segunda-feira, junho 29, 2009

Não estiveste lá? Estranho...

Vejo no 31 da Armada que o Carlos Nunes Lopes se indigna com o facto de a Gebalis ter admitido 6 (seis) novos funcionários na Gebalis. Seis. Não foram sessenta, nem seiscentos; mas seis. Eu ainda me recordo da gestão camarária do PSD de Santana-Carmona, e lembro-me bem do centro de emprego que era a CML para os boys laranjinhas. Estranho o Carlos Nunes Lopes não ter por lá passado, tantos foram os felizes contemplados.
Claro que a indignação do Carlos se refere ao facto de todos os seis (repito, seis), serem do Partido Socialista, o que pressupõe que militantes socialistas não podem ter valências, características ou méritos que lhes permitam serem contratados por entidades públicas. Outro erro.
O que o Carlos decerto quereria fazer notar é a facilidade com que as nomeações políticas se fazem neste país, com os principais partidos a tomarem – ciclicamente – conta de partes do aparelho do Estado. Aparte da reflexão acerca dessa necessidade, que permite a implementação mais facilitada das políticas públicas, a verdade é que essa rotina já foi mais visível. Hoje, apesar de ainda existir, está bem mais controlada, e só quem tem vista curta ou memória fraca pode atacar o PS na CML de favorecer «os seus». Bem sei que há quem queira esquecer a governação Santana – Carmona a todo o custo; mas há também quem não a esqueça (e sinceramente é preciso ter vergonha na cara pensar que se esquece tudo com tanta facilidade).
(tema a voltar)

domingo, junho 28, 2009

Clubismo Partidário ou uma reflexão sobre Identidade em Política.

Amanhã vai sair um novo cartaz do António Costa e da candidatura Unir Lisboa. O mesmo, que pode ver neste post, é em tons de verde. Não me parece mal a cor (apesar do meu benfiquismo), que procura absorver o conceito plural do alfacinha lisboeta (daí a cor verde alface), nem me parece uma má ideia do ponto de vista político e do marketing. Se por um lado procura apresentar António Costa como um líder para toda a cidade; por outro, procura lembrar o carácter trans-partidário da sua candidatura, facto manifestado pela elevada quantidade de independentes da sua lista de 2007 (que se espera que se repita em Outubro). Essa é uma marca da candidatura Unir Lisboa, que agora se procura valorizar.
No entanto, não posso deixar de estranhar a volatilidade identitária que se tem verificado na forma de comunicar da política contemporânea, que reflecte como se aprecia a ideia de identidade Política. Antigamente as cores eram fixas e tinham uma importante representação simbólica. O vermelho representava o trabalhismo, a social-democracia, o socialismo e os vários comunismos. O azul a democracia cristã. O Amarelo os liberais e o Verdes… os verdes. Quando vemos que muitos partidos e forças políticas mantem as suas cores, a verdade é que o PS se foi afastando da sua. Fê-lo por razões de deslocamento ideológico e de penetração no mercado eleitoral centrista (que tinha – e ainda tem – receio de demonstrações demasiado rubras), Fê-lo por questões de procura de espaço simbólico (excessiva concorrência nos vermelhos – o Bloco também o fez, correndo para os roxos). Inicialmente António Guterres inventou o Rosa; e mais recentemente José Sócrates apresentou-se com os azuis institucionais. As razões são as mesmas: deslocar ideologicamente o Partido Socialista da esquerda, coloca-lo no centro governamental e disputar o eleitorado centrista e conservador. Boa medida em termos de resultados eleitorais, mas com dúvidas em relação à implementação de políticas públicas (boas numas áreas, más noutras).
Curiosamente, também por razões de marketing, os clubes de futebol sofreram nos últimos anos uma transformação simbólica similar. Antigamente o Benfica só se apresentava de Vermelho ou de Branco. O Porto de Azul e o Sporting de Verde. Hoje, para que se vendam mais e mais camisolas, vemo-los a trocar de equipamento todos os anos, para cinzas, pretos, cor-de-rosa, etc. A ideia continua a ser a de conquistar eleitorado. Neste caso futebolístico.
Esta fase de clubismo partidário, que parece só afectar o Partido Socialista, diz-nos então – pelo menos – quatro coisas. (1) O PS perdeu sustento ideológico e hoje é um partido assumidamente de poder (o que em si não é uma má característica, pelo contrário, pois assume a responsabilidade de ser transformador); (2) desenvolveu uma leitura da sociedade onde entende que o Partido deve ser superior à sua militância e ao seu activismo; procurando ligar-se directamente aos cidadãos. Este processo é possível porque (3) o PS perdeu a sua definição ideológica e assume-se como um Partido catch-all sem o sustento simbólico que amarra a sua militância-base. Neste caminho foi perdendo identidade. Primeiro o Vermelho, depois o Rosa. Por outro lado, (4) esta estratégia apresenta o Partido Socialista como o Partido de todos os Portugueses, e não somente da sua clique partidária ou grupos de interesse que o procurem sustentar. O PS é hoje um Partido de Governo, e para sê-lo com mais eficácia simbólica necessitou de se afastar de um passado carregado ideologicamente. Esta dimensão, reafirma a primeira apreciação, pois um Partido com tais características liga-se directamente ao eleitorado, menosprezando os seus militantes.
Agora, é esse o rumo da política contemporânea? Ou só o do PS? A verdade é que outros partidos também fazem este percurso. O Bloco nasceu no Roxo, e os partidos da direita nunca necessitaram de sair das suas definições simbólicas, até porque eram os únicos no terreno (laranja só o PSD, azul só o CDS; enquanto que no vermelho…). Sobre o assunto acho que nem tanto ao Mar nem tanto à Terra. É verdade que os Partidos Políticos devem procurar sair da sua massa militante constituinte e procurar envolver directamente os cidadãos; mais ainda quando se apresenta em listas sem exclusividade partidária (como foi a lista Unir Lisboa). Por outro lado, não podem as forças políticas perder a sua identidade, pois se o fizerem ficam reféns dos líderes de circunstância e das modas dos tempos e correm o risco de governar sem sabor, sem Ideia, sem Ideologia. Esta é uma pecha da governação contemporânea, em especial à esquerda (e isto é visível não só em Portugal) e que necessita de ser colmatada. Como o fazer? Isso é motivo para um outro post… (e um desafio para quem ler este…)


sexta-feira, junho 26, 2009

Eleições poupadas ou eleições democráticas?

Quatro eleições simultâneas? Recuso participar numa mesa de voto

Fina d'Armada


As eleições autárquicas não são UMA, mas TRÊS. Os eleitores votam em três impressos com candidatos e símbolos em posições diferentes. Só quem desconhece o que é uma mesa de voto pode defender 4 eleições ao mesmo tempo!
Presidi a uma mesa, na freguesia de Rio Tinto, Gondomar, nas últimas autárquicas. A freguesia tinha 32 mesas de voto para mais de 36 mil eleitores, cerca de 1100 eleitores por mesa. Na minha, votaram 800 e tal. Fiz as contas e durante as 11 horas de abertura, deu 45 segundos para cada eleitor. Foi um pandemónio, sobretudo quando chegavam autocarros trazendo os idosos dos lares. Eles não aguentavam de pé, estava sol e, como eram tantos, a fila estendia-se porta fora. Alguns vinham acompanhados de familiares para votarem por eles sem passarem pelo delegado de saúde. Começaram a insultar a mesa: que não tinham posto gente em termos, que só havia bicha naquela mesa, que eram uns incompetentes...
Valentim Loureiro concorrera para a Câmara e para a Ass. Municipal, mas não para as Juntas. E fez a campanha: “para votar no Valentim, vota no fim”. Chegavam à mesa e perguntavam: “Então para votar no Valentim são precisos três papéis?” Às vezes entregavam-nos apenas um, deixando os outros na cabine. Na fila, falavam uns para os outros: “Ó Zé, é para votar em todos no fim?” “É”. Conclusão: como no impresso das Juntas calhara ao BE estar nessa posição, este conseguiu um resultadão. No final, o PSD perdeu Juntas e maiorias. Em Rio Tinto, o BE elegeu dois, um foi para o executivo. Em Fânzeres, três membros eleitos pediram a demissão. Em Medas, não se conseguiu formar Junta... Não se fiem em mim, façam um estudo em Gondomar para conhecerem o país real.
Como nas autárquicas a polícia acompanha o presidente das mesas com os votos, eram 22 horas e ainda eu estava no local. Tive de os ditar por telefone. Por isso, que vá para as mesas quem defende QUATRO eleições simultâneas!

* * *

Se dúvidas eu tinha (sobre a simultaneidade ou não das autárquicas e das legislativas) e, na verdade, tinha, eclipsaram-se!

Jon Stewart Standup - 1996

Ainda bem actual...

A verdade da Mentira

Se é isto que é falar verdade, a verdade da senhora é como a do futebol: o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Desde a entrevista na SIC que a questão do momento tem sido o negócio da PT com a Prisa sobre a Média Capital. Ainda ontem, na mesma SIC Notícias, Miguel Relvas e João Soares trocavam argumentos sobre o mesmo, mantendo Miguel Relvas, mesmo depois de se saber que Moniz continuaria na direcção da TVI, a tese do controlo governamental do dito canal. O próprio Presidente da República, ao contrário do que fez no caso BPN, comentou este negócio ampliando as suspeições sobre o mesmo negócio.


O que nenhum deles estava à espera é que Manuela Ferreira Leite, após ter andado durante este tempo a opor-se ao negócio viesse agora criticar o Primeiro-Ministro por este inviabilizar o negócio, pondo assim fim à suspeição. Mas entende-se a posição de Manuela Ferreira Leite: Dava muito mais jeito continuar a alimentar suspeitas.


P.S. - De referir que, à esquerda, manteve-se a coerência. BE e CDU concordam com a decisão do Governo. Já o CDS alinhou pelo diapasão do maior partido da direita portuguesa.

The King is dead





quarta-feira, junho 24, 2009

Gostava de ter escrito isto

“(...) como um homem patético. Passe a redundância.”

Mexia, Pedro, (2008), “Eu devia ter tido mais juízo” in Nada de Melancolia, Tinta da China, p.136.

Lição

E será que o querem nas listas?

Pedro Passos Coelho, adversário de Ferreira Leite na corrida à liderança do partido, no ano passado, foi ao conselho nacional dar o seu apoio à direcção do partido, garantindo estar disposto a colaborar. Inclusivamente para ser candidato a deputado por Vila Real, se for essa a vontade da distrital e da própria comissão política nacional.


Depois do famoso dia de campanha nas Europeias, e de toda a oposição interna que tem feito, as perguntas a fazer são: E será que o querem nas listas? E aos seus apoiantes? E que quantidade?

Um tema a acompanhar nos próximos tempos...

terça-feira, junho 23, 2009

Young Women beaten in streets of Tehran while protesting

Imagens de uma democracia em acção

Pequena dúvida...

Quando a ideia que se passa é que o PS ganha umas eleições legislativas sem maioria absoluta, discute-se a formação do bloco central.
Quando a ideia que se passa é que o PSD ganha umas eleições legislativas sem maioria absoluta, discute-se a formação de de uma coligação de direita.

Alguém me sabe explicar o porquê?

E mau para a Europa, digo eu!

Naturalmente, Durão Barroso recebeu o apoio unânime dos 27 países membros da UE para se manter à frente da Comissão Europeia. Boa notícia para Portugal, como acentuou José Sócrates. Má notícia para Mário Soares. E Vital Moreira.

É o que diz aqui o Pedro Correia, no Corta-Fitas. E mau para a Europa, digo eu!

segunda-feira, junho 22, 2009

Uma pequena grande crítica aos Lojistas aqui do burgo!

Eu estive fora do país, e só agora tive conhecimento da notícia da morte de Carlos Candal. E tive conhecimento ao dar uma vista de olhos no 31 da Armada (podia ter sido noutro, mas foi por aqui que comecei a ronda pelos blogues), num texto sobre Rui Rio e a RTP, do Nuno Gouveia.
Acho incrível que este blogue, sempre tão de esquerda com causas tão nobres e progressistas, se esqueçam de mencionar e homenagear um socialista como Carlos Candal. Até porque certamente também haverá por aqui quem, além de mim, conheça pessoalmente filho Afonso.
História e memória é algo que os socialistas têm e devem ter. Nenhuma causa terá sucesso sem honrar e homenagear o passado. Homenagear aqueles que desbravaram o caminho que agora percorremos. Homenagear a luta de Homens e Mulheres por aquilo que acreditavam e que nós agora continuamos, acrescentando capítulos, textos, páginas ou pequenos parágrafos às páginas de História que eles continuaram antes de nós.

Carlos Candal morreu no passado dia 18 de Junho, no Hospital de Coimbra. Aqui fica a justa chamada de atenção, o mínimo que podemos e devemos fazer!

Uma semana que passa e nada de novidades!

Uma pessoa sai uma semana e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (assinasse ele mais depressa que os uruguaios do Porto e já lá estava mesmo).

Uma pessoa chega e Jorge Jesus é o treinador do Benfica, o Katsouranis está para se ir embora e o Reyes está quase a chegar; o Miguel Veloso vai ser vendido dentro de pouco tempo; o Cissoko está quase no AC Milan (lavasse ele os dentes – curioso que o prof. Jesualdo disse em tempos que no Porto ganhar era como lavar os dentes – e já lá estava mesmo).

Passou uma semana e o país está na mesma. E até parece, por este blogue, que no Irão não se passa nada (tema a voltar, de preferência amanhã) …

Podia – e devia – ter continuado de férias!

domingo, junho 21, 2009

Novas Fronteiras 2009-2013

Decorreu ontem, dia 20 de Junho na sala Tejo do Parque das Nações, o Fórum Novas Fronteiras 2009-2013. Este fórum pretende ser a plataforma de lançamento e desenvolvimento de ideias que sustentarão o programa legislativo das próximas eleições para o Partido Socialista e as reuniões estão abertas a toda a sociedade civil, que pode prpoõr ideias e alternativas.
A sessão aberta teve a participação do primeiro-ministro José Sócrates e de António Vitorino, entre outros ilustres.
Gostaria de louvar a iniciativa de movimento cívico, representando assim uma abertura do Partido Socialista à sociedade civil que convida ao empenho no programa do próximo governo socialista. Representa também um sinal de maturidade democrática ao se apelar à sociedade civil que colabore em tão ambicioso programa. Trata-se de democracia directa a funcionar.
É nosso dever cívico, independentemente das tendências partidárias de cada um, aproveitar a magnífica oportunidade que nos é dada a todos para pensar o país em conjunto e concretizar o governo do país( que é de todos), sugerindo ideias que edificarão a sociedade portuguesa na próxima legislatura.
Está lançado o desafio, que é de todos e para todos. Podemos retribuir a oportunidade com ideias, aparecendo, falando, debatendo, consolidando posições possíveis.

quinta-feira, junho 18, 2009

Orgulho e Preconceito

No próximo sábado vai-se realizar a 10ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (o Pride de Lisboa); evento tradicional no calendário festivo da cidade, com tradições no século passado. Celebra-se o Orgulho LGBT.

Estranhamente, há quem questione a validade destas iniciativas, desvalorizando-as e procurando apresentá-las como marginais colocando em causa a sua importância e colando-a a movimentos marginais ou insignificantes. Foi neste sentido que li os comentários do Tiago Azevedo Fernandes a este postAinda estou para perceber por que razão é que a orientação sexual, seja ela qual for, há-de ser motivo de orgulho», «há também homossexuais que não simpatizam com este tipo de manifestações - deverão sentir-se mal consigo próprios por esse facto?»). Esta reacção é, ainda – e infelizmente – muito comum em parte da sociedade portuguesa, em especial naquela que não se liberta de certos preconceitos e que não entende totalmente o contexto de iniciativas como a Marcha do Orgulho LGBT.

Claro que a Marcha não é exclusiva da comunidade LGBT. Eu sou heterossexual e vou estar no sábado no Principe Real, como sempre o faço e como muitas pessoas fazem. O Orgulho que se vai celebrar é o de cada um de nós poder ser e assumir aquilo que é, no que toca à sua orientação sexual, qualquer ela que seja. Também se celebra, de forma indirecta, o Orgulho na nossa sociedade; uma sociedade tolerante que permite a viabilidade dessa escolha; uma sociedade activa e orgulhosa do que já conseguiu construir; uma sociedade que está consciente do que ainda necessita construir (para quando a plenitude e a igualdade de direitos?). Só quem não sabe como são outras realidades (adenda: ver esta ou esta) pode colocar em causa o Orgulho que temos em poder celebrar isto.

Por isso, caro Tiago, não se deve sentir nem bem nem mal com a posição que toma relativamente a estas iniciativas. Eu é que lhe agradeço os comentários que fez a este post, e que me motivaram a escrever este texto, e aproveito para o convidar pessoalmente a vir à Marcha do Orgulho LGBT de Sábado. Procure-me, sei que não tem os preconceitos que parece ter.

Lição aberta de José Gil. Hoje às 18 horas.

Caros amigos e amigas, hoje às 18 horas iremos transmitir on-line a lição aberta de José Gil no âmbito das Conferências de Lisboa. A transmissão será feita em simultâneo no site do Público On-line , no site das Conferências de Lisboa, bem como um grupo de vários blogs que se juntaram nas últimas semanas: Arrastão, 5dias, canard libertaire, spectrum, queluz e jeunegarde, além de nós próprios.

Uma história de amor

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