pessoas fortes, impolutas e com a mania de serem seres independentes para sacudir esses capachos e o pó que esses provocam sempre que muda um governo, estás por esse motivo convocado para te juntares a esta luta, mas só se não fores um capacho resabiado.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Minhocas e escaravelhos...

Termos a J.S. Nacional, a Federação em Lisboa e a Concelhia de Lisboa, paradas e de pantanas, isto é péssimo, mas nada se compara ao desencanto que estou a ter por a J.S. estar nas mãos destas “coisas”.

E dando os nomes ás “coisas”, de entre outras: Pedro Nuno, Manuel Lage, Duarte Cordeiro e Pedro Pinto.

Haverá com certeza outras “coisas” de que me estou a esquecer, mas para me lembrar destes nomes, sem importância, já fiz um esforço enorme.

Capachismos, tachismos, caciquismos e outros “ismos” semelhantes que são úteis q.b., nomeadamente para egos despidos de ideologia, são as práticas que se confundem com a actuação destes novos dirigentes da J.S..

Só tenho a lamentar que se façam jogadas ilegais e que o “modus operandi” seja conseguir a todo o custo manterem-se no poder, usando estratégias em que põem as pessoas diante dos factos consumados ou de eleições durante os tempos dos exames e férias, a pérola destas actuações ou duas das jogadas das mais irreais de todas, é a de darem três dias para que uma eventual candidatura adversária faça uma Moção e uma semana para que a mesma reúna as assinaturas para se propor, como se passou nas ultimas e ilegais eleições para a Convenção da Federação da Área Urbana de Lisboa.

E porquê “coisas”, é que antes ainda podia haver debate, haviam Congressos e Convenções com jogadas de bastidores, mas nunca se chegou ao ponto actual, de a J.S. Nacional, estar a promover ilegalidades atrás de ilegalidades.

Mas se pusessem com estas ilegalidades, dirigentes, que mesmo assim fizessem alguma coisa, agora vemos é o imobilismo a imperar e um bando de mentecaptos e abutres a tomar conta das carcaças e a oferecer tachos para outros se calarem, é verdade amigos, chegaram a oferecer-me um emprego em troca de apoio, por esse motivo, pergunto-me qual a moralidade para que alguma, das “coisas” referidas, tenha uma carreira dentro do Partido Socialista quando se portam assim na sua estrutura júnior.

Por essas e por outras é que não aderirei ao Partido Socialista, já fui estúpido o suficiente para me iludir em 1995 e aderir a este pelos Estados Gerais para uma Nova Maioria, depois de quatro anos apercebi-me que o Partido Socialista tem uma ditadura de Secretariado, a diferença para o Comité Central do P.C.P. é pouca, por isso e depois da segunda maioria simples do António Guterres e de verificar que o debate que se iria realizar com as estruturas e os militantes de base, nunca se iria concretizar, saí para nunca (e desta vez digo mesmo nunca) mais sequer pensar em voltar a filiar-me em tal Partido ou noutro com a mesma estrutura estatutária.

Precisamos de uma revolução já!!!

Pôr essas “coisas” fora da actividade politica, não só pelas ilegalidades que cometem ou cometeram mas também pela descredibilização constante em que metem o nosso sistema político e as suas estruturas politicas actuais, mesmo que discorde que existam, são as que temos e é com elas que pretendo fazer a revolução.

O sistema está podre, e estas são as minhocas que se alimentam da putrefacção, precisamos de escaravelhos que enrolem esta porcaria e outras e as guardem em locais seguros.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

segunda-feira, agosto 29, 2005

A Fraude segundo Fátima Bonifácio

Numa entrevista concedida por Fátima Bonifácio à revista Pública (nº483, 28 de Agosto de 2005), os leitores do Público puderam assistir a um espectáculo caricato que, infelizmente, não abona muito a favor de uma das mais reputadas peritas da História Política Portuguesa do séc. XIX.

Nessa entrevista, Fátima Bonifácio defende a instauração de um sistema eleitoral misto, baseado em círculos uninominais combinados, ou com uma lista plurinominal nacional, ou com listas plurinominais distritais.

Porquê tal sistema?

Nas palavras da historiadora, “porque corresponde a uma necessidade de tornar a representação nacional mais genuína, e de possibilitar um maior controlo do Parlamento por parte do eleitorado, como aconteceu no séc. XIX.

Começando pelo segundo ponto, devemos então depreender que Fátima Bonifácio tem em boa conta o enquadramento político-partidário oitocentista? [Esta é a parte onde as pessoas que leram os escritos académicos de Fátima Bonifácio desatam a rir às gargalhadas.]

Não, porque mais à frente na entrevista, Fátima Bonifácio, igual a si mesma, produz uma visão bastante crítica da política portuguesa no séc. XIX, onde se destacam as seguintes afirmações: “Todos os Governos ganhavam as eleições, vigorasse o sistema uninominal, plurinominal ou misto (...) Havia fraudes, falcatruas na contagem dos votos, urnas que desapareciam [A família Bush devia pagar direitos de autor], ameaças, subornos”.

Bem, se isto é um maior controlo do Parlamento pelo eleitorado, vou mudar-me para a ditadura mais próxima.

Estando pouco esclarecidos sobre o segundo ponto, podemos ao menos pensar que Fátima Bonifácio defende a introdução de círculos uninominais, por pensar que terá benefícios palpáveis, como a tal referida representação nacional mais genuína?

Não, porque aqui estão mais alguns excertos da entrevista, desta vez sobre círculos uninominais: “um Parlamento exclusivamente composto por deputados de círculos uninominais seria dominado por interesses locais (...) o interesse nacional não é o somatório dos interesses locais (...) os círculos uninominais reforçam os interesses locais e o caciquismo (...) os partidos queixavam-se que eram tiranizados pelos interesses locais.”

Por outras palavras, não se percebe o porquê de Fátima Bonifácio defender a introdução de sistemas eleitorais mistos.

Mas, se calhar, também não é para perceber...

As diferentes perspectivas da guerra...


















A guerra, tal como qualquer acção humana, tem como problema a dualidade de perspectivas...que está bem demonstrada neste cartoon...

Admito que a imagem possa ser considerada redutora, pois também á mulheres que declaram e são responsáveis por se ir para a guerra, Isabel I de Inglaterra, Margaret Tatcher ou Indira Gandi e Benazir Buto...o facto é que os homens (como ser humano masculino) são os principais responsáveis pela grande maioria das guerras...e quem normalmente sofre, e por isso, são mais defensoras do pacifismo, serão as mulheres...aí se demonstrando que estas serão mais aptas para governar...

O pacifismo é muitas vezes perigoso, quando não se calcula que a ideologia que fundamenta um estado é passível de colocar outros em perigo, bem como os seus cidadãos, por exemplo, a II Guerra Mundial foi tão devastadora, pois não houve uma intervenção militar em 1934 ou 1935, deixando espaço a Hitler e os seus sequazes provocarem tantas mortes...é obvio que o Iraque não pode ser comparável pois a neutralização da ameaça potencial bélica já estava á bastante tempo realizada...como se comprova pelo passeio que os E.U.A. e os seus aliados deram até Bagdade...
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Está lá tudo dito...por isso sem comentários...




















P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

"fazer" alguma coisa é urgente, não acham? ... estou cansada de não ver alternativas... e de toda a gente a dizer que só restam sapos...

Quando era miúda e me diziam que não podia querer “salvar o mundo” lembro-me que ficava furiosa, não percebia porque é que os adultos pensavam sempre de um modo tão pequenino, tão incapaz de fazer mais que o mais simples das suas vidinhas pequenas de olhar pelo dia-a-dia... pois bem, agora já lá vai a adolescência, já lá vai a força pura de acreditar mas...

Não acredito que estejamos vivos só para viver um dia e a seguir outro, uma vida e depois dar lugar a outra. Não acredito nisso. Os poetas dizem “há que fazer mais, há que fazer melhor...” pois não duvido. Há que fazer mais. Fazer melhor! O Walt Whitman também dizia qualquer coisa parecida, ou o Ben Harper, e eram/são eles os poetas. A verdade é essa. É só essa. Os poetas se calhar, dizem destas coisas sem um alvo preciso mas, também, quem é que precisa de saber qual é o alvo preciso dos poetas se o que interessa é alcançar o que eles dizem mesmo quando (ou especialmente quando) eles próprios não sabem a que ou quem se dirigem?!
Definitivamente, há que fazer mais. E fazer melhor é cada vez mais urgente!Apontar um objectivo maior, fundamental!

Caramba, salvar o mundo...
Era para isso que eu queria conduzir a minha vida quando era miúda. E tinha a certeza que o faria... mas depois, o tempo passa, as certezas vão-se, fica-se com a impressão de que tudo à nossa volta nos está, de algum modo a trair, a virar as costas e... quando menos damos por ela, pumba! A realidade adulta cai-nos em cima e reparamos, às vezes tarde demais, que estamos a perder-nos nos dias que correm e nos fintam as voltas e nos deixam a pensar que não temos tempo para tanta coisa que pensamos essencial que
o essencial começa a escorregar-nos para longe sem sabermos como voltar a encontrá-lo...

Uf!!! É preciso parar e pensar de novo.

Acreditar de novo!
Publicado por Maria Ferro (Editora de Quem.Escreve.Escreve-se) no dia 19 de Agosto de 2005.

A PRODUTIVIDADE

Naquele grande telejornal que é o Jornal Nacional, foram comparados os dias de férias dos portugueses com os do resto do mundo. Como se sabe, Portugal tem 22 dias de férias por ano, já a China tem 10 dias e, imagine-se, como nos regimes feudais, os EUA não têm férias por lei, isto é, as férias são "negociadas" entre o patrão e o trabalhador, numa luta entre David e Golias, mas com muitos David's desesperados para dar de comer aos filhos. Assim, muitos David's desesperados, que são cada vez mais, deverão aceitar trabalhar 52 semanas por ano.

Depois a jornalista comparou a economia dos EUA e da China com a de Portugal: "por aí logo se vê quem produz mais e quem produz menos".

Também falaram das Filipinas que tinham 5 dias de férias, do México com 6, do Japão com 12, da Espanha com 22 e da Suécia bem como a França com 25. Mas a senhora jornalista comparou-nos com a China e os EUA, imagine-se.

O sentimento com que fiquei no fim da reportagem foi que os portugueses trabalham pouco e deviam trabalhar mais para aumentar a produtividade e assim melhorar a economia. Mas depois pensei o porquê? dos países com menos dias de férias terem maior produtividade, apesar da minha comparação no 3º parágrafo...

Veio-me logo à cabeça que quem mais trabalha mais produz. Mas ainda havia qualquer coisa que não estava certa, é que, tenham os trabalhadores as férias que tiverem, produz-se o mesmo, afinal há sempre as mesmas fábricas e há sempre quem trabalhe.

Assim, cheguei à conclusão que não é a produção que está em causa, mas o subsidio de férias. Quanto menos férias os trabalhadores tiverem menos o patrão pagará aos do part-time na altura das férias.

Os donos das multi-nacinais são os únicos que perdem em os trabalhadores terem férias, afinal mesmo Portugal tendo uma média normal de férias e não ter fraca como as outras coisas quase todas, isso não prejudica em nada a produtividade, mas a riqueza dos ricos. Se as férias baixassem, a única coisa que mudava em Portugal era o stress e as depressões dos trabalhadores, a riqueza dos ricos e o desemprego, que subiam...

As pessoas trabalham para viver, não vivem para trabalhar.

Publicado por Emanuel Saramago (Editor de Socialismos) no dia 13 de Agosto de 2005.

quinta-feira, agosto 25, 2005

A LÓGICA LIBERAL É CONTRÁRIA A UM SISTEMA DE LIBERDADES

Há hoje, neste Planeta, um sistema que tem vindo a ser imposto: a ditadura do que é rentável!
Quando é rentável (seja lá o que isso for...) os poderes apoiam, quando não é rentável destroem, suprimem, acabam!
Um sistema de liberdades e de direitos é incompatível com o sistema do ser rentável...
Ser rentável tem um significado que é determinado por uns quantos em nome dos seus próprios interesses. O mais espantoso é que esses quantos que se regem pela mesma bitola e pelos mesmos conceitos, encontram-se à direita mas também nas esquerdas...
O ser rentável acaba por se tornar, políticamente falando, numa espécie de dominação ideológica. Económicamente falando, ser rentável é o reino das empresas e dos empresários e o ignorar sistemático do trabalho e dos trabalhadores. Mas também dos consumidores.
Do lado da dominação política e ideológica, temos, como exemplo recente, as nomeações dos amigos de Sócrates para a Administração da CGD. Um exemplo que também se pode descobrir em todas as alternâncias que o parlamentarismo produz...
O fim de títulos como O COMÉRCIO DO PORTO e A CAPITAL determinado por um grupo espanhol, é outro exemplo da incompatibilidade do ser rentável com uma liberdade concreta, a liberdade de expressão e de comunicação. Foi determinado por um grupo espanhol, mas poderia também ter sido por um grupo português. Como já aconteceu!
O fim do BALLET GULBENKIAN determinado por um tipo de gestão baseado no ser rentável, é mais um exemplo da incompatibilidade desse sistema com uma outra liberdade concreta, a da criação artística!
É claro que um governo como o de Sócrates, também ele sujeito/subjugado ao sistema do ser rentável, limitou-se a gerir o silêncio para... não perturbar o mercado!!!
No plano internacional, o que se passa com a luta anti-terrorista é outro exemplo que se poderia apontar: não tem prevenido e muito menos evitado o terrorismo. No entanto, perturba, restringe, atrofia as liberdades e os direitos civis!
O liberalismo dos dias da globalização capitalista assenta neste sistema do ser rentável e na ditadura dos interesses de uns quantos... É uma nova forma de totalitarismo à escala planetária!
Publicado por João Pedro Freire (Editor de TRIBUNA SOCIALISTA - Democracia & Socialismo) no dia 7 de Agosto de 2005.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Quando a opção sexual é um crime !!!















A fotografia mostra dois jovens, identificados como “M.A.” (de 18 anos) e “A.M.” (de 16 anos), que foram enforcados em Mashhad, no Irão, em 19 de Julho por terem tido sexo um com o outro.

De acordo com a Agencia de Noticias dos Estudantes Iranianos (Iranian Student Press Agency ou I.S.N.A.) que também tirou a fotografia acima, os dois estudantes foram condenados ao abrigo da Lei Islâmica da Sharia, que pune os actos Homossexuais com a morte, segundo esta, durante o julgamento os dois jovens admitiram que praticaram a homossexualidade, mas que não sabiam que era crime, nem que era punida com a pena capital, dizendo que esses actos eram comuns na camada jovem Iraniana.

A I.S.N.A. informou também que o juiz se recusou a considerar a idade dos jovens, que era menor a 21 anos, violando assim os vários acordos que este país ratificou nos quais proíbe a execução de menores de 21 anos.

Outro dado a ter em conta é que desde 1979, desde que a Republica Islâmica está implantada, e segundo várias organizações Iranianas activistas em relação aos Direitos Humanos, mais de 4.000 homossexuais, mulheres e homens, foram executados.

P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Já tem algum tempo, mas ainda vem a tempo...

Agradecemos a divulgação:

Perguntas aos candidatos à Câmara de Lisboa

1. Algum dos candidatos à Presidência da Câmara de Lisboa se preocupa com o risco de sismos na cidade e pretende tomar medidas para os minimizar?

2. Algum pretende discutir os projectos de expansão da rede do metro, nomeadamente, os da linha vermelha? Que opinião têm sobre o inconveniente dela não chegar à estação ferroviária de Campolide? E sobre o projecto da chamada "linha das 7 colinas" apresentado num recente encontro promovido pela Autarquia sobre acessibilidades e que o Governo teve o bom senso de por de lado há dias?

3. Preocupam-se com a localização da futura estação terminal dos comboios TGV e interessam-se pelo problema da travessia ferroviária do Tejo? Que opinião têm sobre a localização do futuro NAL e sobre o destino a dar ao actual Aeroporto da Portela?

4. O Estado português tinha meios financeiros mais do que suficientes para construir a ponte Vasco da Gama. Preferiu concessionar a sua construção e exploração futura a uma empresa privada a quem já pagou em 8 anos mais do que custou a ponte. Concordam os candidatos com soluções deste tipo?

5. Consideram os candidatos que o quartel de Campo de Ourique na rua Ferreira Borges não deve ser vendido sem a Câmara ter aprovado antes um projecto de urbanização da área que ocupa? Entendem que este projecto deve ser objecto de um amplo debate público?

6. Lamentam os candidatos a venda a privados (que já o revenderam) do edifício do antigo Hospital de Arroios, que incluia o edifício de uma antiga igreja, e onde estavam instalados serviços de luta anti-tuberculosa que ficaram significativamente prejudicados, e que podia ser utilizado para serviços e instituições de interesse social, nomeadamente como hospital de retaguarda?

7. Assumem o compromisso de tornar públicos todos os estudos mandados fazer pela Câmara com a indicação de quanto lhe custaram e estão dispostos a tornar públicos os salários de todos os seus acessores e dos gestores das empresas municipais?

8. Consideram que a Câmara deve apoiar com verbas, formação, apoio técnico e equipamentos pequenas empresas de jovens que actuem no campo de reparação e manutenção de edifícios para, simultaneamente, criar empregos e garantir que estas reparações se façam em boas condições?

9. Como encaram a ideia da Câmara criar um sistema de bolsas de estudo e outros meios de apoio para permitir a crianças particularmente dotadas dos meios mais desfavoráveis prosseguirem os estudos?

10. Face a notícias como a de que os produtores de batatas do Oeste a venderam a 5 centimos o quilo, pensam que a Câmara deve procurar encontrar e estimular medidas que permitam uma melhor comercialização dos produtos agricolas da região de Lisboa, de modo a pagar preços mais altos aos produtores e a assegurar a venda de produtos mais baratos na cidade?

11. Os candidatos dispõem-se a lutar para que na urbanização prevista para o término da Rua António Maria Cardoso não seja de todo apagada a triste memória de ali ter sido a sede da Pide?

Sugerimos aos candidatos que nos seus cartazes de propaganda indiquem os seus emails. Tomaremos esta indicação como um indício de que continuarão, no caso de serem eleitos, a procurar manter o contacto e a ouvir os munícipes.

Esperamos que, no curso da campanha, alguns se pronunciem sobre algumas destas perguntas.

Agradecemos a divulgação deste texto, nomeadamente, em blogues. Ficaremos igualmente satisfeitos se orgãos da Comunicação Social o referirem ou reproduzirem total, ou parcialmente. Agradecemos os comentários, criticas e outros contributos que nos sejam feitos chegar
(13/7/05).

Contributo de:

PS-Veteranos

Contactos: lvbarbas@netcabo.pt ; antonio.brotas@gmail.com ; Viriato Macedo: 961828673 .

A dualidade e a ambivalência em relação a Simón Bolívar.

É um facto que todos os revolucionários sul-americanos proclamaram sempre a sua identificação com o ideário deste estadista, para estes, ele foi o grande pioneiro do combate pela unidade dos povos da América Latina, mas só muito recentemente o pensamento político de Bolívar, até pelos recentes acontecimentos na Venezuela e pelo seu regime promover abertamente as suas ideias, começou a ser tema de debate entre as novas gerações no continente e no mundo

Esse prolongado esquecimento do Bolívar pensador e estadista tem uma explicação simples, este foi um reformador social revolucionário e um anti-imperialista consequente e defensor da unidade da América, através de um federalismo entre os vários grandes estados americanos, enquanto continente, o que incomodava na Colômbia e em toda a América as forças retrógradas que ele, sobretudo nos últimos anos, combateu com coerência e tenacidade.

Liberais e conservadores, ao longo de mais de século e meio, entenderam-se tacitamente em torno de um objectivo comum: incutir no povo a ideia da existência de dois Bolívares: o primeiro o militar, merecedor do respeito e da gratidão de todos os americanos; o outro, o político, um governante incapaz, incompatível com a democracia, com vocação de tirano. A consequência é a glorificação do primeiro e a satanização do segundo.
Para a oligarquia da Grande Colômbia (que englobava a agora Venezuela, o Equador e o Panamá, alem da antiga Nova Granada) Bolivar deveria ter ido para casa quando o ultimo exército espanhol capitulou nos Andes peruanos, o Libertador, deveria ter esgotado a sua missão após Ayacucho (batalha decisiva contra os Castelhanos), nesse momento deveria ter morrido para a história, depois, na visão desta oligarquia, nasceu um vilão.
Esse retrato, pintado com as cores do ódio, é fantasista e perverso, a tese dos dois Bolivares não tem pés nem cabeça e foi forjada para denegrir o reformador social que de 1826 a 1829 se tornou o pesadelo da oligarquia através da libertação dos escravos e dos índios, da defesa dos direitos do povo como sujeito da historia, o pedagogo, o internacionalista, o líder da unidade continental contra a prepotência imperialista norte-americana e internacional que queriam estados separados e fracos, liderados por oligarquias corruptas, como de facto veio a acontecer com o afastamento deste.
Todos os detractores de Bolívar, os antigos e os actuais, coincidem em condená-lo por haver assumido a ditadura em 1828, este no entanto assumiu-a tendo como exemplo a antiga Grécia onde havia ditadores provisórios, que uma vez tendo feito as reformas deram o poder ao povo, Sólon foi um destes, não obstante o facto de eu pensar que qualquer ditadura é má, se não houver solução para controlar a anarquia existente ou desvios da elite apoiante, que era o que acontecia, acho que provisoriamente tal solução poderá ser a única que uma mente clássica, como era a do Libertador, naquele momento poderia ter pensado.

Não obstante de este acto, o de se tornar ditador, ser condenável, foi suficiente ao ler, ao ler os textos da época para me aperceber do conceito de democracia dos legisladores que então invectivaram e combateram Bolívar, chamaram-lhe «caudilho dos descamisados», «líder dos debaixo», «chefe da negrada e indiada».

O General Santander, ex-Vice-presidente de Bolívar, que se tornou o seu mais implacável adversário, deixou cair a máscara ao acusar o Libertador de desencadear «uma guerra interior na qual ganhem os que nada têm, que sempre são muitos, e que percamos nós, os que temos, que somos poucos», estas palavras acabam por funcionar como uma justificação para decisão de assunção da ditadura e da política de Bolívar.

Ao regressar a cavalo pelo Peru a caminho de Bogotá, pelos vales e mesetas da cordilheira, Bolívar sofre com o espectáculo da miséria dos povos que havia libertado, percebe que após anos de uma luta heróica pela independência esses povos viviam ainda pior do que na época da opressão espanhola, ao transmitir a Santander as reivindicações das populações escreve: «não sei como não se levantaram ainda todos estes povos e soldados ao concluírem que os seus males não vêm da guerra mas de leis absurdas».
Os cinco anos de ausência do Libertador, absorvido no Sul pela guerra contra os espanhóis, foram aproveitados pela nova classe dominante para modelar as estruturas de um Estado cujas instituições haviam sido concebidas para perpetuar e aprofundar a desigualdade social em vez de a reduzir. Os crioulos ricos e grande parte dos generais, toda uma casta de descendentes dos antigos terratenientes e “encomenderos” peninsulares, exploradores dos índios e comerciantes mobilizaram esforços para defender e ampliar privilégios e acrescentar àquilo que já tinham o poder político que antes era exercido pelos representantes da Coroa, claro que ao longo da guerra houve clivagens entre essa gente, mas quando as armas se silenciaram, a máscara dos pseudo-republicanos e pró-monárquicos imperiais (é verdade havia quem defendesse a criação de império monárquico ao exemplo do Império do Brasil e muitos outros que mesmo com a queda dos Castelhanos ficaram) caiu em pedaços, convergindo num objectivo: colocar o poder do Estado ao serviço dos seus interesses pessoais.

Os então oligarcas legisladores republicanos usavam uma fraseologia inspirada em grandes textos da Revolução Francesa e da Revolução Americana, mas usaram estas grandes palavras para criar uma «republica aérea», como dizia Bolívar, porque queriam um Estado amorfo e passivo que lhes permitisse ampliar os seus privilégios senhoriais, não concebiam a Constituição como algo criado para servir o corpo social, mas na Colômbia os oligarcas legisladores pretendiam o contrário, pensavam e agiam como se a «vontade do povo fosse a opinião deles».
Noutras cartas a Santander, Bolívar escreveu: «Tenho mil vezes mais fé no povo do que nos deputados (...) Jamais um Congresso salvou uma republica» (...) Não conheço outra opção saudável que não seja a de devolver ao povo a sua soberania primitiva, para que refaça o pacto social».

Para agravar a situação o Estado oligárquico havia criado uma administração corrompida e corruptora, que Bolívar, comparou a sanguessugas que se alimentam com o sangue humano o pacote de medidas que se seguiram ao Decreto Orgânico de Agosto de 1828, foi apresentado nos EUA e nas monarquias europeias como espelho da política autocrática de um caudilho tirânico, a imprensa norte-americana intensificou a campanha contra o Libertador, pintando-o como um ditador vingativo e sanguinário, o que inquietava os governos da Santa Aliança e o nascente imperialismo americano era o conteúdo profundamente democrático e revolucionário das medidas de Bolívar que golpeavam duramente os interesses da oligarquia, bem como defendiam acima de tudo a unidade da Grande Colômbia e a sua união federal com o estado a sul e o então Império do Brasil (quando este se transformasse numa republica), podendo se formar um contra poder aos E.U.A., nomeadamente em relação ás Antilhas e á América central que estes então cobiçavam.
Bolívar utilizou os poderes extraordinários do mandato que assumiu para virar o Estado do avesso, este deixou de ser o instrumento de defesa e reforço dos privilégios da classe senhorial para ser colocado ao serviço dos direitos, liberdades e exigências sociais do povo, o saneamento da justiça e a punição dos funcionários corruptos foi uma preocupação prioritária, começando por reduzir para metade os altos vencimentos dos membros do Congresso e, muito importante, aboliu todos os privilégios que o Estado concedia à Igreja Católica Apostólica Romana e a lei que obrigava os índios a prestar serviço militar obrigatório num regime de semi-escravidão foi revogada.

De todas as suas medidas revolucionarias a que mais indignou os grandes latifundiários foi aquela que ordenou a devolução aos índios das suas terras, como «legítimos proprietários» das mesmas e das quais os seus antepassados haviam sido expulsos pela coroa espanhola, isto independentemente dos títulos de posse apresentados pelos actuais senhores.
Várias leis promulgadas para o efeito incentivaram a indústria e o comércio e a elevação das taxas aduaneiras protegeu a produção nacional da livre concorrência com as mercadorias importadas, naquela altura esta foi uma medida importante face á invasão de produtos ingleses, americanos e holandeses, foi também revogado o monopólio da navegação no rio Madalena, a grande artéria fluvial do pais, concedido por Santander a um empresário dos EUA, foi protegida de forma a poder vestir, se necessário, «toda a América do Sul», a milenária indústria têxtil dos índios equatorianos e foram nacionalizadas as minas particulares, acabando com a quase escravidão dos índios que nestas trabalhavam, e o Estado concentrou nas suas mãos o monopólio de todas as riquezas do subsolo.
Decretos especiais visaram a protecção da natureza, nomeadamente as florestas e os grandes rios.
Na área da Educação as faculdades de Medicina de Bogotá, Caracas e Quito foram incumbidas de zelar, em cooperação com as autoridades do Estado, pela preservação das plantas medicinais úteis. Bolívar chegara à conclusão de que o primeiro dever de um governo consistia em proporcionar ao povo uma boa Educação, gratuita, o seu mestre e amigo Simon Rodriguez recebeu a autoridade e meios para reformar os estabelecimentos escolares existentes e criar outros «nos melhores edifícios», para «todas as crianças de ambos os sexos que em cada departamento estejam em estado de instruir-se em ciências e artes» (gramática, literatura, historia, etc), e o Governo decidiu adoptar os muitos milhares de crianças que haviam ficado órfãs em consequência da guerra.
A Constituição de Cucuta, estabelecia que um cidadão para ser eleitor e elegível tinha de ser proprietário ou possuir um determinado rendimento, Bolívar, não aceitou essa discriminação que ampliava a desigualdade, e aboliu-a, decretando que «Todos os cidadãos são iguais perante a lei e igualmente admissíveis para servir em todos os empregos civis, eclesiásticos e militares».

Seria infindável o rol da legislação bolivariana de carácter revolucionário e progressista, isto para a época, promulgada durante os dois breves anos da ditadura que, segundo a direita colombiana, constituiu uma tresloucada agressão à democracia, isto aconteceu porque Bolívar tinha pressa, pois sabia que era curto o seu tempo de vida útil, sentia a proximidade da morte na ruína de um corpo marcado pelos estigmas de uma vida que pela dureza lembra a dos heróis da mitologia grega, pois gastara duas décadas da existência cavalgando e combatendo pelas florestas e pantanais tropicais e pelas e altas punas andinas, transpondo com o seu exercito, cada vez mais internacionalista, não nos esqueçamos que inúmeros Maçons de Lojas europeias foram combater com este, nomeadamente italianos, franceses e holandeses.

É interessante verificar que a sua sorte o abandonou depois de que sofreu uma tentativa de assassinato politico em 28 de Setembro de 1828, e num acto de reacção violenta e suspeitando de tudo e todos, fecha todas as associações secretas, inclusive a Maçonaria, renegando-a e a todos os Maçons, que tanto o tinham ajudado na sua governação, é derrubado um pouco mais tarde sem que nenhum dos que o ajudaram acorram em seu auxilio.
Não obstante esses factos, Bolívar, viveu o suficiente para assistir, angustiado, já moribundo e afastado do poder, passando ao oriente eterno em 17 de Dezembro de 1830, ao desmoronar da sua obra, odiada pelos abutres oligárquicos, mas as sementes desta não secaram, voltando a germinar, pois nunca desapareceram da imaginação popular.

Quando Bolívar se batia pela unidade da América hispânica e índia este antecipou-se a qualquer outro na ideia de que os Estados Unidos iriam, em nome da liberdade, semear misérias no corpo das jovens republicas, a cuja a criação este se opunha, tentanto defender a União até ao fim, no tempo do Libertador a linguagem política era outra, mas de alguma maneira, a ditadura revolucionária de Bolívar foi inspirada pelo mesmo espírito humanista e democrático, pelo mesmo amor do povo que muitos governantes do passado, e do continente Americano, nunca tiveram, e que hoje não têm ou que não conseguem ter, só por esse facto e por o ter tentado merece o meu mais profundo respeito.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

Depende da perspectiva...



















Esta caricatura ou “cartoon” demonstra, embora de forma invertida, a perspectiva dos noticiários generalistas ocidentais (dos outros não conheço para fazer juízos críticos), ou seja, quando falamos da morte de vinte cidadãos londrinos por terrorismo, ocupamos centenas de horas de noticiários e a morte de milhões de crianças em África por subnutrição apenas uns minutos por mês.

Desculpem-me a pergunta:, mas, será que a banalização da morte por subnutrição tornou o produto “não vendável”?

O recente fecho de “A Capital” (o “Comercio do Porto” estará a tentar viabilizar-se) abandonaram o jornalismo a esta perspectiva, a da vendibilidade das histórias, faz-me pensar se não precisaremos de um verdadeiro jornalismo, no qual quem alinha as noticias serão os concelhos de redacção motivados pela necessidade de informar e não os directores assessorados por maketeiros que a mando do concelho de administração só alinham o que vende, ou seja, violência com sangue, lágrimas e choradinho, noticias que pretendem alarmar ou procurar a histeria colectiva, noticias sobre o “social bacoco” e escândalos associados bem como a promoção de entretenimento barato popularucho.
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

A laicidade aparente...

Nunca se sentiu tanto que o poder de uma minoria oprime o poder de uma maioria, vejamos, segundo números da própria Igreja Católica Romana, no seu Inquérito feito em 2001 sobre a Prática Dominical no Patriarcado de Lisboa os praticantes (segundo o Inquérito Permanente às Atitudes Sociais dos Portugueses ou ASP, que decorreu entre Abril e Julho de 1998) regulares e irregulares (aqueles que vão à missa algumas vezes por mês) representavam então cerca de 45% da população residente neste país, os restantes por muito que lamentavelmente o Patriarcado deseje são pessoas á muito afastadas da fé, mas mais da Igreja Católica Apostólica Romana, e do que esta representa. se bem que o número de praticantes efectivos apurados nos locais de culto, na demarcação territorial Patriarcal de Lisboa era só de cerca de 11% da população residente, disparidade forte e que não deixa de ter significado, em relação ao todo nacional.

Pois bem o que sentimos, na Área Urbana de Lisboa, é que a minoria governa a maioria, isso mesmo no máximo cerca de 45% da população (na versão optimista) governa os restantes 55%, ou seja por omissão uma significativa parte dos cidadãos deste país, fica nas mãos de uma minoria retrograda, mas se vivêssemos num Estado Regional de Lisboa e Setúbal essa minoria seria apenas de 11%, tenho por esse motivo que me resignar á ideia que vivemos num país em que em largas zonas fora desta área urbana, a que chamo minha pátria, é retrograda, pequena e conservadora e apoia a manutenção do “status quo” em que vivemos.

Na Região Autónoma da Madeira (acho a designação particularmente feliz), onde um povo ignorante elege á largos anos, ajudado pela mão fiel do clero Católico Apostólico Romano, um político populista, de seu nome Alberto João Jardim, inaugurou-se no dia 15 de Agosto ultimo uma estátua, do Beato Carlos da Áustria, para que esse facto se verificasse o Governo Regional envolveu-se directamente na beatificação de tal personagem, os fins invocados serão os turísticos, não obstante o facto transformou declaradamente tal ilha num estado regional confessional, algo que já estava em marcha á muito tempo, quem não se lembra da protecção dada ao clero católico a quando do julgamento do Padre Frederico, a campanha ás portas das Igrejas do caudilho que governa aquela região, os apoios directos á manutenção das igrejas, a influência desmedida do Bispo do Funchal sobre o Governo e a sua permanente presença em todos os actos oficiais, sendo equiparado a um ministro, ou as constantes afirmações de teor beato com o forte cunho católico apostólico romano do caudilho governante.

A Igreja católica apostólica romana tem desse modo, na Região Autónoma da Madeira, e a par com a Polónia e a Irlanda os únicos estados claramente confessionais Católicos Apostólicos Romanos da Europa (também existem os confessionais protestantes como o que resta do império Inglês nas Ilhas Britânicas, a Noruega ou a Suécia, três ditaduras mascaradas de constitucionais), temos por esse motivo que estar atentos, nós que defendemos a laicização do estado, para as tentativas constantes da parte da Cúria Católica Apostólica Romana, fortemente enfeudada na Opus Dei (notou-se claramente, com a etronização do ultimo ditador governante do catolicismo apostólico romano, que tanto os Jesuítas como os Dominicanos e os Franciscanos, perderam o controle do Papado) para tornar os países com fortes minorias católicas em estados confessionais.
Resta-me o consolo das sucessivas derrotas, do Catolicismo Apostólico Romano e das suas tentativas de confessionalização estadual com a perca de influência generalizada no poder político da América Central e do Sul, a derrota do Governo Regional Açores, fortemente influenciado pela Opus Dei, as sucessivas derrotas dos governos nacionalistas católicos da Croácia e dos governos tutelados pela Opus Dei de José Maria Aznar e de Santana Lopes, ou a derrota sucessiva dos diplomas conservadores católicos nos governos da aliança de direita Francesa, com reforço do laicismo, e a vanguarda destes na defesa de uma Constituição Europeia não confessional, conjuntamente com a Bélgica e a Holanda, não esquecendo a vergonhosa actuação dos dois países Ibéricos ao defenderem o contrário.

Mas não baixemos os braços, descurar as defesas diante de alguém que pôs á frente do Papado, o ex-cardeal protector das doutrinas retrogradas do Vaticano e censor das atitudes mais conciliatórias da parte da Religião Católica Apostólica Romana, este papa, ex-nazi e membro das fanáticas forças antiaéreas do III Reich alemão, tenta-se promover como um amante da Paz, mas fundamenta-se numa aliança de conservadores das várias religiões (os protestantes puritanos americanos, as diferentes ortodoxias cristãs do leste, os ortodoxos judeus ou as ditaduras fundamentalistas no islão e do seu clero) para tentar através de uma divisão de áreas de influência e tentando nas diversas conferências das Nações Unidas, impor as suas visões retrogradas, e conseguindo-o em algumas delas, por exemplo na da SIDA, em que conseguiu que o preservativo não fosse uma das armas generalizadas nessa luta e influir nas decisões finais.
Só quando o “estado” do Vaticano, essa “coisa” internacional (que nem se pode chamar de estado), desaparecer e deixar de ter assento (mesmo e só como observador) na Assembleia Geral e nas conferências Internacionais desta, é que deixaremos de viver sob a égide e o perigo constante de uma confessionalização do mundo, ao contrário do que pensamos o fundamentalismo islamita é algo identificado e com tendência para regredir, o fundamentalismo católico apostólico romano, ortodoxo cristão, puritano anglo-saxónico e ortodoxo judeu move-se pela obscuridade do desconhecimento e do adormecimento da generalidade das pessoas e governos face ao perigo que estes representam.

Nos últimos tempos várias batalhas foram ganhas e muitas perdidas, estamos a prepararmo-nos para outras, que com certeza irão ter influência na decisão sobre o futuro pela laicização deste planeta, os que defendem a Laicização do estado tem que se organizar e unir, e estão a fazê-lo, cabe a cada um de nós fazer a nossa parte, tal como faço a minha parte denunciando as situações e sendo activista em várias lutas, espero que também TU faças a tua...
P.S. – Reflexão também publicada no Geosapiens.

sexta-feira, agosto 12, 2005

A industria dos Incêndios



Publicação: 04-08-2005 21:05


A indústria dos incêndios






A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

José Gomes FerreiraSub-director de Informação


Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas. Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências? Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis? Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade. Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime. Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores

4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira

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